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12 Verdades sobre Disciplina
Autores: Alberto Filho e Jon Talber [1]
Um Guia pra lá de Prático para que o leitor seja capaz de fazer uma avaliação do seu próprio nível de Disciplina, ou mesmo reciclar aquilo que já sabe sobre o assunto.
“Disciplina é o princípio da ordem interna que aflora
a partir da constatação da desordem externa...”
A despeito das inúmeras polêmicas sobre o assunto, diante de fatos não sobra espaço algum para contestações e debates improdutivos. Quando refletimos profundamente sobre uma questão é porque há interesse de nossa parte em resolver o problema. Entretanto, a elucidação de um problema nunca ocorre sem uma auto investigação; uma comprovação definitiva, seja por meio da cientificação após um exame mais profundo, ou ainda por meio da auto experimentação lúcida. Lembre-se, nada substitui a constatação por meio da vivência pessoal.
Refletir partindo de um alicerce abstrato ou hipotético se assemelha a crença de que os Contos Infantis Medievais, os populares Contos de Fadas, aqueles recontados por nossos pais, avós e bisavós, não estão recheados dos mais escabrosos relatos de horror, e sim da mais pura inocência, conceitos éticos e virtuosismo.
Para entendermos um pouco mais sobre Disciplina, eis uma relação de tópicos que poderão ser usados como sugestões para reflexões sobre o tema. Poderá servir como guia introdutório para quem deseja ampliar seus conhecimentos.
E como sempre, nunca acredite em nada sem antes avaliar, ponderar, investigar, e depois digerir. Nesse caso, o processo digestório é sempre lento, pois requer comprovação. Experimente, faça os testes, examine a lógica racional de cada tópico ou questão antes de passar adiante ou adotar como modelo cognitivo para si mesmo.
Examinando o que vem a ser a Verdadeira Disciplina...
1 - Qual a diferença entre Disciplina e Ordem? Na verdade não há, e ambos são aspectos complementares de um só atributo, a Inteligência. Inteligência não é a simples capacidade de aprender por meio do intelecto, mas, antes disso, trata-se do processo consciente que permite ao indivíduo aprender o que é necessário ou útil. Sendo a Disciplina um dos principais atributos da inteligência, quando em consonância com a Ordem, tornam-se potencializadores mútuos.
2 - Disciplina é a arte de conduzir a si mesmo sem desvios ou distrações. E tudo começa quando os pais descobrem o óbvio, que eles próprios são indisciplinados. A partir da constatação da própria indisciplina ou desordem, se de fato estiverem interessados na correta educação dos filhos, acabarão por se Autorreciclar. Eliminadas as manias que serviam de gabaritos involuntários para a desordem postural dos filhos, estes não mais se tornarão seus clones psicopatológicos. Este exemplo de Mudança Postural representa um método disciplinador de excepcional valor cognitivo.
A Disciplina surge com a necessidade por mudanças, que por sua vez aflora quando percebemos a desordem à nossa volta. E como ainda não sabemos o que é a ordem, só nos resta estudar aquilo que não é. E, a partir desta observação cuidadosa seguida do exame apropriado, quando se constata que tudo à nossa volta está em desordem, poderá, finalmente, surgir a ordem. Paradoxalmente, a comprovação dessa desordem é o marco inicial no processo de Autodisciplina.
3 - Disciplina não é a adoção de rotinas ou hábitos repetitivos, mas, ao invés disso, a manutenção do foco, responsabilidade e compromisso na execução das tarefas ou compromissos externos, a partir da harmonia interna. Entretanto, sem uma decisão pessoal, ela não pode florescer. E quando, no dia a dia, se aplica a Disciplina de maneira consciente e lúcida, então poderá surgir a Ordem.
4 - Um burro de carga não é um animal disciplinado e sim domesticado. A domesticação é simples automatismo, conformação com a rotina pela força de um hábito, obrigação ou sujeição. Lembre-se sempre de que, adquirir um hábito ou vício é coisa simples e rápida. No entanto, desfazer-se deles depois é sempre um processo lento, doloroso, dramático, e muitas vezes sem êxito.
5 - Assim sendo, Disciplina não é Conformação ou Domesticação. Em ambos não há um mínimo de consciência, o que se opõe a Disciplina, onde há um máximo. O disciplinado está consciente de que o é, enquanto que o domesticado pelo hábito, submissão ou obrigação, nunca será capaz de perceber seu condicionamento.
6 - Mas a Disciplina requer humildade, que não é servidão ou conformismo, a exemplo dos comportamentos religiosos. Um religioso nunca será verdadeiramente disciplinado, uma vez que segue cegamente preceitos, ordens e padrões, o que pode contrariar sua natureza e predisposições inatas, mesmo que nunca admita ou venha sequer a perceber a existência de tal condição postural em si mesmo.
7 - Seria o Estado de Disciplina, um ilustre desconhecido da maioria das pessoas?
E o estado de Disciplina não pode coexistir onde existe subjugação ou conformação de qualquer natureza, o que significa conduta por injunção. O mais adequado seria considerarmos essa postura passiva como automatismo.
8 - E se a auto-organização é um dos mais elevados estados existenciais do homem, a Disciplina é o processo por meio do qual se chega a ela. Organização é o meio pelo qual a desordem é desfeita, enquanto que a Disciplina é o meio, princípio e fim pelo qual essa Organização será, na prática, aplicada.
9 - No conceito tradicional de Disciplina, logo se imagina o uso rotineiro de alguma técnica segundo um protocolo rígido, durante a execução de alguma tarefa ou cumprimento de atividades regulares. Mas, Disciplina não é nada disso. Trata-se de um Estado Existencial Livre, e não uma condição patrocinada por leis, dogmas, tradições, prescrições da mesologia, desejo de ganho ou mérito, ou por medo.
10 - A Infância é a melhor época para se disciplinar uma criança. Ela ainda não está contaminada com nossos vícios, hábitos, paranóias, crenças, dogmas e tabus, princípios que nos obriga a seguir uma linha de ação muitas vezes contrária às nossas disposições inatas ou vontade. Por isso é mais simples lapidar esse perfil ainda não recheado por opiniões patológicas. O cérebro inocente de uma criança ainda é um domínio onde o controle mais amplo do Ego ainda não fixou suas raízes.
11 - E para que a Disciplina aflore naturalmente, o costume de recompensar a criança apenas pelo fato de cumprir seus deveres formais deverá ser descartado. O ato de cumprir um dever o será sempre por consciência e nunca por coerção. Na coerção jamais existirá o processo disciplinar natural, mas, antes disso, apenas o exercício regular de uma atividade motivada por gratificações, o mesmo princípio já adotado na prática da Corrupção.
Uma reflexão Final:
12 - Finalmente, reflita sobre o assunto antes de aceitar o que aqui está escrito. Só o questionamento voluntário permite a experiência pessoal consciente, o único caminho para o aprendizado lúcido. Teste em si mesmo, faça a digestão antes de aplicar em sua rotina diária ou repassar adiante, não apenas isso, mas de qualquer outra coisa que se apresente diante dos seus olhos ou ouvidos.
Alguns Segredos Ocultos da Lei de Causa e Efeito que a maioria das pessoas ainda Desconhece
Autor: Alberto Filho [1]
Afinal de contas, a despeito da existência de um conceito de Ética Universal, naquele caso, localmente, a autoridade que ajuíza o que é errado ou certo é que dará a palavra final. Mas, e qual é a Autoridade que autentica ou autoriza esse Juiz a atribuir e homologar tudo aquilo que ali é moralmente correto, ou segundo ele, Consciencialmente Ético?
Em outras palavras, a definição daquilo que é moralmente correto é instituído, protocolado e decretado por quem? E qual será a autoridade ou instância encarregada de certificar que os desígnios do sentenciador ou juiz estão de fato pautados na verdade?
Para os fabricantes das drogas alcoólicas, a despeito dos milhares que morrerão afogados pela embriaguez dos seus compostos etílicos e das famílias que serão destroçadas pelo mesmo motivo, o conceito de ética se resume a pagar seus impostos em dia e depois gratificar, de acordo com as leis trabalhistas em vigor, todos os seus empregados ou cúmplices.
E para cada um daqueles funcionários dedicados à produção e disseminação daquela droga tóxica eufemisticamente chamada de produto interno bruto, praticar ética significa apenas respeitar as leis do seu país e depois se curvar em sinal de humildade diante dos deuses ou ícones que dão lastro a sua tradição cultural, ideologia ou crença religiosa local.
Então surge o mito – na verdade trata-se de uma prática aceita por todos – de que uma ação isolada, necessariamente, também terá como desdobramento um efeito isolado. É como se, por exemplo, ao ferirmos alguém com palavras ou atos, um posterior pedido de desculpas fosse capaz de reparar as consequências criadas a partir do primeiro ato. Segundo esse ponto de vista, não se leva em conta o efeito da agressão, assim como seus desdobramentos imediatos e posteriores, mas apenas o segundo gesto, que é o pedido de desculpas.
Ocorre que, um processo de agressão, seja ele físico ou verbal, nunca terá apenas um resultado ou consequência. Não vivemos reclusos em retiros ou clausuras, nossos interrelacionamentos é a essência da vida em sociedade. Assim, a ferida é sempre coletiva. A qualidade da saúde mental da vítima interfere dramaticamente em seus atos e relações pessoais. Logo, os mais próximos da vítima, ou aqueles que façam parte do seu grupo de convívio mais íntimo, independente do agressor ter ou não consciência disso, também serão vítimas em primeiro grau da mesma injúria.
A Partir de nossas contradições tentamos construir um modelo de mundo onde até os delitos provocados por nossos excessos conscientes poderão ser justificados, desfeitos ou suavizados, exceto quando somos as vítimas...
Tabular as consequências que virão a partir do desdobramento daquela ação inicial, é, portanto, algo impossível de ser feito. Isso significa dizer que uma suposta boa ação não anula os resultados de outra má. São coisas distintas, de naturezas opostas. Além disso, cada uma seguirá um caminho peculiar, criando em seu rastro outros tantos desdobramentos, e tudo isso de acordo com sua natureza original.
O pior de tudo é que vivemos em uma Mesologia Patológica, onde os efeitos negativos tendem a ganhar mais destaque e visibilidade. Isso significa dizer que irão se propagar em maior velocidade que os positivos. A fórmula da métrica é bastante simples: num ambiente contaminado pela negatividade, a força de empuxo para compartilhar um problema compatível com sua natureza nosográfica é maior do que o seu inverso.
Assim, perceber em si mesmo uma contradição ou traço negativo passível de causar malefícios, isso equivale à descoberta de uma virtude que será acrescentada ao nosso tesouro pessoal. Agora, ciente desse gargalo, ao impedirmos que aquela anomalia comportamental, de nossa parte, se transforme em uma má ação, este já é um gesto virtuoso.
Entender por que aquele atributo negativo ainda faz parte do nosso comportamento e erradicar suas causas, isso implica em liberdade, uma vez que, pelo menos a partir de nós, ele nunca mais causará dano algum ao mundo.
No entanto, uma descoberta dessa natureza ainda não faz parte da resoluções da maioria das pessoas. Consensualmente, todos ainda acreditam que a transformação pessoal ocorre de fora para dentro, e não de dentro a partir da constatação do que existe lá fora. Por isso esperam diligentemente que a mão mágica de um Guru espiritual ou crença religiosa atue como patrocinador desta mudança.
Eis o motivo pelo qual não se dá conta de como tem plantado ao longo de sua existência dezenas de sementes que mais tarde se transformarão em frutos imprestáveis ou deformados. Uma coisa é certa: Se estivesse consciente de tudo isso, estes frutos certamente teriam outro status. Seriam frutos com uma qualidade compatível com o cuidado e zelo do produtor. E por que ele ainda não consegue entender isso com lucidez? Trata-se da síndrome do imediatismo em ação, onde o indivíduo só é capaz de perceber um ferimento em seu dedo se houver sangramento no ato.
Notas:[1]
Editoria de Educação do Site de Dicas.
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Jon Talber - jontalber@gmail.com
É Pedagogo, Antropólogo e autor especializado em Educação Integral e Consciencial.
Alberto Filho - albfilho@gmail.com
É orientador em educação infantil e adulta, inclusive da terceira idade, com especialização em Educação Integral e Consciencial. É também ilustrador e escritor de contos infantis e adultos.
O autor não possui Website ou Blog pessoal.
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