O som do cravo ecoava pela sala,
como um chamado suave atravessando o tempo,
trazendo lembranças de um instante distante,
ainda vivo na essência do ser.
Na quietude da memória, despertava
a saudade da antiga casa...
não apenas paredes e portas,
mas um santuário de afetos guardados.
A fragrância do jasmim vinha do pequeno jardim,
como incenso natural da infância.
O ruído das crianças no enorme quintal
era música espontânea da alegria.
O tilintar das panelas em movimento
orquestrava aromas e sabores,
transformando gestos simples
em celebrações silenciosas.
Tudo transcendia no íntimo
como uma chama doce e constante,
acordando memórias coletivas,
laços tecidos antes mesmo da palavra.
Ah, o verdadeiro Amor...
força invisível que sustenta os ciclos.
Em meio às regras sociais evolutivas,
vamos aprendendo com nossos próprios passos:
erros que ensinam,
defeitos que revelam,
princípios que nos estruturam,
valores que nos orientam,
e potencialidades adormecidas
que despertam, pouco a pouco,
como sementes tocadas pela luz.
Assim prosseguimos,
redescobrindo capacidades esquecidas,
extirpando velhos hábitos e crenças nocivas,
superando provas e expiações
que a própria vida nos apresenta
como degraus de ascensão.
Somos, enfim, memórias pulsantes e indivisíveis,
lapidadas ao longo dos milênios,
contas raras de um único colar,
tecido com paciência infinita
pelas mãos do Divino.
