quarta-feira, 3 de setembro de 2025

 Om shanti, buscadores!

"Apenas viver não é suficiente, disse a borboleta. 

É preciso ter sol, liberdade e uma pequena flor."

(Hans Christian Andersen)

Vivaldi- 4 Mandolin Concertos...


Namastê, buscadores!

"O Tempo que se Sente"

 Com ecos de Husserl, Heidegger e Merleau-Ponty


O tempo vivido

não se mede em relógios,

mas pulsa na alma

como um rio de experiências.


No silêncio da consciência,

ele revela sua verdadeira face:

o tempo fenomenológico.


Um caminho de retorno

à essência do ser,

uma jornada interior

que convida o indivíduo

a contemplar o mundo

como ele aparece à consciência,

livre das amarras

da ciência empírica,

da metafísica,

dos julgamentos prévios.


Não como mera aparência,

mas como aquilo que se mostra à consciência,

aquilo que se dá

na experiência vivida.


É um chamado místico

ao “rumo às coisas mesmas”,

ao real enquanto aparece,

não enquanto é rotulado

ou teorizado.


Ao contrário do tempo cronológico —

frio, mecânico, linear —

o tempo fenomenológico

é o tempo da experiência,

que se desenha na intimidade,

nos afetos,

nas memórias.


Ele não se mede,

mas se sente.

É o tempo da espera,

da saudade,

da angústia

ou da alegria —

o tempo que pulsa dentro do ser.


Esse tempo não obedece ao relógio.

Ele é fluxo da consciência,

onde passado, presente e futuro

se entrelaçam

como um tecido existencial.


Para compreendê-lo,

é preciso cessar o ruído exterior

e voltar-se à escuta da própria alma.

Uma suspensão mística do mundo exterior,

como quem fecha os olhos

para ver melhor por dentro.


A fim de contemplar

o fenômeno em sua pureza.

Como um farol

que ilumina o que percebe,

a essência de cada coisa

se revela nesse contato

entre o sujeito e o mundo,

entre o olhar e o que é olhado.


Como em um exercício espiritual…

É como contemplar infinitas formas de um triângulo e,

por fim, enxergar o triângulo ideal:

aquele que habita além do tempo e da matéria.


Compreender o ser

em sua experiência interna,

e não segundo padrões externos.

É um convite à consciência desperta.


Um lembrete:

a realidade verdadeira

não está nos fatos,

mas na forma como os fatos

nos atravessam.


Portanto,

um caminho místico

de retorno ao ser,

uma forma de olhar o mundo sem véus,

reconhecendo que,

antes de compreender o mundo,

é preciso

compreendê-lo em nós.