quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Om, shanti. 

Pontes de Amor

O Amor não nasce de escolha —
é chama primeira,
sopro invisível
que habita o centro do ser.

Mas o cuidado…
ah, o cuidado é decisão.
É gesto consciente,
é mão que se estende
quando o mundo vacila.

Vivemos dias densos,
em que os infortúnios se entrelaçam
como nuvens espessas no horizonte humano.
E cada coração é convocado
não ao medo,
mas à presença.

Resiliência é raiz profunda.
Boa vontade é semente viva.
E o Amor —
o Amor é ação em movimento, crescente,
é verbo que caminha,
é luz que não se recolhe.

Ele é a matéria-prima invisível
das pontes que o Alto inspira
e que as mãos humanas devem erguer.

Pontes sobre abismos de indiferença.
Pontes sobre rios de intolerância.
Pontes entre o “eu” e o “nós”.

Porque proteger uns aos outros
é recordar
que nunca estivemos separados.

E cada gesto de cuidado
é um tijolo silencioso
na construção de um mundo
que começa dentro.

Que sejamos, então,
construtores conscientes —
não apenas de palavras,
mas de caminhos.

Pois o Amor nos habita.
Mas o cuidado
nos revela.

terça-feira, 17 de agosto de 2021

 Om, shanti.

"Ajudar alguém a passar pela dificuldade
é o ponto de partida da civilização ",
explicou Margaret Mead.

A civilização é uma ajuda comunitária."

′′Uma estudante perguntou uma vez à antropóloga Margaret Mead qual considerava o primeiro sinal de civilização em uma cultura. A estudante esperava que a antropóloga falasse de anzóis, bacias de barro ou pedras para amolar, mas não. Mead disse que o primeiro sinal de civilização numa cultura antiga é a prova de uma pessoa com um fêmur quebrado e curado.

Mead explicou que no resto do reino animal, se você quebrar a perna, você morre. Você não pode fugir do perigo, ir para o rio beber água ou caçar para se alimentar. Você se torna carne fresca para predadores.
Nenhum animal sobrevive a uma perna quebrada o tempo suficiente para que o osso cure. Um fêmur quebrado que se curou é a prova de que alguém tirou o tempo para ficar com o que caiu, curou a lesão, colocou a pessoa em segurança e cuidou dele até que ele se recupere."

Margaret Mead
(Filadélfia16 de dezembro de 1901 — Nova Iorque15 de novembro de 1978)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Nasceu na Pensilvânia, criada na localidade de Doylestown por um pai professor universitário e uma mãe ativista social. Graduou-se no Barbard College em 1923 e fez doutorado na Universidade de Columbia em 1929. Em 1925, ficou conhecida pelo trabalho de campo na Polinésia. Em 1926, colaborou no Museu Americano de História Natural, em Nova Iorque, como assistente do diretor, e depois como diretora de etnologia (de 1946 a 1969). Durante a Segunda Guerra Mundial, foi secretária executiva do comité de hábitos alimentares do Conselho Nacional de Investigação.

Entre os anos de 1946 e 1953 Margaret Mead integrou o grupo reunido sob o nome de Macy Conferences, contribuindo para a consolidação da teoria cibernética ao lado de outros cientistas renomados: Arturo Rosenblueth, Gregory Bateson, Heinz von Foerster, John von Neumann, Julian Bigelow, Kurt Lewin, Lawrence Kubie, Lawrence K. Frank, Leonard J. Savage, Molly Harrower, Norbert Wiener, Paul Lazarsfeld, Ralph W. Gerard, Walter Pitts, Warren McCulloch e William Ross Ashby; além de Claude Shannon, Erik Erikson e Max Delbrück.

Desde 1954 trabalhou como professora adjunta da Universidade de Columbia... Concentrou os estudos em problemas de criança infantil, personalidade e cultura.

Há desacordo com certas conclusões do primeiro livro, Adolescência, Sexo e Cultura em Samoa (1928), baseado em investigações feitas como estudante pré-graduada; e em trabalhos publicados posteriormente, baseados no tempo que passou na Papua-Nova Guiné, como pessoa letrada pelas culturas descreveu ter posto em causa algumas das observações. Todavia, a posição como antropóloga pioneira — uma que escreveu de forma suficientemente clara e vívida para que o público em geral lesse e aprendesse com os trabalhos — permanece firme.
Margaret Mead foi casada três vezes, primeiro com Luther Cressman e depois com dois colegas antropólogos, Reo Fortune e Gregory Bateson. De Bateson teve uma filha, também antropóloga, Mary Catherine Bateson.

Quando Margaret Mead descreveu a sua investigação aos estudantes na Universidade de Columbia, expôs sucintamente quais haviam sido os objetivos e conclusões. Um relato de primeira mão de um antropólogo que estudou com Mead nos anos 1960 e anos 1970, forneceu a seguinte informação:

1. Citações de Mead no Sexo e Temperamento em Três Sociedades Primitivas. "Ela explicou que ninguém conhecia em que grau o temperamento está biologicamente determinado pelo sexo, de modo que esperava ver se havia fatores culturais ou sociais que afetassem o temperamento. Eram os homens inevitavelmente agressivos? Eram as mulheres inevitavelmente caseiras? Resultou que as três culturas com que conviveu na Nova Guiné eram um laboratório quase perfeito, pois encontravam-se cada uma das variáveis que associamos com masculino e feminino numa configuração diferente da nossa sociedade. Ela disse que esse fato a havia surpreendido e que não era o que ela esperava encontrar, mas aconteceu.

Entre os Arapesh, tanto homens como mulheres eram de temperamento pacífico e nem os homens nem as mulheres faziam a guerra.
Entre os Mundugumor, a realidade era precisamente o contrário: tanto homens como mulheres eram de temperamento bélico.

E os Tchambuli eram diferentes dos anteriores. Os homens embonecavam-se e gastavam o tempo a arranjarem-se, enquanto as mulheres trabalhavam e eram práticas - o oposto do que parecia ser a América no início do século XX."
2. Citações de Mead no Crescendo na Nova Guiné. "Margaret Mead contou-nos como chegou ao problema de investigação no qual baseou o Crescendo na Nova Guiné. Ela raciocinou assim: se os adultos primitivos pensam de uma forma animista, como Piaget diz que as nossas crianças o fazem, como pensam as crianças primitivas?

Na sua investigação na ilha de Manus da Nova Guiné, descobriu que as crianças 'primitivas' pensam de uma forma muito prática e começam a pensar em termos de espíritos à medida que vão crescendo."

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

 Namastê buscadores!

A Arte de Cuidar de Alguém

O Caminho da Felicidade

Requer Renúncia e Discernimento

por Carlos Cardoso Aveline

A vida merece atenção e cuidado 

 A vida é feita de paradoxos. Para trilhar o caminho da bem-aventurança, o primeiro passo é querer o bem de todos os seres. O passo seguinte consiste em trabalhar de modo prático, durante muito tempo, para que os outros sejam felizes. O auto-esquecimento abrirá as portas do bem-estar durável.  

A substância da vida é feita de solidariedade. Cada criança é resultado da interação amorosa dos seus pais. Alguém cuida do indivíduo humano quando ele nasce, e alguém cuida dele quando morre.

Logo no início da vida, o ser humano começa a aprender a arte de cuidar de si mesmo. Esta arte tem limitações, porque mesmo na fase mais “independente” da sua vida haverá sempre alguém cuidando da pessoa. Seus amigos, os colegas, o chefe no trabalho, os professores, pais, dentistas, médicos, motoristas de táxi, filhos e irmãos ou mesmo netos, todos cuidam de algum modo de cada ser humano. A sociedade inteira protege e ajuda o cidadão individual, dando-lhe ruas calçadas para caminhar e outros tantos benefícios da vida em comunidade.

O fato de ser objeto de cuidados é agradável, mas cuidar dos outros é melhor ainda. O caminho da paz requer que pensemos no bem-estar interior daqueles a quem queremos bem, e devemos querer o bem de todos os seres. A atitude altruísta é benéfica para nós próprios. Aquilo que fazemos aos outros é o que retornará, cedo ou tarde, para nós. 

Cuidar Requer Lucidez e Desapego

Embora trabalhar para o benefício dos outros seja a fonte do verdadeiro bem-estar, isso não significa que a tarefa seja fácil. Cuidar de modo eficiente é uma arte, e também um mistério que implica boa dose de auto-sacrifício.

Coragem, renúncia, desapego e discernimento são necessários para cuidar dos outros seres como devem ser cuidados.  Ajudar não é fazer sempre o que a pessoa deseja. Atender a todas as vontades daqueles com quem nos relacionamos é um caminho seguro para a infelicidade. Firmeza e um determinado rigor nas relações interpessoais são fatores úteis. Saber ceder é tão importante quanto saber dizer não. O uso do discernimento permitirá tomar a decisão correta a cada instante. Os erros trarão as lições que devemos aprender.  A meta é não cuidar das pessoas buscando o caminho mais cômodo, mas fazendo aquilo que estimulará seu crescimento e seu sentido de responsabilidade.

Seja adulto ou criança, o ser humano precisa saber que há limites. A ausência da aceitação de obstáculos é uma fonte de dor e violência psicológicas. A moderação deve ser cultivada.  Embora os limites possam ser transcendidos através do amor e da compreensão, eles não devem ser necessariamente eliminados. A diferença entre transcender e eliminar é fundamental: a transcendência não é destruição, e a destruição não é transcendência.

O estabelecimento de limites nas relações solidárias faz com que o fortalecimento da vontade individual ocorra sobre canais adequados.  A administração correta do desejo é uma ciência em si. Uma vontade forte, usada sem discernimento, cria uma quantidade apreciável de dor. A mesma vontade, usada com eficiência em função de uma meta correta, tem diversos efeitos positivos. Ela transcende o impulso cego, produz uma compreensão ampla e lúcida da vida, e faz com que surja a felicidade incondicional.

Cada um deve aprender a administrar corretamente a sua vontade, dotando-a de força solidária e discernimento. Esta meta pode ser ensinada a crianças e adultos, e o indivíduo deve buscá-la por esforço próprio. Os limites nos relacionamentos são linhas de respeito mútuo. Eles sustentam e protegem as relações solidárias, e devem ser estabelecidos mutuamente. É correto aceitar os limites que os outros nos colocam, a menos que haja sérios motivos para fazer o contrário. 

A arte de cuidar de alguém é inseparável do processo do autoconhecimento e da arte de cuidar de si mesmo. Cuidamos dos outros como cuidamos de nós. Descuidar dos outros é descuidar de si, e o egoísmo constitui sobretudo uma falta de atenção e vigilância diante da vida. Nosso eu emocional é nossa criança interna. Ele merece ser tratado com paz-ciência, estabilidade e respeito, porque a auto-estima emocional é indispensável no caminho do altruísmo. A generosidade começa no modo como vemos a nós próprios, e isso não significa indulgência ou falta de auto-crítica. Os erros devem ser olhados com rigor, mas desde o ponto de vista do nosso potencial sagrado.

Um Planeta Solidário   

A importância das descobertas de Charles Darwin não deve ser exagerada. O apoio mútuo, e não a competição, constitui a lei da vida. Todos os seres progridem através da ajuda recíproca. Animais, e até vegetais, ajudam uns aos outros. É falsa a ideia de que a lei da selva é a lei da competição.  Na verdade, reina a harmonia nas florestas. Já no mundo humano, o sábio ajuda o inexperiente, e o novato auxilia seu irmão mais velho.  Cada família e cada nação é sustentada pelo amor de uns pelos outros e pela prática do respeito e da cooperação.

O planeta Terra inteiro é um círculo multidimensional de laços de afeto que se desdobram em diversos níveis de ação e percepção. Há dor e violência no planeta, seguramente.  Mas isso se deve à presença provisória da ignorância, cujo final podemos acelerar em tudo aquilo que depende de nós.

Aquele que é apto para cuidar do outro sente prazer em não provocar dor, e sofre quando causa sofrimento para alguém. Todo ser consciente sabe que o outro é seu espelho. Só o desinformado bate no espelho e imagina que assim obterá alguma vitória.

Todos São Mestres, o Tempo Inteiro

Os relacionamentos humanos são todos recíprocos e se alimentam de padrões repetitivos estáveis, em torno dos quais surge a base instintiva sobre a qual a vida se desenvolve.  

Em consequência disso, cuidar da vida é criar bons hábitos, primeiro para si mesmo, e em seguida na relação com os outros. Cuidar é também abandonar os hábitos nocivos, e entre estes ocupam lugar de destaque o desperdício de tempo e o desperdício de energia.

“Devemos fazer aquilo que é correto e, com o tempo a ação se tornará agradável”, ensina a tradição pitagórica.

Os hábitos criam o caráter, e o caráter é um fator importante na determinação do carma ou “destino” de alguém.  A pessoa deve primeiro estabelecer metas claras, e em seguida criar padrões de comportamento que sejam coerentes com suas metas.

Lições não nos faltam. Elas estão por todo lado ao nosso redor: o desafio é prestar atenção a elas.  Todos os seres educam uns aos outros ao interagir. Todos são professores, e devem ter um sentido de responsabilidade por aquilo que ensinam o tempo inteiro através de cada ação, cada palavra, sentimento e mesmo pensamento articulado em silêncio.    

Cuidar ou educar seres de qualquer idade implica estimular a sua independência solidária. Ajudar é também ensinar a combater as causas, e não só os efeitos do sofrimento. Aquele que é auxiliado deve fazer por merecer, erguendo-se por força própria em tudo que as circunstâncias permitem.   

Cuidar Inclui o Bom Combate

Assim como há conflitos na alma humana, há combates no mundo. O bom guerreiro é um cuidador e um protetor da vida e sabe agir com severidade. O policial civil e o policial militar protegem a população. A Polícia Rodoviária atua na defesa da vida.  O soldado protege o povo.  

Aquilo que ocorre fora é uma exteriorização do mundo interno. No organismo físico do ser humano, o sistema imunológico combate num estilo verdadeiramente  policial-militar  as infecções, intoxicações, agentes nocivos e todo tipo de perigo para a saúde.  

No plano emocional e psicológico, quando alguém trata de disfarçar e suprimir conflitos, imaginando que são desnecessários, a situação fica em geral mais difícil.  Os combates disfarçados se travam ocultamente e passam a ser desnecessariamente violentos. Esconder o conflito provoca traições e punhaladas emocionais que seriam desnecessárias se houvesse coragem, confiança mútua e bom senso suficientes para estabelecer uma transparência na relação.

A desarmonia disfarçada ou “suprimida” atua de modo mais perigoso no plano subconsciente, enquanto que o conflito honesto, tornado consciente, é colocado sobre a mesa e pode ser resolvido com mais facilidade, porque está sujeito a um exame lúcido e equilibrado. O conflito honesto preserva o respeito e permite a construção de uma paz durável.  A transparência é fonte de paz em todas as esferas da vida.

O Cuidado Como Função da Alma

Para viver corretamente, não basta querer cuidar de si e cuidar dos outros. A eficácia de um indivíduo diante destes dois desafios práticos depende da sua capacidade de ouvir o inaudível.  Ele deve ser capaz de escutar a voz sem palavras da sua própria alma imortal. Nela existe um reservatório ilimitado de energia, conhecimento e vocação de vitória.

A voz do silêncio transcende respeitosamente as variadas marés de pensamentos, sentimentos, ações e reações. Ela vê a unidade dinâmica da vida sem negar ou lamentar a diversidade e o contraste, a alegria e a dor.  Ela ensina que a consciência interna do ser humano não nasce com o nascimento do seu corpo físico, e não morre quando o corpo é abandonado ao final de uma encarnação.

A consciência profunda atua como uma Testemunha Sagrada. Ela possui a substância da serenidade. Ela constitui a fonte de paz no interior de cada um. 

Quando amplia a conexão com sua alma imortal, o indivíduo passa a enxergar a vida como uma rede ilimitada de reciprocidades em ação: nossa Terra é uma grande cooperativa de crescimento espiritual, e tudo o que ocorre nela leva à iluminação ou esclarecimento dos seus habitantes.  

O bom Carma escreve certo por linhas tortas. A vida converte cada limão em limonada. Ao perceber que a transformação de ignorância em Sabedoria e de sofrimento em Felicidade é a Lei inevitável da evolução, diminuímos a taxa de desperdício da nossa energia vital. Então compreendemos as implicações do fato de que trabalhar para o bem dos outros é o modo mais eficaz de trabalhar para o nosso próprio bem. Qualquer indivíduo que sofre pode fazer a experiência prática e verificar por si mesmo este princípio básico da filosofia teosófica: é cuidando dos outros, com perseverança,  que alguém cura do modo mais definitivo as suas próprias feridas.  Ao pensar continuamente  em seu próprio sofrimento,  o desinformado usa mal a força do pensamento e torna a dor mais profunda sem necessidade.

A teosofia aponta para uma cura natural, de dentro para fora, a partir do contato individual e  silencioso com a alma espiritual, a essência sagrada do nosso ser. A consciência desta alma é universal e por isso é abençoada.  Ela ensina que os seres humanos devem cuidar de si próprios, e que também devem cuidar uns dos outros, do planeta Terra, e do futuro da humanidade como um todo.

Aquele que percebe estas verdades simples compreende que o egoísmo é uma ilusão. Os sonhos egocêntricos estão situados fora da realidade.  O fato de os desinformados serem numerosos não os torna sábios, nem lhes dá bom senso ou eficácia. Ao contrário.  Quando a ignorância materialista parece dominar, a sabedoria e o realismo da lei da causa e efeito se tornam ainda mais necessários.

São os poucos que fazem a diferença.  É a filosofia do altruísmo auto-responsável, ensinada pela teosofia das diferentes religiões e tradições filosóficas, que nos permite estar em contato com a Realidade. 

A visão solidária da vida vem sendo ensinada a todos os povos e nações pelos sábios de todos os tempos. A expansão dos horizontes liberta o indivíduo do pesadelo doloroso criado pelas formas erradas de busca da felicidade.  A filosofia da solidariedade universal abre diante de cada ser humano o antigo caminho, morro acima, estreito e difícil, mas verdadeiro, que conduz à bênção interior e incondicional.  

***

Para conhecer a teosofia original desde o ângulo da vivência direta,

 leia o livro “Três Caminhos Para a Paz Interior”, de Carlos Cardoso Aveline.

Três_Caminhos_Auxiliar

Com 19 capítulos e 191 páginas, a obra foi publicada em 2002 pela Editora Teosófica de Brasília.   

Fonte:  www.CarlosCardosoAveline.com

Om shanti!!! 

“O teu nome é mais poderoso que o nome dos deuses, o teu nome escrito sobre o teu escudo, o nome do deus sentado no centro da tua barca. Oh! Barqueiro, detém teu remo, vira-te atrás e olha nos olhos daquele que vive no centro da tua barca!"

- "O Livro dos Cantos Potentes" -

Egípcio

por HALIDONMUSIC
Chopin - Relaxing Classical Piano
*
Sigamos todos com Deus Amor no comando!!!

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Namastê buscadores!

Dicas para Pais e Educadores

Os Benefícios Cognitivos do Tradicional Jogo de Xadrez

Autor: Alberto Filho[1]

Neste artigo o autor faz uma análise detalhada e qualificada que discute os mais relevantes benefícios cognitivos obtidos a partir da prática regular do Jogo de Xadrez.

"O Cérebro é como um músculo; se usado Desenvolve e se fortalece, caso contrário, fica flácido, atrofia, calcifica..."

Os Benefícios Cognitivos do Tradicional Jogo de Xadrez.

"Ver com clareza não significa apenas ter bons olhos, 

mas ter olhos que queiram enxergar..."

"Um problema e mil alternativas como solução,

 eis a peculiar visão de um jogador de xadrez...”

O Jogo de Xadrez e suas múltiplas facetas cognitivas:

Parece que um dos grandes problemas dos nossos tempos é a visão quase sempre parcial que temos das coisas à nossa volta. Isso normalmente ocorre porque valorizamos a especialização. Desde cedo somos condicionados a buscar na especialização uma resposta para todos os nossos problemas. Mas, ao contrário do se pensa, isso acaba por limitar de maneira dramática nossa visão do mundo, uma vez que passamos a ver tudo como fragmentos.

É como se olhássemos o mundo de uma janela e a parte visível representasse tudo que existe. Se emocionalmente, diante de cada situação reagimos de uma maneira bem peculiar, assim como nós, todas as outras pessoas têm seu próprio modo de reagir às mesmas situações. Pode-se constatar isso facilmente por meio da observação das nossas preferências, particularidades, medos, e assim por diante.

Um dos grandes desafios do educador deveria ser a formação de alunos dentro de uma filosofia integral. Por integral entendemos, enxergar o movimento da vida como uma coisa só, em permanente transformação, nunca estática, sempre dinâmica, não encarcerada pela fragmentação, como é a visão especialista. A vida como um todo retrata todas as faces do indivíduo, suas crenças, medos, conflitos, incertezas, angústias, e todo sofrimento ao qual ele está sujeito, sem, contudo, desprezar sua biologia. No entanto, é o seu processo psicológico que merece uma atenção especial.

Não podemos compreender o ser humano integral tomando como base apenas uma parte do seu comportamento, a exemplo de uma postura social, situação étnica, ou mesmo a partir de uma preferência ideológica. Ele é tudo isso e muito mais; mais do que podemos perceber com nossos sentidos ordinários ou nossa mente condicionada, amordaçada pela especialização ou agrilhoada por inúmeras crenças pessoais.

Ensinar a solucionar problemas simples e complexos, esta deveria ser a principal pauta pedagógica de todas as instituições acadêmicas:

Desde cedo somos orientados a seguir uma carreira, a pensar apenas dentro de uma caixa de métodos, segundo uma doutrina ou conjunto de regras, o que acaba se tornando o nosso mundo. Um mundo privado, cercado pelas muralhas desse conhecimento limitado que representa todo nosso saber e atrás das quais nos escondemos. Isso nos conforta, cria acomodação, pois é um terreno sempre conhecido, como se além daquilo nada mais existisse.

Entender que a vida é dinâmica e está sempre em transformação, um mundo onde as alternativas ou opções mudam de posição constantemente, a exemplo do próprio ir e vir do viver, capacita o jovem a ter uma mente mais flexível, com disposição para se renovar sempre. Isto o permitirá acompanhar com mais realismo este incrível movimento impossível de ser contido.

Uma mente flexível sabe que as alternativas são reais, e nunca se contenta com respostas prontas. É por natureza curiosa, está sempre aberta ao que é novo. O raciocínio lógico, de algum modo, capacita o jovem a pensar logo em alternativas como possíveis respostas para seus problemas. Essa visão o impede de tomar decisões precipitadas em sua vida adulta, pois saberá que para todo problema sempre haverá uma solução, e muitas alternativas para se chegar a ela. Uma mente com este perfil estará mais capacitada para lidar com a dinâmica da vida.

Um dos maiores dilemas do ser humano é sentir-se encurralado diante de uma situação qualquer. Nesse momento, sua mente não é capaz de raciocinar de uma maneira lógica, coesa, racional, e os pensamentos se tornam fixos, recorrentes; ficarão gravitando em torno de um mesmo ponto ou ideia, enfatizando as implicações do problema, como se estivesse presa numa espécie de vácuo mental.

Neste caso, desaparecem as respostas prontas, e como que por encanto não conseguirá vislumbrar alternativas. Uma espécie de engasgo temporário, ou vácuo pensênico, do qual aquela mente não consegue se libertar é o indesejável e inevitável efeito esperado. Isso acontece na maioria das vezes devido ao condicionamento rígido que valoriza a visão fragmentária das coisas, de maneira inflexível, presa à especialização.

Examinando como os problemas são criados e não solucionados:

Quase nunca somos capazes de ver um problema a partir da sua origem. Tentamos solucioná-lo a partir dos seus efeitos, o que é um grande erro, uma vez que as consequências de um problema, na maioria das vezes, não representam o problema em si.

Essa visão parcial limita nosso pensar; limita nossas ações diante de questões simples ou complexas. O indivíduo que se especializa numa determinada área do conhecimento, decerto terá uma visão bastante restrita de tudo que não diga respeito aos seus domínios. E embora isso seja um fato óbvio, nunca é tratado como uma das razões mais dramáticas da angústia e conflitos humanos.

Desse modo ele sentir-se-á naturalmente inseguro diante de qualquer situação fora do escopo da sua especialidade. Será por natureza conservador e sempre dependente de outros para guiar seus passos fora daquele mundo conhecido. Um indivíduo inflexível, que dificilmente conseguirá ser feliz diante de uma vida, que está sempre em movimento, sempre a se diversificar, em constante processo de reciclagem.

Diante de cada problema, possibilidades múltiplas precisam ser consideradas. Esta bem que poderia ser a primeira orientação que deveríamos passar para nossos filhos e alunos. Isso resolveria o problema das verdades únicas, que afloram mundo afora, criando verdadeiras legiões de fanáticos cativados pela alienação.

Teríamos um jovem sempre questionador e disposto a aceitar, mas não apenas porque aquilo lhe foi imposto, e sim porque assim concluiu, depois de analisar dentre todas as possibilidades, que uma questão é capaz de suscitar. Seguir sem questionar é fácil, é o que a maioria faz. Mas um indivíduo só se torna questionador quando sabe que para cada questão há sempre uma solução, dentre as inúmeras perspectivas ou rotas possíveis de conduzir ao respectivo desfecho.

As perspectivas e ponto de vista de um Jogador de Xadrez:

Isso quer dizer que, uma mesma questão, apesar de ter apenas uma solução, terá sempre vários caminhos possíveis de conduzir até ela, e nunca apenas um. Isso pode parecer banal, mas normalmente, diante de um problema, ele emperra porque o indivíduo só é capaz de vislumbrar a solução que mais o favoreça, e sempre dentro dos limites do seu perímetro de atuação. E por isso deixa de fora os caminhos alternativos, que também o conduziria a essa mesma solução, talvez até com mais vantagens. O caminho único pode limitar a ação, mas diante de alternativas viáveis, acabará por encontrar uma mais vantajosa e que se mostre mais adequada ao seu perfil e temperamento; aquela onde poderá exercitar todo seu potencial criativo.

Uma visão mais ampla, quer dizer alguém que seja capaz de enxergar, não apenas o adversário que está diante de si, mas também todo ambiente à sua volta, assim como todos os demais protagonistas que façam parte da cenografia. Vislumbrar, enfim, o maior número de detalhes do cenário onde se desenvolve a trama e seus possíveis desdobramentos. Esta perspectiva faculta uma quantidade maior de respostas.

Uma visão panorâmica da situação, onde também se inclui o adversário ou problema, permite que se faça uma melhor leitura da questão, ampliando o espectro de suas consequências, assim como quais as opções mais perfiladas com a possível solução. Com isso, pode-se até concluir que aquilo nem era um problema. Uma visão limitada e restrita de uma questão pode nos colocar diante de uma situação com cara de problema, sem que de fato o seja.

Um jogador de Xadrez tem diante de si problemas, situações que inicialmente se apresentam como de difícil solução. Mas, eis que ao erguer seus olhos, ele pode vislumbrar mais adiante, ter uma visão panorâmica do problema. Ao ver o campo de ação por inteiro, ele poderá apreciar melhor o desafio que tem diante de si; ali estão todas as variáveis, os caminhos que poderá tomar. Ali é capaz de avaliar, minimizar ou eliminar, os possíveis efeitos colaterais de suas decisões, e o mais importante, conhecer todos os recursos dos quais dispõe para tentar solucionar a questão.

Uma Macrovisão capaz de ver o todo e não apenas a parte causadora do problema:

Poderá prever se as soluções que imagina terão o efeito desejado. Terá ainda diante de si os possíveis desdobramentos de cada caminho que escolher. Ele tem uma visão privilegiada, e por inteiro, da situação. Pode reconstituir todos os passos, de modo que o conduzam à raiz daquele obstáculo, e diante dos fatos, pode finalmente aprender sobre os eventuais desfechos das falhas já cometidas que venham ou viriam a ocorrer. Poderá ainda prever como superar, no futuro ou no agora, cada dificuldade que se apresente diante de si.

Para se aprender da maneira adequada, a atenção disciplinada e organizada é sem dúvida a qualidade mais importante. O jogo de Xadrez se propõe a despertar em primeiro lugar, entre seus praticantes, este essencial estado de vigília. Isso tornará o jogador um observador qualificado, mais atencioso com os detalhes, mais criterioso e lúcido, sagaz e capaz em suas decisões.

Sua visão se renova. Seu modo de pensar se amplia, e terá a seu favor dois fatores mais que importantes na solução de qualquer questão da vida: Um deles é a lógica que o ensinará a sistematizar e organizar uma questão antes de tentar resolvê-la; A outra é a versatilidade ou flexibilidade, atributo de uma mente aberta, ágil, que está sempre disposta a experimentar as novas possibilidades, as alternativas, além daquelas já existentes, para solucionar uma mesma questão.

A aquisição de uma mente mais flexível é o maior benefício que sempre acompanhará os jogadores de Xadrez:

Na visão tradicional, perfilada pelo condicionamento delimitador de cada um, temos diante de nós muitas soluções prontas para antigos e novos problemas. Se os problemas nunca se renovassem seria um cenário de mundo perfeito. Mas os problemas estão sempre mudando de forma, e as antigas soluções se mostram obsoletas, incapazes de acompanhá-los e resolver o dilema.

Sendo orientado para, a partir de um todo, ter competência para vislumbrar a parte que está fora dos eixos, o jovem praticante de Xadrez também desenvolve a capacidade de antecipar situações possíveis de criar novos problemas. Logo, ele se torna mais capaz, não só de evitar futuros obstáculos ou mesmo impedir que ganhem forma, mas também de solucioná-los caso venham a se manifestar.

Uma mente vigorosa, ativa, cheia de músculos sinápticos bem desenvolvidos, é o benefício imediato de quem mentalmente articula muitos caminhos e possibilidades para se chegar a um objetivo. Se assemelha ao autor de ficção que ao criar uma trama onde, por exemplo, o personagem principal, ao caminhar por uma estrada cheia de obstáculos, tivesse que tratar cada um, de uma maneira sempre nova, o que não seria possível com uma mente inflexível e limitada pela especialização.

Nessa prática, devemos ainda enfatizar que o jogo de Xadrez, apesar de ser um tipo de competição, não precisa tornar-se uma disputa. A atividade serve de instrução para os dois jogadores, e nesse contexto, não existe aquele que perde e outro que ganha, mas apenas dois aprendizes, que estão se qualificando na arte de tomar decisões, sejam simples ou complexas.

Notas:[1]

Editoria de Educação do Site de Dicas.

Alberto Filho - albfilho@gmail.com

É pesquisador das Ciências Cognitivas e orientador em educação infantil e adulta, inclusive da terceira idade, com especialização em Educação Integral e Consciencial. É também desenvolvedor de Softwares Educativos, Ilustrador e Escritor de Contos Infantis e Adultos.

O autor não possui Website ou Blog pessoal.

Mais artigos do autor em: https://www.mundosimples.com.br

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sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Presente para a Alma - por Brahma Kumaris

 Om, Shanti.
Presente para a Alma
por Brahma Kumaris


"Conhecer minha própria verdade, 
aceitar-me e viver de acordo
 é a melhor maneira de alcançar a felicidade. 
De outras pessoas, recebo inspiração, orientação 
e experiência na forma de conselhos, 
mas quem deve abrir o meu caminho sou eu.
A chave é conhecer-me, 
a chave é amar quem sou..."

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Namastê buscadores!

Reflexionando com Thoreau:

"Viveremos melhor se pudermos diminuir o ritmo,
e aprender com pouco."
por Shantoo05
Armand AMAR & Levon MINASSIAN
*
Thoreau e o Minimalismo Existencial
Henry David Thoreau 
(Concord12 de julho de 1817 — Concord, 6 de maio de 1862)
 Autor estadunidensepoetanaturalistapesquisadorhistoriador
filósofo e transcendentalista. Ele é mais conhecido por seu livro Walden
uma reflexão sobre a vida simples cercada pela natureza...

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Em uma entrevista proporcionada ao IHU On-Line, Kelly Dean Jolley promove uma perspectiva de Thoreau como um minimalista existencial. A partir da entrevista, Jolley ressalta que Thoreau defende uma vida de abnegação e simplicidade, cujo objetivo é obter uma melhor compreensão da existência e do mundo que aparece diante de nós.

De fato, a filosofia de Henry David Thoreau vai além da abstração das ideias, é um modo de conceber o mundo e reger uma vida a partir da constante relação com o real e com o verdadeiro. A vida, nesse caso, encontra-se em consonância com o verdadeiro, e o verdadeiro, para Thoreau, está fora das paredes da prisão invisível que grande parte da sociedade impôs com o avanço tecnológico e fortalecimento do capitalismo com seu consumismo excessivo. Dessa forma, é perceptível a busca da verdade através de uma forte crítica ao materialismo, cuja principal consequência é o ajuste da visão para o que realmente existe. Kelly Dean Jolley expressa tal questão sucintamente:

''Para mim Thoreau acredita que vivemos em um esquecimento propositado de nossa natureza, e que nossas tendências para focar naquilo que é desnecessário são tanto resultado como causa desse esquecimento. Ao ir para a mata, Thoreau se transforma em um lembrete vivo daquilo que esquecemos. Ele se torna uma consciência moral externalizada – para colocar de forma paradoxal – chamando cada um de nós de volta ao que (todos) somos.''

É nesse contexto que o pensamento minimalista entra em ação. Uma mensagem importante, senão principal, da filosofia minimalista seria a necessidade de reduzir o máximo de recursos possíveis para reger uma vida e, assim, sobreviver apenas com o necessário. Nesse sentido, não é à toa que Thoreau é visto como um minimalista. Verifica-se diversos exemplos da filosofia minimalista nos seus escritos, especialmente em Walden. Dentre tais, vale destacar uma parte:

''Simplicidade, simplicidade, simplicidade! Digo: Ocupai-vos de dois ou três afazeres, e não de cem ou mil; contai meia dúzia em vez de um milhão e tomai nota das receitas e despesas na ponta do polegar... Simplificar, simplificar. Em vez de três refeições por dia, se preciso for, comer apenas uma; em vez de cem pratos, cinco; e reduzir proporcionalmente as outras coisas...''

Nessa perspectiva, o minimalismo seria um passo importante para melhor compreender o mundo e chegar a um nível superior a partir das experiências acumuladas pelas privações impostas por um estilo de vida de controle e abnegação – este é um dos motivos que Thoreau é chamado de transcendentalista. Com isso, torna-se possível aguçar a visão e focá-la no que é verdadeiro, procurar apenas o que é essencial para manter o famoso ‘’calor vital’’ que o autor frequentemente menciona e, assim, viver. Por esse fato que Walden foi fundamental para a evolução espiritual e física de Thoreau. O deserto era um ambiente longe das prisões ilusórias da sociedade capitalista e um lugar propício à solidão e à abnegação, cuja consequência era o contato com a própria essência da vida e a visão do mundo como ele é:

''Fui para os bosques porque pretendia viver deliberadamente, defrontar-me apenas com os fatos essenciais da vida, e ver se podia aprender o que tinha a me ensinar, em vez de descobrir à hora da morte que não tinha vivido. Não desejava viver o que não era vida, a vida sendo tão maravilhosa, nem desejava praticar a resignação, a menos que fosse de todo necessária. Queria viver em profundidade e sugar toda a medula da vida, viver tão vigorosa e espartanamente a ponto de pôr em debandada tudo que não fosse vida, deixando o espaço limpo e raso; encurralá-la num beco sem saída, reduzindo-a a seus elementos mais primários, e, se esta se revelasse mesquinha, adentrar-me então em sua total e genuína mesquinhez e proclamá-la ao mundo; e se fosse sublime, sabê-lo por experiência, e ser capaz de explicar tudo isso na próxima digressão''

Thoreau influenciou diversas gerações de pensadores e aventureiros. Um grande exemplo disso foi o de Christoper McCandless, um jovem que, ao terminar a faculdade, deixou para trás toda uma vida – como o conforto de uma casa, a presença de pessoas que o amam, seu dinheiro e seu carro –, com o principal objetivo de viver sobre o deserto e absorver tudo que a existência poderia proporcionar.

Há diversos traços da filosofia minimalista de Thoreau em McCandless. Um aspecto que pode provar esse fato é a aversão ao materialismo da sociedade a qual frequentava e o consequente abandono da maioria de seus bens materiais para poder viver uma vida de solidão e privação em busca da verdade. Um exemplo da influência direta de Thoreau sobre McCandless é uma frase sublinhada do livro Walden, ou a vida nos bosques, encontrada no lugar em que este último morreu, no qual diz:

''Mais que amor, dinheiro e fama, dai-me a verdade. Sentei-me a uma mesa em que a comida era fina, os vinhos abundantes e o serviço impecável, mas faltavam sinceridade e verdade e fui-me embora do recinto inóspito, sentindo fome. A hospitalidade era fria como os sorvetes.''

Um aspecto interessante é que McCandless escreveu a palavra ‘’verdade’’ em letras de forma no alto da página que a frase anterior se encontrava. É possível, dessa forma, perceber que a busca da verdade era uma dos principais anseios de McCandless ao ir para o deserto. Talvez não seja mera coincidência das buscas similares de Thoreau e McCandless, uma vez que este último tinha como anseio primordial conceber o verdadeiro na sua mais pura manifestação. Thoreau, nesse caso, pode ter sido uma das bases do pensamento e um dos principais influenciadores de McCandless. Apenas para reforçar essa reflexão, vale destacar uma frase de seu diário:

''Dois anos ele caminha pela terra. Sem telefone, sem piscina, sem animal de estimação, sem cigarros. Liberdade definitiva. Um extremista. Um viajante estético cujo lar é a estrada (...) E agora depois de dois anos errantes chega à última e maior aventura. A batalha final para matar o ser falso interior e concluir vitoriosamente a revolução espiritual (...) Para não ser mais envenenado pela civilização, ele foge e caminha sozinho sobre a terra para perde-ser na natureza.''

Torna-se possível detectar diversas passagens que expressam os pensamentos de Thoreau nesse trecho. Logo no começo, McCandless diz ‘’ Sem telefone, sem piscina, sem animal de estimação, sem cigarros. Liberdade definitiva. Um extremista (...)’’. Percebe-se nessa frase uma certa aversão aos bens materiais e à necessidade se libertar dos vícios que o consumo de tais bens proporciona, aspecto que a filosofia minimalista de Thoreau expressa claramente. Indo mais além é perceptível um anseio de matar um ‘’falso ser interior e concluir vitoriosamente uma revolução espiritual (...)’’, Thoreau expressa essa necessidade de revolução espiritual nitidamente em Walden. Assim, afirma-se que a filosofia minimalista de Thoreau foi tão forte que chegou até os tempos atuais. Instigando constantemente diversos estudiosos a mudar suas vidas e criar um novo rumo às mesmas.

É por esse motivo que Thoreau pode ser visto como um minimalista existencial e um dos principais disseminadores do pensamento minimalista. Sua filosofia é focada na destruição de toda a ilusão que uma sociedade materialista pode possuir a partir da busca das coisas – e apenas dessas coisas – que mantém nosso ‘’calor vital’’. Assim, é possível despertar para o verdadeiro mundo que existe diante de todos os seres vivos e sugar toda a vida que este mesmo mundo pode proporcionar.

Referências:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_David_Thoreau

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Om shanti!!!

Uma voz...

"[...] quando me vi no espelho, descobri maravilhada que minha cara, que há muito havia perdido, estava lá, olhando para mim; foi como se me reencontrasse depois de viver “o outro” tanto tempo, e hoje me sinto eu mesma! Depois disso me pergunto se ainda precisarei fazer proposições, 
pois o que preconizo — arte-vida — já foi desencadeado diretamente em mim nessa noite! "
(Lygia Clark)
por M. Mar
A Thousand Times Good Night ● Abel Korzeniowski

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Namastê!

12 Verdades sobre Disciplina

Autores: Alberto Filho e Jon Talber [1]

Um Guia pra lá de Prático para que o leitor seja capaz de fazer uma avaliação do seu próprio nível de Disciplina, ou mesmo reciclar aquilo que já sabe sobre o assunto.

“Disciplina é o princípio da ordem interna que aflora

 a partir da constatação da desordem externa...”

Uma Introdução sobre a Disciplina...

A despeito das inúmeras polêmicas sobre o assunto, diante de fatos não sobra espaço algum para contestações e debates improdutivos. Quando refletimos profundamente sobre uma questão é porque há interesse de nossa parte em resolver o problema. Entretanto, a elucidação de um problema nunca ocorre sem uma auto investigação; uma comprovação definitiva, seja por meio da cientificação após um exame mais profundo, ou ainda por meio da auto experimentação lúcida. Lembre-se, nada substitui a constatação por meio da vivência pessoal.

Refletir partindo de um alicerce abstrato ou hipotético se assemelha a crença de que os Contos Infantis Medievais, os populares Contos de Fadas, aqueles recontados por nossos pais, avós e bisavós, não estão recheados dos mais escabrosos relatos de horror, e sim da mais pura inocência, conceitos éticos e virtuosismo.

Para entendermos um pouco mais sobre Disciplina, eis uma relação de tópicos que poderão ser usados como sugestões para reflexões sobre o tema. Poderá servir como guia introdutório para quem deseja ampliar seus conhecimentos.

E como sempre, nunca acredite em nada sem antes avaliar, ponderar, investigar, e depois digerir. Nesse caso, o processo digestório é sempre lento, pois requer comprovação. Experimente, faça os testes, examine a lógica racional de cada tópico ou questão antes de passar adiante ou adotar como modelo cognitivo para si mesmo.

Examinando o que vem a ser a Verdadeira Disciplina...

1 - Qual a diferença entre Disciplina e Ordem? Na verdade não há, e ambos são aspectos complementares de um só atributo, a Inteligência. Inteligência não é a simples capacidade de aprender por meio do intelecto, mas, antes disso, trata-se do processo consciente que permite ao indivíduo aprender o que é necessário ou útil. Sendo a Disciplina um dos principais atributos da inteligência, quando em consonância com a Ordem, tornam-se potencializadores mútuos.

2 - Disciplina é a arte de conduzir a si mesmo sem desvios ou distrações. E tudo começa quando os pais descobrem o óbvio, que eles próprios são indisciplinados. A partir da constatação da própria indisciplina ou desordem, se de fato estiverem interessados na correta educação dos filhos, acabarão por se Autorreciclar. Eliminadas as manias que serviam de gabaritos involuntários para a desordem postural dos filhos, estes não mais se tornarão seus clones psicopatológicos. Este exemplo de Mudança Postural representa um método disciplinador de excepcional valor cognitivo.

A Disciplina surge com a necessidade por mudanças, que por sua vez aflora quando percebemos a desordem à nossa volta. E como ainda não sabemos o que é a ordem, só nos resta estudar aquilo que não é. E, a partir desta observação cuidadosa seguida do exame apropriado, quando se constata que tudo à nossa volta está em desordem, poderá, finalmente, surgir a ordem. Paradoxalmente, a comprovação dessa desordem é o marco inicial no processo de Autodisciplina.

3 - Disciplina não é a adoção de rotinas ou hábitos repetitivos, mas, ao invés disso, a manutenção do foco, responsabilidade e compromisso na execução das tarefas ou compromissos externos, a partir da harmonia interna. Entretanto, sem uma decisão pessoal, ela não pode florescer. E quando, no dia a dia, se aplica a Disciplina de maneira consciente e lúcida, então poderá surgir a Ordem.

4 - Um burro de carga não é um animal disciplinado e sim domesticado. A domesticação é simples automatismo, conformação com a rotina pela força de um hábito, obrigação ou sujeição. Lembre-se sempre de que, adquirir um hábito ou vício é coisa simples e rápida. No entanto, desfazer-se deles depois é sempre um processo lento, doloroso, dramático, e muitas vezes sem êxito.

5 - Assim sendo, Disciplina não é Conformação ou Domesticação. Em ambos não há um mínimo de consciência, o que se opõe a Disciplina, onde há um máximo. O disciplinado está consciente de que o é, enquanto que o domesticado pelo hábito, submissão ou obrigação, nunca será capaz de perceber seu condicionamento.

6 - Mas a Disciplina requer humildade, que não é servidão ou conformismo, a exemplo dos comportamentos religiosos. Um religioso nunca será verdadeiramente disciplinado, uma vez que segue cegamente preceitos, ordens e padrões, o que pode contrariar sua natureza e predisposições inatas, mesmo que nunca admita ou venha sequer a perceber a existência de tal condição postural em si mesmo.

7 - Seria o Estado de Disciplina, um ilustre desconhecido da maioria das pessoas?

E o estado de Disciplina não pode coexistir onde existe subjugação ou conformação de qualquer natureza, o que significa conduta por injunção. O mais adequado seria considerarmos essa postura passiva como automatismo.

8 - E se a auto-organização é um dos mais elevados estados existenciais do homem, a Disciplina é o processo por meio do qual se chega a ela. Organização é o meio pelo qual a desordem é desfeita, enquanto que a Disciplina é o meio, princípio e fim pelo qual essa Organização será, na prática, aplicada.

9 - No conceito tradicional de Disciplina, logo se imagina o uso rotineiro de alguma técnica segundo um protocolo rígido, durante a execução de alguma tarefa ou cumprimento de atividades regulares. Mas, Disciplina não é nada disso. Trata-se de um Estado Existencial Livre, e não uma condição patrocinada por leis, dogmas, tradições, prescrições da mesologia, desejo de ganho ou mérito, ou por medo.

10 - A Infância é a melhor época para se disciplinar uma criança. Ela ainda não está contaminada com nossos vícios, hábitos, paranóias, crenças, dogmas e tabus, princípios que nos obriga a seguir uma linha de ação muitas vezes contrária às nossas disposições inatas ou vontade. Por isso é mais simples lapidar esse perfil ainda não recheado por opiniões patológicas. O cérebro inocente de uma criança ainda é um domínio onde o controle mais amplo do Ego ainda não fixou suas raízes.

11 - E para que a Disciplina aflore naturalmente, o costume de recompensar a criança apenas pelo fato de cumprir seus deveres formais deverá ser descartado. O ato de cumprir um dever o será sempre por consciência e nunca por coerção. Na coerção jamais existirá o processo disciplinar natural, mas, antes disso, apenas o exercício regular de uma atividade motivada por gratificações, o mesmo princípio já adotado na prática da Corrupção.

Uma reflexão Final:

12 - Finalmente, reflita sobre o assunto antes de aceitar o que aqui está escrito. Só o questionamento voluntário permite a experiência pessoal consciente, o único caminho para o aprendizado lúcido. Teste em si mesmo, faça a digestão antes de aplicar em sua rotina diária ou repassar adiante, não apenas isso, mas de qualquer outra coisa que se apresente diante dos seus olhos ou ouvidos.

Alguns Segredos Ocultos da Lei de Causa e Efeito que a maioria das pessoas ainda Desconhece

Autor: Alberto Filho  [1]

A Lei de Causa e Efeito segundo os princípios humanos...
Se dentro de cada mesologia, cultura nacionalista ou étnica há uma ideologia, fórmula ou cartilha que estabelece as regras e preceitos da ética localmente aceita como válida, isso equivale dizer que a contextualização desse status vai depender do modo como aquela cultura interpreta o Errado e o Certo.

Afinal de contas, a despeito da existência de um conceito de Ética Universal, naquele caso, localmente, a autoridade que ajuíza o que é errado ou certo é que dará a palavra final. Mas, e qual é a Autoridade que autentica ou autoriza esse Juiz a atribuir e homologar tudo aquilo que ali é moralmente correto, ou segundo ele, Consciencialmente Ético?

Em outras palavras, a definição daquilo que é moralmente correto é instituído, protocolado e decretado por quem? E qual será a autoridade ou instância encarregada de certificar que os desígnios do sentenciador ou juiz estão de fato pautados na verdade?

Para os fabricantes das drogas alcoólicas, a despeito dos milhares que morrerão afogados pela embriaguez dos seus compostos etílicos e das famílias que serão destroçadas pelo mesmo motivo, o conceito de ética se resume a pagar seus impostos em dia e depois gratificar, de acordo com as leis trabalhistas em vigor, todos os seus empregados ou cúmplices.

E para cada um daqueles funcionários dedicados à produção e disseminação daquela droga tóxica eufemisticamente chamada de produto interno bruto, praticar ética significa apenas respeitar as leis do seu país e depois se curvar em sinal de humildade diante dos deuses ou ícones que dão lastro a sua tradição cultural, ideologia ou crença religiosa local.

Então surge o mito – na verdade trata-se de uma prática aceita por todos – de que uma ação isolada, necessariamente, também terá como desdobramento um efeito isolado. É como se, por exemplo, ao ferirmos alguém com palavras ou atos, um posterior pedido de desculpas fosse capaz de reparar as consequências criadas a partir do primeiro ato. Segundo esse ponto de vista, não se leva em conta o efeito da agressão, assim como seus desdobramentos imediatos e posteriores, mas apenas o segundo gesto, que é o pedido de desculpas.

Ocorre que, um processo de agressão, seja ele físico ou verbal, nunca terá apenas um resultado ou consequência. Não vivemos reclusos em retiros ou clausuras, nossos interrelacionamentos é a essência da vida em sociedade. Assim, a ferida é sempre coletiva. A qualidade da saúde mental da vítima interfere dramaticamente em seus atos e relações pessoais. Logo, os mais próximos da vítima, ou aqueles que façam parte do seu grupo de convívio mais íntimo, independente do agressor ter ou não consciência disso, também serão vítimas em primeiro grau da mesma injúria.

A Partir de nossas contradições tentamos construir um modelo de mundo onde até os delitos provocados por nossos excessos conscientes poderão ser justificados, desfeitos ou suavizados, exceto quando somos as vítimas...

Se há uma lei de Causa e Efeito, logo, este ato, terá se desdobrado em dezenas, talvez centenas, de eventos impossíveis de serem mensurados. Não se trata mais de um efeito a partir de uma causa, mas de infinitos efeitos a partir de uma mesma causa inicial.

Tabular as consequências que virão a partir do desdobramento daquela ação inicial, é, portanto, algo impossível de ser feito. Isso significa dizer que uma suposta boa ação não anula os resultados de outra má. São coisas distintas, de naturezas opostas. Além disso, cada uma seguirá um caminho peculiar, criando em seu rastro outros tantos desdobramentos, e tudo isso de acordo com sua natureza original.

O pior de tudo é que vivemos em uma Mesologia Patológica, onde os efeitos negativos tendem a ganhar mais destaque e visibilidade. Isso significa dizer que irão se propagar em maior velocidade que os positivos. A fórmula da métrica é bastante simples: num ambiente contaminado pela negatividade, a força de empuxo para compartilhar um problema compatível com sua natureza nosográfica é maior do que o seu inverso.

Assim, perceber em si mesmo uma contradição ou traço negativo passível de causar malefícios, isso equivale à descoberta de uma virtude que será acrescentada ao nosso tesouro pessoal. Agora, ciente desse gargalo, ao impedirmos que aquela anomalia comportamental, de nossa parte, se transforme em uma má ação, este já é um gesto virtuoso.

Entender por que aquele atributo negativo ainda faz parte do nosso comportamento e erradicar suas causas, isso implica em liberdade, uma vez que, pelo menos a partir de nós, ele nunca mais causará dano algum ao mundo.

No entanto, uma descoberta dessa natureza ainda não faz parte da resoluções da maioria das pessoas. Consensualmente, todos ainda acreditam que a transformação pessoal ocorre de fora para dentro, e não de dentro a partir da constatação do que existe lá fora. Por isso esperam diligentemente que a mão mágica de um Guru espiritual ou crença religiosa atue como patrocinador desta mudança.

O homem comum ainda não é capaz de enxergar ou compreender, pelo menos não dá indícios disso, de que para todo efeito experimentado há sempre uma causa previamente semeada.

Eis o motivo pelo qual não se dá conta de como tem plantado ao longo de sua existência dezenas de sementes que mais tarde se transformarão em frutos imprestáveis ou deformados. Uma coisa é certa: Se estivesse consciente de tudo isso, estes frutos certamente teriam outro status. Seriam frutos com uma qualidade compatível com o cuidado e zelo do produtor. E por que ele ainda não consegue entender isso com lucidez? Trata-se da síndrome do imediatismo em ação, onde o indivíduo só é capaz de perceber um ferimento em seu dedo se houver sangramento no ato.

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