quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Shalom!

Realms of Splendor
*

Sementes do Eterno


No ventre da Terra,

envoltas em sombras e promessas,

repousam as sementes do mistério.


Dormem em silêncio,

aninhadas no útero da aurora,

guardando em si o segredo da luz que há de vir.


Nada apressa o instante.

Nada falta ao tempo.

Tudo germina no invisível,

onde o Eterno trabalha em silêncio.


E quando o chamado chega —

suave como um sopro,

profundo como o canto do Universo —

as sementes despertam.


Rompem os solos da inércia,

rasgam o escuro da espera,

e se erguem, frágeis e luminosas,

para beber o Sol e respirar o vento.


Entregam-se à chuva

como quem se entrega ao destino,

sabendo, sem saber,

que nascer é também lembrar.


Recordam então:

foram semeadas no colo do Universo,

e o mesmo hálito que as fez brotar

as conduz, agora, de volta à essência.


Recebem dons —

sabores, formas, caminhos —

mas tropeçam em si mesmas,

cegas de quereres e apegos,

tecendo véus sobre a visão do infinito.


Falam de luz,

mas temem o silêncio que a revela.

Procuram deuses nos céus,

quando o sagrado respira

entre um pensamento e outro,

entre um coração e outro,

entre o ser e o simples existir.


Ignoram o ouro oculto

na simplicidade do instante.

Buscam fora o que já floresce dentro,

erguem templos de pedra,

quando o altar é o próprio sopro da vida.


E ainda assim...

o Eterno as chama, incansável,

em cada dor, em cada perda,

em cada alegria que se dissolve no tempo.


Chama-as no silêncio das noites,

no perfume da terra molhada,

no olhar que se detém,

no gesto que acolhe.


Há apenas o passo —

e o passo já é destino.

Pois o caminho não é um lugar,

é um estado de presença.


As mentes correm,

tecem véus de vento e fantasia,

mas os seres... permanecem.


Eles são o próprio chão,

a própria seiva,

a respiração entre mundos.


No vasto sem bordas,

no oceano de luz em forma de gota,

o tempo brinca de ser instante,

e o instante, de ser eternidade.


Tudo o que nasce

é apenas o Eterno em flor.


E o propósito — ah, o propósito —

não está em alcançar o alto,

mas em lembrar-se do que já se é:

um fragmento do Todo,

uma centelha da Criação,

um eco da mesma Voz

que canta em todas as coisas.


Somos o silêncio entre os sons,

o espaço onde o mundo floresce.

Somos sementes do Infinito,

sonhando ser terra,

para um dia, despertas,

voltar a ser luz.


E assim, o ciclo se cumpre:

do ventre à estrela,

da sombra à clareza,

da busca ao reencontro.


Porque nada se perde.

Tudo desperta.

E a vida —

é o próprio Universo se lembrando de Si.


Como num caminho de lembrança,

a vida na Terra é solo sagrado

onde a consciência germina...

Como parte do florescer da alma.


O propósito não é chegar a algum lugar,

mas despertar no aqui e agora —

reconhecendo o divino no ordinário,

o infinito em cada gesto,

e o sagrado no simples ato de existir.