terça-feira, 21 de outubro de 2025

"Da dança das estrelas ao primeiro suspiro da vida, a Terra floresceu em silêncio, moldando a beleza através do tempo..."

Om shanti, buscadores!
"No ventre sagrado do cosmos, a Terra sonhou em luz —
 e desse sonho, a vida se ergueu, guiada por estrelas, 
rumo ao milagre do existir."

por Reiki Radiance
Vangelis: Beautiful Planet Earth
 *
"Da dança das estrelas ao primeiro suspiro da vida, 
a Terra floresceu em silêncio,
 moldando a beleza através do tempo..."

Shalom!

Em tempos em que se grita por justiça com punhos cerrados e se promete paz com pólvora nas mãos, o tempo atual nos convida a um silêncio mais difícil: o da escuta, da empatia, da coragem de não reagir com violência. "A Paz que Não Sangra" não é apenas um grito contra a guerra — é, sobretudo, um lamento pelos que nela sangram sem escolha, sem voz, sem farda.

A prosa poética que se segue não se limita a denunciar a contradição de “lutar pela paz” — ela expõe, com ternura e indignação, a verdade mais dolorosa dos conflitos: quem sofre não são os que decidem a guerra, mas os que a atravessam. São os inocentes — crianças, mães, velhos, civis — que pagam o preço das ambições alheias. São eles que enterram seus mortos, que abandonam suas casas, que sobrevivem às ruínas carregando feridas que não cabem em tratados de paz.

A Paz que Não Sangra


Dizem que é preciso lutar pela paz.

Dizem com a voz firme, a mão cerrada, o fuzil em riste.

Marcham ao som de tambores —

e enquanto falam de silêncio, tudo arde ao redor.


No horizonte em chamas,

erguem bandeiras brancas sobre os escombros do mundo.


Mas como pode nascer a paz no ventre da pólvora?

Como floresce a concórdia em solo regado a medo?

A paz verdadeira não grita, não impõe, não ameaça.

Não precisa de botas, nem tanques,

nem tratados assinados entre tremores.


A paz — a real, a rara — é semente.

Germina nos olhos que escutam,

desperta no gesto que acolhe.

Não se ordena — se cultiva.


Lutar pela paz

é cravar espinhos na terra

e esperar por rosas.

É apagar incêndios com mais fogo.

É ensinar o silêncio com estampidos.


E ainda assim, repetem:

"É preciso guerra — é por um bem maior."

Mas o bem maior não nasce do medo,

não floresce em campos minados,

nem cresce sob vigílias armadas.


O tempo presente, este agora cansado de gritos,

pede outra coragem —

não a de apertar gatilhos,

mas a de estender mãos.


A coragem de calar os canhões,

de ouvir antes de ordenar,

de ceder sem se curvar,

de proteger sem dominar.


Pois onde há vencidos, não há paz.

A paz não é um troféu.

É um acordo de humanidade.

É quando ninguém precisa fugir,

nem fingir,

nem resistir para existir.


Se é preciso lutar, que seja contra o ódio.

Se é preciso marchar, que seja em direção à justiça.

E se é preciso vencer, que seja o medo que se renda.


Só assim, talvez, deixemos os armistícios —

e comecemos, enfim, a habitar a paz.

Não a que silencia, mas a que cura.

Não a que se assina, mas a que se sente.

A paz que não sangra.