quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Om shanti, buscadores!

A alegria floresce como um jardim em festa 
perfuma o ar, colore a alma, e,
como o vento entre as pétalas,
espalha-se sem pedir licença.
Passemos adiante 
pois que a beleza, como as flores,
não existe para ser guardada,
mas para ser contemplada com leveza,
e compartilhada como quem oferece 
sombra num dia de sol.

Om, shanti.

A Dança dos Dois Ecos


Em nós, habitam ecos antigos,

feitos de janelas límpidas e escadas com floreiras,

onde os pensamentos caminham como rio sereno,

e cada gesto tem morada num sentido maior.


Também mora em nós um vento ardente,

que dança sobre um chão de estrelas cintilantes,

onde os sentimentos giram em redemoinhos de luz —

sem hora, sem margem, sem fim.


Um eco conta as cores do arco-íris com precisão.

O outro recolhe o perfume da chuva com o peito.

Um ordena o mundo com palavras...

O outro acolhe silêncios como relíquias.


Ambos nos habitam —

não em disputa, mas em rito.

No teatro das almas,

as cortinas se abrem, diariamente,

para o mesmo enigma sagrado:

pensamentos que congelam,

sentimentos que incendeiam.


Mas, quando um eco consegue se curvar ao outro —

não para dominá-lo, mas para acolhê-lo —

nasce o toque que cura,

e o olhar que vê além da forma.


É nesse instante tênue e sutil

que nos tornamos inteiros.

Nem só razão,

nem só emoção,

mas como uma dança antiga,

que começa com certeza

e termina em sagrado silêncio.


Pensar com o coração —

é música que pulsa em espirais,

escada de luz que sobe e retorna ao peito,

fazendo das memórias flores,

e da lógica, puro amor.


E, se um dia a estrada pesar em nossos ombros,

que nos lembremos das frutas além dos pomares.

E, se a ventania nos lançar ao caos,

que nos abracemos na firmeza da razão.


Há, em cada um de nós, dois ecos,

duas águas de uma mesma nascente.

E o mundo, em seu sussurro ancestral,

ainda canta:

Conhece-te.

Humaniza-te.

Integra-te.


A dualidade não é ruptura —

é ponte.

A mente que analisa,

o coração que sente —

ambos são asas do mesmo voo.


Que possamos ouvir nossos ecos

e, em sua dança,

tecer consciência com amor,

lucidez com ternura.


Pois viver plenamente

é lembrar, todos os dias,

da sagrada arte

de humanizar o ser com

 presença e consciência.