quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Om Shanti!!!

Perseveremos!
#studymusic #musicforstudying #ambientmusic
4 horas de música ambiente de estudo para se concentrar
 - melhorar nosso foco e concentração
*
Segue este belo texto, de uma amiga:

"Não há florestas de ipês.
Há ipês nas florestas.
Um aqui, outro lá.
Como não há multidão de amigos.
Há amigos na multidão.
Raros, consistentes, mas poucos.
O ipê marca sua presença na paisagem,
como o amigo marca sua presença na memória.
No ipê, a flor é frágil e passageira.
O tronco é sólido e resistente.
O tronco é a alma.
A flor é a palavra.
No amigo, mais que na palavra é na alma
que se apoia o coração que busca.
Mais importante que aquilo que se diz
é aquilo que se é...
O ipê chama atenção, mas não se exibe.
É assim com o amigo. Presente na hora exata.
Não alardeia a amizade que oferece.
O ipê nada pede.
Nasce espontâneo e não fica a exigir cuidados.
Como o amigo, que não é interesseiro.
Entre tantas lições que nos dá o ipê,
esta, da amizade, é das mais preciosas.
Não é rico, porque não tem frutos.
Consegue ser amado por aquilo que é.
Ele vem dizer, todos os anos, que a amizade é um tesouro.
Como o ouro da cor que o reveste.
Cultive a amizade, ela é forte como o tronco do ipê.
É como a vida que não desiste."
(Autor desconhecido)
Namastê buscadores!

 Estudo biográfico:

Ailton Krenak - Uma fonte de sabedoria


Uma sinfonia para a terra e um canto
 ao seu povo e seus ancestrais
Ailton Krenak | foto: Guito Moreto/ Agência O Globo

"Se eu pudesse inspirar uma atitude global seria:
 pare e sonhe. Se nós tivermos coragem para sonhar, 
é porque acreditamos que existem mundos, possibilidades."
- Ailton Krenak, em "Ainda dá tempo de salvar o planeta". 
Revista Trip, 2020.
*
ESBOÇO BIOBIBLIOGRÁFICO DE AILTON KRENAK
Ailton Krenak - líder indígena, ambientalista, escritor, pesquisador e jornalista. Nasceu em 29 de setembro de 1953, em Itabirinha de Mantena, Minas Gerais, na região do vale do rio Doce, território do povo Krenak, um lugar cuja ecologia se encontra profundamente afetada pela atividade de extração de minérios. 
Ativista do movimento socioambiental e de defesa dos direitos indígenas, organizou a Aliança dos Povos da Floresta, que reúne comunidades ribeirinhas e indígenas na Amazônia. É um dos mais destacados líderes do movimento que surgiu durante o grande despertar dos povos indígenas no Brasil, que ocorreu a partir da década de 1970. Contribuiu também para a criação da União das Nações Indígenas (UNI).
Ailton tem levado a cabo um vasto trabalho educativo e ambientalista, como jornalista, e através de programas de vídeo e televisivos. A sua luta nas décadas de 1970 e 1980 foi determinante para a conquista do “Capítulo dos índios” na Constituição de 1988, que passou a garantir, pelo menos no papel, os direitos indígenas à cultura autóctone e à terra. É coautor da proposta da Unesco que criou a Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço em 2005 e é membro de seu comitê gestor. 
Na década de 1990, criou o Festival de Danças e Culturas Indígenas, na Serra do Cipó. 
Foi assessor especial do Governo de Minas Gerais para assuntos indígenas de 2003 a 2010. 
A sua luta em defesa dos povos indígenas, foi reconhecido nacional e internacionalmente, recebeu: Prêmio "Direitos Humanos Lettelier-Moffit", da Fundação Letellier - USA (1987); Prêmio "Onassis - Homem e Sociedade", da Fundação Aristóteles Onassis - Grécia (1989); "Prêmio Nacional de Direitos Humanos" - Brasil (2005); "Comendador Ordem do Mérito Cultural", da Presidência da República do Brasil (2008); Prêmio "Chico Mendes" de Florestania – Acre (2008); "Grã-Cruz da Ordem do Mérito Cultural", da Presidência da República do Brasil (2015); Prêmio Mestre das Periferias, do Instituto Maria e João Aleixo - IMJA(2018);  Prêmio Juca Pato de "Intelectual do Ano", da União Brasileira de Escritores - UBE(2020); Prêmio "Trip Transformadores" (2021). 
Em 2016, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) ortorgou a Krenak o título de Professor Doutor Honoris Causa, um reconhecimento pela sua importância na luta pelos direitos dos povos indígenas e pelas causas ambientais no país. É na UFJF professor de Cultura e História dos Povos Indígenas e Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais.
Publicou os seguintes títulos: "O lugar onde a Terra descansa" (2000); "Ailton Krenak: encontros" (2015); "Ideias para adiar o fim do mundo" (2019); "O amanhã não está à venda" (2020) e a "A vida não é útil" (2020). O seu livro "Ideias para adiar o fim do mundo" está traduzido para o inglês, italiano, francês, espanhol, holandês e alemão. Participa ainda de várias antologias poéticas e ensaísticas; tem artigos publicados em revistas e periódicos no Brasil e exterior.  
Participou e é protagonista (de vários) das séries documentais: "Índios no Brasil" (2000) e "Taru Andé – O encontro do céu com a terra" (2006-2007); "Guerras do Brasil.doc" - episódio 'As Guerras da Conquista' (2018); dos documentários: "Tamboro" (2009); "Índio Cidadão?" (2014); "Índios no poder" (2015); "Ailton Krenak e o sonho da pedra" (2017); "Amazônia - o despertar da Florestania" (2018); e do especial "Falas da Terra" (2021).
Participou de exposições de artes: "Armadilhas Indígenas" (2016); "A queda do céu" (2019); "O Rio dos Navegantes" (2019-2020) e "Moquém_Surarî: arte indígena contemporânea" (2021).
Ailton Krenak | foto: Adriana Moura  

"Se a Terra adoecer, nós adoecemos junto.
Não tem jeito de sermos pessoas saudáveis 
com o planeta todo quebrado."
- Ailton Krenak, em entrevista "trocamos nossa
 humanidade por coisas". Revista TRIP, 26.6.2021.
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"Se a gente não aprender a pisar suavemente
 na Terra, o céu cai sobre a nossa cabeça."
- Ailton Krenak, em entrevista "trocamos nossa
 humanidade por coisas". Revista TRIP, 26.6.2021.
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"Eu sou um sujeito coletivo. O fato de ter me dedicado desde muito cedo a olhar em torno de mim, reconhecer as realidades que me circundavam, pensar o que eu podia fazer para ajudar a melhorar essas realidades e fazer o que podia, resultou na biografia de alguém chamado de importante liderança indígena no nosso Brasil."
- Ailton Krenak ao receber o título de doutor honoris causa da UFJF (2016)
*

"Cada igarapé tem um nome, e esse nome é invocação de outros seres, dos seus parentescos, das narrativas mais antigas que chegam em nossa memória. Isso que dá sentido para chamar a terra de mãe, porque ela não é uma coisa; não é uma gleba, um lote, um terreno, uma fazenda."

Ailton Krenak, em "A Potência do Sujeito Coletivo
 - Parte I" (entrevista). Revista Periferias, s./data.
Ailton Krenak - foto: Miguel Manso

Excertos do livro "Ideias para adiar o fim do mundo". de Ailton Krenak


Da conferência "Ideias para adiar o fim do mundo"
{IDEIAS PARA ADIAR O FIM DO MUNDO — Palestra proferida no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, em ciclo de seminários coordenado por Susana de Matos Viegas, no dia 12 de março de 2019, como atividade preparatória à 
“Mostra ameríndia: Percursos do cinema indígena no Brasil”}

"Há centenas de narrativas de povos que estão vivos, contam histórias, cantam, viajam, conversam e nos ensinam mais do que aprendemos nessa humanidade. Nós não somos as únicas pessoas interessantes no mundo, somos parte do todo. Isso talvez tire um pouco da vaidade dessa humanidade que nós pensamos ser, além de diminuir a falta de reverência que temos o tempo todo com as outras companhias que fazem essa viagem cósmica com a gente." 
- Ailton Krenak, da conferência 'Ideias para adiar o fim do mundo',  no livro "Ideias para adiar o fim do mundo". Companhia das Letras, 2019.
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"Cantar, dançar e viver a experiência mágica de suspender o céu é comum em muitas tradições. Suspender o céu é ampliar o nosso horizonte; não o horizonte prospectivo, mas um existencial. É enriquecer as nossas subjetividades, que é a matéria que este tempo que nós vivemos quer consumir. Se existe uma ânsia por consumir a natureza, existe também uma por consumir subjetividades — as nossas subjetividades. Então vamos vivê-las com a liberdade que formos capazes de inventar, não botar ela no mercado. Já que a natureza está sendo assaltada de uma maneira tão indefensável, vamos, pelo menos, ser capazes de manter nossas subjetividades, nossas visões, nossas poéticas sobre a existência." 
- Ailton Krenak, da conferência 'Ideias para adiar o fim do mundo',  no livro "Ideias para adiar o fim do mundo". Companhia das Letras, 2019.
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"Definitivamente não somos iguais, e é maravilhoso saber que cada um de nós que está aqui é diferente do outro, como constelações. O fato de podermos compartilhar esse espaço, de estarmos juntos viajando não significa que somos iguais; significa exatamente que somos capazes de atrair uns aos outros pelas nossas diferenças, que deveriam guiar o nosso roteiro de vida. Ter diversidade, não isso de uma humanidade com o mesmo protocolo. Porque isso até agora foi só uma maneira de 
homogeneizar e tirar nossa alegria de estar vivos."
- Ailton Krenak, da conferência 'Ideias para adiar o fim do mundo',  no livro "Ideias para adiar o fim do mundo". Companhia das Letras, 2019.
Ailton Krenak - foto: João Kehl/Revista Cult


“Aqui, do outro lado do rio, há uma montanha que guarda a nossa aldeia. Hoje ela amanheceu coberta de nuvens, caiu uma chuva e agora as nuvens estão sobrevoando seu cume. Olhar para ela é um alívio imediato para todas as dores. A vida atravessa tudo, atravessa uma pedra, a camada de ozônio, geleiras. A vida vai dos oceanos para a terra firme, atravessa de norte a sul, como uma brisa, em todas as direções. A vida é esse atravessamento do organismo vivo do planeta numa dimensão imaterial. A vida que a gente banalizou, que as pessoas nem sabem o que é e pensam que é só uma palavra. Assim como existem as palavras “vento”, “fogo”, “água”, as pessoas acham que pode haver a palavra “vida”, mas não. 
Vida é transcendência, está para além do dicionário,
 não tem uma definição.”

– Ailton Krenak, do texto “Não se come dinheiro”, no livro “A vida não é útil”. 

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“Nós estamos, devagarzinho, desaparecendo com os mundos que nossos ancestrais cultivaram sem todo esse aparato que hoje consideramos indispensável. Os povos que vivem dentro da floresta sentem isso na pele: veem sumir a mata, a abelha, o colibri, as formigas, a flora; veem o ciclo das árvores mudar. Quando alguém sai para caçar tem que andar dias para encontrar uma espécie que antes vivia ali, ao redor da aldeia, compartilhando com os humanos aquele lugar. O mundo ao redor deles está sumindo. Quem vive na cidade não experimenta isso com a mesma intensidade porque tudo parece ter uma existência automática: você estende a mão e tem uma padaria, uma farmácia, um supermercado, um hospital. Na floresta não há essa substituição da vida, ela flui, e você, no fluxo, sente a sua pressão. Isso que chamam de natureza deveria ser a interação do nosso corpo com o entorno, em que a gente soubesse de onde vem o que comemos, para onde vai o ar que expiramos. Para além da ideia de “eu sou a natureza”, a consciência de estar vivo deveria nos atravessar de modo que fôssemos capazes de sentir que o rio, a floresta, o vento, as nuvens são nosso espelho na vida. Eu tenho uma alegria muito grande de experimentar essa sensação e fico procurando comunicá-la, mas também respeito o fato de que cada um tem a sua passagem por este mundo.”

- Ailton Krenak, do texto "A vida não é útil", no livro 

"A vida não é útil". Companhia das Letras, 2020. 

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"A nossa mãe, a Terra, nos dá de graça o oxigênio, nos põe para dormir, nos desperta de manhã com o sol, deixa os pássaros cantar, as correntezas e as brisas se moverem, cria esse mundo maravilhoso para compartilhar, e o que a gente faz com ele? O que estamos vivendo pode ser a obra de uma mãe amorosa que decidiu fazer o filho calar a boca pelo menos por um instante. Não porque não goste dele, mas por querer lhe ensinar alguma coisa. “Filho, silêncio.” A Terra está falando isso para a humanidade. E ela é tão maravilhosa que não dá uma ordem. Ela simplesmente está pedindo: “Silêncio”. Esse é também o significado do recolhimento."
- Ailton Krenak, no livro "O amanhã não está à venda". 
Companhia das Letras, 2020.
*
"Para algumas pessoas, a ideia de sonhar é abdicar da realidade, é renunciar ao sentido prático da vida. Porém, também podemos encontrar quem não veria sentido na vida se não fosse informado por sonhos, nos quais pode buscar os cantos, a cura, a inspiração e mesmo a resolução de questões práticas que não consegue discernir, cujas escolhas não consegue fazer fora do sonho, mas que ali estão abertas como possibilidades."
- Ailton Krenak, da conferência "Do sonho e da terra", no livro "Ideias para adiar o fim do mundo". Companhia das Letras, 2019.

Ailton Krenak | foto acervo Elástica.

OBRAS DE AILTON KRENAK

Livros
:: O lugar onde a Terra descansa. Ailton Krenak. [fotografias de Adriana Moura, Zaida Siqueira, Igor Pessoa e José Caldas]. Rio de Janeiro: ECO Rio/Núcleo de Cultura Indígena, 2000.
:: Ailton Krenak: encontros. [organização de Sergio Cohn; apresentação Eduardo Viveiros de Castro]. Coleção Tembetá. Rio de Janeiro: Azougue, 2015. {a obra reúne uma série de entrevistas concedidas por Krenak entre 1984 e 2013; e o discurso na Constituinte, no Congresso Nacional, em 1987}. Disponível no link. (acessado em 9.9.2021).
:: Ideias para adiar o fim do mundo. Ailton Krenak. [capa Alceu Chiesorin Nunes]. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. 
:: Ideias para adiar o fim do mundo. Ailton Krenak. .. [posfácio de Eduardo Viveiros de Castro; capa Alceu Chiesorin Nunes]. Nova edição. São Paulo: Companhia das Letras, 2ª ed., 2020. 
:: O amanhã não está à venda. Ailton Krenak. São Paulo: Companhia das Letras, 2020. {disponível em e-book grátis no link.}.
:: A vida não é útil. Ailton Krenak. [pesquisa e organização de Rita Carelli; capa Alceu Chiesorin Nunes]. São Paulo: Companhia das Letras, 2020. 

Caderno educativo em e-book
:: Caminhos para a cultura do Bem Viver. Ailton Krenak. [org. Bruno Maia; ilustração de capa Bruno Big]. Rio de Janeiro: Cultura do Bem Viver/Escola Parque, 2020. Disponível no link. (acessado em 13.9.2021).

AILTON KRENAK NA REDE

:: Instagram: @_ailtonkrenak
:: Contato: ailtonkrenak@gmail.com
:: Biblioteca do Ailton Krenak. Disponível no link. (acessado em 16.9.2021).
KRENAK DO RIO DOCE -  NA REDE
OUTRAS FONTES DE PESQUISA
:: SELVAGEM ciclo de estudos sobre a vida [Concebido por Anna Dantes, orientado por Ailton Krenak, produzido por Madeleine Deschamps e realizado por um coletivo que envolve parceiros, apoiadores, participantes e público]. Site oficial e Canal do Youtube (acessado em 16.9.2021).
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Arte: Ailton Krenak, por Edu Santos | Guará Arts.
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© Pesquisa, seleção, edição e organização: Elfi Kürten Fenske
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