quarta-feira, 30 de outubro de 2019

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Atenção, educadores:

A crítica excessiva dos pais mutila 
o cérebro emocional de seus filhos
Como fazer uma crítica realmente construtiva para as crianças?
por site Psicologias do Brasil
A educação que recebemos em nossa infância e o tipo de relacionamento que estabelecemos com nossos pais deixa marcas profundas. Sua atenção ou negligência, sua crítica ou elogio, determinam o estilo de apego que iremos desenvolver e tem um enorme impacto na imagem que formamos de nós mesmos, nossa autoestima e a atitude que assumimos antes da vida.

No entanto, tudo parece indicar que as consequências da crítica na infância não se limitam ao nível psicológico, mas também alteram a configuração do cérebro. Neurocientistas da Universidade Binghamton descobriram que, quando os pais criticam excessivamente seus filhos, eles afetam as áreas do cérebro dedicadas a processar estados emocionais.

As crianças podem criticar a maneira como o cérebro percebe e processa a informação emocional? Essa foi a pergunta que alguns neurocientistas levantaram e, para responder, recrutaram 87 crianças com idades entre 7 e 11 anos.

Antes, eles pediram aos pais para falar sobre seus filhos por cinco minutos. Eles foram capazes de avaliar o nível de crítica dos pais. Então analisaram a atividade cerebral das crianças enquanto eles viam uma série de imagens de rostos que mostravam diferentes emoções. Eles descobriram que os filhos de pais muito críticos prestavam menos atenção a todas as expressões faciais emocionais, sem distinguir entre emoções positivas e negativas.

Na prática, as crianças sujeitas a constantes críticas evitam prestar atenção aos rostos que expressam qualquer tipo de emoção. Obviamente, a longo prazo, tal comportamento poderia afetar suas relações com os outros e poderia até ser uma das razões pelas quais as crianças expostas a altos níveis de crítica correm maior risco de sofrer de depressão e ansiedade.

Para evitar o desconforto gerado pela crítica, o cérebro infantil é “desconectado”
Todos nós temos uma tendência a evitar coisas que nos fazem sentir desconfortáveis, ansiosos ou tristes porque esses sentimentos são aversivos. Podemos implementar diferentes estratégias para evitar tais situações, mas tem sido apreciado que as crianças cujos pais são muito críticos são mais propensas a usar estratégias de enfrentamento evitativo quando estão em perigo.

Na verdade, é um mecanismo básico de proteção: quando uma situação da qual não gostamos, mas não podemos escapar, nosso cérebro tende a “desconectar-se”. É exatamente o que acontece conosco quando estamos em uma reunião chata que não podemos nos livrar. No entanto, essa situação é perigosa quando é repetida por um longo tempo durante toda a infância, pois o cérebro infantil não será capaz de estabelecer as conexões necessárias para processar adequadamente as informações emocionais.

As crianças que são vítimas de críticas constantes evitariam focar e processar as expressões emocionais de raiva, nojo ou desconforto de seus pais para não sentirem os sentimentos aversivos que elas geram. Como resultado dessa mutilação do sistema de processamento emocional, também são incapazes de perceber as expressões positivas dos outros.

De fato, não é o primeiro estudo que analisa o impacto no nível cerebral de uma educação negativa. Pesquisas anteriores realizadas na Harvard Medical School revelaram que os gritos danificam o cérebro infantil, especificamente o vermis cerebelar, uma área fundamental para manter um bom equilíbrio emocional.

Como fazer uma crítica realmente 
construtiva para as crianças?
Existem dois tipos de críticas: críticas destrutivas, que não levam a lado nenhum e só geram desconforto, e críticas construtivas, que nos permitem crescer. Infelizmente, estima-se que 9 de 10 críticas “construtivas” realmente não são. Como os pais podem garantir que as críticas que fazem aos filhos realmente os ajudem a amadurecer?

– Você tem que se concentrar no comportamento, não na criança. Isso significa não usar rótulos generalizadores como “você está desorganizado”. Você tem que ser o mais preciso possível e dizer: “você não pegou seus brinquedos, isso não está certo”.

– Informe-se antes de criticar, pois muitas vezes criticamos assumir que nossas conjecturas são verdadeiras. Portanto, antes de dar vazão à raiva ou ao desapontamento, sempre pergunte o que aconteceu, ouça a versão da criança e tente entender sua perspectiva, embora isso não signifique que a compartilhemos. No entanto, uma crítica baseada na empatia é muito mais construtiva.

– Focando na solução, em vez de enfatizar o erro. Todos nós cometemos erros, mas se as críticas permanecerem nesse nível, isso não servirá para crescer. Portanto, é conveniente perguntar à criança o que ela pode fazer para resolver o problema ou propor diretamente algumas soluções.

– Introduzir um elemento positivo. Diz-se que para cada crítica cinco elogios são necessários. E a verdade é que nunca dói uma de lima e outra de areia. Portanto, não devemos nos limitar a destacar o negativo, devemos reforçar as características positivas da criança. Por exemplo, você pode dizer: “Foi ótimo que ontem você coletou seus brinquedos sem ser lembrado, eu gostaria que fosse assim todos os dias pois sei que você é uma criança responsável”.

TEXTO TRADUZIDO DE RINCON DA PSICOLOGÍA 

Dicas...

A autoestima é fundamental na vida de uma pessoa, pois ela é capaz de nos encorajar a superar desafios, experimentar coisas novas e acreditar em nós mesmos.

Para evitar esses erros, precisamos primeiro saber quais são. Aqui estão quatro exemplos de comportamentos dos pais que debilitam a autoestima das crianças.

1. Gritar ou bater
Nada diminui mais a autoestima de uma criança do que gritar com ela ou fazê-la vítima de um castigo físico. Certamente, a maioria de nós, pais e mães, já gritou com seus filhos ou lhes deu umas palmadas. Mas é importante que você saiba que, ao fazer isso, você estará intimidando seu filho.
Embora possa parecer que, ao bater ou gritar, você interrompeu um mau comportamento, essa é uma correção a curto prazo, e o que você realmente conseguiu com isso foi fazer com que se seu filho sentisse diminuído.

2. Pensando em conflitos passados
Depois que um conflito for resolvido, não o mencione. As crianças devem poder começar de novo com uma folha em branco. Os pais que trazem à tona os erros passados ​​das crianças estão ensinando-as a guardar rancor por longos períodos de tempo.
Além disso, as crianças precisam saber que, quando um assunto é resolvido, ele se torna parte do passado. Quanto mais uma criança puder ser reforçada por seus comportamentos e escolhas positivas no futuro, melhor ela se sentirá consigo mesma. E, naturalmente, eles terão menos probabilidade de repetir más escolhas do passado por atenção negativa.

3. Injetando culpa
Uma coisa é perguntar a uma criança como ela se sentiria se estivesse no seu lugar ou se alguém estivesse em uma determinada situação. Muitas vezes, porém, os pais levam isso ao limite e tentam fazer com que seus filhos se sintam culpados por causa de seus pensamentos, sentimentos ou ações. Os pais que usam a culpa para controlar seus filhos correm o risco de aliená-los.
Um bom exemplo disso é uma mulher que costumava atirar um monte de culpa em seu filho de 14 anos, Harold, com quem seu vizinho tinha encontrado substâncias ilícitas certa vez. Por 10 minutos seguidos, a mãe encheu seu filho de declarações como: “Você imagina como estou envergonhada pelo fato de que os vizinhos agora conhecem nossos problemas?” e “Você não percebe como arruinou minha confiança em você?” Com os comentários da mãe, Harold ficou agitado e saiu furioso.
Posteriormente, um psicólogo treinou a mãe para deixar de lado o ego ferido e dar ao filho o que ele realmente precisava: apoio e compreensão. Ela usou uma abordagem calma, firme e não controladora para fazer Harold se abrir para ela sobre como ele cedeu à pressão dos colegas. Eles se reconectaram, e Harold logo abandonou seu grupo problemático de colegas junto com seu interesse em substâncias ilícitas.

4. Falando com sarcasmo
Um exemplo do sarcasmo empregado para repreender um filho seria dizer: “Você é tão inteligente!”, quando seu filho faz uma má escolha. O uso do sarcasmo magoa as crianças porque os envergonha. Além disso, repreender uma criança através do sarcasmo cria um obstáculo para os pais que tentam se comunicar efetivamente com seus filhos.

Conclusão
Suas maneiras de interagir com seu filho exercem uma enorme influência na definição de como ele ou ela desenvolve o valor próprio em sua vida. Quanto mais você se comunica com seu filho de maneira positiva, mais você pode influenciá-lo a fazer o mesmo – e obter autoestima no processo.


REDAÇÃO PSICOLOGIAS DO BRASIL
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