Trabalho filantrópico para o bem comum: SOMOS UM TODO CHAMADO AMOR. “Seja um estudante, não um seguidor… debata, pondere e considere de todos os ângulos.” (Jim Rohn). Aqui, toda leitura que gera consciência pode se tornar semente, e, quando compartilhada, amplia o bem. Este espaço não busca números, mas alcance de consciência. Se fizer sentido para você, compartilhe.
sexta-feira, 10 de outubro de 2025
domingo, 5 de outubro de 2025
Schubert, Trio No. 2, Op. 100,
Andante con moto
*
No sopro calmo do piano em bruma,
Schubert sussurra o que a alma escuta —
não há dor, só a forma mais pura
do tempo que dentro de nós flutua.
Cada acorde, um espelho velado,
onde o eu se dissolve, encantado;
e o silêncio — tão cheio de essência —
é abrigo, é pausa, é consciência.
Na melodia que em si se encerra,
ressoa o céu, o abismo, a terra.
E no compasso que tudo conduz,
a alma caminha de volta à luz.
Namastê, buscadores!

O Livro e a Memória dos Muitos
Ler é sair de si, rasgar o instante,
Viajar sem mover o corpo ao chão,
Tocar o eterno, o santo e o profano,
Num mundo que se dobra em cada mão.
A página é espelho e abismo aberto,
Mistura de silêncio e explosão.
O tempo curva, o espaço se faz perto —
O olhar desperta a alma da prisão.
Há feitiço que, lido sem alma,
Se volta contra quem ousa decifrá-lo.
Versos tomados sem rito viram sombra no espírito.
Nem todo verbo é cura —
Há os que, mal evocados, sangram em silêncio.
Ou seja:
Ler sem reverência é sorver oráculo em taça rachada.
Mas há sabor nas frases escolhidas
Por quem lê com sede verdadeira.
Ler é rito, é brasa antiga em chama,
Guardada em rochas, runas, papiros, telas;
É o sussurro dos deuses entre páginas quietas,
É a alma do mundo que em nós se derrama.
O livro é um portal — não fuga, mas retorno:
A si, ao outro, ao Todo que pulsa oculto.
Cada palavra é um astro em seu contorno,
Cada parágrafo, um oráculo adulto.
Quem lê com o espírito aberto
Ouve vozes que o tempo não cala:
A dor dos que vieram,
O sonho dos que virão,
E a centelha sagrada que tudo embala.
Na leitura, o humano se refaz e se descobre:
Não mais bicho apenas — mas símbolo, ponte, busca.
Um ser que ama, pensa, duvida, se encanta;
Onde o barro vira estrela,
E a dúvida, dança.
Ler não é só saber — é ser.
É expandir os limites da pele e do nome,
É morrer por instantes, renascer outro:
Mais vasto, mais livre — menos homem, mais cosmos.
Ler é magia que nos salva do esquecimento,
É o eco do infinito querendo ser dito,
E o humano, finito, buscando o eterno.
O livro não guarda só o que um pensa,
Mas o que muitos foram —
O que um povo sonhou,
O que a dor calou,
O que a esperança escreveu à beira do abismo.
Na tinta repousa o grito dos silenciados,
E na margem, a presença dos esquecidos.
Cada página é eco que atravessa séculos,
Cada frase, um fio da tapeçaria humana.
Ler é mais que um ato íntimo —
É participar de uma vigília ancestral.
É sentar-se junto ao fogo dos antigos,
Ouvir as histórias que moldaram os nomes,
E manter viva a memória que o tempo tenta apagar.
Pois, quando um livro se abre,
Mil vozes se levantam:
Vozes que não morrem enquanto forem lidas.
E o leitor se torna ponte,
Arquivo vivo,
Cúmplice da eternidade.
Quem lê com o coração atento
Carrega mais que palavras:
Carrega os séculos nos ombros,
Os exílios nos olhos,
As revoluções nas entrelinhas.
E, no gesto silencioso de folhear,
Há um pacto sagrado:
Lembrar,
Honrar,
Transmitir.
Livro é, acima de tudo, um espelho coletivo.
Não reflete apenas quem escreve,
mas conserva os traços, feridas e visões de civilizações inteiras.
Em cada biblioteca repousa o coração da história humana —
suas glórias, suas quedas, sua busca por sentido.
Ler é continuidade:
não apenas recebemos o passado — o reativamos.
Que a chama do verbo siga acesa.
sexta-feira, 26 de setembro de 2025
Namastê, buscadores!

O Altar e a Voz
Diz-se que, além dos confins do tempo visível, há uma terra onde o céu nunca se repete e os rios correm em ambas as direções.
Lá, os montes flutuam sobre as brumas, e as estrelas dormem nas raízes das árvores.
Ali caminhava alguém — sem nome, sem memória, sem destino.
Esse ser, que já foi luz e sombra, percorria caminhos esquecidos...
Carregava nos olhos um cansaço antigo e, no peito, um vazio que nem os cânticos dos ventos conseguiam preencher.
Buscava... algo. Ou alguém. Talvez uma resposta. Talvez um lar. Talvez a si mesmo.
Durante eras, atravessou desertos de silêncio, onde até os pensamentos se calavam; atravessou pontes feitas de saudade e passou por cidades onde as pessoas falavam alto para não ouvirem o que vinha de dentro.
Por muito tempo, acreditou que a solidão era castigo — um exílio imposto pelos astros, ou um erro no fio da criação.
Mas então chegou à Floresta das Mil Camadas.
Diz-se que essa floresta cresce entre mundos e só se revela a quem já desistiu de procurar fora.
Ali, cada árvore guarda uma alma adormecida. Cada folha é uma memória. Cada som, uma lembrança de algo esquecido.
Ao entrar, o viajante sentiu algo diferente — não medo, mas uma reverência silenciosa, como quem entra num templo que respira.
Quanto mais avançava, mais o mundo à sua volta se desfazia: o tempo se descolava dos minutos, as formas tremulavam como fumaça, e o próprio corpo parecia se desfazer em poeira de estrelas.
No centro da floresta, encontrou uma árvore que não fazia sombra. Ela era antiga como o primeiro pensamento.
Suas raízes mergulhavam em si mesmas. E havia nela um pulsar — como o de um coração. Ali, sentou-se. E, pela primeira vez, não pediu respostas. Apenas ouviu.
No começo, nada. Depois, um sussurro. E então, uma voz — igual à dele, mas mais antiga, mais profunda:
“Eu estive aqui o tempo todo.”
“Esperando você voltar.”
O som não veio de fora, mas de um lugar além do dentro. Era a seiva. Era a raiz. Era o que ele havia abandonado ao se tornar só aparência, só movimento.
Chorou. As lágrimas caíam como chuva sobre terra seca. E a floresta chorava com ele — não por tristeza, mas por reconhecimento.
Naquele instante, compreendeu: A solidão não era ausência de companhia, mas a distância entre ele e o que nele sempre foi inteiro.
Ali, no silêncio entre um pensamento e outro, reconheceu-se como parte da árvore, do chão, da estrela caída. E, pela primeira vez, não teve pressa de partir.
Permaneceu.
Não como viajante.
Mas como altar.
E quando, tempos depois, outros perdidos chegaram à Floresta das Mil Camadas, diz-se que encontraram uma árvore que não fazia sombra, mas oferecia abrigo.
E que, se ouvirem com atenção, ainda poderão escutar o eco da seiva dizendo:
“Voltar é sempre possível.
Porque dentro de ti, alguém ainda te espera.”

Entre Mundos, Dentro de Si
Embora em mim o silêncio se demore,
e eu mesmo a mim pareça tão ausente,
há algo em mim que pulsa e não se morre —
um lume oculto, brando e persistente.
No vão da alma, a dor também socorre,
pois nela nasce a escuta mais consciente;
quem desce ao fundo, mesmo quando escorre,
descobre a paz no ser que não se mente.
Não é vazio — é ventre de esperança,
um chão sagrado abrindo em cada passo,
onde o amor, sem pressa, já se lança.
E então compreendo: o tempo é o abraço
que a alma dá em si mesma, como criança
que enfim retorna ao lar do seu cansaço.





