Em tempos em que o mundo parece vestir o inverno por dentro, recordar os Direitos Humanos é reacender uma chama que insiste em não se apagar. Eles não são apenas palavras escritas em declarações solenes, mas o pulsar invisível que afirma que toda vida importa, que toda voz merece ser ouvida, que toda existência carrega dignidade. Quando o frio da indiferença tenta nos endurecer, que escolhamos ser abrigo; quando a injustiça ecoar alto, que sejamos coragem serena. Que este dia nos convoque a aquecer o mundo com gestos concretos, a transformar compaixão em ação e a lembrar, uns aos outros, que humanidade não é apenas o que somos — é o que decidimos praticar, todos os dias.
Trabalho filantrópico para o bem comum: SOMOS UM TODO CHAMADO AMOR. “Seja um estudante, não um seguidor… debata, pondere e considere de todos os ângulos.” (Jim Rohn). Aqui, toda leitura que gera consciência pode se tornar semente, e, quando compartilhada, amplia o bem. Este espaço não busca números, mas alcance de consciência. Se fizer sentido para você, compartilhe.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2018
por Peia Luzzi = "Machi" from Four Great Winds
Om, shanti.
por Peia Luzzi
Peia "Machi" from Four Great Winds
***
"Esta canção fala do poder de cura e medicinal da Mulher, da Lua e da própria Terra. 'Machi' é uma palavra que vem do povo mapuche do Chile e da Argentina. A Machi é uma mulher de medicina e às vezes também se refere a um curandeiro. Que as imagens aqui nos lembrem a todos que milagre esta vida é. Que possamos ver que, embora tenra e vulnerável, nossa Terra é sábia e resiliente além de qualquer medida. 'Onde há amor há vida' e aqui há muito amor. Seja abençoado."
***
Letras da música:
Machi machi machi - ma
Machi Cura
Machi Sana
Machi cántame una nana
Machi machi machi - ma
Machi machi machi - ma
Yo no lloro
Yo sólo canto
Con tu encanta
Pacha Mama
Madre Tierra
*
Tradução:
Machi está curando
Machi está se curando
Machi me canta uma canção de ninar
Eu não choro
Eu apenas canto
Com seu amor
Pacha Mama
Mãe Terra
*
Gratidão!
Namastê buscadores!
Revista Bula

POR CARLOS WILLIAN LEITE
EM COLUNISTAS
"Publicado no Brasil pela editora Sextante... um pequeno manual que reúne 99 máximas do gênio alemão e sua aplicação a várias situações do dia a dia. No livro, cada capítulo é iniciado por um aforismo de Nietzsche, seguido de uma interpretação atual feita por Allan Percy, autor da compilação.
Friedrich Wilhelm Nietzsche nasceu em 1844, na cidade alemã de Röcken. Escreveu centenas textos críticos sobre religião, moral, cultura contemporânea, filosofia e ciência, exibindo uma predileção por metáfora, ironia e aforismo. Seu legado filosófico até hoje não perdeu o poder de inspirar.
'Aos 25 anos Nietzsche já era professor de filologia clássica. No entanto, sua atividade docente foi interrompida em 1870, quanto estourou a Guerra Franco-Prussiana. Nietzsche participou do conflito como enfermeiro, mas foi obrigado a abandonar Guerra por causa de uma disenteria, da qual nunca se recuperou totalmente. Obrigado a se aposentar prematuramente por conta de sequelas da doença, Nietzsche viveu na Riviera francesa e no norte da Itália, lugares que considerava ideais para pensar e escrever' (...) aforismos compilados por Allan Percy."
1 — Quem tem uma razão de viver é capaz de suportar qualquer coisa.
3 — Nós nos sentimos bem em meio à natureza porque ela não nos julga.
6 — Nossos tesouros está na colmeia de nosso conhecimento. Estamos sempre voltados a essa direção, pois somos insetos alados da natureza, coletores do mel da mente.
8 — Nossa honra não é construída por nossa origem, mas por nosso fim.
11 — Precisamos amar a nós mesmos para sermos capazes de nos tolerar e não levar uma vida errante.
13 — Alegrando-se por nossa alegria, sofrendo por nosso sofrimento — assim se faz um amigo.
15 — O sucesso sempre foi um grande mentiroso.
16 — O homem é algo a ser superado. Ele é uma ponte, não um objetivo final.
19 — O reino dos céus é uma condição do coração e não algo que cai na terra ou que surge depois da morte.
22 — Os maiores êxitos não são os que fazem mais ruído e sim nossas horas mais silenciosas.
23 — O indivíduo sempre lutou para não ser absorvido por sua tribo. Se fizer isso, você se verá sozinho com frequência e, às vezes, assustado. Mas o privilégio de ser você mesmo não tem preço.
24 — Quem é ativo aprende sozinho.
26 — Não há razão para buscar o sofrimento, mas, se ele surgir em sua vida, não tenha medo: encare-o de frente e com a cabeça erguida.
27 — A razão começa na cozinha.
28 — O futuro influi no presente da mesma maneira que o passado.
30 — A maneira mais eficaz de corromper o jovem é ensiná-lo a admirar aqueles que pensam como ele e não os que pensam de forma diferente.
31 — Toda queixa contém em si uma agressão.
32 — No amor sempre existe algo de loucura e na loucura sempre existe algo de razão.
33 — Quem deseja aprender a voar deve primeiro aprender a caminhar, a correr, a escalar e a dançar. Não se aprende a voar voando.
34 — Quem luta contra monstros deve ter cuidado para não se transformar em um deles.
35 — São muitas as verdades e, por esse motivo, não existe verdade alguma.
36 — A mentira mais comum é a que o homem usa para enganar a si mesmo.
37 — Deveríamos considerar perdido o dia em que não dançamos nenhuma vez.
38 — Há mais sabedoria no seu corpo do que na sua filosofia mais profunda.
39 — Se ficar olhando muito tempo para o abismo ele olhará para você.
40 — As posições extremas não são seguidas de posições moderadas, e sim de posições contrárias.
42 — Eis a tarefa mais difícil: fechar a mão aberta do amor e ser modesto como doador.
44 — Todos os grandes pensamentos são concebidos ao se caminhar.
45 — Quem não sabe guardar suas opiniões no gelo não deveria entrar em debates acalorados.
48 — Amigos deveriam ser mestres em adivinhar e calar: não se deve querer saber tudo.
49 — Usar as mesmas palavras não é garantia de entendimento. É preciso ter experiências em comum com alguém.
50 — Estava só e não fazia outra coisa além de encontrar-se consigo mesmo. Então, aproveitou sua solidão e pensou em coisas muito boas por várias horas.
51 — A potência intelectual de um homem se mede pelo humor que ele é capaz de manifestar.
53 — De que vale o ronronar de alguém que não sabe amar, como um gato?
54 — Para chegar a ser sábio, é preciso querer experimentar certas vivências. Mas isso é muito perigoso. Mais de um sábio foi devorado nessa tentativa.
55 — O cérebro verdadeiramente original não é o que enxerga algo novo antes de todo mundo, mas o que olha para coisas velhas e conhecidas, já vistas e revistas por todos, como se fossem novas...
56 — Quem não dispõe de dois terços do dia é um escravo.
58 — O homem amadurece quando reencontra a seriedade que demonstrava em suas brincadeiras de criança.
59 — Ninguém é tão louco que não possa encontrar outro louco que o entenda.
60 — Na maior parte das vezes que não aceitamos uma opinião, isso acontece por causa do tom em que ela foi manifestada.
62 — Antes de se casar, pergunte a si mesmo: serei capaz de manter uma boa conversa com essa pessoa até a velhice? Todo o resto é passageiro num matrimônio.
63 — É muito difícil os homens entenderem sua ignorância no que diz respeito a eles mesmos.
64 — Pobre do pensador que não é o jardineiro, mas apenas o canteiro de suas plantas.
66 — A verdade é que amamos a vida não porque estamos acostumados a ela, mas porque estamos acostumados com o amor.
67 — O homem é a causa criativa de tudo o que acontece.
68 — Seus maiores bens são seus sonhos.
70 — As ilusões são certamente prazeres dispendiosos, mas a destruição delas é mais dispendiosa ainda.
71 — A essência de toda arte bela, de arte grandiosa, é a gratidão.
74 — Os poços mais profundos vivem suas experiências lentamente: esperam um bom tempo até saberem o que caiu em suas profundezas.
75 — Quando temos muitas coisas para guardar nele, o dia tem 100 bolsos.
78 — Quantos homens sabem observar? E, desses poucos que sabem, quantos observam a si próprios? “Cada pessoa é o ser mais distante de si mesmo.”
80 — Cada mestre não tem mais que um aluno e esse aluno lhe será infiel, pois está predestinado a ser mestre também.
81 — O mundo real é muito menor que o mundo da imaginação.
83 — A esperança é muito mais estimulante que a sorte.
84 — O que não nos mata nos fortalece.
85 — Quem vê mal sempre vê pouco. Quem escuta mal sempre escuta demais.
86 — Toda vez que me elevo, sou perseguido por um cachorro chamado Ego.
90 — Nossa vida nos parece muito mais bonita quando deixamos de compará-la com as dos outros.
92 — Eis a fórmula da felicidade: um sim, um não, uma linha reta, uma meta.
93 — A melhor maneira de começar o dia é se comprometer a fazer feliz ao menos uma pessoa antes de o sol se pôr.
94 — A simplicidade e a naturalidade são o objetivo supremo e último da cultura.
95 — A vida não é muito curta para que fiquemos entediados?
99 — O amor não é consolo — é luz.
Para Leitura do Artigo na Íntegra,
por gentileza acessar à Fonte:
http://www.revistabula.com/3127-99-doses-de-nietzsche/
por gentileza acessar à Fonte:
http://www.revistabula.com/3127-99-doses-de-nietzsche/
Indicação de Livro:
Quando Nietzsche Chorou
"Esta é uma envolvente mescla de fato e ficção, um drama de amor, fé e vontade tendo por pano de fundo o fermento intelectual da Viena do século XIX às vésperas do nascimento da psicanálise. Friedrich Nietzsche, o maior filósofo da Europa... Josef Breuer, um dos pais da psicanálise... um pacto secreto... um jovem médico interno de hospital chamado Sigmund Freud: esses elementos se combinam para criar a saga inesquecível de um relacionamento imaginário entre um extraordinário paciente e um terapeuta talentoso. Na abertura deste romance irresistível, a inatingível Lou Salomé roga a Breuer que ajude a tratar o desespero suicida de Nietzsche mediante sua experimental terapia através da conversa. Ao aceitar relutante a tarefa, o eminente médico realiza uma grande descoberta: somente encarando seus próprios demônios internos poderá começar a ajudar seu paciente. Assim, dois homens brilhantes e enigmáticos mergulham nas profundezas de suas próprias obsessões românticas e descobrem o poder redentor da amizade."
*
"No final do século XIX, Josef Breuer parece estar no auge de sua carreira após curar uma paciente com seu novo método de tratamento, a “terapia através da conversa”. No entanto, isso também se revela um grande tormento, pois ele desenvolve obsessivas fantasias sexuais com sua paciente, que causam a ele insônia e pesadelos. De férias em Veneza, Breuer encontra uma jovem russa que lhe pede um favor: tratar a depressão suicida do amigo Friedrich Nietzsche. A partir do encontro dos dois homens, o que se estabelece é uma relação na qual as funções de médico e paciente se confundem, pois, assim como o filósofo consegue alívio para suas angústias, Breuer também encontra, na filosofia de Nietzsche, algumas respostas para as próprias dores existenciais."
terça-feira, 11 de dezembro de 2018
Om, shanti.
Há cantos que não se escutam apenas com os ouvidos, mas com a memória antiga do coração. Esta obra nasce do sopro das Mães Sagradas, guardiãs invisíveis que embalam o mundo com sua força serena e indomável ternura. É um chamado suave e profundo, como água que brota da terra e encontra seu caminho, lembrando-nos da origem, do cuidado e da potência que habita o feminino ancestral. Ao ouvi-la, permita-se recolher as armas do cotidiano e repousar no colo daquilo que nutre, protege e desperta — como quem retorna, enfim, à fonte primeira de amor e consciência.
por Estudio185
Quatro Cântaros - Mataji - As Mães Sagradas
segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
sexta-feira, 7 de dezembro de 2018
Om, shanti.
por HARMONICO101
Vivaldi - Concerto for Two Violins in A Minor RV522
*
“Entre Dois Mundos”
Às vezes, sinto o universo pulsar dentro de mim,
como rios de luz atravessando o silêncio da alma.
Por vezes, vozes sutis... anjos e guardiões...
me convocam a prosseguir, firme e sem medo.
me convocam a prosseguir, firme e sem medo.
Às vezes, o caminho se perde em neblina;
outras, flui sereno, sem esforço.
Nada é obstáculo: cada desafio é portal,
cada queda, iniciação.
Apego-me à luz,
onde confio e encontro força para continuar.
No coração desperto, aprendo
a amar além das formas e aparências,
a vencer o próprio reflexo sombrio,
a não julgar; apenas semear.
a amar além das formas e aparências,
a vencer o próprio reflexo sombrio,
a não julgar; apenas semear.
Semeio no solo sagrado:
alegria que floresce em silêncio,
amor que atravessa barreiras,
paz que repousa serena sobre tudo.
E assim, entre dois mundos,
caminho como iniciado:
cada passo é oferenda,
cada gesto, alquimia do espírito.
terça-feira, 4 de dezembro de 2018
Shalom!
"Um sonho se guarda em volta dos meus passos.
África sonha quando escrevo.
Escrevo para incentivar o povo africano a sonhar.
Todos os meus escritos são tentativas de renascer-me África.
Ser africano é ser invadido pelo sonho de liberdade.
Sou um pouco da África que nasce.
Sou um pouco da África que morre.
Sou muito da África que sonha."
(Morgado Mbalate)
*
“Africanizando”
"Quando o meu sonho me ilumina eu escrevo África.
África me faz e me rodeia.
Eu amo essa gente cheia de África.
O chão da África tem cheiro de mim.
Na África, todos os caminhos nos levam às fontes
da terra e às origens do mundo.
E o que me torna africano?
É o amor pela terra e pela cultura.
A terra me ilumina.
A cultura me encanta.
Minha alma é atravessada por imensos rios,
como rio Nilo, que nasce no meu corpo.
Em mim, há quedas de águas, sobre mim,
caminham cursos de rios.
A maioria dos rios da África nasce no planalto dos olhos.
Por isso, eu caminho de mãos dadas com a flora e a fauna.
Sou savana africana de mim mesmo.
A poesia africana é para se vestir dela e correr poemas pelo mundo.
E eu escrevo para justificar a poesia africana.
Não acredito na riqueza material fácil e rápida para todos os africanos.
Mas acredito no ideal de riqueza espiritual através da promoção da cultura.
Eu hoje escrevo o coração da África.
Nunca me separo da África porque a trago dentro de mim.
África é dentro de mim."
(Morgado Mbalate)
*
Biografia:
Mais conhecido por Morgado Mbalate é um poeta, escritor e filósofo moçambicano. Um dos poetas mais talentosos na nova geração de autores moçambicanos. Nasceu em Maputo, Moçambique, a 06 de Setembro de 1993. É licenciado em Filosofia e Especializado em Recursos Humanos pela Universidade São Tomás de Moçambique. Teve uma curta passagem pela Escola Nacional de Aeronáutica onde estudou Electrónica e Telecomunicações. Poeta, é autor do livro de Poesia Odisseia da Alma publicado pela Edições Esgotadas. De entre prémios e distinções, destaque para as menções honrosas no Premio Mondiale di Poesia Nósside 2014 e no Prémio Fernanda de Castro do IV Concurso Internacional de Poesia e Prosa 2017 (Brasil). Está inscrito em diversas Antologias Internacionais e têm textos publicados em revistas e jornais de Moçambique e Brasil, destaque para as revistas brasileiras Por dentro da África, Letrilha, e Oficina Poética. Participou do projeto o que nos abala de Socoraba (Brasil). Em 2016 foi colaborador da Rádio Cidade das Acácias. Atualmente é colaborador da revista brasileira Por dentro da África dedicada ao continente africano, com notícias, pesquisas, teses, e coberturas exclusivas desenvolvida pela jornalista brasileira Natalia da Luz.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Morgado_Mbalate
sexta-feira, 30 de novembro de 2018
Salam!

Poesia Mistica Persa
O Jardim das Rosas
Saadi
O poeta persa Musharrif Od-Dîn Sa'adi, mais conhecido como Saadi (1184-1291), nasceu em Shiraza, estudou em Bagdade e transferiu-se para Isfashan, depois da invasão da pátria pelos mongóis.
Passou então a correr mundo, entre 1226 e 1256. Depois da Índia, viveu em Damasco, como chefe árabe ou xeque, e, em Balbec, adquiriu fama de grande orador sacro.
Retirou-se, depois, para o deserto, foi feito prisioneiro, até ser resgatado por um amigo rico, casando-se com a filha do benfeitor. Fez várias peregrinações a Meca, morrendo, em idade avançada, na cidade natal.
É famoso por seu Divan, coleção de poesias líricas, e pelo Gulistan ("Jardim das Rosas"), contos morais, históricos e fantásticos, entrelaçados de trechos poéticos.
Sua filosofia é que o divino está na natureza, e o poeta deve procurar as coisas com mais nitidez. No Gulistan há muitas anedotas, recordações e visões expressas com grande concisão e intenso amor da verdade. Gulistan ("O Jardim de Rosas") é uma das principais obras da literatura persa. Escrito em 1259 D.C., é uma das suas obras primas.
O Gulistan é uma coleção de poemas e histórias, da mesma forma que um jardim de rosas é uma coleção de rosas. É comumente citado como uma fonte de sabedoria.
Sa'di observa que compôs o Gulistan para ensinar as regras de conduta da vida tanto aos reis quanto aos dervixes, por exemplo, a primeira linha, louvando Deus, é acompanhada de uma pequena nota em vermelho que especifica que Deus é Sahib (senhor) e Malik (rei).
"Aquele que aprende e não coloca em prática é como aquele que ara e não semeia"
"Água profunda dificilmente se perturba com a pedra que lhe arremessam; e quando a sabedoria se irrita é porque não é profunda."
"O sábio Saadi, nascido em Xiraz, caminhava por uma rua com seu discípulo, quando viu um homem tentando fazer com que sua mula andasse.
Como o animal recusava-se a sair do lugar, o homem começou a insultá-lo com as piores palavras que conhecia.
Então o sábio aproximou-se dele e calmamente falou:
- Não sejas tolo... o asno jamais aprenderá tua linguagem. O melhor será que te acalmes, e aprendas a linguagem dele.
O homem não lhe deu ouvidos e continuou xingando o animal; o sábio afastando-se, comentou com o discípulo:
- Antes de entrar numa briga... pensa bem na cena que acabaste de ver."
"Não é sábio discutirmos com alguém que ainda não esteja preparado para as coisas simples da vida, como por exemplo compreender o grande amor de Deus em todas as criaturas... É preciso saber calar..."
"Um rei injusto perguntou a um santo homem: 'O que é melhor do que uma prece?' O santo homem respondeu: 'Vossa Majestade ficar dormindo até o meio-dia, para que nesse intervalo não possa afligir os homens'. Se vós cortejais o ricos, não procureis contentamento."
"Ninguém jamais reconheceu a sua própria ignorância, exceto aquele que, enquanto o outro está falando e não acabou de falar, começa a falar. "
"Não vos apresseis... Aprendei a deliberar. O cavalo árabe galopa a toda velocidade e logo se esgota; o camelo, com o seu passo firme, viaja noite e dia e chega ao fim da sua jornada."
"Adquiri o saber, pois nenhuma confiança se pode depositar nas riquezas ou posses... Se um profissional perde sua fortuna ele não precisa lamentar-se, porque os seus conhecimentos constituem uma fonte de riqueza. "
"A severidade do mestre-escola é mais útil
do que a indulgência do pai."
http://acaminhodacasa.blogspot.com/2015/05/poesia-mistica-persa-o-jardim-das-rosas.html
quarta-feira, 28 de novembro de 2018
Namastê buscadores!
"A Assembleia dos Pássaros",
pintado por Habib Allah.
A poupa, no centro, à direita, instrui os outros pássaros no caminho sufi
***
"Um dos grandes poetas e místicos do Irã é Farid ud-Din Attar Nishaburi (1145-1221).
Nascido em 1145 em Neyshabur, no nordeste do Irã e o filho de um boticário rico (a palavra attar significa em árabe e persa "boticário", "remédios preparador médicos, ervas medicinais ou perfumes", "perfume", mas de fato, quase equivalente à profissão do médico), "Attar" recebeu uma excelente educação. Ele estudou árabe, medicina e ciências religiosas. Quando jovem, ele ajudou seu pai na loja e herdou sua morte. Como um speziale, os clientes que se dirigiram a ele confiaram todos os seus problemas e ele ficou profundamente comovido. Finalmente, ele decidiu abandonar sua atividade e viajou muito. Durante sua estada em Kufa, Meca, Damasco, Turquestão e Índia, ele teve a oportunidade de conhecer vários mestres sufis. Em seu retorno, ele promoveu o Sufismo.
"Attar é um dos mais famosos poetas místicos iranianos. Suas obras foram inspiradas pelo grande poeta persa "Rumi" e por muitos outros poetas místicos. Rumi o cita várias vezes em suas obras e com a mais alta estima e em sua poesia elogia Attar da seguinte forma:
«Attar viajou vagando as sete cidades do amor - Nós ainda estamos no mesmo caminho.»
Em estilo característico de poetas sufis, Attar aumenta o amor terreno e amor divino como um prelúdio metáfora: embora a forma humana do amor era um longe de ser perfeito, no entanto, ele tem uma reflexão espiritual, como o "amado" torna-se o 'Sendo supremo."
"Sua obra mais famosa é o "Manṭiq al-ṭayr" (A Linguagem dos Pássaros com as imagens de Kamal al-Din Bihzad), que é certamente uma das obras-primas da literatura persa. É um poema alegórico narrando a história dos pássaros do mundo, levou dall'upupa, eles começaram a procurar por seu rei, Simurgh (cujo palácio está além da montanha de "Qaf" No Fim do Mundo). Típico um poema quadro de cerca de 4.500 linhas, em que a história-frame dos pássaros viajam quadros uma densa rede de diálogos e anedotas, o texto revela de forma transparente o seu conteúdo místico e seu ensino e fins de iniciação: atrás do hoopoe é fácil ver o mestre Sufi que guia através de sete vales (as moradas espirituais místicas) seus discípulos inquietos (os pássaros) em direção à iluminação final, Além de obras importantes são o "Asrar-Name" (O Livro dos Segredos), o 'Musibat-name' (Livro de adversidade) e 'Tazkerat al-Oliya' (Memorial de Intimates de Deus, que contém as biografias de muitos Mestres sufis e homens santos); ele também compôs um grande Canzoniere (divã) composto de ghazal e quadras. Em geral, a maioria de seus livros é acessível para todos e relativamente fácil de ler.
Na Itália muitos artistas foram inspirados por Attar e suas obras. O Radiodervish foram inspirados pelo Mantiq al-Tayr em seu álbum "In Search of Simurgh" em 2004. Também foram feitas adaptações teatrais como o de "Wings of Dust In Search Of Simurgh" por Teresa Ludovico e "a palavra de Aves - Ano I: II Jornada Analógica "de Domenico Castaldo. Em outras literaturas, há citações de Attariano: W. Beckford (Watek), Jorge Luis Borges (O Aleph e nos versos de The Unending Rose); em vários trabalhos de A. De Mello; em R. Musil (Homem sem qualidades) e no mexicano A. Ruy Sanchez (Os nomeados do fogo)."
Versões do Livro:
-"A busca que o ser humano faz do divino é tema central das mais diversas religiões. Os religiosos procuram encontrar Deus de várias formas. Algumas pessoas praticam a religião de maneira ortodoxa, outras buscam na simplicidade das ações cotidianas a forma de reverenciar e encontrar o Criador. Há ainda os que usam da linguagem escrita, prosa ou verso, de forma alegórica para compreender o sagrado. O livro, traduzido como “A Linguagem dos Pássaros” ou “A Conferência dos Pássaros”, encontra-se nesse grupo. Esta obra, escrita no século XII pelo místico muçulmano persa Faridud-Din Attar é prova da sensibilidade, da perseverança, da delicadeza e das dificuldades que o ser humano enfrenta para obter sua aproximação com Deus, que às vezes lhe parece tão perto e outras vezes tão distante."
-"A Conferência dos Pássaros (em persa: منطق الطیر, Mantiqu 't-Tayr, 1177), também traduzido para o português como A Linguagem dos Pássaros, é um livro de poemas em Persa by Farid ud-Din Attar de cerca de 4500 linhas. O enredo da história contada pelo poema é a seguinte: os pássaros do mundo se reúnem para decidir quem será seu rei, já que eles não têm nenhum. A poupa (Upupa sp.), o mais sábio de todos eles, sugere que eles devem encontrar o lendário Simorgh, um pássaro mítico persa - uma alegoria da busca por Deus. A poupa respresenta um mestre sufi e cada uma da aves que desiste da viagem representa uma falha humana que impede o homem de atingir a iluminação. Do grupo de pássaros que parte, somente trinta pássaros consegue, finalmente, chegar ao local de moradia do Simorgh. Lá eles descobrem que eles mesmos são o rei que procuram.
Na Itália muitos artistas foram inspirados por Attar e suas obras. O Radiodervish foram inspirados pelo Mantiq al-Tayr em seu álbum "In Search of Simurgh" em 2004. Também foram feitas adaptações teatrais como o de "Wings of Dust In Search Of Simurgh" por Teresa Ludovico e "a palavra de Aves - Ano I: II Jornada Analógica "de Domenico Castaldo. Em outras literaturas, há citações de Attariano: W. Beckford (Watek), Jorge Luis Borges (O Aleph e nos versos de The Unending Rose); em vários trabalhos de A. De Mello; em R. Musil (Homem sem qualidades) e no mexicano A. Ruy Sanchez (Os nomeados do fogo)."
Versões do Livro:
-"A busca que o ser humano faz do divino é tema central das mais diversas religiões. Os religiosos procuram encontrar Deus de várias formas. Algumas pessoas praticam a religião de maneira ortodoxa, outras buscam na simplicidade das ações cotidianas a forma de reverenciar e encontrar o Criador. Há ainda os que usam da linguagem escrita, prosa ou verso, de forma alegórica para compreender o sagrado. O livro, traduzido como “A Linguagem dos Pássaros” ou “A Conferência dos Pássaros”, encontra-se nesse grupo. Esta obra, escrita no século XII pelo místico muçulmano persa Faridud-Din Attar é prova da sensibilidade, da perseverança, da delicadeza e das dificuldades que o ser humano enfrenta para obter sua aproximação com Deus, que às vezes lhe parece tão perto e outras vezes tão distante."
-"A Conferência dos Pássaros (em persa: منطق الطیر, Mantiqu 't-Tayr, 1177), também traduzido para o português como A Linguagem dos Pássaros, é um livro de poemas em Persa by Farid ud-Din Attar de cerca de 4500 linhas. O enredo da história contada pelo poema é a seguinte: os pássaros do mundo se reúnem para decidir quem será seu rei, já que eles não têm nenhum. A poupa (Upupa sp.), o mais sábio de todos eles, sugere que eles devem encontrar o lendário Simorgh, um pássaro mítico persa - uma alegoria da busca por Deus. A poupa respresenta um mestre sufi e cada uma da aves que desiste da viagem representa uma falha humana que impede o homem de atingir a iluminação. Do grupo de pássaros que parte, somente trinta pássaros consegue, finalmente, chegar ao local de moradia do Simorgh. Lá eles descobrem que eles mesmos são o rei que procuram.
Além de ser um dos exemplos mais célebres da poesia persa, este livro se baseia em um jogo de palavras entre as palavras Simorgh e "si morgh" - que significa "trinta pássaros" em persa.
Para alcançar o local onde está o Simorgh - o Monte Qaf - as aves devem atravessar sete vales: Talab (ânsia), Eshq (amor), Marifat (gnose), Istighnah (desapego), Tawhid (unidade de Deus), Hayrat (perplexidade) e, finalmente, Fuqur e Fana (abnegação e extinção). Estes vales representam as estações que um sufi ou qualquer indivíduo deve passar a perceber a verdadeira natureza de Deus.
Dentro do contexto maior da história da viagem dos pássaros, Attar conta ao leitor, em estilo poético, diversas historietas didáticas e cativantes. Toda a obra reflete a doutrina sufi, que inclui a noção mística de que Deus não é externo ou separado do universo, e sim a totalidade da existência. Os trinta pássaros buscando o Simorgh percebem que o Simorgh nada nada mais é do que a sua totalidade transcendente. Ao perceberem a verdade, eles assim chegam à estação de Baqa (subsistência), que fica no topo do Monte Qaf." (Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.)
Observações:
"Sobre a influência do Sufismo na literatura persa, assim nos fala a professora Beatriz de Morais Vieira: a partir do século XI-XII a literatura do Irã, a poesia em especial, embebe-se de filosofia e mística sufi, a qual deixou uma marca indelével no conjunto da produção literária e cultural da região, tornando-se até mesmo critério de 13 valor estético. O momento de mais contundente desenvolvimento literário persa se deu, então, sob os auspícios do sufismo que então se expandia, constituindo uma simbiose entre ideal místico e forma poética sem precedentes na história literária. (VIEIRA, 2001, p. 126)"
"Desse modo, ainda segundo Álvaro de Souza e Sérgio Rizek, na poesia mística, como nas outras formas de arte, os símbolos utilizados são parte de um meio particular de expressão. As imagens poéticas não são aí meras metáforas, no sentido aristotélico de uma transferência baseada na observação da analogia, e não se busca forjar imagens que expressem uma experiência; as expressões utilizadas pelo místico são a forma sensível na qual este vê a realidade. O simbolismo, enquanto aparato de suportes sensíveis que possibilitam o acesso ao universo simbolizado, respeita a complexidade da natureza humana, que não é puramente intelectual. Descrever os anjos ou dissertar sobre os atributos divinos seria, no mínimo, abstrato quando ainda não somos anjos nem homens realizados na via espiritual. Na poesia mística, o leitor envolve não apenas sua razão, mas também sua imaginação e sentimentos: torna-se possível assim, uma ascensão integral do homem às esferas superiores. O símbolo aqui é transformador, e não simplesmente informativo. (SOUZA, RIZEK in ATTAR, 1987, p. XV-XVI)"
"Sob a justificativa de que “tem inscrito no bico o nome de Deus”, a poupa, com seu penacho imponente sobre a cabeça, apresenta-se como aquele pássaro capaz de 27 liderar o grupo ao encontro do líder máximo, pois diz saber quem ele é e onde ele mora:
Conheço bem o meu rei, mas não posso ir ao encontro dele sozinha. Se quiserdes acompanhar-me, vos darei acesso à corte desse rei. Libertai-vos da timidez, de toda presunção e de qualquer turbação incrédula. Aquele que deixou a própria vida está liberto de si mesmo, foi libertado do bem e do mal para trilhar o caminho do bem-amado. Sede generosos com vossas vidas e colocai o pé a caminho para chegar à porta desse rei. Temos um verdadeiro rei. Ele habita além do Monte Qaf e seu nome é Simorg; ele é o rei dos pássaros. (ATTAR, 1987, p. 44)"
“Sutileza e memória: um olhar sobre a literatura persa clássica”, tal prática, levada ao paroxismo nos meios literários da Pérsia clássica, possibilitou a constituição de um imenso baú de imagens de valor simbólico ou metafórico, efeitos de um modus operandi baseado na abstração e na meta-referência, ou seja: quanto mais se elaborou a percepção abstrativa das coisas, mais se recorreu ao uso efetivo da metáfora como operação de linguagem que aproxima cadeias de signos e campos semânticos diferentes, associando de modo inédito dimensões distintas e desestabilizando, desse modo, as articulações da linguagem comum e possibilitando a constituição de sentidos outros. (VIEIRA, 2001, p. 125)"
"No mundo ocidental civilizado, o pensamento oscila, com raríssimas exceções – que estão localizadas, na maioria dos casos, em correntes filosóficas, psicológicas, místicas ou da Física – entre duas posições opostas e aparentemente excludentes. De um lado, a crença em um Deus que rege o mundo material, mas com o qual esse mundo não interage, tendo em vista a sua condição de absoluto e inatingível. Do outro, a convicção racional de que só é aceitável cientificamente aquilo que se consegue comprovar de forma empírica – o que, em tese, nega a existência real de uma instância divina, confinando-a no plano do imaginário. (SYLVIA LEITE, 2006, p. 104)"
"Sob o ponto de vista do filósofo sufi Ibn Arabi, ao contrário do que pensam os Ocidentais, os extremos representados pelo mundo espiritual e pelo mundo físico, estariam ‘no mesmo lugar, não apenas pela razão óbvia de que ambos encontram-se em posições extremas, mas antes pelo fato de igualmente não admitirem a existência de uma instância intermediária (barzah) entre eles’. (SYLVIA LEITE, 2006, p. 105)"
"O prisioneiro que acaba de escapar da vigilância dos carcereiros, ou seja, que havia deixado, temporariamente, o mundo da experiência empírica, encontra-se no deserto na presença de um ser que lhe pareceu dotado de toda a graça da adolescência e lhe pergunta: “De onde você veio, oh Juventude!” E a resposta é: “Como assim? Eu sou o primogênito do Criador, e você me chama juventude?”. A sua origem dá uma pista à misteriosa cor vermelho-púrpura na qual ele aparece: a cor de um ser que é pura Luz, cujo brilho é atenuado pelo púrpuro crepúsculo da escuridão do mundo das criaturas terrestres. “Eu venho de fora do Monte Qaf. Aqui é onde você estava no princípio e para onde retornará, uma vez que agora está livre de suas amarras”. Então o prisioneiro pergunta: “Quão longa é esta viagem?” Ao que o outro responde: “Você estará sempre voltando do ponto de onde partiu”. (SOHRAWARDI apud CORBIN, 1972. p. 2)"
"Pertence a uma visão em que o intelecto medita a hierarquia dos graus do ser, desde o Um, absolutamente incognoscível, até o mundo sensível, passando por todos os momentos de emanação. No entanto, na continuidade do ser ele introduz uma dissidência, ele dá a ver o Outro no movimento em que se engendra o Mesmo. Ele rompe com toda dialética. A experiência metafísica apresenta-se como gnose, isto é, como um conhecimento salvífico. (JAMBET, 2006, p. 38)"
"Um louco, idiota de Deus, andava nu entre a multidão. Olhando as finas roupas dos homens à sua volta, ele disse aos céus: “Ó Deus! Dá-me belas roupas e fazme feliz como os outros homens”. Uma voz do mundo invisível fez-se ouvir: “Para isso te dei um cálido sol; senta-te e regala-te com ele”. O majnum disse: “Meu Senhor, porque castigar-me? O sol veste a Ti, não a mim. Não podes darme algo mais adequado?”A voz lhe disse: “Espera pacientemente por dez dias e dar-te-ei outra vestimenta”. O sol queimou o homem durante oito dias até que ele obtivesse roupa; porém, como o indivíduo que lha havia dado era pobre, a veste que lhe coube era um manto com cem mil remendos O louco disse então a Deus: “Ó Tu que conheces os segredos! Passaste oito dias costurando estes remendos? Por acaso queimaram-se as roupas de Teu tesouro? Costuraste juntos cem mil vestidos. De quem aprendeste essa arte? Não contaste a Teu servidor onde aprendeste a cerzir tão bem”. Não é fácil relacionar-se com a corte de Deus. Para isso há que se converter no pó do caminho que conduz a Ele. Muitos dos que chegaram a essa corte vieram de longe e foram queimados pelo fogo, ao mesmo tempo que eram iluminados pela luz. Após uma longa batalha, pensa-se ter atingido o objetivo, somente para decobrir-se que este ainda está para ser alcançado. (ATTAR, 1987,p. 102)"
"O mundo e tudo o que ele contém seriam, então, nada mais que símbolos da Unidade primordial – ou divindade – e, como tais, funcionariam como espelhos que mostram, de forma invertida, o conteúdo que refletem. Ao criar o mundo, Deus instaura a distinção, que evolui para a multiplicidade. Ao criar realidades, o homem se conecta com a indistinção e caminha em direção à Unidade. (LEITE, 2009, p. 3)"
"Uma noite, Mahmud, afastando-se de seu exército, avistou um homem que garimpava a terra à procura de ouro; ele havia amontoado aqui e ali pequenos montes de terra e mantinha a cabeça curvada sobre a poeira do caminho. Vendo essa cena, o rei atirou seu bracelete sobre a terra e cavalgou para longe dali, ligeiro como o vento. Na noite seguinte, o rei voltou e, vendo esse homem ocupado da mesma maneira, disse-lhe: “O que encontraste ontem te bastaria para pagar dez vezes os tributos do mundo,. Contudo continuas a escavar a terra. Exerce a realeza, pois agora és independente” – “Escavando a terra”, respondeu o homem, “encontrei o ornamento a que aludes, e é por esse trabalho que obtive este trabalho escondido. Como foi por esta porta que se manifestou minha fortuna devo continuar ocupando me dela enquanto viver. (ATTAR, 1987, p. 186)"
"Sê, pois, tu também, o homem dessa porta até que ela se abra para ti; não desvies a cabeça desse caminho até que ele te seja mostrado. Teus dois olhos não estarão sempre fechados; busca, pois, essa porta não está fechada. (ATTAR, 1987, p. 186)"
***
"Um homem fora de si dizia: “Ó Deus! abre-me uma porta para que eu possa chegar a Ti”. Rabi´ah por acaso estava sentada ali perto e lhe disse: “Ó negligente! Quando a porta esteve fechada?” (ATTAR, 1987, p. 186)"
sexta-feira, 23 de novembro de 2018
Shalom!
Véus do Sol
Movimentos de luz desvelam véus etéreos…
Pensamentos ascendem como chamas sutis,
e abrem portais para o Sol interior.
A Roda da Vida gira sem cessar…
As energias entregues ao cosmos retornam,
multiplicadas como bênçãos sobre o grande mistério.
A Temperança é o eterno renascer,
símbolo silencioso da jornada espiritual…
Sua ação é invisível, mas vital à alquimia da alma.
Interferências celestes, naturais e silenciosas,
transmutam sombras e forças adversas…
parte essencial do avanço humanitário.
A Esperança é chama confiante.
A Terra, em seu crescimento, recebe auxílio dos Céus
e floresce em plenitude sagrada.
A Lucidez do Sol desperta a matéria,
faz vibrar a harmonia das primaveras vindouras
e revela que cada ciclo encerra e inicia
o eterno segredo da transformação.
quinta-feira, 22 de novembro de 2018
Om, shanti.
por HUMAN the movie
Apenas uma Parte do Documentário...
As músicas de HUMAN -
Um filme de Yann Arthus-Bertrand
/ Composta por Armand Amar
"A ideia da HUMAN era criar músicas que refletissem a mesma emoção gerada pelas entrevistas. Eu queria que as coisas se abrissem, abrissem o coração, deixassem a tristeza sem qualquer restrição. HUMANAS tem sido um desses raros momentos da minha vida como compositor de filmes, durante os quais eu pude expressar todas essas diferentes culturas ao mesmo tempo: ou trabalhando em músicas minimalistas ou encontrando com esses cantores e músicos vindos de todo o mundo. Qual nota eu produzi primeiro? Eu tinha mais uma visão global em mente, uma atmosfera que se fundiria no filme e que uniria as pessoas, esse foi o meu ponto de partida. A parte que criei para a sequência mongol pode ser o melhor resumo da atmosfera que eu queria que o filme tivesse...
Exposição humana!
Venha e descubra uma exposição exclusiva de 8 horas de filme na Fundação GoodPlanet
- Domaine de Longchamp, Paris.
Instalações inéditas que oferecem testemunhos únicos de amor, felicidade, mas também ódio e violência, que nos confrontam com o Outro e nos trazem de volta às nossas próprias vidas."
quarta-feira, 21 de novembro de 2018
Om, shanti.
Relâmpago da Esperança
Há uma tempestade que desperta os corações adormecidos,
um vento ancestral que rasga as cortinas da indiferença.
Cada trovão é lembrança: a dignidade não se negocia,
cada relâmpago ilumina o caminho da consciência desperta.
Nos labirintos do medo, surge a chama da coragem,
um fogo invisível que transmuta a opressão em luz,
e ensina que resistir não é apenas lutar,
mas revelar a força sagrada que habita em cada ser.
Quando o céu se acalma, permanece a verdade:
as mãos que se erguem pelo justo,
os olhos que veem com compaixão,
são portais de transformação
e cada gesto humano é ouro,
cada ato de amor, alquimia pura,
pronto para fazer florescer o mundo
que ainda sonha em ser livre.
por Human Soundtrack
HUMAN Soundtrack - Armand Amar - "The Storm"
segunda-feira, 19 de novembro de 2018
Namastê buscadores!
Mas então, o que é necessário?
Qual o segredo de João Batista?
Pensamos que em primeiro lugar, João Batista confiou no Senhor, não procurou apoio de nenhuma organização do seu tempo e disse o que afinal já todos sabiam, mas ninguém tivera a coragem de denunciar. Antes de falar aos gentios, ele começou por tentar “arrumar a sua casa” a Casa de Israel. (...)
Estudos Bíblicos
por
Camilo
por
Camilo
1) Introdução
Vivemos numa época de grande crise para o cristianismo duma maneira geral. Época em que muitos se interrogam se fará sentido continuar a falar no amor de Jesus...
Tudo isso levou-me a pensar na seguinte questão: Qual o método mais bíblico e mais indicado para os nossos dias, para a divulgação do Evangelho inclusive para a abertura dum novo ponto de pregação...
Esta simples pergunta, quase que nos obriga a mencionar o apóstolo Paulo e talvez com certa razão, pois ele foi um dos maiores exemplos dum verdadeiro missionário e possivelmente é o que melhor se adapta ao nosso contexto cultural.
Mas há um outro, grande pregador, que tem ficado um tanto esquecido nos nossos dias. Refiro-me a João Batista...
Mas porque optei por João Batista e não por Paulo?
É que no caso de Paulo, havia já uma igreja pequena em número, mas forte e motivada, cheia do poder do Espírito Santo que apresentou a sua mensagem ao mundo pagão, enquanto que no caso de João Batista, o mal não estava no paganismo nem no ateísmo, o mal estava no próprio mundo religioso e nos seus dirigentes.
Todos sabemos que na época de João Batista, Israel estava dominada por Roma.
Isso levava-me a imaginar uma religião perseguida, as humilhações e sofrimentos dos sacerdotes, símbolo da resistência do povo, e o esforço para conservar viva a sua fé no meio de tanta perseguição, mas afinal... depois de aprofundar o assunto baseado em dados históricos dessa época, não posso deixar de ficar admirado, por ter encontrado uma realidade bem diferente da que esperava. Pois fiquei admirado e abalado por ter chegado à conclusão de que nesses dias, em que estava iminente a chegada do Messias... havia uma grande semelhança com a realidade dos nossos dias.
É este o principal motivo que me leva a iniciar este artigo para tentar compartilhar com os leitores da minha página estes pensamentos sobre João Batista.
2) Quem foi João Batista?
João Batista nasceu cerca de cinco meses antes de Jesus o Cristo numa região montanhosa de Judá.
Tanto seu pai, o sacerdote Zacarias, como sua mãe Isabel, eram descendentes de Aarão. Sua mãe era prima de Maria, a mãe de Jesus.
O nascimento de João Batista foi um caso invulgar. Segundo nos conta Lucas 1:5/25, seus pais eram pessoas de vida irrepreensível mas ambos já eram pessoas idosas e Isabel era estéril.
Certo dia, quando Zacarias oferecia incenso no Templo, o anjo Gabriel apareceu para lhe dizer que sua mulher iria ter um filho que seria João, que este seria cheio do Espírito Santo desde o seu nascimento e teria a função de preparar o povo de Israel para a vinda do Messias.
3) Contexto histórico e cultural da época de João Batista
A época de João Batista, é praticamente a mesma em que viveu Jesus o Cristo.
Israel já não era nação independente. Neste caso particular, a Judeia tornara-se numa província do Império Romano no ano 6, e Roma impunha as suas leis, embora fosse tolerante a ponto de manter em vigor a legislação dos vários países conquistados enquanto essa não colidisse com a Lei Romana.
Assim, o Sinédrio de Jerusalém, embora continuasse a funcionar como a mais alta representação política, jurídica e religiosa, aspectos que nem sempre é fácil de se dissociar nessa cultura, já não tinha a última palavra no aspecto jurídico.
Este facto pode ser apresentado sob dois aspectos bem diferentes: Uns podem dizer que deixou de haver liberdade de religião, pois os sacerdotes deixaram de poder cumprir livremente todas as prescrições da Lei de Moisés. Mas, para o vulgar israelita, que era israelita por ter nascido em Israel, por ter sido circuncidado em tenra idade, que estava pressionado por centenas de leis e regulamentos, que inclusive não podia escolher outra religião nem dar mais de uns tantos passos em dia de sábado sem que fosse condenado à morte de acordo com a Velha Lei, talvez a Lei Romana, que tirou ao Sinédrio o direito de aplicar a pena de morte, lhe trouxesse nessa altura, alguma liberdade, inclusive para escolher qualquer outra das religiões que apareceram em Israel devido à liberdade de religião do Império Romano, religiões que, de acordo com a Velha Lei deveriam ser exterminadas de Israel assim como todos os seus praticantes.
Segundo Levítico 24:16 os casos de blasfêmia eram punidos com a pena de morte, mas não se encontra uma definição de blasfêmia, assunto que ficava um tanto ao critério dos membros do Sinédrio.
O Império Romano, sempre que possível, tentava pacificar os territórios conquistados, mantendo os privilégios da classe dominante. Esse foi também o caso de Israel na época em que João Batista inicia a sua pregação.
Segundo nos conta o historiador Joaquim Jeremias, nessa época de dominação romana, época de João Batista e do próprio Jesus Cristo, embora a Judeia, e todo o território de Israel, estivesse dominado por Roma, os soberanos da dinastia herodiana, judeus de influência romana, viviam com um luxo indescritível. Tinham grandes palácios com arquitetura romana, mas mantiveram a sua fidelidade a algumas antigas tradições do oriente, nomeadamente a poligamia, pois tinham haréns que aliás eram permitidos pela Velha Lei e pela tradição, pois a Mishna permitia o máximo de dezoito mulheres e o Talmude, vinte e quatro a quarenta e oito. Herodes o Grande (37 a 4 A.C.) só teve dez mulheres, mas os seus descendentes, nesse aspecto foram maiores do que ele.
Herodes Antipas, rei da Judeia, era filho de Herodes o Grande, portanto da aristocracia de Israel, mas o pormenor mais importante é que tinha sido educado em Roma que além da Judeia lhe concedeu as tetrarquias da Galileia e da Pereia onde fundou a sua capital em Tiberíades. Embora israelita, mas com mistura de sangue, era um rei fiel a Roma que tinha sido tão generosa para ele. Mas o mais estranho é que, segundo alguns historiadores, sendo Herodes Antipas um rei israelita, a sua guarda pessoal era constituída por tropas trácias e germânicas, a que vieram juntar-se cerca de quatrocentos guardas gauleses da guarda pessoal de Cleópatra, depois desta se suicidar, pois o Rei da Judeia temia mais os seus súbditos do que os estrangeiros.
Mas ao falar em vida faustosa, não nos podemos limitar à aristocracia herodiana.
Os altos sacerdotes viviam em palácios na zona alta de Jerusalém, como aliás se vê nas passagens dos evangelhos que falam no julgamento de Cristo.
Segundo Marcos 14:53/55. E levaram Jesus ao sumo-sacerdote, e ajuntaram-se todos os principais dos sacerdotes, e os anciãos e os escribas. E Pedro o seguiu de longe, até dentro do pátio do sumo-sacerdote, e estava assentado com os servidores, aquecendo-se ao lume. E os principais dos sacerdotes, e todo o Concílio... Sabe-se que esse Concílio, ou Sinédrio, como era conhecido, era constituído por muitas dezenas de pessoas, e se juntarmos os seus funcionários (escribas) podemos imaginar certamente mais de cem pessoas que couberam perfeitamente numa das salas da residência do Caifás que tinha um pátio interior certamente bem espaçoso, pois deu para acenderem uma fogueira para se aquecerem.
Segundo podemos ver em João 18:17, até havia uma porteira em casa do sumo-sacerdote, o que nos dá uma ideia do grande número de pessoas a entrar e sair e das dimensões do edifício.
Mas não podemos ignorar que havia um grande desnível entre os principais sacerdotes e os vulgares sacerdotes. Flávio Josefo conta o escândalo ocorrido no ano 66 em que alguns chefes dos sacerdotes enviaram os seus escravos às eiras para roubar os dízimos reservados ao sustento dos sacerdotes comuns chegando alguns destes a morrer de fome.
O Templo de Jerusalém fora reconstruído com uma grandeza e dimensões superiores ao antigo Templo de Salomão e estava a funcionar em pleno, embora a sua atuação estivesse limitada pela Lei Romana, como já referimos. O Templo perdera o “monopólio da religião”, mas continuava a ser o mais importante centro religioso em Israel e toda a vida econômica da cidade estava relacionada com o seu Templo, onde continuavam a oferecer os sacrifícios pelos pecados do povo, com todo o rigor da Velha Lei. Nenhuma outra religião atraía tantas multidões como o Templo de Jerusalém com a sua imponente liturgia, os mais famosos músicos e os melhores cantores que se tinham aperfeiçoado desde os tempos do Rei David. Também sob o aspecto político e teológico, o Templo era um elemento de união entre as várias seitas veterotestamentárias, em que os israelitas estavam divididos, devido às convicções religiosas, políticas ou profissionais, como os fariseus, saduceus, essénios, zelotes, galileus, herodiamos, publicanos, escribas etc. num contexto cultural em que não era fácil dissociar a religião da política ou dos interesses profissionais.
Além do Templo, havia as várias sinagogas em Jerusalém, assim como em todo o território do grande Império Romano, que competiam entre si pelo rigor dos seus cultos, pela sua música e pela santidade dos seus membros, embora com um conceito veterotestamentário de santidade, mais ligado à ideia de santidade litúrgica ou santidade higiênica e à santidade da sua genealogia... (Ver nosso artigo “Santidade ao Senhor”) Algumas das principais famílias de sacerdotes de Jerusalém, tinham até uma passagem superior ligando suas habitações ao Templo a fim de não se contaminarem em contacto com o povo pecador e impuro e sabiam de cor os nomes dos seus antepassados até dezenas de gerações o que comprovava a sua santidade.
Roma decidira manter os privilégios dos levitas e sacerdotes, nomeadamente na cobrança do dízimo, desde que tal não interferisse nos impostos arrecadados pelos publicanos ao seu serviço. Claro que o povo, sujeito a essa dupla tributação não tinha possibilidades de reagir nem tinha o apoio do seu rei nem das suas autoridades religiosas.
Era esta a situação religiosa na época de João Batista. Aparentemente, tudo estava perfeito, os rituais cumpriam-se com todo o rigor, e os sacerdotes eram nomeados de acordo com a Velha Lei. Eles tinham toda a autoridade para falar ao povo... mas tinham perdido para sempre a sua credibilidade. Os dirigentes religiosos estavam completamente controlados e cegos pelos seus interesses econômicos e não estavam nada interessados em mudanças, muito menos na vinda do Messias que poderia alterar a cômoda posição de que beneficiavam, com uma vida fácil e a paz com os romanos.
4) Métodos de pregação de João Batista
Metanoeite, êggiken gar ê basileia tôn uranôn ou seja “Mudem de mente (ou de ideias, ou de comportamento) porque chegou o Reino dos céus”, ou numa tradução mais livre, “Arrependam-se, porque já chegou o Reino de Deus”. Foi este o incômodo e inoportuno grito de João Batista. Uma das frases mais importantes de toda a Bíblia... talvez tão incômoda como seria a notícia nos nossos dias “Jesus já chegou para julgar o mundo... O tempo terminou... Já não há mais oportunidade para o arrependimento”.
Mas, num ambiente destes, que poderia fazer um homem sozinho, sem ter o apoio duma importante e prestigiada organização com um imponente edifício religioso bem colocado em Jerusalém, que desse certa credibilidade à sua mensagem e sem um bom grupo coral (grupo de louvor) que atraísse as atenções do povo?
Mas o Senhor, Deus supremo, escolheu precisamente João Batista, para que não houvesse dúvidas de que este atuava de acordo com o Seu poder, e não com as técnicas de comunicação. João faz precisamente o contrário do que faziam os religiosos do seu tempo. Era o poder do Senhor em oposição à tradição, e às técnicas de comunicação.
Local de pregação.
Lucas 3:2/3 - Sendo Anás e Caifás sumo-sacerdotes, veio no deserto a palavra de Deus a João, filho de Zacarias. E percorreu toda a terra ao redor do Jordão, pregando o batismo de arrependimento, para o perdão dos pecados.
Embora não conste que houvesse alguma via romana nas proximidades do rio Jordão que era a fronteira natural entre a Judeia e a Pereia, era ao longo deste rio que se fazia grande parte do trânsito de viajantes entre Jerusalém e o norte do país. Nas línguas originais, quer o hebraico quer o grego, a palavra “deserto” significava uma região não edificada nem cultivada, mas que podia ter algumas zonas completamente estéreis e outras com alguma vegetação, útil como terreno de pastagem. Lucas refere-se ao “deserto da Judeia” e João 3:23 refere-se a um local chamado Enom, que significa muitas águas, passagens que não estão em contradição, pois a topografia do local, leva-nos a identificar uma região muito acidentada, com extensões de terrenos áridos e secos, e o tal local Enom num ponto baixo com grande quantidade de fontes, as muitas águas. Certamente águas de nascente, de melhor qualidade para beber do que as águas do Jordão para onde escorriam. Um local desses, numa zona desértica, era um importante ponto de passagem de peregrinos que certamente paravam por momentos para descansar, beber e dar de beber aos seus animais. Mas, pelo menos inicialmente, os ouvintes de João Batista não eram os entendidos em religião, mas os vulgares viajantes, numa época em que na sua maior parte seriam comerciantes ou peregrinos a caminho ou de regresso de Jerusalém.
Edifício
Em Jerusalém o Templo ocupava o lugar central e as várias sinagogas rivalizavam entre si na busca dos melhores locais.
João Batista não se preocupou em competir com eles. Como vimos, foi para uma região “deserta” nas margens do Jordão. Não nos consta que tivesse construído algum edifício para o seu culto (...).
Técnicas de comunicação
Penso que João Batista nada percebia de técnicas de comunicação, que aconselham a apresentar um ar simpático, agradável, a evitar atritos com os seus ouvintes, a nunca os criticar, mas elogiar as suas capacidades e comportamentos, a ter uma certa prudência para não os incomodar nem ofender ninguém.
João Batista falava sem rodeios e por vezes era rude e direto ao comunicar com os seus ouvintes. Sendo um homem isolado, sem nenhuma guarda pessoal nem guarda-costas, ousou dirigir-se aos ... fariseus e saduceus, que vinham ao seu batismo...
Ele nunca se preocupou com o número dos seus discípulos, mas somente que fossem verdadeiros discípulos...
Conceito de santidade
Segundo a mentalidade veterotestamentária, como já dissemos, o conceito de santidade era bem diferente do que temos desde que João Batista inicia a sua pregação, que foi homologada pela mensagem do Mestre.
No Velho Testamento temos uma santidade que significava pertencer ao povo santo ou separado, e ser perfeito sob o aspecto físico, quanto à saúde, à higiene e ao sexo. A discriminação sexual começava logo que um bebé nascia, pois segundo Levítico 12:2/5, ao nascer um menino, mãe ficava impura durante uma semana e proibida de entrar no Templo durante 33 dias, mas se nascesse uma menina, essa proibição passava para duas semanas e para 66 dias respectivamente. Em 1871 um arqueólogo descobriu a pedra com a inscrição que proibia a entrada de estrangeiros no Templo, que seriam condenados com a pena de morte em caso de desobediência. Também de acordo com Levítico 21:16/23, o Deus de Israel só aceitava uma oferta através dum sacerdote que fosse fisicamente perfeito, pois um sacerdote cego, ou coxo, ou de nariz chato ou com membros muito compridos (vr.18), ou com o pé ou a mão defeituosa (vr.19), ou corcunda ou anão ou com doenças de pele ou testículos defeituosos (vr.20), desde que tivesse algum defeito físico, não poderia oferecer uma oferta queimada ao seu Deus.
Na “Basileia” o novo Reino de Deus que João Batista anunciava, os critérios eram outros..., mas não discriminou nenhum dos que o procuravam com sinceridade, pois segundo Mateus 3:6 eram batizados no Jordão confessando os seus pecados. A ele se juntaram muitos dos que eram rejeitados pelo Templo de Jerusalém. Segundo Lucas 3:12/14 João Batista recebia publicanos, considerados como traidores a Israel e até soldados, não sendo possível dizer se seriam soldados romanos ou soldados judeus destacados para proteção dos publicanos que os acompanharam, mas em qualquer das hipóteses eram o oposto aos santos das sinagogas e do Templo de Jerusalém.
5) Conclusão
Jesus prometeu que voltaria, mas na sua segunda vinda já não será para salvar, mas sim para julgar o mundo e não podemos estar indiferentes aos últimos acontecimentos internacionais, a um mundo que cada vez se assemelha mais ao mundo que precedeu a vinda de Cristo (...)
Segundo Mateus 3:6, os discípulos de João Batista eram batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados, enquanto os sacerdotes e fariseus se apresentavam no Templo apregoando a sua santidade. Já tenho recebido mensagens de crentes que me dizem: “Sou um diácono ou um presbítero, e não me deixam sentar nas cadeiras na parte da frente, perto do púlpito...” Mas afinal, qual o ideal das nossas igrejas? É o Templo de Jerusalém onde exibiam a sua santidade, ou o grupo de pecadores de João Batista?
Lembro-me de que já há alguns anos, quando trabalhava no Município da Marinha Grande, um dos nossos carros que foi buscar material de construção a Lisboa, avariou-se na viagem de regresso, na vila de Alcoentre, mesmo em frente da grande prisão-escola, onde os presos são recuperados e aprendem uma profissão.
Como nessa pequena vila não havia oficina de reparação de automóveis, a não ser nas escolas profissionais dentro da prisão, foram pedir ajuda a essa instituição onde foram muito bem recebidos. Mas o que mais surpreendeu os nossos funcionários foi serem convidados para jantar, numa sala onde estavam os presos.
A comida, tanto os vegetais como a carne, eram produtos dos grandes terrenos da prisão onde os detidos se preparavam para a vida agrícola, e até o vinho era feito na adega da prisão. Alguns dos detidos, eram pessoas de idade, que já lá estavam há vários anos. Houve um que disse. “Eu já estou habituado a viver aqui. Lá fora, todos nos chateiam quando descobrem que estivemos presos.” Outro até acrescentou: “Se me mandarem embora, já sei o que vou fazer. Roubo alguma coisa e peço ao Juiz para voltar para a mesma prisão.”
Será possível transformar as nossas igrejas em alguma coisa parecida com isto? (...) Será possível transformar as nossas igrejas em lugares onde os pecadores e os marginalizados possam sentir que são amados e bem recebidos?!!!
O Evangelho já não é tão pregado nos nossos dias como parece, pois pregar o Evangelho não é só por palavras. Isso seria muito fácil com os meios de que dispomos. Com a rádio, a TV e a internet seria possível divulgar as palavras, as principais afirmações teológicas, por todo o mundo ao mesmo tempo (...)
Evangelismo bíblico, como João Batista ensinou, e Jesus confirmou, implica partilha de bens materiais. Quem tiver duas túnicas, reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos faça da mesma maneira. Lucas 3:11 (...)
Penso que não está prevista a vinda de nenhum profeta antes da segunda vinda de Cristo. Até pelo contrário, essa vinda será repentina e quando menos esperarmos.
Mas pode ser que o Senhor tenha piedade de nós e nos levante algum pregador no gênero de João Batista, liberto do controle eclesiástico, pois afinal, isso não depende da vontade humana, nem do apoio das igrejas, nem das decisões das juntas missionárias, nem de grandes verbas para majestosos edifícios ou divulgação nas emissoras de rádio e TV. Tudo isso pode ajudar, mas não basta, pois tem fracassado assim como fracassou o Templo de Jerusalém.
Mas então, o que é necessário?
Qual o segredo de João Batista?
Pensamos que em primeiro lugar, João Batista confiou no Senhor, não procurou apoio de nenhuma organização do seu tempo e disse o que afinal já todos sabiam, mas ninguém tivera a coragem de denunciar. Antes de falar aos gentios, ele começou por tentar “arrumar a sua casa” a Casa de Israel. (...)
Camilo - Marinha Grande - Portugal
Maio de 2003
Veja também estudos sobre outros personagens bíblicos em Diversos assuntos bíblicos
Estudos bíblicos sem fronteiras teológicas
Fonte:
http://www.estudos-biblicos.net/joaobat.html
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