terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Shalom! 

“Deus: O céu e os céus do céu não te podem conter...”

(1º Livro dos Reis, 8, 27)

por Beatriz
Ludovico Einaudi - Life
  (Ele mostra que o humano vai muito além da lógica ordinária.)

 Walt Whitman, também disse:

“Eu me contradigo?
 Pois sim, me contradigo (...)
Eu sou imenso, contenho multidões”.

Om shanti, buscadores!

Como diz Rajnnesh:

"Viver é como o ciclo respiratório. Na inspiração entra-se em contato consigo próprio, é o estar só, é o momento em que se carrega o coração de energia, é maturação do feto, a preparação do botão de rosa. E na expiração dá-se o encontro, o desabrochar do amor, o renascimento com o outro, o 'ser' com o outro. A respiração não é possível sem os dois movimentos..."

Estas são características de Deus?

Estas não são as qualidades de Deus. Melhor dizendo, são as nossas experiências de Deus. Elas não pertencem ao divino como tal; elas são as nossas percepções. O divino, por si mesmo, é incognoscível. Ou ele é todas as qualidades ou não é qualidade alguma. Mas tal como é constituída, a mente humana pode experimentar o divino através de três janelas: 

Você pode ter o vislumbre ou através da beleza,

 ou através da verdade ou através da bondade.

Estas três dimensões pertencem à mente humana. Estas são nossas limitações, A moldura é dada por nós; o divino em si é sem moldura. É assim. Podemos ver o céu pela janela. A janela parece uma moldura ao redor do céu, mas o céu em si não tem moldura ao redor dele. É infinito. Somente a janela lhe dá uma moldura. Da mesma forma, beleza, verdade e bondade são as janelas através das quais podemos vislumbrar o divino (...

A abordagem intelectual cria a janela da verdade, a moldura da verdade. Se a mente é emocional - se alguém chega à realidade não através da cabeça, mas através do coração - então o divino transforma-se em beleza. A qualidade poética é dada por você. É apenas a moldura. O intelecto dá-lhe moldura da verdade; a emoção dá-lhe moldura da beleza. E se a personalidade não é nem emocional, nem intelectual - se a ação é predominante - então a moldura torna-se bondade. (...)

Estas três características (verdade, bondade e beleza) são categorias humanas emolduradas em torno do divino, o qual é, em si mesmo, sem moldura. Não são qualidades do divino como tal. Se a mente humana conceber o divino através de qualquer quarta dimensão, então esta quarta dimensão também tor-nar-se-á uma qualidade do divino. Não quero dizer que o divino não é bom. Estou apenas dizendo que esta bondade é uma qualidade que é escolhida por nós e vista por nós. Se o homem não existisse no mundo, então o divino não seria bom, o divino não seria bonito, o divino não seria verdadeiro. A divindade existiria do mesmo jeito, mas estas qualidades, que são escolhidas por nós, não estariam lá. Estas são apenas concepções humanas. Podemos da mesma forma conceber que o divino é também outras qualidades.

Não sabemos se os animais percebem o divino, não sabemos de maneira alguma como eles percebem as coisas, mas algo é certo: eles não perceberão o divino em termos humanos. Se chegarem a perceber o divino, o perceberão e o sentirão de uma forma bem diferente da nossa. As qualidades que eles perceberem não serão as mesmas que são para nós.

Quando uma pessoa é predominantemente intelectual, não pode conceber como você pode dizer que Deus é belo. O próprio conceito é absolutamente estranho à sua mente. E um poeta não pode conceber que a verdade possa significar qualquer coisa, a não ser beleza. A verdade é beleza: tudo o mais é simplesmente intelectual. Para o poeta, para o pintor, para o homem que percebe o mundo em termos do coração, a verdade é uma coisa nua, sem beleza. É simplesmente uma categoria intelectual. Portanto, se uma determinada mente é predominantemente intelectual, não pode entender a mente emocional e vice-versa. Eis porque há tanto mal-entendido e tantas definições. Nenhuma definição única pode ser aceita por toda a humanidade. Deus deve chegar a você nos seus próprios termos. Quando você definir Deus, você será parte da definição. A definição virá de você; Deus como tal é indefinível. Logo, aqueles que olham para ele através destas três janelas, têm imposto, de uma certa forma, suas próprias definições ao divino.

Há também a possibilidade de um quarto modo de ver o divino, para aquele que transcendeu a estas três dimensões em sua personalidade. Na índia, não temos uma palavra para a quarta.

Simplesmente a chamamos de turiya (a quarta). Há um tipo de consciência na qual você não é nem intelectual nem emocional, nem ativo, mas simplesmente consciente. Então você não está olhando o céu através da janela. Você saiu da casa e conheceu o céu sem janela. Não há padrão, não há moldura. Somente o tipo de consciência que realizou a quarta pode entender as limitações das outras três. Ela pode entender a dificuldade de compreensão em meio às outras e pode também entender as similaridades subjacentes entre a beleza, a verdade e a bondade, Somente o quarto tipo pode compreender e tolerar. Os outros três tipos estarão sempre discutindo.

Todas as religiões pertencem a uma destas três categorias. E elas têm estado discutindo constantemente. Buda não pode tomar parte neste conflito. Ele pertence ao quarto tipo. Ele diz, É tudo sem sentido. Você não está discutindo as qualidades divinas; você está discutindo as suas janelas. O céu permanece o mesmo, de qualquer janela. Portanto, estas não são as qualidades divinas. Estas são as qualidades divinas tal qual concebidas por nós. Se pudermos destruir nossas janelas, podemos conhecer o divino como ausente de qualidades, nirguna. Então podemos ir além das qualidades. Somente então a projeção humana não ocorre. Mas então torna-se muito difícil dizer algo. O que quer que possa ser dito a respeito do divino, pode ser dito apenas através das janelas, porque qualquer coisa que possa ser dita está realmente sendo dita a respeito das janelas, não a respeito do céu em si. Quando vemos além das janelas, o céu é tão vasto, tão ilimitado. Não pode ser definido. Todas as palavras são inaplicáveis; todas as teorias são inadequadas. (...)

Wittgenstein fez esta distinção. Ele disse que há verdades que podem ser ditas e que há verdades que podem ser mostradas, mas não ditas. Uma coisa é definível porque existe em meio a outras coisas. Pode ser relacionada a outras coisas, comparada. Por exemplo, podemos sempre dizer que uma mesa não é uma cadeira. Podemos defini-la por referência a uma outra coisa. Ela tem uma fronteira para a qual se estende e além da qual uma outra coisa começa. Realmente, só a fronteira é definida. Uma definição significa a fronteira além da qual tudo o mais começa. Mas não podemos dizer nada sobre o divino. O divino é o total, logo, não há fronteira; não há fronteira da qual uma coisa começa. Não há uma outra coisa. O divino é sem fronteira, por conseguinte, não pode ser definido. A quarta pode apenas mostrar; pode apenas indicar. Eis porque a quarta tem permanecido misteriosa. E a quarta é a mais autêntica, porque não é colorida pelas percepções humanas. Todos os grandes santos indicaram; não disseram nada. Seja Jesus, Buda, Mahavira ou Krishna, não importa. Eles não estão dizendo nada; estão apenas indicando algo - apenas um dedo apontando para a lua. Mas há sempre a dificuldade no que diz respeito ao divino. (...)

Sempre que alguém aborda o divino, deve estar consciente de sua própria mente. Se aborda o divino pela mente, o divino é colorido por ela. Se você aborda o divino como vazio, como um vácuo, um nada sem quaisquer preconceitos, sem qualquer propensão a ver as coisas de uma forma particular - então você conhece a ausência de qualidade do divino, caso contrário não. Caso contrário, todas as qualidades que damos ao divino pertencem às nossas janelas humanas. Nós as impomos ao divino.

Você está dizendo que não precisamos usar a janela para ver o céu?

Sim. É melhor olhar da janela do que não olhar de forma alguma, mas olhar pela janela não pode ser comparado ao céu sem janela.

Mas como alguém vai da sala ao céu sem a janela?

Você pode passar pela janela para ir ao céu, mas não deve permanecer na janela. Caso contrário, a janela sempre estará lá. A janela deve ser deixada para trás. Deve ser ultrapassada e transcendida. Uma vez que alguém esteja no céu, não há palavras - até que volte à sala. Então vem a estória... Sim. O indivíduo pode voltar. Mas então ele não poderá ser o mesmo que era antes. Ele conheceu o que não tem padrão, o infinito. Então, mesmo da janela, ele saberá que o céu não é padronizado, não tem janelas. Mesmo se a janela estiver fechada e a sala escurecida, ele saberá que o céu infinito está lá. Agora ele não poderá ser o mesmo novamente. Uma vez que tenha conhecido o infinito, você tornou-se o infinito. Nós somos o que conhecemos, o que sentimos. Uma vez que tenha conhecido o ilimitado, o sem fronteiras, de uma certa forma você se tornou o infinito. Conhecer o amor é ser o amor; conhecer a oração é ser a oração, conhecer o divino é ser o divino. Conhecer é realização; conhecer é ser.

As três janelas tornam-se uma?

Não. Cada janela permanecerá como era. A janela não mudou, você mudou. Se a pessoa for emocional, sairá e entrará pela janela da emoção, mas agora não negará as outras janelas; não será antagônica a elas. Agora ela estará entendendo as outras. Saberá que as outras janelas também conduzem ao mesmo céu. Uma vez que você esteja sob o céu, sabe que as outras janelas são partes da mesma casa. Agora você pode atravessar as outras janelas ou não. Se a pessoa é como Ramakrishna, pode passar por outras janelas para ver se o mesmo céu é visto através delas. Depende da pessoa. O indivíduo pode olhar por outras janelas ou não. E realmente, não há necessidade. Conhecer o céu é o suficiente. Mas o indivíduo pode inquirir, ser curioso. Então, ele olhará por outras janelas. Há pessoas que olham e pessoas que não.

Mas uma vez que a pessoa tenha conhecido o céu aberto, não negará as outras janelas; não negará outras abordagens. Ela confirmará que suas janelas abrem-se à mesma coisa. Portanto, uma pessoa que conheceu o céu torna-se religiosa, não-sectária. A mente sectária permanece atrás da janela; a mente religiosa está além dela. O indivíduo que viu o céu pode vagar; pode também ir às outras janelas. Há muitas combinações possíveis. Há infinitas janelas. Estes são os tipos principais, mas não são as únicas janelas.

Há uma janela para cada consciência, para cada homem?

Sim. De uma certa maneira, cada pessoa chega ao divino a partir de sua própria janela. E cada janela é basicamente diferente da outra. Infinitas são as janelas... Dois cristãos não são iguais. Um cristão difere do outro tanto quanto o cristianismo difere do hinduísmo.

Uma vez que você tenha chegado ao céu, sabe que todas as diferenças pertencem à casa. Elas nunca pertencem a você. Pertencem à casa na qual você viveu, através da qual você viu, através da qual você sentiu, mas não a você como tal. Quando você chega sob o céu, sabe que você também era parte do céu - só que vivia entre paredes. O céu dentro da casa não é diferente do céu além da casa. Uma vez que tenhamos saído, sabemos que as barreiras não eram reais. Mesmo uma parede não é uma barreira para o céu; não dividiu o céu de forma alguma. Cria uma aparência do que o céu está dividido - de que esta é a minha casa e de que aquela casa é sua; de que o céu de minha casa pertence a mim e de que o céu na sua casa pertence a você - mas uma vez que tenha chegado a conhecer o céu em si, não há diferença. Então não há indivíduos como tais. Então as ondas se perdem e só o oceano permanece. Você voltará para dentro outra vez, mas agora você será diferente do céu. Parece que há poucos cristãos que tenham ido ao céu e que tenham retornado com este conceito.

Há alguns. São Francisco, Eckhart, Bohme... Eles não disseram que era o mesmo céu, disseram?

Não podiam. O céu é sempre o mesmo, mas eles não podem relatar o céu da mesma forma. Os relatos sobre o céu são propensos a serem diferentes, mas o que está sendo relatado não é diferente.

Àqueles que não conhecem a coisa relatada em si, o relato será tudo. Então as diferenças tornam-se agudas. Mas tudo que é relatado é apenas uma seleção, uma escolha. O todo não pode ser relatado; somente uma parte do todo pode ser relatada. E quando é relatada, torna-se morta...

Se eu relatar na minha própria linguagem individual, ninguém a entenderá. Quando experimentei o céu, o experimentei sem a comunidade. Eu estava totalmente só no momento do conhecer. Não havia linguagem; não havia palavras. Mas quando eu relato, relato aos outros que não conheceram. Devo falar na linguagem deles. Terei de usar uma linguagem que me era conhecida antes do meu conhecer.

São Francisco usa a linguagem cristã. No que se refere a mim, as religiões são apenas linguagens diferentes. Para mim, o cristianismo é uma linguagem particular derivada de Jesus Cristo. O hinduísmo é uma outra linguagem; o budismo é outra linguagem. A diferença é sempre de linguagem. Mas se alguém conhece apenas a linguagem e não a própria experiência, a diferença é propensa a ser vasta. (...)

No que diz respeito a mim, é melhor que uma pessoa não permaneça com a religião do seu nascimento. As atitudes e crenças que lhe foram dadas no nascimento devem ser negadas em algum momento ou a aventura nunca começará. O indivíduo não deveria permanecer onde nasceu. O indivíduo deveria ir a cantos desconhecidos e sentir a alegria disso. Às vezes não podemos entender a própria coisa que pensamos mais entender. O cristão pensa que entende o cristianismo. Isso se transforma na barreira. O budista pensa que entende o budismo porque o conhece, mas este próprio sentido de conhecer converte-se num obstáculo. Só o desconhecido pode tornar-se o magnético, o oculto, o esotérico.

O indivíduo deve transcender às circunstâncias de seu nascimento. É simplesmente circunstancial que alguém seja cristão de nascimento; é simplesmente circunstancial que alguém seja hindu de nascimento. O indivíduo não deveria ficar confinado às condições do seu nascimento. O indivíduo deve nascer duas vezes, no que se refere à religião. O indivíduo deve ir às esquinas desconhecidas. Então a emoção está ali. A exploração começa. As religiões são, de uma certa forma, complementares. Elas devem trabalhar pelas outras; devem aceitar as outras. (...)

Sempre que alguém vem do Ocidente para o Oriente, há algo novo. A atitude oriental é tão diferente que não pode ser colocada em categorias familiares. Toda a atitude é tão oposta ao que você está familiarizado, que se você quiser entendê-la, você próprio terá de mudar. A mesma coisa acontece a alguém do Oriente quando vai para o Ocidente. Deveria acontecer. O indivíduo deveria estar aberto, de forma que possa acontecer. É o desconhecido, o não familiar, que criará a mudança. (...)

 Do Livro: A Psicologia do Esotérico - Osho - 10. JANELAS AO DIVINO

 https://dasculturas.files.wordpress.com/2018/08/a-psicologia-do-esoterico-osho.pdf

*

Meditemos!

"Sempre que houver alternativas, tenha cuidado. Não opte pelo conveniente, pelo confortável, pelo respeitável, pelo socialmente aceitável, pelo honroso. Opte pelo que faz o seu coração vibrar. Opte pelo que gostaria de fazer, apesar de todas as consequências."

*

"O silêncio também fala, fala e muito! 

O silêncio pode falar mesmo quando as palavras falham."

*

"Sempre permaneça aventureiro. Por nenhum momento se esqueça de que a vida pertence aos que investigam. Ela não pertence ao estático; Ela pertence ao que flui. Nunca se torne um reservatório, sempre permaneça um rio."

*

''Escute os sons da natureza e da mesma forma escute as pessoas. Escute sem impor coisa alguma ao que você está escutando – não julgue, pois no momento em que você julga, a escuta cessa.'' 
*

"Não importa se você é uma rosa, um lótus ou outra flor. 

O que importa é que você floresça."

(Osho)

 ***As citações parciais são para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

"Eu aprendi tanto de Deus, Que já não posso mais chamar-me Cristão, Hindu, Muçulmano, Budista, Judeu. A Verdade compartilhou tanto de si mesma comigo, Que já não posso mais chamar-me Homem, mulher, anjo ou mesmo uma alma pura." (Hafez)

Shalom buscadores!

Reflexionando com Hafez: 

"O coração é um instrumento de mil cordas 
que só pode ser sintonizado com amor."
https://giphy.com
*
"No início, os pássaros não tinham o desejo de voar.
O que realmente aconteceu foi isto:
Certa vez Deus sentou-se perto deles tocando música.
Quando Ele partiu, eles sentiram tanto a Sua falta
que seu anseio fez asas brotarem neles,
necessitando vasculhar os céus."
*
"Eu aprendi tanto de Deus,
Que já não posso mais chamar-me
Cristão, Hindu, Muçulmano, Budista, Judeu.
A Verdade compartilhou tanto de si mesma comigo,
Que já não posso mais chamar-me Homem, mulher,
anjo ou mesmo uma alma pura."
*
"Não viemos aqui para aprisionar,
Mas sim para nos entregarmos cada vez mais 
profundamente à liberdade e alegria.
Não viemos a este mundo extraordinário
Para nos mantermos reféns apartados do Amor.
Fuja... de tudo que possa
não fortalecer as preciosas asas que estão
brotando em você!
Pois não viemos aqui para aprisionar
Ou confinar nossos espíritos...
E sim, para experimentarmos cada vez mais
profundamente nossa coragem, liberdade
e Luz divinas." 
*
"...Pense sobre isso por um momento:
Eu nunca escutei um pássaro ou o sol 
dizerem para Deus: Sinto muito."
*
"Tudo está aplaudindo hoje,
A luz, o som, todos os movimentos..."
*
"Mesmo com meus pés sobre ele
e o carteiro conhecendo minha porta
Meu endereço é num outro lugar."
"Mesmo depois de todo esse tempo 
o sol nunca diz à Terra
'Você me deve'
Olha o que acontece com um amor desses,
ilumina o céu inteiro."
*
"Está escrito no portão do Céu:
Nada é mais poderoso que o destino.
E o destino o trouxe aqui... que é parte do seu bilhete
Para – como acontece com todas as coisas
 – retornar a Deus."
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"Khwāja Šamsu d-Dīn Muḥammad Hāfez-e Šīrāzī, conhecido por seu pseudônimo Hāfez ou Hafiz, foi um poeta lírico e místico persa, nascido entre 1310 e 1337 na cidade de Xiraz na Pérsia (Irão).
Suas obras selecionadas (Divan) podem ser encontradas nas casas da maioria dos iranianos, que aprendem seus poemas de cor e os usam como provérbios e ditados até hoje. 
Sua vida e seus poemas têm sido objeto de muita análise, comentário e interpretação e têm influenciado a literatura persa pós-século XIV mais do que qualquer outra coisa.
Seus poemas líricos, são notáveis por sua beleza, pelo fruir do amor, pelo misticismo e por temas místicos que haviam permeado a poesia persa."

domingo, 10 de dezembro de 2023

"Ler a Rota É a visão da alma que desvenda seu próprio céu microcósmico, onde incide a Luz de Deus."

 Namastê buscadores!

Somando:

"Ler a Rota
É a visão da alma que desvenda seu próprio céu
 microcósmico, onde incide a Luz de Deus."
- "Saúde e Espiritualidade, a Cura" - Série Renovação 2 -
 Trecho citado no intróito do capítulo 6: - 'Carma e Destino'
 - Pentagrama Publicações 
"A pessoa pode perguntar-se por que está na Terra 
e o que de essencial deve fazer nesta vida. Mas a
 centelha de Luz e a alma não nos proporcionam
 apenas o conhecimento da direção no caminho que
 devemos seguir ou que já tomamos no final da vida.
A centelha e a alma oferecem a todos os mortais, em
 sua busca quase interminável: direção, consolo e
 força. É fantástico saber, como resultado desses
 importantes momentos de consciência, que não
 ficamos sozinhos nem abandonados.
O que nosso coração procura acompanha-nos de há
 muito: o amor divino que vem buscar o que está perdido."
Trecho extraído do artigo: - "Consolação, força, benignidade"
 - Revista Pentagrama Ano 2015, nº 2 - 
Imagem: TBIT, por Pixabay
*
"O Bhagavad Gita cita a respeito do Único,
que vive em tudo e em todos...:
'Em todas as coisas eu sou eu mesmo, de mim nasceu
o universo inteiro, ele é a revelação de meu ser'.
Encontramo-nos como participantes, no seio de diferentes escolas.
A humanidade necessita de diversos trabalhadores.
Todos somos necessários.
Nosso trabalho é acompanhado das mais ricas bênçãos se é animado por aquele que está encerrado o mais profundo de nós.
Nele, somos um."
Trecho extraído do artigo: - "O serviço ao outro" -
Revista Pentagrama Ano 2013, n⁰ 4 -

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

"A esperança é o sonho do homem acordado." (Aristóteles)

Om shanti, irmãos!

"A esperança é o sonho do homem acordado."
(Aristóteles)
por Zelda Silveira
Contos da Lua Vaga- Beto Guedes
*
Contos da Lua Vaga

Esperança viva
Que o sangue amansa
Vem lá do espaço aberto
E faz do nosso braço
Um abrigo
Que possa guardar

A vitória do sentimento claro
Vencendo todo medo
Mãos dadas pela rua
Num destino de luz e amor

Vem agora
Quase não há mais tempo
Vem com teu passo firme
E rosto de criança
A maldade já vimos demais

Olha
Sempre poderemos viver em paz
Em tempo
Tanto a fazer pelo nosso bem
Iremos passar
Mas não podemos nunca esquecer
De mais alguém
Que vem
Simples inocentes a nos julgar

Perdidos

As iluminadas crianças
Herdeiras do chão
Solo plantado
Não as ruínas de um caos

Diamantes e cristais
Não valem tal poder
Contos de luar
Ou a história dos homens
Lua vaga vem brincar
E manda teus sinais
Que será de nós
Se estivermos cansados
Da verdade
Do amor

Esperança viva
Que a mão alcança
Vem com teu passo firme
E rosto de criança
A maldade já vimos demais.

Composição: Beto Guedes/Márcio Borges.
Cândido Portinari: Menino, 1950 - Guache s/ papel


terça-feira, 5 de dezembro de 2023

"Procura, oh alma, obter conhecimento a respeito de todas as coisas. E não acredites, que nenhuma delas esteja fora de ti. Não, todas as coisas que deve buscar estão dentro de ti, ao teu alcance. Acautela-te pois, em buscar fora o que se encontra dentro." (Atribuído a Hermes Trismegisto)

Om shanti, Om...

por Julay

30min Loop of Bach's "Air on the G String" (A=432Hz)
*

"Procura, oh alma, obter conhecimento a respeito de todas as coisas.

 E não acredites, que nenhuma delas esteja fora de ti.

 Não, todas as coisas que deve buscar estão dentro de ti, ao teu alcance. 

Acautela-te pois, em buscar fora o que se encontra dentro."

(Atribuído a Hermes Trismegisto)

"O mesmo calor solar, que mantém no estado líquido a água dos rios e dos mares, conduz a seiva à fronde das árvores e faz pulsar o coração dos abutres e das pombas. A luz que espalha o verde nos prados, e nutre as plantas com um sopro impalpável, também povoa a atmosfera de maravilhosas belezas aéreas. O som que estremece a folhagem, canta na orla dos bosques, ruge nas plagas marinhas. Em tudo vemos, enfim, uma correlação de forças físicas, que abrange num mesmo sistema a totalidade da vida sob a comunhão das mesmas leis. Que são as soberanas leis divinas." (Camille Flammarion)

Namastê buscadores! 

Fé!

Mas...

O amor de Deus está presente por toda parte. A natureza fala da sua grandeza em cada detalhe. E o amor de Deus é a própria esperança se derramando sobre toda a criação. Quando observamos as cinzas de um campo queimado, talvez pensemos que a vida ali se extinguiu para sempre. Mas em pouco tempo as plantas brotam, mais verdes que nunca, mostrando que nada consegue deter a vida.  Quando vemos os escombros deixados pela fúria das tempestades, pode nos parecer que nada mais poderá existir em tão deprimente paisagem. No entanto, em breve tempo as mãos hábeis e competentes dos homens deixam o local em condições de ser habitado novamente.  Quando olhamos vastas extensões de terras esturricadas pela estiagem, temos a impressão de que a vida bateu em retirada, para sempre.

Mas, para espanto de todos, a chuva cai de mansinho, penetrando o solo castigado, acordando as sementes que jaziam adormecidas e, em pouco tempo o que era deserto se converte em imenso jardim multicolorido.

É assim que Deus nos fala da esperança, a cada instante.

Foi observando esses pequenos detalhes da natureza, que um poeta escreveu o poema que reproduzimos a seguir:

"E eu que achei que a lua não brilhasse sobre os mortos no campo da guerrilha, sobre a relva que encobre a armadilha ou sobre o esconderijo da quadrilha,...

 Mas brilha.

E achei que nenhum pássaro cantasse, se um lavrador não mais colhe o que planta, se uma família vai dormir sem janta com um soluço preso na garganta,... 

Mas canta.

Também pensei que a chuva não regasse a folha cujo leite queima e cega, a carnívora flor que o inseto pega ou o espinho oculto na macega,... 

Mas rega.

Pensei, também, que o orvalho não beijasse a venenosa cobra que rasteja, no silêncio da noite sertaneja, sobre as ruínas de esquecida igreja,...

 Mas beija.

Imaginei que a água não lavasse o chicote que em sangue deprava, quando, de forma monstruosa e brava, abre trilhas de dor na pele escrava,... 

Mas lava.

Apostei que nenhuma borboleta – por ser um vivo exemplo de esperança – dançaria contente, leve e mansa sobre o túmulo de uma criança,...

 Mas dança.

E eu pensei que o sol não mais aquecesse os campos que a guerra empobrece, onde tomba do homem a própria espécie, e a sombra da dor enlouquece,...

 Mas aquece...

***
"O mesmo calor solar, que mantém no estado líquido a água dos rios e dos mares, conduz a seiva à fronde das árvores e faz pulsar o coração dos abutres e das pombas. A luz que espalha o verde nos prados, e nutre as plantas com um sopro impalpável, também povoa a atmosfera de maravilhosas belezas aéreas. O som que estremece a folhagem, canta na orla dos bosques, ruge nas plagas marinhas. Em tudo vemos, enfim, uma correlação de forças físicas, que abrange num mesmo sistema a totalidade da vida sob a comunhão das mesmas leis.

Que são as soberanas leis divinas."

(Camille Flammarion)

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base na poesia intitulada Mas..., do livro os Pratos de Vovó, de autoria de Antonio Roberto Fernandes e no cap. II do livro Deus na Natureza, Camille Flammarion, ed. FEB.

Planeta EM QUE Habito

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

Namastê buscadores!

Ella Fitzgerald, disse certa vez:
“O amor não conhece barreiras, 
não entende distâncias nem diferenças, 
é um sentimento 

Louis Armstrong, disse certa vez:
"...O que quer dizer 'Que mundo maravilhoso'?
 E todas aquelas guerras em todo o lugar?
 Você chama isso de maravilhoso?
 E quanto a fome e a poluição?..." 
"...Me parece, não é o mundo que é tão ruim, 
mas o que estamos fazendo para ele."
*
"Vejo árvores verdes 
Rosas vermelhas também 
Vejo-as florescer 
Para mim e para você 
E eu penso comigo mesmo 
Que mundo maravilhoso 
Eu vejo o céu azul 
E nuvens brancas 
O abençoado dia claro 
A sagrada noite escura 
E eu penso comigo mesmo 
Que mundo maravilhoso 
As cores do arco-íris 
Tão bonitas no céu 
Estão também nos rostos 
Das pessoas a passar 
Eu vejo amigos se cumprimentando 
Dizendo: "Como você vai?" 
Eles estão realmente dizendo "Eu te amo" 
Eu ouço bebês chorando, eu os vejo crescendo 
Eles vão aprender muito mais do que eu jamais vou saber 
E eu penso comigo mesmo 
Que mundo maravilhoso 
Sim, eu penso comigo mesmo 
Que mundo maravilhoso!"

(What A Wonderful World do Louis Armstrong)
 Alexander Dmitrievich Zaytsev 
(03/06/1903 – 12/05/1982)
Da Wikipédia, a enciclopédia livre

Movimento: Realismo
Foi um pintor e educador de arte russo e soviético, que viveu e trabalhou em Leningrado. Foi membro da União dos Artistas de Leningrado, e professor de pintura do Instituto de Artes Repin, que desempenhou um papel importante na formação da escola de pintura de Leningrado.

Entre as suas pinturas mais conhecidas estão «Pedreiros» (1929), «Maternidade» (1930), «Uma Fundição da Planta Báltica» (1933), «Pescadores no Lago Onega» (1935), «Cachoeira Kivach» (1938), «No rio Neva» [4] (1947), «No Norte» (1950), «Uma Primavera» [5] (1955), «Primavera em Samarcanda» (1956), «Assentamento de trabalho» [6] ( 1957), «Noite no rio Neva» (1963), «Um retrato de mulheres pescadoras Busarova» [7] (1964), «Trabalhadores do mar» (1967), «Lenin e Maxim Gorky em Gorki» (1970) , «Crepúsculos», «Na fazenda coletiva de pesca do Norte» [8] (ambos de 1975), e outros.

domingo, 26 de novembro de 2023

O que é tempo fenomenológico? "É o tempo vivido na introspecção, tal como aparece à consciência; é um puro tempo dado à experiência."

Namastê buscadores!

O que é tempo fenomenológico?
"É o tempo vivido na introspecção, 
tal como aparece à consciência; 
é um puro tempo dado à experiência."

O que é Fenomenologia?
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Fenomenologia (do grego phainesthai — aquilo que se apresenta ou que mostra — e logos explicação, estudo) é uma metodologia ou um modo de pensamento filosófico que retoma a importância dos fenômenos, os quais devem ser estudados em si mesmos – tudo que podemos saber do mundo e de nós próprios resume-se a esses fenômenos, a esses objetos fenomenais que o ser experimenta em sua finitude. Os objetos da Fenomenologia são dados imediatos apreendidos em intuição pura, na nossa lida cotidiana com as coisas, com o propósito de descobrir estruturas existenciais dos atos (noesis) e as entidades que correspondem a elas (noema).

Edmund Husserl (1859-1938) — filósofo, matemático e lógico – é o fundador desse método de investigação filosófica e quem estabeleceu os principais conceitos e métodos que seriam amplamente usados pelos filósofos desta tradição. Ele, influenciado por Franz Brentano- seu mestre — lutou contra o historicismo e o psicologismo. Propôs por meio de sua experiência de pensamento um recomeço para a filosofia como uma investigação rigorosa que se iniciaria com os estudos dos fenômenos, como estes aparecem na e para a consciência do tempo, para expôr os limites da razão. Suas investigações lógicas influenciaram até mesmo os filósofos e matemáticos da mais forte corrente oposta, o empirismo lógico. A Fenomenologia representou uma reação no sentido de superação da metafísica, pretensão de parte dos filósofos e cientistas do século XIX e XX.

Husserl foi professor em Gotinga e Friburgo em Brisgóvia, tendo como assistente a filósofa Edith Stein ( Santa Teresa Benedita da Cruz). Contrariamente a todas as tendências no mundo intelectual de sua época, quis que a ciência tivesse as bases e condições de uma ciência rigorosa em sua fundamentação fenomenologica originária que orientasse as possibilidades do fazer científico.

O êxito do método científico está no estabelecimento de uma "verdade provisória" útil, que será verdade até que um fato novo mostre outra realidade. Para evitar que a verdade filosófica também fosse provisória, Husserl propõe que ela deveria referir-se às coisas como se apresentam na experiência de consciência, estudadas fenomenologicamente, em seu retorno ao "rumo às coisas mesma", de um modo livre de teorias e pressuposições, de hipóteses sem fundamento fenomenologicos, despidas dos acidentes próprios da teoria científica de fundamentação metafísica, do mundo empírico da ciência. Buscando restaurar a "lógica pura" e dar rigor à possibilidade científica por meio de uma filosofia fenomenologica, argumenta a respeito do princípio da contradição na Lógica.

No primeiro volume de “Investigações lógicas” — 1900-01, sob o título Prolegomena, Husserl lança sua crítica contra o Psicologismo. Segundo os psicologistas, o princípio de contradição seria a impossibilidade de o sistema associativo estar a associar e dissociar ao mesmo tempo. Significaria que o homem não pode pensar que A é "A" e ao mesmo tempo pensar que A é "não A". Husserl opõe-se a isto e diz que o sentido do princípio de contradição está em que, se A é "A", não pode ser "não A". Segundo ele, o princípio da contradição não se refere à possibilidade do pensar, mas à verdade daquilo que é pensado. Insistiu em que o princípio da contradição, e assim os demais princípios lógicos, têm validez objetiva, isto é, referem-se a alguma coisa como verdadeira ou falsa, independentemente de como a mente pensa ou o pensamento funciona.

Em seu artigo “Filosofia como ciência rigorosa" -1910-11- Husserl ataca o naturalismo e o historicismo. Objetou que o Historicismo implicava relativismo, e por esse motivo era incapaz de alcançar o rigor requerido por uma ciência genuína. Sendo assim, para uma ciência rigorosa deveria haver um conduzir fenomenológico que superasse a metafísica enquanto possibilidade do fazer científico. Pois em última instância, a teoria científica metafísica carece de uma comprovação fenomenológica. Portanto, sem fundamentação ontológica consistente.

Pressupostos
A redução Fenomenológica
A fenomenologia é o estudo da consciência e dos objetos da consciência. A redução fenomenológica, "epoché", é o processo pelo qual tudo que é informado pelos sentidos é mudado em uma experiência de consciência, em um fenômeno que consiste em se estar consciente de algo. Coisas, imagens, fantasias, atos, relações, pensamentos, eventos, memórias, sentimentos, etc. Constituem nossas experiências de consciência.[1]

Husserl propôs que no estudo das nossas vivências, dos nossos estados de consciência, dos objetos ideais, desse fenômeno que é estar consciente de algo, não devemos nos preocupar se ele corresponde ou não a objetos do mundo externo à nossa mente. O interesse para a Fenomenologia não é o mundo que existe, mas sim o modo como o conhecimento do mundo se realiza para cada pessoa. A redução fenomenológica requer a suspensão das atitudes, crenças, teorias, e colocar em suspenso o conhecimento das coisas do mundo exterior a fim de concentrar-se a pessoa exclusivamente na experiência em foco, porque esta é a realidade para ela.

O Noesis é o ato de perceber e o Noema é o objeto da percepção – esses são os dois pólos da experiência. A coisa como fenômeno de consciência (noema) é a coisa que importa, e refere-se à conclamação "às coisas em si mesmas" que fizera Husserl. "Redução fenomenológica" significa, portanto, restringir o conhecimento ao fenômeno da experiência de consciência, desconsiderar o mundo real, colocá-lo "entre parênteses", o que no jargão fenomenológico não quer dizer que o filósofo deva duvidar da existência do mundo como os idealistas radicais duvidam, mas se preocupar com o conhecimento do mundo na forma que se realiza e na visão do mundo que o indivíduo tem.

Consciência e Intencionalidade
Vivência (Erlebnis) é todo o ato psíquico; a Fenomenologia, ao envolver o estudo de todas as vivências, tem que englobar o estudo dos objetos das vivências, porque as vivências são intencionais e é nelas essencial a referência a um objeto. A consciência é caracterizada pela intencionalidade, porque ela é sempre a consciência de alguma coisa. Essa intencionalidade é a essência da consciência que é representada pelo significado, o nome pelo qual a consciência se dirige a cada objeto.

Em “A Psicologia de um ponto de vista empírico"- 1874 — Franz Brentano afirma: "Podemos assim definir os fenômenos psíquicos dizendo que eles são aqueles fenômenos os quais, precisamente por serem intencionais, contêm neles próprios um objeto". Isto equivale afirmar, como Husserl, que os objetos dos fenômenos psíquicos independem da existência de sua réplica exata no mundo real porque contêm o próprio objeto. A descrição de atos mentais, assim, envolve a descrição de seus objetos, mas somente como fenômenos e sem assumir ou afirmar sua existência no mundo empírico. O objeto não precisa de fato existir. Foi um uso novo do termo "intencionalidade" que antes se aplicava apenas ao direcionamento da vontade.

A Redução Eidética
Reconhecido o objeto ideal, o noema, o passo seguinte é sua “redução eidética”, redução à ideia. Consiste na análise do noema para encontrar sua essência. Isto porque não podemos nos livrar da subjetividade e ver as coisas em si mesmas, pois em toda experiência de consciência estão envolvidos o que é informado pelos sentidos e o modo como a mente enfoca aquilo que é informado. Portanto, dando-se conta dos objetos ideais, uma realidade criada na consciência não é suficiente — ao contrário: os vários atos da consciência precisam ser conhecidos nas suas essências, aquelas essências que a experiência de consciência de um indivíduo deverá ter em comum com experiências semelhantes nos outros.

A redução eidética é necessária para que a filosofia preencha os requisitos de uma ciência genuinamente rigorosa de claridade apodítica, a certeza absolutamente transparente e sem ambiguidade — requisitos antes mencionados por Descartes. Os objetos da ciência rigorosa têm que ser essências atemporais, cuja atemporalidade é garantida por sua idealidade, fora do mundo cambiável e transiente da ciência empírica.

Por exemplo, "um triângulo". Posso observar um triângulo maior, outro menor, outro de lados iguais, ou desiguais. Esses detalhes da observação — elementos empíricos — precisam ser deixados de lado a fim de encontrar a essência da ideia de triângulo — do objeto ideal que é o triângulo -, que é tratar-se de uma figura de três lados no mesmo plano. Essa redução à essência, ao triângulo como um objeto ideal, é a redução eidética.

A Intuição do Invariante
Não importa para a Fenomenologia como os sentidos são afetados pelo mundo real. Husserl distingue entre percepção e intuição. Alguém pode perceber e estar consciente de algo, porém sem intuir o seu significado. A intuição eidética é essencial para a redução eidética. Ela é o dar-se conta da essência, do significado do que foi percebido. O modo de apreender a essência, Wesensschau, é a intuição das essências e das estruturas essenciais. De comum, o homem forma uma multiplicidade de variações do que é dado. Porém, enquanto mantém a multiplicidade, o homem pode focalizar sua atenção naquilo que permanece imutável na multiplicidade, a essência — esse algo idêntico que continuamente se mantém durante o processo de variação, e que Husserl chamou "o Invariante".

No exemplo do triângulo, o "Invariante" do triângulo é aquilo que estará em todos os triângulos, e não vai variar de um triângulo para outro. A figura que tiver unicamente três lados em um mesmo plano, não será outra coisa, será um triângulo. Não podemos acreditar cegamente naquilo que o mundo nos oferece. No mundo, as essências estão acrescidas de acidentes enganosos. Por isso, é preciso fazer variar imaginariamente os pontos de vista sobre a essência para fazer aparecer o invariante.

O que importa não é a coisa existir ou não ou como ela existe no mundo, mas a maneira pela qual o conhecimento do mundo acontece como intuição, o ato pelo qual a pessoa apreende imediatamente o conhecimento de alguma coisa com que se depara – que também é um ato primordialmente dado sobre o qual todo o resto é para ser fundado. Husserl definiu a Fenomenologia em termos de um retorno à intuição, Anschauung, e a percepção da essência. Além do mais, a ênfase de Husserl sobre a intuição precisa ser entendida como uma refutação de qualquer abordagem meramente especulativa da filosofia. Sua abordagem é “concreta”, trata do fenômeno dos vários modos de consciência.

A Fenomenologia não restringe seus dados à faixa das experiências sensíveis, pois admite dados não sensíveis (categoriais) como as relações de valor, desde que se apresentem intuitivamente.

Redução Transcendental
Embora tenha trabalhado até o final de sua vida na definição do que chamou Redução Transcendental, Husserl não chegou a uma conclusão clara. Basicamente seria a redução fenomenológica aplicada ao próprio sujeito, que então se vê não como um ser real, empírico, mas como consciência pura, transcendental, geradora de todo significado.

Para o fenomenólogo, a função das palavras não é nomear tudo que nós vemos ou ouvimos, mas salientar os padrões recorrentes em nossa experiência. Identificam nossos dados dos sentidos atuais como sendo do mesmo grupo que outros que já tenhamos registrado antes. Uma palavra não descreve uma única experiência, mas um grupo ou um tipo de experiências; a palavra "mesa" descreve todos os vários dados dos sentidos que nós consultamos normalmente quanto às aparências ou às sensações de "mesa". Assim, tudo que o homem pensa, quer, ama ou teme, é intencional, isto é, refere-se a um desses universais (que são significados e, como tal, são fenômenos da consciência). E por sua vez, o conjunto dos fenômenos, o conjunto das significações, tem um significado maior, que abrange todos os outros, é o que a palavra "Mundo" significa.

Fenomenologia e Fenomenalismo
A fenomenologia não pode ser confundida com o Fenomenalismo, pois este não leva em conta a complexidade da estrutura intencional da consciência que o homem tem dos fenômenos. A Fenomenologia examina a relação entre a consciência e o Ser. Para o Fenomenalismo, tudo que existe são as sensações ou possibilidades permanentes de sensações, que é aquilo a que chamam fenômeno. O fenomenólogo, diferentemente do fenomenalista, precisa prestar atenção cuidadosa ao que ocorre nos atos da consciência, que são o que ele chama fenômeno.

Outros Pensadores

Max Scheler
O mais original e dinâmico dos primeiros associados de Husserl, foi Max Scheler (1874-1928), que havia integrado o grupo de Munique quem realizou seu principal trabalho fenomenológico com respeito a problemas do valor e da obrigação. Ampliou a ideia de intuição, colocando, ao lado de uma intuição intelectual, outra de caráter emocional, fundamento da apreensão do valor.

Heidegger
Discípulo de Husserl, Martin Heidegger (1889-1976) dedicou a ele sua obra fundamental Ser e Tempo (1927), mas logo surgiram diferenças entre ele e o mestre. Discutir e absorver os trabalhos de importantes filósofos na história da metafísica era, para Heidegger, uma tarefa indispensável, enquanto Husserl repetidamente enfatizou a importância de um começo radicalmente novo para a filosofia, queria colocar "entre parênteses" a história do pensamento filosófico — abrindo poucas exceções como Descartes, Locke, Hume e Kant.

Heidegger tomou seu caminho próprio, preocupado que a fenomenologia se dedicasse ao que está escondido na experiência do dia a dia. Ele tentou em Ser e tempo descrever o que chamou de estrutura do cotidiano, ou "o estar no mundo", com tudo que isto implica quanto a projetos pessoais, relacionamento e papéis sociais, pois que tudo isto também são objetos ideais.

Em sua crítica a Husserl, Heidegger salientou que ser lançado no mundo entre coisas e na contingência de realizar projetos é um tipo de intencionalidade muito mais fundamental que a intencionalidade de meramente contemplar ou pensar objetos. E é aquela intencionalidade mais fundamental a causa e a razão desta última.

Merleau-Ponty
Maurice Merleau-Ponty (1908-1961) foi um dos mais importantes fenomenólogos franceses. Suas obras, “A Estrutura do comportamento” (1942) e “Fenomenologia da percepção” (1945), foram originais desenvolvimentos e aplicações posteriores da Fenomenologia produzidos na França.

Em sua tentativa de aplicar a Fenomenologia ao exame da existência humana, como fez Heidegger, Sartre e outros autores franceses desenvolveram uma linguagem sofisticada, recheada de termos que caíram no gosto dos acadêmicos, mas se tornaram um obstáculo ao entendimento da doutrina inclusive entre os próprios intelectuais.

Emmanuel Levinas
Emmanuel Levinas(1906-1995) Bastante influenciado pela fenomenologia de Edmund Husserl, de quem foi tradutor, assim como pelas obras de Martin Heidegger, Franz Rosenzweig e Monsieur Chouchani, o pensamento de Levinas parte da ideia de que a Ética, e não a Ontologia, é a Filosofia primeira. É no face-a-face humano que se irrompe todo sentido. Diante do rosto do Outro, o sujeito se descobre responsável e lhe vem à ideia o Infinito.

Sartre
Jean-Paul Sartre (1905-1980) segue estritamente o pensamento de Husserl na análise da consciência em seus primeiros trabalhos, “A Imaginação” (1936) e “O Imaginário: Psicologia fenomenológica da imaginação” (1940), nos quais faz a distinção entre a consciência perceptual e a consciência imaginativa aplicando o conceito de intencionalidade de Husserl.

No seu “A Filosofia do Existencialismo”, de 1965, Sartre declara que "a subjetividade deve ser o ponto de partida" do pensamento existencialista, o que mostra que o existencialista é primeiramente um fenomenólogo. A negação de valores e o convite ao anarquismo implícitos na doutrina atraíram os pensadores de Esquerda e afastaram os conservadores de Direita.

A Fenomenologia e Outras Filosofias
O Empirismo
Galileu (1564-1642), é apontado como um dos fundadores do Empirismo pelo fato de aplicar aos objetos de estudo a experimentação, algo que possui seu limiar na atitude de Galileu em apontar sua luneta para o espaço, descobrindo posteriormente a não-existência das esferas celestes, tal qual determinavam as premissas de Aristóteles. Desta forma, Galileu lançou sua teoria com carência de provas (embora sua teoria fosse consistente e embasada no seu experimento) passando posteriormente por sessões da Inquisição Católica a fim de dirimir as dúvidas em relação ao sistema Aristotélico.

A nova atitude naturalista de Galileu de dúvida e observação, inspirou Francis Bacon (1561-1626) a criar tábuas para o controle da experimentação e o estabelecimento de leis científicas, o que levou rapidamente o homem a novos conhecimentos no campo da astronomia, da química e da física. A mesma atitude de observação e interpretação natural levada ao estudo da mente e do conhecimento, deu origem à Corrente Empirista, que haveria de afetar profundamente a filosofia e criar o Positivismo, ou seja, o tratamento científico de todos os fatos e fenômenos, inclusive em Política.

John Locke
O filósofo empirista procurou no seu Essay Concerning Human Understanding (1690) demonstrar que todas as ideias são registros de impressões sensíveis (ou são derivadas de combinações, de associações entre essas ideias de origem sensível), e criticou o pensamento de Descartes (1596-1650) de que existiriam algumas ideias que seriam inatas — que o homem teria no espírito ao nascer -, como, por exemplo, a ideia de perfeição. Segundo John Locke, alguma coisa é enviada pelos objetos e é captada por nossos sentidos e dão causa à formação das ideias. Este pensamento é a base da teoria corpuscular da luz.

David Hume
Ainda mais contundente que seu predecessor, Locke, Hume negou o valor do raciocínio indutivo e denunciou que a relação de causa e efeito não é suficiente como conhecimento, pois nada encontramos entre causa e efeito senão que um acidente costumeiramente se segue a outro. Estamos habituados a chamar o primeiro acidente de causa apenas porque ele sempre acontece antes do segundo que chamamos de efeito. Ou seja, um efeito não remonta necessariamente a sempre uma mesma causa. "O Sol nasce todos os dias", logo "O Sol nascerá amanhã". Segundo Hume, nada nos garante que NECESSARIAMENTE o sol nascerá amanhã. Entretanto, através do hábito, tomamos uma crença (belief) de que isso acontecerá.

Psicologismo e Historicismo
À influência da psicologia associativa de Locke sobre a filosofia (ou teoria) do conhecimento se chamou Psicologismo. É a teoria de que os problemas da epistemologia (a validade do conhecimento humano) e inclusive a questão da consciência, podem ser solucionados por meio do estudo científico dos processos psicológicos. A Psicologia deve ser tomada como base para a Lógica. Os psicologistas entendiam a lógica — domínio da filosofia — como ciência. Seria apenas uma disciplina definidora, normativa, dos atos psíquicos, dos modos associativos do pensamento, e suas matérias apenas regras para pensar bem, e não fonte de verdade. A filosofia ficou fora de moda, "reduzida" a uma psicologia científica vinculada ao Positivismo.

O historicismo representava a mesma tendência empirista para uma interpretação científica da História. Os fatos históricos somente poderiam ser compreendidos e julgados se confrontados com a cultura estética, religiosa, intelectual e moral do período histórico em que aconteciam, e não em relação a valores morais permanentes.

Idealismo
A Fenomenologia de Husserl é uma forma de idealismo, porque lida com objetos ideais, com as ideias das coisas em sua essência, tal como os idealistas Platão, Hegel[2] e outros. Desde os ensinamentos de Platão a filosofia nos diz que, por influência dos sentidos (a construção das ideias que o homem tem em sua mente se faz por informação dos sentidos, como dito por Locke) existem várias imagens possíveis de um objeto, porém todas elas significando a mesma coisa, ou seja, todas elas redutíveis ao mesmo significado, todas referindo-se ao mesmo objeto ideal, contendo a mesma ideia, constituídas da mesma essência. Todas as imagens de mesa (o exemplo mais frequente nos textos) têm uns certos componentes que fazem com que cada uma das imagens signifique "mesa", uma mesa maior, menor, alta ou baixa, vista de cima ou de baixo, por uma pessoa míope ou por outra daltônica, não importa, terá sempre aqueles componentes básicos que garantirão àquele objeto o significado de mesa.

Platão
Para Platão (428-347 AC), essa essência de cada coisa, o que se chamou "universais", estava no Mundo das Ideias que as almas humanas podiam vislumbrar antes da encarnação. Aristóteles (384-322 AC) reconheceu de pronto a importância desse pensamento, porém trouxe a essência das coisas para o mundo real, para as coisas mesmas. Em uma mesa, por exemplo, havia algo que era sua essência, e que, não importando quantas e quais fossem as variações acidentais, fazia que fosse uma mesa e não outra coisa qualquer. Husserl, por sua vez, retira do objeto a sua essência e a coloca na mente do homem. O objeto ideal mesa, o fenômeno da representação da mesa na mente, independe de que haja qualquer mesa no mundo externo, no mundo real, porque a essência de "mesa" está na própria mente.

Immanuel Kant
A afinidade entre Husserl e Kant está em ambos buscarem a condição de verdade do conhecimento. Husserl sustenta que a verdade está no conhecimento das essências, e Kant, que ela existe limitada às categorias do que é possível conhecer.

Segundo a filosofia do conhecimento (Crítica) de Immanuel Kant (1724-1804), nós não podemos conhecer as coisas inteiramente, porque nem todos os sinais que recebemos das coisas são aceitos pela mente, e disto resulta que não podemos conhecer inteiramente o real. Conhecemos do real apenas aquilo que a mente pode assimilar, e que ele chamou fenômeno; ao que permanece incognoscível para nós ele chamou o noumeno. Então Kant tomou a série de conceitos que Aristóteles havia listado como o que podemos dizer das coisas, e transformou-a em uma série de categorias que são o que podemos conhecer das coisas. Para Kant o dado empírico tem validade, porém nunca validade absoluta ou apodítica. Husserl igualmente duvida do conhecimento científico dos fatos e, para ele, o que deve ser procurado é o conhecimento científico das essências.

Fenomenologia e Psicologia
Foi de grande importância e de grande impacto o pensamento fenomenológico na psicologia, na qual Franz Brentano e o alemão Carl Stumpf haviam preparado o terreno, e na qual o psicólogo americano William James, a escola de Würzburg, e os psicólogos da Gestalt haviam trabalhado ao longo de linhas paralelas. Este método, e as adaptações desse método, tem sido usados para estudar diferentes emoções, patologias, coisas tais quais separação, solidão, solidariedade, as experiências artística e religiosa, o silêncio e a fala, percepção e o comportamento, e assim por diante.

Karl Jaspers
Mas a Fenomenologia deu provavelmente sua maior contribuição no campo da psiquiatria, no qual o alemão Karl Jaspers (1883-1969), um destacado existencialista contemporâneo, ressaltou a importância da investigação fenomenológica da experiência subjetiva de um paciente.

O paciente psicológico é paciente em vista do objeto ideal que em sua mente corresponde à realidade, não importa qual a situação externa, e porque essa construção ideal difere do padrão comum dos objetos ideais na mente das demais pessoas com respeito aos mesmos estímulos dos sentidos. O psicólogo precisa encontrar o significado nos objetos do mundo ideal do seu paciente, a fim de poder lidar com sua situação psicológica.

Jaspers foi seguido pelo suíço Ludwig Binswanger (1881-1966) e vários outros, inclusive Ronald David Laing (1927-1989) na Inglaterra, na psiquiatria existencial da linha filosófica ateia de Sartre; e, pioneiramente, Halley Bessa (1915-1994), no Brasil, ambos da linha do existencialismo cristão de Gabriel Marcel (1889-1973).

Viktor Frankl
A logoterapia de Viktor Frankl possui a fenomenologia como metodologia de sua psicoterapia. Frankl encontrou no estudo dos fenômenos a motivação básica do existir humano o sentido de vida, ou seja, encontrou na análise da existência humana a essência do existir como a profunda e inerente tendência para o sentido. O autor da corrente fenomenológica que mais influenciou Frankl foi, sem dúvida, Max Scheler.[3]

Críticas à Fenomenologia
Na psicologia, a objeção que se levanta é contra a possibilidade de se viver com o paciente sua própria visão do mundo, de sua situação e de si mesmo. Como a subjetividade deve estar também no psicólogo, é impossível ter o terapeuta uma intuição desses aspectos que seja inteiramente livre do seu próprio eu, do seu próprio pensar, de modo a evitar introduzirem-se em sua análise certas impressões pessoais que precisaria evitar.

A Fenomenologia diz que o terapeuta deve buscar compreender com a sua subjetividade a subjetividade alheia. Na verdade, necessita um grupo de psicólogos consultores de modo que as suas visões possam se somar para uma compreensão mais profunda de um fenômeno, "intersubjetividade". Porém deve lembrar-se de que, a rigor, ele não tem nenhum padrão absolutamente confiável para aprovar ou reprovar qualquer comportamento alheio, apesar de se encontrar confortável com a estatística da normalidade das atitudes e dos costumes.

Na Política e no Direito, o modo de se lidar com a subjetividade é a Democracia, em que o problema da subjetividade é contornado por meio do consenso, pela coincidência estatística de opiniões, pelo voto de um conselho ou da população, de modo que, por assim dizer, a subjetividade de um único indivíduo, ou de uma minoria de intelectuais, não venha a prevalecer...

Lista de Pensadores e Referencias:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fenomenologia