quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Om, shanti.

No pulsar inquieto destes tempos acelerados, quando o ruído do mundo tenta nos afastar de nossa essência, a paz se revela como um sussurro sagrado que nasce de dentro para fora. Cada pensamento sereno é como uma chama acesa no altar invisível do coração, iluminando sombras antigas e dissolvendo distâncias entre almas. Ao cultivarmos a paz em nossas atitudes, palavras e silêncios, tecemos uma rede luminosa que envolve a Terra com esperança renovada. Que sejamos, hoje e sempre, guardiões dessa energia suave e transformadora, lembrando que ao pacificar o próprio espírito, harmonizamos o universo ao nosso redor e despertamos um novo amanhecer para a humanidade.

por Shantoo05
KARUNESH 
*
Om shanti, om.
Qual é, de fato, a relação com o ser humano de todos os aprendizados e informações acumulados nos últimos séculos? Vive como conhecimento na cabeça humana; não atinge o homem inteiro - não flui da cabeça para o ser humano como um todo. Esse tipo de conhecimento torna-se então uma espécie de tumor na alma. Deixando de receber as forças apropriadas do resto do ser humano, ela gradualmente endurece.
Isso é o que acontece quando apenas nos tornamos mais inteligentes em nossa cabeça, e os sentimentos apropriados, que brotam do resto de nosso ser humano, não permeiam mais nossa inteligência crescente. Uma espécie de crescimento canceroso se estabelece em nossa alma e vida espiritual. A própria cabeça não pode realmente prosperar se todo o ser humano não estiver vivendo no mundo com amor sincero e também aspirando ao que ama.
No entanto, o homem nunca entenderá o que a liderança de Micael pretende, a menos que saia para encontrá-lo com sua própria contribuição ativa - a menos que abra sua mente para a iluminação espiritual e se encha do amor humano que brota de tal iluminação. Quando ele fizer isso, ele também perceberá com crescente compreensão o significado da liderança e orientação de Micael.
Rudolf Steiner - "Planetary Spheres and their influence
on mans life on Earth and in the Spiritual Worlds"
Quando falamos de “realidade” (incluindo todas as conversas comuns sobre “o mundo real”), precisamos ter o cuidado de distinguir entre a realidade física (como investigada por nossas ciências físicas) e o resto da realidade. A realidade física é o mundo das coisas que são corpos que podem ser pesados e medidos, o mundo que se apresenta aos nossos sentidos físicos, o mundo que podemos ver ou tocar. Mas as leis desse mundo (por exemplo, as “leis da física” ou da química) já não pertencem a esse mundo físico que podemos perceber com nossos sentidos.
Podemos confirmá-las através dos nossos sentidos, mas não podemos vê-las ou tocá-las, nem podem ser pesadas e medidas como se fossem corpos. Elas pertencem ao mundo do pensamento dos seres humanos, outro mundo da realidade, uma realidade etérea. Elas são certamente tão reais e, em certo sentido (um sentido platônico) ainda mais reais do que as coisas do próprio mundo material/físico (e é isso que Platão estava nos dizendo).
Esse mundo etéreo, ou mundo etérico, é um aspecto da realidade que é encoberto pelas ciências físicas, embora os fenômenos do mundo físico apontem para ele por todos os lados, e os cientistas o utilizem sem reconhecê-lo. Ideias (por exemplo, as próprias “leis da física”) não podem ser pesadas ou medidas, mas certamente são reais. As maiores e mais importantes dessas ideias – Verdade, Beleza, Bondade – foram o assunto implícito ou explícito das mais profundas reflexões filosóficas dos antigos gregos. Esses eram os cientistas de sua época (não apenas Pitágoras e Aristóteles, obviamente, mas também Tales e Empédocles e muitos outros). Mas, acima de tudo, eram filósofos, amantes da verdade, buscadores da sabedoria. Eles também eram cientistas etéreos, cientistas espirituais. Tudo o que tem a ver com alma e espírito faz parte da realidade etérea, o mundo etérico.
Eu sou um membro desse mundo, e você também. Você pode ver meu corpo físico, e pode ser pesado e medido, mas você não pode ver, pesar ou medir meu eu. Eu sou espírito; você é espírito. A verdadeira medida de sucesso de um ser humano não é meramente como administramos as coisas (ou as adquirimos) no mundo material/físico, mas quão bem encontramos nosso caminho para este mundo etéreo/espiritual e aprendemos com ele, tanto sobre o mundo lá fora e também sobre o mundo aqui dentro, o mundo dentro de mim. Primeiro devemos nos lembrar dele (Platão novamente). Daí o ditado: “Homem, conhece-te a ti mesmo”. O mundo etérico se revela não através de nossos sentidos físicos, mas em nossos pensamentos, em nosso próprio pensamento. Aprendemos sobre isso por um tipo especial de observação e pensamento, dirigidos para dentro.
O que, então, pertence ao mundo físico? Todo e qualquer corpo ou coisa que pode ser visto ou tocado, pesado e medido. Essa é a parte material da realidade.
O que pertence ao mundo etéreo? Aqui estão alguns exemplos:
  • 1) Idéias, pensamentos, conceitos, pelos quais “damos sentido” ao mundo físico que nos confronta através de nossos sentidos. Mesmo conceitos simples como 'árvore' ou 'mesa' não podem ser percebidos pelos nossos sentidos físicos, mas alcançados apenas através da imaginação e do pensamento.
  • 2) Valores, como Verdade, ou Beleza, ou Bondade, pelos quais “damos sentido” ao mundo em seu aspecto estético ou moral. Conceitos como 'beleza' ou 'bondade' novamente são alcançados apenas através do pensamento e da imaginação, juntamente com o sentimento. (A esse respeito, Rudolf Steiner fala de 'imaginação moral'.)
  • 3) “Corpos etéricos”, aquelas forças formativas que dão vida a qualquer corpo físico, seja ele vegetal, animal ou humano.
É fácil ver que o mundo etérico é mais importante, do ponto de vista espiritual, porque sem ele não há significado de qualquer tipo, e nenhuma compreensão real de nossa existência ou de nossa experiência como seres humanos.
By Michael Hall
O nome Micael deriva de Miguel de origem hebraica Mikha’El que significa “que é como Deus”. O Arcanjo Micael é o grande enviado por Cristo para acompanhar e trazer força ao desenvolvimento correto da humanidade.
Esta força interna é a consciência que devemos buscar em nosso cotidiano para dominar os dragões que nos rodeiam: a vaidade, o egoísmo, o medo, a ganância, o orgulho, a concorrência, a corrupção, o consumismo e outros tantos. Os dragões são tudo aquilo que nos prendem ao mundo material, levando a uma preocupação exagerada e fazendo com que esqueçamos da nossa essência, do nosso “Eu interior”. Como Micael, não devemos matar o dragão, mas enfrentá-lo com controle e equilíbrio (da inteligência e do coração) e assim dominar as forças do mal que ele representa.
Micael vem nos trazer o impulso da coragem para crescermos e amadurecermos, buscando respostas para fatos e situações da nossa vida. Micael traz à mão a espada de ferro, elemento que corre em nosso sangue e nos confere atuação e coragem. Segundo Steiner,
“o contrário do medo não é a coragem, mas o amor.
Cor – agem é o coração agindo em nome do amor”.
Esta coragem de viver pode ultrapassar nossos medos e limites, tomando consciência do bem e do mal, nos levando assim para o caminho da liberdade.
A festa de Micael é precedida por uma semana preparatória que começa com a chegada da primavera. Que o Arcanjo Micael nos encha de coragem para romper nossa semente interna que foi acalentada e cuidada durante todo o inverno, para que ela possa sair da terra em busca do sol, da luz, crescer e dar frutos. (...)

Fontes: Centro Educacional Waldorf Alecrim Dourado
#antroposofia #rudolfsteiner #pedagogiawaldorf
*
Perseveremos no Amor Fraternal!
Om shanti, buscadores!
Consciência, liberdade, dignidade, 
noção de respeito e amor ao próximo:
 Como posso criar um ambiente propício para que
 essas qualidades floresçam no coração humano?

A razão, se esta tem desconexão com o sentir, se torna árida e fria, aquela que justifica a falta de humanidade, é a razão puramente intelectual, desconectada do coração, aquela que justifica as atrocidades e a indiferença com o outro ser humano, sendo que, necessariamente, o caminho de desenvolvimento e realização da alma humana é o serviço em prol do bem maior.

Muitos sequer percebem sua falta de humanidade, justificam intelectualmente as necessidades que levam às suas tomadas de decisão, mesmo que elas causem sofrimento ao próximo, pois é indiferente, eles não sentem mais compaixão ou pouco sentem, como se estivessem anestesiados.

A carta abaixo (independente de sua autenticidade/veracidade) diz muito sobre a necessidade de uma educação humanizadora, onde o alicerçamento de uma boa índole se torna essencial para o futuro da humanidade - a conexão do pensar com o coração com a Vontade conectada ao impulso de dignificação do ser humano:

Após o término da segunda guerra mundial, esta carta foi encontrada num campo de concentração nazista, contendo a seguinte mensagem dirigida aos professores:

“Prezado Professor, sou sobrevivente de um campo de concentração.
 Meus olhos viram o que nenhum homem deveria ver.
Câmaras de gás construídas por engenheiros formados.
Crianças envenenadas por médicos diplomados.
Recém-nascidos mortos por enfermeiras treinadas.
Mulheres e bebês fuzilados e queimados por
 graduados de colégios e universidades.
Assim, tenho minhas suspeitas sobre a Educação.
Meu pedido é: 
Ajude seus alunos a tornarem-se humanos.
Seus esforços nunca deverão produzir 
monstros treinados ou psicopatas hábeis. 
Ler, escrever e saber aritmética, só serão importantes 
se fizerem nossas crianças mais humanas.”
Autor Anônimo
Por Leonardo Maia

Você está contribuindo da melhor maneira
 para o desenvolvimento de seus filhos?

#antroposofia #rudolfsteiner #pedagogiawaldorf 
#educação #infância #maternidade #paternidade 

Biblioteca Virtual da Antroposofia

terça-feira, 20 de setembro de 2022

Shalom, buscadores!

A palavra inaugura mundos — ela nomeia, convoca, cria realidades invisíveis que passam a pulsar no íntimo de quem escuta. Assim também faz a música, essa linguagem anterior ao verbo, que atravessa o silêncio e encontra morada na alma. Em Fantaisie-Impromptu, de Frédéric Chopin, o som transforma-se em chama e sussurro ao mesmo tempo: a mão direita cintila como pensamento febril, enquanto a esquerda sustenta o coração que pulsa firme, quase secreto. É a prova de que tanto a palavra quanto a música possuem o dom de revelar o indizível — uma fala sem boca, um discurso feito de vento e memória, onde cada nota é sílaba e cada silêncio, mistério.

por smalin
Chopin, Fantasie-Impromptu, opus 66

sábado, 17 de setembro de 2022

Om shanti, buscadores!
“A natureza da alma é bem-aventurança:
um estado interior de sempre nova alegria.”

Como acessar essa bem-aventurança?
Os mestres indicam o caminho da meditação.
Atualmente, como as crianças passam muitas horas envolvidas com os meios eletrônicos, elas precisam equilibrar esses longos períodos com atividades físicas e relaxamento.
Assim, nada melhor que incentivar às crianças a ciência da yoga, uma ciência de mais de cinco mil anos, que disponibiliza exercícios físicos, relaxamento e meditação.
Acalmar a mente deveria ser uma disciplina obrigatória para adultos e crianças.
Um estudo feito pela Universidade da Califórnia constatou que crianças que meditaram (...) durante 8 semanas, tiveram melhora na memória, foco e atenção, além de diminuição na impulsividade e mais controle emocional.
Praticar a atenção plena, estar em paz consigo mesmo, com seus pensamentos, emoções e possuir corpo saudável são os benefícios da Yoga. Porque não oferecer esse recurso às crianças?
A médica Emmi Pikler (1902-1984) atuou como pediatra em Budapeste, na Hungria, a partir dos anos 1930. Desde seus primeiros trabalhos com as famílias, afirmava que a criança pequena era uma pessoa ativa, competente, capaz de tomar iniciativas.
Mostrou-se muito atenta à qualidade da relação entre adulto e criança, principalmente nos momentos de cuidados, que, segundo ela, deveriam ser vivenciados de forma íntima e profunda.
Com base em suas observações e pesquisas sobre a criança pequena e seu modo de evolução, Emmi soube construir um suporte para o desenvolvimento do bebê e uma pedagogia da primeira infância particularmente inovadora e de grande relevância.
O Instituto Lóczy foi criado em 1946 em Budapeste por Emmi Pikler para cuidar de crianças muito pequenas que, após o final da última Guerra Mundial, estavam em situação sócio familiar absolutamente terrível. Por mais de 60 anos, este Instituto realizou um trabalho reflexivo de documentar a teoria e a prática.
A observação cuidadosa das crianças recebidas permitiu que profissionais (pediatras, psicólogos, pedagogos e enfermeiros) coletassem, analisassem e divulgassem uma quantidade incalculável de dados, que serviram e ainda servem, por um lado, para melhor compreender a criança e apoiá-la no desenvolvimento de sua autonomia e, por outro lado, dominar cada detalhe dos gestos dos profissionais que trabalham com crianças pequenas para melhorar constantemente suas atitudes e sua prática.
Se quiser conhecer mais essa Abordagem, acesse o link na bio na seção Livros Abordagem Pikler
*
Meditemos!

“A solidariedade ampla e o discernimento intuitivo, necessários para curar os males terrestres, não podem resultar de mera consideração intelectual da diversidade humana, mas sim do conhecimento da unidade profunda do homem: seu parentesco com Deus.
Para atingir o supremo ideal do mundo – paz por meio da fraternidade –, possa a yoga, a ciência da comunhão pessoal com a Divindade, espalhar-se com o tempo entre todos os homens, em todas as terras.”


Paramahansa Yogananda no livro Autobiografia de um Iogue

Vamos orar para criarmos juntos um mundo de paz e harmonia!
#yogaepaz #yogabrasil #pazmundial #solidariedade #pazeequilibrio #pazinterior #pazeamor #pazmental #paznaalma

Acesso pelo link:
http://www.educacaoparapaz.com.br

Namastê buscadores!

A importância da cultura maker na educação

Cultura Maker na Educação: 

O que é e como funciona?

Ela está nas redes sociais, na televisão e nas revistas; faz parte da rotina de jovens criativos e de pessoas com desejo de colocar a mão na massa e criar seus próprios objetos. Estamos falando da cultura maker, movimento que se espalhou pelo mundo e encontrou adeptos em muitos espaços da sociedade, inclusive na educação.

Baseado na ideia de que qualquer pessoa é capaz de construir suas próprias coisas, e com a tecnologia a favor como importante ferramenta criativa, a cultura maker chegou nas escolas como um instrumento pedagógico aliado das metodologias ativas de aprendizagem.

Mas como esse movimento cultural começou? Como a cultura maker na educação se tornou uma tendência? E afinal, ela traz benefícios para o desenvolvimento dos alunos?

Tentando responder essas e outras perguntas sobre a cultura maker na educação, o TutorMundi elaborou este artigo completo sobre o tema. Boa leitura!

O que é cultura maker?

A cultura maker é um conceito difundido em 2005, em uma publicação chamada Revista Make. Logo após seu lançamento, uma convenção de criadores, realizada em 2006, chamada Maker Faire, fundou os pilares do movimento e o tornou popular no mundo todo.

Hoje, o movimento maker está presente em festivais, espaços colaborativos, laboratórios e fábricas espalhadas em centenas de países. 

A concepção da cultura maker absorveu ideias de movimentos anteriores. É possível associá-la ao Do it Yourself (DIY, ou faça você mesmo) do punk rock dos anos 1970, além da influência da criação dos primeiros computadores domésticos, nos anos 1980.

Esse movimento tem como características principais o uso da criatividade e dos recursos disponíveis para criar objetos, produtos e soluções para problemas do cotidiano.

Também conhecida pelo ato de “colocar a mão na massa”, a cultura maker motivou muitas pessoas a buscarem alternativas para empreender e construir, utilizando recursos como programação, eletrônica e robótica na resolução de questões da sociedade.

O físico estadunidense Chris Anderson, autor do best seller “A Cauda Longa”, afirma que a cultura maker é uma nova revolução industrial, por transferir o poder de criação das grandes indústrias para as mãos das pessoas.

Conceitualmente, a cultura maker é definida em quatro eixos principais:

  • Criatividade – capacidade de encontrar soluções para problemas complexos através da experiência e da criação;
  • Colaboratividade – cooperação entre equipes para alcançar um objetivo comum;
  • Sustentabilidade – consciência para reutilizar materiais e evitar o desperdício;
  • Escalabilidade – ideias que podem ser reproduzidas em larga escala e a baixo custo.
  • Através desse eixo, a cultura maker na educação tem o poder de oferecer uma nova experiência pedagógica, em que os alunos aprendem na prática e coletivamente a buscar soluções para problemas reais através do que aprendem em sala de aula.

Como funciona a educação maker na prática?

A cultura maker na educação cria uma ponte entre o conhecimento teórico e a sua aplicação prática. Os alunos podem ver o resultado dos estudos se materializar e servir para resolver problemas reais.

Na escola, a educação maker pode acontecer tanto na sala de aula, utilizando materiais diversos para criar, como em salas dedicadas à prática, conhecidos como espaços maker.

Guia das Metodologias Ativas para escolas 

Em ambientes mais modernos, é possível também dispor de equipamentos como impressoras 3D, máquinas de corte a laser, materiais para prototipagem, entre outros itens.

Entretanto, se a sua escola não dispõe de recursos tecnológicos, não desanime. O objetivo da cultura maker é estimular a criação e a colaboração na busca por respostas para desafios.

São exemplos práticos da cultura maker na educação:

  • Criação de horta na escola;
  • Confecção de peças com barro ou argila;
  • Criação de maquetes;
  • Construção de casas sustentáveis;
  • Elaboração de jogos manuais;
  • Atividades extracurriculares que envolvem culinária.

Culinária na cultura maker

Independente do que for aplicado, é possível obter os benefícios da educação maker no processo de ensino-aprendizagem. Confira quais são eles a seguir.

Quais são os benefícios da cultura maker na educação?

A cultura maker é baseada em pilares que trazem muitas vantagens para o processo de ensino aprendizagem. Através da colaboração e da criatividade, o aluno é estimulado a desenvolver a sociabilidade e o trabalho em equipe na busca de soluções para os desafios.

O espaço maker também permite que o aprendizado aconteça em um ambiente mais acolhedor e estimulante, diferente dos modelos do ensino tradicional. O estudante é desafiado a desenvolver habilidades que vão além do conteúdo programático das aulas.

Na educação maker, além de buscar respostas com base naquilo que estudaram nas aulas, o aluno desenvolve a curiosidade, a liderança e a comunicação, tornando-se protagonista do próprio aprendizado.

Como explicamos neste artigo do nosso blog, atividades que colocam o aluno em movimento e em papel ativo na construção do conhecimento são capazes de ativar camadas profundas da pirâmide de aprendizagem, com maiores níveis de retenção.

Também podemos associar a prática da cultura maker na educação às metodologias ativas de aprendizagem.

Outro fator que joga a favor da educação maker é a possibilidade de estimular o pensamento crítico nos alunos. Na proposta de soluções para problemas cotidianos, os alunos podem ser inseridos a questões como reciclagem, desigualdade social, cuidados com o meio ambiente, saneamento, entre outros temas sociais.

Como aplicar a cultura maker na educação?

A adoção da cultura maker nas escolas não pode ser vista apenas como a inclusão de novas tecnologias, mas como uma ferramenta para revolucionar a educação. Um fator fundamental para o sucesso é a capacitação e a formação continuada de professores.

Implementar novas metodologias educacionais exige cuidado, principalmente ao adotar propostas que modificam o formato tradicional que os professores estão acostumados a ensinar. Por isso, a decisão deve ser estratégica e envolver muito treinamento.

A gestão escolar pode oferecer para os professores cursos sobre a metodologia, com o objetivo de capacitar o corpo docente para atuar com a cultura maker na educação.

Com a equipe docente alinhada, é necessário escolher quais metodologias serão utilizadas, de acordo com os recursos financeiros, espaciais, pessoal e físico disponíveis.

A cultura maker pode fazer parte do planejamento escolar da escola, integrando o projeto político pedagógico, servindo inclusive como diferencial competitivo que vai destacar a instituição da concorrência e trazer novos alunos.

Conclusão

Modernizar as escolas faz parte do compromisso firmado na Base Nacional Comum Curricular para oferecer um ensino de qualidade para todos. Mais do que inserir tecnologias em sala de aula, essa modernização está ligada à metodologias inovadoras, que colocam o aluno no centro do processo de aprendizagem e estimulam o seu protagonismo.

Portanto, à primeira vista, cultura maker pode parecer uma abordagem muito cara para algumas escolas, mas a sua aplicação não depende de grandes investimentos. O essencial é promover um aprendizado criativo e colaborativo, com olhar para a sustentabilidade.

https://avamec.mec.gov.br/ava-mec-ws/instituicao/seb/conteudo/modulo/4427/uni1/slide5.html

(...) O movimento maker, ou “faça você mesmo”, descontrói os padrões de atividades estanques e permite que os alunos desenvolvam seu conhecimento teórico através da prática. Com as atividades maker, os alunos aprendem a partir da construção de seus projetos, tornando o aprendizado um processo prazeroso. São práticas que atraem os alunos, deixando-os mais interessados no ensino, estimulando o aprender, exercitando a concentração, a atenção, a memória e o pensamento.

Instituições que incorporam a cultura maker dentro de sala de aula colocam o processo de aprendizagem em destaque, e não o produto. O desenvolvimento de atitudes críticas e autônomas dos estudantes reconfigura o processo de ensino-aprendizagem elucidando os seguintes aspectos pedagógicos:

  • O aluno se torna protagonista do processo de construção do seu conhecimento, tomando decisões e conduzindo o desenvolvimento dos projetos. Ele deixa de ser ouvinte passivo e atua com criticidade na construção do saber.
  • papel do professor se reconfigura, se transformando em um orientador criativo, um facilitador das trajetórias dos alunos. Ele deixa de ser alguém que transmite conteúdos e passa a atuar como um mediador do processo de aprendizagem, um coautor dos projetos que estão sendo construídos.
     
  • As possibilidades de aprendizados são diversas. As práticas de experimentação permitem abordagens interdisciplinares e transdisciplinares, contextualizadas às intencionalidades pedagógicas.

  • potencial criativo é irrestrito e proporciona o desenvolvimento dos estudantes em todas as dimensões formativas: intelectual, socioemocional, ética e cultural. Criatividade, pensamento crítico, trabalho em equipe, resiliência ao erro, colaboração e empatia são algumas das diversas habilidades potencializadas pelas práticas maker.

COMO APLICAR A EDUCAÇÃO MAKER?

Quando inseridos na cultura de construir projetos com as próprias mãos, os estudantes são capazes de analisar, sintetizar, comparar, compreender e, a partir de conclusões, interferir em situações diversas. Essas práticas contribuem para a formação de cidadãos críticos e, por isso, tem ganhado notoriedade em espaços escolares.

A inserção da educação maker nas escolas pode acontecer aliada à tecnologia, com a criação de espaços dedicados às experimentações e atividades prática. Mas, também é possível aplicar a cultura maker numa rotina de aprendizado com estruturas menores, considerando o que a criatividade e o orçamento permitirem.

Essas práticas, por exemplo, podem ser estimuladas com a construção uma horta partilhada, ou a produção de protótipos de madeira e papelão para um brinquedo, para uma explicação prática de alguma teoria, ou, quem sabe, uma solução de impacto social. Lembrando que a essência das práticas maker está em desafiar os estudantes a imaginar, pesquisar, criar, testar, apresentar e melhorar suas criações, com autonomia criatividade e protagonismo.

Também é possível considerar na matriz curricular da escola disciplinas inovadoras alinhadas à prática do “mãos na massa”. Essa é a proposta da Mind Makers, uma editora educacional que desenvolve conteúdos inovadores como o Pensamento Computacional e o Empreendedorismo Criativo. A partir de uma metodologia ativa e de aulas super dinâmicas, as atividades da Mind Makers são baseadas em projetos que usam técnicas de gamificação para engajar os alunos.

A disciplina do Pensamento Computacional apresenta fundamentos da Ciência da Computação para desenvolver habilidades relacionadas à resolução de problemas. O conteúdo programático evolui conforme uma trilha de aprendizagem que vai da Educação Infantil aos Anos Finais do Ensino Fundamental. O processo é dividido em etapas que consideram eletrônica digital, robótica, programação e inteligência artificial.  Os métodos e produtos estão baseados em recursos didáticos do movimento maker para solucionar problemas interdisciplinares.

Já na disciplina prática de Empreendedorismo Criativo, os alunos desenvolvem projetos reais multidisciplinares, ampliando e descobrindo suas habilidades e potências. Nela, os jovens do 9º ano do Ensino Fundamental ao 3ª ano do Ensino Médio são estimulados a desenvolverem habilidades empreendedoras e gerar soluções criativas para os desafios do futuro. Tudo isso em um ambiente colaborativo e dinâmico.

https://www.somoseducacao.com.br/educacao-maker/

***CULTURA MAKER NA EDUCAÇÃO É CAPAZ DE TORNAR O MODELO TRADICIONAL MENOS TEÓRICO E MAIS PARTICIPATIVO***

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Namastê buscadores!

“A boa educação é aquela em que o professor pede

para que seus alunos pensem e se dediquem a promover 

um diálogo para promover a compreensão

e o crescimento dos estudantes” 

(William Glasser)

Ilustrando!

Om shanti, buscadores!


Ecologia Interior

por Luciana M. S. Ferraz –

Socióloga e Coordenadora da Brahma Kumaris no Brasil


Ao longo dos séculos o ser humano tem dado forma,

 imposto e forçado, usado e finalmente abandonado a natureza.

O resultado destes maus tratos pode ser claramente observado e experimentado por todos nós, na forma de uma crise ambiental sem precedentes: poluição generalizada, aquecimento global, buracos na camada de ozônio, devastação das florestas, desertificação e um sem fim de problemas que tem afetado a qualidade de vida de todos os sistemas vivos e colocado em risco a sobrevivência de muitas espécies, inclusive da própria humanidade. Ainda que muitas medidas e políticas públicas e esforço conjunto internacional sejam necessários, é o ser humano, o elemento inicial e básico de qualquer transformação, que precisa ser conscientizado. Somos os arquitetos do mundo que vivemos. O que fizermos ao meio ambiente estaremos fazendo a nós mesmos.

NOSSAS CINCO CASAS

Como construtores da situação atual, precisamos rever o projeto da nossa obra, nossa casa coletiva.

Uma nova relação viva, de diálogo, de troca, de servir mutuamente precisa ser desenvolvida com o meio ambiente para que possamos sentir a integração plena e contínua entre nossas cinco casas ou oikos – que significa casa em grego e que dá origem à palavra ecologia.

  • a mente: onde residem os pensamentos e sentimentos.
  • o corpo: templo do espírito e da consciência.
  • o lar: residência e local de interação familiar.
  • a terra: o palco de nossas ações e da família humana.
  • o universo: a casa maior onde está inserido nosso planeta.

O cuidado que dispensamos ao nosso corpo, tendo atenção à higiene, à alimentação, ao sono e atividade física (exercícios, esporte, etc.) irão influenciar grandemente nosso estado de bem-estar e saúde geral.

Tem-se o entendimento de que milhões são gastos anualmente com doenças diversas e dispensa de trabalho por motivo de saúde, levando-nos a perceber a importância de um estilo de vida mais equilibrado e saudável.

Hoje se sabe que o cultivo de monoculturas (por exemplo: a soja, o milho, a cana-de-açúcar, etc.) e a produção de animais para consumo humano estão entre os principais devastadores das florestas e poluidores do meio ambiente. Uma dieta vegetariana desaceleraria o efeito estufa. Só no Brasil são 200 milhões de bovinos (IBGE 2000), que é maior do que a população humana nacional.

Segundo a FAO (Órgão das Nações Unidas para a alimentação e agricultura) a criação de gado é responsável pela emissão de 18% dos gases do efeito estufa mundial. São cerca de 37% das emissões globais de metano e 65% de óxido nitroso.

Para produzir animais destinados ao nosso consumo, precisamos alimentá-los. Cerca de metade da superfície agricultável da Terra tornou-se pasto, não se contabilizando a área destinada à produção de grãos para ração. 70 a 80% da soja mundial é destinada à ração animal e 1/4 da produção mundial de grãos é destinada à alimentação bovina. (dados do site www.consciencia.net).

O respeito e carinho com que tratamos nossas mentes e nossos corpos serão os mesmos com que trataremos as pessoas com quem nos relacionamos e o mundo ao nosso redor.

Assim como o corpo é o resultado do que comemos, como seres sociais somos o que aprendemos.

Grande separatividade existe em confundir ensinar com aprender, diploma com competência, a proliferação de hospitais e remédios com saúde, poder militar com segurança, status econômico com felicidade. O senso crítico que deveria ser entendido como a capacidade de análise e transformação acaba se tornando mero criticismo – resultado da profunda insatisfação das pessoas. O sucesso no desempenho das instituições é confundido com o progresso real dos indivíduos.

Assim, observamos como estas cinco casas estão intimamente interrelacionadas, e o que fizermos a uma delas estará afetando as outras quatro.

Entendemos que uma transformação duradoura e constante na direção de alcançarmos equilíbrio entre os vários sistemas vivos requer mudanças de hábitos, e estas acontecem a partir de desenvolvermos e praticarmos novos valores e forma de pensar. 

ECOLOGIA PROFUNDA

O amor e respeito à natureza têm sido cultivados por quase todas as culturas antigas e tradicionais. Desde tempos imemoriais também tem sido valorizada pelas mais diferentes religiões.

Mas foi com o norueguês Arne Naess, no início da década de 70, fundador da escola filosófica “Ecologia Profunda”, que alguns conceitos fundamentais começaram a ser reavivados. Estes são:

1- Existe uma interrelação entre todos os sistemas vivos, o que implica em mudança de visão. Não podemos continuar a encarar o planeta apenas como uma fonte de matérias primas donde extraímos tudo que queremos para satisfazer o conforto e ganância humana. Hoje sabemos que os elementos naturais não são infindáveis e inesgotáveis. 

2- Há de haver uma mudança de valores em que reconheçamos que somos partes de uma mesma teia de vida. O que fizermos à natureza experimentaremos as consequências. É a lei de causa e efeito agindo.

A mudança de pensamento e atitude mental, e participação das religiões e meios de comunicação pode ter um papel significativo nesse processo. Isso requer a percepção da interdependência de todos os reinos: mineral, vegetal, animal e humano.

3- A ciência e tecnologia são responsáveis não apenas de forma intelectual, mas também moral pelas suas invenções e descobertas. O cientista deve promover a vida e não destruí-la. A ciência tem uma responsabilidade ética face ao futuro da humanidade.

4- A problemática das gerações futuras e a questão do progresso econômico desenfreado. Sustentabilidade implica em não apenas valorizarmos o crescimento quantitativo mas a forma de como este se dá, garantindo a continuidade saudável do planeta e a herança que nossos filhos e netos herdarão como consequência de nossas decisões atuais.

5- Superar as divisões políticas, as fronteiras entre os países e as diferenças de raça, credo, gênero e cultura para que com maturidade e cooperação de todos possamos enfrentar este momento delicado onde podemos ganhar ou perder tudo.

A atual degradação do meio ambiente nos força a romper os limites de nossos apegos e preconceitos e entrarmos numa verdadeira era de globalização. Não apenas aquela em que os produtos econômicos e capital financeiro cruzam de um país a outro, e a globalização dos conhecimentos técnicos e da mídia nos fazem saber sobre o que acontece em qualquer parte do globo em tempo real, mas a globalização das consciências, isto é, reconhecermos que fazemos parte de uma única família humana e de que a Terra é nossa casa comum.  

NATUREZA INTERIOR

A palavra natureza pode ser definida de duas formas: a natureza física (exterior) e a natureza humana (interior). Na natureza externa vários tipos de energia concorrem para produzir o ambiente material que nos cerca. Energia solar, energia eólica, energia nuclear, energia elétrica, energia hidráulica, satélites, radares, chips, fibra ótica e dezenas de condutores criados para diminuir as distâncias entre os planetas, os países, as cidades, as comunidades, as famílias, as pessoas e para assegurar uma vida de conforto e prosperidade usufruída por poucos. A navegação terrestre e aérea e a tecnologia de ponta não tem conseguido encurtar as distâncias entre as mentes humanas, nem prover sustento verdadeiro aos corações sofridos com a falta da experiência de afeto e alegria.

Na era da comunicação em que vivemos, os desentendimentos, brigas, conflitos, violências, guerras entre casais, entre pais e filhos, entre vizinhos, no trânsito, entre times de futebol, entre povos e nações, e os exemplos poderiam ser multiplicados, são cada vez mais crescentes e demonstram que toda informação científica e tecnológica não têm contribuído para diminuir as disparidades entre ricos e pobres e o compartilhar desigual de riquezas. Os mecanismos sociais e políticos continuam engatinhando em proporcionar uma integração mais profunda entre todos os atores deste palco terrestre, que tem o sol e a lua como seus holofotes naturais. As divisões com base na cor, raça, religião, língua, nacionalidade, castas e classes sociais permanecem apesar dos avanços em termos de conhecimentos e recursos. As bibliotecas aumentam e se modernizam, as editoras invadem o mercado com livros de auto-ajuda, mas o ser humano está cada vez mais ignorante e impotente para experimentar paz e  saber conviver em equilíbrio.

A razão disso é que a separatividade não está nas distâncias físicas, nos recursos materiais e no controle dos elementos disponíveis. A atenção no autocontrole da natureza humana e harmonia nos relacionamentos tem sido negligenciada. Alcançar domínio sobre os nossos órgãos dos sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato) e nossos órgãos sutis (mente, intelecto e personalidade) requer esforço e empenho pessoal. São habilidades que não podem ser delegadas a outros fazerem por nós, nem adquiridas em shopping centers ou disponíveis na forma e pílulas de alívio rápido.

Cada um é responsável em desenvolver a soberania interior e administrar seus recursos internos de pensamentos, sentimentos, experiências, decisões, discernimentos, crenças, costumes, hábitos, etc.

Nossos órgãos dos sentidos são frequentemente comparados a cavalos selvagens descontrolados, que dirigem a carruagem de nossa vida muitas vezes independentes de nossa vontade ou opção consciente.

Como resultado disso somos incapazes de tomar decisões adequadas e gerenciar nossa paz de espírito e felicidade. Antes de enfrentarmos o desemprego, a inflação, o desperdício, a corrupção somos vítimas do nosso próprio boicote interno ao subempregarmos nossa capacidade, desperdirçarmos nossos talentos, corrompermos nossas virtudes, inflacionarmos  nosso autorrespeito, exigindo de outros o que não estamos conseguindo gerar dentro de nós mesmos.

As energias da criatividade do pensamento e dos sentimentos nobres que nos tornam humanos, como a solidariedade, a compaixão, a generosidade, o amor incondicional, a serenidade estão relegados ao patamar de bens inalcançáveis para a maioria.

Métodos que incluam a disciplina da mente, maior clareza do intelecto e maior bondade na nossa personalidade, para que esta fique livre de preconceitos e limites que dificultam a compreensão nas relações podem ser experimentados através da meditação, da oração sincera, da sensibilidade das artes, de técnicas de pensamento positivo, cultivo de silêncio interior e todas as práticas que nos remetam a acessarmos nosso potencial inato de qualidades internas, tais como paz, pureza, amor, contentamento, verdade e nos fortaleçam para termos mais coerência entre nossos pensamentos e nosso comportamento, nossos valores e nossas ações, nosso discurso e nossa vida prática.

POLUIÇÃO MENTAL

Todos sentimos “na pele” os diversos tipos de poluição da água, da terra, do ar, sonora, dos alimentos que afetam nosso bem-estar, nossa saúde, a flora e fauna, a beleza e reverência ao nosso planeta.

A educação ambiental tem contribuído para conscientizar-nos destes malefícios e tem nos dividido em dois grupos: dos que estão atentos à conservação e cuidado em relação ao meio ambiente e dos que fazem parte de sua rápida degradação e destruição. Mas mesmo dentre o primeiro grupo, nem todos estão alerta à mais significante poluição, aquela que é a semente de todas as outras, que é a poluição mental. Cada palavra e ação são precedidas pelos pensamentos que se originam na mente.

Uma mente contaminada com raiva, ódio, arrogância, preconceitos, dependências, ganância e outras fraquezas que poderíamos comparar a enfermidades da alma humana irão manifestar-se em palavras e ações doentes, espalhando germes de discórdia, violência, competição, mesquinhez e desonestidade.

Uma mente negativa é como a chaminé de uma fábrica despejando na atmosfera vibrações poluídas que influenciarão todos que entrarem em contato com elas, produzindo tensão, irritação, ansiedade e medo.

A poluição mental tem efeito direto na saúde humana e indiretamente afeta todos os sistemas vivos e nosso sistema social, levando, finalmente, à degeneração da sociedade.

Este estado mental negativo pode ser revertido através de um despertar da consciência adormecida. Uma mente preenchida de positividade, virtudes e espiritualidade pode ser comparada a uma árvore com abundância de folhas, flores e frutos, oferecendo sombra, suporte e sustento a todos à sua volta.

Uma mente saudável experimentará contentamento independente de todos os bens materiais que estejam ou não à sua disposição, cultivando uma atitude de simplicidade e satisfação profundamente benéficas ao consumismo desenfreado.

Positividade não significa ver o mundo cor de rosa e ignorar a realidade, mas ter uma atitude de aprendizagem, de fortalecimento pessoal e de aproveitar os desafios  para seu próprio crescimento, concentrando-se nas soluções e não apenas alimentando os problemas. Tomar as oportunidades que vêm às nossas vidas disfarçadas em situações adversas requer sabedoria e visão ampla, para não se perder nas possíveis dificuldades momentâneas.

Espiritualidade é outro conceito importante nesta mudança de atitude. É independente de religiões estabelecidas e implica principalmente em atuarmos a partir de um novo referencial, onde a identidade do ser embasada nos atributos físicos e limitados (cor, gênero, nacionalidade, religião, profissão, status sociais, papel, etc.) é substituída pelo entendimento de que somos seres espirituais conscientes que usam o corpo e o mundo material para expressar suas qualidades intrínsecas.

OS ELEMENTOS E AS VIRTUDES

A maneira mais simples e efetiva de desenvolver cuidado e zêlo em relação ao meio ambiente é despertando nas crianças, jovens e adultos o amor e respeito pela natureza. O slogan popular “Quem ama cuida”, bem reflete o melhor método para transformar a atitude de espoliação e descaso numa atitude de valorização de cada um dos elementos. Há muito que aprender e se inspirar com cada um deles.

Precisamos devolver à natureza e servi-la para acertar nosso débito com ela. Descobrir suas qualidades e virtudes para voltar a se encantar e reverenciá-la.

  • TERRA Nos inspira o poder de doar e cooperar. Em tantas culturas é reverenciada como a Mãe Terra, pela generosidade das colheitas. Símbolo de abundância e cuidado. Os indígenas já diziam: pise devagar e suave para não machucar a terra e não despertá-la. É na terra que encontramos o apoio onde vivemos, andamos, construímos, escavamos. Nas suas entranhas escondem-se minerais, rochas, veios d’água, cavernas, vulcões. Ela também dá suporte às matas, aos jardins, às plantações, às cidades. Em tantas formas variadas como areia, argila, solos diversos ela coopera para que a vida aconteça sobre ela. 
  • A terra está intimamente conectada ao corpo.

  • ÁGUA Nos inspira o poder de abraçar e acomodar tudo e todos. O oceano recebe em seu seio rios pequenos e grandes, de águas límpidas e de águas poluídas. Coração grande. Símbolo de profundidade, sabedoria e limpeza. Mergulho profundo no conhecimento. Tem flexibilidade e se molda no espaço ou recipiente que a contém. Adapta-se às diversas temperaturas tornando-se gasosa diante do calor e gelo/neve diante do frio. Excelente condutor, humildemente esconde-se para que o sabor dos alimentos e bebidas, os perfumes, os medicamentos, os pigmentos possam manifestar sua forma. 
  • A água está intimamente conectada aos sentimentos 

  • FOGO Nos inspira entusiasmo e a capacidade de enfrentar. Impenetrável, íntegro, honesto. Chamas de purificação. Simboliza a destruição do velho para dar lugar ao novo. Renascimento. Temos que conquistar o fogo que existe dentro de nós na forma de raiva e desejos. 
  • O fogo está intimamente conectado à força de vontade.

  • AR Nos inspira a sermos leves e a termos pensamentos e vibrações positivas. O vento sopra e acaba com o inútil, levando para longe mágoas e ressentimentos. Refresca a cabeça e nos ajuda a deixar que o passado seja passado, colocando um ponto final. Transforma o negativo em coragem e vitória. Símbolo do sopro vital. Respiração que revitaliza e desperta. 
  • O ar está intimamente conectado à mente.

  • PEDRA Nos inspira força e simplicidade. Solidez, beleza, preciosa como jóia ou cristal. As pedras despertam o poder de discernimento e reflexão. Ser capaz de distinguir um diamante verdadeiro de um artificial. Ser inabalável e ainda assim sutil. Símbolo de estabilidade e firmeza. Forte como uma rocha.
  • As pedras estão intimamente conectadas ao intelecto.

  • ÁRVORE/MADEIRA Nos inspira altivez e respeito à diversidade. Variadas formas, tamanhos, texturas, coloração. Dezenas de possibilidades na sua utilização: em embarcações, mobiliário, construções, combustível, resinas. Espécies florais, frutíferas, medicinais, ornamentais. Oferece descanso em sua sombra e propicia brincadeiras em seus galhos. Símbolo da humanidade, em que todas as religiões são galhos de uma mesma árvore e Deus é a semente. Exemplo de tolerância e flexibilidade. São capazes de brotar em qualquer lugar, mesmo no cimento e em fendas de rochas. Em cada vendaval ela retribui os golpes doando flores e frutos. Cabe a nós escolhermos entre as flores e frutos e os espinhos.
  • A árvore está intimamente conectada aos nossos hábitos.

  • ESPAÇO Nos inspira o poder de decisão e escolhas corretas. O bem-estar interno cria um espaço de conforto e aconchego. Cabe a cada um lançar seu olhar para o horizonte e enxergar longe. Uma alma grande não se encaixa em moldes pequenos e limitados. A vastidão e o ilimitado são suas fronteiras. Não se prende a rótulos e julgamentos que impedem a expressão do seu potencial. Símbolo de liberdade.
  • O espaço está intimamente conectado à ação.

  • TEMPO Nos inspira o poder da introspecção. Este é o método para dialogarmos e criarmos harmonia com o tempo. Pensar demais contrai o tempo. O silêncio expande a experiência das horas. Correr atrás do tempo e das tarefas sempre acaba trazendo sentimentos de insatisfação. Quietude para penetrar a eternidade. Símbolo da criação. Dar valor a cada pensamento, palavra e ação. Já disse o poeta Geraldo Vandré: quem sabe faz a hora. Largas horas de felicidade parecem tão breves, pois não cansam. Um segundo sentado numa chapa quente parece infindável. O tempo é relativo.
  • O tempo está intimamente conectado à experiência.

QUANDO EU MUDO O MUNDO MUDA

Apenas ao mudar minha relação para com a natureza, tornando-me um agente consciente de transformação, pode haver a esperança de recuperação e sobrevivência do planeta. Somos os responsáveis em criar esta reviravolta. E tudo começa dentro de mim. 

Referência para Leitura:

– A ética do Cuidado

Leonardo Boff

– A Teia da Vida

Frittjof Capra

– Beleza Interior

Anthea Church

Editora Brahma Kumaris

– Os Oito Poderes

Marcelo Bulk

Editora Brahma Kumaris

– A Paz Começa com Você

Ken O’Donnell

Editora Brahma Kumaris

– Science, Spirituality, Ethics and Environment

Jagdish Chander Hassija

– Environmental Crisis: International Convention Papers

Conferência organizada pela Prajapita Brahma Kumaris Ishwariya Vishwa Vidyalay e Raja Yoga Education and Research Foundation em associação ao  Departamento de Meio Ambiente e Florestas do Governo de Delhi em sua sede internacional em Mount Abu, Rajastão, Índia de 21 a 24 de setembro de 2007.

https://brahmakumaris.org.br/ecologia-interior/