Trabalho filantrópico para o bem comum: SOMOS UM TODO CHAMADO AMOR. “Seja um estudante, não um seguidor… debata, pondere e considere de todos os ângulos.” (Jim Rohn). Aqui, toda leitura que gera consciência pode se tornar semente, e, quando compartilhada, amplia o bem. Este espaço não busca números, mas alcance de consciência. Se fizer sentido para você, compartilhe.
quarta-feira, 30 de novembro de 2022
Namastê buscadores!
Reflexionado:
"(...) Nossa mais devastadora ilusão é pensar que podemos controlar a vida dos outros. Imposição é o oposto da liberdade e extermina tanto a independência do que domina como a do dominado.
Apenas escolhendo o autocontrole é que atingiremos a verdadeira libertação. Não conseguiremos evoluir emocional, intelectual e espiritualmente se estivermos desgastando nossas energias para comandar a vida dos outros.
"... e onde se acha o Espírito do Senhor aí está a liberdade."
(II Coríntios, 4:17) .
Os bons espíritos são livres porque dão liberdade a todos que os cercam. Reconheceram a importância de se desvencilharem das afeições possessivas, pois respeitam integralmente a condição natural de todos seres livres, filhos de Deus.
A Espiritualidade Superior nos ensina que somos convocados a compartilhar com os outros afetividade e a mútua proteção, mas isso se torna um desequilíbrio quando exigimos apropriação do ser amado. Que deveríamos nos sentir recompensados, e não intimidados, quando constatamos que os que amamos têm interesses independentes, confiança em si mesmos e auto-suficiência.
Quando delegamos o controle de nós mesmos a uma outra criatura, seja ela quem for, talvez estejamos renunciando ao nosso mais importante direito inato: a liberdade. Ela pressupõe senso de dignidade, escolha e auto-respeito. Sem senso de valorização próprio, nos julgaremos uma nulidade e sentiremos um grande vazio na alma, isto é, uma sensação de "não ser".
A propósito, recordemos Victor Marie Hugo, o mais ilustre poeta e escritor francês do século XIX, quando escreveu:
"O pior uso que se pode fazer da liberdade é abdicar dela".
(Do Livro: A Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto
ditado por Hammed- págs: 161/162)
***As citações são para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.
domingo, 27 de novembro de 2022
Om, shanti.

(Inspirado em Fernando Pessoa)
O tempo, esse mestre invisível,
vai mostrando que a busca... sempre vã,
obedece a uma razão que não conhecemos,
mas que sentimos no silêncio entre os dias.
As boas ações não nascem do querer,
mas de um pensar calado,
onde o juízo se faz sem pressa
e a alma pesa cada gesto
como quem pesa a luz na palma da mão.
Vivemos entre a vida e a ideia da vida
e é nessa luz ambígua que a sabedoria
se insinua, discreta,
dando à matéria um novo sopro,
um eco da eternidade no instante.
Há um eu que dorme em cada um.
E quando desperta, se desperta,
anda como um velho que já foi jovem,
sem medo, mas com o cansaço de quem já viu
demais para se espantar com o presente.
A espiritualidade que pensa,
evolui como quem aprende a aceitar:
que tudo o que é real
tem raiz no invisível.
A integridade é o escudo do incerto,
e a cautela, seu passo firme.
Só quem vive em harmonia dentro de si
pode julgar-se com justiça,
sem ilusões nem dureza.
Maturidade não é vitória
é uma aceitação elegante da derrota,
uma semeadura calma
no campo circular do tempo,
onde tudo retorna,
mas nada volta igual.

Namastê buscadores!
Tudo nasce e morre continuamente
– a vida é cíclica
A natureza se renova o tempo inteiro, em um incansável movimento de expansão e recolhimento.
O dia nasce e se torna noite, depois dia mais um vez.
Uma árvore é plantada. Germina, brota e cresce. Dá frutos, para então seus frutos semearem novas terras, enquanto ela mesma se recolhe num período de secura e preparação para o próximo ciclo.
Outono, inverno, primavera e verão chegam e vão a cada ano, dando espaço para a próxima estação e contribuindo para a fluidez do ciclo.
Tudo tem seu período adequado: desde a preparação, passando pelo germinar, o ápice de atividade e, enfim, o minguar. Cada parte é necessária para que a próxima venha. E nosso corpo e mente também são assim. Vivemos em um ciclo circadiano que dita nosso ritmo biológico em 24 horas – na luminosidade, o momento de produção, vivência, plena consciência; enquanto na escuridão, nossos processos fisiológicos se restabelecem para regeneração celular e do metabolismo.
A vida é cíclica.
Ciclos gestam ciclos
Somos interdependentes e conectados ao ritmo da vida. Enquanto temos nosso próprio ciclo diário, simultaneamente muitos outros estão em curso. O carbono, a água, a terra têm seus ciclos em paralelo aos nossos. Cada animal tem seu ciclo reprodutivo. Cada projeto que entramos possui também seu próprio ciclo.
É necessário compreender isso: a vida é cíclica e isso é inevitável. Infelizmente, hoje vivemos em um modo tão automático, que preza apenas pela fase produtiva de cada ciclo. Isso desgasta – a natureza, o nosso corpo, a nossa mente. Descanso e regeneração são parte essencial de um ciclo saudável.
Compreender esse ritmo é um exercício de autoconhecimento. Identificar a fase que você se encontra é o que lhe proporcionará mais assertividade no conduzir da sua vida – e nas ações que precisa tomar.
Assim, é possível ser livre de verdade e cuidar de quem de fato você é. Que possamos ampliar nossa capacidade de nos renovar a cada instante.
Fonte: https://www.terramundi.com.br/blog/a-vida-e-ciclica/
quarta-feira, 23 de novembro de 2022
Om shanti, buscadores!
por Cantando História:
A música popular é uma rica fonte para entendermos a cultura popular e desvendarmos alguns fatos poucos esclarecidos.
O conto do sábio chinês
Autor: Raul Seixas
Tema: A Cultura e a Filosofia Orientais a partir do Filósofo Taoísta Chuang-Tzu
Era uma vez um sábio chinês / Que um dia sonhou que era uma borboleta / Voando nos campos, pousando nas flores / Vivendo assim um lindo sonho, diz a canção de Raul Seixas, referindo-se a um conto chinês, publicado no livro do filósofo Chuang-Tzu, que teria vivido durante o século IV a.C., considerando a contagem de tempo do mundo ocidental.
Esse livro é um dos textos principais da corrente filosófica conhecida como Taoísmo, criada por Lao-Tsé, de quem Chuang-Tzu era seguidor. O Taoísmo se estabelece a partir dos escritos de Lao-Tsé conhecidos como Tao Te Ching e é um termo derivado de Tao, que, em chinês, equivale a caminho ou princípio. Para o Taoísmo, a vida humana deve buscar a harmonia com a natureza e a imortalidade, aqui entendida como longevidade, alcançada por meio da plenitude e da superação de si mesmo.
Para o Taoísmo, a natureza revela um equilíbrio que deve ser observado e compreendido em sua harmonia, e que pode ser trazido ao corpo e à mente através de práticas como a meditação, a respiração e as artes marciais. Essa noção de equilíbrio e harmonia deriva do princípio de Yin e Yang, que explica a dualidade e contínua transformação de tudo que existe.
Esse conceito pode ser visto na anedota sobre o cavalo do camponês. O cavalo de um camponês fugiu, e seu vizinho foi, prontamente, consolá-lo, ao que o camponês reagiu: “não sabemos se isso foi algo bom ou ruim”. No dia seguinte o cavalo regressou com outros cavalos selvagens com que havia criado afinidade. O vizinho apareceu para felicitar o camponês, dizendo que aquilo era ótimo. O camponês insistiu que não sabia se isso era bom ou ruim. O filho do camponês montou um dos cavalos selvagens, que, desacostumado a ser montado, derrubou o menino, que quebrou a perna. O vizinho (novamente) apareceu, lamentando o ocorrido junto ao camponês, que retrucou “não sabemos se isso é bom ou ruim”. No dia seguinte soldados guerreiros foram às terras do camponês para recrutar seu filho, que, impossibilitado de andar, foi dispensado. A moral da história é algo elementar do pensamento taoísta: tudo que é bom ou ruim é, na verdade, relativo, dependendo de circunstâncias relacionadas – e, principalmente, da maneira como se olha para aquilo que acontece.
Dessa maneira, o Taoísmo, seguido também como religião na China, mas, sobretudo, como modo de pensar e viver, pode nos levar a questionar o porquê das coisas serem como são, sobre tudo aquilo que conhecemos como “realidade” e que nos é dada, pronta e entregue desde que nascemos. E o principal ponto para esse questionamento da realidade pode se apoiar em outras formas de ver as mesmas coisas, como no caso da troca de perspectiva como na anedota do camponês: é importante tentar enxergar o mundo a partir do outro, em um constante exercício de alteridade, que envolve certo grau de empatia e, com isso, a transformação do próprio olhar. Com esta canção de Raul Seixas realizamos, em parte, esse propósito: estendemos nosso olhar ocidental a um pedaço do pensamento e da cultura chinesa, parte de um Oriente gigantesco em formas de ver o mundo.
Raul Seixas gravou O conto do sábio chinês como parte do disco Abre-te, Sésamo, lançado em 1980. A canção, delicada e curta, com pouco menos de dois minutos, apresenta elementos sonoros caracteristicamente orientais e traz, de forma bastante concisa, o conto taoísta do sábio e a borboleta. Raul tinha grande interesse por Filosofia, História e por temas metafísicos e místicos, tendo como grande parceiro e letrista Paulo Coelho, que se tornaria um escritor bastante popular nos anos 1990. Raul iniciou sua carreira no final dos anos 1960 e fez muito sucesso nos anos 1970 com o lançamento do disco Krig-Ha, Bandolo, de 1973, seguido de Gita (1974) e Novo Aeon (1975), sendo um dos ícones do rock brasileiro por juntar, de modo criativo e inusitado, rock n’ roll clássico, influências regionais, como o baião, e letras instigantes em suas músicas. Faleceu de pancreatite aguda em 21 de agosto de 1989, em São Paulo.
O Conto do Sábio Chinês
Era uma vez
Um sábio chinês
Que um dia sonhou
Que era uma borboleta
Voando nos campos
Pousando nas flores
Vivendo assim
Um lindo sonho...
Até que um dia acordou
E pro resto da vida
Uma dúvida
Lhe acompanhou...
Se ele era
Um sábio chinês
Que sonhou
Que era uma borboleta
Ou se era uma borboleta
Sonhando que era
Um sábio chinês...(2x)
Fonte: https://www.apoioescolar24horas.com.br/cantando-historia/musica
sábado, 19 de novembro de 2022
Shalom!

Conta-se que, um dia, ao ouvir o silvo do vento passar pelo tronco oco de uma árvore, o homem o desejou imitar. E inventou a flauta.
Tudo na natureza tem musicalidade. O vento dedilha sons na vasta cabeleira das árvores e murmura melodias enquanto acarinha as pétalas das flores e os pequenos arbustos.
Quando se prepara a tempestade, ribombam os trovões, como o som dos tambores marcando o passo dos soldados, em batidas ritmadas e fortes.
Quando cai a chuva sobre a terra seca pela estiagem, ouve-se o burburinho de quem bebe com pressa.
Cantam os rios, as cachoeiras, ulula o mar bravio.
Tudo é som e harmonia na natureza. Mesmo quando os elementos parecem enlouquecidos, no prenúncio da tormenta.
E lembramos das poderosas harmonias do Universo, gigantesca harpa vibrando sob o pensamento de Deus, do canto dos mundos, do ritmo eterno que embala a gênese dos astros e das humanidades.
Em tudo há ritmo, harmonia, musicalidade.
Em nosso corpo, bate ritmado o coração, trabalham os pulmões em ritmo próprio, escorre o sangue pelas veias e artérias.
Tudo em tempo marcado. Harmonia.
Nosso passo, nosso falar é marcado pelo ritmo.
A música está na natureza e, por sermos parte integrante dela, temos música em nossa intimidade. Somos música.
Por isso é que o homem, desde o princípio, compôs melodias para deliciar as suas noites, amenizar a saudade, cantar amores, lamentar os mortos.
Também aprendeu que, através das notas musicais, podia erguer hinos de louvor ao Criador de todas as coisas.
E surgiu a música mística, a música sacra, o canto gregoriano.
Entre os celtas, era considerada bem inalienável a harpa, junto ao livro e à espada.
Eles viam na música o ensinamento estético por excelência, o meio mais seguro de elevar o pensamento às alturas sublimes.
Os cristãos primitivos, ao marcharem para o martírio, o faziam entre hinos ao Senhor. Verdadeiras preces que os conduziam ao êxtase e os fortaleciam para enfrentar o fogo, as feras, a morte, sem temor algum.
O rei de Israel, Saul, em suas crises nervosas e obsessivas, chamava o pastor Davi que, através dos sons de sua harpa, o acalmava.
A música é a mais sublime de todas as artes. Desperta na alma impressões de arte e de beleza. Melhor do que a palavra, representa o movimento, que é uma das leis da vida. Por isso ela é a própria voz do mundo superior.
A voz humana possui entonações de uma flexibilidade e de uma variedade que a tornam superior a todos os instrumentos.
Ela pode expressar os estados de espírito, todas as sensações de alegria e da dor, desde a invocação de amor até às entonações mais trágicas do desespero.
É por isso que a introdução dos coros na música orquestrada e na sinfonia enriqueceu a arte de um elemento de encanto e de beleza.
É por isso que a sabedoria popular adverte:
Quem canta, seus males espanta!
Cantemos!
(Redação do Momento Espírita)
Namastê buscadores!
Reagir Mais à Música
Cérebro de violinista tem mais áreas ativadas ao som de música do que o de pessoa sem formação ou hábito musical
Uma sólida formação musical faz com que mais áreas do cérebro se ativem quando uma pessoa ouve música. Isso é o que demonstra um experimento proposto pelo novo Museu da Ciência de Barcelona, o CosmoCaixa, e apresentado por seu diretor, o físico Jorge Wagensberg, durante a Reunião de Museus da Ciência Latino-Americanos, que ocorre no Rio de Janeiro.
“É um bom exemplo de como um museu da ciência pode contribuir não só para divulgar, mas para produzir ciência”, disse Wagensberg.
O fenômeno pôde ser claramente observado em duas ressonâncias magnéticas funcionais feitas, simultaneamente, em uma violinista profissional e em outra mulher, com curso superior, sem nenhuma formação na área, que não tinha sequer o hábito de ouvir música.
As duas se submeteram ao exame enquanto ouviam a Sinfonia do Novo Mundo, de Dvorak, justamente a obra que a violinista estava executando com sua orquestra por aqueles dias.
Na mulher sem formação musical, a sinfonia ativou apenas o córtex cerebral responsável pela audição. Já na violinista ativaram-se sucessivamente essa área, uma outra que se acredita relacionada à linguagem musical, uma terceira, considerada uma região pré-motora, na qual o cérebro “planeja” os movimentos do corpo, e, em menor intensidade, uma quarta cujas funções ainda são desconhecidas.

Fig. 1 – Comparação: as áreas ativadas no cérebro da violinista (dir) e no da outra mulher
“O cérebro da violinista previa antecipadamente as notas, os ritmos e acordes da música e tocava mentalmente a obra, imaginando os movimentos que faria para executá-la”, explicou Wagensberg, que pretende publicar em breve um artigo científico sobre os resultados.
A ideia do experimento nasceu de uma conferência dada no museu pelo neurologista Robert Zatorre, da Universidade Mgill, no Canadá, um dos maiores especialistas sobre a interação entre música e cérebro. Zatorre demonstrou como, graças aos tons musicais, podem se observar fenômenos ligados à plasticidade do cérebro, mudanças anatômicas e até mesmo diferenças nas conexões dos neurônios.
Zatorre mostrou, por exemplo, que a zona que controla os dedos apresenta adaptações resultantes, provavelmente, da experiência de manejo de um instrumento musical.
As ressonâncias magnéticas com que trabalha revelam não só uma forte resposta neuronal nessas áreas como até mudanças anatômicas com áreas de maior densidade de matéria cinza.
Fonte: Jornal “O Estado de São Paulo”, 13 de abril de 2005, seção de Ciências
Tal sinfonia faz vibrar os sentimentos de determinada pessoa, enquanto que a outra pouco agrada, ou, mesmo, aborrece.
Cada indivíduo, segundo as condições especialíssimas do seu estado psíquico, fica mais ou menos em consonância com determinada harmonia de uma música.
Há afinações, na harmonia dos sentimentos, que correspondem às afinações na harmonia dos sons.
A música e o coração são confidentes que muito bem se entendem.
Pela predileção das melodias pode-se descobrir perfeitamente, entre as pessoas, as que se acham irmanadas pelos sentimentos.
As cordas da lira e do coração afinam-se num diapasão comum.
Há mistérios entre a harmonia que regula o equilíbrio das notas e aquela que preside ao equilíbrio do nosso "Eu".
Considerando tudo isso, é preciso admitir que a música é um excelente recurso pedagógico.
As canções de boa qualidade despertam na criança o gosto pela arte, pelo belo, pelo bem, porque desenvolve a sensibilidade.
Além disso, a música auxilia no aprendizado porque favorece a fixação de conteúdos.
Como podemos perceber, a influência da música é muito forte sobre a alma da criança.
O coração da criança é como a harpa, que vibra ao mais sutil dos toques.
Pode expressar-se doce e suave como o perfume da violeta, ou rugir como a tempestade...
Explodir como o raio, ou lamentar-se como a brisa...
Pode ser precipitada como as cascatas, ou calma como um lago... Murmurar como um regato ou roncar como uma torrente...
Pode ter a aridez do deserto, ou o aconchego de um oásis...
Ser triste e melancólica como o outono, ou jovem e alegre como a primavera... Desordenada como a paixão, ou límpida como o amor...
E quando essa harpa é dedilhada com sabedoria e ternura produz a mais bela e vibrante canção de esperança...
É por essa razão que a música é a arte que vai mais direta ao coração...
Pense nisso!
A harmonia, a ciência e a virtude são as três concepções do espírito; a primeira o extasia, a segunda o esclarece, a terceira o eleva.
Possuídas em suas plenitudes, elas se confundem e constituem a pureza.
O compositor que concebe a harmonia e a traduz na grosseira linguagem chamada música, concretiza a idéia, escreve-a.
Se o compositor é terra-a-terra, como representará a virtude que ele desdenha, o belo que ignora e o grande que não compreende? (...)
Pensemos nisso!
Equipe de Redação do Momento Espírita, com base na mensagem intitulada A música e o coração, do livro Nas pegadas do Mestre, e em mensagens do Espírito Rossini, publicada na Revista Espírita de março1869 e de Lamennais, Revista Espírita de maio de 1861.

As pinturas rupestres, achadas em sítios arqueológicos, e que descrevem a rotina de grupamentos humanos primitivos sugerem danças e uso de instrumentos musicais.
A História das civilizações antigas é repleta de manifestações musicais, algumas delas ligadas a rituais religiosos ou a festas tradicionais de cada povo.
Desde a vida intrauterina a música parece influir no bebê. Mulheres grávidas relatam menor agitação da criança quando escutam música suave.
Durante os primeiros meses de vida a criança já mostra percepção musical. Estudos demonstram que os recém-natos parecem se acalmar ao ouvir uma melodia suave.
As crianças comumente se alegram quando ouvem música e, nessa fase da vida, podemos influenciar seu gosto musical através do hábito.
Entre os séculos XIII e XIX a Humanidade foi presenteada com compositores que criaram um estilo de música elevado, conhecido hoje como música clássica e erudita, que significa música de qualidade.
Entre os compositores desse período estão Johann Sebastian Bach, Ludwig van Beethoven, Wolfgang Amadeus Mozart, Frederic Chopin.
Esse tipo de música, originalmente composta na Europa, ganhou adeptos no mundo todo. Hoje, grandes orquestras em todos os países se dedicam a apresentar obras desses gênios da Humanidade.
Beethoven costumava dizer que Deus se comunicava com ele através da música. Mozart dizia que a música não era sua, mas sim fruto de uma inspiração superior.
Muitas composições de Bach foram influenciadas por sua religiosidade e até hoje emocionam o mundo, como o famoso Oratório de Natal.
Os espectadores de um concerto de música clássica sentem-se comumente enlevados, desfrutando de uma emoção muitas vezes indescritível.
Comumente tal gosto musical se associa a outros hábitos culturais. Por este motivo esse estilo musical é também chamado erudito, palavra que significa vasta cultura.
A platéia dos concertos clássicos costuma manter-se em silêncio, comportamento bastante diverso das apresentações de estilos musicais populares que convidam à agitação.
No entanto, ainda hoje, em muitas sociedades, o gosto pela música clássica não é o que predomina, talvez porque tal estilo não seja apresentado às crianças.
Assim como a educação formal é necessária para que a criança aprenda a ler e a escrever, e desenvolva um conhecimento básico que a habilite para sua vida, a educação musical pode formar o hábito do indivíduo.
Ao ouvir música de elevada qualidade desde a infância, o indivíduo poderá incorporá-la a seus hábitos com maior facilidade.
Educar é desenvolver a capacidade física, intelectual, moral e afetiva de um indivíduo. Educar uma criança é uma tarefa da mais alta responsabilidade.
É dever de quem educa mostrar caminhos de qualidade a uma criança e dar a ela bases morais para escolher o caminho que, mais tarde, usando seu livre-arbítrio, ela escolherá.

A benéfica influência da música
No mês de março de 2008, a revista científica Brain divulgou um estudo realizado por cientistas da Universidade de Helsinque, na Finlândia, com pacientes que sofreram derrame cerebral.
Sessenta voluntários participaram da pesquisa, divididos em três grupos.
O primeiro, formado por pacientes que foram expostos à audição musical, por duas horas diárias. O segundo, por pacientes que ouviam livros–áudio.
O terceiro grupo não ficou exposto a nenhum tipo de estímulo auditivo.
Após três meses, os cientistas observaram que a memória verbal melhorara 60% entre os pacientes que ouviam música, comparado com apenas 18% do grupo dos livros-áudio e 29% entre os pacientes que não receberam estímulos auditivos.
A pesquisa demonstrou ainda que os pacientes que ouviram música, durante a recuperação, revelaram uma melhora de 17% na concentração e na habilidade de controlar e realizar operações mentais e resolver problemas.
Teppo Sarkamo, que liderou o estudo, disse que a exposição à música durante o período de recuperação estimula a atividade cognitiva e as áreas do cérebro afetadas pelo derrame. Além de ajudar a prevenir a depressão nos pacientes.
A notícia é alvissareira e demonstra que, a cada dia, o homem avança no conhecimento, ampliando seus conceitos.
Que cientista conceberia, em anos recuados, que a arte poderia auxiliar a recuperação do cérebro humano?
Os que acreditam no Espírito, os artistas, os estetas, mais de uma vez sentiram o êxtase ao ouvirem determinadas peças musicais e falaram de suas propriedades.
A respeito da ação da música, em março de 1869, o Codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec estampou, em sua Revista Espírita, uma página mediúnica, assinada pelo consagrado Rossini.
O compositor italiano Gioachino Antonio Rossini, autor de música sacra, de música de câmara e de trinta e nove óperas, dentre elas as célebres O barbeiro de Sevilha e Cinderela, escreveu:
A influência da música sobre a alma, sobre o seu progresso moral, é reconhecida por todo o mundo.
A harmonia coloca a alma sob o poder de um sentimento que a desmaterializa.
Tal sentimento existe num certo grau, mas se desenvolve sob a ação de um sentimento similar mais elevado.
A música exerce uma influência feliz sobre a alma. E a alma, que concebe a música, também exerce sua influência sobre a música.
A alma virtuosa, que tem a paixão do bem, do belo, do grande, e que adquiriu harmonia, produzirá obras-primas capazes de penetrar as almas mais encouraçadas e de comovê-las...

A música das esferas
A música, dentre todas as expressões artísticas, é a mais misteriosa.
De que maneira sons combinados são capazes de nos despertar alegria, tristeza, ternura? De que maneira são capazes de evocar as mais doces lembranças, os sentimentos mais profundos de nossas almas?
Uma antiga paixão, um pôr-do-sol especial, um momento de despedida ou de reencontro. Um velho amigo, uma ocasião festiva, lágrimas de solidão. Instantes únicos guardados em nossa memória e que são evocados através de uma música.
Utilizando-se de relações matemáticas, o filósofo grego Pitágoras construiu uma escala musical baseada em razões simples entre números inteiros.
De acordo com o pensador, todas as proporções geométricas existentes na natureza também podem ser descritas em razões numéricas. Logo, em tudo o que nos cerca há musicalidade, há melodia.
Ainda assim, e considerando que à época de Pitágoras acreditava-se que a Terra era o centro do Cosmo, era certo para o pensador de que as esferas guardavam proporções de distância fixas entre si.
Logo, também entre os astros havia melodiosidade. A chamada Música das esferas.
Os séculos se sucederam. O homem conheceu o sistema heliocêntrico.
O cientista Johannes Kepler, nascido na Alemanha, em 1571, obteve três leis gerais que descrevem o movimento dos planetas.
Através da observação dessas leis, Kepler deduziu os intervalos musicais para cada astro.
Ele propôs serem eternos os sons de cada orbe, a variar continuamente entre o som mais grave e o mais agudo da escala musical de cada um deles.
Os movimentos dos céus não são mais que uma eterna polifonia, afirmou o cientista.
Aos ouvidos e olhos mais atentos, tudo o que nos cerca é música, poesia, arte, harmonia, beleza.
Você já parou hoje um instante para ouvir a melodia daquilo que nos cerca?
Embora as guerras, a violência gratuita, os grandes sofrimentos, as desigualdades sociais sejam, muitas vezes, para nós nada além de ruídos desafinados, em tudo encontramos a sempre presente harmonia da Criação.
Basta que ouçamos e vejamos com os ouvidos e com os olhos da alma, do coração, do amor.
Onde há guerra, orquestremos a sinfonia da paz.
Onde há mágoa, executemos a sinfonia do perdão.
Onde há sofrimento, cantemos a melodia da esperança.
Onde há solidão, arpejemos as notas da amizade.
Onde há medo, construamos os acordes da fé.
***
... A cada passo que damos em direção ao progresso, novas harmonias são acrescentadas, novas vozes, novos instrumentos.
Novos são os desafios, as oportunidades, os começos e recomeços.
Muda-se o compasso, muda-se o tom, alternam-se momentos de sons com os de silêncio... Mas sempre se vai adiante, a melodia não retrocede jamais.
Por isso, embora as dificuldades inerentes à caminhada de cada um, jamais fechemos os olhos àquilo que nos cerca.
Sintamo-nos parte desse todo, desse equilíbrio, dessa música universal.
Mais do que isso, nos sintamos co-criadores da melodia da vida, pois o Grande Maestro conta conosco na execução das notas harmônicas da Criação.
colhida no Boletim SEI nº 2121 e no artigo Dissertações
espíritas, da Revista Espírita, março de 1869, ed. FEB.
Em 27.9.2013.
Fontes: http://www.momento.com.br
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