sexta-feira, 29 de outubro de 2021

 Om Shanti!!! 

(Couroupita guianeses)
*
Tempos de ouvir

Foi em 1984, que cientistas notaram sons pouco comuns, próximo ao tanque de golfinhos e baleias brancas.
Pareciam ser de uma conversa distante entre duas pessoas, embora não fosse possível compreender o que diziam.
Dias depois, ficaram mais surpresos, quando uma mergulhadora emergiu do tanque e perguntou aos colegas quem tinha dado a ordem para que ela saísse.
Uma análise acústica determinou que os sons vinham de uma fonte surpreendente: uma baleia chamada Noc.
Os sons foram gravados pela Fundação Nacional de Mamíferos Marítimos, de São Diego, na Califórnia.
Voz parecida ou imitação da humana, não importa. O que sabemos, com certeza, é que os animais têm sua forma peculiar de comunicação.
Quem ouve o cantar dos pássaros pode se esforçar para entender o que comentam entre si.
Uma amiga, que tem uma árvore frondosa, bem em frente à sua casa, diz que costuma ficar se deliciando com a algazarra dos periquitos, no final do dia.
Sempre imagino, diz ela, que eles discutem para decidir quem ficará em qual galho, na noite que se aproxima.
Ou será que estão relatando uns aos outros tudo que lhes aconteceu durante o dia?
Nessa hora, penso que nos oferecem uma grande lição de vida. Deveríamos ser assim, como eles, chegar em casa e desejar ouvir um do outro o que aconteceu naquele dia.
Como foi o trabalho, o estudo. Como estava o trânsito.
Pequenas tolices mas que nos aproximam. Ouvir as crianças contando como foi o jogo de futebol, como conseguiram a melhor nota da classe na redação.
Ou não foram muito bem na prova de matemática. Como repartiram o seu lanche com o amiguinho que ficou olhando, enquanto eles começavam a desembrulhar a sua delícia.
Sim, os animais, até mesmo quando se comunicam entre si, podem nos dar lições.
Por exemplo, lição de saber ouvir. Observo meu cão, sempre atento aos latidos dos caninos da vizinhança.
Conforme o que ouve, ele se agita, responde latindo. Percebo: os amiguinhos lá do começo da rua estão avisando que uma pessoa estranha passou em frente a suas casas.
E ele fica alerta, a postos, no portão.
No entanto, por vezes, ele simplesmente ouve. Fica ali, postado, quieto, ouvindo e ouvindo.
Devem ser somente coisas banais que aqueles latidos traduzem.
Nesses momentos, me dou conta de que seria muito bom se, entre nós, humanos, aprendêssemos a ouvir.
De um modo geral, somos muito impacientes com as falas que acreditamos bobas, sem sentido.
Contudo, o que pode nos parecer simples tolice é a fala de um solitário, que deseja compartilhar com alguém o que observou, o que viveu há pouco.
Seria bom que ouvíssemos mais, que procurássemos entender, além de tudo, o que a pessoa quer transmitir.
Afinal, a Divindade, ao elaborar a perfeição do corpo humano, dispôs que tivéssemos dois ouvidos, um de cada lado da cabeça.
Exatamente para ouvir o bom e o ruim, o agradável e o incômodo, a voz de quem amamos ou, simplesmente, a de quem somente espera ser ouvido por alguém que lhe sorria.
Pensemos a respeito. 
Tempos difíceis no mundo.
Tempos de ouvir.

Redação do Momento Espírita
Em 28.10.2021.
Nossa prece

Senhor das nossas vidas, Mestre das nossas almas.
Em meditação sobre os Teus ensinamentos, sentimos que ainda estamos longe de corresponder ao que realmente esperas de nós.
Estamos habituados a orar pela solução das nossas dificuldades e, em raros momentos, nos vemos em rogativa pelos que sofrem, ou pelos infelizes que causam os sofrimentos.
Oramos pelos que se encontram na posição de obediência, sem nos lembrarmos de pedir pelos que abusam da sua autoridade, do seu poder e comandam com violência.
Pedimos pelos fracos, que necessitam socorro, por aquele que foi ferido, pelos cegos, doentes, fragilizados.
No entanto, nos esquecemos de orar pelos ditos fortes, os que ferem, os responsáveis por misérias, desânimo e dor.
Esquecemos que nos ensinastes, com Teu exemplo, a abençoar as obras dos afortunados.
Olvidamos o Teu exemplo de acolher a todos, como fizeste, na casa de Simão, com a mulher equivocada.
Não virastes as costas para os malfeitores, aceitando a companhia de dois deles no dia da cruz.
E, em meio às próprias dores, estendeste a Tua misericórdia àquele que Te rogou compaixão.
Olhavas para os maus com o propósito de lhes dar conselhos úteis e sadios.
Dessa forma, auxilia-nos a não julgar, mas a ver todos os nossos irmãos como reais necessitados de compaixão.
Ajuda-nos a clarearmos nossas mentes para melhor entender e interpretar as dores do mundo.
Que nos permitamos, mesmo em meio ao luto que nos possa alcançar, perceber quantas outras almas padecem de igual forma, irmanando-nos a elas.
Rogamos normalmente o perdão para as nossas ofensas. Auxilia-nos a perdoar aquele que nos magoa, que nos fere.
Não nos abandones, Amigo Celeste.
Necessitamos trocar a nossa fé vacilante pela fé que transporta as montanhas de nossa insensatez, do nosso orgulho e egoísmo.
Torna-se urgente construir em nós próprios a fé racional que nos abra as janelas da alma para uma visão maior e mais clara de nossos objetivos, nesta vida.
Ajuda-nos a compreender que nada construímos em nós e na vida sem o sacrifício que nos permite o crescimento real.
Precisamos melhor compreender o chamado redentor, convertendo o ódio em amor, a diferença em fraternidade.
Arrastamos ainda nossos pés feridos na longa caminhada do progresso, o coração sangrando, à espera de um bálsamo que o alivie, esquecidos do companheiro que sofre mais do que nós.
Pedimos para nos livrar das tentações e dos maus, sem perceber que a tentação maior é a que carregamos em nós mesmos.
Ajuda-nos a nos ampararmos mutuamente para nos fortalecermos na rota que a todos nos compete.
Queremos tornar presente, em nossas orações, o pedido sincero ao Teu amor, por todos.
Especialmente para os que andam, na carne ou fora dela, mergulhados na escuridão densa dos remorsos e dos desequilíbrios que alimentam.
Ajuda-os, a eles e a nós, a trocarmos as paixões que nos comandam, pelas emoções santificantes do amor...

Redação do Momento Espírita, com base no cap. Prece de Gúbio,
pelo Espírito André Luiz, do livro À Luz da Oração, psicografia
de Francisco Cândido Xavier, ed. O CLARIM.
Em 23.10.2021

Fonte: http://www.momento.com.br