E o tempo passou...
Com ele, trouxe o vento,
em doce brisa e
imenso fronte escaldante.
Como lírios em campos de delírios flutuantes,
nas turvas águas do destino.
Luzes frescas em gotas secas,
raios do sol a pino.
Sutis sinais musicais,
remoçando o tempo, renovando anseios,
iluminado céu na lua ausente.
Delicada beleza nos clarins exultantes
de pequenas gentilezas.
Flores em sorrisos de alegria,
ascendendo sonhos perseverantes,
essenciais na coragem dos pequenos viajantes.
Repletos de amor, a disputar com o tempo
o simples direito de amar!
E mesmo quando o chão rachar em silêncios,
haverá sementes esperando a chuva.
Porque a esperança dança entre as rachaduras,
como dança o sol nas mãos de uma criança.
O tempo, esse velho escultor de instantes,
traz rugas, mas também raízes.
E, em cada suspiro guardado no peito,
floresce o que nunca morre: o desejo de viver.
Caminhantes do agora,
levamos na pele o calor dos dias
e, nos olhos, a bruma dos porquês.
Mas seguimos — como quem ama o caminho
mais do que a promessa de chegada.
Em cada gesto suave,
em cada palavra que não fere,
habita a revolução silenciosa
do ser que escolhe cuidar.
Que o sol nos abrace sem queimar,
que a noite nos envolva sem apagar...
e que, em meio ao caos e à pressa,
a alma siga leve,
como quem sabe que viver...
é um tipo de poema.
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