sábado, 3 de janeiro de 2015

Om, shanti.
Naturezas

Naturezas — múltiplas e profundas.
Tramas vivas do existir.

Falíveis jardineiros, somos:
seres humanos em caminho,
cultivando hoje
as sementes que ontem lançamos.

Pois todo plantio encontra sua colheita,
no tempo silencioso da lei que equilibra.

A fé, então, não é palavra suspensa no vento;
é força em movimento,
corrente invisível que orienta a ação.

O despertar da consciência
não se faz em saltos abruptos;
a natureza caminha em ritmos sutis,
ajustando os anseios da alma
no compasso exato do tempo.

E quando os sinais se alinham em harmonia,
apontam para a obra coletiva —
a união com desígnios mais amplos,
onde a vida mesma concede suas bênçãos.

Assim, entre os escombros do presente,
ergue-se lentamente o futuro:
não por acaso,
mas pela paciente reconstrução
daquilo que aprendemos a transformar.