Shalom!

O Fermento do Ser
No centro do humano há um fogo.
Ele pode queimar
ou iluminar.
A mesma chama que destrói
também revela.
A sombra não é cárcere.
É matéria de trabalho.
Argila escura
onde a alma aprende alquimia.
Todo impulso bruto
é minério ainda não lapidado:
pesado, opaco,
mas cheio de promessa.
O verdadeiro alquimista
não foge da escuridão
ele a coloca no fogo lento da consciência
até que dela surja
uma luz quieta onde o espírito se depura,
capaz de refletir compaixão.
O mundo é espelho
do que fermenta dentro de nós.
Guerras, muros,
sussurros de ódio
são massas que ainda não cresceram.
Mas toda semente desperta
quando regada pela escolha.
Mesmo em terra árida.
Mesmo entre cinzas.
Olhe para si como um jardim:
há ervas daninhas
e há flores.
Ambas ensinam
a arte paciente de cultivar
atenção,
cuidado,
um amor que não força
apenas transforma.
Que cada gesto seja laboratório.
Cada pensamento,
uma pétala aberta ao trabalho da luz.
Pois até nas cinzas do conflito
pode nascer uma aurora:
o instante em que o humano
reconhece a si mesmo
em outro humano.
E então, silenciosamente,
o ouro da alma
começa a florescer.