Namastê buscadores!
"Seria o Homem capaz de Criar em Si mesmo o Verdadeiro Sentimento de Religiosidade, mas sem depender de ideologias, sistemas doutrinários, grilhões sectários, processos meritórios fundamentados no medo, ou de qualquer outra condição coercitiva?
Se o homem busca a unidade entre seus semelhantes, o sectarismo como nós o conhecemos, pelo seu radical partidarismo e culto à intolerância às demais correntes doutrinárias antagônicas, não nos parece um caminho viável..."
A Difícil e Rara Arte de Ser Verdadeiramente Religioso...
Autora: Anne Marie Lucille [1]
Namastê buscadores!
"Seria o Homem capaz de Criar em Si mesmo o Verdadeiro Sentimento de Religiosidade, mas sem depender de ideologias, sistemas doutrinários, grilhões sectários, processos meritórios fundamentados no medo, ou de qualquer outra condição coercitiva?
Se o homem busca a unidade entre seus semelhantes, o sectarismo como nós o conhecemos, pelo seu radical partidarismo e culto à intolerância às demais correntes doutrinárias antagônicas, não nos parece um caminho viável..."
A Difícil e Rara Arte de Ser Verdadeiramente Religioso...
Autora: Anne Marie Lucille [1]
"A maior autoridade por trás dos nossos
sentimentos religiosos ainda é o Medo..."
Em Busca de Respostas...
Afinal de contas, Por que nos tornamos Religiosos?
Hábitos, eis o que buscamos sempre. A rotina representa para nós uma agradável zona de conforto; um oásis dentro do caos urbano e uma espécie de via expressa de fuga, o argumento perfeito para a solução dos nossos problemas. Segurança e certeza é a palavra chave. Por isso a repetição se torna tão importante em nossas vidas; ao menos com as coisas que dão certo.
O medo é o ápice do sentimento de insegurança, por isso mesmo, todos os meios capazes de nos conduzir até ele deverão ser evitados. Assim cuidamos de criar as muralhas físicas que nos protegem dos riscos externos, e também as muralhas internas, cuja função é nos resguardar das ameaças psicológicas criadas pelos nossos pensamentos. Sim, são nossos pensamentos os criadores e causadores das nossas ameaças internas e da maioria do nosso valioso acervo de psicopatologias.
Com tijolos e grades, aparentemente, somos capazes de nos abrigar das ameaças sociais. Já das internas, aquelas virtuais, aquele vasto repertório de sentimentos negativos criados pelo nosso pensar, fato que representa uma formidável força assediadora, destas ainda não sabemos como nos blindar, considerando que isso fosse possível. Muralhas construídas com as mais sólidas pedras e grades, do mais resistente aço, são proteções que, nesse caso, tornam-se sem efeito.
***
E há também as incertezas da vida, o resultado muitas vezes imprevisível das inúmeras variáveis e circunstâncias que regem nossa rotina diária. São os desdobramentos dos problemas causados por nós, ou aqueles que nos afetam de maneira indireta. Afinal de contas, tendemos naturalmente a nos identificar, inicialmente de modo involuntário, com os problemas que assediam nossos amigos ou entes queridos, e também aqueles do mundo lá fora.
A Despeito dos motivos que nos conduzem ao sectarismo religioso tradicional, poderia existir um sentimento de verdadeira religiosidade que ainda desconhecemos?
Parece que não conseguimos viver sem os problemas, e mesmo quando não os temos, aparentemente, até como um modo bizarro de ocupação, tendemos a nos envolver com os alheios. Emocionalmente, julgamos que isso é necessário, que faz parte da nossa pauta de martírios pessoais, e que se trata de uma expressão válida de solidariedade, assistencialismo, compaixão ou fraternalismo.
Imagine se todos os nossos atos, aquilo que chamamos de boas ações, gestos filantrópicos ou benevolentes, fossem praticados com a certeza absoluta de que nenhuma compensação, reconhecimento ou mérito entraria em nossa caixinha de créditos futuros?
Imagine ainda se soubéssemos, com absoluta lucidez e segurança, sem que houvesse nenhum espaço para dúvidas, de que, jamais, em nenhum momento existencial ou pós-existencial, haveria ressarcimento por qualquer “boa ação” praticada em vida? Então, qual seria a qualidade dos nossos atos? Qual seria o nosso real sentimento e motivação para qualquer tipo de obra assistencial ou fraternal depois de constatado de maneira irrefutável esse fato?
***
Mas, até agora, o que sabemos a respeito do despertar da verdadeira religiosidade?
Sabemos como a criança age; quer dizer, qual a sua principal fonte de motivação? E a nossa principal fonte de motivação, esta, será que conhecemos bem? Observe as crianças, o modo como foram condicionadas para enxergar o mérito como o único e mais eficaz fator de estímulo; como elas foram treinadas para associar as ações praticadas às recompensas, ou o inverso disso, aos castigos.
Moldamos suas emoções. E a cada gesto e comportamento adequado, sempre há um incentivo como força motriz. Ocorre que esse tipo de comportamento já é uma parte integrante do nosso viver, por isso forjamos nossos filhos a nossa imagem e perfil psicológico. O resultado não poderia ser diferente. Incentivo ou mérito é a chave mestra que abre todas as portas, sejam em forma de recompensas concretas, ou simplesmente as promessas de fabulosos presentes espirituais.
Sendo assim, como podemos afirmar que há em nós um sentimento voluntário de complacência em relação aos nossos semelhantes; uma identificação autêntica com suas amarguras – por sinal, idênticas às nossas –, se temos no culto ao mérito a única força capaz de criar em nós motivação para realizar alguma obra? Haveria possibilidade de agirmos sem a sombra do mérito ou da compensação a nos fazer lastro?
***
Afinal de contas, qual poderia ser o perfil do verdadeiro homem religioso?
Qual seria a qualidade de uma mente capaz de agir sem a lembrança de que uma compensação o aguarda num ponto temporal qualquer de sua existência, ou mesmo após ela? A plena convicção da ausência de uma recompensa ou reconhecimento por ação praticada tornaria o homem diferente daquilo que atualmente é? Qual seria então a sua fonte de inspiração motivacional; seu motivo existencial, a causa que tornaria alegre e compensador o seu viver?
Numa situação de tal natureza, não haveria espaço para crenças de espécie alguma, uma vez que todas elas estão centradas no eixo do “dar para receber”. Sem a expectativa do receber ao dar, qual seria a qualidade desse novo homem?
Imagine quais são causas de todos nossos conflitos, mágoas, ressentimentos, invejas, medos, senão o desejo de retribuição por ato praticado. Sou cortês porque também desejo que comigo assim o sejam. Não podemos negar que esta tem sido a regra geral praticada por todos os homens, de todas as nações, a qualquer tempo; eis um fato que não pode ser refutado.
***
Diante da certeza absoluta, incontestável e irrefutável da não retribuição, ressarcimento ou mérito por qualquer ato por nós praticado, ainda assim, de nossa parte, haveria ação solidária de alguma espécie? Somos capazes de imaginar, simular em nós mesmos um sentimento de tal magnitude?
Sem o sentimento da troca, sem desejo de gratidão ou reconhecimento meritório; sem promessa de inferno ou céu, poderia o homem viver sobre a terra em paz consigo mesmo e com todos os outros? Se isso fosse possível, qual seria a qualidade de sua mente, seus sentimentos, suas ações?
A isso, apenas a isso, poderíamos afirmar tratar-se de um sentimento de verdadeira compaixão ou genuína Religiosidade.
Notas:
Editoria de Educação do Site Mundo Simples.
Veja mais detalhes sobre o autor ou autores nas notas abaixo.
Nota de Copyright ©Proibida a reprodução para fins comerciais sem a autorização expressa do autor ou site.
[1] Anne Marie Lucille - annemarielucille@yahoo.com.br
Antropóloga e Pesquisadora na área da Psicopedagogia. Atua como consultora educacional especializada em Educação Integral e Consciencial.
A autora não possui Website, Blog ou páginas pessoais em nenhuma Rede Social.
Mais artigos da autora em: https://www.sitededicas.com.br
*
Editoria de Educação do Site Mundo Simples.
Veja mais detalhes sobre o autor ou autores nas notas abaixo.
Nota de Copyright ©Proibida a reprodução para fins comerciais sem a autorização expressa do autor ou site.
[1] Anne Marie Lucille - annemarielucille@yahoo.com.br
Antropóloga e Pesquisadora na área da Psicopedagogia. Atua como consultora educacional especializada em Educação Integral e Consciencial.
A autora não possui Website, Blog ou páginas pessoais em nenhuma Rede Social.
Mais artigos da autora em: https://www.sitededicas.com.br
*
Frase para Meditação...
Uma obra sem imprevistos, além de não qualificar nenhum operário,
não valoriza o mestre de obras...
Uma obra sem imprevistos, além de não qualificar nenhum operário,
não valoriza o mestre de obras...
não valoriza o mestre de obras...
"O verdadeiro sentimento de religiosidade não contempla o mérito de alguns graças ao demérito de outros, mas, ao invés disso, a convicção de que todos estão evoluindo de acordo com suas potencialidades de momento."
"O verdadeiro sentimento de religiosidade não contempla o mérito de alguns graças ao demérito de outros, mas, ao invés disso, a convicção de que todos estão evoluindo de acordo com suas potencialidades de momento."

Nenhum comentário:
Postar um comentário