segunda-feira, 9 de março de 2026

Shalom!

O Fermento do Ser


No centro do humano há um fogo.

Ele pode queimar

ou iluminar.


A mesma chama que destrói

também revela.

A sombra não é cárcere.

É matéria de trabalho.

Argila escura

onde a alma aprende alquimia.


Todo impulso bruto

é minério ainda não lapidado:

pesado, opaco,

mas cheio de promessa.


O verdadeiro alquimista

não foge da escuridão 

ele a coloca no fogo lento da consciência

até que dela surja

uma luz quieta onde o espírito se depura,

capaz de refletir compaixão.


O mundo é espelho

do que fermenta dentro de nós.

Guerras, muros,

sussurros de ódio

são massas que ainda não cresceram.


Mas toda semente desperta

quando regada pela escolha.

Mesmo em terra árida.

Mesmo entre cinzas.


Olhe para si como um jardim:

há ervas daninhas

e há flores.

Ambas ensinam

a arte paciente de cultivar

atenção,

cuidado,

um amor que não força 

apenas transforma.


Que cada gesto seja laboratório.

Cada pensamento,

uma pétala aberta ao trabalho da luz.


Pois até nas cinzas do conflito

pode nascer uma aurora:

o instante em que o humano

reconhece a si mesmo

em outro humano.


E então, silenciosamente,

o ouro da alma

começa a florescer.