sexta-feira, 16 de agosto de 2019

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Evangelho de Maria

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O Evangelho de Maria Madalena é um texto gnóstico encontrado no Codex Akhmin, que foi adquirido pelo Dr. Carl Rheinhardt na cidade do Cairo em 1896.
História do Evangelho
O evangelho somente foi publicado em 1955, após o aparecimento da Biblioteca de Nag Hammadi. Os outros textos do Codex Akhmim também constavam entre os de Nag Hammadi, mas não este Evangelho. Nesta cópia única conhecida do texto, faltam as páginas 1 a 6 e 11 a 14. Tem sido sugerido por especialistas tratar-se de um evangelho de Maria de Magdala e, assim, passou a ser conhecido por esse nome, pelo fato de seu último nome ser mencionado no texto. A favor dessa interpretação teríamos o fato de, nos evangelhos sinóticos, ela constar como a discípula que mais de perto seguiu a Jesus e aquela a quem Jesus teria aparecido primeiro após sua ressurreição.
O texto sobrevive em dois fragmentos gregos do século III e numa tradução mais longa para o copta datada do século V, nos quais o testemunho de uma "mulher" precisou pela primeira vez ser defendido.
Todos esses manuscritos foram, primeiro descobertos e depois publicados entre 1938 e 1983, mas existem referências patrísticas ao Evangelho de Maria tão antigas como do século III.

Conteúdo do Evangelho

No texto fragmentado, os discípulos fazem perguntas sobre o Salvador elevado e recebem respostas.
Depois eles se lamentam, dizendo: "Como poderemos ir aos gentios e pregar o Evangelho do Reino do Filho do Homem? Se nem Ele foi poupado, como o seremos nós?" E Maria os incita a ter coragem: "Vamos antes louvar sua grandeza, pois Ele nos preparou e tornou-nos homens." Depois ela traz uma visão do Salvador que ela tinha tido e relata a sua conversa com Ele, o que mostra influências Gnósticas.
A visão dela não encontra aprovação universal:
"Mas André respondeu e disse aos irmãos, 'Digam o que vocês pensam com respeito ao que ela disse. Pois eu não acredito que o Salvador tenha dito isso. Pois certamente tais ensinamentos são de outras idéias.' "
"Pedro também se opôs a ela com relação a esses assuntos e perguntou-lhes sobre o Salvador. 'Teria ele, então, falado secretamente a uma mulher de preferência a nós e não abertamente? Devemos nós voltar e escutá-la? Terá Ele preferido ela a nós?' "

Implicações do Evangelho

Uma grande parte do fundamento é expresso como um diálogo entre Maria e os discípulos onde Maria é a pessoa que responde às perguntas. Após a partida de Jesus, conforme o texto, a autoridade da igreja foi dada a Maria Madalena, indicando que o texto se tenha originado em uma corrente que tinha em Maria sua fundadora e a considerava mais importante que os outros apóstolos.[carece de fontes] Parte desse favorecimento da única discípula conhecida pode ter sido devido à sua habilidade como mulher de representar a importante figura de companhia feminina de Cristo, conforme o evangelho gnóstico mostra.[carece de fontes]

Sophia

Quem se debruça sobre esse Evangelho há de ter em conta a natureza gnóstica da obra (a exemplo dos Evangelhos de Felipe e Tomé) e que ela muito provavelmente reflete conflitos de seu tempo. É também provável (como o admitem vários pesquisadores[quem?]) que a obra seja uma colagem de dois textos. O segundo texto exibe o confronto entre Pedro e Maria (supostamente Madalena), refletindo a tensão entre os gnósticos e um certo cristianismo "masculinizado", em fase de consolidação. Nesse cristianismo que se fará "católico", a figura emblemática de Pedro já se ergue para respaldar a primazia do Bispo de Roma (que há de se chamar Papa).
Há dois detalhes no exame desse Evangelho que cumpre destacar:
  1. Madalena é mostrada como uma discípula do Mestre (na verdade, o nome Jesus também não é explicitado), em condição até superior a dos demais discípulos, porque logra entender certos ensinamentos que Pedro e seus companheiros não conseguem captar. Mas, ao contrário do que se lê nos Canônicos, onde a condição de Apóstolo decorre de conviver com Jesus, Maria a conquista por uma "via paulina": é através de uma visão que ela é distinguida pelo Mestre.
  2. Os ensinamentos secretos que ela recebe do Mestre constituem uma autêntica "aula de Gnosticismo", atestando que longe de pretender ser um relato de fatos, a obra é essencialmente proselitista.
Sendo a Gnose uma doutrina que se expressa, amiúde, por símbolos, haveria razões para se admitir que a figura feminina desse Evangelho, que guarda traços da Madalena dos Canônicos, encarna o conceito de Sophia (que, em Felipe é chamada de "a estéril"), mais precisamente a centelha anímica existente em cada ser humano, e única capaz de se comunicar com os planos espirituais, para receber a verdadeira Gnose libertadora. (Pistis Sophia).[carece de fontes]

O Evangelho Segundo Maria Madalena

Salvador disse: "Todas as espécies, todas as formações, todas as criaturas estão unidas, elas dependem umas das outras, e se separarão novamente em sua própria origem. Pois a essência da matéria somente se separará de novo em sua própria essência. Quem tem ouvidos para ouvir que ouça."
Pedro lhe disse: "Já que nos explicaste tudo, dize-nos isso também: o que é o pecado do mundo?" Jesus disse: "Não há pecado ; sois vós que os criais, quando fazeis coisas da mesma espécie que o adultério, que é chamado 'pecado'. Por isso Deus Pai veio para o meio de vós, para a essência de cada espécie, para conduzi-la a sua origem."
Em seguida disse: "Por isso adoeceis e morreis [...]. Aquele que compreende minhas palavras, que as coloque-as em prática. A matéria produziu uma paixão sem igual, que se originou de algo contrário à Natureza Divina. A partir daí, todo o corpo se desequilibra. Essa é a razão por que vos digo: tende coragem, e se estiverdes desanimados, procurais força das diferentes manifestações da natureza. Quem tem ouvidos para ouvir que ouça."
Quando o Filho de Deus assim falou, saudou a todos dizendo: "A Paz esteja convosco. Recebei minha paz. Tomai cuidado para ninguém vos afaste do caminho, dizendo: 'Por aqui' ou 'Por lá', Pois o Filho do Homem está dentro de vós. Segui-o. Quem o procurar, o encontrará. Prossegui agora, então, pregai o Evangelho do Reino. Não estabeleçais outras regras, além das que vos mostrei, e não instituais como legislador, senão sereis cerceados por elas." Após dizer tudo isto partiu.
Mas eles estavam profundamente tristes. E falavam: "Como vamos pregar aos gentios o Evangelho ao Reino do Filho do Homem? Se eles não o pouparam, vão poupar a nós?" Maria Madalena se levantou, cumprimentou a todos e disse a seus irmãos: "Não vos lamentais nem sofrais, nem hesiteis, pois sua graça estará inteiramente convosco e vos protegerá. Antes, louvemos sua grandeza, pois Ele nos preparou e nos fez homens." Após Maria ter dito isso, eles entregaram seus corações a Deus e começaram a conversar sobre as palavras do Salvador.
Pedro disse a Maria:"Irmã, sabemos que o Salvador te amava mais do que qualquer outra mulher. Conta-nos as palavras do Salvador, as de que te lembras, aquelas que só tu sabes e nós nem ouvimos."
Maria Madalena respondeu dizendo: "Esclarecerei a vós o que está oculto." E ela começou a falar essas palavras: "Eu", disse ela, "eu tive uma visão do Senhor e contei a Ele: 'Mestre, apareceste-me hoje numa visão'. Ele respondeu e me disse: 'Bem aventurada sejas, por não teres fraquejado ao me ver. Pois, onde está a mente há um tesouro'. Eu lhe disse: 'Mestre, aquele que tem uma visão vê com a alma ou como espírito?' Jesus respondeu e disse: "Não vê nem com a alma nem com o espírito, mas com a consciência, que está entre ambos - assim é que tem a visão [...]."
E o desejo disse à alma: 'Não te vi descer, mas agora te vejo subir. Por que falas mentira, já que pertences a mim?' A alma respondeu e disse:'Eu te vi. Não me viste, nem me reconheceste. Usaste-me como acessório e não me reconheceste.' Depois de dizer isso, a alma foi embora, exultante de alegria. "De novo alcançou a terceira potência , chamada ignorância. A potência, inquiriu a alma dizendo: 'Onde vais? Estás aprisionada à maldade. Estás aprisionada, não julgues!' E a alma disse: ' Por que me julgaste apesar de eu não haver julgado? Eu estava aprisionada; no entanto, não aprisionei. Não fui reconhecida que o Todo se está desfazendo, tanto as coisas terrenas quanto as celestiais.' "Quando a alma venceu a terceira potência, subiu e viu a quarta potência, que assumiu sete formas. A primeira forma, trevas,; a segunda , desejo; a terceira, ignorância,; a quarta, é a comoção da morte; a quinta, é o reino da carne; a sexta, é a vã sabedoria da carne; a sétima, a sabedoria irada. Essas são as sete potências da ira. Elas perguntaram à alma: ´De onde vens, devoradoras de homens, ou onde vais, conquistadora do espaço?' A alma respondeu dizendo: ' O que me subjugava foi eliminado e o que me fazia voltar foi derrotado..., e meu desejo foi consumido e a ignorância morreu. Num mundo fui libertada de outro mundo; num tipo fui libertada de um tipo celestial e também dos grilhões do esquecimento, que são transitórios. Daqui em diante, alcançarei em silêncio o final do tempo propício, do reino eterno'."
Depois de ter dito isso, Maria Madalena se calou, pois até aqui o Salvador lhe tinha falado. Mas André respondeu e disse aos irmãos:"Dizei o que tendes para dizer sobre o que ela falou. Eu, de minha parte, não acredito que o Salvador tenha dito isso. Pois esses ensinamentos carregam idéias estranhas". Pedro respondeu e falou sobre as mesmas coisas. Ele os inquiriu sobre o Salvador:"Será que ele realmente conversou em particular com uma mulher e não abertamente conosco? Devemos mudar de opinião e ouvirmos ela? Ele a preferiu a nós?" Então Maria Madalena se lamentou e disse a Pedro: "Pedro, meu irmão, o que estás pensando? Achas que inventei tudo isso no mau coração ou que estou mentindo sobre o Salvador?" Levi respondeu a Pedro: "Pedro, sempre fostes exaltado. Agora te vejo competindo com uma mulher como adversário. Mas, se o Salvador a fez merecedora, quem és tu para rejeitá-la? Certamente o Salvador a conhece bem. Daí a ter amado mais do que a nós. É antes, o caso de nos envergonharmos e assumirmos o homem perfeito e nos separaremos, como Ele nos mandou, e pregarmos o Evangelho, não criando nenhuma regra ou lei, além das que o Salvador nos legou."
Depois que Levi disse essas palavras, eles começaram a sair para anunciar e pregar.
***

(Oscar Uzcategui escreveu: Existia uma profecia que sentenciava enfaticamente o seguinte: 'Somente alguém que tenha encarnado [integralmente] os Princípios Crísticos em sua natureza espiritual será capaz de entender, compreender e desvelar o conteúdo da Pistis Sophia'.)
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Pistis Sophia

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Pistis Sophia é um importante texto Gnóstico. As cinco cópias remanescentes, que os estudiosos datam do período entre 250 a 300 dC, relatam os ensinamentos Gnósticos de um Jesus transfigurado aos apóstolos (incluindo Maria de MagdalaMaria, mãe de Jesus e Marta), quando o Cristo ressuscitado havia passado supostamente onze anos falando com seus discípulos. Nele as estruturas complexas e as hierarquias celestes familiares nos ensinamentos Gnósticos são reveladas.
Os manuscritos
O mais conhecido dos cinco manuscritos de "Pistis Sophia" está amarrado com um outro texto gnóstico numa encadernação intitulada "Piste Sophiea Cotice". Este Códice Askew foi adquirido pelo Museu Britânico em 1795 de um certo Dr. Askew. Até a descoberta da Biblioteca de Nag Hammadi em 1945, o Códice Askew era um dos três códices que continham quase todos os escritos gnósticos que sobreviveram à eliminação dessa literatura, sendo os outros dois o Códice Bruce e o Códice de Berlim. A menos dessas fontes, tudo o que foi escrito sobre o Gnosticismo antes de Nag Hammadi é baseado em citações, caricaturas e inferências a partir dos escritos dos Pais da Igreja, inimigos do Gnosticismo... como uma heresia aberrante do ponto de vista do Cristianismo Paulino ortodoxo.

Pistis Sophia

O título Pistis Sophia é obscuro e é, às vezes, traduzido como Sabedoria da Fé, Sabedoria na Fé ou Fé na Sabedoria. Uma tradução mais exata, levando em conta seu contexto gnóstico, é "a fé de Sophia", uma vez que Sophia para os gnósticos era a sizígia divina do Cristo, e não uma simples palavra significando sabedoria. Numa versão anterior e mais simples de uma Sophia (Sophia de Jesus Cristo) no Códice de Berlim e também encontrado em um papiro em Nag Hammadi, o Cristo transfigurado explica Pistis de um modo bastante obscuro:
Novamente, seus discípulos disseram: "Diga-nos claramente como eles desceram das invisibilidades, do imortal para o mundo que morre?"
O perfeito Salvador disse: "O Filho do Homem entendeu-se com Sophia, sua consorte, e revelou uma grande luz andrógina. Seu nome masculino é designado Salvador, progenitor de todas as coisas. Seu nome feminino é designado 'Todo-progenitora Sophia'. Alguns a chamam de Pistis".
— Desconhecido, Sophia de Jesus Cristo[1].

Autor

O texto é geralmente atribuído à Valentim. Porém, como G.R.S. Mead afirma que:
Não é por causa de nenhum elemento do pensamento Helênico no estudo dos Aeons, que se sabe ser o caso nos ensinamentos de Valentim, que levou tantos a conjecturar que o texto seria uma derivação valentiana. Foi o algo long episódio do sofrimento de Sophia que os influenciou. Este episódio reflete, num nível mais baixo da escala cósmica algo do intuito (motif) do mito trágico da anima mundi, invenção geralmente atribuída ao próprio Valentimm embora ela possa ter possivelmente transformado ou trabalhado sobre material ou noções já existentes.
— Pistis Sophia, G.R.S Mead[2].

Conteúdo

O texto proclama que Jesus permaneceu no mundo após a ressurreição por onze anos e foi capaz nesse tempo de ensinar a seus discípulos até o primeiro (isto é, inicial) nível do mistério. Começa com uma alegoria fazendo um paralelo entre a morte e ressurreição de Jesus e descrevendo a descida e a ascensão da alma. Em seguida, prossegue descrevendo figuras importantes na cosmologia gnóstica e então, finalmente, lista trinta e dois desejos carnais que devem ser superados antes que a salvação seja possível, sendo esta superação a própria salvação[3].
Pistis Sophia inclui ainda citações de cinco das Odes de Salomão, encontradas nos capítulos entre o 58 e o 71. Esta era a única fonte conhecida para o texto original de quaisquer das Odes até a descoberta de uma cópia quase completa em siríaco das Odes em 1909. Ainda assim, como a primeira parte está faltando neste manuscrito, Pistis Sophia continua sendo a única fonte para a primeira Ode[3].

Esquema do texto

Abaixo um esquema do texto proposto por G.R.S. Mead em seu texto Pistis Sophia, escrito em 1924[2]:
Os Membros do Inefável.
I. A Mais Alto Mundo de Luz ou Reino de Luz.
i. O Primeiro Espaço do Inefável.
ii. O Segundo Espaço do Inefável.
iii. O Terceiro Espaço do Inefável ou o Segundo Espaço do Primeiro Mistério.
II. O Mais Alto (ou "no Meio") Mundo de Luz.
i. O Tesouro da Luz.
1. As Emanações da Luz.
2. A Ordem das Ordens.
ii. A Região da Direita.
iii. A Região do Meio.
III. A Luz Mais Baixa ou Mundo dos Aeons ou a Mistura da Luz e Matéria.
i. A região da Esquerda.
1. O Décimo-Terceiro Aeon.
2. Os Doze Eons.
3. O Destino.
4. A Esfera.
5. Os Governantes dos Modos do "Meio" (mais baixo) 1.
6. O Firmamento.
ii. O Mundo (Kosmos), especialmente a Humanidade.
iii. O Mundo das Profundezas.
1. O Amente.
2. O Caos.
3. As Trevas Exteriores.

Ver também

As Odes de Salomão é uma coleção de quarenta e duas odes atribuídas à Salomão. Vários estudiosos já dataram a composição destes poemas religiosos para algo entre o primeiro e o terceiro séculos da era cristã. Acredita-se que a língua original das Odes tenha sido o grego ou o siríaco.
Tecnicamente, as Odes são anônimas, mas em muitos manuscritos antigos as Odes de Salomão são encontradas junto com a obra similar, os Salmos de Salomão, e assim elas passaram também a ser atribuídas a ele. Ao contrário dos Salmos de Salomão, porém, as Odes tem muito menos influências judaicas claras, sendo muito mais cristãs na aparência. As Odes explicitamente se referem não apenas a Jesus, mas também à ideias de nascimento virginal, a descida ao inferno e a TrindadeAdolf Harnack sugeriu a obra de um interpolador cristão ajustando o texto originalmente judaico.
Nenhuma prova conclusiva da língua original das Odes de Salomão existe até o momento. As três sugestões que continuam a ter seus méritos entre os estudiosos são as de que elas foram escritas em grego, siríaco ou numa comunidade bilíngue entre essas duas línguas. O lugar de origem parece ter sido numa região da província romana da Síria, mas se foi na Síria ocidental (Antioquia, por exemplo) ou na Mesopotâmia (por exemplo, em Edessa), mais ao norte, é discutível. Já na questão da data, uma pequena maioria dos estudiosos atribuem à Ode uma data no segundo século, no final. Porém, datas no primeiro (Charlesworth) e no terceiro (Drijvers) ainda são discutidas.
O termo gnóstico Barbēlō (Grego Βαρβηλώ) refere-se à primeira emanação de Deus nas diversas formas da cosmogonia gnóstica setiana. Barbēlō é frequentemente mostrada como um princípio feminino supremo, o único antecessor passivo da diversidade da Criação. Essa figura é também referenciada como "Mãe-Pai" (adivinhando sua aparente androginia), 'Primeiro Ser Humano', 'O Triplo Nome Andrógino' ou 'Eterno Aeon'. O seu lugar era tão proeminente entre alguns gnósticos que algumas escolas eram denominadas como barbeliota, adoradores de Barbēlō ou Barbēlō-gnósticos (veja Borboritas)[1]
No Apócrifo de João, um tratado na Biblioteca de Nag Hammadi contendo a mais extensa versão do mito de criação setiano, Barbēlō é descrita como "O primeiro poder, a glória, Barbēlō, a glória perfeita nos aeons, a glória do apocalipse."[2]. Todos os atos seguintes de criação dentro da esfera divina (salvo, crucialmente, aqueles do mais baixo aeonSophia), ocorrem através de sua ação conjunta com Deus. O texto a descreve assim:
Este é o primeiro pensamento, imagem dele; ela se tornou o útero de tudo, pois é ela que precede a eles todos, a Mãe-Pai, o primeiro homem (Anthropos), o Espírito Santo, o três-vezes masculino, o três-vezes poderoso, o triplamente nomeado uno andrógino e o eterno aeon dentre os invisíveis e o primeiro a se apresentar
Em Pistis Sophia, Barbēlō é chamada frequentemente, mas seu lugar não está claramente definido. Ela é um dos deuses, "um grande poder do Deus Invisível" (373), junto com Ele e as três "Triplamente poderosas divindades" (379), a mão de Pistis Sophia (361) e dos outros seres (49); dela Jesus recebeu Sua "vestimenta de luz" ou corpo celeste (13, 128; cf. 116, 121); a terra é aparentemente a "matéria de Barbēlō" (128) ou o "lugar de Barbēlō" (373)[3].
Arconte, no singular (Grego ἄρχων, pl. ἄρχοντες, "alto oficial", "chefe", "magistrado"), seria qualquer um dos seres que foram criados juntamente com o mundo material por uma divindade subordinada chamada o Demiurgo (Criador). Os gnósticos eram dualistas religiosos, que consideraram que a matéria é má e o espírito bom e que a salvação é alcançada através do conhecimento esotérico, ou gnose. Porque os gnósticos do segundo e terceiro séculos - geralmente originados dentro do cristianismo - consideravam o mundo material como definitivamente mau ou como o produto de erro, os arcontes eram vistos como forças maléficas.[1]
A maioria dos estudiosos argumenta que o texto é de origem Gnóstica, baseado nas similaridades entre os ensinamentos místicos encontrado no texto e os temas padrão dos Gnósticos. Fortemente místico, o conteúdo deste texto relata a criação de deuses, anjos e o universo com ênfase na verdade infinita e metafísica.[1]
O Salvador perfeito disse: "[Você] Vem das coisas invisíveis até o fim daquelas que são visíveis e a emanação do Pensamento irá revelar a vocês como fé naqueles que são invisíveis foi encontrada naqueles que são visíveis, naqueles que pertencem ao Pai Ingênito [ou Não-Nascido]. Aquele que tiver ouvidos para ouvir, ouça!
— Desconhecido, Sophia de Jesus Cristo[1].
O texto é composto por treze questões dos discípulos (e de Maria), seguidas por breves discursos de Jesus dados em resposta[1] :
  1. Sobre a vaidade e futilidade da busca de Deus.
  2. Como encontrar a Verdade apenas explicando o que ela não é.
  3. Como a verdade foi revelada aos Gnósticos no início dos tempos.
  4. Como é preciso despertar para ver a Verdade.
  5. Sobre o início de tudo.
  6. Como a humanidade chegou à Gnosis.
  7. Sobre a posição de Jesus.
  8. Sobre a identidade de Jesus.
  9. Como o espírito se conecta ao mundo material.
  10. Sobre o número de espíritos.
  11. Sobre a imortalidade.
  12. Sobre aqueles que são imateriais.
  13. A questão final é sobre a origem da humanidade e qual o seu propósito.
  • Sophia - Fragmentos abaixo:
Significa, literalmente, a que detém a "sabedoria" (em gregoσοφός ; "sofós"). Na tradição gnóstica, Sophia é uma figura feminina, análoga à alma humana e simultaneamente um dos aspectos femininos de Deus. Os gnósticos afirmam que ela é a sizígia de Jesus (veja a Noiva de Cristo) e o Espírito Santo da Trindade. Ocasionalmente é referenciada pelo equivalente hebreu Achamōth (em gregoἈχαμώθ ) e como Prouneikos (em gregoΠρούνικος , "A Libidinosa").
É considerada ainda como a responsável pela criação do mundo material, ou uma das responsáveis, dependendo da tradição gnóstica.
Em Pistis Sophia[14], Cristo é enviado pelo Uno para trazer Sofia de volta à totalidade (Pleroma). Ele a habilita a ver novamente a luz, dando-lhe o conhecimento do espírito (Pneuma). Cristo é então enviado à Terra na forma de um homem (Jesus) para dar aos homens a Gnose necessária para que se libertem do mundo físico e retornem para o mundo espiritual. Para os gnósticos, o drama da redenção de Sofia através do Cristo (ou o Logos) é o drama central do universo.

Referências

Imagens: https://giphy.com

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