Om, shanti!
Caminho da Luz Una
Tudo o que somos nasce do pensamento;
o mundo que vemos é o reflexo do coração.
Palavras que nascem da sombra espalham dor;
gestos de luz fazem o amor florescer em compaixão.
A roda gira sob nossos passos —
que sejam firmes, que tenham ritmo e intenção.
Vivemos do mesmo sopro, no mesmo instante,
irmãos da impermanência, peregrinos do agora.
O ódio não se extingue com ódio,
nem a ofensa com vingança.
Somente o perdão liberta,
desfaz os nós da alma e abre o caminho.
O mal não é o outro,
mas o esquecimento de quem realmente somos,
o adormecer da mente
diante do eterno que pulsa em nós.
Felizes os que vigiam o próprio coração:
verão o Reino não em templos,
mas dentro de si, silencioso e pleno.
Quando a mente desperta, Mara se cala;
quando o coração se abre, o Céu se faz morada.
Não há refúgio fora de nós,
nem muralhas que protejam do desejo ou da raiva.
O Reino é o silêncio que habitamos,
o altar que erguemos no coração desperto.
Maior que vencer mil exércitos
é vencer o medo profundo;
maior que erguer muralhas
é abrir-se em amor ao mundo.
Cada lugar é aqui,
cada instante é agora.
Somos lâmpadas do mesmo fogo,
somos abrigo uns dos outros,
somos aurora e caminho.
Nenhum vento move quem conhece seu centro;
somos estrelas, não folhas que caem.
A Verdade é nosso lar silencioso,
a Compaixão, nosso caminho comum.
Não há fogo como o desejo,
nem sombra como a ignorância;
mas há luz —
que nasce da partilha, da vigilância e do cuidado.
Purifiquemos a mente,
pratiquemos o bem, deixemos o mal.
Bem-aventurados os que constroem a paz:
neles o Reino é total.
E quando, unidos, silenciarmos,
ouviremos o som sem som da Verdade:
somos um só — e esse Um pulsa vivo,
sopro eterno em cada coração.









