Se a tristeza rondar, alegre-se, e quando ficar alegre, contagie.
E quando recomeçar, acredite, você pode tudo.
Tudo é possível pelo amor,
e pela fé que você tem em Deus!"
Trabalho filantrópico para o bem comum: SOMOS UM TODO CHAMADO AMOR. “Seja um estudante, não um seguidor… debata, pondere e considere de todos os ângulos.” (Jim Rohn). Aqui, toda leitura que gera consciência pode se tornar semente, e, quando compartilhada, amplia o bem. Este espaço não busca números, mas alcance de consciência. Se fizer sentido para você, compartilhe.
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Jon Talber - jontalber@gmail.com
É Pedagogo, Antropólogo e autor especializado em Educação Integral e Consciencial.
O autor não possui Website, Blog ou Página pessoal em nenhuma Rede Social.
Alberto Filho - albfilho@gmail.com
É orientador em educação infantil e adulta, inclusive da terceira idade, com especialização em Educação Integral e Consciencial. É também ilustrador e escritor de contos infantis e adultos.
O autor não possui Website ou Blog pessoal.
Mais artigos dos autores em: https://www.mundosimples.com.br
Pontes de Amor
O Amor não nasce de escolha —
é chama primeira,
sopro invisível
que habita o centro do ser.
Mas o cuidado…
ah, o cuidado é decisão.
É gesto consciente,
é mão que se estende
quando o mundo vacila.
Vivemos dias densos,
em que os infortúnios se entrelaçam
como nuvens espessas no horizonte humano.
E cada coração é convocado
não ao medo,
mas à presença.
Resiliência é raiz profunda.
Boa vontade é semente viva.
E o Amor —
o Amor é ação em movimento, crescente,
é verbo que caminha,
é luz que não se recolhe.
Ele é a matéria-prima invisível
das pontes que o Alto inspira
e que as mãos humanas devem erguer.
Pontes sobre abismos de indiferença.
Pontes sobre rios de intolerância.
Pontes entre o “eu” e o “nós”.
Porque proteger uns aos outros
é recordar
que nunca estivemos separados.
E cada gesto de cuidado
é um tijolo silencioso
na construção de um mundo
que começa dentro.
Que sejamos, então,
construtores conscientes —
não apenas de palavras,
mas de caminhos.
Pois o Amor nos habita.
Mas o cuidado
nos revela.
Om, shanti.
′′Uma estudante perguntou uma vez à antropóloga Margaret Mead qual considerava o primeiro sinal de civilização em uma cultura. A estudante esperava que a antropóloga falasse de anzóis, bacias de barro ou pedras para amolar, mas não. Mead disse que o primeiro sinal de civilização numa cultura antiga é a prova de uma pessoa com um fêmur quebrado e curado.
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A Arte de Cuidar de Alguém
O Caminho da Felicidade
Requer Renúncia e Discernimento
por Carlos Cardoso Aveline
A vida merece atenção e cuidado
A vida é feita de paradoxos. Para trilhar o caminho da bem-aventurança, o primeiro passo é querer o bem de todos os seres. O passo seguinte consiste em trabalhar de modo prático, durante muito tempo, para que os outros sejam felizes. O auto-esquecimento abrirá as portas do bem-estar durável.
A substância da vida é feita de solidariedade. Cada criança é resultado da interação amorosa dos seus pais. Alguém cuida do indivíduo humano quando ele nasce, e alguém cuida dele quando morre.
Logo no início da vida, o ser humano começa a aprender a arte de cuidar de si mesmo. Esta arte tem limitações, porque mesmo na fase mais “independente” da sua vida haverá sempre alguém cuidando da pessoa. Seus amigos, os colegas, o chefe no trabalho, os professores, pais, dentistas, médicos, motoristas de táxi, filhos e irmãos ou mesmo netos, todos cuidam de algum modo de cada ser humano. A sociedade inteira protege e ajuda o cidadão individual, dando-lhe ruas calçadas para caminhar e outros tantos benefícios da vida em comunidade.
O fato de ser objeto de cuidados é agradável, mas cuidar dos outros é melhor ainda. O caminho da paz requer que pensemos no bem-estar interior daqueles a quem queremos bem, e devemos querer o bem de todos os seres. A atitude altruísta é benéfica para nós próprios. Aquilo que fazemos aos outros é o que retornará, cedo ou tarde, para nós.
Cuidar Requer Lucidez e Desapego
Embora trabalhar para o benefício dos outros seja a fonte do verdadeiro bem-estar, isso não significa que a tarefa seja fácil. Cuidar de modo eficiente é uma arte, e também um mistério que implica boa dose de auto-sacrifício.
Coragem, renúncia, desapego e discernimento são necessários para cuidar dos outros seres como devem ser cuidados. Ajudar não é fazer sempre o que a pessoa deseja. Atender a todas as vontades daqueles com quem nos relacionamos é um caminho seguro para a infelicidade. Firmeza e um determinado rigor nas relações interpessoais são fatores úteis. Saber ceder é tão importante quanto saber dizer não. O uso do discernimento permitirá tomar a decisão correta a cada instante. Os erros trarão as lições que devemos aprender. A meta é não cuidar das pessoas buscando o caminho mais cômodo, mas fazendo aquilo que estimulará seu crescimento e seu sentido de responsabilidade.
Seja adulto ou criança, o ser humano precisa saber que há limites. A ausência da aceitação de obstáculos é uma fonte de dor e violência psicológicas. A moderação deve ser cultivada. Embora os limites possam ser transcendidos através do amor e da compreensão, eles não devem ser necessariamente eliminados. A diferença entre transcender e eliminar é fundamental: a transcendência não é destruição, e a destruição não é transcendência.
O estabelecimento de limites nas relações solidárias faz com que o fortalecimento da vontade individual ocorra sobre canais adequados. A administração correta do desejo é uma ciência em si. Uma vontade forte, usada sem discernimento, cria uma quantidade apreciável de dor. A mesma vontade, usada com eficiência em função de uma meta correta, tem diversos efeitos positivos. Ela transcende o impulso cego, produz uma compreensão ampla e lúcida da vida, e faz com que surja a felicidade incondicional.
Cada um deve aprender a administrar corretamente a sua vontade, dotando-a de força solidária e discernimento. Esta meta pode ser ensinada a crianças e adultos, e o indivíduo deve buscá-la por esforço próprio. Os limites nos relacionamentos são linhas de respeito mútuo. Eles sustentam e protegem as relações solidárias, e devem ser estabelecidos mutuamente. É correto aceitar os limites que os outros nos colocam, a menos que haja sérios motivos para fazer o contrário.
A arte de cuidar de alguém é inseparável do processo do autoconhecimento e da arte de cuidar de si mesmo. Cuidamos dos outros como cuidamos de nós. Descuidar dos outros é descuidar de si, e o egoísmo constitui sobretudo uma falta de atenção e vigilância diante da vida. Nosso eu emocional é nossa criança interna. Ele merece ser tratado com paz-ciência, estabilidade e respeito, porque a auto-estima emocional é indispensável no caminho do altruísmo. A generosidade começa no modo como vemos a nós próprios, e isso não significa indulgência ou falta de auto-crítica. Os erros devem ser olhados com rigor, mas desde o ponto de vista do nosso potencial sagrado.
Um Planeta Solidário
A importância das descobertas de Charles Darwin não deve ser exagerada. O apoio mútuo, e não a competição, constitui a lei da vida. Todos os seres progridem através da ajuda recíproca. Animais, e até vegetais, ajudam uns aos outros. É falsa a ideia de que a lei da selva é a lei da competição. Na verdade, reina a harmonia nas florestas. Já no mundo humano, o sábio ajuda o inexperiente, e o novato auxilia seu irmão mais velho. Cada família e cada nação é sustentada pelo amor de uns pelos outros e pela prática do respeito e da cooperação.
O planeta Terra inteiro é um círculo multidimensional de laços de afeto que se desdobram em diversos níveis de ação e percepção. Há dor e violência no planeta, seguramente. Mas isso se deve à presença provisória da ignorância, cujo final podemos acelerar em tudo aquilo que depende de nós.
Aquele que é apto para cuidar do outro sente prazer em não provocar dor, e sofre quando causa sofrimento para alguém. Todo ser consciente sabe que o outro é seu espelho. Só o desinformado bate no espelho e imagina que assim obterá alguma vitória.
Todos São Mestres, o Tempo Inteiro
Os relacionamentos humanos são todos recíprocos e se alimentam de padrões repetitivos estáveis, em torno dos quais surge a base instintiva sobre a qual a vida se desenvolve.
Em consequência disso, cuidar da vida é criar bons hábitos, primeiro para si mesmo, e em seguida na relação com os outros. Cuidar é também abandonar os hábitos nocivos, e entre estes ocupam lugar de destaque o desperdício de tempo e o desperdício de energia.
“Devemos fazer aquilo que é correto e, com o tempo a ação se tornará agradável”, ensina a tradição pitagórica.
Os hábitos criam o caráter, e o caráter é um fator importante na determinação do carma ou “destino” de alguém. A pessoa deve primeiro estabelecer metas claras, e em seguida criar padrões de comportamento que sejam coerentes com suas metas.
Lições não nos faltam. Elas estão por todo lado ao nosso redor: o desafio é prestar atenção a elas. Todos os seres educam uns aos outros ao interagir. Todos são professores, e devem ter um sentido de responsabilidade por aquilo que ensinam o tempo inteiro através de cada ação, cada palavra, sentimento e mesmo pensamento articulado em silêncio.
Cuidar ou educar seres de qualquer idade implica estimular a sua independência solidária. Ajudar é também ensinar a combater as causas, e não só os efeitos do sofrimento. Aquele que é auxiliado deve fazer por merecer, erguendo-se por força própria em tudo que as circunstâncias permitem.
Cuidar Inclui o Bom Combate
Assim como há conflitos na alma humana, há combates no mundo. O bom guerreiro é um cuidador e um protetor da vida e sabe agir com severidade. O policial civil e o policial militar protegem a população. A Polícia Rodoviária atua na defesa da vida. O soldado protege o povo.
Aquilo que ocorre fora é uma exteriorização do mundo interno. No organismo físico do ser humano, o sistema imunológico combate num estilo verdadeiramente policial-militar as infecções, intoxicações, agentes nocivos e todo tipo de perigo para a saúde.
No plano emocional e psicológico, quando alguém trata de disfarçar e suprimir conflitos, imaginando que são desnecessários, a situação fica em geral mais difícil. Os combates disfarçados se travam ocultamente e passam a ser desnecessariamente violentos. Esconder o conflito provoca traições e punhaladas emocionais que seriam desnecessárias se houvesse coragem, confiança mútua e bom senso suficientes para estabelecer uma transparência na relação.
A desarmonia disfarçada ou “suprimida” atua de modo mais perigoso no plano subconsciente, enquanto que o conflito honesto, tornado consciente, é colocado sobre a mesa e pode ser resolvido com mais facilidade, porque está sujeito a um exame lúcido e equilibrado. O conflito honesto preserva o respeito e permite a construção de uma paz durável. A transparência é fonte de paz em todas as esferas da vida.
O Cuidado Como Função da Alma
Para viver corretamente, não basta querer cuidar de si e cuidar dos outros. A eficácia de um indivíduo diante destes dois desafios práticos depende da sua capacidade de ouvir o inaudível. Ele deve ser capaz de escutar a voz sem palavras da sua própria alma imortal. Nela existe um reservatório ilimitado de energia, conhecimento e vocação de vitória.
A voz do silêncio transcende respeitosamente as variadas marés de pensamentos, sentimentos, ações e reações. Ela vê a unidade dinâmica da vida sem negar ou lamentar a diversidade e o contraste, a alegria e a dor. Ela ensina que a consciência interna do ser humano não nasce com o nascimento do seu corpo físico, e não morre quando o corpo é abandonado ao final de uma encarnação.
A consciência profunda atua como uma Testemunha Sagrada. Ela possui a substância da serenidade. Ela constitui a fonte de paz no interior de cada um.
Quando amplia a conexão com sua alma imortal, o indivíduo passa a enxergar a vida como uma rede ilimitada de reciprocidades em ação: nossa Terra é uma grande cooperativa de crescimento espiritual, e tudo o que ocorre nela leva à iluminação ou esclarecimento dos seus habitantes.
O bom Carma escreve certo por linhas tortas. A vida converte cada limão em limonada. Ao perceber que a transformação de ignorância em Sabedoria e de sofrimento em Felicidade é a Lei inevitável da evolução, diminuímos a taxa de desperdício da nossa energia vital. Então compreendemos as implicações do fato de que trabalhar para o bem dos outros é o modo mais eficaz de trabalhar para o nosso próprio bem. Qualquer indivíduo que sofre pode fazer a experiência prática e verificar por si mesmo este princípio básico da filosofia teosófica: é cuidando dos outros, com perseverança, que alguém cura do modo mais definitivo as suas próprias feridas. Ao pensar continuamente em seu próprio sofrimento, o desinformado usa mal a força do pensamento e torna a dor mais profunda sem necessidade.
A teosofia aponta para uma cura natural, de dentro para fora, a partir do contato individual e silencioso com a alma espiritual, a essência sagrada do nosso ser. A consciência desta alma é universal e por isso é abençoada. Ela ensina que os seres humanos devem cuidar de si próprios, e que também devem cuidar uns dos outros, do planeta Terra, e do futuro da humanidade como um todo.
Aquele que percebe estas verdades simples compreende que o egoísmo é uma ilusão. Os sonhos egocêntricos estão situados fora da realidade. O fato de os desinformados serem numerosos não os torna sábios, nem lhes dá bom senso ou eficácia. Ao contrário. Quando a ignorância materialista parece dominar, a sabedoria e o realismo da lei da causa e efeito se tornam ainda mais necessários.
São os poucos que fazem a diferença. É a filosofia do altruísmo auto-responsável, ensinada pela teosofia das diferentes religiões e tradições filosóficas, que nos permite estar em contato com a Realidade.
A visão solidária da vida vem sendo ensinada a todos os povos e nações pelos sábios de todos os tempos. A expansão dos horizontes liberta o indivíduo do pesadelo doloroso criado pelas formas erradas de busca da felicidade. A filosofia da solidariedade universal abre diante de cada ser humano o antigo caminho, morro acima, estreito e difícil, mas verdadeiro, que conduz à bênção interior e incondicional.
***
Para conhecer a teosofia original desde o ângulo da vivência direta,
leia o livro “Três Caminhos Para a Paz Interior”, de Carlos Cardoso Aveline.
Três_Caminhos_Auxiliar
Com 19 capítulos e 191 páginas, a obra foi publicada em 2002 pela Editora Teosófica de Brasília.
Fonte: www.CarlosCardosoAveline.com
“O teu nome é mais poderoso que o nome dos deuses, o teu nome escrito sobre o teu escudo, o nome do deus sentado no centro da tua barca. Oh! Barqueiro, detém teu remo, vira-te atrás e olha nos olhos daquele que vive no centro da tua barca!"
- "O Livro dos Cantos Potentes" -
Egípcio
Dicas para Pais e Educadores
Os Benefícios Cognitivos do Tradicional Jogo de Xadrez
Autor: Alberto Filho[1]
Neste artigo o autor faz uma análise detalhada e qualificada que discute os mais relevantes benefícios cognitivos obtidos a partir da prática regular do Jogo de Xadrez.
"O Cérebro é como um músculo; se usado Desenvolve e se fortalece, caso contrário, fica flácido, atrofia, calcifica..."
"Ver com clareza não significa apenas ter bons olhos,
mas ter olhos que queiram enxergar..."
"Um problema e mil alternativas como solução,
eis a peculiar visão de um jogador de xadrez...”
O Jogo de Xadrez e suas múltiplas facetas cognitivas:
Parece que um dos grandes problemas dos nossos tempos é a visão quase sempre parcial que temos das coisas à nossa volta. Isso normalmente ocorre porque valorizamos a especialização. Desde cedo somos condicionados a buscar na especialização uma resposta para todos os nossos problemas. Mas, ao contrário do se pensa, isso acaba por limitar de maneira dramática nossa visão do mundo, uma vez que passamos a ver tudo como fragmentos.
É como se olhássemos o mundo de uma janela e a parte visível representasse tudo que existe. Se emocionalmente, diante de cada situação reagimos de uma maneira bem peculiar, assim como nós, todas as outras pessoas têm seu próprio modo de reagir às mesmas situações. Pode-se constatar isso facilmente por meio da observação das nossas preferências, particularidades, medos, e assim por diante.
Um dos grandes desafios do educador deveria ser a formação de alunos dentro de uma filosofia integral. Por integral entendemos, enxergar o movimento da vida como uma coisa só, em permanente transformação, nunca estática, sempre dinâmica, não encarcerada pela fragmentação, como é a visão especialista. A vida como um todo retrata todas as faces do indivíduo, suas crenças, medos, conflitos, incertezas, angústias, e todo sofrimento ao qual ele está sujeito, sem, contudo, desprezar sua biologia. No entanto, é o seu processo psicológico que merece uma atenção especial.
Não podemos compreender o ser humano integral tomando como base apenas uma parte do seu comportamento, a exemplo de uma postura social, situação étnica, ou mesmo a partir de uma preferência ideológica. Ele é tudo isso e muito mais; mais do que podemos perceber com nossos sentidos ordinários ou nossa mente condicionada, amordaçada pela especialização ou agrilhoada por inúmeras crenças pessoais.
Ensinar a solucionar problemas simples e complexos, esta deveria ser a principal pauta pedagógica de todas as instituições acadêmicas:
Desde cedo somos orientados a seguir uma carreira, a pensar apenas dentro de uma caixa de métodos, segundo uma doutrina ou conjunto de regras, o que acaba se tornando o nosso mundo. Um mundo privado, cercado pelas muralhas desse conhecimento limitado que representa todo nosso saber e atrás das quais nos escondemos. Isso nos conforta, cria acomodação, pois é um terreno sempre conhecido, como se além daquilo nada mais existisse.
Entender que a vida é dinâmica e está sempre em transformação, um mundo onde as alternativas ou opções mudam de posição constantemente, a exemplo do próprio ir e vir do viver, capacita o jovem a ter uma mente mais flexível, com disposição para se renovar sempre. Isto o permitirá acompanhar com mais realismo este incrível movimento impossível de ser contido.
Uma mente flexível sabe que as alternativas são reais, e nunca se contenta com respostas prontas. É por natureza curiosa, está sempre aberta ao que é novo. O raciocínio lógico, de algum modo, capacita o jovem a pensar logo em alternativas como possíveis respostas para seus problemas. Essa visão o impede de tomar decisões precipitadas em sua vida adulta, pois saberá que para todo problema sempre haverá uma solução, e muitas alternativas para se chegar a ela. Uma mente com este perfil estará mais capacitada para lidar com a dinâmica da vida.
Um dos maiores dilemas do ser humano é sentir-se encurralado diante de uma situação qualquer. Nesse momento, sua mente não é capaz de raciocinar de uma maneira lógica, coesa, racional, e os pensamentos se tornam fixos, recorrentes; ficarão gravitando em torno de um mesmo ponto ou ideia, enfatizando as implicações do problema, como se estivesse presa numa espécie de vácuo mental.
Neste caso, desaparecem as respostas prontas, e como que por encanto não conseguirá vislumbrar alternativas. Uma espécie de engasgo temporário, ou vácuo pensênico, do qual aquela mente não consegue se libertar é o indesejável e inevitável efeito esperado. Isso acontece na maioria das vezes devido ao condicionamento rígido que valoriza a visão fragmentária das coisas, de maneira inflexível, presa à especialização.
Examinando como os problemas são criados e não solucionados:
Quase nunca somos capazes de ver um problema a partir da sua origem. Tentamos solucioná-lo a partir dos seus efeitos, o que é um grande erro, uma vez que as consequências de um problema, na maioria das vezes, não representam o problema em si.
Essa visão parcial limita nosso pensar; limita nossas ações diante de questões simples ou complexas. O indivíduo que se especializa numa determinada área do conhecimento, decerto terá uma visão bastante restrita de tudo que não diga respeito aos seus domínios. E embora isso seja um fato óbvio, nunca é tratado como uma das razões mais dramáticas da angústia e conflitos humanos.
Desse modo ele sentir-se-á naturalmente inseguro diante de qualquer situação fora do escopo da sua especialidade. Será por natureza conservador e sempre dependente de outros para guiar seus passos fora daquele mundo conhecido. Um indivíduo inflexível, que dificilmente conseguirá ser feliz diante de uma vida, que está sempre em movimento, sempre a se diversificar, em constante processo de reciclagem.
Diante de cada problema, possibilidades múltiplas precisam ser consideradas. Esta bem que poderia ser a primeira orientação que deveríamos passar para nossos filhos e alunos. Isso resolveria o problema das verdades únicas, que afloram mundo afora, criando verdadeiras legiões de fanáticos cativados pela alienação.
Teríamos um jovem sempre questionador e disposto a aceitar, mas não apenas porque aquilo lhe foi imposto, e sim porque assim concluiu, depois de analisar dentre todas as possibilidades, que uma questão é capaz de suscitar. Seguir sem questionar é fácil, é o que a maioria faz. Mas um indivíduo só se torna questionador quando sabe que para cada questão há sempre uma solução, dentre as inúmeras perspectivas ou rotas possíveis de conduzir ao respectivo desfecho.
As perspectivas e ponto de vista de um Jogador de Xadrez:
Isso quer dizer que, uma mesma questão, apesar de ter apenas uma solução, terá sempre vários caminhos possíveis de conduzir até ela, e nunca apenas um. Isso pode parecer banal, mas normalmente, diante de um problema, ele emperra porque o indivíduo só é capaz de vislumbrar a solução que mais o favoreça, e sempre dentro dos limites do seu perímetro de atuação. E por isso deixa de fora os caminhos alternativos, que também o conduziria a essa mesma solução, talvez até com mais vantagens. O caminho único pode limitar a ação, mas diante de alternativas viáveis, acabará por encontrar uma mais vantajosa e que se mostre mais adequada ao seu perfil e temperamento; aquela onde poderá exercitar todo seu potencial criativo.
Uma visão mais ampla, quer dizer alguém que seja capaz de enxergar, não apenas o adversário que está diante de si, mas também todo ambiente à sua volta, assim como todos os demais protagonistas que façam parte da cenografia. Vislumbrar, enfim, o maior número de detalhes do cenário onde se desenvolve a trama e seus possíveis desdobramentos. Esta perspectiva faculta uma quantidade maior de respostas.
Uma visão panorâmica da situação, onde também se inclui o adversário ou problema, permite que se faça uma melhor leitura da questão, ampliando o espectro de suas consequências, assim como quais as opções mais perfiladas com a possível solução. Com isso, pode-se até concluir que aquilo nem era um problema. Uma visão limitada e restrita de uma questão pode nos colocar diante de uma situação com cara de problema, sem que de fato o seja.
Um jogador de Xadrez tem diante de si problemas, situações que inicialmente se apresentam como de difícil solução. Mas, eis que ao erguer seus olhos, ele pode vislumbrar mais adiante, ter uma visão panorâmica do problema. Ao ver o campo de ação por inteiro, ele poderá apreciar melhor o desafio que tem diante de si; ali estão todas as variáveis, os caminhos que poderá tomar. Ali é capaz de avaliar, minimizar ou eliminar, os possíveis efeitos colaterais de suas decisões, e o mais importante, conhecer todos os recursos dos quais dispõe para tentar solucionar a questão.
Uma Macrovisão capaz de ver o todo e não apenas a parte causadora do problema:
Poderá prever se as soluções que imagina terão o efeito desejado. Terá ainda diante de si os possíveis desdobramentos de cada caminho que escolher. Ele tem uma visão privilegiada, e por inteiro, da situação. Pode reconstituir todos os passos, de modo que o conduzam à raiz daquele obstáculo, e diante dos fatos, pode finalmente aprender sobre os eventuais desfechos das falhas já cometidas que venham ou viriam a ocorrer. Poderá ainda prever como superar, no futuro ou no agora, cada dificuldade que se apresente diante de si.
Para se aprender da maneira adequada, a atenção disciplinada e organizada é sem dúvida a qualidade mais importante. O jogo de Xadrez se propõe a despertar em primeiro lugar, entre seus praticantes, este essencial estado de vigília. Isso tornará o jogador um observador qualificado, mais atencioso com os detalhes, mais criterioso e lúcido, sagaz e capaz em suas decisões.
Sua visão se renova. Seu modo de pensar se amplia, e terá a seu favor dois fatores mais que importantes na solução de qualquer questão da vida: Um deles é a lógica que o ensinará a sistematizar e organizar uma questão antes de tentar resolvê-la; A outra é a versatilidade ou flexibilidade, atributo de uma mente aberta, ágil, que está sempre disposta a experimentar as novas possibilidades, as alternativas, além daquelas já existentes, para solucionar uma mesma questão.
A aquisição de uma mente mais flexível é o maior benefício que sempre acompanhará os jogadores de Xadrez:
Na visão tradicional, perfilada pelo condicionamento delimitador de cada um, temos diante de nós muitas soluções prontas para antigos e novos problemas. Se os problemas nunca se renovassem seria um cenário de mundo perfeito. Mas os problemas estão sempre mudando de forma, e as antigas soluções se mostram obsoletas, incapazes de acompanhá-los e resolver o dilema.
Sendo orientado para, a partir de um todo, ter competência para vislumbrar a parte que está fora dos eixos, o jovem praticante de Xadrez também desenvolve a capacidade de antecipar situações possíveis de criar novos problemas. Logo, ele se torna mais capaz, não só de evitar futuros obstáculos ou mesmo impedir que ganhem forma, mas também de solucioná-los caso venham a se manifestar.
Uma mente vigorosa, ativa, cheia de músculos sinápticos bem desenvolvidos, é o benefício imediato de quem mentalmente articula muitos caminhos e possibilidades para se chegar a um objetivo. Se assemelha ao autor de ficção que ao criar uma trama onde, por exemplo, o personagem principal, ao caminhar por uma estrada cheia de obstáculos, tivesse que tratar cada um, de uma maneira sempre nova, o que não seria possível com uma mente inflexível e limitada pela especialização.
Nessa prática, devemos ainda enfatizar que o jogo de Xadrez, apesar de ser um tipo de competição, não precisa tornar-se uma disputa. A atividade serve de instrução para os dois jogadores, e nesse contexto, não existe aquele que perde e outro que ganha, mas apenas dois aprendizes, que estão se qualificando na arte de tomar decisões, sejam simples ou complexas.
Notas:[1]
Editoria de Educação do Site de Dicas.
Alberto Filho - albfilho@gmail.com
É pesquisador das Ciências Cognitivas e orientador em educação infantil e adulta, inclusive da terceira idade, com especialização em Educação Integral e Consciencial. É também desenvolvedor de Softwares Educativos, Ilustrador e Escritor de Contos Infantis e Adultos.
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