terça-feira, 9 de setembro de 2025

Shalom!
 
"No Amor fomos gerados.
 No Amor nascemos."


Antes que houvesse forma, nome ou tempo, havia o Amor — 

não como emoção passageira, mas como princípio vivo,

 presença silenciosa, origem sem origem.


Dele viemos, não como estrangeiros criados à parte,

 mas como centelhas acesas na mesma chama.

O Amor não nos foi dado — ele é o que somos,

 desde antes do sopro, desde antes do ventre, 

desde antes do verbo.


Fomos gerados no Amor:

no mistério que não precisa ser entendido, mas acolhido.

No silêncio onde o Todo se contempla.


E nascemos no Amor:

não só do ventre de uma mãe,

mas do seio do Invisível —

como rios que nascem da fonte e jamais deixam de lhe pertencer, 

mesmo ao desaguar no mar.


A dor que sentimos na vida não é sinal de ausência, 

mas de esquecimento.

A busca que carregamos não é por algo novo, 

mas por algo antigo: o eco do lar que habita dentro.


Retornar ao Amor, então, não é ir a algum lugar,

mas desvelar aquilo que nunca deixou de ser.

"O que você procura, é o que você é."

Salam, buscadores!
Que o silêncio dentro de ti continue sendo tua chave.

O COLAR INVISÍVEL
(Inspirado no Sufismo)


No centro do teu peito arde um fogo —

não de madeira, nem de vento,

mas tecido em silêncio e estrelas.


Antes de nasceres, ele já dançava.

Antes que o tempo tivesse nome,

ele murmurava o teu.


Ali, no altar onde o finito toca o eterno,

a alma se inclina

e a luz escuta o silêncio.


Por que temer a sombra,

se a noite é apenas luz em repouso?

Por que fugir da dor,

se é ela quem abre as janelas do coração?


O luto não é fim —

é semente rasgando a terra.

A ausência se enche de gestos secretos

que só o amor sabe ler.


O que hoje se parte,

amanhã renasce com asas.


Não te esqueças:

as lágrimas são orações líquidas.

O vazio — o ventre do milagre.


Oh, viajante de ti mesmo,

não mendigues entre os galhos

o que floresce na raiz.


Dentro de ti

dormem todas as respostas.

Não rastejes —

tua alma foi feita para espirais,

como galáxias, sementes e danças.


Parte o espelho da aparência.

Deixa o ego escorrer como areia.

Ama — não como quem possui,

mas como quem é possuído

pela presença sem nome.


Entrega é retorno.

Morte do “eu”,

nascimento do Tudo.

O que se dissolve no Amor

não some —

transfigura-se no Todo.


Há um colar invisível no teu peito,

cada conta feita de silêncio vivido.

E só o silêncio sabe onde está a chave.


Tu não és a gota,

nem o mar —

és o sopro entre os dois.


E quando cessa a busca,

a beleza que esperavas no mundo

sorri de dentro.


Livres do peso que curva o corpo,

não somos prisioneiros do tempo,

nem do espaço,

nem da terra que pisamos.


"No Amor fomos gerados.

No Amor nascemos."


A alma não quer teorias —

quer chão, quer dança, quer riso.

A vida não veio para ser entendida,

mas sentida,

como um floco que se rende ao sol,

como um verso que se deixa escrever

pela caneta da eternidade.