sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

 Namastê buscadores!

"É o amor, acreditava Scheler, que torna as coisas manifestas à experiência, tornando possível o conhecimento... Escreveu que o amor é 'um tipo de parteira espiritual', capaz de nos puxar em direção ao conhecimento - tanto o conhecimento de nós mesmos quanto o conhecimento sobre o mundo. É o 'determinante primário' da ética, das possibilidades e do destino de uma pessoa. Na essência, o ser humano não é 'uma coisa que pensa'... Mas um ser que ama."

"A filosofia é um movimento determinado pelo amor rumo à participação na realidade essencial de todas as possibilidades."

(Max Scheler-1874-1928)

"A vida é uma série de colisões com o futuro."
José Ortega y Gasset (1883-1955)

A filosofia de José Ortega y Gasset é sobre a vida. Ele não está interessado em analisar o mundo de modo frio e desprendido. Em vez disso, quer explorar como a filosofia pode se engajar criativamente com a vida. A razão, acredita Ortega, não é algo passivo, mas ativo - algo que nos permite entender como lidar com as circunstâncias nas quais nos encontramos e mudar nossas vidas para melhor. 

Em Meditações do Quixote, publicado em 1914, Ortega escreveu: "Sou eu mesmo e minha circunstância". René Descartes (1596-1650) dissera que era impossível imaginar nós mesmos como seres pensantes e ainda duvidar da existência do mundo exterior, incluindo nossos próprios corpos. Mas Ortega afirmou que não faz sentido ver a nós mesmos separados do mundo. Se quisermos pensar seriamente sobre nós mesmos, temos de considerar que estamos sempre imersos em circunstâncias particulares, muitas vezes opressivas e limitadoras. Tais limitações não são apenas do ambiente físico, mas também de nossos pensamentos, que contêm preconceitos, e de nosso comportamento, moldado pelo hábito.

Enquanto muitas pessoas vivem sem refletir sobre a natureza de suas circunstâncias, Ortega disse que os filósofos não só devem se empenhar para entender suas circunstâncias como buscar ativamente mudá-las. De fato, ele afirmou que o dever do filósofo é expor as pressuposições subjacentes a todas as nossas crenças.

A energia da vida

A fim de efetuar essa mudança, Ortega defendeu que os filósofos devem primeiro reconsiderar suas crenças, entender de onde elas vêm e, então, comprometer-se em criar novas possibilidades. A opinião de Ortega tem muito em comum com Edmund Husserl (1859-1938), o pai da fenomenologia, que via a realidade como um processo em evolução no qual o indivíduo e o mundo são dependentes um do outro. Da mesma forma, Ortega afirmou que nascemos num mundo que nos molda, mas que podemos mudar o nosso mundo modificando o modo como o percebemos. 

Ortega reconheceu que, não importa o quanto nos liberemos para imaginar novos futuros, a circunstância sempre limitará a extensão da realização desses futuros. A realidade do mundo sempre colidirá com nossos sonhos, mas mesmo assim devemos sonhar em libertar a nós mesmos desde o presente. É por isso que Ortega vê a vida como uma série de colisões com o futuro.

A ideia de Ortega é desafiar as circunstâncias tanto no nível pessoal quanto no político. Ela supõe que toda tentativa de mudança será desafiada, mas que temos o dever de continuar avançando contra as circunstâncias limitadoras. Em A Rebelião das Massas, ele advertiu que a democracia carrega em si a ameaça da tirania pela maioria, e que viver pelo império da maioria - ou "como todo mundo" - é viver sem visão pessoal ou código moral. A menos que nos engajemos criativamente com nossas próprias vidas, dificilmente estaremos vivendo. É por isso que, para Ortega, a razão é vital: ela mantém a energia da vida.

Fonte: The Philosophy Book (DK UK). Tradução: Douglas Kim.

Imagem: Pintura de Caspar David Friedrich, O viajante sobre o mar de névoa, 1818.

***As citações são para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

 Om shanti, Om...

por Marcos Antonio da silva

Bach - Arioso da Cantata 156


"Na música clássica, arioso é um estilo de solo vocal de ópera ou oratório que ocupa lugar intermediário entre o recitativo e a ária. Literalmente significa "como uma ária". O termo surgiu no século XVI, juntamente com os estilos supramencionados e a monódia. Muitas vezes é confundido com o recitativo acompanhado.

O Arioso, por um lado, é semelhante ao recitativo devido à sua estrutura e inflexões irrestritas, próximas às da fala. Difere-se, entretanto, no seu ritmo. Por outro lado, se assemelha à ária em sua forma melódica, sendo ambos mais próximos do canto; entretanto diferem-se na forma de composição, já que o arioso, geralmente, não recorre ao processo de repetição."
Meditemos!

 Namastê buscadores!

"Muitos propósitos há no coração do homem, 

porém o conselho do Senhor permanecerá."

(Provérbios 19:21)

O Grande Arquiteto do Universo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Grande Arquiteto do Universo (abreviado para GADU), segundo algumas religiões e sistemas de crenças, seria o principal Criador do universo, principalmente do mundo material (demiurgo) independente de uma crença ou religião específica.

Conceito cristão

O conceito de Deus como o Grande Arquiteto do Universo tem sido empregado muitas vezes no cristianismo. Ilustrações de Deus como o arquiteto do universo podem ser encontradas em Bíblias desde a Idade Média e regularmente empregadas pelos apologistas e professores cristãos.

Teólogos cristãos como Tomás de Aquino sustentam que existe um Grande Arquiteto do Universo, a Primeira Causa, e que este é Deus. Os comentadores de Aquino, como Stephen Richards têm apontado que a afirmação de que o Grande Arquiteto do Universo é o Deus cristão não é evidente, com base na "teologia natural" somente, mas requer adicionalmente de um "salto de fé" baseado na revelação da "Bíblia".

João Calvino, em sua obra "Instituto da Religião Cristã" (publicado em 1536), chama repetidamente o Deus cristão de "O Arquiteto do Universo", também se referindo aos seus trabalhos como "Arquitetura de Universo", e em seu comentário sobre Salmo 19 na Bíblia católica Salmo 18 refere-se à Deus como o "Grande Arquiteto" ou "Arquiteto do Universo".

Conceito maçônico

A Ciência, e em particular a Geometria e Astronomia, era ligada diretamente ao divino para a maioria dos estudiosos medievais. Desde que Deus criou o universo a partir de princípios geométricos e harmônicos, para buscar estes princípios bastava portanto, buscar e adorar a Deus.

O conceito do 'Grande Arquiteto do Universo' está além de qualquer credo religioso, respeitando toda a sua pluralidade. A crença num ser supremo é ponto indiscutível, para que se possa ser iniciado na maçonaria regular, uma realidade filosófica mas não um ponto doutrinal.

Como é uma escola de filosofia, moral e bons costumes, e não sendo uma religião, a maçonaria não pretende concorrer com outras religiões. Permite aos seus iniciados a crença em qualquer uma das religiões existentes, exigindo apenas a crença num ser superior, criador de tudo e de todos, que o candidato já acreditasse antes mesmo de considerar a possibilidade de vir a ser um maçom. Assim, 'Grande Arquiteto do Universo' ou 'G.'.A.'.D.'.U.'.' é uma designação maçônica para uma força superior, criadora de tudo o que existe. Com esta abordagem, não se faz referência a uma ou outra religião ou crença, permitindo que maçons muçulmanos, católicos, budistas, espíritas e outros, por exemplo, se reúnam numa mesma loja maçônica. Para um maçom de origem muçulmana se referiria a Alah, para outro de católica, seria Javé, de qualquer forma significaria Deus. Assim as reuniões em loja podem congregar irmãos de diversas crenças, sem invadir ou questionar seus conteúdos. A atividade da Maçonaria em relação ao Grande Arquiteto do Universo - G.'.A.'.D.'.U.'., envolve estudos filosóficos e não proselitismo.

Conceito hermético

O Grande Arquiteto também pode ser uma metáfora aludindo à potencialidade divina de cada indivíduo. "(Deus)... Esse poder invisível que todos sabemos existir, mas entendida por muitos nomes diferentes, tais como Deus, o Espírito, o Ser Supremo, a Inteligência, Mente, Energia, Natureza e assim por diante." Na Tradição Hermética, cada pessoa tem o potencial de tornar-se Deus, esta ideia ou conceito de Deus é percebido como interno e não externo. O Grande Arquiteto é também uma alusão ao universo criado observador. Nós criamos nossa própria realidade, por isso nós somos o arquiteto. Outra forma seria a de dizer que a mente é o construtor.

Conceito gnóstico

O conceito de Grande Arquiteto do Universo ocorre na Gnose ou Gnosticismo. O Demiurgo é o Grande Arquiteto do Universo, o Deus do Antigo Testamento, em oposição a Cristo e Sophia mensageiros da Gnose (Gnosis) do Verdadeiro Deus. A partir do Grande Arquiteto emanam uma série de æons, que gradualmente edificam o Universo. Para os Ebionitas, por exemplo, o Grande Arquiteto é a fonte e o recipiente de todas as coisas, enquanto Rabba Mana, o Grande Espírito, é responsável pela geração da primeira vida.

O que é conversão religiosa?

A conversão religiosa ou simplesmente conversão (do latim conversione) é a adoção de uma nova identidade religiosa. A conversão não ocorre apenas de uma religião para outra, mas também entre diferentes setores de uma mesma religião, como dentro das diferentes denominações cristãs, por exemplo...

Atitude das religiões frente à conversão

Dentre as religiões com maior número de adeptos, o cristianismo e o islamismo são as que mais enfatizam a conversão de pessoas. O budismo promoveu a conversão de pessoas no passado: hoje, exibe níveis apenas modestos de atividade missionária. O judaísmo permite a conversão de novos adeptos, mas não a encoraja.

Conversão ao Cristianismo

Os primeiros conversos ao Cristianismo foram os discípulos de Jesus, ou seja, os onze apóstolos mais o substituto de Judas Iscariotes - Matias, que juntamente com os outros seguidores de Jesus, romperam com o Judaísmo e passaram a seguir a mensagem do Evangelho, ou as Boas Novas do Evangelho de Cristo, o Nazareno, Boas Novas que seria então a alegre proclamação e afirmação da vitória de Jesus Cristo sobre o pecado e a morte e a chegada do seu Reino, que seria espalhado no mundo pela Igreja que proclamaria que o filho de Deus se tornou homem, sofreu a morte na Cruz para a libertação de nossos pecados e da morte eterna, ressuscitou dos mortos ao terceiro dia, e nos enviou o seu Espírito Santo a todos os que exercem fé nele, em Jesus Cristo, crendo na sua Palavra e vivendo conforme uma nova criação.

Conversão ao Cristianismo - As primeiras Igrejas

Nesse cenário do surgimento dessa nova mensagem entre o povo judeu, ou seja, dos seguidores de Jesus Cristo, que seguiam levando a mensagem do evangelho, dando destaque a ressurreição de Cristo e o advento de uma nova aliança mediante a sua morte na Cruz, o número de discípulos de Jesus crescia a cada dia, e os mesmos convocavam a todos que se arrependesse dos seus pecados e aceitassem a Jesus como o único Mediador entre Deus e os homens, e desta forma também receberiam o Espírito Santo, que transformaria as suas vidas, passando a viver para Cristo e em comunhão com os outros que se converteriam ao mensagem do evangelho, denominados “irmãos”, que passariam a ter momentos em comunidade, surgindo as primeiras reuniões destes novos conversos, ou seja, o surgimento das primeiras Igrejas Cristãs.

Conversão ao Cristianismo - As primeiras perseguições e os Gentios

As autoridades Judaicas, ao perceberem a expansão do Cristianismo, começam um movimento de repressão aos que professavam ser do Caminho, ou seja, seguidores de Jesus Cristo, e neste momento surge um Judeu, de nome Saulo, de grande influência entre as Autoridades Judaicas, pertencente à grupo dos fariseus, que passa a perseguir a todos que confessassem seguir a Cristo, colocando muitos deles em prisão e mesmo participando do julgamento e morte destes seguidores do Evangelho. Nesse contexto, aqueles que haviam se convertido ao evangelho passam a se espalhar pelas diversas regiões, ocorrendo ao contrário do que era buscado por seus perseguidores, a expansão da mensagem das Boas Novas ou boas notícias de que a Jesus ressuscitou, inclusive aos gentios, ou seja daqueles que não eram judeus de nascimento.

Conversão ao Cristianismo - O Apóstolo Paulo

“Tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar  pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações  serão benditas em ti”, escreveu o Apóstolo Paulo em sua carta  a Igreja em Gálatas(Gl 3.8). O Apóstolo Paulo, certamente foi um dos maiores responsáveis por propagar as Boas Novas da Salvação em Jesus aos Gentios, ou seja, para aqueles que não eram judeus. Ele que antes se chamava Saulo, era um ferrenho perseguidor dos seguidores de Jesus, mas em uma viagem a Damasco, onde pretendia reprimir o crescimento do Evangelho, sobrenaturalmente tem um encontro com Jesus, que o indaga a respeito porque ele o persegue, e neste momento, Saulo se converte A Jesus, tendo o nome mudado por Jesus para Paulo, vindo a se tornar o Apóstolo dos Gentios.

Origem: De acordo com os evangelhos, a grande Comissão foi dada aos discípulos por Jesus após sua ressurreição, em Evangelho segundo Mateus, capítulo 28, versículos 19 e 20: "Vá, faça discípulos de todas as nações, batizando-os em nome de Pai, Filho e Espírito Santo, ensine-os a guardar tudo o que eu lhe ordenei". A primeira missão foi realizada no dia de Pentecostes em Jerusalém, onde, de acordo com Atos dos Apóstolos, capítulo 2, três mil pessoas de várias origens se tornaram Cristãos depois que todos ouviram as boas novas da ressurreição de Jesus em sua própria língua. As organizações missionárias foram posteriormente fundadas e estabelecidas em vários países do mundo.

Qual a diferença de missão e propósito?

Propósito tem a ver com coração, alma; Missão tem a ver com estratégia; propósito tem a ver com cultura; Missão provoca envolvimento; propósito provoca pertencimento.

Qual é o propósito de Deus? 

O propósito de Deus, portanto, tem um significado profundo: Ele nos convoca a viver uma vida verdadeira. Em Romanos 8: 28-29, lemos: “Em todas as coisas Deus trabalha para o bem daqueles que amam, dos que foram chamados segundo o seu propósito, que é o de serem conformes à semelhança de seu Filho”.

Qual foi o principal propósito de Jesus? 

A missão de retirar a humanidade do reino das trevas e introduzi-la no reino da luz. Portanto, Jesus nos ensina como ser verdadeiramente cristão.

O que é viver uma vida de propósito? 

Considerado o tema do momento, viver com propósito é ter uma direção a seguir, assim como sonhos, metas e objetivos. Embora pareça algo simples, não é todo mundo que consegue estabelecer o seu com clareza...

fonte: https://pt.wikipedia.org/

 Perseveremos!

sábado, 10 de dezembro de 2022

 Namastê buscadores!

"A nossa mais elevada tarefa deve ser a de formar

seres humanos livres que sejam capazes de, por si mesmos,

encontrar propósito e direção para suas vidas."

(Rudolf  Steiner)

O Entrave

"Quando tivermos passado além dos conhecimentos,
então teremos O Conhecimento;
a Razão foi o auxílio, a Razão é o entrave.

Quando tivermos passado além do querer, 
então teremos o Poder;
o Esforço foi o auxílio, o Esforço é o entrave.

Quando tivermos passado além dos prazeres, 
então teremos a felicidade;
o Desejo foi o auxílio, o Desejo é o entrave.

Quando tivermos passado além da individualização, 
então seremos as Pessoas reais;
o Ego foi o auxílio, o Ego é o entrave.

Quando tivermos passado além da humanidade, 
então seremos o Homem;
o Animal foi o auxílio, o Animal é o entrave.

Transforma tua razão em uma intuição ordenada;
que tudo em ti seja luz.
Este é teu alvo.

Transforma teu esforço em um conhecimento
igual e soberano da força da alma;
que tudo em ti seja força consciente.
Este é teu alvo.

Transforma teu prazer em um êxtase igual e sem objetivo;
que tudo em ti seja felicidade.
Este é teu alvo.

Transforma o indivíduo dividido na personalidade universal;
que tudo em ti seja divino.
Este é teu alvo..."


(Sri Aurobindo)
Extraído do livro: Sabedoria de Sri Aurobindo, Editora Shakti.

Om shanti, buscadores!
por Natalia Jarzabek - Tema
Natalia Jarzabek - Tema

Spiegel im Spiegel (Arr. for Alto Flute & Piano)
*
Sigamos reflexionando: 

O Livro dos Médiuns
por Allan Kardec–Tradução de José Herculano Pires
Cap. 6 – Manifestações Visuais

ENSAIO TEÓRICO SOBRE AS APARIÇÕES
101. As manifestações mais comuns de aparições ocorrem durante o sono, pelos sonhos: são as visões. Não podemos examinar aqui todas as particularidades que os sonhos podem apresentar.
            Resumiremos dizendo que eles podem ser: uma visão atual de coisas presentes ou distantes; uma visão retrospectiva do passado; e, em alguns casos excepcionais, um pressentimento do futuro. Frequentemente são também quadros alegóricos que os Espíritos nos apresentam como úteis advertências ou salutares conselhos, quando são Espíritos bons; ou para nos enganarem e entreterem as nossas paixões, se são Espíritos imperfeitos. A teoria abaixo se aplica aos sonhos, como a todos os outros casos de aparições. (Ver O Livro dos Espíritas, nº 400 e seguintes) (...)

            102. As aparições propriamente ditas ocorrem no estado de vigília, no pleno gozo e completa liberdade das faculdades da pessoa. Apresentam-se geralmente com uma forma vaporosa e diáfana, algumas vezes vaga e indecisa. Quase sempre, a princípio, é um clarão esbranquiçado, cujos contornos vão se desenhando aos poucos. De outras vezes as formas são claramente acentuadas, distinguindo-se os menores traços do rosto, a ponto de se poder descrevê-las com precisão. As maneiras, o aspecto, são semelhantes aos do Espírito quando encarnado. (...)

            103. Dissemos que a aparição tem algo de vaporoso. Em alguns casos poderíamos compará-la à imagem refletida num espelho sem aço, que apesar de nítida deixa ver através dela os objetos detrás. É geralmente assim que os médiuns videntes a distinguem. Eles as veem ir e vir, entrar num apartamento ou sair, circular por entre a multidão com ares de quem participa, ao menos os Espíritos vulgares, de tudo o que se faz ao seu redor, de se interessarem por tudo e ouvirem o que diz. Muitas vezes se aproximam duma pessoa para lhe assoprar ideias, influenciá-la, quando são Espíritos bons, zombar dela, quando são maus, mostrando-se tristes ou contentes com o que obtiverem. São, em uma palavra, a contraparte do mundo corporal.
            E assim esse mundo oculto que nos envolve, no meio do qual vivemos sem o perceber, como vivemos entre a miríades de seres do mundo microscópico. A revelação do mundo dos infinitamente pequenos, de que não suspeitávamos, foi feita pelo microscópio; o Espiritismo, servindo-se dos médiuns videntes, nos revelou o mundo dos Espíritos, que é também uma das forças ativas da Natureza. Com a ajuda dos médiuns videntes pudemos estudar o mundo invisível, iniciar-nos nos seus hábitos, como um povo de cegos poderia estudar o mundo dos que veem com o auxílio de algumas pessoas que gozassem da faculdade da visão. (Ver no cap. XIV; Dos Médiuns, o tópico referente aos médiuns videntes.)

            104. O Espírito que deseja ou pode aparecer reveste algumas  vezes uma forma ainda mais nítida, com todas as aparências de um corpo sólido, a ponto de dar uma ilusão perfeita  e fazer crer que se trata de um ser corpóreo. Em alguns casos, e dentro de certas circunstâncias, a tangibilidade pode tornar-se real, o que quer dizer que podemos tocar, palpar, sentir a resistência e o calor de um corpo vivo, o que não impede a aparição de se esvaecer com a rapidez de um relâmpago. Nesses casos, já não é só pelos olhos que se verifica a presença, mas também pelo tato.
            Se pudéssemos atribuir à ilusão ou a uma espécie de fascinação a ocorrência de uma aparição simplesmente visual, a dúvida já não é mais possível quando a podemos pegar, e quando ela mesma nos seguras e abraça. As aparições tangíveis são as mais raras. Mas as que tem havido nestes últimos tempos, pela influência de alguns médiuns potentes, inteiramente autenticadas por testemunhos irrecusáveis, provam e explicam os relatos históricos sobre as pessoas que reaparecem após a morte com todas as aparências da realidade. De resto, como já acentuamos, por mais extraordinários que sejam semelhantes fenômenos, perdem todo o caráter de maravilhoso quando se conhece a maneira pela qual se produzem e se compreende que, longe de representarem uma derrogação das leis naturais, apresentam apenas uma nova aplicação dessas leis.

            105. O perispírito, por sua própria natureza, é invisível no estado normal. Isso é comum a uma infinidade de fluidos que sabemos existirem e que jamais vimos.
Mas ele pode também, à semelhança de certos fluidos por modificações que o tornem visível, seja por uma espécie de condensação ou por uma mudança em suas disposições moleculares, e é então que nos aparece de maneira vaporosa. A condensação pode chegar ao ponto de dar ao períspirito as propriedades de um corpo sólido e tangível, mas que pode instantaneamente voltar ao seu estado etéreo e invisível.
            (É necessário não tomar ao pé da letra a palavra condensação, pois só a empregamos por falta de outra e como simples recurso de comparação.) Podemos entender esse processo ao compará-lo ao do vapor, que pode passar da invisibilidade a um estado brumoso, depois ao líquido, a seguir ao sólido e vice-versa.
            Esses diversos estados do períspirito, entretanto, resultam da vontade do Espírito e não de causas físicas e exteriores, como acontece com os gases. O Espírito nos aparece quando deu ao seu períspirito a condição necessária para se tornar visível. Mas a simples vontade não basta para produzir esse efeito, porque a modificação do períspirito se verifica mediante a sua combinação com o fluido específico do médium. Ora, essa combinação nem sempre é possível, e isso explica por que a visibilidade dos Espíritos não é comum.
            Assim, não é suficiente que o Espírito queira aparecer, nem apenas que uma pessoa o queira ver é necessário que os fluidos de ambos possam combinar-se, para o que tem de haver entre eles uma espécie de afinidade. É necessário ainda que a emissão de fluido da pessoa seja abundante para operar a transformação do perispírito, e provavelmente há outras condições que desconhecemos. Por fim, é preciso que o Espírito tenha a permissão de aparecer para aquela pessoa, o que nem sempre lhe é concebido, ou pelo menos não o é em certas circunstâncias, por motivos que não podemos apreciar.

            106. Outra propriedade do períspirito é a penetrabilidade, inerente à sua natureza etérea. Nenhuma espécie de matéria lhe serve de obstáculo: ele atravessa a todas, como a luz atravessa os corpos transparentes. Não há pois, meios de impedir a entrada dos espíritos, que vão visitar o prisioneiro em sua cela com a mesma facilidade com que visitam um homem no meio do campo.

            107. As aparições no estado de vigília não são raras nem constituem novidade. Verificam-se em todos os tempos. A História oferece-nos grande número de casos. Mas sem remontar ao passado, encontramo-las com frequências nos nossos dias. Muitas pessoas as tiveram e as tomaram, no primeiro instante, pelo que se convencionou chamar de alucinações. São frequentes sobretudo nos casos de morte de pessoas distantes, que vêm visitar parentes e amigos. Muitas vezes não tem um objetivo claro, mas podemos dizer que em geral os Espíritos que assim aparecem são atraídos por simpatia. Que examine cada um as suas lembranças e verá que são poucos os que não conhecem fatos dessa espécie, cuja autenticidade não se poderia por em dúvida. (...)
       
            109. O perispírito, como se vê, é o princípio de todas as manifestações. Seu conhecimento nos deu a chave de numerosos fenômenos, permitindo um grande avanço à Ciência Espírita e fazendo-a entrar numa nova senda, ao tirar-lhe qualquer resquício de maravilhoso. Nele encontramos, graças aos próprios Espíritos, – pois é explicação da possibilidade de ação do Espírito sobre a matéria, da movimentação dos corpos inertes, dos ruídos e das aparições. Nele encontraremos a explicação de muitos outros fenômenos ainda por examinar, antes de passar ao estudo das comunicações propriamente ditas. Tanto as compreenderemos, quanto mais nos inteirarmos de suas causas fundamentais. Se bem compreendermos esse princípio, facilmente poderemos aplicá-lo aos diversos fatos que se apresentar à observação.

            110. Longe de nós considerar a teoria que apresentamos como absoluta e como sendo a última palavra na questão. Ela será sem dúvida completada ou retificada mais tarde através de novos estudos. Mas por mais incompleta ou imperfeita que hoje se apresente, pode sempre ajudar a se compreender a possibilidade dos fenômenos por meios que nada tem de sobrenatural. Se for uma hipótese, não se lhe pode entretanto negar o mérito da racionalidade e da probabilidade, e que vale tanto quanto todas as explicações tentadas pelos negadores para provar que tudo não passa de ilusão, fantasmagoria e evasiva nos fenômenos espíritas.

 TEORIA DA ALUCINAÇÃO
             111. Os que não admitem a existência do mundo incorpóreo e invisível pensam tudo explicar pela palavra alucinação. A definição dessa palavra é conhecida: quer dizer um engano, uma ilusão de quem pensa ter percepções que na realidade não tem (do latim allucinari, errar, formado de ad lucem). Mas os sábios ainda não deram, que o saibamos, a sua razão fisiológica.
            A Óptica e a Fisiologia não tendo mais segredos para eles, ao que parece, como não puderam explicar ainda a natureza  e a origem das imagens que se apresentam ao Espírito em determinadas circunstâncias? Eles querem tudo explicar pelas leis da matéria. Que o façam, mas que dêem, através dessas leis, uma teoria da alucinação. Boa ou má, seria pelo menos uma explicação.

            112. A causa dos sonhos não foi jamais explicada pela Ciência. Ela os atribui a um efeito da imaginação, mas não nos diz o que é a imaginação, nem como ela produz essas imagens tão claras e nítidas que às vezes nos aparecem. Isso é explicar uma coisa desconhecida por outra que não o é menos. Tudo fica na mesma.
             Dizem tratar-se de uma lembrança das preocupações do estado de vigília. Mas, mesmo admitindo esta solução, que nada resolve, restaria saber qual é esse espelho mágico que conserva assim a impressão das coisas. 
Como explicar sobretudo as visões reais jamais vistas no estado de vigília, e nas quais jamais se pensou? (...)

 ***As citações parciais são para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Om shanti, Om...
Ab Ovo
"O compositor e pianista holandês contemporâneo Joep Beving cria música neoclássica genuinamente relaxante e contemplativa com um apelo amplo e imediato. Joep Beving a descreve como “música simples para emoções complexas”.


Om shanti, buscadores!
 Reflexões 
por Victor Hugo:

"O sol está dentro de cada um. Sorrir e acreditar em si é o caminho para alcançar a luz e o brilho que irradia da própria existência e acalenta a crença em nós mesmos. Acreditemos no próprio sol, ele mora no “eu” e ilumina o tudo e o todo. O sorriso é o sol que varre o inverno do rosto humano."

"Liberdade, Estado, Igualdade e Fraternidade, são as bases da Sociedade Politicamente falando, não há mais do que um princípio - a soberania do homem sobre si mesmo. Essa soberania de mim e sobre mim chama-se Liberdade. Onde duas ou mais destas soberanias se associam principia o Estado. Nesta associação, porém, não se dá abdicação de qualidade nenhuma. Cada soberania concede certa quantidade de si mesma para formar o direito comum, quantidade que não é maior para uns do que para os outros. Esta identidade de concessão que cada um faz a todos chama-se Igualdade. O direito comum não é mais do que a proteção de todos dividida pelo direito de cada um. Esta proteção de todos sobre cada um chama-se Fraternidade. O ponto de intersecção de todas estas soberanias que se agregam chama-se Sociedade. Ora, sendo essa intersecção uma junção, por consequência esse ponto é um nó. Daqui vem o que nós chamamos laço social. Dizem alguns «contrato social», o que vem a ser o mesmo, visto que a palavra contrato é etimologicamente formada com a ideia de laço. Vejamos agora o que é a igualdade, pois se a liberdade é o cume, a igualdade é a base." (...)

"O Perigo da Hesitação Prolongada
Toda a gente há-de ter notado o gosto que têm os gatos de parar e andar a passear entre os dois batentes de uma porta entreaberta. Quem há aí que não tenha dito a algum gato: «Vamos! Entras ou não entras?» Do mesmo modo, há homens que num incidente entreaberto diante deles, têm tendência para ficar indecisos entre duas resoluções, com o risco de serem esmagados, se o destino fecha repentinamente a aventura. Os prudentes em demasia, apesar de gatos ou porque são gatos, correm algumas vezes maior perigo do que os audaciosos."

"O olho do espírito em parte nenhuma pode encontrar mais deslumbramentos, nem mais trevas, do que no homem, nem fixar-se em coisa nenhuma, que seja mais temível, complicada, misteriosa e infinita. Há um espetáculo mais solene do que o mar, é o céu; e há outro mais solene do que o céu, é o interior da alma. (...) Penetrai, a certas horas, através da face lívida de um ser humano, e olhai por trás dela, olhai nessa alma, olhai nessa obscuridade."

"A vida não passa de uma oportunidade de encontro; só depois da morte se dá a junção; os corpos apenas têm o abraço, as almas têm o enlace."

"Seja como os pássaros que, ao pousarem um instante sobre ramos muito leves, sentem-nos ceder, mas cantam! Eles sabem que possuem asas."

"Do atrito de duas pedras chispam faíscas; das faíscas vem o fogo; do fogo brota a luz."

"Não se compõe uma sabedoria introduzindo no pensamento os resíduos diversos de todas as filosofias humanas, tal como não se fica com saúde engolindo o conteúdo de todos os frascos de uma velha farmácia."

"Chega sempre a hora em que não basta apenas protestar: após a filosofia, a ação é indispensável."

"Escritores, meditem muito e corrijam pouco. Fazei as vossas rasuras no vosso próprio cérebro."

"(...) E quando todos têm acesso às luzes do saber, então vem o tempo da democracia.

"Tenha coragem para as grandes adversidades da vida e paciência para as pequenas e, quando tiver cumprido laboriosamente sua tarefa diária, vá dormir em paz. Deus está acordado."

"A posse é apenas circunstancial: hoje em minhas mãos, amanhã nas tuas, mais tarde... Ninguém detém a aurora ou o poder. Os recursos passam, a vida transita."

Meditemos!
"Ávido de explicações e novas elucidações, 
o homem impõe respostas e encontra novas interrogações."

(Victor Hugo)

Namastê buscadores!

Reflexionado:

"(...) Nossa mais devastadora ilusão é pensar que podemos controlar a vida dos outros. Imposição é o oposto da liberdade e extermina tanto a independência do que domina como a do dominado.

Apenas escolhendo o autocontrole é que atingiremos a verdadeira libertação. Não conseguiremos evoluir emocional, intelectual e espiritualmente se estivermos desgastando nossas energias para comandar a vida dos outros.

"... e onde se acha o Espírito do Senhor aí está a liberdade." 

(II Coríntios, 4:17) .

Os bons espíritos são livres porque dão liberdade a todos que os cercam. Reconheceram a importância de se desvencilharem das afeições possessivas, pois respeitam integralmente a condição natural de todos  seres livres, filhos de Deus.

A Espiritualidade Superior nos ensina que somos convocados a compartilhar com os outros afetividade e a mútua proteção, mas isso se torna um desequilíbrio quando exigimos apropriação do ser amado. Que deveríamos nos sentir recompensados, e não intimidados, quando constatamos que os que amamos têm interesses independentes, confiança em si mesmos e auto-suficiência.

Quando delegamos o controle de nós mesmos a uma outra criatura, seja ela quem for, talvez estejamos renunciando ao nosso mais importante direito inato: a liberdade. Ela pressupõe senso de dignidade, escolha e auto-respeito. Sem senso de valorização próprio, nos julgaremos uma nulidade e sentiremos um grande vazio na alma, isto é, uma sensação de "não ser".

A propósito, recordemos Victor Marie Hugo, o mais ilustre poeta e escritor francês do século XIX, quando escreveu: 

"O pior uso que se pode fazer da liberdade é abdicar dela".

(Do Livro: A Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto 

ditado por Hammed- págs: 161/162)

***As citações são para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

domingo, 27 de novembro de 2022

Om shanti, Om...

"Estar em sintonia com a Teia da Vida, requer um trabalho pessoal e coletivo, de autoconhecimento e autotransformação, de aprendizado com os erros, de aprendizado da escuta de si, do outro, do coletivo e de muita, muita paciência."
por Relaxation Ambient Music
Bem-vindo ao Calming Ambient Deep Space Music. É um excelente fundo cósmico para estudar, sonhar, aliviar o estresse, para criar um clima cósmico contínuo para sonhar e ler coisas fantásticas, para criar artes, estudar astronomia, explorar o espaço sideral, escrever. Também ajuda a vencer a ansiedade e a insônia
Música: Space Piano
Álbum: Deep into the Space
https://music.apple.com/us/album/spac...
*
"Escolha a Calma!"

Om, shanti.

Maturidade

(Inspirado em Fernando Pessoa)

O tempo, esse mestre invisível,
vai mostrando que a busca... sempre vã,
obedece a uma razão que não conhecemos,
mas que sentimos no silêncio entre os dias.

As boas ações não nascem do querer,
mas de um pensar calado,
onde o juízo se faz sem pressa
e a alma pesa cada gesto
como quem pesa a luz na palma da mão.

Vivemos entre a vida e a ideia da vida
e é nessa luz ambígua que a sabedoria
se insinua, discreta,
dando à matéria um novo sopro,
um eco da eternidade no instante.

Há um eu que dorme em cada um.
E quando desperta, se desperta,
anda como um velho que já foi jovem,
sem medo, mas com o cansaço de quem já viu
demais para se espantar com o presente.

A espiritualidade que pensa,
evolui como quem aprende a aceitar:
que tudo o que é real
tem raiz no invisível.

A integridade é o escudo do incerto,
e a cautela, seu passo firme.
Só quem vive em harmonia dentro de si
pode julgar-se com justiça,
sem ilusões nem dureza.

Maturidade não é vitória
é uma aceitação elegante da derrota,
uma semeadura calma
no campo circular do tempo,
onde tudo retorna,
mas nada volta igual.

imagens: https://giphy.com

Namastê buscadores! 

Tudo nasce e morre continuamente

 – a vida é cíclica

A natureza se renova o tempo inteiro, em um incansável movimento de expansão e recolhimento. 

O dia nasce e se torna noite, depois dia mais um vez. 

Uma árvore é plantada. Germina, brota e cresce. Dá frutos, para então seus frutos semearem novas terras, enquanto ela mesma se recolhe num período de secura e preparação para o próximo ciclo.

Outono, inverno, primavera e verão chegam e vão a cada ano, dando espaço para a próxima estação e contribuindo para a fluidez do ciclo. 

Tudo tem seu período adequado: desde a preparação, passando pelo germinar, o ápice de atividade e, enfim, o minguar. Cada parte é necessária para que a próxima venha. E nosso corpo e mente também são assim. Vivemos em um ciclo circadiano que dita nosso ritmo biológico em 24 horas – na luminosidade, o momento de produção, vivência, plena consciência; enquanto na escuridão, nossos processos fisiológicos se restabelecem para regeneração celular e do metabolismo.

A vida é cíclica.

Ciclos gestam ciclos

Somos interdependentes e conectados ao ritmo da vida. Enquanto temos nosso próprio ciclo diário, simultaneamente muitos outros estão em curso. O carbono, a água, a terra têm seus ciclos em paralelo aos nossos. Cada animal tem seu ciclo reprodutivo. Cada projeto que entramos possui também seu próprio ciclo.

É necessário compreender isso: a vida é cíclica e isso é inevitável. Infelizmente, hoje vivemos em um modo tão automático, que preza apenas pela fase produtiva de cada ciclo. Isso desgasta – a natureza, o nosso corpo, a nossa mente. Descanso e regeneração são parte essencial de um ciclo saudável.

Compreender esse ritmo é um exercício de autoconhecimento. Identificar a fase que você se encontra é o que lhe proporcionará mais assertividade no conduzir da sua vida – e nas ações que precisa tomar. 

Assim, é possível ser livre de verdade e cuidar de quem de fato você é. Que possamos ampliar nossa capacidade de nos renovar a cada instante.

Fonte: https://www.terramundi.com.br/blog/a-vida-e-ciclica/

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Om shanti, irmãos!
"É verdadeiro, completo, claro e certo.
O que está em cima é como o que está embaixo,
e o que está embaixo é como o que está em cima,
e por estas coisas fazem-se os milagres de uma coisa só.
E como todas as coisas são e provém de Um,
pela mediação do Um,
todas as coisas são nascidas dessa única coisa por adaptação.
O Sol é seu Pai, a Lua é sua Mãe, o Vento a trouxe em seu ventre
e a Terra é sua nutriz e receptáculo."
~ Segunda lei hermética - O princípio da correspondência

"Onde está a diferença? Tendo isso em mente, várias culturas e tradições humanas falavam que a chave para entender o grande mistério que rege toda a existência é tentar começar a compreender primeiro o "pequeno" mistério do Ser Humano.
Busquemos nos sentir parte dessa harmoniosa aventura que é a Vida, conscientes desse 'Princípio da Correspondência', de que os mesmos fenômenos que ocorrem no Universo ocorrem dentro de cada um de nós."

 Om shanti, buscadores! 

por Cantando História:

A música popular é uma rica fonte para entendermos a cultura popular e desvendarmos alguns fatos poucos esclarecidos.

O conto do sábio chinês

Autor: Raul Seixas

Tema: A Cultura e a Filosofia Orientais a partir do Filósofo Taoísta Chuang-Tzu

Era uma vez um sábio chinês / Que um dia sonhou que era uma borboleta / Voando nos campos, pousando nas flores / Vivendo assim um lindo sonho, diz a canção de Raul Seixas, referindo-se  a um conto chinês, publicado no livro do filósofo  Chuang-Tzu, que teria vivido durante o século IV a.C., considerando a contagem de tempo do mundo ocidental.

Esse livro é um dos textos principais da corrente filosófica conhecida como Taoísmo, criada por Lao-Tsé, de quem Chuang-Tzu era seguidor. O Taoísmo se estabelece a partir dos escritos de Lao-Tsé conhecidos como Tao Te Ching e é um termo derivado de Tao, que, em chinês, equivale a caminho ou princípio. Para o  Taoísmo, a vida humana deve buscar a harmonia com a natureza e a imortalidade, aqui entendida como  longevidade, alcançada por meio da plenitude e da superação de si mesmo. 

Para o Taoísmo, a natureza revela um equilíbrio que deve ser observado e compreendido em sua harmonia, e que pode ser trazido ao corpo e à mente através de práticas como a meditação, a respiração e as artes marciais. Essa noção de equilíbrio e harmonia deriva do princípio de Yin e Yang, que explica a dualidade e contínua transformação de tudo que existe.

Esse conceito  pode ser visto na anedota sobre o cavalo do camponês. O cavalo de um camponês fugiu, e seu vizinho foi, prontamente, consolá-lo, ao que o camponês reagiu: “não sabemos se isso foi algo bom ou ruim”. No dia seguinte o cavalo regressou com outros cavalos selvagens com que havia criado afinidade. O vizinho apareceu para felicitar o camponês, dizendo que aquilo era ótimo. O camponês insistiu que não sabia se isso era bom ou ruim. O filho do camponês montou um dos cavalos selvagens, que, desacostumado a ser montado, derrubou o menino, que quebrou a perna. O vizinho (novamente) apareceu, lamentando o ocorrido junto ao camponês, que retrucou “não sabemos se isso é bom ou ruim”. No dia seguinte soldados guerreiros foram às terras do camponês para recrutar seu filho, que, impossibilitado de andar, foi dispensado. A moral da história é algo elementar do pensamento taoísta: tudo que é bom ou ruim é, na verdade, relativo, dependendo de circunstâncias relacionadas – e, principalmente, da maneira como se olha para aquilo que acontece.

Dessa maneira, o Taoísmo, seguido também como religião na China, mas, sobretudo, como modo de pensar e viver, pode nos levar a questionar o porquê das coisas serem como são, sobre tudo aquilo que conhecemos como “realidade” e que nos é dada, pronta e entregue desde que nascemos. E o principal ponto para esse questionamento da realidade pode se apoiar em outras formas de ver as mesmas coisas, como no caso da troca de perspectiva como na anedota do camponês: é importante tentar enxergar o mundo a partir do outro, em um constante exercício de alteridade, que envolve certo grau de empatia e, com isso, a transformação do próprio olhar. Com esta canção de Raul Seixas realizamos, em parte, esse propósito: estendemos nosso olhar ocidental a um pedaço do pensamento e da cultura chinesa, parte de um Oriente gigantesco em formas de ver o mundo.

Raul Seixas gravou O conto do sábio chinês como parte do disco Abre-te, Sésamo, lançado em 1980. A canção, delicada e curta, com pouco menos de dois minutos, apresenta elementos sonoros caracteristicamente orientais e traz, de forma bastante concisa, o conto taoísta do sábio e a borboleta. Raul tinha grande interesse por Filosofia, História e por temas metafísicos e místicos, tendo como grande parceiro e letrista Paulo Coelho, que se tornaria um escritor bastante popular nos anos 1990. Raul iniciou sua carreira no final dos anos 1960 e fez muito sucesso nos anos 1970 com o lançamento do disco Krig-Ha, Bandolo, de 1973, seguido de Gita (1974) e Novo Aeon (1975), sendo um dos ícones do rock brasileiro por juntar, de modo criativo e inusitado, rock n’ roll clássico, influências regionais, como o baião, e letras instigantes em suas músicas. Faleceu de pancreatite aguda em 21 de agosto de 1989, em São Paulo.

O Conto do Sábio Chinês

Era uma vez

Um sábio chinês

Que um dia sonhou

Que era uma borboleta

Voando nos campos

Pousando nas flores

Vivendo assim

Um lindo sonho...

Até que um dia acordou

E pro resto da vida

Uma dúvida

Lhe acompanhou...

Se ele era

Um sábio chinês

Que sonhou

Que era uma borboleta

Ou se era uma borboleta

Sonhando que era

Um sábio chinês...(2x)

Fonte: https://www.apoioescolar24horas.com.br/cantando-historia/musica