É o Vento
É o Vento.
Sopro invisível do Eterno
a atravessar os véus da alma.
É o Vento que inspira —
não apenas o ar,
mas o sentido oculto da existência.
Brisa delicada de Amor primordial
que nos toca sem ser vista
e nos transforma sem alarde.
Ele ecoa versos antigos
na prosa silenciosa da paz,
desbravando desertos internos
até que floresçam jardins.
Seus poderes são sementes sutis:
germinam no solo dos anseios,
rompem a dureza dos medos,
e fazem do coração
terra fértil para o Amar.
Clareiam sentimentos,
como aurora que dissipa névoas,
recordando-nos
o verdadeiro sentido de estar.
Sim — sentir e compartilhar.
Assentar-se ao sol do agora,
entre jardins em flor,
onde cores entrelaçam esperança
e cada pétala sussurra confiança.
O Vento aponta direções invisíveis.
Revela os velhos caminhos
que já não nos cabem,
e nos convida a ultrapassá-los
com passos conscientes
e olhar desperto.
Há uma força sagrada nesse sopro:
ela nivela diferenças,
harmoniza contrastes,
conduz à unidade —
como rios que reconhecem
o mesmo Mar.
Sigamos, então, com fé e coragem,
neste voo sobre águas serenas,
onde o silêncio ensina
e o espírito desperta para si.
É o Vento do Novo Tempo.
Não o que passa —
mas o que inicia.
Sopro de renovo,
chamado de propósito,
luz que recorda
quem somos
antes mesmo de nascer o dia.

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