terça-feira, 20 de agosto de 2019

Namastê buscadores!

"A Evolução do homem é o resultado da evolução 
do seu poder de "fazer" e fazer não pode ser
o resultado do que acontece."
*
"O homem pode nascer, mas, para que nasça,
deve antes morrer, e, para que morra deve
antes despertar-se.”
*
"A maior barreira para a consciência
 é a crença de que alguém já é consciente". 
*
"Não abandone suas três grandes e inabaláveis amigas: 
A intuição, a inocência e a fé." 

(George Ivanovich Gurdjieff)
O Quarto Caminho.
por Asaf Bravermam
Fundador de beperiod.com
(Uma comunidade mundial de pessoas 
dedicadas ao autodesenvolvimento).

O Mestre espiritual greco-armênio, era uma figura enigmática e uma força influente no panorama dos novos ensinamentos religiosos e psicológicos, mais como um patriarca do que como um místico Cristão. Era considerado, por aqueles que o conheceram, como um incomparável “despertador” de homens. Trouxe para o Ocidente um modelo de conhecimento esotérico e deixou atrás de si uma metodologia específica para o desenvolvimento da consciência.

A História da Sabedoria Antiga
A humanidade, a este respeito, tem duas histórias: a evolução de seu corpo e a evolução de sua alma. A primeira é gravada e transmitida em grande detalhe: o desenvolvimento de religiões, as linhagens de governantes e monarcas, as sucessões e revoluções dos governos, e assim por diante. Mas a história da alma da humanidade, o longo corpo de sua sabedoria, nunca vai para os livros. E ainda, esta história existiu da mesma forma que a outra, lado a lado com a outra, e em momentos críticos, ela se sobrepôs à outra.
Esses momentos de sobreposição são tempos de oportunidade excepcional. Eles representam um intervalo na sequência de civilizações. Eles pedem por um retorno à centelha original, uma conexão com o nível a partir do qual o projeto maior foi iniciado, um diálogo com o cosmos acima do cosmos do homem. Aqueles indivíduos que se encontram presos nestes grandes eventos podem experimentar vislumbres além do espectro normal da experiência humana. Eles são convidados a dedicar o trabalho de suas vidas a uma causa muito maior do que eles mesmos, eles são convidados a embarcar e dar suporte à Grande Arca da Sabedoria Antiga.

“Há períodos na vida da humanidade, que geralmente coincidem com o início da queda de culturas e civilizações, quando as massas irremediavelmente perdem a razão e começam a destruir tudo o que foi criado por séculos e milênios de cultura. Tais períodos de loucura em massa, que frequentemente coincidem com cataclismos geológicos, mudanças climáticas e fenômenos semelhantes de caráter planetário, liberam uma quantidade muito grande de matéria de conhecimento. Isto, por sua vez, requer o trabalho de coletar esta matéria de conhecimento, que de outro modo seria perdida. Assim, o trabalho de coletar matéria dispersa de conhecimento frequentemente coincide com o início da destruição e queda de culturas e civilizações. ” De Em Busca do Milagroso (p.45)

Graus de atenção
Passamos por nossos dias com diferentes graus de atenção. A maioria das nossas tarefas diárias exigem um mínimo de atenção, tais como vestir-nos, comer ou interagir com amigos e familiares. Algumas tarefas requerem mais atenção, como a leitura de um livro, a elaboração de um e-mail ou participar de uma entrevista de emprego.
Podemos realizar o primeiro grupo de ações, ao mesmo tempo em que realizamos outras: vestir-nos ao falar ao telefone, comer durante a conversa com os nossos amigos ou interagir socialmente durante o envio e recebimento de mensagens de texto. No entanto, não podemos realizar tarefas que requeiram atenção ao lado de outras tarefas sem prejudicar o nosso desempenho. Não podemos ler um livro enquanto falamos ao telefone, redigir um e-mail enquanto conversamos com nossos amigos, ou participar de uma entrevista de emprego, enquanto escrevemos mensagens de texto.

Atenção e Vontade
Nossa atenção está sujeita à nossa vontade. Se desejarmos, podemos realizar qualquer tarefa com mais atenção. Podemos prestar atenção ao vestir-nos, sentindo o tecido de nossas roupas, combinando as cores de nossa camisa com nossas calças e sapatos, etc. Podemos jantar intencionalmente, saboreando cada bocado, cada gole, etc.

Mas não precisamos ser profissionais em qualquer campo para verificar que podemos trazer mais ou menos atenção para as ações mais simples, e isso demonstra que:

Nossa atenção está sujeita à nossa vontade

Vestir-se sem atenção não requer esforço; vestir-se intencionalmente requer esforço. Comer sem atenção não requer esforço, sentir o sabor da comida requer esforço. Dirigir a atenção pela vontade requer esforço. Isso explica por que Gurdjieff chamou os seus métodos de auto-desenvolvimento de Trabalho.

Estado de alerta e Consciência

George Gurdjieff Peter Ouspensky Dirigir a atenção não é o fim do Trabalho; é um meio pelo qual nos tornamos consciente. Poucos ensinamentos fazem distinção entre consciência e atenção, e é aí que o Quarto Caminho difere da maioria dos outros sistemas. O Trabalho não é apenas sobre estar atento, é sobre ser consciente, e consciência é estar ciente de si. George Gurdjieff chamou esta técnica deslembrança de si. Peter Ouspensky a chamou de atenção dividida. Mais recentemente, ela tornou-se popularmente conhecida como estar presente.

Peter D. Ouspensky, era um esoterista russo conhecido por suas exposições dos primeiros trabalhos do mestre greco-armênio da doutrina esotérica George Gurdjieff . Ele conheceu Gurdjieff em Moscou em 1915, e foi associado com as idéias e práticas originadas com Gurdjieff a partir de então. Ele ensinou idéias e métodos baseados no sistema Gurdjieff por 25 anos na Inglaterra e nos Estados Unidos, embora tenha se separado de Gurdjieff pessoalmente em 1924, por razões explicadas no último capítulo de seu livro In Search of the Miraculous .

Quarto Caminho
“Quarto Caminho” é um termo que Ouspensky adotou de George Gurdjieff. Mas, embora o nome “Quarto Caminho” apareça pela primeira vez no século vinte, ele aponta para uma tradição antiga, uma herança vasta praticada ao longo da história por certos indivíduos. O que quer que eles possam ter chamado este trabalho, em espírito,  ele teria sido idêntico ao “Quarto Caminho” de Gurdjieff e Ouspensky.

Gurdjieff e Ouspensky sobre os Três Caminhos
O Quarto Caminho, obviamente, implica três outros caminhos. Estes, de acordo com Gurdjieff, são o Caminho do Faquir, o Caminho do Monge e o Caminho do Yogi. Todos os caminhos levam ao mesmo fim: o despertar da consciência no homem. No entanto, cada um atinge esse destino através de meios diferentes.
Os três caminhos derivam dos três possíveis centros de gravidade no homem. O Caminho do Fakir corresponde ao homem instintivo-motor, o Caminho do Monge ao homem emocional e o Caminho do Yogi ao homem intelectual. Cada “caminho” foca em um centro que lhe é correspondente, e através disso, gera consciência. Desde que a consciência está separada das funções, as três maneiras produzem o mesmo resultado.
Esta é a teoria dos três caminhos, conforme apresentada por Gurdjieff e Ouspensky. Na prática, porém, uma atmosfera de trabalho nunca pode focar em um único caminho exclusivamente. Todos os ensinamentos envolvem aspectos físicos, emocionais e intelectuais. De forma mais realista, um ensinamento será uma mistura destes três caminhos, com um centro de gravidade em um deles.
O quarto caminho se distingue destes três, primeiro pela sua ênfase sobre a necessidade de verificação (em oposição à crença), e segundo pelo seu equilíbrio: ele se esforça para harmonizar os três centros no homem e levá-lo para além das funções em direção à consciência. Qualquer ensinamento que siga essas orientações seria considerado “Quarto Caminho”, independentemente de quando ele apareceu na história. Isso explica a observação de Ouspensky sobre o sistema e o Quarto Caminho. O sistema, como ele o apresentou, era uma expressão do século vinte do “Quarto Caminho”, o qual  consiste de uma tradição antiga.

Ouspensky sobre o Quarto Caminho
Uma vez que o Quarto Caminho é um caminho, ele deve ser entendido, não através de livros, mas através da experiência. Consequentemente, seria inútil adicionar aqui mais explicações aos volumes já existentes escritos por Gurdjieff, Ouspensky e seus seguidores sobre o Quarto Caminho. No entanto, pouco tem sido expresso sobre o Quarto Caminho como uma tradição e como uma influência. Para um estudante que viaja pela via do Quarto Caminho, é crucial tornar-se consciente da maior tradição da qual ele faz parte.
Neste espírito, Ouspensky ressaltou que o sistema não foi feito pelo homem. Ele enfatizou sua  origem mais ampla, juntamente com a tradição antiga do Quarto Caminho. Ele ressaltou que, se o sistema tivesse sido inventado pela mente humana, seu propósito seria instantaneamente derrotado: o de elevar o humano para o super-humano. A mente humana tem limites definidos para além dos quais ela não pode saltar, e qualquer sistema que tenha se esforçado para elevar o homem acima de si mesmo, teve que ter origem além das limitações do homem.
Inicialmente, este “além” não precisa preocupar o iniciante. Ele se torna mais evidente à medida que se progride ao longo do Quarto Caminho. Mas, mais à frente na jornada, conhecimento e consciência do todo maior é indispensável, pois o Quarto Caminho é fundado sobre o famoso ditado de Hermes Trismegisto: Como é acima é abaixo e como é dentro é fora. O homem é um micro-cosmos. As leis e fenômenos que ocorrem dentro dele são idênticos aos manifestados fora dele. Seu auto-conhecimento, portanto, cresce em proporção direta ao seu conhecimento do mundo.

Ouspensky sobre Unidade e Multiplicidade
Em sua apresentação do sistema, Ouspensky ressaltou o princípio de escala. O homem e o mundo – o micro-cosmos e o macro-cosmos – espelhando um ao outro, apesar de apresentarem escalas diferentes. O homem, portanto, poderia aprender certas verdades sobre si mesmo, observando-as fora. Além disso, por causa da dificuldade do homem de ver a si mesmo, ele só poderia observar certos fenômenos fora dele, e inferi-los para si mesmo. Assim, como é acima é abaixo indica o caminho para o conhecimento objetivo.
No entanto, o homem deve manter em cheque o seu interesse no que está fora, pois ele facilmente se perde em busca de conhecimento teórico. Ouspensky, portanto, introduziu um outro princípio na observação: o princípio da relatividade. Outras escalas e idéias apenas têm valor para o homem na medida em que elas se relacionam com o seu objetivo de despertar. Conhecimento do cosmos maior ou menor apenas poderia ajudar o homem na medida em que aumentasse o seu auto-conhecimento. Como bons exemplos de maus exemplos, Ouspensky apontou a ciência moderna, que em conjunto desconsidera o princípio da relatividade e livremente foca sobre os mundos menores ou maiores enquanto perde o homem de vista. A psicologia moderna erra em direção ao outro extremo, indulgindo nas funções do homem enquanto desconsidera sua semelhança com o cosmos à sua volta.

Ouspensky sobre Auto-Conhecimento
O homem está naturalmente em um estado de auto-ignorância. O caminho para o despertar é, portanto, sinônimo de o caminho para o auto-conhecimento. Conhece a ti mesmo, tradicionalmente atribuída a Sócrates, na verdade, constitui a fundação de qualquer ensinamento verdadeiro. Com base nos princípios de escala e relatividade, o homem não pode saber nada antes de que ele conheça a si mesmo.
Ouspensky indicou um caminho duplo para o auto-conhecimento. Um aspecto foi a auto-observação, que levou o homem a observar-se em várias circunstâncias, tomar nota do que ele vê, e gradualmente reunir uma coleção de “fotografias” que apresentam um quadro objetivo de quem ele realmente é. Outro aspecto, sem o qual o primeiro seria fútil – é o conhecimento do sistema. O sistema definiu a psicologia do homem em grande detalhe. Após suficiente auto-observação, um homem que trabalha em si mesmo poderia começar a dividir o que viu dentro das inúmeras funções descritas pelo sistema.

Ouspensky sobre a lembrança de si
Os esforços mencionados acima tinham que ser conectados à consciência. Ouspensky observou como o apontar  distinguia o sistema de todos os outros esforços psicológicos. Ao contrário da psicologia moderna, o homem observava suas funções, não por elas mesmas, mas para extrair consciência delas. O ensinamento como um todo apontava para isto. Todo o estudo de leis e fenômenos tinha que apontar para a geração de consciência. O homem, em seu estado normal de sono, estava inconsciente. Através de um esforço sistemático e consistente, ele poderia despertar e tornar-se consciente.
A lembrança de si foi o esforço específico para se tornar consciente. Em cada momento e circunstância, o homem era chamado a lembrar de si mesmo. É um esforço para romper com qualquer mundo imaginário que ele possa ter entrado em um momento atrás, e retornar para a realidade presente. Ouspensky a comparou com uma seta de duas pontas, onde a atenção é dirigida tanto para o objeto em vista, como para si mesmo. É uma reorganização interna instantânea: a extração momento-a-momento de consciência a partir das funções.
Quando Gurdjieff apresentou pela primeira vez esta ideia, Ouspensky sentiu imediatamente a sua importância sobre  todas as idéias de qualquer outro sistema. Posteriormente, ele ficou  impressionado em ver como os outros estudantes não conseguiram dar a ela o significado correto, enquanto que as pessoas não envolvidas no trabalho a desconsideraram completamente – frequentemente com a desculpa de que elas já lembravam de si mesmas.

Ouspensky sobre o Lugar do Homem no Universo
Ouspensky ressaltou que a evolução espiritual do homem era uma mercadoria. Evolução só era possível por causa de seu benefício para cosmos superiores. No grande esquema universal das coisas, existia um movimento geral descendente de crescimento: a expansão física perpétua do Universo, sóis que dão à luz planetas que dão à luz luas, e assim por diante. Paralelamente a este caminho amplo, existia um caminho estreito de movimento ascendente contra a corrente. Este é o caminho para a consciência, e isso explica por que a evolução espiritual é tão rara e difícil.
Ouspensky repetidamente enfatizou as dificuldades e desafios do despertar. Ele repetidamente apontou as muitas armadilhas ao longo do caminho e, de fato, viu muitos de seus alunos tropeçarem nelas. Mas, em vista das grandes coisas em jogo, e da magnitude da recompensa, ele continuou sua jornada ao longo do Quarto Caminho, e fez o seu melhor para inspirar e instruir aqueles ao seu redor dispostos a seguir.
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Por gentileza, acessem as fontes para mais informações sobre este Sistema: 
https://pt.wikipedia.org/wiki/George_Ivanovich_Gurdjieff
https://ggurdjieff.com.br/start-here/

Citações parciais para estudo, de acordo com o artigo 46, item III,
 da Lei de Direitos Autorais.