Preservam-se vidas
no silêncio das operações invisíveis.
Não por súbito milagre,
mas pela adição paciente das essências
crescentes, ordenadas, luminosas.
No vaso oculto da existência,
o princípio ativo da Vida
destila-se como fogo líquido
que percorre as veias do espírito.
Ali, no interior do ser,
o invisível trabalha.
Pois a verdadeira espiritualidade
não se anuncia em voz alta:
ela transmuta.
Nas profundezas do inconsciente coletivo
jazem tesouros antigos,
arquivos vivos da memória universal.
Quando o espírito desperta,
essas riquezas ascendem
como águas subterrâneas
que encontram a fenda da rocha.
E então se exteriorizam
em gotas puras de consciência,
pequenas, silenciosas, fecundas.
Assim, sem alarde,
preservam-se vidas.
Valores são selos antigos
gravados nas portas da alma.
Quem os reconhece
abre o caminho da comunhão espiritual
e reativa correntes sutis
que circulam entre céu e terra.
Essas correntes fertilizam os campos invisíveis,
edificam os solos do mundo interior
e sustentam o crescimento das eras.
Nelas germinam as sementes do tempo,
dando fruto às mudanças cíclicas da natureza
como etapas sucessivas
da Obra secreta da criação.
Então as inspirações se revelam
como símbolos a serem decifrados.
Pois existe uma justiça
que não depende do julgamento humano:
a equação perfeita das leis divinas.
Ela opera no exato compasso
do movimento cósmico.
E nesse grande ritmo,
onde tudo nasce, morre e renasce,
o complexo retorna ao simples
como a matéria retorna ao princípio.
Assim o iniciado compreende:
que preservar a vida
é participar conscientemente
do equilíbrio da Grande Obra.
E que cada gesto de luz
por menor que pareça
é uma centelha acrescentada
à eterna alquimia do universo.
por frederick292
