sexta-feira, 16 de julho de 2021

Namastê buscadores!

Uma reflexão sobre ensinar

 e aprender rápido,

 por Rubem Alves

Revista Ecos da Paz

Por mais que hajam escolas com um método pedagógico mais humanista, mais focado na cidadania, a grande massa das escolas públicas e privadas não são assim.

Alunos e professores estão presos à um cronograma, cujo resultado é formar mão-de-obra. Aprender muitos temas num determinado tempo sem levar muito em conta a particularidade de cada um.

No texto a seguir, Rubem Alves questiona as normas rígidas dos sistemas educacionais, a competitividade e propõe que haja mais experimentação, apreciação sobre o que é ensinado nas escolas.

E toma como exemplo os moluscos, que mesmo devagar, eles sempre chegam onde querem.

A Pedagogia dos Caracóis

Os caracóis são moluscos lerdos. Andam muito, muito devagar. Ninguém tomaria os caracóis como exemplo. Embora suas conchas sejam belas e construídas com precisão matemática, o que chama a atenção de quem os observa é sua pachorra.

Caracóis não têm pressa. Falta-lhes dinamismo, virtude essencial àqueles que vivem no mundo moderno. Quem anda devagar fica para trás.

Quem imaginaria que um educador, ao observar um caracol, tivesse uma inspiração pedagógica? Pois foi o que encontrei numa revista italiana que se dedica a pensar os rumos da escola, CEM Mondialità.

A fotografia que ilustra o referido artigo é a de um menino, rosto apoiado na carteira, a observar tranquilamente um caracol que se arrasta sobre a tampa da mesa. E o título do artigo é “A pedagogia do caracol”. Caracol tem pedagogia a ensinar?

O autor conta o sucedido com uma menininha que, ao voltar para casa, se queixou à mãe: “Mamãe, os professores dizem: ‘É preciso andar rápido, nada de vagareza, para frente, para frente! ’Mamãe, onde é a frente?”

E aí ele passa a falar sobre a virtude pedagógica da vagareza. Pode ser que “chegar na frente” não seja tão importante assim! Quem sabe o “estar indo” é mais educativo que o chegar? No “estar indo” aprende-se um jeito de ser.

Nietzsche se ria dos turistas que subiam as montanhas como animais... Não haviam aprendido que há vistas maravilhosas no caminho que sobe.

Riobaldo, do Grande sertão: veredas, concordaria e acrescentaria: “O real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia”.

O adágio da Sonata ao luar, de Beethoven, tocado em presto seria um horror. As notas seriam as mesmas. Mas a beleza não se encontra no presto – ela está é na vagareza do adágio.

O autor do artigo aconselha os professores a estar com seus alunos no ritmo do adágio. Sem pressa. A lentidão é uma virtude a ser aprendida num mundo em que a vida é obrigada a correr ao ritmo das máquinas.

Gastar tempo conversando com os alunos. Saber sobre sua vida, seus sonhos. Que importa que o programa fique atrasado? A vida é vagarosa. Os processos vitais são vagarosos.

Quando a vida se apressa, é porque algo não vai bem. Adrenalina no sangue, o coração disparado em fibrilação, diarreia.

Observar as nuvens. Conversar sobre suas formas. A observação das nuvens faz os pensamentos ficarem tranquilos. As notícias dos jornais são escritas depressa. Por isso têm curta duração. Mas a poesia se escreve devagar. Por isso ela não envelhece.

É sempre nova (...). 

A técnica da leitura dinâmica é ir direto às ideias centrais, desprezando o resto (...).

Mas não é a isso que os jovens são obrigados quando, ao se preparar para o vestibular, se põem a ler “resumos” de obras literárias? O resumo de uma obra literária é o resultado escrito da leitura dinâmica. É preciso ler tendo a lesma como modelo. Devagar.

Por causa do prazer. O prazer anda devagar. Você leu este texto dinamicamente ou lesmicamente?

 Para Pensar: 

Leitura do texto na íntegra, por gentileza acessar:

Fonte: https://www.revistaecosdapaz.com

Rubem Alves, crônica “A Pedagogia dos Caracóis”, do livro homônimo,

 Editora Versus, São Paulo, 2011

terça-feira, 13 de julho de 2021

Namastê buscadores! 

"O esplendor da rosa e a brancura do lírio não roubam
da pequena violeta o seu perfume, 
nem da margarida o seu encanto simples.
Se cada pequena flor quisesse ser uma rosa, 
a primavera perderia sua beleza."
(Santa Teresinha)
Secret Garden - Official
Secret Garden - Sleepsong 


terça-feira, 6 de julho de 2021

Om, shanti. 

Quem foi Huineng?

Huineng (638–713), foi um monge budista zen da China, uma das figuras mais importantes em toda a tradição Zen. Ele é conhecido como o Sexto Patriarca desta escola. Seguiu uma linha de abordagem direta do budismo e da iluminação, sendo considerado o fundador da técnica de iluminação súbita ou satori.


Biografia

A maioria dos estudiosos atuais duvida da veracidade das biografias tradicionais de Huineng. As duas fontes primárias para a vida de Huineng são o prefácio do Sutra da Plataforma (que teria sido escrito por um discípulo de Huineng chamado Fahai, narrando a biografia e os ensinamentos de Huineng, embora o texto dê mostras de ter sido escrito durante um longo tempo, apresentando várias camadas de escrita) e a Transmissão da Lâmpada.

Huineng nasceu da família Lu, na cidade de Xinzhou (hoje, condado de Xinxing), na província de Guangdong. Sua família era pobre e seu pai morreu quando ele ainda era jovem, e ele não aprendeu a ler ou escrever. Certo dia, quando carregava lenha para o fogo doméstico, ouviu um dos convidados da casa recitar o Sutra do Diamante, e sentiu um despertar. Imediatamente, decidiu seguir o caminho de Buda. O convidado lhe deu algum dinheiro e Huineng partiu.

Depois de viajar por trinta dias a pé, chegou à montanha Huang Mei, onde morava o Quinto Patriarca, Hongren. Segundo conta o Sutra da Plataforma,

"Então fui prestar homenagem ao Patriarca, que me perguntou de onde eu vinha e o que esperava dele. Respondi: 'Sou um camponês de Hsin Chou de Kwangtung. Viajei muito para vos prestar homenagem e não peço nada senão o Budado'. 'És um natural de Kwangtung, um bárbaro? Como esperas te tornar um Buda?', disse o Patriarca. Respondi: 'Embora haja homens do norte e do sul, o norte e o sul não fazem diferença para a sua natureza de Buda'. Um bárbaro fisicamente difere de Vossa Santidade, mas não há diferença em nossa natureza de Buda' ".

Hongren imediatamente o colocou a trabalhar na cozinha, onde permaneceu por oito meses. Um dia, Hongren anunciou: "O problema dos nascimentos incessantes é momentoso. Dia após dia, em vez de tentarem vos libertar deste triste mar do Samsara, parece que só vos preocupais com méritos impuros (os que causam o renascer). Mas méritos não serão de ajuda se vossa Essência Mental for obscura. Procurem Prajna (sabedoria) em vossas próprias mentes e então escrevam um gatha (verso) a respeito. Aquele cujo verso provar que entendeu a Essência da Mente receberá o manto e a tigela (os símbolos do Patriarcado), e o farei o Sexto Patriarca. Vão depressa e não tardem em escrever o verso, uma vez que a deliberação é desnecessária e inútil. Quem percebeu a Essência da Mente pode falar a respeito sem preparo, e não a perde de vista nem mesmo no meio de uma batalha."

Contudo, os discípulos acharam que não cabia escreverem nada, pois com certeza seu instrutor, o venerável Shenxiu, se tornaria o novo Patriarca. Assim, apenas Shenxiu escreveu um gatha, pressionado pela expectativa de seus irmãos menos instruídos. Mas ele não estava seguro sobre sua compreensão da Essência da Mente, e decidiu, por fim, escrever, durante a noite, um verso anônimo na parede do mosteiro, e declarar sua autoria apenas se Hongren aprovasse o gatha:

"O Corpo é a árvore de Bodhi,

mente é um espelho brilhante.

Com cuidado a limpamos continuamente,

sem deixar que o pó acumule".

Quando os outros discípulos viram este gatha na parede, ficaram excitados. Quando Hongren o viu, disse; "Pratiquem de acordo com este gatha e não cairão nos reinos do mal, recebendo grandes benefícios. Acendam incenso e prestem homenagem a este gatha, recitem-no e verão vossa natureza essencial". Todos os monges louvaram e memorizaram o gatha. Contudo, em privado, Hongren disse a Shenxiu: "Chegaste ao portão, mas ainda não entraste. Neste estágio de conhecimento, não tens a menor ideia do que seja a suprema mente de Bodhi, mas, ao ouvir minhas palavras, reconhecerás, de imediato, tua mente original, a natureza essencial, que é não nascida e imperecível. Vê-a claramente em todos os pensamentos, com a mente livre de obstáculos. Na Realidade Única, tudo é real, e os fenômenos são simplesmente o que são".

Então Hongren pediu que Shenxiu compusesse outro gatha que demonstrasse seu entendimento, mas ele não conseguiu formular nenhum verso. Mais tarde, ao ouvir um dos monges recitar o gatha de Shenxiu, Huineng percebeu que ele carecia de verdadeiro entendimento. Indo até um oficial do mosteiro, como não sabia escrever, pediu-lhe que escrevesse para ele um verso seu. O oficial surpreendeu-se, pois Huineng era um analfabeto, mas dizia querer compor um poema. Mas Huineng replicou: "Se buscas a suprema iluminação, não desprezes ninguém. As classes mais baixas podem ter grandes luzes, e as mais altas podem cometer atos tolos." Imediatamente, o oficial prestou homenagem a Huineng e escreveu o gatha solicitado na parede, que dizia:

"Bodhi não é uma árvore

nem a mente um espelho brilhante

Já que tudo é vazio em essência

onde pode o pó acumular?"

Então Huineng voltou para suas atividades na cozinha. Mas este gatha criou uma excitação ainda maior, todos diziam: "É inacreditável! Não se pode julgar uma pessoa por sua aparência! Talvez ele logo se torne um Bodhisattva!". O tumulto atraiu Hongren que, chegando e lendo o verso, disse: "Tampouco este percebeu a natureza essencial", e apagou-o com sua sandália.

Certa noite, Hongren recebeu Huineng em sua cela, e lhe expôs o Sutra do Diamante. Quando chegou à passagem que dizia para "usar a mente e ao mesmo tempo estar livre de qualquer apego", Huineng experimentou a iluminação, percebendo que todos os Darmas são inseparáveis da essência dos seres, e exclamou: 

"É maravilhoso que a natureza essencial seja originalmente pura!

É maravilhoso que a natureza essencial seja não nascida e imortal!

É maravilhoso que a natureza essencial seja inerentemente completa!

É maravilhoso que a natureza essencial nem se mova nem seja imóvel! 

É maravilhoso que todos os Dharmas procedam desta natureza essencial!"

Hongren continuou: "Se alguém reconhece a mente original e a natureza original, é chamado de um grande homem, um mestre dos deuses e dos homens, e um Buda", e lhe transmitiu o manto e a tigela como sinal do Selo do Dharma da Iluminação Súbita, dizendo-lhe para deixar o mosteiro e seguir para o sul.

Durante os 15 anos seguintes, Huineng permaneceu no anonimato, não revelando a ninguém que era o Sexto Patriarca. Depois, decidiu começar a receber discípulos, e transmitiu o Darma a 43 sucessores, extinguindo-se, com ele, o título oficial de Patriarca Zen.

Controvérsia

De acordo com a historiografia atual, Huineng era uma figura histórica obscura. Muitos acadêmicos questionam sua hagiografia, e especulam que sua história pode ter sido forjada em meados do século VIII por Shenhui, um sucessor de Huineng, para ganhar influência na corte imperial. Shenhui alegava que Huineng era o sucessor de Hongren, e não Shenxiu, que era considerado o sucessor oficial de Hongren.

Foi através da propaganda de Shen-hui (684-758) que Huineng (morto em 710) se tornou a proeminente até hoje figura de sexto patriarca do budismo zen/ch'an, e aceito como o fundador ou ancestral de todas as linhagens ch'an subsequentes... usando a vida de Confúcio como um modelo para sua estrutura, Shen-hui inventou uma hagiografia para a então altamente obscura figura de Huineng. Ao mesmo tempo, Shen-hui forjou uma linhagem de patriarcas zen para trás até Buda, usando ideias do budismo indiano e do culto chinês aos antepassados.

Em 745, Shenhui foi convidado a residir no templo Heze, em Luoyang. Em 753, ele caiu em desgraça e teve de deixar a capital rumo ao exílio. O mais proeminente sucessor em sua linhagem foi Guifeng Zongmi. De acordo com Zongmi, a abordagem de Shenhui foi sancionada oficialmente em 796, quando "uma comissão imperial determinou que a linha sulista do ch'an representava a transmissão ortodoxa e estabeleceu Shen-hui como o sétimo patriarca, colocando uma inscrição para esse efeito no templo Shen-lung".

Mumificação

O corpo mumificado de Huineng foi mantido no templo Nanhua, em Shaoguan (no norte de Guangdong). O corpo de Huineng foi visto pelo jesuíta Matteo Ricci, que visitou o templo em 1589. Ricci contou, aos seus leitores europeus, a história de Huineng (em uma versão um pouco alterada), descrevendo-o como uma espécie de asceta cristão. Ricci o chama de Liùzǔ ("o sexto patriarca").

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Referências:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Huineng

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Namastê buscadores!
"Cortella, costumava dizer aos filhos quando crianças: 
– Quando completarem 12 anos contarei o segredo da vida a vocês.
Quando o mais velho completou 12 anos, acordou
 o pai todo ansioso para saber o segredo da vida. 
O pai disse:
- Contarei, mas, você não poderá revelar aos seus irmãos.
Eis o segredo: 
– Vaca não dá leite.
- Hã?
– Vaca não dá leite. Você tem de tirar. Você precisa acordar 4 horas da manhã, ir ao pasto, entrar no curral cheio de fezes, amarrar rabo e pernas da vaca, sentar no banquinho e fazer o movimento certo! Esse é o segredo da vida. Vaca, búfala, cabra, não dão leite. Ou você tira ou não tem leite.
Existe uma geração que acha que vaca dá leite, ela acha que as coisas são automáticas.
Eu quero, eu peço, eu ganho.
A felicidade resulta do esforço. 
A ausência de esforço gera frustração.”
(Mário Sérgio Cortella)
Filósofo, escritor, educador, palestrante e professor brasileiro.
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“A felicidade pode ser encontrada, 
mesmo nos tempos mais sombrios,
 se alguém apenas se lembrar de acender a luz.”
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Não faz bem viver sonhando e se esquecer 
de viver; lembre-se disso.”
(Alvo Dumbledore, Harry Potter e a Pedra Filosofal)
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Bons estudos!