quarta-feira, 10 de julho de 2024

 Om shanti, om...


Meditemos!

"Pronunciar uma palavra é evocar um pensamento e torná-lo presente: a potência magnética da fala humana é o início de toda manifestação no Mundo Oculto."

(Helena Petrovna Blavatsky)
Reflexionemos juntos, buscadores!
É preciso educar os educadores 
– Edgar Morin

Por Revista Prosa Verso E Arte

“A educação não pode ignorar a curiosidade das crianças”
– Edgar Morin

Mudanças profundas ocorreram em escala mundial nas últimas décadas do século 20, entre elas o avanço da tecnologia de informação, a globalização econômica e o fim da polarização ideológica nas relações internacionais.

Diante desse cenário, o sociólogo francês Edgar Morin..., defende que a maior urgência no campo das ideias não é rever doutrinas e métodos, mas elaborar uma nova concepção do próprio conhecimento. No lugar da especialização, da simplificação e da fragmentação de saberes, Morin propõe um dos conceitos que o tornaram um dos maiores intelectuais do nosso tempo: o da complexidade.

Em entrevista, o pensador critica o modelo ocidental de ensino que, segundo ele, separa os conhecimentos artificialmente através das disciplinas. Para Morin, as disciplinas fechadas ensinam o aluno a ser um indivíduo adaptado à sociedade, mas impedem a compreensão dos problemas do mundo e de si mesmo.

Na sua opinião, como seria o modelo ideal de educação?
A figura do professor é determinante para a consolidação de um modelo “ideal” de educação. Através da Internet, os alunos podem ter acesso a todo o tipo de conhecimento sem a presença de um professor.

Então eu pergunto, o que faz necessária a presença de um professor? Ele deve ser o regente da orquestra, observar o fluxo desses conhecimentos e elucidar as dúvidas dos alunos. Por exemplo, quando um professor passa uma lição a um aluno, que vai buscar uma resposta na Internet, ele deve posteriormente corrigir os erros cometidos, criticar o conteúdo pesquisado.

É preciso desenvolver o senso crítico dos alunos. O papel do professor precisa passar por uma transformação, já que a criança não aprende apenas com os amigos, a família, a escola. Outro ponto importante: é necessário criar meios de transmissão do conhecimento a serviço da curiosidade dos alunos. O modelo de educação, sobretudo, não pode ignorar a curiosidade das crianças.

Quais são os maiores problemas do modelo de ensino atual?
O modelo de ensino que foi instituído nos países ocidentais é aquele que separa os conhecimentos artificialmente através das disciplinas. E não é o que vemos na natureza. No caso de animais e vegetais, vamos notar que todos os conhecimentos são interligados. E a escola não ensina o que é o conhecimento, ele é apenas transmitido pelos educadores, o que é um reducionismo.

O conhecimento complexo evita o erro, que é cometido, por exemplo, quando um aluno escolhe mal a sua carreira. Por isso eu digo que a educação precisa fornecer subsídios ao ser humano, que precisa lutar contra o erro e a ilusão.

O senhor pode explicar melhor esse conceito de conhecimento?
Vamos pensar em um conhecimento mais simples, a nossa percepção visual. Eu vejo as pessoas que estão comigo, essa visão é uma percepção da realidade, que é uma tradução de todos os estímulos que chegam à nossa retina. Por que essa visão é uma fotografia? As pessoas que estão longe são pequenas, e vice-versa. E essa visão é reconstruída de forma a reconhecermos essa alteração da realidade, já que todas as pessoas apresentam um tamanho similar.

Todo conhecimento é uma tradução, que é seguido de uma reconstrução, e ambos os processos oferecem o risco do erro. Existe outro ponto vital que não é abordado pelo ensino: a compreensão humana.

O grande problema da humanidade é que todos nós somos idênticos e diferentes, e precisamos lidar com essas duas ideias que não são compatíveis.

A crise no ensino surge por conta da ausência dessas matérias que são importantes ao viver. Ensinamos apenas o aluno a ser um indivíduo adaptado à sociedade, mas ele também precisa se adaptar aos fatos e a si mesmo.

O que é a transdisciplinaridade, que defende a unidade do conhecimento?
As disciplinas fechadas impedem a compreensão dos problemas do mundo. A transdisciplinaridade, na minha opinião, é o que possibilita, através das disciplinas, a transmissão de uma visão de mundo mais complexa.

O meu livro O homem e a morte é tipicamente transdisciplinar, pois busco entender as diferentes reações humanas diante da morte através dos conhecimentos da pré-história, da psicologia, da religião. Eu precisei fazer uma viagem por todas as doenças sociais e humanas, e recorri aos saberes de áreas do conhecimento, como psicanálise e biologia.

Como a associação entre a razão e a afetividade pode ser aplicada no sistema educacional?
É preciso estabelecer um jogo dialético entre razão e emoção. Descobriu-se que a razão pura não existe. Um matemático precisa ter paixão pela matemática. Não podemos abandonar a razão, o sentimento deve ser submetido a um controle racional.

O economista, muitas vezes, só trabalha através do cálculo, que é um complemento cego ao sentimento humano. Ao não levar em consideração as emoções dos seres humanos, um economista opera apenas cálculos cegos. Essa postura explica em boa parte a crise econômica que a Europa está vivendo atualmente.

A literatura e as artes deveriam ocupar mais espaço no currículo das escolas? Por quê?
Para se conhecer o ser humano, é preciso estudar áreas do conhecimento como as ciências sociais, a biologia, a psicologia. Mas a literatura e as artes também são um meio de conhecimento.

Os romances retratam o indivíduo na sociedade, seja por meio de Balzac ou Dostoiévski, e transmitem conhecimentos sobre sentimentos, paixões e contradições humanas. A poesia é também importante, nos ajuda a reconhecer e a viver a qualidade poética da vida. As grandes obras de arte, como a música de Beethoven, desenvolvem em nós um sentimento vital, que é a emoção estética, que nos possibilita reconhecer a beleza, a bondade e a harmonia. Literatura e artes não podem ser tratadas no currículo escolar como conhecimento secundário.

Qual a sua opinião sobre o sistema brasileiro de ensino?
O Brasil é um país extremamente aberto a minhas ideias pedagógicas. Mas, a revolução do seu sistema educacional vai passar pela reforma na formação dos seus educadores. É preciso educar os educadores. Os professores precisam sair de suas disciplinas para dialogar com outros campos de conhecimento. E essa evolução ainda não aconteceu. O professor possui uma missão social, e tanto a opinião pública como o cidadão precisam ter a consciência dessa missão.

Fonte: Fronteiras do Pensamento|O Globo (2017)
Para pensarmos:
"Nossos sistemas de ideias (teorias, doutrinas, ideologias) estão não apenas sujeitos ao erro, mas também protegem os erros e ilusões neles inscritos."
(Edgar Morin)
*
O erro deve ser aceito e não punido?
Edgar Morin: "Todo erro deve ser analisado, entendido: é uma oportunidade extraordinária de progredir. A escola ensina muitas certezas, mas ninguém explica às crianças que a vida é feita sobretudo de incertezas: saúde, economia, guerras. Já no ensino fundamental as crianças devem ser educadas para a incerteza, que faz parte da existência, e devem ser capazes de reconhecer erros e ilusões. A melhor forma de fazer isso é ter uma abordagem multidisciplinar do conhecimento."
*
Perseveremos!

domingo, 7 de julho de 2024

Om shanti, buscadores!

 "Que o homem, tendo regressado a si mesmo,

 considere o que ele é comparado com o que existe.

Que ele se considere um peregrino nesse instante terreno da natureza. E que, a partir desta estreita prisão (o universo) , aprenda a avaliar com juízo correto... 

a terra, os reinos, as cidades e a si mesmo." 

Blaise Pascal (1623 - 1662)

Por Rosacruz Áurea

*

Perseveremos!

sexta-feira, 5 de julho de 2024

Om shanti, buscadores!

"A experiência é uma lanterna dependurada nas costas 

que apenas ilumina o caminho já percorrido."

(Confúcio)

  por Marcus Viana
Marcus Viana - Francisco de Assis 
*

"Quase moribundo, compôs Francisco

 o Cântico das criaturas:


Altíssimo, onipotente, bom Senhor,

Teus são o louvor, a glória, a honra

E toda a benção.

Só a ti, Altíssimo, são devidos;

E homem algum é digno

De te mencionar.

Louvado sejas, meu Senhor,

Com todas as tuas criaturas,

Especialmente o Senhor Irmão Sol,

Que clareia o dia

E com sua luz nos alumia.

E ele é belo e radiante

Com grande esplendor:

De ti, Altíssimo é a imagem.

Louvado sejas, meu Senhor,

Pela irmã Lua e as Estrelas,

Que no céu formaste claras

E preciosas e belas.

Louvado sejas, meu Senhor,

Pelo irmão Vento,

Pelo ar, ou nublado

Ou sereno, e todo o tempo

Pela qual às tuas criaturas dás sustento.

Louvado sejas, meu Senhor,

Pela irmã Água,

Que é mui útil e humilde

E preciosa e casta.

Louvado sejas, meu Senhor,

Pelo irmão Fogo

Pelo qual iluminas a noite

E ele é belo e jucundo

E vigoroso e forte.

Louvado sejas, meu Senhor,

Por nossa irmã a mãe Terra

Que nos sustenta e governa,

E produz frutos diversos

E coloridas flores e ervas.

Louvado sejas, meu Senhor,

Pelos que perdoam por teu amor,

E suportam enfermidades e tribulações.

Bem aventurados os que sustentam a paz,

Que por ti, Altíssimo, serão coroados.

Louvado sejas, meu Senhor,

Por nossa irmã a Morte corporal,

Da qual homem algum pode escapar.

Ai dos que morrerem em pecado mortal!

Felizes os que ela achar

Conformes á tua santíssima vontade,

Porque a morte segunda não lhes fará mal!

Louvai e bendizei a meu Senhor,

E dai-lhe graças,

E servi-o com grande humildade.

(Francisco)


quarta-feira, 3 de julho de 2024

Shalom!

"Seja mentalmente flexível. 
A força não está em ser firme e forte, mas sim em ser flexível. […].
Reúna a força que habita numa leve brisa.
A vida é estranha, tantas coisas acontecem inesperadamente
 que a mera resistência não resolve nenhum problema.
Precisamos de flexibilidade infinita e de um coração simples...
Devemos trilhar este caminho com o máximo cuidado e sabedoria flexível." 

Jiddu Krishnamurti - 
"Cartas para um Jovem" 
por Rosacruz Áurea 
por Lúdicos 
Canto de Gratidão 
*
Letra:
"... Deus esteja em toda casa
Onde houver um bom plantador
Na chuva que traz a vida
Na dura lição aprendida
Na cura da flor ferida
Na jura fiel de amor

Deus que seja nossa casa
Morada da guarnição
No manto de tua asas
Que o mal tenha redenção
Derrama por todo ninho
Centelhas do seu carinho
E as bençãos do seu perdão

Deus que eu veja vossa casa
Na luz de uma explicação
Na beleza da verdade
Na justiça, na bondade
Na vitória da amizade
Na força da união

Deus esteja nesta casa
Na graça de uma canção
Em verso, em rima, em prosa
Em flores, em lírio em rosa
Na presença da mãe gloriosa
Num canto de louvação

Vim pra dizer gratidão
Por todo amor semeado
Por todo bem bem plantado
Por ser mais um nesse chão

Por ver a luz que alumia
De Deus e a virgem Maria iluminando o salão
Por toda mão estendida
Toda palavra amiga alegrando meu viver
E digo em sinceridade
A minha felicidade é ver a flor da amizade a cada amanhecer

Todo dia é dia de plantar e de colher
Todo dia é dia de louvar e agradecer
Todo santo dia a gente canta a santa lei
Hoje é o santo dia de louvar o santo rei
Vim pra dizer gratidão"

Fonte: LyricFind
Gratidão!

domingo, 30 de junho de 2024

Reflexionemos juntos, buscadores!

“Saber que não se sabe constitui, talvez, 
o mais difícil e delicado saber”.

Reconhecendo nossas limitações, aceitar que sabemos algo
 como uma gota de água em um oceano imenso é essencial.

O que realmente sabemos? 

Quem acha que sabe tudo não vai além, porque é impedido pela sua arrogância. Por outro lado, quem aceita humildemente a sua ignorância aproxima-se do próximo passo para continuar a descobrir tudo o que o rodeia.

Ortega y Gasset reafirma que a vida é realidade radical que nasce da relação entre o eu e a circunstância. Tema central de todos os seus estudos, desde Meditaciones del Quijote, a novidade expressa no livro, conforme sintetiza Amoedo (2002, p. 257) 

Esta afinidade artística é espírito de uma época que, como bem observou Ortega, criou uma ruptura com a arte tradicional. Uma das ferramentas operacionalizadoras desta ruptura foi a tentativa de eliminação dos sentimentos privados do conteúdo da obra de arte e a subsequente tendência para a abstração..."
por Full Life
EL TOP 10, ...
*
Explique a frase:
 "JUNTOS SOMOS MAIS FORTES"

"A frase destaca a importância da cooperação e colaboração entre as pessoas.

Quando indivíduos se unem em prol de um propósito comum, eles combinam suas forças e superam limitações individuais.

A diversidade de perspectivas e talentos enriquece o processo de resolução de problemas, permitindo uma abordagem mais abrangente e criativa.

A sinergia gerada pela colaboração fortalece a eficácia do grupo, tornando-o mais resiliente e capacitado para enfrentar os desafios que surgem."

#SPJ2
(antoniopedro2284)


 Namastê buscadores!

‘Como ensinar’,
 uma extraordinária crônica 
de Rubem Alves
por Revista Prosa Verso e Arte

Rubem Alves e a sua alma de educar, 
a delicadeza, o amor e o cuidado no ensinar.

Eis a crônica:
Como ensinar

Se eu fosse ensinar a uma criança a arte da jardinagem, não começaria com as lições das pás, enxadas e tesouras de podar. Eu a levaria a passear por parques e jardins, mostraria flores e árvores, falaria sobre suas maravilhosas simetrias e perfumes; a levaria a uma livraria para que ela visse, nos livros de arte, jardins de outras partes do mundo. Aí, seduzida pela beleza dos jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar.

Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe falaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes.

Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitura, não começaria com as letras e as sílabas. Simplesmente leria as estórias mais fascinantes que a fariam entrar no mundo encantado da fantasia. Aí então, com inveja dos meus poderes mágicos, ela desejaria que eu lhe ensinasse o segredo que transforma letras e sílabas em estórias. É muito simples. O mundo de cada pessoa é muito pequeno. Os livros são a porta para um mundo grande. Pela leitura vivemos experiências que não foram nossas e então elas passam a ser nossas. Lemos a estória de um grande amor e experimentamos as alegrias e dores de um grande amor. Lemos estórias de batalhas e nos tornamos guerreiros de espada na mão, sem os perigos das batalhas de verdade. Viajamos para o passado e nos tornamos contemporâneos dos dinossauros. Viajamos para o futuro e nos transportamos para mundos que não existem ainda. Lemos as biografias de pessoas extraordinárias que lutaram por causas bonitas e nos tornamos seus companheiros de lutas. Lendo, fazemos turismo sem sair do lugar. E isso é muito bom.

Rubem Alves, no livro “Ostra feliz não faz pérola”. 
Editora Planeta, 2008.

Fonte: https://www.revistaprosaversoearte.com/como-ensinar-uma-extraordinaria-cronica-de-rubem-alves/?

sexta-feira, 14 de junho de 2024

Namastê buscadores!

"O educador deve olhar para a criança com a mais profunda reverência, sabendo que aqui se encontra um ser cuja a natureza é divina." 

(Rudolf Steiner)

O processo pedagógico Waldorf é uma preparação para o desenvolvimento necessário do ser humano da época atual, chamada de Época da Alma da Consciência, onde o ser humano deve caminhar, agir e pensar por si, em liberdade e consciente de suas escolhas. O que antes vinha da mente coletiva deve vir por escolha própria, onde assumo os papéis através do meu livre arbítrio e defino o meu destino através do reflexo de minhas ações, conduzida pela autonomia do meu pensamento.

É interessante que este é um processo evolutivo segundo Rudolf Steiner, em direção à individualização do ser humano, ao chamado "EU" da Antroposofia, que é o reflexo da parcela espiritual do ser humano. A pedagogia Waldorf é como uma iniciação moderna, onde são fortalecidas as capacidades superiores do ser humano para tal desenvolvimento.

Perceba que a autonomia do pensamento requer o desenvolvimento do pensar vivo, aquele que emana da própria individualidade do ser humano, que é diferente daquele da mera memorização, que é a repetição dos chamados "pensamentos mortos", que são extremamente potencializados na sociedade contemporânea, processo apontado por Steiner como movimentos de involução na evolução.

Na Pedagogia Waldorf temos uma preparação gradual da força do pensamento individual, que é estimulado em cada setênio:

1º setênio - imaginação: perceba na capacidade de fantasia e imaginação da criança pequena um mundo próprio emana do germe do pensamento individual, por exemplo ao narrar-se contos de fadas: ao não se apresentar imagens prontas como ilustrações ou desenhos animados, ao ouvir o conto, as crianças desenvolvem a capacidade de criar as próprias imagens interiormente - cada criança imagina sua própria princesa, seu próprio sapo, rei, dragão dentro de sua capacidade criativa interior. Quando apresenta-se as imagens prontas nas ilustrações ou desenhos animados, anula-se o processo interior de criação de tais imagens, gerando uma passividade interior e absorção de padrões exteriores prontos.

2º setênio - inspiração: os conteúdos são apresentados de forma que a criança tenha a capacidade de idealizar - (imaginar de maneira ideal) gerando um reflexo em seu interior de inspiração. É um aspecto essencial deixar-se a criança inspirar-se pela beleza do mundo - a palavra chave do segundo setênio é o mundo é belo. A beleza inspiradora deve refletir tanto esteticamente quanto no próprio mundo interior, na inspiração de ideais nobres e sublimes. Isso gera o exercício de criação das imagens ideais pelo próprio indivíduo inspiradas pelo conteúdo apresentado. O reflexo interior deste processo é expressado nas atividades artísticas do currículo.

3º setênio - intuição: aqui o jovem é estimulado a compreender a realidade do mundo, instigado a pensar verdadeiramente o mundo. Steiner indica que o jovem deve se interessar profundamente pelos enigmas do mundo, de forma que saio de si próprio e direcione seu pensamento autônomo para a verdade que se oculta nos processos da realidade. Aqui o pensamento crítico deve ser profundamente estimulado, o qual trará enormes benefícios ao indivíduo, especialmente se direcionado à busca essencial pela verdade do mundo. Por isso a necessidade de despertar o interesse do jovem, para que não se volte para dentro de si mesmo (o desinteresse pelo mundo pode se refletir numa mera busca de satisfação de impulsos pessoais e sensoriais). Aqui existe o contraponto na decoreba contemporânea dos conteúdos exigidos hoje, especialmente relacionado ao desafio do vestibular - onde a memorização e absorção de conteúdos prontos sem interferência da individualidade enfraquecem o pensamento vivo do indivíduo. Na educação tradicional este processo que já tem sua influência na educação contemporânea desde o 2º setênio, onde a repetição do conteúdo exposto é o foco de análise do desenvolvimento da criança e o ponto principal de avaliação (quanto melhor absorver as informações de forma passiva e repeti-las, melhor será a nota e mais inteligente será considerada a criança).

Não coincidentemente, a Antroposofia chama os três estágios de iniciação de imaginação, inspiração e intuição.

por Leonardo Maia

#pedagogiawaldorf #antroposofia #rudolfsteiner

 #infancia #maternidade #psicologia


Om shanti, om...   
por MenteCalma
*
“Reiki é a arte secreta de convidar a felicidade.”
 “A técnica (Reiki) tem por objetivo, primeiramente, a saúde da mente e, secundariamente, a saúde física. Fortalece a mente e o físico.” 
“Se a mente estiver no caminho correto e saudável,
 o corpo físico será fortalecido.”

quarta-feira, 12 de junho de 2024

"O Amor é uma força natural que leva os seres à sua totalidade, realizando na dimensão de cada um, o Mistério da unidade na pluralidade " (Jorge Angel Livraga)

 Om shanti!

"O AMOR DEVE SER SEMPRE O PONTO DE PARTIDA 
DE TODAS AS ASPIRAÇÕES E A ETAPA FINAL
 DE TODOS OS ANELOS HUMANOS..." 
(Joanna de Angelis) 
por Calmaria
*
"O Amor é uma força natural que leva os seres à sua totalidade, realizando na dimensão de cada um, o Mistério da unidade na pluralidade "
(Jorge Angel Livraga)
Nova Acrópole Mossoró 

Namastê buscadores!

Reflexionando:

DEGRAUS – HERMANN HESSE
(pintura de Vincent van Gogh)

Assim como as flores murcham
E a juventude cede à velhice,
Também os degraus da Vida,
A sabedoria e a virtude, a seu tempo,
Florescem e não duram eternamente.
A cada apelo da vida deve o coração
Estar pronto a despedir-se e a começar de novo,
Para, com coragem e sem lágrimas se
Dar a outras novas ligações.
Em todo o começo reside um encanto
Que nos protege e ajuda a viver

Serenos transponhamos o espaço após espaço,
Não nos prendendo a nenhum elo, a um lar;
Sermos corrente ou parada não quer o
espírito do mundo
Mas de degrau em degrau elevar-nos e aumentar-nos.
Apenas nos habituamos a um círculo de vida,
Íntimos, ameaça-nos o torpor;
Só aquele que está pronto a partir e parte
Se furtará à paralisia dos hábitos.

Talvez também a hora da morte
Nos lance, jovens, para novos espaços,
O apelo da Vida nunca tem fim …
Vamos, Coração, despede-te e cura-te!

*
Poesia original, em alemão:

Stufen

Wie jede Blüte welkt und jede Jugend
Dem Alter weicht, blüht jede Lebensstufe,
Blüht jede Weisheit auch und jede Tugend
Zu ihrer Zeit und darf nicht ewig dauern.
Es muß das Herz bei jedem Lebensrufe
Bereit zum Abschied sein und Neubeginne,
Um sich in Tapferkeit und ohne Trauern
In andre, neue Bindungen zu geben.
Und jedem Anfang wohnt ein Zauber inne,
Der uns beschützt und der uns hilft, zu leben.

Wir sollen heiter Raum um Raum durchschreiten,
An keinem wie an einer Heimat hängen,
Der Weltgeist will nicht fesseln uns und engen,
Er will uns Stuf’ um Stufe heben, weiten.
Kaum sind wir heimisch einem Lebenskreise
Und traulich eingewohnt, so droht Erschlaffen,
Nur wer bereit zu Aufbruch ist und Reise,
Mag lähmender Gewöhnung sich entraffen.

Es wird vielleicht auch noch die Todesstunde
Uns neuen Räumen jung entgegensenden,
Des Lebens Ruf an uns wird niemals enden …
Wohlan denn, Herz, nimm Abschied und gesunde
Poema de Hermann Hesse
Wikipédia

Stages é o título de um dos poemas filosóficos mais conhecidos de Hermann Hesse . Ele escreveu o poema em 4 de maio de 1941 após uma longa doença; foi originalmente intitulado “Transcend!” Em etapas, Hesse descreve a vida como um processo contínuo no qual cada fase “passada” da vida (espaço, estágio) é seguida por uma nova fase da vida.

Cada fase da vida, virtude e sabedoria é temporária e floresce em seu próprio tempo. Portanto, sempre que a vida chamar, as pessoas devem dizer adeus à antiga fase da vida com coragem e alegria e sem tristeza e ousar começar de novo. Ele também não deve se apegar a nenhuma das etapas da vida, pois o “espírito do mundo” não prevê para ele um estreitamento, mas sim uma expansão de etapa em etapa. Depois de encontrar o lar em um nível, você corre o risco de cair em um estado de relaxamento e paralisia. Este processo gradual não termina necessariamente com a morte porque a vida chama constantemente. Assim, as pessoas devem encarar a morte como uma recuperação, porque em última análise é apenas uma despedida de uma fase da vida.

Stages tem três versos de durações diferentes. O primeiro consiste em dez versos, o segundo em oito e o terceiro em quatro versos. Ao longo do poema há um pentâmetro iâmbico com cadência feminina; No entanto, devido aos numerosos (também difíceis) enjambements , ao estilo de gancho resultante e aos finais sonoros, o texto parece mais um texto épico. Este efeito é ainda reforçado pelo esquema de rima incomum : a primeira estrofe tem o esquema de rima [abacbcedeu]. Os versos são construídos de tal forma que o par de rimas do início e da rima final parece uma rima cruzada , enquanto os pares de rimas intermediários se assemelham a uma rima envolvente. A segunda estrofe consiste em duas frases, uma composta por uma rima envolvente e a segunda por uma rima cruzada. Na terceira estrofe há apenas uma rima envolvente.

O uso moderado de figuras estilísticas cria a impressão de um texto prosaico. No entanto, a linguagem é relativamente pictórica; Assim, em cada estágio da vida , a sabedoria e a virtude florescem . O poder do início é chamado de “mágica”, o espírito do mundo não cativa , mas eleva as coisas por etapas . As inversões isoladas devem-se à necessidade de rima e métrica (ex. “Só quem está pronto para partir e viajar”). No início há uma comparação em que o “desabrochar” da sabedoria e da virtude é análogo ao desabrochar e ao murchar de uma flor. Nos versículos 13 e 14 aparece uma antítese no par de palavras “estreitar” ↔ “alargar”. Em "o chamado da vida" há uma anástrofe ; na exclamação "Pois então, coração, diga adeus e tenha saúde! " Hesse baseia-se particularmente na poesia de Meister Eckhart no famoso verso “E há magia em cada começo”.

Usado no romance “The Glass Bead Game”

No romance de Hesse The Glass Bead Game , publicado em 1943, o poema é reproduzido na segunda parte dos escritos de Josef Knecht deixados no capítulo Os Poemas do Aluno e do Estudante . Assume um significado particular para todo o romance porque Hesse o permite acompanhar meditativamente a mudança decisiva na vida do “Magister Ludi” Josef Knecht no capítulo A Lenda . As linhas são

E em cada começo existe uma magia
que nos protege e nos ajuda a viver

expressamente citado e apresentado como decisivo para a saída de Knecht do cargo. Na conversa subsequente entre Knecht e seu amigo Tegularius, Hesse dá então uma interpretação detalhada do poema e também discute a mudança no título original, Transcendendo em Estágios . O poema pode, portanto, ser descrito como “essencial” para o desenho dramatúrgico do romance.

Hesse também usa a técnica de incorporar poemas em suas obras em prosa em outras obras, incluindo: nos romances Peter Camenzind e The Steppenwolf.

Steps foi o poema favorito de Alfred Biolek, que o prefaciou com sua biografia.

O poema lembra fortemente uma passagem da obra Human, All Too Human de Friedrich Nietzsche:

“Quem alcançou a liberdade de razão até certo ponto não pode sentir outra coisa senão um andarilho na terra - mesmo que não como um viajante em direção a um objetivo final: porque isso não existe. Mas ele quer observar e manter os olhos abertos para o que realmente está acontecendo no mundo; É por isso que ele não deve apegar-se demais a cada coisa ; Deve haver algo vagando dentro dele que se alegra com a mudança e a transitoriedade.”

- Friedrich Nietzsche: Humano, Demasiado Humano - Nona Peça Principal. Homem sozinho consigo mesmo. Nº 638: O Andarilho.

Referência:
https://de.m.wikipedia.org/wiki/Stufen

domingo, 2 de junho de 2024

Namastê buscadores!

Reflexionemos juntos:

1-"A causa primária de todas as dores do mundo
 é a falta de Amor."

2-"Interpretar não é compreender"?!

Qual a origem da palavra interpretar?

"Etimologicamente a palavra “interpretar” vem do latim “interpes”, que se referia à pessoa que examinava as entranhas de um animal para prever o futuro. Do ponto de vista da leitura, há um pressuposto interessante aqui: o significado daquilo que é lido não está na cabeça do interpres, do adivinho, mas contido no objeto."
Interpretar não é compreender:

Um estudo preliminar sobre a interpretação de texto
Vilson J. Leffa
Universidade Católica de Pelotas

Este texto parte da constatação de que interpretação de texto é um conceito mal compreendido por muitos pesquisadores, produtores de material didático e professores de língua portuguesa. Percebe-se uma confusão elementar entre interpretação e compreensão, muitas vezes apresentadas como sinônimas. Não é raro encontrar nos materiais distribuídos aos professores frases e expressões como “Interpretar é compreender”, 

“Dicas para compreender e interpretar textos”, dando a entender que os dois verbos fundem-se num mesmo e único significado. É também interessante notar que quando traduzimos o sintagma “interpretação de texto” para a língua inglesa temos a expressão “reading comprehension” (compreensão leitora), mais uma vez fazendo desaparecer a diferença entre uma e outra e até justificando a confusão como uma idiossincrasia da língua portuguesa; interpretação e compreensão seriam duas formas linguísticas distintas para um mesmo conceito.

Quando refletimos sobre os dois termos, no entanto, logo sentimos que eles não são intercambiáveis; há uma diferença irreconciliável entre eles, não permitindo que se use indiscriminadamente um no lugar do outro sem comprometer a comunicação. Posso dizer, por exemplo, que sei interpretar um texto, mas fica estranho afirmar que sei compreender um texto. Do mesmo modo, posso afirmar com naturalidade que ninguém me compreende, mas são raríssimas as situações em que caberia uma frase como “ninguém me interpreta”. Pode ser apenas um problema de preferência colocacional (cada termo aceita a companhia de algumas palavras e rejeita a companhia de outras) ou Interpretar não é compreender pode ser um problema mais sério, de natureza conceitual, mostrando não apenas diferença, mas oposição entre dois termos que se excluem mutuamente na sua essência.

O que se propõe neste estudo preliminar é refletir sobre essa diferença e tentar ver até que ponto isso se reflete na relação óbvia que existe entre compreensão, interpretação e interpretação de texto.

Constrói-se essa proposta em três partes: na primeira, tenta-se conceituar compreensão; na segunda, em contraponto, busca-se explicar como a interpretação é construída sobre o alicerce da compreensão; e finalmente, na terceira, com base na diferença, propõe-se de que modo a interpretação de texto pode ser conduzida com o aluno. Tem-se a ambição de que a proposta possa ser útil e necessária ao professor, não só contribuindo para
a compreensão do problema, de modo a saber o que ensina, mas também sugerindo estratégias de mobilização junto ao aluno, de modo a obter melhores resultados.

COMPREENSÃO

A base conceitual da interpretação de texto é a compreensão. A etimologia, ainda que não seja um recurso confiável para estabelecer o significado das palavras, pode ser útil aqui, para mostrar a diferença entre compreender e interpretar. “Compreender” vem de duas palavras latinas: “cum”, que significa “junto” e “prehendere” que significa “pegar”. Compreender é, portanto, “pegar junto”. Essa ideia de juntar é óbvia em uma das
principais acepções do verbo compreender: ser composto de dois ou mais elementos, ou seja, abarcar, envolver, abranger, incluir.

Vejamos alguns exemplos para ilustrar essa acepção:
O ensino da língua compreende o estudo da fala e da escrita.
A gramática tradicional compreende o estudo da fonologia, da morfologia, da sintaxe e da semântica.
- A leitura compreende o contato do leitor com vários textos.

A outra acepção de compreender é entender, perceber, alcançar com a inteligência. Essa é a acepção que está mais próxima do tema abordado aqui. A ideia de “pegar junto” também cabe nessa acepção: o leitor não pega o texto sozinho; quando ele começa a ler, tudo vem junto. O leitor, numa das pontas, é o leitor e suas circunstâncias, mas o texto, na outra ponta, é também o texto e suas circunstâncias. Ou seja, existem ao redor do leitor e ao redor do texto, contextos que os envolvem, formando camadas de significação que viabilizam a compreensão. Nem o leitor nem o texto estão isolados dos contextos que os envolvem. O leitor sozinho é uma impossibilidade teórica. O texto sozinho não tem sentido; é apenas um amontoado de rabiscos no papel ou uma grande sequência de minúsculos pixels na tela do monitor.

Leitor e texto só existem quando se encontram no momento da leitura. Antes ou depois desse momento, são apenas potencialidades. Conforme Rosenblatt; Cada leitura é uma transação que ocorre entre o leitor e o texto em um determinado momento e lugar. (...) 

O sentido não está pronto nem dentro do texto nem dentro do leitor, mas surge durante a transação. (ROSENBLATT, 2004, p.1369)

Começando com o leitor, vejamos brevemente alguns dos elementos característicos de seu contexto, elementos que ele precisa mobilizar para que a compreensão aconteça. Partindo da literatura da área (ex.: KLEIMAN, 1999), o que se percebe é que esses elementos formam determinados conhecimentos, incluindo, entre outros, o cultural, o linguístico, o textual e o conhecimento de mundo (KOCH & TRAVAGLIA, 1990). Em outras palavras, o leitor não pode chegar sozinho ao texto; traz com ele o seu mundo, sua experiência de vida, as competências que já acumulou. A leitura é uma espécie de doação recíproca: o sentido não é simplesmente dado ao leitor; é trocado por algo que ele deve trazer. Se o leitor chegar ao texto de mãos vazias, nada leva. 

Neste trabalho, propõe-se que a compreensão envolve quatro competências: 
(1) tradução do código,
(2) montagem do quebra cabeça, 
(3) evocação do saber construído e 
(4) planejamento das estratégias. Vejamos brevemente cada uma dessas competências. (...)

Para a continuação deste estudo reflexivo, acessar diretamente a Fonte: https://leffa.pro.br/textos/trabalhos/interpretar_compreender.pdf
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*As citações parciais são para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais