Trabalho filantrópico para o bem comum: SOMOS UM TODO CHAMADO AMOR. “Seja um estudante, não um seguidor… debata, pondere e considere de todos os ângulos.” (Jim Rohn). Aqui, toda leitura que gera consciência pode se tornar semente, e, quando compartilhada, amplia o bem. Este espaço não busca números, mas alcance de consciência. Se fizer sentido para você, compartilhe.
terça-feira, 21 de outubro de 2025
"Da dança das estrelas ao primeiro suspiro da vida, a Terra floresceu em silêncio, moldando a beleza através do tempo..."
Om shanti, buscadores!
Shalom!
Em tempos em que se grita por justiça com punhos cerrados e se promete paz com pólvora nas mãos, o tempo atual nos convida a um silêncio mais difícil: o da escuta, da empatia, da coragem de não reagir com violência. "A Paz que Não Sangra" não é apenas um grito contra a guerra — é, sobretudo, um lamento pelos que nela sangram sem escolha, sem voz, sem farda.
A prosa poética que se segue não se limita a denunciar a contradição de “lutar pela paz” — ela expõe, com ternura e indignação, a verdade mais dolorosa dos conflitos: quem sofre não são os que decidem a guerra, mas os que a atravessam. São os inocentes — crianças, mães, velhos, civis — que pagam o preço das ambições alheias. São eles que enterram seus mortos, que abandonam suas casas, que sobrevivem às ruínas carregando feridas que não cabem em tratados de paz.
Dizem que é preciso lutar pela paz.
Dizem com a voz firme, a mão cerrada, o fuzil em riste.
Marcham ao som de tambores —
e enquanto falam de silêncio, tudo arde ao redor.
No horizonte em chamas,
erguem bandeiras brancas sobre os escombros do mundo.
Mas como pode nascer a paz no ventre da pólvora?
Como floresce a concórdia em solo regado a medo?
A paz verdadeira não grita, não impõe, não ameaça.
Não precisa de botas, nem tanques,
nem tratados assinados entre tremores.
A paz — a real, a rara — é semente.
Germina nos olhos que escutam,
desperta no gesto que acolhe.
Não se ordena — se cultiva.
Lutar pela paz
é cravar espinhos na terra
e esperar por rosas.
É apagar incêndios com mais fogo.
É ensinar o silêncio com estampidos.
E ainda assim, repetem:
"É preciso guerra — é por um bem maior."
Mas o bem maior não nasce do medo,
não floresce em campos minados,
nem cresce sob vigílias armadas.
O tempo presente, este agora cansado de gritos,
pede outra coragem —
não a de apertar gatilhos,
mas a de estender mãos.
A coragem de calar os canhões,
de ouvir antes de ordenar,
de ceder sem se curvar,
de proteger sem dominar.
Pois onde há vencidos, não há paz.
A paz não é um troféu.
É um acordo de humanidade.
É quando ninguém precisa fugir,
nem fingir,
nem resistir para existir.
Se é preciso lutar, que seja contra o ódio.
Se é preciso marchar, que seja em direção à justiça.
E se é preciso vencer, que seja o medo que se renda.
Só assim, talvez, deixemos os armistícios —
e comecemos, enfim, a habitar a paz.
Não a que silencia, mas a que cura.
Não a que se assina, mas a que se sente.
A paz que não sangra.

