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"O Amor que Retorna com o Vento"
Respiremos,
o Amor que liberta.
Não grita,
não impõe,
não exige.
Apenas sustenta a chama:
como estrela que insiste,
mesmo em céus nublados.
Pois não há heresia em senti-lo.
Nem perigo em pensar livre —
quando o que nos move é o Amor verdadeiro.
Disseram-nos que o caminho é estreito.
Mas esqueceram de dizer
que o Amor atravessa frestas
em potes de barro —
e ainda assim ilumina tudo.
Há vozes que traçam mapas com linhas duras,
promessas retas,
muros altos pintados de céu.
Mas o vento…
não se curva a cercas.
E o coração… bem,
o coração sempre soube dançar
fora do compasso dos homens.
Há quem tema a liberdade
como se fosse desvio.
Como se o Amor, ao florescer sem grades,
fosse heresia — e não milagre.
Mas o Amor não foge das perguntas.
Ele as acolhe,
como quem colhe flores
no chão do mistério.
Não é que os antigos estivessem errados...
Apenas esqueceram
que o fogo não se guarda em caixas.
Que o canto do flautista é chama viva,
não manual de regras.
Há quem escute
nos intervalos dos sermões,
nas entrelinhas dos livros,
um sussurro que não exige fé cega —
apenas convida a ver… de olhos abertos.
Pois é um chamado suave e simples:
“O que você busca…
é o que já carrega.”
E então, a alma se ergue.
Não contra, mas além…
Lembrando que o primeiro altar é o coração.
É assim que floresce.
É assim que retorna com os ventos.
E quando encontra terreno fértil,
não ensina — desperta.
Porque o Amor nos chama a pertencer ao Todo,
a escutar o sussurro da alma.
E quem escuta… muda.
Não por revolta —
mas por reconexão.
Não por abandono —
mas por retorno.
Não por crítica —
mas por lembrança.
Enfim, o Amor não destrói templos.
Apenas nos lembra
que nós somos o templo.
Porque o Amor — o real, o profundo,
o anterior a qualquer credo —
nos convida a voar…
livres.