
Ó pequena Pérola do Orvalho,
gerada no útero secreto da Aurora,
quando o Sol ainda vela o rosto
e o mundo permanece recolhido
no grande Silêncio da Criação.
Sobre a lâmina verde da erva
repousas como um selo celeste,
pois em teu corpo mínimo
o Alto inclina-se ao Baixo
e o Céu recorda a Terra.
Tu és o Orvalho oculto,
a água sutil que desce dos céus,
o espírito úmido que nutre
as raízes invisíveis da vida.
Na estação em que a Terra respira
e as folhas se erguem como mãos vivas,
teu fulgor revela o ensinamento
que os Mestres confiaram à Natureza.
Ó pequeno Diamante da Manhã,
pedra ainda não lapidada
do grande Laboratório do Mundo.
Aquele que te contempla com pureza
aprende que o grande Arcano
oculta-se no que é pequeno.
Pois no Orvalho da Aurora
os Antigos reconheceram
o Espírito da Vida,
a substância sutil
com que o Eterno
renova todas as coisas.
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