Pontes de Amor
O Amor não nasce de escolha —
é chama primeira,
sopro invisível
que habita o centro do ser.
Mas o cuidado…
ah, o cuidado é decisão.
É gesto consciente,
é mão que se estende
quando o mundo vacila.
Vivemos dias densos,
em que os infortúnios se entrelaçam
como nuvens espessas no horizonte humano.
E cada coração é convocado
não ao medo,
mas à presença.
Resiliência é raiz profunda.
Boa vontade é semente viva.
E o Amor —
o Amor é ação em movimento, crescente,
é verbo que caminha,
é luz que não se recolhe.
Ele é a matéria-prima invisível
das pontes que o Alto inspira
e que as mãos humanas devem erguer.
Pontes sobre abismos de indiferença.
Pontes sobre rios de intolerância.
Pontes entre o “eu” e o “nós”.
Porque proteger uns aos outros
é recordar
que nunca estivemos separados.
E cada gesto de cuidado
é um tijolo silencioso
na construção de um mundo
que começa dentro.
Que sejamos, então,
construtores conscientes —
não apenas de palavras,
mas de caminhos.
Pois o Amor nos habita.
Mas o cuidado
nos revela.
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