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O conceito: TAO
por Mestre Wu Jyh Cherng
O ideograma chinês Tao, que literalmente traduzido significa caminho, exprime o conceito filosófico do Absoluto. Este conceito traz a idéia de origem, princípio e essência de todas as coisas. O Absoluto está além do tempo, do espaço e das linguagens.
Sendo assim, não pode ser expresso, pois todas as expressões dependem de uma linguagem e de uma referência de tempo e espaço. Da mesma forma que não é possível usar uma régua para medir algo que está além das medidas, também não se pode utilizar a linguagem para descrever algo que está além da linguagem.
Ou seja, não é possível usar conceitos ou ferramentas do mundo finito para definir algo que é o próprio infinito. Por isso, Lao Tsé diz, no Tao Te Ching: “O caminho que pode ser expresso não é o Caminho constante”.
Nenhuma palavra pode enquadrar a real natureza do Tao. “O nome que pode ser enunciado não é o Nome constante”, ou seja: o Absoluto está além das linguagens. Apesar disso, para que possamos compreender racionalmente a experiência de um mestre que vive na condição Absoluta de ser, torna-se necessário a utilização de nomes, de palavras.
Um caminho só tem sentido e efeito reais quando existem três elementos atuando simultaneamente: o caminhante, o caminho e o ato de caminhar. Um caminho que existe, porém não é trilhado, não tem utilidade. Da mesma forma, caso exista o caminhante, mas não exista o caminho, o caminhante não saberá por onde caminhar. Finalmente, caso exista caminho e caminhante, ainda assim, dependemos de um terceiro elemento: o ato de caminhar.
Ou seja, a condição Absoluta de ser só pode ser encontrada através de experiência pessoal; o Absoluto existe somente quando nos integramos a ele. Assim, você pode até compreender racionalmente que existe uma condição anterior ao céu e à terra, fonte criadora de todas as coisas; porém, caso você não a vivencie através da prática de um caminho, ela não existirá para você.
Um caminho espiritual precisa ser praticado para que possa ocorrer a realização pessoal do praticante. Por isso, Lao Tsé escolheu o termo “caminho” para representar o Absoluto.
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Yin e Yang...
por Monica Bonfiglio
Na concepção chinesa do mundo, o universo consiste em yang - o elemento masculino e em yin, o elemento feminino.
Em 1850, o filósofo Ralph Emerson em seu ensaio sobre a filosofia oriental, descrevia que o yin-yangestava presente na polaridade, na ação e na reação, na escuridão e na luz, no calor e no frio, no masculino e no feminino, na inspiração e na expiração, no ritmo do sangue, nas forças centrífuga e centrípeta.
Tudo na natureza é dividido, de modo que cada coisa constitui uma metade que precisa ser completada por uma outra coisa, como o espírito e a matéria, subjetivo e objetivo, interior e exterior, movimento e repouso. Os pólos se complementam entre si para que exista um equilíbrio dinâmico".
Yin e Yang são inseparáveis. Seu simbolismo é representado por um círculo dividido em duas metades iguais por uma linha sinuosa. A parte preta é yin e a outra branca é yang. Podemos observar que o comprimento da separação das cores é igual a circunferência exterior e que o contorno de cada metade yin e yang é igual ao perímetro da figura. Cada um dos elementos contém o germe do outro, na forma do ponto claro ou do ponto escuro.
Na visão cabalista, o yin-yang representa o céu e a terra, presos um ao outro abraçando-se mutuamente. Para os chineses, o yin-yang significa que o tempo (e o espaço) é "Uno", ou seja, a matéria e o espírito também. A ação de uma pessoa resulta em uma reação boa ou má. Tudo no ser é yin ou yang, com a dupla possibilidade de evolução ou involução.
Christopher Markert em seu livro Yin-yang - polaridade e harmonia em nossa vida, explica que só é possível ser feliz e ter sucesso quando se vive em sintonia com as forças cósmicas como o consciente e inconsciente, corpo e espírito, ideal e realidade, doce e salgado, direita e esquerda, dia e noite etc. Cada pólo portanto, tem valor idêntico ao outro, onde estes se complementam e se necessitam mutuamente.
Se o equilíbrio for perturbado, ambas as partes mostram o seu lado destrutivo e maléfico. A meta não é incentivar um pólo em prejuízo do outro, mas visar um equilíbrio que beneficie ambos os pólos. A vida busca o equilíbrio correspondente a cada lugar e a cada momento. Um homem pode tomar uma iniciativa na parte da manhã, e a tarde, a mulher pode ser a responsável. Ao acordar por exemplo, a pessoa pode tomar uma decisão "prática", mas a noite pode seguir a "intuição". Isto é yin e yang.
O yang é: masculino, pai, céu, deus-pai, Sol, consciente, compreensão, lógica, eu, condição desperta, cabeça, forma, ter, tensão, voltado para o exterior, decidido, risco, só, gasta energia, construtivo ou destrutivo, abstrato, ordenado, sóbrio, patriarcado etc.
O yin é: feminino, mãe, terra, mãe-terra, Lua, inconsciente, sentimento, intuição, eu interior, condição de sonho, coração, conteúdo, ser, relaxamento, voltado para o interior, segue o fluxo da vida, pacífico, atraído pela comunidade, economiza energia, cura e preserva, orgânico, fluente, sóbrio, matriarcado etc.
De acordo com os ensinamentos chineses, o conceito yin-yang poderia ser exposto assim:
· Confie no seu julgamento.
· Dê para que possa receber.
· Mantenha a confiança na ordem do universo.
· O inimigo torna-se seu amigo porque este lhe mostra suas fraquezas, pois sabe aquilo que você desconhece. Portanto, aprenda com ele.
· O que ocorre no dia-a-dia, bom ou mau foi causado direta ou indiretamente por você.
· Os obstáculos fortalecem.
· Quem evita as dificuldades não pode continuar sadio e feliz.
· Sinta-se responsável pela sua vida.
· Tudo está em constante mutação tanto no universo com na vida dos seres humanos.
Nem a terra nem o céu são perfeitos, mas juntos podem formar a perfeita harmonia. Yin e yang são vistos como um jogo harmonioso, e não competitivo. É discernir que ambos os elementos contém aspectos fortes e fracos.
Conflitos ocasionais entre os dois elementos são inevitáveis. Na verdade, a maneira de o ser humano conseguir criar a harmonia interior e exterior. A vida harmoniosa só pode ocorrer através do jogo vital do yin e yang, um caminho para chegar ao "Uno".
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O caminho do Tao...
por Monge Xin Shan
O taoísmo é uma via de cultivo interno e vivencias diárias das virtudes transmitidas pelos mestres ancestrais fruto de suas realizações.
O taoísmo não é algo que possa ser aprendido em leituras de livros e demais textos, pois trata se de caminho do coração e por isso somente por meio do cultivo dos métodos na vida cotidiana é possível ampliar as percepções e despertar para a realidade da natureza pura de todos os seres.
O caminho taoista não trata de acumular informações intelectualmente, saber algo, é o ato de esvaziar se, tornar se simples, praticar a simplicidade. Quanto mais verdades um ser humano adota e busca mais distante da quietude, serenidade e realização se coloca. As verdades são como duras rochas impedindo a luz da natureza pura interior de cintilar para o mundo.
O caminho taoista se faz com as práticas dos métodos que são inúmeros, com a convivência com outros taoistas, cultivo em meio a natureza para fortalecer as percepções.
O coração cheio de informações perde o contato com a pureza silenciosa que desperta a paz tênue. O coração precisa esvaziar e a mente silenciar para que o ser humano possa despertar para a realidade além das ilusões.
O ser humano vê o mundo e o que há nele com as lentes do medo, insegurança, carências, orgulhos, vaidades, e tantos outros sentimentos reprimidos. Por isso a confusão e a dúvida constante, a indecisão castigante.
O caminho taoista não procura responder as dúvidas sobre os mistérios do universo e sim levar a pessoa a um estado de serenidade e profunda quietude onde pode ela transcender esses sentimentos e estados mentais conflitivos.
Neste lugar de calma e silencio a pessoa pode acessar a grande clareza e dessa maneira perceber além das ilusões projetadas pela mente e emoções conflitantes. As pessoas costumam amar as ilusões as projeções.
Mas esse amor é uma paixão como fogo que tem um auge e logo enfraquece deixando no lugar um frio.
O amor real é um estado de paz e felicidade e ausência de dependência de qualquer coisa ou fator externo. O cultivo do Tao com o taoísmo é para realizar o estado continuo de paz e felicidade. Não é uma via para encontrar uma verdade, sim um caminho intimo para despertar a felicidade e a paz.
Um ser realizado, iluminado não é um ser capaz de curar doenças graves, saber tudo o que lhe perguntarem, aparecer em vários lugares ao mesmo. Um ser realizado é um ser feliz, que vive em paz. Permanece no estado de grande harmonia. Onde estiver, em qual situação e condição estiver consegue permanecer em harmonia perene e agir conforme o que provoca equilíbrio.
O taoísmo é um caminho não para alcançar a verdade ou o conhecimento, sim para realizar a simplicidade. O coração simples é a meta do cultivador do Tao.
Fonte: http://filosofiataoista.no.comunidades.net/
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Wu Wei: A arte de viver o TAO...
por Theo Fischer
Wu Wei: Estas duas sílabas contêm todo o segredo da arte de viver do Tao. Traduzindo textualmente significa “não fazer nada”, “não agir”. Aqui de maneira alguma se diz que devemos ser indolentes, indecisos ou indiferentes.
É difícil definir em poucas palavras a sutileza do Wu Wei. No sentido mais profundo, Wu Wei quer dizer que em nossas decisões não devemos fazer nada contra nossa autoridade interior, o Tao.
Procuremos enfrentar os desafios da nossa vida com os escassos recursos de nosso intelecto, da nossa experiência. Desta forma nós interferimos em forças inacessíveis ao nosso pensamento, aquelas que não só resolvem nossos problemas da melhor forma, mas que também estão em condições de resolvê-los de outra maneira.
Se conseguíssemos aprender a praticar o Wu Wei pararíamos imediatamente de meditar sobre os nossos problemas, de analisá-los e procurar soluções. É totalmente suficiente enxergarmos o problema sem refletir sobre ele, sem analisá-lo. O resto podemos deixar tranqüilamente por conta do Tao.
Na medida em que nossa interferência se torne necessária, perceberemos o impulso de ação através de uma forte intuição. Sendo que a palavra intuição, como normalmente a interpretamos, só faz uma descrição insuficiente do fato, pois trata-se muito mais de um diálogo interior que se torna hábito a aquele que aprendeu a viver no espírito de Tao.
O Tao só pode ser vivido e realizado no presente, ou seja, no instante. Talvez esta seja a única tarefa difícil para você, isto é, não ficar vagando com a sua mente nem no passado nem no futuro, porém sempre e constantemente permanecer no aqui e agora.
Wu Wei exige a presença de espírito no momento presente, as forças que modificam as coisas para o bem podem ser ineficazes sem a nossa ação. Enquanto não olharmos diretamente de frente as tristezas de nosso cotidiano, não se modificará nada através do Tao. Porém, se conseguirmos contemplar nossa existência de forma tão sensata e realista como ela realmente é, sem esquivar-nos de nenhum reconhecimento – por mais desagradável que seja, então não será necessário permanecer por muito tempo neste estado cinzento. Como que, por um comando à distância, em seguida sua vida será dominada por energias com as quais, você nem ousaria sonhar.
Permanecer realmente com o espírito no presente, observar atentamente os acontecimentos, registrá-los sem análise, seria o primeiro passo para a realização do Tao na nossa vida.
Deixar os acontecimentos seguirem o seu fluxo sem resistir, apenas observá-los, isto é agir na não-ação, isto é Wu Wei. Quando você aprender a passar seus dias assim, sua vida será como nos melhores tempos de sua infância: sem preocupações, sem conflitos, esquecendo ontem, não sabendo nada de amanhã, permanecer apenas no hoje repleto de felicidade e serenidade. Isto é arte de viver, isto é viver no espírito Tao.
Nossos problemas existenciais solucionam-se de uma forma que depende de uma sabedoria tão profunda que a nossa razão não a possui. Aqui você pode perceber como é insensato prender-se a estas seguranças aparentes que o cotidiano nos oferece. Quem se dedicar à arte de viver do Tao, prescrever a si mesmo a ação intuitiva e entregar-se à segurança da própria autoridade interna, futuramente enxergará a vida e o seu cotidiano com outros olhos.
Este comportamento espiritual é a verdadeira segurança, mas, curiosamente, o pensamento em segurança perde a sua grande importância uma vez que aprendemos a deixar nossa vida por conta do fluxo do Tao. Pois o fluxo da vida é idêntico ao Tao, assim como nós também somos idênticos a ele.
A partir do momento em que você perceber isto não será mais necessário lutar e esgotar-se; ocupar-se dia e noite com as suas preocupações e necessidades, e perceberá que sua vida consiste na mistura de poucas alegrias e muitos problemas.
Você pode riscar qualquer tipo de objetivo de seu pensamento pois se você seguir atentamente aqui e agora o decurso da vida, este o levará a todo local desejado, a todo objetivo, antes mesmo que você possa imaginá-lo. Sim, é indispensável que você desista de seus motivos, seu próprio esforço, seus desejos de ser algo que ainda não é.
Você precisa aprender a não fazer mais nada, a observar e ser atento. Esta é a verdadeira forma da ação inteligente. “Ele” agirá por você melhor do que a sua razão conseguirá. Uma pessoa que realmente entender esta verdade viverá além de seu meio espiritual. Isso significa, antes de mais nada não estar ligado a nenhuma direção. Assim você poderá, partir e a retornar ao seu centro.
Texto retirado do livro:
“Wu wei, a arte de viver o Tao”, de Theo Fischer
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Visitem a Fonte:
TAO: O caminho do mestre interior
http://caminhodomestreinterior.blogspot.com.br