quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Salam, buscadores!
Que hoje vocês sintam a presença silenciosa e
 amorosa do que é maior do que todos nós...

 [Inspirado na tradição mística do Sufismo, onde o Divino é buscado
 no silêncio, no Amor e na liberdade interior...]
*

Um Cântico Sufi Contemporâneo


Ah, Tu estás...

Entre o silêncio e o vento,

Ah, Tu estás...


Tu és o vento — todo vento é livre.

Tu és a chama — toda chama é viva.

Tu és a terra — que acolhe e sustenta.

Tu és a água — que dança e transforma.


Estás na folha que cai,

Na fresta entre os potes de barro quebrados.

Estás no cansaço dos exaustos,

No suspiro do mundo calado.


Ah, Tu respiras nos silêncios...

Ah, Tu sussurras nas dúvidas...

Ah, Tu és a Verdade —

Que não teme perguntas.

Tu és a Luz —

Que não cega, mas guia.


Não reclamas o trono,

Nem te impões como dono.

Tu és o sopro que chama,

A presença que ama.


Aos que erram buscando,

Aos que recomeçam acreditando.

Tua morada é no coração de tudo —

Não no dogma, nem na imposição transitória dos homens.


Ah, Tu estás...

Nos olhos que perguntam,

Nos ouvidos que escutam,

Na fala da sinceridade.


Ah, Tu estás...

Na liberdade que dança,

entre o voo livre dos livres pensadores...


Tu és, Tu és, Tu és...

A Essência Invisível.

Tu és, Tu és, Tu és...

O Amor Indivisível.

Tu és, Tu és, Tu és...

A Vida Infinita.


Ah... Tu estás.

No pulsar do Amor vivo.


O que é a paz no Sufismo?

Não-violência e amor:

"O Sufismo enfatiza o amor universal, a aceitação e a não-violência, pregando que a única 'guerra' válida é contra o próprio ego, que gera conflitos e intolerância." 

Om shanti, buscadores!

Sigamos com a reflexão:

Vocês notaram como o sofrimento, muitas vezes, 
não nasce do mundo lá fora, mas do ruído dentro de nós?
Notaram como, às vezes, vivemos cercados por vozes
 — vontades que se atropelam, desejos que se contradizem, 
urgências que não cessam?
É como estar em mil lugares ao mesmo tempo… e em nenhum de verdade.
É o cansaço da alma — não do corpo.
Mas talvez, em algum momento de silêncio, vocês tenham sentido algo diferente.
Um ponto de calma por trás do barulho.
Uma presença que não corre, não exige, não grita.
Algo que apenas… é.
Ali, vocês tocam o que é inteiro.
Ali, talvez, more o que sempre buscaram — sem saber onde.
A verdade, como podemos ver, não se revela na pressa.
Ela se mostra quando estamos por inteiro.
No amor que pulsa, na dor que fere, 
na contemplação que silencia.
Quando não há fuga, nem distração, 
a experiência se desnuda — e, com ela, nós também.
Há, dentro de cada um de nós, uma vontade mais funda.
Não essa que muda com o dia, com o vento, com o medo.
Mas uma chama antiga, firme, silenciosa.
Quando começamos a segui-la, 
tudo o que era ruído perde força.
As escolhas se tornam mais claras — os passos, mais firmes.
Viver com intensidade não é viver no excesso — 
é viver com inteireza, com presença.
Quando estamos atentos, até a dor se transforma.
Não mais ameaça — mas se revela.
O mundo deixa de ser inimigo e passa a ser espelho.
E então, devagar, algo em nós começa a voltar para casa.
Não uma casa com paredes, mas um lugar interior
 — um centro firme.
Ali, tudo se organiza. Tudo respira. Tudo se aquieta.
Que retornemos a nós.
Que sejamos inteiros.
Que vivamos com foco, com alma, com verdade.
Não para escaparmos do mundo, mas para, enfim, 
podermos habitá-lo de verdade.