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Estudos da paz
Paz
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A Paz (do latim Pax) é geralmente definida como um estado de calma ou tranquilidade, uma ausência de perturbações e agitação. Derivada do latim Pacem = Absentia Belli, pode referir-se à ausência de violência ou guerra. Neste sentido, a paz entre nações e dentro delas, é o objetivo assumido de muitas organizações, designadamente a ONU.
No plano pessoal, paz designa um estado de espírito isento de ira, de desconfiança e - de um modo geral - de todos os sentimentos negativos. Assim, ela é desejada por cada pessoa para si próprio e, eventualmente, para os outros, ao ponto de se ter tornado uma frequente saudação (que a paz esteja convosco) e um objetivo de vida. A paz é mundialmente representada pelo pombo e pela bandeira branca.
Paz também é um estado de espírito, onde o ser se encontra equilibrado e sereno, com isso, encontrando a sua total paz interior.
Tipos de paz
- Paz Eterna: conceito elaborado pelo filósofo Immanuel Kant, inspirado nos ideais da Revolução Francesa. Designa um estado de paz mundial, obtido através de uma "república" única, capaz de representar as aspirações naturalmente pacíficas de todos os povos e indivíduos. Como o próprio filósofo esclarece, o termo é derivado de uma piada, onde a inscrição "Paz Eterna" é usada como legenda na ilustração de um túmulo.
- Paz pela Lei: lema da Organização do Tratado do Atlântico Norte, baseia-se na ideia de Kant e sugere que a paz deva ser obtida através de legislação em assuntos internacionais, capaz de regulamentar as relações diplomáticas, os conflitos de interesse, etc.
- Paz pela força: obtida quando um indivíduo, instituição ou Estado é fortalecido de tal forma, que toda tentativa de subversão do status quo é desestimulada. Em inglês original, peace through strength.
Prêmio Nobel da Paz
O Prêmio Nobel da Paz é atribuído anualmente a pessoas que se evidenciaram pelo seu contributo para o fim de períodos prolongados de violência, conflito ou opressão através do seu empenho e liderança moral...
Teorias
Muitas diferentes teorias de "paz" existem no mundo da polemologia, que envolve o estudo da transformação dos conflitos, desarmamento e cessação de violência.[7] A definição de paz pode variar de acordo com a religião, cultura ou matéria de estudo.
A paz é um estado de equilíbrio e entendimento em si mesmo e entre outros, onde o respeito é adquirido pela aceitação das diferenças, tolerância, os conflitos são resolvidos através do diálogo, os direitos das pessoas são respeitados e suas vozes são ouvidas, e todos estão em seu ponto mais alto de serenidade sem tensão social.
Teoria dos Jogos
O jogo de guerra e paz é uma abordagem de teoria dos jogos em relação à paz e resolução de conflitos. Um jogo iterado originalmente tocado em grupos de acadêmicos e por modelagem computacional por muitos anos a fim de estudar possíveis estratégias de cooperação e agressão.[8] Como os peace makers tornaram-se mais ricos ao longo do tempo, tornou-se claro que fazer a guerra tinha custos mais altos do que inicialmente previsto. A única estratégia que acumulava riqueza mais rapidamente era a "Genghis Khan", um agressor constante fazendo a guerra continuamente para ganhar recursos. Isto levou ao desenvolvimento da estratégia "cara agradável provocante", um pacificador até ser atacado, desenvolvido apenas para ganhar através de perdões ocasionais, mesmo quando atacado. Vários jogadores continuam a ganhar riqueza cooperando uns com os outros, enquanto prejudicam o agressor constante. Tais ações levaram, em essência, para o desenvolvimento da Liga Hanseática :
Foi uma aliança de cidades mercantis - alemãs ou de influência alemã - que estabeleceu e manteve um monopólio comercial sobre quase todo norte da Europa e Báltico, em fins da Idade Média e começo da Idade Moderna (entre os séculos XII e XVII). Abrangeu cerca de 100 cidades, com Lubeque como centro. De início com caráter essencialmente econômico, desdobrou-se posteriormente numa aliança política.[1][2][3][4]
Do Norte da Europa era exportado peixe seco, trigo, madeira, ferro , cobre, sal, lã e peles. De volta eram trazidos tecidos, vinho, sal e especiarias.
A rede comercial da Hansa abrangia o eixo Novgorod-Reval-Lübeck-Hamburgo-Bruges-Londres, e estava ligada às esferas comerciais de Veneza e de Génova, no Sul da Europa.
Com os descobrimentos marítimos de Portugal e Espanha - sobretudo a descoberta da América e a descoberta do caminho marítimo para a Índia, nos séc. XV e XVI, o comércio mundial procurou outras rotas, tendo então a Hansa entrado em declínio, até desaparecer no séc. XVII.[3][4])
Teoria da paz democrática
A teoria da paz democrática afirma que as democracias nunca entrarão em guerra umas com as outras.
Teoria da paz ativa
A partir dos ensinamentos de Johan Galtung, norueguês cofundador do campo da polemologia, em 'paz positiva',[10] e dos escritos de Maine Quaker Gray Cox, um consórcio de pesquisadores e disputantes na iniciativa experimental da Faculdade John Woolman chegaram a uma teoria da paz ativa. Esta teoria postula que a paz faz parte de uma tríade, que inclui também a justiça e a totalidade (ou bem-estar), em consonância com interpretações acadêmicas escritas do significado da palavra hebraica antiga S-L-M, ou "Shalom", chamado por alguns de a palavra da Bíblia para salvação, a justiça e a paz. Além disso, o consórcio integrou o ensino de Galtung dos significados dos termos da paz, manutenção da paz e construção da paz, para também se encaixarem em uma formulação triádica. Vermont Quaker John V. Wilmerding, Jr., fundador da John Woolman College, postula cinco estágios de crescimento aplicáveis a indivíduos, comunidades e sociedades, sendo que uma transcende primeiro a consciência da "superfície", que a maioria das pessoas tem, emergindo sucessivamente em aquiescência, pacifismo, resistência passiva, resistência ativa, e finalmente em paz ativa, dedicando-se à pacificação, manutenção da paz, e/ou construção da paz.
Muitas pazes
Seguindo Wolfgang Dietrich, Wolfgang Sützl[11] e os estudos da paz da Universidade de Innsbruck, alguns pensadores abandonaram qualquer definição única e abrangente de paz. Em vez disso, eles promovem a ideia de muitas pazes. Eles argumentam que, como não existe uma definição única ou correta de paz, a paz deve ser entendida como uma pluralidade. Esse entendimento pós-moderno da paz foi baseado na filosofia de Jean-François Lyotard. Ele serviu como base para o conceito mais recente de paz transracional e transformação de conflitos.
Pazes trans-racionais
Em 2008, Wolfgang Dietrich alargou a sua abordagem anterior das muitas pazes às chamadas "cinco famílias" de interpretações da paz: abordagem energética, moral, moderna, pós-moderna e trans-racional.[12] A trans-racionalidade une a compreensão racional e mecanicista da paz moderna em uma maneira relacional e baseada na cultura com narrativas espirituais e interpretações energéticas.[13] A compreensão sistêmica das pazes trans-racionais defende um método de transformação de conflitos centrado no cliente, a abordagem chamada de elicitiva.[14]
Estudos da paz e conflitos
Os "Estudos da paz e conflitos" são um campo acadêmico que identifica e analisa comportamentos violentos e não violentos, bem como os mecanismos estruturais presentes em conflitos sociais violentos e não violentos. A finalidade dessa disciplina é entender melhor os processos que levam a uma condição humana mais desejável.[15] Uma variação, "Estudos para a Paz" (polemologia), é um esforço interdisciplinar visando à prevenção, de escalação e solução de conflitos. Isto contrasta com os estudos da guerra, dirigidos à consecução eficiente de vitória em conflitos. Disciplinas envolvidas podem incluir ciência política, geografia, economia, psicologia, sociologia, relações internacionais, história, arqueologia, antropologia, estudos religiosos e estudos de gênero, dentre várias outras.
Ver também
A Corrida e Caminhada pela Paz[1] é uma corrida e caminhada solidária anual decorrida na cidade de Fátima, em Portugal, e a qual percorre a distância de 10 km e de 5 km, respetivamente, e atravessa os lugares da Cova da Iria, dos Valinhos e de Aljustrel.
Não matar (não-matar antes do atual Acordo Ortográfico), faz referência a sociedades humanas nas quais a morte intencional, ameaças de morte e condições que levem ao matar estejam ausentes.[1]Assim como "não-violência", o conceito faz referência não a uma negação senão a uma afirmação. Embora o uso do termo no âmbito acadêmico se relacione habitualmente com a morte de seres humanos, em ocasiões estende-se para animais e outras formas de vida.[2] Este também é o caso do uso tradicional do termo "não-matar" no marco da ética budista expressada no primeiro preceito da Pancasalia,[3] de forma similar a outras tradições espirituais.[4] De forma significativa, o termo foi usado recentemente na "Carta por um Mundo sem Violência"[5] aprovada pela Oitava Cimeira Mundial de Prémios Nobel da Paz.[6]
Analisando a sua origem, o não matar complementa os conceitos de paz (ausência de guerra e das condições que possam desembocar nela), não violência (psicológica, física e estrutural), e ahiṃsā (não machucar com pensamentos, palavras ou ações).[7] Sem excluir nenhuma das anteriores, o não matar oferece um enfoque diferente caracterizado pelo carácter medível dos seus objetivos e da natureza aberta da sua realização. Enquanto o uso de termos como «não violência» e «paz» frequentemente seguem a forma de argumentação clássica por meio de ideais abstratas que podem levar à passividade, o matar (e seu oposto, o não matar) pode ser quantificado e relacionado a causas específicas seguindo o enfoque da saúde pública (prevenção, intervenção e transformação pós-traumática) rumo à progressiva erradicação do matar.[8] Esta lógica segue as recomendações da Organização Mundial da Saúde, que classificou a violência como uma "doença prevenível"[9]
Por outra parte, o não matar não estabelece nenhum caminho predeterminado para chegar a uma sociedade livre de mortes intencionais, na forma em que o fazem algumas ideologias ou tradições espirituais que promovem a abstenção de tirar vidas humanas. Como enfoque aberto, apela à infinita criatividade e variabilidade humanas, estimulando explorações continuas nos campos da educação, a pesquisa, a ação social e a construção de políticas, e desenvolvendo um amplo leque de alternativas científicas, institucionais, educativas, políticas, econômicas e espirituais à letalidade humana. Ainda, apesar do seu enfoque específico, o não matar também aborda questões sociais mais amplas.[10]
Em relação à agressão psicológica, os ataques físicos e a tortura que tencionam aterrorizar com ameaças de morte, manifesta ou latente, o não matar implica a remoção das suas causas psico-sociais. Enquanto a morte de seres humanos derivada de condições sócio-econômicas estruturais produto do desenvolvimento de capacidades letais assim como resultado da desvio de recursos para fins letais, o não matar implica remover as privações ligadas à letalidade. Em relação às ameaças à viabilidade da biosfera, o não matar implica a ausência de ataques diretos contra os recursos que sustentam a vida e o fim da degradação indireta associada com a letalidade. Em relação às formas de matar acidentais, o não matar implica a criação e desenvolvimento das condições sociais e tecnológicas que levem à sua eliminação.[11]
No seu livro Nonkilling Global Political Science, Glenn D. Paige estimou que menos de 0,5% de todos os humanos que tem existido mataram a outros humanos.[12] Ainda, há evidencias antropológicas que apontam a que em certas culturas e sociedades o matar ocupa níveis estatísticamente insignificantes.[13] Já que os humanos viveram exclusivamente como caçadores-recoletores -uma forma de organização social que plasma os atributos de uma sociedade do não matar- durante 99% da sua existência, também parece obvio que os níveis de violência e mortes intencionais também foram muito reduzidos durante a maior parte da história do Homo sapiens sapiens.[14]
Pacem in Terris (em português: Paz na Terra) é uma Carta-Encíclica do Papa João XXIII sobre "a Paz de todos os povos na base da Verdade, Justiça, Caridade e Liberdade". Foi publicada no dia 11 de Abril de 1963, dois meses antes da morte de João XXIII, dois anos depois da construção do Muro de Berlim e alguns meses depois da Crise dos Mísseis em Cuba [1].
Sobre esta conjuntura caracterizado pela Guerra Fria, João XXIII, através deste documento pontifício, defende que "os conflitos entre as nações devem ser resolvidas com negociações e não com armas, e na confiança mútua (nº. 113)" [2]. Para ele, "a Paz entre os povos exige: a verdade como fundamento, a justiça como norma, o amor como motor, a liberdade como clima" [3].
Esta encíclica, muito ligado à Doutrina Social da Igreja, é considerada uma das mais famosas do século XX e várias das suas ideias foram adaptadas e defendidas pelo Concílio Vaticano II (1962-1965). É também o primeiro documento da Igreja a ser dirigido também a «todas as pessoas de boa vontade» [4].
Devido à sua importância e popularidade, a Pacem in Terris está atualmente depositada nos arquivos da ONU. São João XXIII, foi o Papa da Paz e, esta Encíclica está intimamente ligada ao seu nome...
Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Paz
Citações parciais para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.
Citações parciais para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.
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