sábado, 23 de março de 2019

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Mórmon

Os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias pertencem a um movimento religioso surgido nos Estados Unidos no início do século XIX, dentro do contexto de intensos avivamentos religiosos conhecidos como “Segundo Grande Despertar”. Seus seguidores acreditam que a igreja fundada por Jesus Cristo na antiguidade teria perdido parte de sua autoridade original ao longo dos séculos e que essa autoridade foi restaurada por meio de Joseph Smith Jr., considerado pelos fiéis o “Profeta da Restauração”.

O movimento começou oficialmente em 1830, quando Joseph Smith organizou a igreja após declarar ter recebido revelações divinas desde sua juventude. Segundo seu relato, aos 14 anos ele teve uma visão conhecida como “Primeira Visão”, na qual Deus Pai e Jesus Cristo lhe apareceram e afirmaram que nenhuma igreja existente possuía plenamente a verdade original do evangelho. Esse acontecimento é visto pelos membros como o início da restauração do cristianismo primitivo.

Outro ponto central da fé SUD é o Livro de Mórmon, considerado pelos fiéis um registro sagrado semelhante à Bíblia. Joseph Smith afirmou ter traduzido o livro de placas de ouro entregues por um anjo chamado Morôni. A obra narra a história de antigos povos do continente americano e descreve a visita de Jesus Cristo às Américas após sua ressurreição. Por isso, os membros da igreja aceitam tanto a Bíblia quanto o Livro de Mórmon como escrituras sagradas.

O termo “mórmon” surgiu justamente por causa do Livro de Mórmon, cujo nome deriva de Mórmon, um profeta e historiador descrito no texto sagrado. Durante muitos anos, o apelido “mórmon” foi amplamente usado pelo público e até pela própria igreja em campanhas institucionais. Contudo, atualmente, a liderança da igreja enfatiza o uso do nome completo da instituição ou da expressão “Santos dos Últimos Dias”, argumentando que o foco principal da fé deve estar em Jesus Cristo.

A doutrina dos Santos dos Últimos Dias possui características próprias dentro do cristianismo. Seus membros acreditam em revelação contínua, ou seja, que Deus ainda fala por meio de profetas vivos. O presidente da igreja é considerado profeta, vidente e revelador, seguindo o modelo dos líderes bíblicos. Além disso, a igreja possui uma estrutura hierárquica organizada com apóstolos, bispos e missionários espalhados pelo mundo.

A família ocupa posição central na teologia SUD. Os membros acreditam que os laços familiares podem continuar após a morte através de cerimônias realizadas nos templos, chamados de “selamentos eternos”. Os templos diferem das capelas comuns de adoração e são considerados locais sagrados destinados a ordenanças especiais.

Outro aspecto marcante é o forte incentivo ao trabalho missionário. Jovens membros frequentemente dedicam cerca de dois anos ao serviço missionário voluntário, pregando a fé em diferentes países. A igreja também enfatiza padrões de vida saudáveis, incluindo a abstinência de álcool, tabaco e outras substâncias, seguindo um código chamado “Palavra de Sabedoria”.

Ao longo de sua história, o movimento enfrentou perseguições, conflitos políticos e migrações. Após a morte de Joseph Smith em 1844, assassinado por uma multidão em Illinois, a maioria dos fiéis passou a ser liderada por Brigham Young, que conduziu os membros até a região do atual estado de Utah, onde foi estabelecido o principal centro da igreja.

Hoje, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias possui milhões de membros em diversos países e é uma das maiores religiões surgidas nos Estados Unidos. Sua identidade religiosa combina elementos do cristianismo, crença em revelações modernas e uma forte organização comunitária e missionária.

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