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Meditemos!
A Tragédia do Saber
No princípio, o fogo.
Na escuridão, o olhar sereno.
A mão que escreve
É a mesma que pode ferir,
Ou aprender a curar.
Na caverna, o eco do mito.
Nos templos, verdades seladas.
Nos livros, ensinamentos reverenciados.
No silêncio, a voz da alma.
O saber — que um dia foi guia —
Agora é uma lâmina sutil:
Corta o tempo, molda histórias,
Justifica o inaceitável.
Do papiro à tela iluminada,
O verbo se transformou em luz.
Mas a luz, sem cuidado,
Pode cegar, e nos limitar.
As palavras viram muros,
As ideias, armas.
E entre dados e ilusões,
A razão se esvai.
Hoje, os oráculos são máquinas,
Feitas de números, pressa e ruídos.
E o humano, perdido nos cliques,
Troca sentido por promessas vazias.
Somos mestres de tudo,
Mas escravos do que criamos.
Entendemos os céus com cálculos,
Mas ainda não aprendemos
o principal: Amar.
A verdade se fragmenta
Em pedaços de versões.
E os algoritmos traçam
Limites para os sentimentos.
O saber se tornou espelho:
Reflete apenas quem o manipula.
Mas, entre a luta e o vazio,
Ainda podemos escolher.
Usar o saber como espada,
Ou como ponte de compaixão.
Erguer muros de orgulho,
Ou ouvir com o coração.
Pois, no momento em que escutamos
O outro com plena atenção,
Acende-se o fogo antigo —
A chama da alma tranquila.
E ali, na virada do tempo,
Onde o caos encontra seu limite,
Surge a chance de um novo caminho,
Antes que tudo se repita.
Não será a máquina que salva,
Nem o cálculo que nos redime.
Mas o gesto que acolhe,
E o pensamento que toca.
O corpo frágil da Terra
Com a promessa de um novo amanhã:
Onde o saber não aprisiona,
Mas nos ensina a fraternidade a coexistir.
E talvez, no fim da jornada,
Descubramos o que realmente somos:
Faíscas breves do infinito,
Convocados a revelar nossa verdadeira humanidade.