domingo, 12 de dezembro de 2021

Om shanti, buscadores!

"Neste momento de puro silêncio...
Eu aprecio aquele que encantou minha alma
 por toda a eternidade...
Em eterna bem-aventurança no meu jardim
 do coração iluminado pela lua."
(Rumi)
"O amor desbasta o ego.
Enxuga excessos.
Delata as mínguas. 
Transforma as mágoas. 
Destrona arrogâncias e idealizações.
Desmancha certezas e tece oportunidades. 
Bagunça a autoimagem todinha,
 piedade zero, culpa nenhuma.
O amor percorre territórios devastados da alma...
Com a calma necessária para reflorestar um a um. 
Dissolve neblinas. 
Revela o sol. 
Destece máscaras. 
Reinaugura a humildade. 
Faz ventar. 
Faz chorar. 
Faz sorrir. 
Faz tempestade um monte de vezes...
Pra dizer também céu azul 
um monte de vezes depois."
(Ana Jácomo)
*
“O amor não é uma emoção, 
é a sua própria existência.” 
(Rumi)

Namastê buscadores!

Raios de sol
"No livro bíblico de Gênesis, no seu primeiro capítulo,
encontramos a descrição sintética da criação do homem: 
Façamos o homem à nossa imagem, 
conforme a nossa semelhança."

Nesse versículo está o atestado inconteste da grandeza de um Criador refletida na grandiosidade de Sua mais elaborada criação.
E toda vez que descobrimos a engenhosidade do ser humano, sua capacidade de inventividade, esse versículo nos retorna à mente."
...
"Conta-se que nas Ilhas Salomão, no Pacífico Sul, os nativos descobriram um jeito inteiramente diferente de derrubar árvores.
Se algum tronco é grosso demais para ser abatido com os seus machados, eles o derrubam no grito.
Isso mesmo, no grito. Lenhadores sobem na árvore toda manhã bem cedinho e se põem a gritar.
Repetem o ritual durante trinta dias. A árvore morre e cai por terra. Segundo eles, o método nunca falha e a explicação, também segundo os nativos, é que, gritando, eles matam o espírito da árvore.
Os civilizados logo pensam que se eles dispusessem de tecnologia moderna, poderiam simplesmente derrubar a árvore com máquinas poderosas, rapidamente e de forma mais eficiente.
Entretanto, a técnica desses nativos nos leva a pensar em como nós ainda utilizamos o grito em nossas vidas (...)
Tudo isso nos faz reflexionar. Se os nativos das Ilhas Salomão descobriram que as árvores são sensíveis aos gritos, que dizer dos seres humanos!"
***
"No trato pessoal, a fala desempenha papel importante.
A magia da voz é daquelas que não deve ser esquecida por todos os que se acham envolvidos nas lides humanas, escutando os diversos corações.
Por isso, utilizemos a palavra para construir, edificar, com o objetivo de fazer a vida brilhar.
Falemos com valor, falemos com amor, para que sejamos felizes e façamos os demais também felizes.
Não nos esqueçamos de que a gentileza e o respeito no trato pessoal também significam caridade."
***
"Pais e mães reflitamos no fato de que criamos nossos rebentos para a vivência do mundo, na sociedade.
Assim, ofertemos a eles a melhor estrutura, ensinando-os a cooperar no lar, para que aprendam amanhã a cooperar no mundo.
Pensemos nos tempos difíceis do mundo e preparemos nossos filhos para que os enfrentem com vigor."
***
"Deus semeia estrelas no Universo sem fim. Astros que nos encantam com seu brilho e sua grandeza.
O homem as reproduz, gravando-as na neve, com seus pés. Tudo medido, pensado, elaborado.
Quanto podemos, nós, simples seres humanos, quando desejamos criar o belo para este mundo.
Imaginemos quando todos resolvermos investir nossos esforços, nossa criatividade somente no bom e no belo.
Quantas maravilhas ainda mais extraordinárias haveremos de oferecer ao mundo, na arquitetura, na pintura, na escultura.
Focados na beleza, cada milímetro de terra, de areia, de pedra, de floresta ou deserto que olharmos, transformaremos em um oásis de criações minúsculas ou gigantescas.
Quando deixarmos de nos considerar competidores, quando decidirmos nos dar as mãos, unindo inteligências e criatividade, que mais haveremos de produzir?
Com certeza, tudo o que as mais extraordinárias ficções até hoje nos ofereceram se tornarão pequenas, porque, imagem e semelhança do Criador, demonstraremos o ilimitado das nossas potencialidades.
E tudo reside em nossa vontade, em nossa ação para colocar em prática o mais grandioso, fenomenal e inventivo produto de nossas capacidades unidas.
Hoje ainda, agora, enquanto os minutos se espreguiçam nas horas e as horas decidiram não fechar o dia."
***
"Não estamos sós. Há sempre uma alma querida que Deus coloca em nosso caminho para nos amar, para nos dizer que Ele não nos esqueceu.
Que Ele sabe das nossas lutas, do plano de progresso que estabelecemos na Espiritualidade, antes de nascer.
E que, para o concretizar em totalidade, necessitamos de uma mão que nos acaricie, um ombro que se nos ofereça como apoio nos dias de desânimo, braços que nos envolvam, uma voz que diga: 

Siga em frente! Estou contigo!
Raio de sol. Não é filha da nossa carne. 
Mas, alguém que Deus mandou para iluminar
 os nossos dias, tornar mais suave nossa jornada.
Todos temos esses anjos, vestidos de amigos, colegas, parentes.
Chegam de mansinho como quem nada quer.
Mas assinalam sua presença com uma aura
 de paz e tranquilidade.

Fragmentos para reflexões... 
Redação do Momento Espírita 

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Namastê buscadores!
Dez lições valiosas para vida! 
de Sêneca

Primeira lição — 
"Não é que tenhamos um curto espaço de tempo, mas que desperdiçamos muito dele. A vida é longa o suficiente, e foi dada em medida suficientemente generosa para permitir a realização das maiores coisas, se a totalidade dela estiver bem investida. Mas quando é desperdiçada em luxo e descuido, quando é dedicada a um fim inútil, forçada, finalmente, pela necessidade final, percebemos que já passou antes que estivéssemos conscientes de que estava passando."

Segunda lição -
"O maior impedimento para viver é a expectativa,
 a qual tende para o amanhã e faz perder o momento presente."

Terceira lição -
"Pois o homem sábio considera a riqueza
 como escravo, o tolo como mestre."

Quarta lição -
"Se você realmente quer escapar das coisas que o assediam,
o que você precisa fazer não é estar em um lugar diferente, 
mas ser uma pessoa diferente."

Quinta lição -
"O silêncio é uma lição aprendida 
com os vários sofrimentos da vida." 

Sexta lição - 
"Existem mais coisas, Lucílio, susceptíveis de nos assustar do que existem de nos derrotar; sofremos mais na imaginação do que na realidade. Assim, algumas coisas nos atormentam mais do que deveriam; algumas nos atormentam antes do que deveriam; e algumas nos atormentam quando não deveriam nos atormentar."

Sétima lição -
"E na leitura de muitos livros há distração. 
Por conseguinte, uma vez que não é possível ler todos os livros que você pode possuir. É o suficiente possuir apenas tantos livros quanto você possa ler."

Oitava lição - 
"Que nada lhe seja permitido enquanto você estiver irado. 
Por que razão? 
Porque irá querer que tudo lhe seja permitido."

Nona lição -
"O homem vive preocupado em viver muito. 
Não em viver bem, mas na realidade o viver muito
não depende dele, mais o viver bem sim."

Décima lição - 
"Ninguém condenou a sabedoria à pobreza. O filósofo pode possuir ampla riqueza, mas não  possuirá riqueza que tenha sido arrancada de outro, ou que esteja manchada com o sangue de outra pessoa, ela deve ser obtida sem prejudicar qualquer homem e sem que ela tenha sido obtida por meios vis; deve ser honrosamente acessível e honrosamente gasta."
"Séneca", no Museu Arqueológico Nacional de Nápoles

Séneca

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Lúcio Aneu Séneca ou Sêneca (4a.C.—Roma,65), foi um filósofo estoico e um dos mais célebres advogados, escritores e intelectuais do Império Romano.(...) Sua obra literária e filosófica, tida como modelo do pensador estoico durante o Renascimento, inspirou o desenvolvimento da tragédia na dramaturgia europeia renascentista.

Sêneca foi simultaneamente dramaturgo de sucesso, uma das pessoas mais ricas de Roma, estadista famoso e conselheiro do imperador. Sêneca teve que negociar, persuadir e planejar seu caminho pela vida. Ao invés de filosofar da segurança da cátedra de uma universidade, ele teve que lidar constantemente com pessoas não cooperativas e poderosas e enfrentar o desastre, o exílio, a saúde frágil e a condenação à morte. Sêneca correu riscos e teve grandes feitos (...).

Em 41, foi acusado por Messalina, esposa do imperador Cláudio, de ter cometido adultério com Júlia Lívila, sobrinha do imperador. Como consequência, foi exilado para a Córsega. No exílio, em meio a grandes privações materiais, Séneca dedicou-se aos estudos e redigiu vários de seus principais tratados filosóficos. Entre eles, os três intitulados Consolationes ("Consolos"), em que expõe os ideais estoicos clássicos de renúncia aos bens materiais em busca da tranquilidade da alma mediante o conhecimento e a contemplação.

Por influência de Agripina, a Jovem, sobrinha do imperador e uma das mulheres com quem este se casou, Séneca retornou a Roma em 49. Agripina tornou-o preceptor de seu filho, o jovem Nero, e elevou-o a pretor em 50. Séneca contraiu matrimônio com Pompeia Paulina e organizou um poderoso grupo de amigos.

No ano 65, Séneca foi acusado de ter participado da conspiração de Pisão, na qual o assassinato de Nero teria sido planejado. Sem qualquer julgamento, foi obrigado a cometer o suicídio. Na presença dos seus amigos, cortou os pulsos com o ânimo sereno que defendia em sua filosofia. Tácito relatou a morte de Séneca e da mulher, que também cortou os pulsos. Nero, com medo da repercussão negativa dessa dupla morte, mandou que médicos a tratassem, e ela sobreviveu alguns anos a mais que o marido.

Contemporâneo de Jesus

Apesar de ter sido contemporâneo de Jesus Cristo, Séneca não fez quaisquer relatos significativos de fenómenos milagrosos que aparentemente anunciavam o advento de uma poderosa nova religião; entretanto, segundo Jerónimo ("De Viris Illustribus", xii), Séneca teria trocado correspondências com Paulo (apóstolo com cidadania romana, também conhecido por Saulo). Constata-se que os cristãos, por intermédio de Lúcio Aneu Séneca, assimilaram os princípios estoicos, utilizando, inclusive, as mesmas metáforas estoicas na Bíblia. Um facto tanto mais curioso é que Séneca, como filósofo, interessou-se por todos os fenómenos da natureza, resultando nas cartas intituladas posteriormente "Questões da natureza", como observou Edward Gibbon, historiador do iluminismo do século XVIII, perito na história do Império Romano e autor do livro História do Declínio e Queda do Império Romano.

A filosofia de Séneca

Séneca desenhado por Peter Paul Rubens

Sêneca ocupava-se da forma correta de viver a vida (ou seja, da ética), da física e da lógica. Via o sereno estoicismo como a maior virtude, o que lhe permitiu praticar a imperturbabilidade da alma, denominada ataraxia (termo utilizado a primeira vez por Demócrito em 400 a.C.) Juntamente com Marco Aurélio e Cícero, conta-se entre os mais importantes representantes da intelectualidade romana. 

Sêneca via, no cumprimento do dever, um serviço à humanidade. Procurava aplicar a sua filosofia à prática. Deste modo, apesar de ser rico, vivia modestamente: bebia apenas água, comia pouco, dormia sobre um colchão duro. Sêneca não viu nenhuma contradição entre a sua filosofia estoica e a sua riqueza material: dizia que o sábio não estava obrigado à pobreza, desde que o seu dinheiro tivesse sido ganho de forma honesta. No entanto, devia ser capaz de abdicar da riqueza.

Sêneca via-se como um sábio imperfeito: "Eu elogio a vida, não a que levo, mas aquela que sei dever ser vivida." Os afetos (como relutância, vontade, cobiça, receio) devem ser ultrapassados. O objetivo não é a perda de sentimentos, mas a superação dos afetos. Os bens podem ser adquiridos, à condição de não deixarmos que se estabeleça uma dependência deles.

O pensamento de Sêneca, especialmente suas críticas ao comportamento vulgar, permite que se conheça melhor a sociedade de Roma no século I d.C.

Para Sêneca, o destino é uma realidade. O homem pode apenas aceitá-lo ou rejeitá-lo. Se o aceitar de livre vontade, goza de liberdade. A morte é um dado natural. O suicídio não é categoricamente excluído por Sêneca.

Sêneca influenciaria profundamente o pensamento de João Calvino. O primeiro livro de Calvino foi um comentário ao De Clementia, de Sêneca.

Sua principal filosofia, o estoicismo, pode ser encarada como um sistema para prosperar em ambientes de alto estresse. Em seu núcleo, ensina como separar o que você pode controlar do que não pode e nos treina para se concentrar exclusivamente no primeiro. As cartas de Sêneca podem ser interpretadas como um guia prático para frugalidade e como contentar-se com o suficiente. A prática do estoicismo torna você menos emocionalmente reativo, mais consciente do presente e mais resiliente. À medida que você navega na vida, esse tipo de treinamento de força mental também facilita as decisões difíceis, seja desistir de um emprego, fundar uma empresa, convidar alguém para sair, terminar um relacionamento ou qualquer outra coisa.

A filosofia de Sêneca aborda a busca da felicidade, a preparação para a morte, as desilusões, a amizade e levanta uma das principais questões humanas: como conjugar qualidade de vida e tempo escasso. Leitores do século XXI serão surpreendidos por lições como: "A duração de minha vida não depende de mim. O que depende é que não percorra de forma pouco nobre as fases dessa vida; devo governá-la, e não por ela ser levado"; "Pobre não é o homem que tem pouco, mas o homem que anseia por mais. Qual é o limite adequado para a riqueza? É, primeiro, ter o que é necessário, e, segundo, ter o que é suficiente". Ou ainda: "Não deixemos nada para mais tarde. Acertemos nossas contas com a vida dia após dia.".


Referências:

https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9neca

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Om Shanti!!!


"As flores estão cheias de mel,
 mas apenas a abelha descobre sua doçura."
(Goethe)
Kevin Kern  From this Day Forward
*
"Como o azul reside no céu,
o Senhor em ti mesmo habita (...)
procura-o em teu interior."
(Kabir)


Namastê buscadores!

"Não há nada mais assustador do que a ignorância em ação."
*
"Qual é o melhor governo?
Aquele que nos ensina a governar a nos mesmos."
(Goethe)
Espectro de luz, da Teoria das Cores. Goethe observou que, com um prisma,
 a cor surge nas bordas claro-escuras e o espectro ocorre 
onde essas bordas coloridas se sobrepõem.
*
Johann Wolfgang von Goethe
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Johann Wolfgang von Goethe; (Frankfurt am Main, 28 de agosto de 1749 — Weimar, 22 de março de 1832) foi um polímata, autor e estadista alemão do Sacro Império Romano-Germânico que também fez incursões pelo campo da ciência natural. Como escritor, Goethe foi uma das mais importantes figuras da literatura alemã e do Romantismo europeu, nos finais do século XVIII e inícios do século XIX. Juntamente com Friedrich Schiller, foi um dos líderes do movimento literário alemão Sturm und Drang e, posteriormente, do Classicismo de Weimar.
De sua vasta produção fazem parte: romances, peças de teatro, poemas, escritos autobiográficos, reflexões teóricas nas áreas de arte, literatura e ciências naturais. Além disso, sua correspondência epistolar com pensadores e personalidades da época é grande fonte de pesquisa e análise de seu pensamento.
Por meio do romance Os Sofrimentos do Jovem Werther, Goethe tornou-se famoso em toda a Europa no ano de 1774 e, mais tarde, houve um amadurecimento de sua produção, influenciada sobretudo pela parceria com Schiller, com o qual tornou-se o mais importante autor do Classicismo de Weimar. Sua obra-prima, porém, é o drama trágico Fausto, publicado em fragmento em 1790, depois em primeira parte definitiva em 1808 e, por fim, numa segunda parte, em 1832, ano de sua morte, tomando-lhe, portanto, a vida inteira. Goethe é até hoje considerado o mais importante escritor alemão, cuja obra influenciou a literatura de todo o mundo.

Ciências naturais e poesia
Nos anos posteriores à sua viagem à Itália, Goethe empenhou-se nas pesquisas em ciências naturais. Em 1790 ele publica uma obra chamada Versuch die Metamorphose der Pflanzen zu erklären, e inicia sua pesquisa sobre as cores, assunto ao qual se dedicou até o fim de sua vida. A Teoria das Cores é publicada em 1810. 
As obras da década de 1790 fazem parte Römische Elegien, uma coleção de poemas eróticos, à maneira clássica, sobre a paixão de Goethe por Christiane. Da viagem à Itália vieram os Venetiatischen Epigrame, poemas satíricos sobre a Europa da época. Goethe escreveu também uma série de comédias satirizando a Revolução Francesa: Der Groβ-Cophta (1791), Der Bürgergeneral (1793), e o fragmento Die Aufgeregten (1793).
Em 1794 Schiller convida Goethe para colaborar na revista de arte e cultura: Die Horen. Goethe aceita o convite e a partir daí inicia-se uma aproximação entre os dois intelectuais, que resultou numa íntima amizade. Ambos desaprovavam a revolução e apoiavam a estética da antiguidade clássica como ideal artístico.
Como resultado de suas discussões a respeito dos fundamentos estéticos da arte, Schiller e Goethe desenvolveram ideias artísticas que deram origem ao Classicismo de Weimar.
Nesse período, Schiller convence Goethe a retomar a escrita de Faust (Fausto) e acompanha o nascimento de Wilhelm Meister Lehrjahre (Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister). Além dessas obras, Goethe escreve no mesmo período Unterhaltungen deutscher Ausgewanderten e o épico escrito em hexâmetro clássico Hermann und Dorothea.
Em 1805, interfere para que Hegel seja nomeado professor na Universidade de Berlim. A morte de Schiller nesse mesmo ano, foi uma grande perda para o amigo Goethe. Em 1808, Napoleão condecora Goethe, no Congresso de Erfurt, com a grande cruz da Legião da Honra. De acordo com sua correspondência, sobretudo os registros de Eckermann, seu amigo, Goethe ficou bastante aturdido com a Revolução Francesa. Prova disso é a segunda parte de Fausto, publicada postumamente, conforme carta ao amigo, ao qual dizia para só se abrir o pacote após sua morte, num profundo lamento, prevendo que sua literatura seria deixada no esquecimento.

Últimos anos do poeta
Nos anos que seguiram a morte de Schiller, Goethe adoeceu diversas vezes. Atormentado com os acontecimentos decorrentes da invasão Napoleônica a Weimar, Goethe vive uma fase pessimista. Desta época provém seu último romance, Die Wahlverwandschaften, de 1809. Um ano depois Goethe começa a escrever sua autobiografia.
Um ano após a morte da esposa (1816), Goethe organiza seus escritos e publica os trabalhos: Geschichte meines botanischen Studiums (1817); Italianischen Reise (1817) (Viagem à Itália), diário e reflexões de sua viagem, em duas partes, respectivamente; Wilhelm Meister Wanderjahre (1821) e Zur Naturwissenschaft überhaupt (1824). Em 1823, Jean-Pierre Eckerman torna-se secretário de Goethe e o ajuda na revisão e publicação de escritos até sua morte. As conversações com Eckerman são fruto dessa colaboração.
Durante esse período Goethe dedicava-se à escrita de Faust, que veio a finalizar, após 16 anos de trabalho, em 1830. Aos 82 anos, em 22 de março de 1832, Goethe morre na cidade de Weimar. Encontra-se sepultado no Cemitério Histórico de Weimar, Turíngia na Alemanha ao lado de Friedrich Schiller.

Trabalho científico
Embora seu trabalho literário tenha atraído o maior interesse, Goethe também esteve profundamente envolvido nos estudos de ciências naturais. Ele escreveu vários trabalhos sobre morfologia e teoria das cores. Goethe também tinha a maior coleção particular de minerais de toda a Europa. Na época de sua morte, para obter uma visão abrangente da geologia, ele havia coletado 17.800 amostras de rochas.
Seu foco na morfologia e no que mais tarde foi chamado de homologia influenciou os naturalistas do século XIX, embora suas ideias de transformação fossem sobre a metamorfose contínua dos seres vivos e não se relacionassem às ideias contemporâneas de "transformismo" ou transmutação de espécies. A homologia, ou conforme Etienne Geoffroy Saint-Hilaire chamou-a de "analogia", foi usada por Charles Darwin como forte evidência de ascendência comum e de leis de variação. Os estudos de Goethe (notadamente com um crânio de elefante emprestado a ele por Samuel Thomas von Soemmerring) o levaram a descobrir independentemente o osso intermaxilar humano, também conhecido como "osso de Goethe", em 1784, o qual Broussonet (1779) e Vicq d'Azyr (1780) haviam (usando métodos diferentes) identificado vários anos antes. Embora não fosse o único em seu tempo a questionar a visão predominante de que esse osso não existia nos seres humanos, Goethe, que acreditava que os anatomistas antigos conheciam esse osso, foi o primeiro a provar sua existência em todos os mamíferos. O crânio do elefante que levou Goethe a essa descoberta, e posteriormente foi nomeado como Elefante Goethe, ainda existe e é exibido no Ottoneum em Kassel, Alemanha.
Durante sua jornada pela Itália, Goethe formulou uma teoria da metamorfose vegetal, na qual a forma arquetípica da planta pode ser encontrada na folha - ele escreve: "de cima para baixo, uma planta é toda folha, unida de maneira tão inseparável ao futuro broto que um não pode ser imaginado sem o outro". Em 1790, ele publicou seu A Metamorfose das Plantas. Como um dos muitos precursores na história do pensamento evolucionário, Goethe escreveu em História dos Meus Estudos Botânicos (1831):
A exibição em constante mudança das formas das plantas, que acompanho há muitos anos, desperta cada vez mais dentro de mim a noção: as formas das plantas que nos cercam não foram todas criadas em um determinado momento e, em seguida, trancadas na forma dada, elas receberam... uma feliz mobilidade e plasticidade que lhes permitem crescer e se adaptar a muitas condições diferentes em muitos lugares diferentes.
As teorias botânicas de Goethe foram parcialmente baseadas em sua jardinagem em Weimar.
Goethe também popularizou o barômetro Goethe usando um princípio estabelecido por Torricelli. Segundo Hegel, "Goethe ocupou-se bastante com meteorologia; leituras de barômetro interessaram-no particularmente... O que ele diz é importante: o principal é que ele forneça uma tabela comparativa de leituras barométricas durante todo o mês de dezembro de 1822, em Weimar, Jena, Londres, Boston, Boston, Viena, Töpel... Ele afirma deduzir que o nível barométrico varia na mesma proporção, não apenas em cada zona, mas que também apresenta a mesma variação em diferentes altitudes acima do nível do mar".

Espectro de luz, da Teoria das Cores. Goethe observou que, com um prisma, a cor surge nas bordas claro-escuras e o espectro ocorre onde essas bordas coloridas se sobrepõem.
Em 1810, Goethe publicou sua Teoria das Cores, que considerou sua obra mais importante. Nela, ele caracterizou contenciosamente a cor como resultante da interação dinâmica da luz e da escuridão através da mediação de um meio turvo. Em 1816, Schopenhauer desenvolveu sua própria teoria em Sobre a Visão e as Cores base nas observações fornecidas no livro de Goethe. Depois de traduzida para o inglês por Charles Eastlake em 1840, sua teoria tornou-se amplamente adotada pelo mundo da arte, principalmente por J. M. W. Turner. O trabalho de Goethe também inspirou o filósofo Ludwig Wittgenstein, a escrever seu Remarks on Color (Anotações sobre as Cores). Goethe se opôs veementemente ao tratamento analítico da cor por Newton, empenhando-se em compilar uma descrição racional abrangente de uma ampla variedade de fenômenos de cores. Embora a precisão das observações de Goethe não admita muitas críticas, sua abordagem estética não se presta às exigências das análises analíticas e matemáticas usadas ubiquamente na ciência moderna. Goethe foi, no entanto, o primeiro a estudar sistematicamente os efeitos fisiológicos da cor, e suas observações sobre o efeito das cores opostas o levaram a um arranjo simétrico de sua roda de cores, 'pois as cores diametralmente opostas uma à outra ... são aquelas que reciprocamente se evocam nos olhos.' (Goethe, Teoria das cores, 1810). Nisso, ele antecipou a teoria das cores oponentes de Ewald Hering (1872).
Goethe descreve seu método no ensaio O experimento como mediador entre sujeito e objeto (1772). Na edição de Kurschner dos trabalhos de Goethe, o editor de ciências, Rudolf Steiner, apresenta a abordagem de Goethe à ciência como fenomenológica. Steiner elaborou isso nos livros The Theory of Knowledge Implicit in Goethe's World-Conception e Goethe's World View, nos quais ele caracteriza a intuição como o instrumento pelo qual se apreende o arquétipo biológico de Goethe — O Typus.
Novalis, ele próprio um geólogo e engenheiro de minas, expressou a opinião de que Goethe foi o primeiro físico de seu tempo e "fazedor de época na história da física", escrevendo que os estudos de luz de Goethe, da metamorfose de plantas e insetos eram indicações e provas "de que a palestra educacional perfeita pertence à esfera de trabalho do artista"; e que Goethe seria superado, 'mas apenas da maneira em que os antigos podem ser superados, em conteúdo e força internos, em variedade e profundidade - como um artista, na verdade, não, ou apenas muito pouco, pois sua retitude e intensidade talvez já sejam mais exemplar do que parece'.
Religião
Goethe era um livre pensador que acreditava que alguém poderia ser interiormente cristão sem seguir nenhuma das igrejas cristãs, muitas das quais a cujos ensinamentos centrais ele se opunha firmemente, distinguia nitidamente entre Cristo e os princípios da teologia cristã e criticava sua história como uma "mistura de falácias" e violência". Suas próprias descrições de seu relacionamento com a fé cristã e até com a Igreja variaram muito e foram interpretadas ainda mais amplamente, de modo que enquanto Eckermann, o secretário de Goethe, retratava-o como entusiasmado com o cristianismo, Jesus, Martinho Luthero e a Reforma Protestante, até chamando o cristianismo de a "religião suprema", em uma ocasião Goethe se descreveu como "não anticristão, nem a-cristão, mas decididamente não cristão", e em seu Epigrama Veneziano 66, Goethe listou o símbolo da cruz entre as quatro coisas que ele mais detestava. Segundo Nietzsche, Goethe tinha "um tipo de fatalismo quase alegre e confiante" que tem "fé de que somente na totalidade tudo se redime e parece bom e justificado".
Nascido em uma família luterana, a fé inicial de Goethe foi abalada por notícias de eventos como o terremoto de 1755 em Lisboa e a Guerra dos Sete Anos. A preocupação de Goethe e a reverência por Spinoza são bem conhecidas na história do pensamento ocidental. Ele foi uma das figuras centrais em um grande florescimento de um neo-espinozismo altamente influente que ocorreu na filosofia e na literatura alemã do final do século XVIII e início do século XIX. — esse foi o primeiro notável renascimento de Spinoza na história. Como Lessing e Herder, em muitos aspectos, Goethe era um espinozista dedicado. Como Heinrich Heine, Nietzsche menciona em seus escritos frequentemente Goethe e Spinoza como um par. Sua perspectiva espiritual posterior incorporou elementos do panteísmo (fortemente influenciado pelo pensamento de Spinoza), humanismo e vários elementos do esoterismo ocidental, como vistos com maior vivacidade na parte 2 de Fausto. Ele também era um panenteísta, como alguns outros spinozistas de destaque, pois buscou conciliar o monismo espinosiano com a liberdade individual e reconhece que a natureza está cheia de Deus, mas que a divindade é algo além.
Sua filosofia e crença foi amplamente influenciada pela filosofia grega, tendo estudado obras de Platão e do neoplatonismo, fortemente presente em sua poesia, e afirmado que Deus está em unidade com a Natureza como "o todo" que serve de fundamento ontológico para a multiplicidade, noção que ele afirma remontar à antiguidade, desde Plotino. Schelling também inspirou-lhe a conciliação de idealismo e realismo, refletida na sua poesia e ciência. Um ano antes de sua morte, em uma carta a Sulpiz Boisserée, Goethe escreveu que tinha a sensação de que, durante toda a vida, aspirava a se qualificar como um dos hipsistarianos, uma antiga seita judaico-pagã da região do Mar Negro que, em seu entendimento, buscava reverenciar o que eles conheciam do melhor e mais perfeito, por estar próximo da Divindade. As crenças religiosas não-ortodoxas de Goethe o levaram a ser chamado de "o grande pagão" e provocaram desconfiança entre as autoridades de seu tempo, que se opunham à criação de um monumento de Goethe por causa de seu credo religioso ofensivo. August Wilhelm Schlegel considerou Goethe "um pagão que se converteu ao Islã", o que deve ter sido notável na Europa devido à influência que recebeu do sufismo na obra do poeta persa Hafez, levando-o a publicar o Divã Ocidental-Oriental (West–östlicher Divan), e do Corão, tendo escrito uma narrativa sobre Maomé, além de outras citações em seus poemas.

Goethe era cético quanto a especulações metafísicas racionalistas. Acreditava que a razão humana era incapaz de compreender o mistério divino em sua inteireza. Após criticar Voltaire, nas Conversações com Goethe, de Eckermann, Goethe faz a seguinte afirmação sobre o homem:
Suas faculdades não são suficientes para medir os movimentos do universo, e pretender levar a razão ao cosmos é, dada sua ínfima posição, um esforço vão. A razão dos homens e a razão da divindade são duas coisas muito diferentes... Digo isso apenas como um sinal do quão pouco nós sabemos, e de que não é bom tocar em mistérios divinos.

Na mesma obra, a respeito do cristianismo, Goethe afirma, em seu último ano de vida:
A cultura espiritual pode continuar a progredir, as ciências naturais podem crescer cada vez mais em extensão e profundidade, e o espírito humano pode se ampliar o quanto quiser: jamais ele ultrapassará a elevação e a cultura moral do cristianismo como ela cintila e brilha nos Evangelhos! Quanto mais decididamente nós protestantes avançarmos em nosso nobre desenvolvimento, tanto mais rápido nos seguirão os católicos. Assim que se sentirem tomados pelo grande esclarecimento da época, que se propaga cada vez mais, eles terão de seguir-nos, queiram ou não, até chegar o dia em que finalmente tudo seja apenas um.