sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Presente para a Alma - por Brahma Kumaris

 Om, Shanti.
Presente para a Alma
por Brahma Kumaris


"Conhecer minha própria verdade, 
aceitar-me e viver de acordo
 é a melhor maneira de alcançar a felicidade. 
De outras pessoas, recebo inspiração, orientação 
e experiência na forma de conselhos, 
mas quem deve abrir o meu caminho sou eu.
A chave é conhecer-me, 
a chave é amar quem sou..."

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Namastê buscadores!

Reflexionando com Thoreau:

"Viveremos melhor se pudermos diminuir o ritmo,
e aprender com pouco."
por Shantoo05
Armand AMAR & Levon MINASSIAN
*
Thoreau e o Minimalismo Existencial
Henry David Thoreau 
(Concord12 de julho de 1817 — Concord, 6 de maio de 1862)
 Autor estadunidensepoetanaturalistapesquisadorhistoriador
filósofo e transcendentalista. Ele é mais conhecido por seu livro Walden
uma reflexão sobre a vida simples cercada pela natureza...

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Em uma entrevista proporcionada ao IHU On-Line, Kelly Dean Jolley promove uma perspectiva de Thoreau como um minimalista existencial. A partir da entrevista, Jolley ressalta que Thoreau defende uma vida de abnegação e simplicidade, cujo objetivo é obter uma melhor compreensão da existência e do mundo que aparece diante de nós.

De fato, a filosofia de Henry David Thoreau vai além da abstração das ideias, é um modo de conceber o mundo e reger uma vida a partir da constante relação com o real e com o verdadeiro. A vida, nesse caso, encontra-se em consonância com o verdadeiro, e o verdadeiro, para Thoreau, está fora das paredes da prisão invisível que grande parte da sociedade impôs com o avanço tecnológico e fortalecimento do capitalismo com seu consumismo excessivo. Dessa forma, é perceptível a busca da verdade através de uma forte crítica ao materialismo, cuja principal consequência é o ajuste da visão para o que realmente existe. Kelly Dean Jolley expressa tal questão sucintamente:

''Para mim Thoreau acredita que vivemos em um esquecimento propositado de nossa natureza, e que nossas tendências para focar naquilo que é desnecessário são tanto resultado como causa desse esquecimento. Ao ir para a mata, Thoreau se transforma em um lembrete vivo daquilo que esquecemos. Ele se torna uma consciência moral externalizada – para colocar de forma paradoxal – chamando cada um de nós de volta ao que (todos) somos.''

É nesse contexto que o pensamento minimalista entra em ação. Uma mensagem importante, senão principal, da filosofia minimalista seria a necessidade de reduzir o máximo de recursos possíveis para reger uma vida e, assim, sobreviver apenas com o necessário. Nesse sentido, não é à toa que Thoreau é visto como um minimalista. Verifica-se diversos exemplos da filosofia minimalista nos seus escritos, especialmente em Walden. Dentre tais, vale destacar uma parte:

''Simplicidade, simplicidade, simplicidade! Digo: Ocupai-vos de dois ou três afazeres, e não de cem ou mil; contai meia dúzia em vez de um milhão e tomai nota das receitas e despesas na ponta do polegar... Simplificar, simplificar. Em vez de três refeições por dia, se preciso for, comer apenas uma; em vez de cem pratos, cinco; e reduzir proporcionalmente as outras coisas...''

Nessa perspectiva, o minimalismo seria um passo importante para melhor compreender o mundo e chegar a um nível superior a partir das experiências acumuladas pelas privações impostas por um estilo de vida de controle e abnegação – este é um dos motivos que Thoreau é chamado de transcendentalista. Com isso, torna-se possível aguçar a visão e focá-la no que é verdadeiro, procurar apenas o que é essencial para manter o famoso ‘’calor vital’’ que o autor frequentemente menciona e, assim, viver. Por esse fato que Walden foi fundamental para a evolução espiritual e física de Thoreau. O deserto era um ambiente longe das prisões ilusórias da sociedade capitalista e um lugar propício à solidão e à abnegação, cuja consequência era o contato com a própria essência da vida e a visão do mundo como ele é:

''Fui para os bosques porque pretendia viver deliberadamente, defrontar-me apenas com os fatos essenciais da vida, e ver se podia aprender o que tinha a me ensinar, em vez de descobrir à hora da morte que não tinha vivido. Não desejava viver o que não era vida, a vida sendo tão maravilhosa, nem desejava praticar a resignação, a menos que fosse de todo necessária. Queria viver em profundidade e sugar toda a medula da vida, viver tão vigorosa e espartanamente a ponto de pôr em debandada tudo que não fosse vida, deixando o espaço limpo e raso; encurralá-la num beco sem saída, reduzindo-a a seus elementos mais primários, e, se esta se revelasse mesquinha, adentrar-me então em sua total e genuína mesquinhez e proclamá-la ao mundo; e se fosse sublime, sabê-lo por experiência, e ser capaz de explicar tudo isso na próxima digressão''

Thoreau influenciou diversas gerações de pensadores e aventureiros. Um grande exemplo disso foi o de Christoper McCandless, um jovem que, ao terminar a faculdade, deixou para trás toda uma vida – como o conforto de uma casa, a presença de pessoas que o amam, seu dinheiro e seu carro –, com o principal objetivo de viver sobre o deserto e absorver tudo que a existência poderia proporcionar.

Há diversos traços da filosofia minimalista de Thoreau em McCandless. Um aspecto que pode provar esse fato é a aversão ao materialismo da sociedade a qual frequentava e o consequente abandono da maioria de seus bens materiais para poder viver uma vida de solidão e privação em busca da verdade. Um exemplo da influência direta de Thoreau sobre McCandless é uma frase sublinhada do livro Walden, ou a vida nos bosques, encontrada no lugar em que este último morreu, no qual diz:

''Mais que amor, dinheiro e fama, dai-me a verdade. Sentei-me a uma mesa em que a comida era fina, os vinhos abundantes e o serviço impecável, mas faltavam sinceridade e verdade e fui-me embora do recinto inóspito, sentindo fome. A hospitalidade era fria como os sorvetes.''

Um aspecto interessante é que McCandless escreveu a palavra ‘’verdade’’ em letras de forma no alto da página que a frase anterior se encontrava. É possível, dessa forma, perceber que a busca da verdade era uma dos principais anseios de McCandless ao ir para o deserto. Talvez não seja mera coincidência das buscas similares de Thoreau e McCandless, uma vez que este último tinha como anseio primordial conceber o verdadeiro na sua mais pura manifestação. Thoreau, nesse caso, pode ter sido uma das bases do pensamento e um dos principais influenciadores de McCandless. Apenas para reforçar essa reflexão, vale destacar uma frase de seu diário:

''Dois anos ele caminha pela terra. Sem telefone, sem piscina, sem animal de estimação, sem cigarros. Liberdade definitiva. Um extremista. Um viajante estético cujo lar é a estrada (...) E agora depois de dois anos errantes chega à última e maior aventura. A batalha final para matar o ser falso interior e concluir vitoriosamente a revolução espiritual (...) Para não ser mais envenenado pela civilização, ele foge e caminha sozinho sobre a terra para perde-ser na natureza.''

Torna-se possível detectar diversas passagens que expressam os pensamentos de Thoreau nesse trecho. Logo no começo, McCandless diz ‘’ Sem telefone, sem piscina, sem animal de estimação, sem cigarros. Liberdade definitiva. Um extremista (...)’’. Percebe-se nessa frase uma certa aversão aos bens materiais e à necessidade se libertar dos vícios que o consumo de tais bens proporciona, aspecto que a filosofia minimalista de Thoreau expressa claramente. Indo mais além é perceptível um anseio de matar um ‘’falso ser interior e concluir vitoriosamente uma revolução espiritual (...)’’, Thoreau expressa essa necessidade de revolução espiritual nitidamente em Walden. Assim, afirma-se que a filosofia minimalista de Thoreau foi tão forte que chegou até os tempos atuais. Instigando constantemente diversos estudiosos a mudar suas vidas e criar um novo rumo às mesmas.

É por esse motivo que Thoreau pode ser visto como um minimalista existencial e um dos principais disseminadores do pensamento minimalista. Sua filosofia é focada na destruição de toda a ilusão que uma sociedade materialista pode possuir a partir da busca das coisas – e apenas dessas coisas – que mantém nosso ‘’calor vital’’. Assim, é possível despertar para o verdadeiro mundo que existe diante de todos os seres vivos e sugar toda a vida que este mesmo mundo pode proporcionar.

Referências:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_David_Thoreau

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Om shanti!!!

Uma voz...

"[...] quando me vi no espelho, descobri maravilhada que minha cara, que há muito havia perdido, estava lá, olhando para mim; foi como se me reencontrasse depois de viver “o outro” tanto tempo, e hoje me sinto eu mesma! Depois disso me pergunto se ainda precisarei fazer proposições, 
pois o que preconizo — arte-vida — já foi desencadeado diretamente em mim nessa noite! "
(Lygia Clark)
por M. Mar
A Thousand Times Good Night ● Abel Korzeniowski

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Namastê!

12 Verdades sobre Disciplina

Autores: Alberto Filho e Jon Talber [1]

Um Guia pra lá de Prático para que o leitor seja capaz de fazer uma avaliação do seu próprio nível de Disciplina, ou mesmo reciclar aquilo que já sabe sobre o assunto.

“Disciplina é o princípio da ordem interna que aflora

 a partir da constatação da desordem externa...”

Uma Introdução sobre a Disciplina...

A despeito das inúmeras polêmicas sobre o assunto, diante de fatos não sobra espaço algum para contestações e debates improdutivos. Quando refletimos profundamente sobre uma questão é porque há interesse de nossa parte em resolver o problema. Entretanto, a elucidação de um problema nunca ocorre sem uma auto investigação; uma comprovação definitiva, seja por meio da cientificação após um exame mais profundo, ou ainda por meio da auto experimentação lúcida. Lembre-se, nada substitui a constatação por meio da vivência pessoal.

Refletir partindo de um alicerce abstrato ou hipotético se assemelha a crença de que os Contos Infantis Medievais, os populares Contos de Fadas, aqueles recontados por nossos pais, avós e bisavós, não estão recheados dos mais escabrosos relatos de horror, e sim da mais pura inocência, conceitos éticos e virtuosismo.

Para entendermos um pouco mais sobre Disciplina, eis uma relação de tópicos que poderão ser usados como sugestões para reflexões sobre o tema. Poderá servir como guia introdutório para quem deseja ampliar seus conhecimentos.

E como sempre, nunca acredite em nada sem antes avaliar, ponderar, investigar, e depois digerir. Nesse caso, o processo digestório é sempre lento, pois requer comprovação. Experimente, faça os testes, examine a lógica racional de cada tópico ou questão antes de passar adiante ou adotar como modelo cognitivo para si mesmo.

Examinando o que vem a ser a Verdadeira Disciplina...

1 - Qual a diferença entre Disciplina e Ordem? Na verdade não há, e ambos são aspectos complementares de um só atributo, a Inteligência. Inteligência não é a simples capacidade de aprender por meio do intelecto, mas, antes disso, trata-se do processo consciente que permite ao indivíduo aprender o que é necessário ou útil. Sendo a Disciplina um dos principais atributos da inteligência, quando em consonância com a Ordem, tornam-se potencializadores mútuos.

2 - Disciplina é a arte de conduzir a si mesmo sem desvios ou distrações. E tudo começa quando os pais descobrem o óbvio, que eles próprios são indisciplinados. A partir da constatação da própria indisciplina ou desordem, se de fato estiverem interessados na correta educação dos filhos, acabarão por se Autorreciclar. Eliminadas as manias que serviam de gabaritos involuntários para a desordem postural dos filhos, estes não mais se tornarão seus clones psicopatológicos. Este exemplo de Mudança Postural representa um método disciplinador de excepcional valor cognitivo.

A Disciplina surge com a necessidade por mudanças, que por sua vez aflora quando percebemos a desordem à nossa volta. E como ainda não sabemos o que é a ordem, só nos resta estudar aquilo que não é. E, a partir desta observação cuidadosa seguida do exame apropriado, quando se constata que tudo à nossa volta está em desordem, poderá, finalmente, surgir a ordem. Paradoxalmente, a comprovação dessa desordem é o marco inicial no processo de Autodisciplina.

3 - Disciplina não é a adoção de rotinas ou hábitos repetitivos, mas, ao invés disso, a manutenção do foco, responsabilidade e compromisso na execução das tarefas ou compromissos externos, a partir da harmonia interna. Entretanto, sem uma decisão pessoal, ela não pode florescer. E quando, no dia a dia, se aplica a Disciplina de maneira consciente e lúcida, então poderá surgir a Ordem.

4 - Um burro de carga não é um animal disciplinado e sim domesticado. A domesticação é simples automatismo, conformação com a rotina pela força de um hábito, obrigação ou sujeição. Lembre-se sempre de que, adquirir um hábito ou vício é coisa simples e rápida. No entanto, desfazer-se deles depois é sempre um processo lento, doloroso, dramático, e muitas vezes sem êxito.

5 - Assim sendo, Disciplina não é Conformação ou Domesticação. Em ambos não há um mínimo de consciência, o que se opõe a Disciplina, onde há um máximo. O disciplinado está consciente de que o é, enquanto que o domesticado pelo hábito, submissão ou obrigação, nunca será capaz de perceber seu condicionamento.

6 - Mas a Disciplina requer humildade, que não é servidão ou conformismo, a exemplo dos comportamentos religiosos. Um religioso nunca será verdadeiramente disciplinado, uma vez que segue cegamente preceitos, ordens e padrões, o que pode contrariar sua natureza e predisposições inatas, mesmo que nunca admita ou venha sequer a perceber a existência de tal condição postural em si mesmo.

7 - Seria o Estado de Disciplina, um ilustre desconhecido da maioria das pessoas?

E o estado de Disciplina não pode coexistir onde existe subjugação ou conformação de qualquer natureza, o que significa conduta por injunção. O mais adequado seria considerarmos essa postura passiva como automatismo.

8 - E se a auto-organização é um dos mais elevados estados existenciais do homem, a Disciplina é o processo por meio do qual se chega a ela. Organização é o meio pelo qual a desordem é desfeita, enquanto que a Disciplina é o meio, princípio e fim pelo qual essa Organização será, na prática, aplicada.

9 - No conceito tradicional de Disciplina, logo se imagina o uso rotineiro de alguma técnica segundo um protocolo rígido, durante a execução de alguma tarefa ou cumprimento de atividades regulares. Mas, Disciplina não é nada disso. Trata-se de um Estado Existencial Livre, e não uma condição patrocinada por leis, dogmas, tradições, prescrições da mesologia, desejo de ganho ou mérito, ou por medo.

10 - A Infância é a melhor época para se disciplinar uma criança. Ela ainda não está contaminada com nossos vícios, hábitos, paranóias, crenças, dogmas e tabus, princípios que nos obriga a seguir uma linha de ação muitas vezes contrária às nossas disposições inatas ou vontade. Por isso é mais simples lapidar esse perfil ainda não recheado por opiniões patológicas. O cérebro inocente de uma criança ainda é um domínio onde o controle mais amplo do Ego ainda não fixou suas raízes.

11 - E para que a Disciplina aflore naturalmente, o costume de recompensar a criança apenas pelo fato de cumprir seus deveres formais deverá ser descartado. O ato de cumprir um dever o será sempre por consciência e nunca por coerção. Na coerção jamais existirá o processo disciplinar natural, mas, antes disso, apenas o exercício regular de uma atividade motivada por gratificações, o mesmo princípio já adotado na prática da Corrupção.

Uma reflexão Final:

12 - Finalmente, reflita sobre o assunto antes de aceitar o que aqui está escrito. Só o questionamento voluntário permite a experiência pessoal consciente, o único caminho para o aprendizado lúcido. Teste em si mesmo, faça a digestão antes de aplicar em sua rotina diária ou repassar adiante, não apenas isso, mas de qualquer outra coisa que se apresente diante dos seus olhos ou ouvidos.

Alguns Segredos Ocultos da Lei de Causa e Efeito que a maioria das pessoas ainda Desconhece

Autor: Alberto Filho  [1]

A Lei de Causa e Efeito segundo os princípios humanos...
Se dentro de cada mesologia, cultura nacionalista ou étnica há uma ideologia, fórmula ou cartilha que estabelece as regras e preceitos da ética localmente aceita como válida, isso equivale dizer que a contextualização desse status vai depender do modo como aquela cultura interpreta o Errado e o Certo.

Afinal de contas, a despeito da existência de um conceito de Ética Universal, naquele caso, localmente, a autoridade que ajuíza o que é errado ou certo é que dará a palavra final. Mas, e qual é a Autoridade que autentica ou autoriza esse Juiz a atribuir e homologar tudo aquilo que ali é moralmente correto, ou segundo ele, Consciencialmente Ético?

Em outras palavras, a definição daquilo que é moralmente correto é instituído, protocolado e decretado por quem? E qual será a autoridade ou instância encarregada de certificar que os desígnios do sentenciador ou juiz estão de fato pautados na verdade?

Para os fabricantes das drogas alcoólicas, a despeito dos milhares que morrerão afogados pela embriaguez dos seus compostos etílicos e das famílias que serão destroçadas pelo mesmo motivo, o conceito de ética se resume a pagar seus impostos em dia e depois gratificar, de acordo com as leis trabalhistas em vigor, todos os seus empregados ou cúmplices.

E para cada um daqueles funcionários dedicados à produção e disseminação daquela droga tóxica eufemisticamente chamada de produto interno bruto, praticar ética significa apenas respeitar as leis do seu país e depois se curvar em sinal de humildade diante dos deuses ou ícones que dão lastro a sua tradição cultural, ideologia ou crença religiosa local.

Então surge o mito – na verdade trata-se de uma prática aceita por todos – de que uma ação isolada, necessariamente, também terá como desdobramento um efeito isolado. É como se, por exemplo, ao ferirmos alguém com palavras ou atos, um posterior pedido de desculpas fosse capaz de reparar as consequências criadas a partir do primeiro ato. Segundo esse ponto de vista, não se leva em conta o efeito da agressão, assim como seus desdobramentos imediatos e posteriores, mas apenas o segundo gesto, que é o pedido de desculpas.

Ocorre que, um processo de agressão, seja ele físico ou verbal, nunca terá apenas um resultado ou consequência. Não vivemos reclusos em retiros ou clausuras, nossos interrelacionamentos é a essência da vida em sociedade. Assim, a ferida é sempre coletiva. A qualidade da saúde mental da vítima interfere dramaticamente em seus atos e relações pessoais. Logo, os mais próximos da vítima, ou aqueles que façam parte do seu grupo de convívio mais íntimo, independente do agressor ter ou não consciência disso, também serão vítimas em primeiro grau da mesma injúria.

A Partir de nossas contradições tentamos construir um modelo de mundo onde até os delitos provocados por nossos excessos conscientes poderão ser justificados, desfeitos ou suavizados, exceto quando somos as vítimas...

Se há uma lei de Causa e Efeito, logo, este ato, terá se desdobrado em dezenas, talvez centenas, de eventos impossíveis de serem mensurados. Não se trata mais de um efeito a partir de uma causa, mas de infinitos efeitos a partir de uma mesma causa inicial.

Tabular as consequências que virão a partir do desdobramento daquela ação inicial, é, portanto, algo impossível de ser feito. Isso significa dizer que uma suposta boa ação não anula os resultados de outra má. São coisas distintas, de naturezas opostas. Além disso, cada uma seguirá um caminho peculiar, criando em seu rastro outros tantos desdobramentos, e tudo isso de acordo com sua natureza original.

O pior de tudo é que vivemos em uma Mesologia Patológica, onde os efeitos negativos tendem a ganhar mais destaque e visibilidade. Isso significa dizer que irão se propagar em maior velocidade que os positivos. A fórmula da métrica é bastante simples: num ambiente contaminado pela negatividade, a força de empuxo para compartilhar um problema compatível com sua natureza nosográfica é maior do que o seu inverso.

Assim, perceber em si mesmo uma contradição ou traço negativo passível de causar malefícios, isso equivale à descoberta de uma virtude que será acrescentada ao nosso tesouro pessoal. Agora, ciente desse gargalo, ao impedirmos que aquela anomalia comportamental, de nossa parte, se transforme em uma má ação, este já é um gesto virtuoso.

Entender por que aquele atributo negativo ainda faz parte do nosso comportamento e erradicar suas causas, isso implica em liberdade, uma vez que, pelo menos a partir de nós, ele nunca mais causará dano algum ao mundo.

No entanto, uma descoberta dessa natureza ainda não faz parte da resoluções da maioria das pessoas. Consensualmente, todos ainda acreditam que a transformação pessoal ocorre de fora para dentro, e não de dentro a partir da constatação do que existe lá fora. Por isso esperam diligentemente que a mão mágica de um Guru espiritual ou crença religiosa atue como patrocinador desta mudança.

O homem comum ainda não é capaz de enxergar ou compreender, pelo menos não dá indícios disso, de que para todo efeito experimentado há sempre uma causa previamente semeada.

Eis o motivo pelo qual não se dá conta de como tem plantado ao longo de sua existência dezenas de sementes que mais tarde se transformarão em frutos imprestáveis ou deformados. Uma coisa é certa: Se estivesse consciente de tudo isso, estes frutos certamente teriam outro status. Seriam frutos com uma qualidade compatível com o cuidado e zelo do produtor. E por que ele ainda não consegue entender isso com lucidez? Trata-se da síndrome do imediatismo em ação, onde o indivíduo só é capaz de perceber um ferimento em seu dedo se houver sangramento no ato.

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sexta-feira, 16 de julho de 2021

Namastê buscadores!

Uma reflexão sobre ensinar

 e aprender rápido,

 por Rubem Alves

Revista Ecos da Paz

Por mais que hajam escolas com um método pedagógico mais humanista, mais focado na cidadania, a grande massa das escolas públicas e privadas não são assim.

Alunos e professores estão presos à um cronograma, cujo resultado é formar mão-de-obra. Aprender muitos temas num determinado tempo sem levar muito em conta a particularidade de cada um.

No texto a seguir, Rubem Alves questiona as normas rígidas dos sistemas educacionais, a competitividade e propõe que haja mais experimentação, apreciação sobre o que é ensinado nas escolas.

E toma como exemplo os moluscos, que mesmo devagar, eles sempre chegam onde querem.

A Pedagogia dos Caracóis

Os caracóis são moluscos lerdos. Andam muito, muito devagar. Ninguém tomaria os caracóis como exemplo. Embora suas conchas sejam belas e construídas com precisão matemática, o que chama a atenção de quem os observa é sua pachorra.

Caracóis não têm pressa. Falta-lhes dinamismo, virtude essencial àqueles que vivem no mundo moderno. Quem anda devagar fica para trás.

Quem imaginaria que um educador, ao observar um caracol, tivesse uma inspiração pedagógica? Pois foi o que encontrei numa revista italiana que se dedica a pensar os rumos da escola, CEM Mondialità.

A fotografia que ilustra o referido artigo é a de um menino, rosto apoiado na carteira, a observar tranquilamente um caracol que se arrasta sobre a tampa da mesa. E o título do artigo é “A pedagogia do caracol”. Caracol tem pedagogia a ensinar?

O autor conta o sucedido com uma menininha que, ao voltar para casa, se queixou à mãe: “Mamãe, os professores dizem: ‘É preciso andar rápido, nada de vagareza, para frente, para frente! ’Mamãe, onde é a frente?”

E aí ele passa a falar sobre a virtude pedagógica da vagareza. Pode ser que “chegar na frente” não seja tão importante assim! Quem sabe o “estar indo” é mais educativo que o chegar? No “estar indo” aprende-se um jeito de ser.

Nietzsche se ria dos turistas que subiam as montanhas como animais... Não haviam aprendido que há vistas maravilhosas no caminho que sobe.

Riobaldo, do Grande sertão: veredas, concordaria e acrescentaria: “O real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia”.

O adágio da Sonata ao luar, de Beethoven, tocado em presto seria um horror. As notas seriam as mesmas. Mas a beleza não se encontra no presto – ela está é na vagareza do adágio.

O autor do artigo aconselha os professores a estar com seus alunos no ritmo do adágio. Sem pressa. A lentidão é uma virtude a ser aprendida num mundo em que a vida é obrigada a correr ao ritmo das máquinas.

Gastar tempo conversando com os alunos. Saber sobre sua vida, seus sonhos. Que importa que o programa fique atrasado? A vida é vagarosa. Os processos vitais são vagarosos.

Quando a vida se apressa, é porque algo não vai bem. Adrenalina no sangue, o coração disparado em fibrilação, diarreia.

Observar as nuvens. Conversar sobre suas formas. A observação das nuvens faz os pensamentos ficarem tranquilos. As notícias dos jornais são escritas depressa. Por isso têm curta duração. Mas a poesia se escreve devagar. Por isso ela não envelhece.

É sempre nova (...). 

A técnica da leitura dinâmica é ir direto às ideias centrais, desprezando o resto (...).

Mas não é a isso que os jovens são obrigados quando, ao se preparar para o vestibular, se põem a ler “resumos” de obras literárias? O resumo de uma obra literária é o resultado escrito da leitura dinâmica. É preciso ler tendo a lesma como modelo. Devagar.

Por causa do prazer. O prazer anda devagar. Você leu este texto dinamicamente ou lesmicamente?

 Para Pensar: 

Leitura do texto na íntegra, por gentileza acessar:

Fonte: https://www.revistaecosdapaz.com

Rubem Alves, crônica “A Pedagogia dos Caracóis”, do livro homônimo,

 Editora Versus, São Paulo, 2011

terça-feira, 13 de julho de 2021

Namastê buscadores! 

"O esplendor da rosa e a brancura do lírio não roubam
da pequena violeta o seu perfume, 
nem da margarida o seu encanto simples.
Se cada pequena flor quisesse ser uma rosa, 
a primavera perderia sua beleza."
(Santa Teresinha)
Secret Garden - Official
Secret Garden - Sleepsong 


terça-feira, 6 de julho de 2021

Om, shanti. 

Quem foi Huineng?

Huineng (638–713), foi um monge budista zen da China, uma das figuras mais importantes em toda a tradição Zen. Ele é conhecido como o Sexto Patriarca desta escola. Seguiu uma linha de abordagem direta do budismo e da iluminação, sendo considerado o fundador da técnica de iluminação súbita ou satori.


Biografia

A maioria dos estudiosos atuais duvida da veracidade das biografias tradicionais de Huineng. As duas fontes primárias para a vida de Huineng são o prefácio do Sutra da Plataforma (que teria sido escrito por um discípulo de Huineng chamado Fahai, narrando a biografia e os ensinamentos de Huineng, embora o texto dê mostras de ter sido escrito durante um longo tempo, apresentando várias camadas de escrita) e a Transmissão da Lâmpada.

Huineng nasceu da família Lu, na cidade de Xinzhou (hoje, condado de Xinxing), na província de Guangdong. Sua família era pobre e seu pai morreu quando ele ainda era jovem, e ele não aprendeu a ler ou escrever. Certo dia, quando carregava lenha para o fogo doméstico, ouviu um dos convidados da casa recitar o Sutra do Diamante, e sentiu um despertar. Imediatamente, decidiu seguir o caminho de Buda. O convidado lhe deu algum dinheiro e Huineng partiu.

Depois de viajar por trinta dias a pé, chegou à montanha Huang Mei, onde morava o Quinto Patriarca, Hongren. Segundo conta o Sutra da Plataforma,

"Então fui prestar homenagem ao Patriarca, que me perguntou de onde eu vinha e o que esperava dele. Respondi: 'Sou um camponês de Hsin Chou de Kwangtung. Viajei muito para vos prestar homenagem e não peço nada senão o Budado'. 'És um natural de Kwangtung, um bárbaro? Como esperas te tornar um Buda?', disse o Patriarca. Respondi: 'Embora haja homens do norte e do sul, o norte e o sul não fazem diferença para a sua natureza de Buda'. Um bárbaro fisicamente difere de Vossa Santidade, mas não há diferença em nossa natureza de Buda' ".

Hongren imediatamente o colocou a trabalhar na cozinha, onde permaneceu por oito meses. Um dia, Hongren anunciou: "O problema dos nascimentos incessantes é momentoso. Dia após dia, em vez de tentarem vos libertar deste triste mar do Samsara, parece que só vos preocupais com méritos impuros (os que causam o renascer). Mas méritos não serão de ajuda se vossa Essência Mental for obscura. Procurem Prajna (sabedoria) em vossas próprias mentes e então escrevam um gatha (verso) a respeito. Aquele cujo verso provar que entendeu a Essência da Mente receberá o manto e a tigela (os símbolos do Patriarcado), e o farei o Sexto Patriarca. Vão depressa e não tardem em escrever o verso, uma vez que a deliberação é desnecessária e inútil. Quem percebeu a Essência da Mente pode falar a respeito sem preparo, e não a perde de vista nem mesmo no meio de uma batalha."

Contudo, os discípulos acharam que não cabia escreverem nada, pois com certeza seu instrutor, o venerável Shenxiu, se tornaria o novo Patriarca. Assim, apenas Shenxiu escreveu um gatha, pressionado pela expectativa de seus irmãos menos instruídos. Mas ele não estava seguro sobre sua compreensão da Essência da Mente, e decidiu, por fim, escrever, durante a noite, um verso anônimo na parede do mosteiro, e declarar sua autoria apenas se Hongren aprovasse o gatha:

"O Corpo é a árvore de Bodhi,

mente é um espelho brilhante.

Com cuidado a limpamos continuamente,

sem deixar que o pó acumule".

Quando os outros discípulos viram este gatha na parede, ficaram excitados. Quando Hongren o viu, disse; "Pratiquem de acordo com este gatha e não cairão nos reinos do mal, recebendo grandes benefícios. Acendam incenso e prestem homenagem a este gatha, recitem-no e verão vossa natureza essencial". Todos os monges louvaram e memorizaram o gatha. Contudo, em privado, Hongren disse a Shenxiu: "Chegaste ao portão, mas ainda não entraste. Neste estágio de conhecimento, não tens a menor ideia do que seja a suprema mente de Bodhi, mas, ao ouvir minhas palavras, reconhecerás, de imediato, tua mente original, a natureza essencial, que é não nascida e imperecível. Vê-a claramente em todos os pensamentos, com a mente livre de obstáculos. Na Realidade Única, tudo é real, e os fenômenos são simplesmente o que são".

Então Hongren pediu que Shenxiu compusesse outro gatha que demonstrasse seu entendimento, mas ele não conseguiu formular nenhum verso. Mais tarde, ao ouvir um dos monges recitar o gatha de Shenxiu, Huineng percebeu que ele carecia de verdadeiro entendimento. Indo até um oficial do mosteiro, como não sabia escrever, pediu-lhe que escrevesse para ele um verso seu. O oficial surpreendeu-se, pois Huineng era um analfabeto, mas dizia querer compor um poema. Mas Huineng replicou: "Se buscas a suprema iluminação, não desprezes ninguém. As classes mais baixas podem ter grandes luzes, e as mais altas podem cometer atos tolos." Imediatamente, o oficial prestou homenagem a Huineng e escreveu o gatha solicitado na parede, que dizia:

"Bodhi não é uma árvore

nem a mente um espelho brilhante

Já que tudo é vazio em essência

onde pode o pó acumular?"

Então Huineng voltou para suas atividades na cozinha. Mas este gatha criou uma excitação ainda maior, todos diziam: "É inacreditável! Não se pode julgar uma pessoa por sua aparência! Talvez ele logo se torne um Bodhisattva!". O tumulto atraiu Hongren que, chegando e lendo o verso, disse: "Tampouco este percebeu a natureza essencial", e apagou-o com sua sandália.

Certa noite, Hongren recebeu Huineng em sua cela, e lhe expôs o Sutra do Diamante. Quando chegou à passagem que dizia para "usar a mente e ao mesmo tempo estar livre de qualquer apego", Huineng experimentou a iluminação, percebendo que todos os Darmas são inseparáveis da essência dos seres, e exclamou: 

"É maravilhoso que a natureza essencial seja originalmente pura!

É maravilhoso que a natureza essencial seja não nascida e imortal!

É maravilhoso que a natureza essencial seja inerentemente completa!

É maravilhoso que a natureza essencial nem se mova nem seja imóvel! 

É maravilhoso que todos os Dharmas procedam desta natureza essencial!"

Hongren continuou: "Se alguém reconhece a mente original e a natureza original, é chamado de um grande homem, um mestre dos deuses e dos homens, e um Buda", e lhe transmitiu o manto e a tigela como sinal do Selo do Dharma da Iluminação Súbita, dizendo-lhe para deixar o mosteiro e seguir para o sul.

Durante os 15 anos seguintes, Huineng permaneceu no anonimato, não revelando a ninguém que era o Sexto Patriarca. Depois, decidiu começar a receber discípulos, e transmitiu o Darma a 43 sucessores, extinguindo-se, com ele, o título oficial de Patriarca Zen.

Controvérsia

De acordo com a historiografia atual, Huineng era uma figura histórica obscura. Muitos acadêmicos questionam sua hagiografia, e especulam que sua história pode ter sido forjada em meados do século VIII por Shenhui, um sucessor de Huineng, para ganhar influência na corte imperial. Shenhui alegava que Huineng era o sucessor de Hongren, e não Shenxiu, que era considerado o sucessor oficial de Hongren.

Foi através da propaganda de Shen-hui (684-758) que Huineng (morto em 710) se tornou a proeminente até hoje figura de sexto patriarca do budismo zen/ch'an, e aceito como o fundador ou ancestral de todas as linhagens ch'an subsequentes... usando a vida de Confúcio como um modelo para sua estrutura, Shen-hui inventou uma hagiografia para a então altamente obscura figura de Huineng. Ao mesmo tempo, Shen-hui forjou uma linhagem de patriarcas zen para trás até Buda, usando ideias do budismo indiano e do culto chinês aos antepassados.

Em 745, Shenhui foi convidado a residir no templo Heze, em Luoyang. Em 753, ele caiu em desgraça e teve de deixar a capital rumo ao exílio. O mais proeminente sucessor em sua linhagem foi Guifeng Zongmi. De acordo com Zongmi, a abordagem de Shenhui foi sancionada oficialmente em 796, quando "uma comissão imperial determinou que a linha sulista do ch'an representava a transmissão ortodoxa e estabeleceu Shen-hui como o sétimo patriarca, colocando uma inscrição para esse efeito no templo Shen-lung".

Mumificação

O corpo mumificado de Huineng foi mantido no templo Nanhua, em Shaoguan (no norte de Guangdong). O corpo de Huineng foi visto pelo jesuíta Matteo Ricci, que visitou o templo em 1589. Ricci contou, aos seus leitores europeus, a história de Huineng (em uma versão um pouco alterada), descrevendo-o como uma espécie de asceta cristão. Ricci o chama de Liùzǔ ("o sexto patriarca").

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Referências:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Huineng

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Namastê buscadores!
"Cortella, costumava dizer aos filhos quando crianças: 
– Quando completarem 12 anos contarei o segredo da vida a vocês.
Quando o mais velho completou 12 anos, acordou
 o pai todo ansioso para saber o segredo da vida. 
O pai disse:
- Contarei, mas, você não poderá revelar aos seus irmãos.
Eis o segredo: 
– Vaca não dá leite.
- Hã?
– Vaca não dá leite. Você tem de tirar. Você precisa acordar 4 horas da manhã, ir ao pasto, entrar no curral cheio de fezes, amarrar rabo e pernas da vaca, sentar no banquinho e fazer o movimento certo! Esse é o segredo da vida. Vaca, búfala, cabra, não dão leite. Ou você tira ou não tem leite.
Existe uma geração que acha que vaca dá leite, ela acha que as coisas são automáticas.
Eu quero, eu peço, eu ganho.
A felicidade resulta do esforço. 
A ausência de esforço gera frustração.”
(Mário Sérgio Cortella)
Filósofo, escritor, educador, palestrante e professor brasileiro.
*  *  *
“A felicidade pode ser encontrada, 
mesmo nos tempos mais sombrios,
 se alguém apenas se lembrar de acender a luz.”
*
Não faz bem viver sonhando e se esquecer 
de viver; lembre-se disso.”
(Alvo Dumbledore, Harry Potter e a Pedra Filosofal)
*
Bons estudos!

quinta-feira, 10 de junho de 2021

 Om, shanti. 

"A arte é um dos meios que une os homens."

(Leon Tolstoi)

por Marco Aurélio Riesemberg Hundsdorfer

Arte em Movimento


 Namastê buscadores!
Bons estudos!
Como a Arte pode ajudar no Meio Ambiente?

A arte pode ajudar no meio ambiente de diversas formas, em especial, ao trabalhar na conscientização da importância de preservação ao meio ambiente. Assim como na divulgação de medidas de proteção aos recursos naturais.

Arte é uma atividade humana que se relaciona às manifestações estéticas, realizadas por artistas ao usar suas emoções, ideias e percepções. Tem o objetivo de provocar o estímulo a consciência dos espectadores e público.

Qual o significado da arte para a natureza?

A resposta está na arte ambiental, um movimento praticado por artistas de diferentes áreas que converte a natureza em sua inspiração — ou matéria-prima — para nos transmitir sua beleza e incentivar sua preservação.

A arte ambiental nos leva a refletir sobre as consequências de nossos atos sobre o planeta.

(https://brainly.com.br/tarefa)

Qual a importância da arte nas questões ambientais?

Os principais objetivos da arte ambiental são: Conscientizar dos perigos que espreitam o planeta e promover sua conservação. Reforçar a comunicação e a participação cidadã na defesa da natureza. Incentivar o compromisso político contra o aquecimento global e seus efeitos.

(https://www.iberdrola.com/cultural/arte-ambiental)

A primavera silenciosa 

de Rachel Carson

Memória Iluminada

Edição 119 - Publicado em: 18/09/2019

por Revista Ecológico

O nome é Rachel Louise Carson. Pouca gente a conhece fora dos círculos acadêmicos, mas ela foi a bióloga e escritora responsável pela maior revolução ecológica dos Estados Unidos e do mundo, quando lançou o livro “Primavera Silenciosa” (Silent Spring), em outubro de 1962. Apesar do título poético – uma referência ao silêncio dos pássaros mortos pela contaminação dos agrotóxicos –, nunca um livro fez tanto barulho a favor do meio ambiente. No primeiro capítulo, “Uma Fábula para o Amanhã”, a autora descreve, liricamente, um lugar onde as árvores não davam folhas, os animais morriam, os rios contaminados não tinham peixes e, principalmente, os pássaros que cantavam na primavera haviam sumido. Mas, nos 16 anos seguintes, Carson, de maneira demolidora, explicou e denunciou o perigo dos pesticidas (...).

Sempre lutando, a escritora discursou no Congresso americano em 1963, onde pediu novas políticas destinadas a proteger a saúde humana e o meio ambiente. Morreu na primavera de 1964, aos 57 anos, de câncer de mama. Posteriormente, verificou-se que, ironicamente, a causa pode ter sido a sua demasiada exposição às substâncias químicas tóxicas. “Portanto, num certo sentido, ‘Primavera Silenciosa’ foi escrito literalmente para sua vida”, comenta Al Gore. Em 1972, o uso do DDT foi proibido nos Estados Unidos, e a revista Time a incluiu na lista das 100 pessoas mais influentes do século XX. Em 1992, um grupo de escritores americanos elegeram “Primavera Silenciosa” como o livro mais influente dos últimos 50 anos naquele país e no mundo.

Em 2000, a Escola de Jornalismo de Nova York consagrou a obra como uma das maiores reportagens investigativas do século XX. Seis anos depois, o jornal britânico The Guardian escolheu Rachel Carson para o primeiro lugar na lista das cem pessoas que mais contribuíram para a defesa do meio ambiente de todos os tempos. A Ecológico selecionou, aqui, trechos em que a cientista fala sobre os animais, a natureza, os pesticidas e a contaminação do meio ambiente.

Ironia

“Arriscar tanto nos nossos esforços destinados a moldar a natureza de acordo com a nossa satisfação e a nossa conveniência e, ainda assim, acabar fracassando sem atingir o objetivo seria, na verdade, a ironia final. A verdade, raramente mencionada, mas existente, para ser vista por qualquer pessoa que deseje vê-la, é que a natureza não é facilmente moldável, e que os insetos estão encontrando caminhos para contornar os nossos ataques contra eles.”

Darwin

“Se Darwin estivesse vivo nos dias de hoje, o mundo dos insetos o encantaria e desconcertaria com as confirmações relacionadas às teorias que ele elaborou, a propósito da sobrevivência do mais adaptado. Sob os efeitos venenosos da pulverização intensiva dos inseticidas, os membros fracos das populações de insetos estão sendo varridos da existência.”

Insetos

“Muito antes da idade do homem, os insetos já habitavam a Terra, compondo um grupo de seres extraordinariamente variados e adaptáveis. No curso do tempo, a contar do advento do homem, uma pequena percentagem de mais de meio milhão de espécies de insetos entrou em conflito com o bem-estar humano por duas formas principais: como competidores no consumo do abastecimento de comida e como transmissores de doenças.”

Radiação

“A radiação, agora, não é mais apenas a radiação de plano secundário, das rochas; nem é mais o bombardeio dos raios cósmicos, e menos ainda dos raios ultravioleta do sol, que já existiam antes que houvesse qualquer forma de vida sobre a Terra. A radiação, agora, é a criação não natural dos malfazeres do homem com o átomo.”

Pesticidas

“A partir de meados de 1940, mais de 200 substâncias químicas, de ordem básica, foram criadas para uso e matança dos insetos, de ervas daninhas, de roedores e de outros organismos que, no linguajar moderno, são descritos como ‘pestes’ ou ‘pragas’, e elas são vendidas sob milhares de denominações diferentes de marcas. Estes borrifos, estes pós e aerossóis são agora aplicados quase universalmente em fazendas, jardins, florestas e residências.”

“São substâncias químicas não seletivas, que têm poder para matar toda espécie de insetos, tantos os ‘bons’ como os ‘maus’. Têm poder para silenciar o canto dos pássaros e deter o pulo dos peixes na correnteza; para revestir as folhas das plantas com uma película mortal e para perdurar, embebidas no solo.”

Biocidas

“Pode alguém imaginar que seja possível instituir semelhante barragem de venenos sobre a superfície da Terra, sem torná-la inadequada para a vida toda? Tais substâncias não deveriam ser denominadas de ‘inseticidas’ e, sim, de biocidas.”

DDT

“O DDT (Dicloro-difenil-tricloro-etano) foi sintetizado pela primeira vez por um químico alemão em 1874, mas as suas propriedades, como inseticida, só foram descobertas em 1939. Quase que imediatamente, foi saudado como o recurso para a eliminação das doenças transmitidas por insetos, e para ganhar, da noite para o dia, a guerra dos agricultores contra os destruidores de colheita. O DDT é tão universalmente usado que, para a maior parte das pessoas, o produto assume aspecto familiar de coisa inofensiva.”

“Os efeitos no homem, onde já são conhecidos, demonstraram ser destruidores. Para além desses, encontra-se perspectiva ainda mais avassaladora dos danos que só podem ser detectados no fim de longos anos, e dos possíveis efeitos genéticos que não podem ser conhecidos durante gerações.”

“A partir de quando o DDT foi colocado à disposição do uso civil, um processo em escala industrial está em marcha. Isto aconteceu porque os insetos, numa reivindicação triunfante do princípio de Darwin, relativo à sobrevivência dos mais fortes e mais adaptados, desenvolveram super-raças imunes aos efeitos do inseticida em particular usado contra eles; daí resultou a necessidade de se prepararem substâncias químicas ainda mais mortíferas – cada vez mais letais – e, depois, outras, ainda mais propiciadoras da morte.”

Futuro

“Temos permitido que as mencionadas substâncias químicas sejam usadas sem que haja investigação alguma, ou apenas uma investigação insuficiente, quanto aos seus efeitos sobre o solo, a água, sobre a vida dos animais silvestres e também sobre o próprio homem. As gerações futuras não perdoarão, com toda probabilidade, a nossa falta de prudente preocupação a respeito da integridade do mundo natural que sustenta a vida toda.”

“Em áreas cada vez mais amplas dos Estados Unidos, a primavera agora surge sem ser anunciada pelo regresso dos pássaros. As madrugadas também se apresentam estranhamente silenciosas nas regiões em que outrora se enchiam da beleza do canto deles. Este súbito silenciar da canção dos pássaros (...) se estabeleceu depressa, insidiosamente, sem ser notado por aqueles cujas comunidades estão sendo por ora afetadas.”

Civilização

“A questão consiste em saber se alguma civilização pode levar adiante uma guerra sem tréguas contra a vida, sem se destruir a si mesma e sem perder o direito de ser chamada de ‘civilização’(...) Temos pela frente um desafio como nunca: a humanidade teve de provocar nossa maturidade e nosso domínio, não da natureza, mas de nós mesmos.”

Quem é ela?

Escritora, cientista bióloga e ecologista norte-americana, nasceu em 1907, na cidade de Springdale, no estado da Pensilvânia. E, desde a infância- influenciada pela mãe- se interessava pela natureza. Em 1929, graduou-se na Pensilvânia College for Women, estudou na Woods Hole Marine Biological Laboratory e depois formou-se em Zoologia pela Universidade Johns Hopkins, em 1932. Foi contratada pelo governo americano para escrever boletins para a rádio durante a Depressão e também escrevia artigos sobre história natural para o Jornal Baltimore Sun. Em 1936, torna-se editora–chefe de todas as publicações do renomado U.S. Fish e Wildlife (Departamento de Pesca e Vida Selvagem). Suas primeiras publicações foram sobre os estudos das espécies e seres vivos que habitavam os mares e oceanos como: Under The Sea Wind (Sob o Vento do Mar – 1941), The Sea Around Us (O Mar Que Nos Rodeia – 1951), que foi sucesso nacional e internacional e foi traduzido para 30 idiomas.

Saiba mais

www.rachelcarson.org

Fonte: http://revistaecologico.com.br/revista/edicoes-anteriores/edicao-119/a-primavera-silenciosa-de-rachel-carson/