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As Crianças e o Mundo Real,
a Desconstrução das Fantasias Infantis - Parte 1
Autor: Jon Talber [1]
Por que será que criamos um mundo de fantasias para nossas crianças, se o mundo que irão herdar, o real, em nada se assemelha a essa bizarra caricatura?
"Quando a realidade é tratada como uma fantasia, na cabeça da criança, a fantasia se torna uma realidade impossível de ser alcançada..."
"Uma coisa precisamos entender de uma vez por todas: para uma criança, ainda imatura e sem senso crítico formado, as posturas patológicas, mesmo aquelas mais absurdas, são para elas, simples ensinamentos que irão integrar ao seu comportamento, e o mais importante, farão isso sem hesitar..."
Examinando com olhos imparciais as raízes primárias da Questão...
Lembrando sempre que criança não aprende senão por meio da imitação, e que a arte de imitar é um atributo inato. Não ensinamos uma criança a imitar; apenas lhes mostramos o que precisam imitar, ou repetir, o que dá no mesmo.
Imitar é uma coisa tão natural quanto o ato de respirar. É uma função do cérebro; um recurso imprescindível para a sobrevivência do ente que ora adentra naquele novo mundo. Sim, é isso mesmo, o mundo parece uma coisa Nova para a criança, uma vez que em sua mente, nenhuma experiência do viver existe.
Ela não sabe o que significa mãe, ou pai, ou irmão, ganância ou religião. Ou seja, não sabe o significado de nada que exista à sua volta. Não sabe o que é desafeto ou afeto; medo ou coragem; antipatia ou simpatia; raiva ou compreensão. Não sabe o que é sentimento, nem desejo. E como nada conhece da vida, sequer sabe o que é estar viva.
Mas, para quem já está no mundo e dele já é parte integrante e atuante, quer dizer nós os adultos, tudo isso já é coisa conhecida. Somos inquilinos mais antigos, e agora somos replicadores dos mesmos procedimentos que antes foram usados para nos informar como as coisas desse mundo supostamente funcionavam. Para essa “nova” criança ou geração, o necessário agora é apenas se adaptar às regras psicológicas que já tornam a sociedade um lugar finalizado e pronto para abrigar os novos inquilinos. E tão logo essa criança seja condicionada segundo esses parâmetros, terá adquirido uma personalidade, uma identidade pessoal capaz de interagir socialmente com as demais.
Conheça quais são os efeitos dos pensamentos
Negativos dentro do universo infantil
E é desse mundo tão bem conhecido por todos nós, ou cartilha, que esse novo inquilino ainda criança irá copiar todos os elementos necessários para compor os modelos de comportamentos mais adequados para si mesmo. Ali já estão estabelecidas suas futuras preferências, opiniões, crenças, Frustrações, ideais, sentimentos, medos, vícios, e consequentemente, sua forma de pensar. De sua parte não precisará ter trabalho algum. Sua mente ora vazia, logo será preenchida como se fora uma folha de papel em branco, que agora se reproduz numa copiadora, recebendo a imagem de um imenso gabarito com os procedimentos operacionais e protocolos transmitidos por uma matriz que podemos chamar de tradição.
O resto é adaptação, conformação, treinamento intensivo, para que se torne um hábil imitador; um mímico dos hábitos já adotados pelos outros. Não existirá, portanto, um gesto novo, mas apenas um novo “ente”, que ao seu temperamento inato, irá gradualmente agregar as antigas condutas, todas já aprovadas para uso pela mesologia onde nasceu; o local onde foi “educado” ou vive.
Os verdadeiros criadores dos conflitos infantis...
E como regra, há um mundo especial construído apenas para as crianças. Este, intencionalmente é separado do mundo dos adultos. Ali não se fala de problemas ou doenças, ou de coisas desagradáveis. E até os personagens são surreais; criados pela fantasia dos adultos. Não se trata de um Mundo Infantil, mas de um bizarro mundo adulto hipoteticamente idealizado para acolher às crianças. Não foi feito para as crianças ou mesmo para suprir suas necessidades, mas para que os adultos pudessem colocar suas crias dentro dele, com a intenção de condicioná-las ou domesticá-las conforme padrões e protocolos já estabelecidos.
Não é um mundo de novas descobertas, mas de velhos hábitos e grandes ilusões, especialmente projetado para os novos inquilinos. Um bioma que antagoniza com os fatos. Ali a criança sorri e recebe presentes e mimos todo o tempo, como se isso fosse prática comum no mundo real. Por isso mesmo, inevitavelmente, à medida que cresce, já mergulha num ambiente repleto de conflitos, uma vez que ficará frustrada, angustiada, ao se deparar com a rudeza própria de um mundo de verdade, cuja existência até então desconhecia.
Como tudo lhe foi ocultado, passará grande parte de sua vida, da juventude em diante, tentando superar os dramas pessoais, e outro tanto tentando se adaptar a essa “nova” realidade, absolutamente diferente daquela extraordinária utopia ou paraíso onírico que lhe foi apresentado desde a primeira infância.
As Crianças e o Mundo Real,
a Desconstrução das Fantasias Infantis - Parte 2
Os problemas do mundo real precisam ser levados a sério desde cedo, ou desde tarde continuarão sem solução...
"A verdadeira inteligência se desenvolve em meio às turbulências das necessidades mais urgentes e não em meio à calmaria estacionária..."
"Uma criança, apesar de imatura não é burra... Burrice é queimar a mão no fogo por ignorar um risco conhecido; imaturidade é queimar a mão no fogo por desconhecer os riscos..."
Examinando os conflitos humanos...
O que são os conflitos senão uma visão antagônica de qualquer aspecto da vida? Aprendemos, tomamos conhecimento de alguma coisa, que pode ser uma ideia ou um comportamento, e após nos identificarmos com aquela condição, logo nos confrontamos com outra realidade que diverge da nossa. Como fomos orientados a receber, conviver, com tais contradições, isso é que fará toda diferença na trilha da vida.
Mas, o modo de como lidar com esses contrastes não faz parte da pedagogia da vida. Por isso, desde cedo, nossa mente se torna inflexível, fossilizada, velha, apesar do aspecto somático jovem.
É a fantasia que ganha consistência em nossas vidas sob mil disfarces. É o aspecto religioso com as promessas de um mundo melhor quando sequer tentamos compreender as razões da deformação do nosso. É o misticismo de um lugar mágico repleto de prazeres que nos aguarda em um local incerto, atemporal, o combustível necessário para que durante todo nosso viver a ilusão de um bioma de faz de contas acompanhe nossa sombra.
E o Mundo real versus mundo ideal será para sempre, na mente do jovem ou adulto, antes uma criança mergulhada num reino de ilusões, uma fantasia que jamais poderá ser alcançada; um sonho que nunca será erradicado por completo das suas aspirações mais profundas. Trata-se de um paradoxo concebido após a criação daquele universo paralelo repleto de maravilhas e harmonia, que ora entra em brutal conflito com a crua patológica realidade.
A verdadeira educação é um processo que está além da pauta das pedagogias sociais disponíveis em nosso tempo...
Cuidar de uma criança com carinho é uma coisa, inventar uma realidade paralela como forma de carinho é acima de tudo uma maldade pautada na ignorância e falta de respeito; uma mentira cujas consequências negativas a acompanhará para sempre.
Zelo, cuidado e boa condução, são requisitos necessários dentro do mundo real, não em um de faz de contas. Precisamos ensinar ética e respeito justamente porque nosso mundo é carente destas coisas. E o melhor lugar para começar esse magistério é dentro de nossas casas, onde a criança está segura, sob nossos cuidados.
Quando mostramos para uma criança que existe um mundo virtual, de faz de contas, preparado especialmente para elas e onde os problemas humanos não existem, estamos também lhes ensinando a não enfrentar com altivez e coragem as dissidências e percalços da vida real. Isso talvez explique o grande sucesso dos fármacos entorpecentes, aqueles que são usados maciçamente como forma de mascarar a dura realidade dos fatos que ainda não temos competência para enfrentar.
Atribuir culpa ao mundo pelas suas distorções não é a solução. Entretanto, individualmente, é possível perceber de maneira inequívoca que, mesmo não sendo os autores das anomalias e deformações desse mundo, como agentes replicadores de costumes e tradições, sem dúvida, ainda somos agentes ativos no processo de reafirmação e consolidação desse Status Quo.
E quanto tempo mais isso irá durar vai depender da nossa vontade e pioneirismo; da nossa firme convicção de que algo precisa ser feito. (...)
As Crianças e os Conflitos com os Pais;
as Causas e os Efeitos - Parte 1
Autor: Jon Talber - Alberto Filho [1]
"O ato de Compartilhar as boas experiências deveria ser uma coisa tão natural quanto o ato de sentir satisfação por não repetir erros..."
"A prática sistemática da competição entre indivíduos é o combustível que incita e Apoia a animosidade e o antagonismo entre amigos..."
"Uma das mais recorrentes reclamações dos jovens tem sido a falta de espaço para falar ou serem ouvidos dentro de suas próprias casas..."
Examinando com olhos imparciais
as raízes primárias da Questão...
Você sabia que as crianças e os jovens preferem escutar os adultos que também lhes dão ouvidos? Observe a si mesmo. Com quem você prefere conversar? Com um amigo que lhe escuta, ou com outro que o trata com indiferença, aquele tipo que olha atravessado para suas opiniões? Por que essa verdade não poderia servir também de modelo, como uma evidência concreta e incontestável de um fato, enfim, como lastro para o início do nosso relacionamento com nossos filhos?
Psicologicamente uma criança é feita das memórias que lhes são transmitidas pelos sentidos a partir das experiências de vida. Ela escuta, observa, toca, sente o cheiro, o paladar, e se tudo isso agrada, é gravado como coisa boa, necessária ao seu bem estar. A mesma regra se aplica aos aspectos desagradáveis. Bem estar é uma regra instintiva cultivada por todo animal, seja racional ou não. Trata-se de um recurso necessário à sua sobrevivência.
Se os agrados exagerados criam mais estragos que benefícios, a gratificação discreta, bem conduzida e carinhosa, além de lhes ensinar de maneira inteligente e sensata sobre os princípios da cordialidade, aumenta sua autoestima e edifica.
Pais carinhosos, com presença marcante no seu dia a dia, então, se tornam coisa necessária ao seu progresso sensorial e saúde mental. Assim, ela sentirá prazer ao conviver com seus pais no dia a dia. Nesses primeiros contatos, quando já está na idade das perguntas, o princípio da dúvida deve ser incentivado. O estímulo à dúvida a tornará mais curiosa, mais próxima dos pais, e a depender da receptividade, verá neles amigos e confidentes com os quais sempre poderá contar, e de cuja presença, jamais abrirá mão.
Compreendendo o processo cognitivo infantil.
Uma criança aprende por imitação, depois por aceitação de padrões, e por último, emocionalmente. As habilidades motoras ela imita; os conceitos ela aceita; os sentimentos ela sensorialmente experimenta, e eis a base de onde brotará sua personalidade e modelo comportamental.
Se a televisão ou Internet estão presentes em todas suas horas de vigília, logo servirão como modelos inspiradores. E aquelas fantasias, por mais distorcidas e bizarras que sejam aos olhos de alguém mais esclarecido, para ela, trata-se de uma realidade com a qual poderá se identificar, e assim, digna de ser imitada. Por isso, não se engane, até as propagandas terão impacto sobre o comportamento infantil, interferindo de maneira dramática no status do seu temperamento original. Lembre-se, a criança ainda está coletando subsídios para montar sua personalidade e caráter, e o mais importante, não possui uma gota de discernimento ou bom senso.
O Despertar da Autoconfiança
Seria possível a qualquer um o despertar da Autoconfiança?
E, algumas vezes, ao contrário dos pais, televisão e Internet estão sempre presentes e dispostas a preencher seus momentos ociosos, todas as horas, sempre que for necessário. Por isso, as conceituações e doutrinas ali dramatizadas, dentro de suas cabeças, terão mais força condicionante que as palavras dos pais, nem sempre tão presentes, especialmente na hora de desfazer suas dúvidas. Aqui vale o velho ditado: “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura”, ou a versão adaptada para estas ocasiões: “Falsos conceitos em terra sem dono – como é o caso da mente infantil – de tanto insistir se fixa como patrono...”
O tamanho da alienação, uma Lavagem Cerebral
que começa cada vez mais cedo...
Lavagem Cerebral, vencer pela insistência, essa é a regra dos criadores de comportamentos, alienações, fanatismos, da subserviência planejada, dirigida, que é praticada pela poderosa máquina criadora de novos hábitos. E esses verdadeiros “guias” com suas ideias, que depois se transformam em verdadeiras doutrinas existenciais, acabarão por criar nos jovens, ainda imaturos, comportamentos patológicos muitas vezes contrários aos exemplos de casa, ou mesmo aos princípios da ética universal.
Educar com conflito é o mesmo que conduzir por rédeas; você até conduz, mas não pela vontade do conduzido. Pela dominação não há educação, apenas conformação ou resignação. Pela conformação não existe um cidadão, apenas um protótipo de gente, sem vontade própria. Por dentro não será em nada diferente de um autômato ou zumbi amestrado, movido pelas ideias dos oportunistas, sob domínio do poder hipnótico ou força sedutora de quem quer que seja.
Compreender um filho é entender que ele ainda não possui uma personalidade, a exemplo da nossa. Examinar nossa própria personalidade nos faculta a encontrar as falhas causadoras dos conflitos, uma vez que todas elas estão hospedadas no interior de nossa psique. E neles, em nossos filhos, por enquanto, esse repertório patológico ainda não existe.
Criança birrenta, malcriada, insegura, tudo isso reflete aquilo que ora somos. Elas não têm como aprender sozinhas, por esse motivo, não poderão prescindir de um mestre, ou de vários. E se não estamos presentes, outros certamente se encarregarão de ocupar este espaço. Lembre-se, criar uma mania ou vício é a coisa mais simples do mundo; desfazer-se disso depois, acredite, não é.
As Crianças e os Conflitos com os Pais;
as Causas e os Efeitos - Parte 2
O ato de Compartilhar as boas experiências deveria ser uma coisa tão natural quanto o ato de sentir satisfação por não repetir erros...
"A verdadeira inteligência se desenvolve em meio às turbulências das necessidades mais urgentes e não em meio à calmaria estacionária..."
"Sem o exemplo pessoal caseiro que lhe sirva de gabarito para construir uma personalidade austera, a saúde da psique infantil estará irremediavelmente comprometida..."
Um exemplo pessoal que vale como
uma lição para toda vida...
Saber o que psicologicamente somos é fundamental para a correta condução psicológica dos nossos filhos e discentes. Mesmo quando tentamos esconder aquilo que somos, ainda assim, podemos ver nossas verdadeiras inclinações incorporadas no comportamento deles, uma vez que sua inocência ainda não permite o agir dissimulado, uma prática corrente entre os adultos.
Quem não gosta de mimo ou de um agrado, ou de ser tratado com cordialidade? Existe mimo sem instrução? Existe comportamento sem instrutor? Então, por que ficamos chocados quando nossas crianças, no seu modo espontâneo de ser, acabam por expressar através de Comportamentos que consideramos Inadequados os reflexos de toda deseducação que receberam dentro de casa, de nós mesmos?
Conduzir não é suprir. Educação não é repetição. No entanto, a negação dessa repetição, sim. Correção não é condução cega, mas a ausência desta, sim. Corrige-se aquilo que está gasto, falho. Assim o problema é a correção e não aquilo que ela se presta a consertar.
Existe a correção porque existe a falha; existe a falha porque falhamos, porque tudo falhou, e perceber essa verdade pode significar a erradicação ou descontinuidade desse processo nosográfico. Saber onde falhamos de nada serve se continuamos a seguir a mesma velha e surrada cartilha, já corrompida, violada, que um dia adotamos como guia para nossas próprias vidas. Trata-se de um roteiro que não mais deveria servir para nossas crianças.
Se você percebe uma falha pessoal e não a corrige na origem, com o tempo acreditará tratar-se de uma virtude...
Entretanto, por algum motivo desconhecido, lá nas profundezas do nosso inconsciente, queremos consertar o mundo ou o remodelar de conformidade com nossas inclinações. Felizmente não sabemos como fazê-lo. Conforta-nos a ideia de que tudo funcionaria melhor se cada um de nós fosse uma espécie de guia condutor, uma medida, o gabarito padrão que serviria de referência comportamental para o resto da humanidade.
Perceber que falhamos, que a sociedade falhou, que nossos vícios e manias serão heranças incondicionais para nossos filhos, não por que assim o desejamos, mas porque a mente do mundo está doente, deformada, deteriorada como uma ferida que nunca cicatriza, isso seria o primeiro indício do Despertar da Inteligência.
Educar nossos filhos, não pelo mesmo manual que usamos como tutorial para nossas vidas, mas, com uma nova postura, onde iremos mostrar para eles o mundo exatamente como ele é. Um bioma Viciado, Doente, Deformado, enfim, sua verdadeira feição. Isso é sabedoria, e acima de tudo, decência; um dever responsável, uma conduta da mais elevada ética, respeito e dignidade.
Talvez, desde cedo cientificados de todos esses problemas, tenham mais sucesso que nós na tentativa de resolvê-los, uma vez que desde tarde, apenas aprendemos a empurrar a sujeira para debaixo do tapete.
Notas:
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[1] Jon Talber - jontalber@gmail.com
É Pedagogo, Antropólogo e autor especializado em Educação Integral e Consciencial. É colaborador voluntário do nosso Site.
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Alberto Filho - albfilho@gmail.com
É pesquisador das Ciências Cognitivas e orientador em educação infantil e adulta, inclusive da terceira idade, com especialização em Educação Integral. É também escritor de contos infantis e adultos, e um dos colaboradores deste Site.
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Para Refletirmos...
"Conhecer a si mesmo contempla duas condições: enumerar todos os traços fracos ou falhos, assim como os fortes ou qualidades. E se os primeiros precisam de ajuste e reciclagem, os outros precisam ser potencializados..."
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