domingo, 29 de setembro de 2013

Namastê buscadores!

Corpo ou Alma: Uma Questão de Consciência...

por Dr. Roger Cole

Dando sequência a seu artigo anterior, “O Ser Verdadeiro... Despido e Exposto” (catalogado... como Empoderamento/Desenvolvimento Espiritual), Dr. Roger Cole explora a diferença vital entre corpo e alma.
Como médico, venho já praticando regularmente a meditação há oito anos, desde o tempo da minha experiência com Kübler-Ross, em 1984. O seminário com essa psiquiatra mudou muita coisa em mim.
O mais notável foi a perda da raiva. Meu temperamento acalmou-se completamente. Passei a sentir calma interior. Considere a “síndrome das meias”, por exemplo. Você se levanta para o trabalho e está com pressa. Abre a gaveta. E lá estão elas. Duas meias, uma vermelha e outra azul! Você sabe que colocou os dois pares na cesta de roupa suja. Mas, de alguma maneira, em algum lugar, elas se perderam para sempre. Nenhum tempo dedicado a procurá-las poderia resolver o mistério. Em outros tempos, eu teria “chutado o pau da barraca” por causa de uma inconveniência tão pequena. Era como se tivesse um barril de pólvora dentro de mim. Num minuto, calmo, tranqüilo e recolhido; no seguinte, um dispositivo incendiário e explosivo. Depois de Kübler-Ross essas explosões cessaram completamente. Agora, eu digo: “Uma meia vermelha e outra azul? Excelente, vou lançar uma nova moda!”. E sabe o que mais? Ninguém notaria. Mesmo numa reunião onde você cruzasse uma perna e depois a outra, ninguém perceberia. Primeiro eles veriam uma meia vermelha, depois uma meia azul. Mas não notariam. Então, por que ficar bravo? Eu disse que a coisa mais notável foi a perda da raiva. E o mais surpreendente não foi o fato de ter-me livrado da expressão da raiva, mas livrar-me da expressão de angústia reprimida. Ao desprender-me da tristeza, fui liberado da raiva. Nunca mais joguei tacos de golfe por aí (ao contrário, passei a bater com eles somente na bola!). Nem reclamei ou briguei numa quadra de tênis. Na realidade, meu extremismo competitivo e a necessidade de impressionar os outros começaram a enfraquecer. O grande empreendedor que havia em mim estava morrendo.
Tal experiência com minha própria vida me ajudou a entender os outros. Se alguém estiver furioso, compreendo que vivenciou algum tipo de perda. Quer seja nesta vida, ou num passado mais remoto, houve experiências de tristeza, tão dolorosas, que foram reprimidas, assim como as infecciosas sementes das atitudes e emoções negativas; sementes que germinam palavras e ações destrutivas. A raiva emerge e, de uma maneira estranha, ela “protege” o indivíduo da vulnerabilidade de experimentar tristeza. Há um tipo de “segurança” nisso. Ajuda a superar o medo e a exposição, enquanto age como uma proteção. Por fim, forma-se um hábito onde a raiva é utilizada em situações ou circunstâncias em que um indivíduo está tentando manter seu mundo constante, seguro e sob controle. E isso é estendido ou projetado para fora, às vezes, a fim de “proteger” os outros.
Quando comecei a entender esses fatos, descobri que poderia perdoar e tolerar mais facilmente. O que é perdoar, quando você sabe que alguém agiu contra você sob a influência da angústia? Dizer, “eu nunca o perdoarei por isso”, é permanecer com raiva. Desse modo, você mantém a sua tristeza. Parece justificado mas, na verdade, a falta de perdão o mantém numa relação com aquela pessoa e situação. E você nunca ficará livre até que se desprenda disso.
Para mim, o perdão e a tolerância surgiram ao entender os outros através da autoconsciência. Dessa forma, me senti mais confortável com as emoções das pessoas, especialmente com relação à angústia, perda e separação. À medida que o indivíduo percorre o caminho espiritual, surge uma necessidade de quebrar a identidade do corpo. Quero dizer, quebrar a consciência corpórea e encontrar o eu verdadeiro e autêntico, ou seja, a alma. E então redescobrir as qualidades e natureza originais inerentes à alma em sua mais pura expressão, isto é, antes de começar o ciclo de nascimento e morte. Antes de experimentar apego, separação e perda. Antes da raiva. Antes do amor e da satisfação tornarem-se dependentes do mundo externo.
Para aprofundar, vou sair do conceito de que a alma ou espírito se mantém vivo depois da morte. Ao invés, vou enfatizar que, em essência, a alma é, na realidade, a verdadeira identidade. E o corpo, com sua identidade e relacionamentos, é apenas um veículo temporário para o eu. A afirmação “eu tenho uma alma”, traz em si uma outra: “...mas eu sou um corpo”. Por outro lado, dizer, “eu sou uma alma”, é uma expressão precisa de identidade que contém em si a declaração: “...e eu tenho um corpo”. Um aprofundamento de tal consciência é perceber a inexistência da morte. Sendo uma alma, como eu posso morrer? Posso entrar ou deixar um corpo “nascendo” ou “morrendo”, mas minha forma sutil de luz não pode ser extinguida. Essa é uma questão de consciência. Como um corpo, eu vivo na espiral da morte. Como alma, eu sou eterno. Destemido. Esses são aspectos muito profundos de fé. Em meu artigo anterior (O Ser Verdadeiro... Despido e Exposto), a mãe de June morreu com aceitação plena, expondo a beleza espiritual de uma alma sem cargas. Ela nos deu um exemplo de nosso potencial e espelhou nossa verdadeira natureza. Vamos agora considerar as implicações que isso tem para as identidades verdadeira e falsa.
Ao nascer, é dado um nome e adotado um sexo para a criança. Ambos são regularmente reforçados por pais amorosos que desejam que o recém-nascido se reconheça do mesmo modo como eles o fazem: como um menino ou menina, e como um corpo. Conforme a criança cresce e aumenta a sua consciência, ele ou ela logo descobre as armadilhas da consciência corpórea. “Você é o Roger. Estes são seus olhos. Aqui é seu nariz. Suas orelhas. Estes são seus braços. E suas pernas”. Olhos, nariz, orelhas, braços e pernas. “Ah, este sou eu! Eu sei quem sou. Eu sou um menino. E, você sabe o que mais?... Meninas são bobas!” Assim, uma criança encontra identidade em seu nome e forma. Uma identidade que já é externa à sua alma ou ao ser verdadeiro; e começa a separar e discriminar.
Isso vai além, quando a pessoa começa a associar a si mesma com cor e cultura: preto ou branco, europeu ou asiático, francês ou alemão. Na medida em que isso acontece, com o conhecimento crescente do mundo ao seu redor, passam a existir mais motivos para a separação do eu em relação aos outros, bem como para formar afiliações que assegurem uma identidade de crescente complexidade. Nesta época de sociedade multicultural, a fusão de raça, religião e políticas oferece uma oportunidade para o respeito, a igualdade e a integração. Isso também significa que as crianças são confrontadas, relativamente cedo na vida, pelas diferenças aparentes quando comparadas à minha geração. É aí que as atitudes e identidade da unidade familiar, pais e cultura representam um papel significativo na modelagem da identidade pessoal. Se existe rivalidade cultural é provável que logo ocorram conflitos e dor, conduzindo à raiva e ao ódio; isso pode ser estendido desde uma confrontação individual até um grupo cultural como um todo.
Eu cresci na Inglaterra numa época em que havia relativamente poucas pessoas de cor na sociedade. Em meu último ano na escola primária, um menino negro, ocidental e de origem indígena foi matriculado vindo de uma família que acabara de emigrar. Nós o chamávamos de “Bony” (Ossos), porque era bem magro. Ele era a única criança negra na escola. E havia um grupo que trazia a Bony grandes dificuldades. “Bony é um negro!”, eles cantavam. E queriam que ele fosse embora. “Ei, menino negro. O que você está fazendo aqui?” E o pior, uma criança havia aprendido a frase: “Preto bastardo!”, que ensinou aos outros. Bony chorou muito quando começou na escola conosco. Mas ele teve duas graças salvadoras. A primeira foi a sua personalidade amena. Assim, ele fez amizade com crianças que gostavam dele pelo que era. Essas crianças, ao contrário, não pareciam afetadas pelo fato de ele ser de outra raça. Elas simplesmente se relacionavam com a natureza do indivíduo que existia na forma de um índio ocidental nativo. A segunda foi que ele era bom no futebol. Na verdade, melhor que todos nós. A maioria dos opositores na escola eram jogadores de futebol. Na realidade, ser um jogador de futebol representava parte da identidade estendida (falsa) daquelas crianças. (Muito de nossa rivalidade escolar foi construída em torno de saber se você torcia para o Manchester United ou para o Manchester City, algo que geralmente era herdado dos pais.)
Gradualmente a identidade crescente de Bony como jogador de futebol começou a superar a barreira de sua cor. Os primeiros opositores começaram a colocá-lo no seu time, já que isso lhes garantiria uma boa chance de ganhar. Ao vê-lo como um deles – como um jogador de futebol – o grupo então o aceitou.
O que vimos aqui são alguns efeitos da consciência corpórea em crianças de 10 anos de idade já trazendo a separação e a discriminação, bem como o caos no pátio de recreação. Os opositores provavelmente tinham exemplos dentro de seus círculos familiares que influenciavam suas atitudes. Tais atitudes, sejam elas da família ou da sociedade, também formam a identidade. Elas são passadas dos pais para os filhos e estão baseadas em diversos fatores, incluindo cultura, classe social, religião e política.
Parte da hostilidade contra Bony emanava do medo. Os protagonistas, confrontados pela falta de familiaridade, reagiam com malevolência. Cada um deles se sentia mais seguro em sua reação que repelia a dúvida de como lidar com um garoto de cor. Com a afiliação deles como grupo, formou-se uma estrutura entre os colegas que identificava a inimizade como sendo aceitável sob aquelas circunstâncias. Por outro lado, os alunos que se simpatizaram com Bony reagiram mais à sua personalidade do que à sua aparência. Ao aceitá-lo, eles foram menos preconceituosos à sua cor. E também, estavam estendendo valores de identidade vindos da influência de seus próprios ambientes familiares.
Ao mesmo tempo, outra divisão acontecia: os que eram a favor de Bony e os que eram contra. Foi um choque de valores... um choque de identidades. Ficar do lado de Bony era como travar uma luta, então, tínhamos muitas lutas acontecendo naquele momento. Até que finalmente surgiu o jogador de futebol. Graças aos céus ele sabia jogar! Talvez nisso Bony tenha nos dado uma idéia sobre cooperação global. A necessidade de descobrir uma identidade comum e unificadora.
Assim, a partir desses momentos iniciais de identidade da consciência corpórea, um senso de individualidade se desenvolve e o ego surge. Não estou me referindo aqui ao Ego de que tratam algumas filosofias espirituais, onde este é usado como um sinônimo do “eu” superior ou alma. Estou me referindo ao egocentrismo. Com o ego, vem o desejo de ter ou de possuir. E, com o desejo, vem um crescente complexo de identidade, trazendo um crescente complexo de necessidades. Através dos anos como adolescente e adulto, há novos papéis e responsabilidades, incluindo papéis profissionais e relacionamentos. Estes são incluídos na constante expansão da definição do ser. Estudante, eletricista, dona-de-casa, secretária, advogado, empreiteiro. Marido, esposa, pai, tio, avó. Os interesses e passatempos são desenvolvidos de acordo com as qualidades e as habilidades especiais. E a identidade cresce: jogador de golfe, jardineiro, piloto de asa-delta, artista, cozinheiro, jogador de futebol. As atitudes aprofundam-se e a identidade cultural se fortalece. O dinheiro, agregado ao desejo pela riqueza material e posses, pode dominar a vida. Novos “ícones” de identidade proliferam: uma casa, um carro, móveis, equipamentos esportivos, roupas caras. Para muitas pessoas, o corpo, com sua saúde e sua aparência, forma um foco principal de atenção. Parece haver uma fascinação mórbida por ter uma aparência perfeita ou evitar doenças. Você só tem que passar os olhos pelas páginas das revistas de qualquer banca para confirmar isso. Dietas para emagrecer, suplementos alimentares, cosméticos, moda etc.
Ao mesmo tempo em que a complexidade dessa identidade do ego se expande, assim também crescem suas dependências. Não importa quem você seja, há um desejo comum de paz na mente, contentamento e felicidade. Também há uma necessidade universal de ser amado. À medida que a identidade se torna progressivamente externalizada, o seu bem-estar precisa de circunstâncias e relacionamentos estáveis. Para nos sentirmos valorizados, precisamos ser efetivos dentro de nossos papéis e responsabilidades. Para a nossa segurança, somos dependentes de uma renda, riqueza material e posses. Para o amor, temos a dependência de relacionamentos. E, para o bem-estar, precisamos de saúde física e de uma boa aparência. Tudo isso representa uma expansão da nossa identidade física. Com a existência de tantas variáveis, o contentamento no indivíduo está sob a ameaça constante de mudanças. Para evitar a insegurança, nasce a arrogância com a qual o indivíduo pode manter o controle sobre um mundo externo de circunstâncias e relacionamentos. Surge então a ganância, num excessivo impulso por preenchimento através da riqueza, status ou comida. O apego oferece conforto através da possessão sobre pessoas ou objetos. A luxúria se desenvolve pela autogratificação ou para satisfazer desejos fortes e excessivos.
Na preservação de uma identidade precária, a raiva e a acusação são os últimos recursos de defesa. Elas são acionadas quando há uma ameaça às circunstâncias ou aos relacionamentos, ou ainda quando a autogratificação está obstruída. Como eu já disse, reagir com raiva é um aprendizado feito a partir de experiências anteriores de perda. Aqui nesse contexto, a raiva também pode ser usada como uma profilaxia contra futuras perdas para o indivíduo. E isso será materializado em qualquer momento em que a perda se manifeste novamente.
Então, essa é a consciência corpórea. Incluídos a ela estão os atributos negativos, ou vícios, que o indivíduo aplica para reter um senso de segurança. Os cinco principais são o desejo (luxúria), o apego, a raiva, a ganância e a arrogância. Na consciência corpórea – ou na identidade ilusória –, um indivíduo os aplica para manter o controle. Conseqüentemente, vai sustentar a paz interna e a felicidade, embora temporariamente. Em meio a isso fica esquecida a nossa identidade verdadeira e original: aquela que é da alma. Esquece-se também de que a paz e a felicidade são atributos naturais dessa verdadeira identidade. É a alma que originalmente continha essas qualidades em sua forma mais pura, quando elas eram independentes das circunstâncias externas. É a alma que vive, pensa, age e tem experiências através do corpo; através do veículo do corpo. E é a alma que se “perde” na consciência corpórea.
Após a minha experiência com Kübler-Ross – minha “janela” para a alma –, comecei a meditar com sinceridade. Passei a fazer esforço para me tornar, ou estar na consciência da alma. No início, estava convencido de que a minha alma era a minha parte pura. E que os traços negativos da minha personalidade não tinham nada a ver com isso.
Um dia, um colega médico que praticava Raja Yoga me disse que a alma se torna impura. Esse comentário permeou os meus pensamentos. E recordei a minha experiência de consciência da alma no seminário. Ela foi seguida de catarse e de exoneração da parafernália e da complexidade da personalidade. A experiência “colidiu” com todos os meus escudos de proteção, ao expôr o “eu” verdadeiro, interior. Aquilo me trouxe um encontro com a minha identidade verdadeira e original. Ao mesmo tempo, percebi que aquela não era apenas a minha natureza original, mas também o destino do crescimento: que assim como eu fui, eu deveria então me tornar. De repente, as coisas começaram a fazer sentido para mim. A alma é a fonte da consciência, não importa como seja expressa. Sob a influência do corpo, cria-se uma ilusão, e é a alma que se torna consciente do corpo. Presas por essa ilusão, as camadas da personalidade aumentam, como anéis de cebola, na alma, até que seja completamente coberta e o diamante torna-se imperfeito. Através dos filtros de uma identidade equivocada e de uma personalidade adquirida, é a alma que fica com raiva ou que tem experiências, como os ciúmes ou o ódio. É a alma que usa o corpo para atacar um outro ser humano. E é a alma que tem a experiência de perda ou de tristeza. É também a alma que almeja se tornar pacífica novamente.
Ao começar a entender essas coisas, eu soube que a afirmação de meu colega era verdadeira. Originalmente pura, a alma se torna impura através da consciência corpórea. E, na renovação do crescimento espiritual, a pureza retorna.

Roger Cole é médico especialista em medicina de câncer. Dirige atualmente o Palliative Care Service, na Austrália. Este texto foi extraído do seu próximo livro “Uma Tapeçaria de Luz”, e foi originalmente publicado pela BK Publications (www.bkpublications.com) na Retreat Magazine #11.
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quinta-feira, 30 de maio de 2013


Shalom!

Antes que a voz de Beto Guedes nos conduza pelos acordes de “O Sal da Terra”, que possamos silenciar o ruído das guerras e escutar o que ainda pulsa sob os escombros: uma esperança miúda e teimosa, como semente que racha o concreto em busca de luz; porque, quando o mundo parece endurecido pelo medo, é o gesto simples — o cuidado, a partilha, a coragem de amar — que nos devolve o sentido de humanidade e nos recorda que somos feitos da mesma substância dos sonhos, chamados a ser o sal que preserva a vida e reacende, mesmo na noite mais densa, a promessa do amanhecer.





domingo, 19 de maio de 2013

Namastê buscadores!
Ensinarás a voar, 
 Mas não voarão o teu voo. 
Ensinarás a sonhar,
 Mas não sonharão o teu sonho. 
Ensinarás a viver,
 Mas não viverão a tua vida.
 Ensinarás a cantar, 
 Mas não cantarão a tua canção. 
Ensinarás a pensar, 
 Mas não pensarão como tu. 
Porém, saberás que cada vez que
 Voem, Sonhem, Vivam, Cantem e Pensem...
 Estará a semente do caminho Ensinado e Aprendido.

 (Madre Teresa de Calcutá)

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Namastê buscadores!
“MAS O CAMINHO SÓ EXISTE, 
QUANDO VOCÊ PASSA..."

Esta frase está na música “Acima do Sol” do grupo Skank. Ela parece tão óbvia e, por isso, tão verdadeira, como tudo o que é óbvio! O caminho nunca está à frente, mas atrás, quando você olha e reconhece as pegadas que deixou, quando fala sobre o que passou. Na nossa frente, no futuro, há um caminho sem pegadas, que vai se construindo passo a passo.
Ele exige que seja percorrido para se fazer presente em nossa vida. E todo mundo percorre o seu. Todo caminho é caminho. Não existe caminho certo nem caminho errado. Apenas caminho. Aonde se vai chegar, ninguém sabe, mas todos têm que ir.
Talvez a graça esteja em caminhar e não em chegar, ainda que nossa ansiedade não sossegue enquanto não chegamos a algum lugar. Quando se chega, parece sempre que algo está faltando, que perdemos alguma coisa, que não vivemos tudo o que podíamos ter vivido, que não escolhemos o melhor caminho, que não pegamos o melhor atalho. Mas como saber, se este é um caminho sem volta?
Ninguém pode nem consegue ficar parado. A Vida nos empurra se paramos, nos chacoalha se dormimos, nos choca se nos alienamos, nos felicita se colaboramos com a sua caminhada. Mas não perdoa ninguém que quer andar para trás, porque na lei da evolução não existe marcha ré.
Temos muitos parceiros em nossa caminhada. Gente que nos acompanha desde que nascemos, gente que conhecemos no meio do caminho, gente que nos ajuda, que nos ensina, gente que entra e sai, gente que fica. Mas os únicos que o percorrem inteiro, com todas as dores e alegrias, são você e o tempo. O tempo, seu melhor companheiro. Ele relativiza acontecimentos, cura sofrimentos, perdoa ressentimentos...
Todo dia é um passo formando o caminho único que só você pode percorrer, no tempo individual que lhe pertence, dentro de um tempo maior que todos compartilhamos. É a união do espaço (caminho) e do tempo que o mistério da Vida ainda não nos permite compreender...
Enquanto não compreende e caminha, apenas pergunte-se: “Como estou me sentindo no meu caminho? Ou estou esperando chegar ‘lá’ para saber?”
 (Marisa Siqueira Campos)

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Namastê!
"Liberdade é como saborear um passeio de bicicleta
 sem precisar apostar corrida com ninguém. 
Não temos que ter essa ou aquela velocidade. 
Apenas pedalar... No nosso ritmo."

(Ana Jácomo)

Om shanti!
"O que eu tenho não me pertence, embora faça parte de mim. Tudo o que sou me foi um dia emprestado pelo Criador... para que eu possa dividir com aqueles que entram na minha vida. Ninguém cruza nosso caminho por acaso e nós não entramos na vida de alguém sem nenhuma razão. Há muito o que dar e o que receber; há muito o que aprender, com experiências boas ou negativas. Tente ver as coisas negativas que acontecem com você como algo que aconteceu por uma razão precisa.
E não se lamente pelo ocorrido; além de não servir de nada reclamar, isso vai te vendar os olhos, dificultando assim, continuar seu caminho. Quando não conseguimos tirar da cabeça que alguém nos feriu, estamos somente reavivando a ferida, tornando-a muitas vezes bem maior do que era no início. Nem sempre as pessoas nos ferem voluntariamente.
Muitas vezes somos nós que nos sentimos feridos e a pessoa nem mesmo percebeu; e nos sentimos decepcionados porque aquela pessoa não correspondeu às nossas expectativas. E sabemos lá quais eram as nossas expectativas? Decepcionamo-nos e decepcionamos outras pessoas também. Mas, claro, é bem mais fácil pensar nas coisas que nos atingem. Quando alguém te disser que te magoou sem intenção, acredite nela! Vai te fazer bem. Assim, talvez, ela poderá entender quando você, sinceramente, disser que "foi sem querer". Dê de você mesmo o quanto puder! Sabe, quando você se for, a única coisa que vai deixar é a lembrança do que fez aqui. Seja bom, tente dar sempre o primeiro passo para a reconciliação, nunca negue uma ajuda ao seu alcance, perdoe e dê de você mesmo. Seja uma bênção a todos que o cercam! Deus não vem em pessoa para abençoar, Ele usa os que estão aqui dispostos a cumprir essa missão. Todos nós podemos ser Anjos. A eternidade está em nossas mãos. Viva de maneira honrada, para que quando envelhecer, você possa falar só coisas boas do passado e sentir assim, prazer uma segunda vez... e ter a certeza de que quando você se for, muito de você ainda fique naqueles que tiveram a boa ventura de te encontrar."

(Chico Xavier)

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Namastê!
A Pérola de Deus


A pérola, uma das mais belas joias naturais,
é formada a partir do instante em que as ostras
são agredidas por algum agente externo e liberam
uma substância chamada nácar, cujo objetivo é
envolver aquele elemento agressor e protegê-las.

O acúmulo de várias camadas de nácar 
e movimentos concêntricos vai formar
a pérola depois de algum tempo.

A felicidade é como a pérola 
que se forma dentro da ostra: 
nasce dos embates de cada dia 
no esforço da transformação no
reino do sentimento.

Portanto, mesmo com os problemas e dificuldades, 
não desanime ou interrompa teus ideais
de espiritualização. 

A seu tempo, perceberás um clarão reluzente
na tua intimidade refletindo a riqueza 
e a sabedoria do Pai, que servirão para
embelezar a vida e fazer-te mensageiro 
da paz em ti mesmo.
É a pérola da alegria definitiva.

Ser feliz é estar bem consigo mesmo e com o mundo.
É deixar a pérola da alegria luzir para tudo 
que vibra à tua volta.

Ser feliz é desconhecer barreiras, 
porque a felicidade anda de mãos dadas com a fé. 
Ser feliz! 
Quanto significa essa expressão!

Abra-te para a vida sem medo ou culpa, 
acredite no futuro, trabalhe e sirva, 
ame e perdoe. 

Inevitavelmente serás respondido pelas leis 
que conspiram a favor de teu progresso e ascensão.

Prossiga confiante na conquista de ti próprio 
e guarda inabalável certeza que foste criado 
por Deus para ser feliz na condição
de "ostra da Terra" e pérola de Sua Criação.

do Livro "Mereça Ser Feliz Superando as ilusões do orgulho"
Ermance Dufaux - psicografia de Wanderley S. de Oliveira
 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Om shanti!

O Evangelho Segundo o Espiritismo

A Quem Muito Foi Dado, Muito Será Pedido

10 – Porque aquele servo, que soube a vontade de seu Senhor, e não se apercebeu, e não obrou conforme a sua vontade, dar-se-lhe-ão muitos açoites. Mas aquele que não a soube, e fez coisas dignas de castigo, levará poucos açoites. Porque a todo aquele, a quem muito foi dado, muito será pedido, e ao que muito confiaram, mais contas lhe tomarão. (Lucas, XII: 47-48).
           
11 – E Jesus lhe disse: Eu vim a este mundo para exercitar um juízo, a fim de que os que não vêem, vejam, e os que vêem, se tornem cegos. E ouviram alguns dos fariseus que estavam com ele, e lhe disseram: Logo, também nós somos cegos? Respondeu-lhes Jesus: Se vós fôsseis cegos, não teríeis culpa; mas como agora mesmo dizeis: Nós vemos, fica subsistindo o vosso pecado. (João, IX: 39-41).
           
12 – Estas máximas encontram sobretudo a sua aplicação no ensinamento dos Espíritos. Quem quer que conheça os preceitos do Cristo é seguramente culpado, se não os praticar. Mas além de não ser suficientemente difundido o Evangelho que os contêm, senão entre as seitas cristãs, mesmo entre estas, quantas pessoas existem que não o lêem, e entre as que o lêem, quantas não o compreendem! Disso resulta que as próprias palavras de Jesus ficam perdidas para a maioria. O ensinamento dos Espíritos, que reproduz essas máximas sob diferentes formas, que as desenvolve e comenta, pondo-as ao alcance de todos, tem sido de particular, ou seja, não é circunscrito. Assim, todos, letrados ou não, crentes ou descrentes, cristãos ou não cristãos, podem recebê-lo, pois os Espíritos se comunicam por toda à parte. Nenhum dos que o recebam, diretamente ou por intermédio de outros, pode pretextar ignorância, ou pode desculpar-se com a sua falta de instrução ou com a obscuridade do sentido alegórico. Aquele, pois, que não o põe em prática para se melhorar, que o admira apenas como interessante e curioso, sem que seu coração seja tocado, que não se faz menos fútil, menos orgulhoso, menos egoísta, nem menos apegado aos bens materiais, nem melhor para o seu próximo, é tanto mais culpado, quanto teve maior facilidade para conhecer a verdade.
Os médiuns que obtêm boas comunicações são ainda mais repreensíveis por persistirem no mal, pois escrevem freqüentemente a sua própria condenação, e se não estivessem cegos pelo orgulho, reconheceriam que os Espíritos se dirigem a eles mesmos. Mas, em vez de tomarem para eles as lições que escrevem, ou que vêem os outros escreverem, sua única preocupação é a de aplicá-las as outras pessoas, incidindo assim nestas palavras de Jesus: “Vedes um argueiro no olho do próximo, e não vedes a trave no vosso”.
(Ver cap. X, nº 9).
Por estas palavras: “Se fosseis cegos, não teríeis culpa”, Jesus confirma que a culpabilidade está na razão do conhecimento que se possui. Ora, os fariseus, que tinham a pretensão de ser, e que realmente eram, a parte mais esclarecida da nação, tornavam-se mais repreensíveis aos olhos de Deus que o povo ignorante.
O mesmo acontece hoje.
Aos espíritas, portanto, muito será pedido, porque muito receberam, mas também aos que souberam aproveitar os ensinamentos, muito lhes será dado. O primeiro pensamento de todo espírita sincero deve ser o de procurar, nos conselhos dados pelos Espíritos, alguma coisa que lhe diga respeito. O Espiritismo vem multiplicar o número dos chamados, e pela fé que proporciona, multiplicará também o número dos escolhidos.

http://evangelhoespirita.wordpress.com/capitulos-1-a-27/cap-18-muitos-os-chamados-e-poucos-os-escolhidos/a-quem-muito-foi-dado-muito-sera-pedido/

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Om shanti!

Na água meu reflexo...
do meu reflexo minha imagem...
Águas são tudo,
tudo das milhões de gotas que de seu
caem do céu...
Água é pura e saborosa,
pura como o vento
e saborosa como mel...
(Cleyton Leonardo P.)


Paciência
Paciência capacita-nos a pensar e julgar claramente e a tornar possível o domínio de ações nervosas ou reações de pânico. Paciência acalma a pressa ou o desespero que iniciam atividades precipitadas ou mal intencionadas e, assim, menos erros são cometidos. A causa principal da impaciência é o desejo e seu irmão é a ganância que demanda “tudo agora”. Com paciência é possível redescobrir as qualidades internas positivas de si e, desse modo, pode-se criar um relacionamento digno e gratificante com Deus. Este é por si só o preenchimento de todos os desejos. Paciência dá à alma a habilidade de apreciar o momento e não ter nenhum desejo ou ansiedade em relação ao futuro. Assim como leva tempo para uma criança aprender a caminhar, falar e comunicar-se, apesar de seus momentos como bebê serem lindos e únicos, da mesma forma, paciência ajuda a alma a apreciar o processo de descoberta e aprendizagem, o que torna as recompensas do crescimento mais valiosas e duradouras. Com paciência podemos obter tudo, nada está além de nossa capacidade.
Todas as coisas vêm àquele que é paciente.
Se existir paciência consigo, então haverá paciência e paz com os outros. Paciência significa polidez. Permitir que os outros experimentem e recebam primeiro o que é precioso para mim é uma grande caridade e isto resulta em felicidade interna. Paciência verdadeira também ajuda os outros a acostumarem-se com situações novas e idéias e a ajustarem-se a elas.
Comece a pensar sobre paciência. Por que ela é uma virtude? Como pode ser cultivada? Quais são os meus pensamentos quando estou sendo paciente? Quais são os meus pensamentos quando estou sendo paciente? Quais são meus sentimentos? Quando é apropriado usar essa virtude? Se você tem tido dificuldade em exercitar a introversão e manter sua atenção em si mesmo, se você está sem sossego e acha difícil permanecer em silêncio, esta é uma oportunidade para praticar paciência com você mesmo.
Reivindique a virtude da paciência como sua própria.
  
* Extraído do livro "As Virtudes Divinas”, de Karin Coyote, publicado pela Editora Brahma Kumaris
Fonte:
http://www.bkwsu.org/brazil/audio_e_textos/virtudes_e_poderes/paciencia?set_language=p

domingo, 21 de abril de 2013

Om shanti!
Compreensão...

Se desejas compreensão, hás de dar compreensão...
Se desejas paz, hás de oferecer paz...
Se desejas amor, ama profundamente...

 Para que esse amor resplandeça e restabeleça tudo que está em tua volta.
Se te revelas um bom amigo, hás de encontrar muitos deles em tua estrada...
É dando que se recebe em um fluxo de retorno sempre.
Se queres ser ajudado, não percas a oportunidade de auxílio.
Se cultivas alegria hás de sempre distribuí-la...
Na vida caro irmão, as leis atuam muitas vezes em dobro ou mais
assim, se ofereces em mãos benditas a tua bondade.
Hás de receber na hora exata o que estarás necessitando
porque o amor e a luz do Cristo nos alivia,
na medida em que nos doamos cada vez mais
pois, o registro das atitudes e do coração
com a força das leis divinas são implacáveis.
 Se ainda duvidas que a vida é um eterno dar e receber...
Lembra-te de Francisco, o mensageiro de Assis.
O mensageiro da paz que envolvido da Luz do Cristo
continua irradiando e se expandindo a toda humanidade!
 Dar e receber são dois polos que se unem
como se fosse um conúbio de forças de uma dança conivente.
É  impecável ao mesmo tempo
dentro da vida com amor e por amor...
Para a glória de quem sabe doar e de quem sabe receber
com consciência, humildade e muita beneficência.

   (CASTRO ALVES)
Mensagem canalizada por Francyska Almeida

quinta-feira, 18 de abril de 2013


Shalom!
"A luz de Deus me envolve
O amor de Deus me penetra
O poder de Deus me protege
A presença de Deus me guarda
  Onde quer que eu esteja...
 

Ali Deus está
Tão radiante quanto o sol
Tão puro quanto a neve
Tão sutil quanto o éter
É o ser
É o espírito dentro do meu coração
Esse ser Sou Eu
Eu Sou esse ser
  Nosso coração é o santuário do amor de Deus
Nele nós encontramos a paz
  Pense no seu coração,
Una as mãos
E entregue seus problemas à Deus, dizendo:


  Abro a janela do meu coração
Abro a janela do meu coração
Abro a janela do meu coração

Entrego
Confio
Aceito e
Agradeço"


(
Professor Hermógenes, DOC Hermógenes)


terça-feira, 16 de abril de 2013

Om shanti!
PULMÃO DE AÇO 

 por Eliana Zagui...

CLÁUDIA COLLUCCI DE SÃO PAULO Faz 36 anos que Eliana Zagui vive deitada num leito de UTI do Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas de São Paulo. Vítima de paralisia infantil aos dois anos, ela perdeu os movimentos do pescoço para baixo. Respira com ajuda de equipamentos. Na cama, a menina se formou no ensino médio, aprendeu inglês, italiano, fez curso de história da arte e tornou-se pintora. Tudo isso usando a boca para escrever, pintar e digitar. Hoje, lança (só para convidados) seu primeiro livro: "Pulmão de Aço - uma vida no maior hospital do Brasil" (Belaletra Editora). Pulmão de aço é o nome de uma máquina, inventada na década de 1920, parecida com um forno. As pessoas com insuficiência respiratória eram colocadas dentro dela, com a cabeça de fora. Eliana ficou cinco dias lá dentro, mas não funcionou. A pólio havia paralisado completamente o diafragma e a deglutição. Ela teve, então, que ser conectada para sempre a um respirador artificial. Só consegue ficar poucas horas longe do aparelho. Eliana Zagui, 38, é vítima de paralisia infantil e desde de um ano e meio mora no Hospital das Clinicas Entre 1955 e o final da década de 70, 5.789 crianças vítimas da pólio foram internadas no HC. Sete delas, atingidas com mais severidade, ficavam lado a lado na UTI. "Nós nos apegávamos um ao outro, como numa grande família. Era a única maneira de suportar aquilo tudo", lembra Eliana. Da turminha, só sobreviveram ela e Paulo Machado, 43, que divide o quarto com a amiga e cuja história de vida também aparece no livro. "A Eliana é minha irmã, a minha família. Tem temperamento forte. Quando vejo que ela está brava, coloco os fones de ouvido e fico na minha", diz. Eles poderiam viver com suas famílias, com o apoio do hospital. Mas nunca houve interesse por parte delas. Os parentes raramente os visitam. "Não me magoo mais. Já sofri muito e hoje aprendi que cada um é cada um." Eliana e Paulo passam a maior parte do tempo na internet. Ela gosta de sites de relacionamentos, de pintura e artesanato. Paulo é aficionado por cinema. Está envolvido na produção de uma animação cuja protagonista é Teca, o apelido carinhoso pelo qual chama Eliana. E, para ela, o amigo é o Teco. Quando é necessário, ele faz as vezes de irmão mais velho. "Dias atrás, eu me irritei no Face [Facebook] e postei uma mensagem malcriada. O Paulo viu e me chamou a atenção", conta Eliana, que chegou a ter 3.000 amigos virtuais. "Fiz uma limpa no final do ano e só deixei uns cem. Agora tenho uns 300, mas preciso limpar de novo." A saudade dos amigos reais, os quais viu morrer um a um, é o que mais a entristece. "Foram momentos tão bons. Mas não voltam mais." No livro, ela relata que flertou com o suicídio. "Avaliava as possibilidades: arrancar a cânula da traqueia com a boca, cortar ou furar o pescoço." E encerra com humor. "Descobrimos que até para morrer antes da hora precisamos da ajuda de alguém." Eliana diz que, volta e meia, essas ideias ainda a visitam, mas que hoje tenta aliviar suas angústias nas sessões semanais de análise.    Eliana Zagui, que desde os dois anos vive em hospital, escreve em seu livro dedicatória. Pergunto se sonha em viver na casa dos pais. "Não. Eu iria estagnar", responde convicta. Mas, sim, ela sonha em morar fora do hospital. Em dezembro último, pela primeira vez em 36 anos, passou o Natal fora do HC, na casa de amigos. Foi de maca e com respirador artificial portátil. "Foi uma experiência ótima, indescritível." Quanto ao livro, Eliana diz esperar que ele ajude "aqueles que não querem nada com a vida". "É claro que cada um tem as suas dores. A minha desgraça não é maior que a sua nem a sua é maior que a minha. Mas é sempre bom poder aprender a tirar o que vale a pena da vida.

" PULMÃO DE AÇO AUTORA Eliana Zagui - PREÇO R$ 36 PÁGINAS 240 EDITORA Belaletra

segunda-feira, 8 de abril de 2013

XVII - O Homem de Bem

3 – O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e caridade, na sua maior pureza. Se interroga a sua consciência sobre os próprios atos, pergunta se não violou essa lei, se não cometeu o mal, se fez todo o bem que podia, se não deixou escapar voluntariamente uma ocasião de ser útil, se ninguém tem do que se queixar dele, enfim, se fez aos outros aquilo que queria que os outros fizessem por ele.

Tem fé em Deus, na sua bondade, na sua justiça e na sua sabedoria; sabe que nada acontece sem a sua permissão, e submete-se em todas as coisas à sua vontade. Tem fé no futuro, e por isso coloca os bens espirituais acima dos bens temporais. Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções, são provas ou expiações, e as aceita sem murmurar.

O homem possuído pelo sentimento de caridade e de amor ao próximo faz o bem pelo bem, sem esperar recompensa, paga o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte e sacrifica sempre o seu interesse à justiça.
Encontra usa satisfação nos benefícios que distribui, nos serviços que presta, nas venturas que promove, nas lágrimas que faz secar, nas consolações que leva aos aflitos. Seu primeiro impulso é o de pensar nos outros., antes que em si mesmo, de tratar dos interesses dos outros, antes que dos seus. O egoísta, ao contrário, calcula os proveitos e as perdas de cada ação generosa.

É bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças nem de crenças, porque vê todos os homens como irmãos. Respeita nos outros todas as convicções sinceras, e não lança o anátema aos que não pensam como ele.
Em todas as circunstâncias, a caridade é o seu guia. Considera que aquele que prejudica os outros com palavras maldosas, que fere a suscetibilidade alheia com o seu orgulho e o seu desdém, que não recua à idéia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever do amor ao próximo e não merece a clemência do Senhor.

Não tem ódio nem rancor, nem desejos de vingança. A exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas, e não se lembra senão dos benefícios. Porque sabe que será perdoado, conforme houver perdoado. É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que ele mesmo tem necessidade de indulgência, e se lembra destas palavras do Cristo: “Aquele que está sem pecado atire a primeira pedra”.

Não se compraz em procurar os defeitos dos outros, nem a pô-los em evidência. Se a necessidade o obriga a isso, procura sempre o bem que pode atenuar o mal. Estuda as suas próprias imperfeições, e trabalha sem cessar em combatê-las. Todos os seus esforços tendem a permitir-lhe dizer, amanhã, que traz em si alguma coisa melhor do que na véspera. Não tenta fazer valer o seu espírito, nem os seus talentos, às expensas dos outros.

Pelo contrário, aproveita todas as ocasiões para fazer ressaltar a vantagens dos outros. Não se envaidece em nada com a sua sorte, nem com os seus predicados pessoais, porque sabe que tudo quanto lhe foi dado pode ser retirado. Usa mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe tratar-se de um depósito, do qual deverá prestar contas, e que o emprego mais prejudicial para si mesmo, que poderá lhes dar, é pô-los ao serviço da satisfação de suas paixões.

Se nas relações sociais, alguns homens se encontram na sua dependência, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus. Usa sua autoridade para erguer-lhes a moral, e não para os esmagar com o seu orgulho, e evita tudo quanto poderia tornar mais penosa a sua posição subalterna. O subordinado, por sua vez, compreende os deveres da sua posição, e tem o escrúpulo de procurar cumpri-los conscientemente. (Ver cap.XVII, nº 9)

O homem de bem, enfim, respeita nos seus semelhantes todos os direitos que lhes são assegurados pelas leis da natureza, como desejaria que os seus fossem respeitados. Esta não é a relação completa das qualidades que distinguem o homem de bem, mas quem quer que se esforce para possuí-las, estará no caminho que conduz às demais.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Namastê buscadores!

O Evangelho Segundo o Espiritismo

XIII – A Piedade

MICHEL
Bordeaux, 1862
17 – A piedade é a virtude que mais vos aproxima dos anjos. É a irmã de caridade que vos conduz para Deus. Ah!, deixai vosso coração enternecer-se, diante das misérias e dos sofrimentos de vossos semelhantes. Vossas lágrimas são um bálsamo que derramais nas suas feridas. E quando, tocados por uma doce simpatia, conseguis restituir-lhes a esperança e a resignação, que ventura experimentais! É verdade que essa ventura tem um certo amargor, porque surge ao lado da desgraça; mas se não apresenta o forte sabor dos gozos mundanos, também não traz as pungentes decepções do vazio deixado por estes; pelo contrário, tem uma penetrante suavidade, que encanta a alma.
A piedade, quando profundamente sentida, é amor: o amor é devotamento é o olvido de si mesmo; e esse olvido, essa abnegação pelos infelizes, é a virtude por excelência, aquela mesma que o divino Messias praticou em toda a sua vida, e ensinou na sua doutrina tão santa e sublime. Quando essa doutrina for devolvida à sua pureza primitiva, quando for admitida por todos os povos, ela tornará a Terra feliz, fazendo reinar na sua face à concórdia, a paz e o amor.
           
O sentimento mais apropriado a vos fazer progredir, domando vosso egoísmo e vosso orgulho, aquele que dispõe vossa alma à humildade, à beneficência e ao amor do próximo, é a piedade, essa piedade que vos comove até as fibras mais íntimas, diante do sofrimento de vossos irmãos, que vos leva a estender-lhes a mão caridosa e vos arranca lágrimas de simpatia. Jamais sufoqueis, portanto, em vossos corações, essa emoção celeste, nem façais como esses endurecidos egoístas que fogem dos aflitos, para que a visão de suas misérias não lhes perturbe por um instante a feliz existência. Temei ficar indiferente, quando puderdes ser úteis! A tranqüilidade conseguida ao preço de uma indiferença culposa é a tranqüilidade do Mar Morto, que oculta na profundeza de suas águas a lama fétida e a corrupção.
           
Quanto a piedade está longe, entretanto, de produzir a perturbação e o aborrecimento de que se arreceia o egoísta! Não há dúvida que a alma experimenta, ao contato da desgraça alheia, confrangendo-se, um estremecimento natural e profundo, que faz vibrar todo o vosso ser e vos afeta penosamente. Mas compensação é grande, quando conseguis devolver a coragem e a esperança a um irmão infeliz, que se comove ao aperto da mão amiga, e cujo olhar, ao mesmo tempo umedecido de emoção e recolhimento, se volta com doçura para vós, antes de se elevar ao céu, agradecendo por lhe haver enviado um consolador, um amparo. A piedade é a melancólica, mas celeste precursora da caridade, esta primeira entre as virtudes, de que ela é irmã, e cujos benefícios prepara e enobrece.

Visitem a Fonte: 
http://evangelhoespirita.wordpress.com/capitulos-1-a-27/cap-13-que-a-mao-esquerda-nao-saiba-o-que-faz-a-direita/instrucoes-dos-espiritos/iii-a-piedade/

terça-feira, 2 de abril de 2013

Namastê!
"A alegria que se tem em pensar e aprender
 faz-nos pensar aprender ainda mais."
(Aristóteles)
 *
"Raros são aqueles que decidem após madura
 reflexão; os outros andam ao sabor das ondas 
e longe de se conduzirem deixam-se levar pelos primeiros."
(Sêneca)
"Há três métodos para ganhar sabedoria: 
primeiro, por reflexão, que é o mais nobre;
 segundo, por imitação, que é o mais fácil;
 e terceiro, por experiência, que é o mais amargo."
(Confúcio)

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Om, shanti.
Responsabilidade
“Com a motivação de cumprir o dever designado, permanecendo
 fiel à meta, uma pessoa responsável persevera, porém nunca com
 teimosia. Quando existe a consciência de ser um instrumento ou
 um facilitador, há flexibilidade, há leveza no desempenho do
 papel. Quem está agindo não assume ou controla o resultado.
 Responsabilidade é ter a maturidade para saber quando uma
 responsabilidade deve ser passada para outro. 
Cooperação e humildade são seus pilares”.
*
Coragem
“Coragem é dar um passo em direção a uma área de dificuldade sem uma solução em mente, mas ainda sentindo que a vitória está adiante. É dizer o que você acredita, sem diluir, sem desejar aprovação, sabendo que um pensamento profundamente conectado com o ideal é forte o suficiente para resistir à oposição. Coragem é poder.”
*
“Para nadar no oceano preciso, antes de tudo, ultrapassar a zona de arrebentação. Ondas grandes e pequenas vêm ao meu encontro, criando resistência no avançar. Situações tensas, pensamentos negativos, relacionamentos competitivos, vêm para reduzir minha força e coragem. Mas com bravura sou capaz de vencer a zona de conflito e chegar às águas tranquilas para o mergulho desejado. E lá no fundo do oceano encontro, uma a uma, as pérolas preciosas: as virtudes que me tornam singular.”

* Extraído do livro "A Paz de Todo Dia - volume 1”,
 publicado pela Editora Brahma Kumaris

segunda-feira, 18 de março de 2013

Namastê!
"Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. 
Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, 
além daquele que há em sua própria alma. 
Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. 
Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo."
(Herman Hesse)

Shalom!

Segundo Pensamos

Cada consciência é um centro gerador de forças no movimento universal, cuja direção depende de si mesma. Pensar é criar. O destino recebe a forma que lhe impusermos, à maneira do vaso que exprime a imaginação do oleiro. A palavra vem depois da ideia. A ação é cimento invisível. A obra é pensamento coagulado.
Renovar a mente no trabalho incessante do bem, cunhando valores positivos, ao redor de nós mesmos, é estabelecer roteiros sempre novos para a vanguarda evolutiva. O espírito, herdeiro divino do Supremo Senhor, traz consigo todas as sementes do Céu para engrandecer a Terra.
Unidade atuante, irradia-se, através de mil modos, gozando ou sofrendo, em seu cosmo orgânico, a benção ou a reação das energias que projeta e que o elevam ou convulsionam, de acordo com a intensidade dinâmica que lhes é característica. Cultiva a tua mente, iluminando-a e enobrecendo-a. Ainda que, por agora, não percebas, a tua alma se expande, em milhões de partículas, que são os agentes de libertação ou de cativeiro elaborados por teu próprio plano mental.

Avança, escolhendo a “melhor parte”.
Diante do sofrimento e da morte,
afirmou o Mestre, certa vez:

- “Não temas, crê somente.”
Segundo pensarmos, assim será...

(Do livro “Doutrina e Aplicação”, André Luiz,
 Francisco Cândido Xavier, Espíritos Diversos)

quinta-feira, 14 de março de 2013

Om shanti!

Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ Dia Nacional da Poesia
14 de março

A palavra "poesia" tem origem grega e significa "criação". É definida como a arte de escrever em versos, com o poder de modificar a realidade, segundo a percepção do artista.
Antigamente, os poemas eram cantados, acompanhados pela lira, um instrumento musical muito comum na Grécia antiga. Por isso, diz-se que a poesia pertence ao gênero lírico. Hoje, os poemas podem ser divididos em quatro gêneros: épico, didático, dramático e lírico.
As linhas de um poema são os versos. O conjunto desses versos chama-se "estrofe". Os versos podem rimar entre si e obedecer à determinada métrica, que é a contagem das sílabas poéticas de um verso. Os versos mais tradicionais são as redondilhas; a redondilha menor tem cinco sílabas, e a maior com sete; os versos decassílabos, dez; os alexandrinos, doze.
No Brasil, os primeiros poemas surgiram junto com o seu descobrimento, pois os jesuítas usavam versos para catequizar os índios.
Depois, surgiram outras formas de poesia, como o barroco (1601-1768), o arcadismo (1768-1836), o romantismo (1836-1870), o parnasianismo (1880-1893), o simbolismo (1893-1902), o pré- modernismo (1902-1922), o Modernismo (1922-1962), até a forma de hoje.
O Dia Nacional da Poesia é comemorado em homenagem ao nascimento de Castro Alves, em 14 de março de 1847. Poeta do romantismo, ele foi um dos maiores nomes da poesia brasileira. Suas obras que mais se destacaram foram: Os escravos (no qual há o seu famoso poema Navio Negreiro) e Espumas flutuantes, cujas características principais são a valorização do amor e a luta por liberdade e justiça. Há outros nomes importantes da poesia brasileira: Alberto de Oliveira, Gonçalves Dias, Raimundo Correia, Olavo Bilac, Casimiro de Abreu, Cecília Meireles, Jorge de Lima, Ferreira Gullar, Manuel Bandeira, Mário de Andrade, Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade e muitos outros.


AS DUAS FLORES

São duas flores unidas
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo, no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

Unidas, bem como as penas
das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!

(Castro Alves)
Om shanti!

 Um caminho evanescente
De um movimento em rotação;
Uma ressonância de esmeralda
Um ímpeto de carmim.
E toda flor no arbusto
Endireita a cabeça caída;
O correio de Tunis, provavelmente...

(Emily Dickinson)
  


 Amherst, 10 de dezembro de 1830 - 15 de maio de 1886

Emily Dickinson, em toda sua vida, não publicou mais do que dez poemas, algumas vezes anonimamente, e teve sua numerosa obra reconhecida só após a morte. Sua vida discreta e misteriosa desafia até hoje os estudiosos de sua obra. Sua poesia possui uma liberdade sintática única, muito próxima do uso oral da língua, é densa e paradoxal como sua vida. Em sua enigmática literatura, criou um idioma poético próprio, desprezando as fórmulas ou a regularidade convencional.

Augusto de Campos, na tradução publicada em edição de 2008, pela Unicamp, observa: “Cruzam-se em sua poesia os traços de um panteísmo espiritualizado, de uma solidão-solitude, ora serena ora desesperada, e de uma visão abismal do universo e do ser humano. Micro e macrocosmo compactados em aforismos poéticos”.

A partir de elementos triviais, cotidianos, domésticos, do vestuário, por exemplo, bem como de pequenos seres da natureza, Dickinson dá vida às coisas, formando quadros considerados, por vezes, verdadeiramente surreais, embora expresse idéias bastante claras através de uma linguagem muito plástica. Em razão desta ressalva, é que muitos podem considerá-la como pertencente à chamada poesia metafísica, somando-se isto a um certo misticismo.

Visitem a Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Emily_Dickinson

quarta-feira, 6 de março de 2013

Om shanti!

Respeito

"Respeito pelos outros é reconhecer seus esforços para melhorar. Isto nos encoraja a focalizar mais a atenção no potencial deles do que em seus erros. De fato este é o método para ajudar as pessoas a ficarem livres de seus defeitos. Uma oportunidade para julgar a qualidade da nossa percepção espiritual. Ver quanta fé nós temos na transformação definitiva daqueles que convivem conosco. Esta fé é respeito verdadeiro."
Despreocupação
“Às vezes o mundo todo parece ser um problema; às vezes eu preciso criar problemas para me manter ocupado. Temos a tendência de imaginar que os nossos problemas são maiores e mais importantes que os dos outros. Isto é uma forma sutil de ego; uma forma indireta de pedir atenção. Mas ao considerar as dificuldades como desafios pessoais, começamos a dar boas vindas a elas. Problemas são eventos naturais que nos capacitam a ampliar os limites da visão e alcançar a sabedoria.”
*
“Nunca veja uma situação como uma dificuldade. Nunca pergunte: Porque isso aconteceu? Seria como quebrar uma pedra, levaria meses para você conseguir. Mas se você der um pulo, leva só um segundo. Tenha a consciência de que é apenas uma cena de uma peça perfeita. Ela é o seu trampolim. Pare de tentar quebrar a pedra de seus problemas com um martelo dos pensamentos inúteis. Não se deixe tornar um escravo, seja soberano.”

 Extraído do livro "A Paz de Todo Dia - volume 1”, 
publicado pela Editora Brahma Kumaris