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CONSTELAÇÃO FAMILIAR:
PRINCÍPIOS BÁSICOS
Por Marly de Souza Almeida
A Constelação Familiar é uma técnica de pensamento sistêmico, uma “presença” e um movimento que permitem a percepção de que na família e no grupo familiar existe vínculo, necessidade de pertencimento e de compensação partilhada por todos os seus integrantes. Trata-se de uma postura fenomenológica, mediante a qual a pessoa constelada se permite o assentimento à realidade, à dependência, tal como ela é.
Essa dependência está fundada na teoria sistêmica do biólogo austríaco Ludwing Von Bertlanfy, mediante a qual um sistema se configura pelo equilíbrio, graças a dependência mútua de seus componentes e de suas funções. Cada parte está implicada no todo, não havendo qualquer possibilidade de exclusão sem causar desequilíbrio.
O antropólogo inglês Gregory Bateson aplicou a teoria sistêmica à família e às estruturas sociais e percebeu o quanto estamos enredados em um todo maior, pelo vínculo comum da vida.
Bert Hellinger, criador da abordagem da Psicoterapia Sistêmica, percebe os vínculos do Amor pelos quais os destinos humanos estão enredados, e compreende as “Ordens” que atuam em cada Sistema Familiar. São Ordens do Amor, responsáveis pelo equilíbrio do Sistema Familiar. Essas Ordens são pré-estabelecidas, por isso, válidas para todos os sistemas.
Mas o que é um Sistema para Bert Hellinger?
Sistema é uma organização, um campo de energia, de objetivos, de possibilidades que implicam dependência. É o que transmite a consciência de que não estamos sozinhos. Para cada ser humano estar aqui, quantas pessoas o antecederam e o ajudaram, colaboraram, facilitaram, patrocinaram, sem que se tenha consciência disto. Trata-se de troca, de relação de força do campo sistêmico, estabelecido pela Presença, Pelo Pertencimento, pelo Equilíbrio e a Ordem.
O exercer força um no outro não é possível ver, mas é possível sentir. Há troca constante. Existe interação com os sistemas o tempo todo. Há sistemas com os quais estamos conectados e não nos damos conta. Eu posso não me relacionar, na função que exerço, com cada colega de trabalho, mas há, ali, uma relação sistêmica que liga a todos.
Todos têm um sistema familiar, não importa o que são ou quem são seus integrantes. Somos a essência do sistema do pai e do sistema da mãe. Além disso, os tios casados, maridos, esposas, primos entram na família e também carregam o sistema, e assim por diante. Estamos conectados o tempo todo com todas essas pessoas, quer nos relacionemos com elas, ou não. Isto é uma rede, é como a teia de aranha. Quando interferimos na teia de aranha ela recebe influência e precisa se reorganizar. Qualquer evento familiar mexe com o sistema inteiro. Todos fazem parte e exercem força no outro.
O biólogo e parapsicólogo Rupert Sheldrake designa de Campos Morfogenéticos essa ressonância ou necessidade de pertencer ao sistema, gerando vínculo. É uma necessidade latente que influencia os valores e a permissão para pertencer.
Uma das quase infinitas possibilidades de atuação da Constelação Familiar atua nesse campo morfogenético e nas Leis do Amor. Suas técnicas permitem criar uma nova imagem, mediante a qual é permitido mudar o padrão doentio de perpetuação das regras que não são essenciais à manutenção do sistema e do pertencimento.
Ou se reage, ou se perpetuam valores não mais aplicáveis ao Sistema atual. Nossos impulsos são influenciados pela força sistêmica. Numa polaridade, pode-se ser avarento; na outra, pode-se ser esbanjador. Em um grupo, lidar com dinheiro significa economizar, não se dar a prazeres. Então a pessoa se fixa em determinado ponto de uma escala. Isto não é só para dinheiro, pode ser para religião, preferência sexual etc. Outro grupo pode fixar o padrão mais próximo do esbanjador. É preciso ter a liberdade de poder andar pela escala. O ponto de equilíbrio é a liberdade e, para isso, é preciso romper com a rigidez do grupo e fazer diferente. Isto significa sair da lealdade e se sentir autorizado a fazer diferente. Assim muda-se o comportamento, sem romper as Leis do Amor.
O que se busca diante do SINTOMA do cliente é identificar o vínculo de lealdade com alguém do sistema que gerou crenças e valores. A lógica sistêmica é isto, um fenômeno. Pertencer é encontrar o nosso lugar no sistema. E às vezes, podemos escolher esse lugar.
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Constelação familiar
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Constelação Familiar é uma técnica psicoterapêutica fenomenológica, sistêmica, não empirista ou subjetiva, desenvolvida pelo psicólogo e filósofo alemão Bert Hellinger.
Introdução e Desenvolvimento do método: Bert Hellinger desenvolveu seu método, a partir de observações empíricas, como missionário católico na África do Sul. Estudou, a partir de então, psicanálise e diversas formas de psicoterapia familiar, os padrões de comportamento que se repetem nas famílias e grupos familiares ao longo de gerações.
Hellinger se deparou com um fenômeno descortinado pela psicoterapeuta americana Virginia Satir nos anos 70, quando esta trabalhava com o seu método das “esculturas familiares”: que uma pessoa estranha, convocada a representar um membro da família, passa a se sentir exatamente como a pessoa a qual representa, às vezes reproduzindo, de forma exata, sintomas físicos da pessoa a qual representa, mesmo sem saber nada a respeito dela.
Esse fenômeno, ainda muito pouco compreendido e explicado, já havia sido descrito anteriormente por Levy Moreno, criador do psicodrama. Algumas hipóteses têm sido levantadas também utilizando-se da teoria de evolução dos "campos morfogenéticos", formulada pelo biólogo britânico Rupert Sheldrake e apoiando-se em conceitos da Física Quântica como, por exemplo, a não localidade[1].
De posse de detalhadas observações sobre tal fenômeno, Hellinger adquiriu experiência e, baseado ainda na técnica descrita por Eric Berne e aprimorada por sua seguidora Fanita English de “análise de histórias”, descobriu que muitos problemas, dificuldades e mesmo doenças de seus clientes estavam ligados a destinos de membros anteriores de seu grupo familiar.
As descobertas fundamentais
Hellinger descobriu alguns pontos esclarecedores sobre a dinâmica da sensação de “consciência leve” e “consciência pesada”, e propôs uma “consciência de clã” (por ele também chamada de “alma”-- no sentido de algo que dá movimento, que “anima”), que se norteia por “ordens” arcaicas simples, que ele denominou de “ordens do amor”, e demonstrou a forma como essa consciência nos enreda inconscientemente na repetição do destino de outros membros do grupo familiar. Essas ordens do amor referem-se a três princípios norteadores:
- 1 - a necessidade de pertencer ao grupo ou clã.
- 2 - a necessidade de hierarquia dentro do grupo ou clã.
- 3 - a necessidade de equilíbrio entre o dar e o receber nos relacionamentos.
- As ordens do amor são forças dinâmicas e articuladas que atuam em nossas famílias ou relacionamentos íntimos. Percebemos a desordem dessas forças sob a forma de sofrimento e doença. Em contrapartida, percebemos seu fluxo harmonioso como uma sensação de estar bem no mundo.
O procedimento
A “constelação familiar” consiste em uma vivência na qual um cliente apresenta um tema de trabalho e, em seguida, o terapeuta solicita informações factuais sobre a vida de membros de sua família, como mortes precoces, suicídios, assassinatos, doenças graves, casamentos anteriores, número de filhos ou irmãos.
Com base nessas informações, solicita-se ao cliente que escolha entre outros membros do grupo, de preferência estranhos a sua história, alguns para representar membros do grupo familiar ou ele mesmo. Esses representantes são dispostos no espaço de trabalho de forma a representar como o cliente sente que se apresentam as relações entre tais membros. Em seguida, guiado pelas reações desses representantes, pelo conhecimento das "ordens do amor" e pela sua conexão com o sistema familiar do cliente, o terapeuta conduz, quando possível, os representantes até uma imagem de solução onde todos os representantes tenham um lugar e se sintam bem dentro do sistema familiar.
Nos anos de 2003 a 2005, Hellinger apurou sua forma de trabalho para um desenvolvimento ainda mais abrangente, que ele denominou de "movimentos da alma". Estes abrangem contextos mais amplos do que o grupo familiar, tais como o grupo étnico. Descobriu e descreveu ainda os efeitos das intervenções (chamados de “ajuda”) e os princípios que efetivamente norteiam a ajuda efetiva, criando assim também as chamadas “ordens da ajuda”.
Aplicações
A abordagem apresenta uma vasta gama de aplicações práticas devido aos seus efeitos esclarecedores no campo das relações humanas, como:
- melhoria das relações familiares.
- melhoria das relações interpessoais nas empresas.
- melhoria das relações no ambiente educacional.
- Tais aplicações deram início a abordagens derivadas, denominadas de constelações familiares, constelações organizacionais e pedagogia sistêmica.
Em 2018, no Brasil, o Ministério da Saúde, incluiu a sua prática no Sistema Único de Saúde (SUS), como parte da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC).[2]
O Brasil é o pioneiro no uso das Constelações Familiares pelo Judiciário, trabalho que se iniciou com o Juiz Sami Storch. Este uso está se expandindo rapidamente e já abrange 16 estados Brasileiros. Os dados do judiciário mostram que o uso da Constelação Familiar aumentou significativamente os índices de conciliação em processos judiciais de guarda de crianças, alienação parental, inventários e pensão alimentícia. No judiciário, a intenção não é fazer terapia, mas a conciliação. Mas uma porta se abre, caso a pessoa deseje ir mais fundo na sua questão e buscar ajuda terapêutica. [3]
↑ Neurônios espelho, Física Quântica, campos mórficos e Constelações Familiares - por Idris Lahore
↑ Saúde, Ministério da. «Ministério da Saúde inclui 10 novas práticas integrativas no SUS». portalms.saude.gov.br. Consultado em 18 de abril de 2018
↑ «Constelação pacifica conflitos de família no Judiciário - Portal CNJ». www.cnj.jus.br. Consultado em 6 de setembro de 2018
Críticas
A Constelação Familiar tem causado polêmica em alguns meios religiosos que tentam explicá-la mesmo sem o devido conhecimento deste assunto. É muito comum nestes meios, a confusão desta abordagem terapêutica com preceitos religiosos, o que são assuntos completamente distintos e independentes.
Embora os participantes de sessões de Constelações Familiares reportem resultados positivos (Cohen 2009; Cohen 2005; Franke 2003; Lynch & Tucker 2005; Payne 2005), por ser uma abordagem recente, ainda não existem estudos científicos conclusivos.
Referências
Hellinger possui uma vasta literatura publicada em mais de 10 idiomas, especialmente em alemão. Em português possui diversos livros publicados pela editora Cultrix e pela Editora Atman.
Os mais significativos são:
A fonte não precisa perguntar pelo caminho - Ed. Atman - ISBN 978-85-98540-15-3
Ordens do Amor - Ed. Cultrix - ISBN 85-316-0785-X
Ordens da Ajuda - Ed. Atman - ISBN 85-98540-05-6
Cohen, Dan Booth (2006): “Family Constellations”: An Innovative Systemic Phenomenological Group Process From Germany. The Family Journal July 2006 vol. 14 no. 3, 226-233
Cohen, Dan Booth (2008). Systemic Family Constellations and their use with prisoners serving long-term sentences for murder or rape. A dissertation presented to the Faculty of Saybrook Graduate School and Research Center in partial fulfillment of the requirements for the degree of Doctor of Philosophy (Ph.D.) in Psychology.
Fontes:
http://www.ojornalzinho.com.br/2018/03/26/constelacao-familiar-principios-basicos/
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