Fé é semente oculta no silêncio da terra,
Mistério guardado na câmara do peito.
Não grita; sussurra.
Não exige; desperta.
É chama velada no altar do íntimo,
Rosa ainda cerrada ao sopro do mundo,
Esperando o instante secreto
Em que o sol da consciência a convoque a ser.
No invisível ela trabalha.
Bebe da fonte da confiança,
Alimenta-se da entrega serena,
E da constância que não vacila
Mesmo quando a noite é espessa.
Cada gesto fiel é orvalho.
Cada intenção pura, adubo sagrado.
Cada queda superada, raiz que se aprofunda.
Então, sem alarde, ela se abre.
Pétala por pétala,
Como quem revela um mistério antigo
Ao iniciado que aprendeu a esperar.
Seu perfume não é aroma; é presença.
Não se vê, mas transforma.
Não se impõe, mas sustenta.
E quando floresce plenamente,
Não é apenas flor...
É ponte entre o humano e o eterno,
É harmonia pulsando na matéria,
É vida reconhecendo a própria origem.
Fé não nasce pronta:
É caminho que se cultiva.
E todo coração que a guarda
Torna-se jardim
Onde o invisível aprende a florescer.
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