sábado, 8 de junho de 2019

Om. shanti.

Há um prazer delicado nas ilusões — como se fossem véus de seda cobrindo a nudez da verdade. Elas nos embalam, nos oferecem formas suaves para suportar o peso do existir. Mas a música não se apressa em sustentar fantasias; ela as dissolve lentamente, nota por nota, como quem convida o espírito a repousar sem máscaras.

“Saber é ver dentro de nós.”
E ver dentro é atravessar o espelho, é aceitar o silêncio que existe entre um acorde e outro. Não é um saber ruidoso, mas um reconhecimento sereno: perceber nossas sombras sem julgamento, nossas fragilidades sem fuga, nossos desejos sem adornos.

E nesse sussurro aprendemos que o prazer mais sólido não está na ilusão que conforta, mas na lucidez que pacifica. Quando cessam as distrações do mundo, resta o espaço interior onde a consciência se torna clara como água parada. Ali, onde nada precisa ser provado, o saber floresce. E o coração, finalmente, descansa na própria verdade.

Erik SATIE - Gymnopedies 1, 2, 3  (60 min)

Nenhum comentário:

Postar um comentário