quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Om shanti!

"Não se medita para obter,
se medita para soltar o que nos ata.” 
MEDITAÇÃO - Luz e Leveza
Brahma Kumaris Brasil
Para mais informações sobre a Brahma Kumaris, acesse:
Site nacional: https://www.brahmakumaris.org.br

 Namastê buscadores!

“Nosso ponto de vista cria a nossa realidade. Quando estamos presos às nossas crenças, nossa realidade se torna rígida, estagnada e opressiva. Ficamos amarrados aos apegos porque perdemos a capacidade de reconhecer que temos a opção de ser livres. De todas as crenças das quais devemos nos desligar, esta é a mais importante: Abandone o apego à crença de que deve ter uma imagem de perfeição para ser feliz.”

(Don Miguel Ruiz)

 "O interessante trabalho intitulado “Quetzalcóatl e os mitos fundadores da Mesoamérica” conta que os toltecas criaram uma cultura altamente refinada. Apesar de ter um sistema hierárquico militar e ser um povo marcadamente guerreiro, sua marca antropológica, mística e cultural, se estendeu em grande parte da Mesoamérica.

Diz-se, por exemplo, que o povo tolteca alcançou o mais alto grau da Toltecayotl. Este conceito vinha a representar a respeitável arte de viver em equilíbrio e praticar com exatidão os antigos saberes do Huēhuehtlahtōlli, um conjunto de regras muito remotas no tempo que eram transmitidas de forma oral de geração em geração.

Assim, enquanto o velho mundo tinha o hinduísmo ou o budismo, o México antigo tinha a filosofia toltecayotl, um legado de sabedoria e de religião do qual se nutre a autêntica sabedoria tolteca, a mesma que nos deixou este conjunto de maravilhosas frases…

A maioria destes pequenos exemplos estão compilados em livros como “A arte tolteca da vida e da morte”, “O caminho do tolteca”, “O universo de Quetzalcoatl”, “Toltecayotl” e “Os 4 acordos”, de Miguel Ruíz. Como já sabemos, o mais conhecido de todos é este último; porém, nunca é demais mergulharmos em outros trabalhos, em outros interessantes volumes onde podemos ter uma visão muito mais ampla desta cultura que, de algum modo, faz parte da própria história da humanidade."

Ser impecável com a palavra – o 1º compromisso

"Ser impecável é não contrariar a sua natureza.

É assumir a responsabilidade por seus atos, 

sem julgamentos ou culpas."

Não leve nada para o lado pessoal – o 2º compromisso

"Os seres humanos são viciados em sofrer de várias formas diferentes, e apoiam uns aos outros quando se trata de manter esse vício. O vício de sofrer não passa de um compromisso reafirmado todos os dias..."

Não tire conclusões – o 3º compromisso

"É interessante observar como a mente humana trabalha. Temos a necessidade de justificar tudo, de explicar e compreender tudo para sentir segurança. Temos milhões de perguntas que precisam de respostas porque existem muitas coisas que a mente racional não consegue explicar. Não importa se a resposta é correta; uma resposta já nos faz sentir seguros. Por isso presumimos."

"A forma de evitar tirar conclusões é fazer perguntas. Se você não compreende, pergunte... Todos têm o direito de responder sim ou não, mas você também tem o direito de perguntar. Perguntar te tira do seu compromisso com o medo."

Dê sempre o melhor de si – o 4º compromisso

"Continue dando o melhor de si, nem mais nem menos. Se você se esforçar demais para conseguir seu “melhor”, irá gastar mais energia do que é necessário, e no final seu “melhor” não será o suficiente."

Seja cético, mas aprenda a escutar – o 5º compromisso

 O medo nos invalida

"Os toltecas foram um dos povos mais dominantes, chegando a ocupar uma região que se estendia desde o atual estado de Zacatecas até o sudeste da península de Yucatan. Diz-se que os astecas os invejavam profundamente, mas os toltecas tinham dois princípios claros vindos da sua filosofia recolhida na Toltecayotl: não invejar e não ter medo.

Eles acreditavam que estes dois sentimentos tornavam as pessoas cegas e surdas. Eles não servem de nada, minam as capacidades do indivíduo e suas forças também."

“Procedamos, avancemos com coragem tendo em conta 

que o medo é quem nos torna surdos para a verdade.”

– A arte tolteca da vida e da morte –

*

 As palavras têm poder

“Use as palavras de forma apropriada. 

Empregue-as para compartilhar o amor. 

Use a magia branca começando por você..." 

– Os quatro acordos –

*

 O conhecimento interior e a liberdade

“As possibilidades do homem são tão vastas e misteriosas que os guerreiros, 

ao invés de pensar nelas, optaram por explorá-las

 sem a esperança de compreendê-las.”

– O caminho do Tolteca –

*

 Não leve nada para o lado pessoal

“Respeite a opinião alheia,

mas para o bem ou para o mal,

é melhor não depender dela.”

– Os quatro acordos –

*

"Todo o humano é um mágico, e podemos lançar 

um feitiço sobre alguém com a nossa palavra

ou podemos libertá-lo de um feitiço."

*

"A mente humana é como um terreno fértil 

onde as sementes são plantadas continuamente."

*

"Todas as nossas tendências normais perdem-se no

processo de domesticação. E quando temos idade suficiente

para nossa mente entender, aprendemos a palavra não.”

*

"Não leve nada para o lado pessoal. 

Quando você cria um hábito forte de não levar nada

para o lado pessoal, evita muitas perturbações na sua vida."

*

"Não faça suposições! Cada pessoa tem a sua própria realidade

influenciado pela suas próprias experiências, educação e valores."

*

"Inação é a maneira de negarmos a vida.

 Expressar o que você é, é agir. 

Você pode ter ótimas ideias na sua mente, 

mas o que faz a diferença é a ação." 

(Miguel Ángel Ruiz Macías, 

mais conhecido como Don Miguel Ruiz)

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Namastê buscadores!

"Paciência não é inatividade. Será um estado de compreensão, 

já que não dispomos de palavras para defini-la.
 Compreensão com o espírito de serviço, capaz de aceitar as dificuldades
 da existência, com o dever de cooperar para que desapareçam."

(Emmanuel)
"O tronco sofre os golpes do machado para que, derrubado, se torne nova utilidade. A montanha de granito padece a dinamitação, a fim de que se abram veredas para o progresso.
A árvore enfrenta a poda, de modo a exuberar de flores e frutos, na ocasião oportuna. Os grãos passam pela trituração e participam, com isso, da alegria da mesa farta. O bloco de pedra suporta a ação do buril e do cinzel para que liberte a obra de arte que o artista projeta. O violino resiste à distensão de suas cordas, de forma a permitir que o som harmonioso embalsame o ambiente com musicalidade."
(Trecho com base em biografia de Stephen Hawking)

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Shalom!
"A Thousand Years"
 é a expressão sentida no coração de nossa dependência
 para a provisão diária, que é como o maná do céu."
Inspirada no Salmo 78:24-25

 

"Bread of Angels" do sétimo álbum de Stanton Lanier 


CONTEMPLA A VIDA 
NÃO COMO MERO EXPECTADOR! 

por Sônia Carvalho.

"Contempla a vida não como mero expectador, mas como o artista que tem a sua frente imensa tela em branco. Utiliza, portanto, as tintas da esperança e da fé, e usa-as diuturnamente. Não acredite que lhe falte habilidade para a função, porque gradativamente estará evoluindo e muito realizará.
Desde que confie e trabalhe!
E não se canse diante do árduo trabalho, persevera e quando por algum descuido o pincel se quebrar, não imagina ser o término, pelo contrário, novos meios surgirão e poderá prosseguir sua jornada.
Se por ventura as cores cinzentas quiserem fazer parte da paisagem, não há motivos para se desesperar, porque será sempre o amor que dará o toque final. Por isso, não cessa o seu esforço mesmo quando os dias lhe parecerem tristonhos ou intensa tempestade desabar sobre você. Nessa hora, a inspiração divina se fará mais próxima e lhe mostrará novos horizontes. 
Precisará apenas abrir os olhos espirituais.
Lembre-se também, de manter suas mãos firmes em todos os momentos, atento ao que está a desenhar. A grande obra da vida é sua responsabilidade e requer sempre muita atenção!
Guarda-a com vigilância e reflete constantemente nas pinceladas já realizadas e quando perceber que alguma reflete as sombras, para e recomeça, mas agora seguindo as instruções das forças do bem.
E com certeza, a tela ganhará lindas imagens!
Com serenidade, esforço, confiança e coragem, poderá produzir novas formas que retratem a PAZ, a renovação e o imenso AMOR que o Criador tem por cada um de seus filhos. Assim, sinta-se parte dessa GRANDE OBRA e de fato tem total participação nesse projeto lindo chamado VIDA!"

 Om shanti!

“ A gentileza é um amplificador da esperança e pode suavizar

 certas situações, assim como, gerar ânimo em outras”.
"Quando nossas mãos unirem-se com respeito, amor e cooperação, poderemos criar uma corrente de poder e paz, e confortar os corações tristes! Os pensamentos puros podem superar todas as barreiras e limitações e acordar esperança nos corações humanos. Somos uma família global, o que nos une é maior do que o que nos separa. Quando houver respeito, amor e cooperação, poderemos criar um mundo melhor."

Todo o 3o. domingo de cada mês - Transmissão On line
MEDITAÇÃO PELA PAZ MUNDIAL as 17h30 às 18h30
Transmissão Online pelas Redes Sociais:
YouTube Brahma Kumaris Brasil
Instagram @brahmakumarisbrasil

terça-feira, 23 de agosto de 2022

 Om shanti Om!

"A paz é, acima de tudo, uma visão: A visão de que a humanidade é como um corpo de que somos todos membros. É um olhar que nos faz descobrir que o outro, ao invés de ser meu antagonista ou inimigo, é meu irmão ou minha irmã."
(Marcelo R. Guimarães)
por SOUNDIVA CLASSICAL
BEST OF RAVEL : Bolero  - HD
***
"Repetidos cento e sessenta e nove vezes pela caixa, estes dois compassos em ostinato dão ao Bolero de Ravel o ritmo uniforme e invariável. Bolero (Boléro, no título original francês) é uma obra musical de um único movimento escrita para orquestra por Maurice Ravel. Originalmente composta para um Ballet..."
A obra é de domínio público desde o dia 1º de maio de 2016
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Bolero_(Ravel)
"Não é suficiente desejar a paz: temos que trabalhar por ela. Trabalhar pela paz significa sustentar com persistência um movimento em direção à implantação dos valores da paz. Esse movimento se chama solidariedade. Sermos solidários para construir a paz é uma proposta de testemunho das comunidades...  propõe a toda a sociedade para construir uma cultura de paz.
A paz, por se tratar de uma realidade construída pela comunidade humana, pode ser ensinada e aprendida. Na cultura de violência em que vivemos, a educação para a paz surge como espaço de aprendizagem de uma cultura de paz, transformando-se num instrumento decisivo na formação dos cidadãos de uma sociedade democrática. Em primeiro lugar, a educação para a paz apresenta-se como educação para a tolerância e o diálogo, como aprendizagem para viver na pluralidade e superar preconceitos e estereótipos. Educação para a paz é experiência de transformação do potencial de agressão em ações não violentas na resolução dos conflitos. Mas a educação para a paz é também o espaço de argumentação e de debate. Desvela como a violência se forma e projeta alternativas para a construção da sociedade possível. Finalmente, é o lugar onde aprendemos a desenvolver o potencial de mudança — o poder que temos, que cada um tem, de operar em solidariedade —, superando o comodismo e a passividade, engajando-se no trabalho em rede, no grande mutirão em curso pela construção de uma cultura de paz nas comunidades e no mundo."
matthias brown brand work GIF
"Aquele que faz o seu melhor,
 faz tudo o que se pode esperar dele."

(Helena Blavatsky)

Shalom!

"A biodiversidade é a exuberância da vida na Terra – num ciclo aparentemente
interminável de vida, morte e transformação. A biodiversidade é você; a biodiversidade
é o mundo; você é o mundo. Seu corpo contém mais de 100 trilhões de células e está
conectado ao planeta por um sistema complexo, infinito e quase insondável:
você compartilha átomos com tudo o que existe no mundo ao seu redor.

Estima-se que até 100 milhões de diferentes espécies vivas dividam este mundo com você (ainda que menos de 2 milhões sejam conhecidas): a biodiversidade abrange toda a variedade de espécies de flora, fauna e micro-organismos; as funções ecológicas desempenhadas por estes organismos nos ecossistemas; e as comunidades, habitats e ecossistemas formados por eles. É responsável pela estabilidade dos ecossistemas, pelos processos naturais e produtos fornecidos por eles e pelas espécies que modificam a biosfera. Assim, espécies, processos, sistemas e ecossistemas criam coletivamente as bases da vida na Terra: alimentos, água e oxigênio, além de medicamentos, combustíveis e um clima estável, entre tantos outros benefícios."

“Quando você anda numa floresta intocada, onde não houve qualquer interferência humana, vê muito verde exuberante, muita planta brotando, mas também encontra árvores caídas, troncos se deteriorando, folhas podres e, a cada passo, matéria em decomposição. Para onde quer que olhe, vai encontrar vida e morte.

Se prestar mais atenção, vai descobrir que o tronco de árvore em decomposição e as folhas apodrecendo não só dão origem a nova vida como estão cheios de vida. Há micro- organismos em ação. As moléculas estão se reorganizando. Portanto, não há morte em parte alguma dessa floresta. Há apenas a transformação da vida. O que pode aprender com isso?

Aprende que a morte não é o contrário da vida. 

A vida não tem oposto. O oposto da morte é o nascimento.

A vida é eterna...

Se você aprender a aceitar e até acolher os pequenos e grandes fins que acontecem em sua vida, pode descobrir que o sentimento de vazio que a princípio causou tanto desconforto se transforma num espaço interno profundamente cheio de paz.

Aprendendo a morrer assim a cada dia, você se abre para a vida...”

Eckhart Tolle - no livro “O Poder do Silêncio”

"Cuide dos biomas, cuide da vida!"

"Onde existe o Amor, as armas se transformam em arados, em outros aparelhos e ferramentas de vida, e não de morte. Vamos todos nós falar com bom humor, para que possamos ajudar nesta transformação, que o próprio progresso nos profetiza para breve futuro. Basta as nações aceitarem os dois mandamentos onde Jesus sintetizou todas as leis e os profetas:

AMAR DEUS SOBRE TODAS AS COISAS E 
AO PRÓXIMO COMO A NÓS MESMOS."

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Om Shanti, buscadores!

"A dúvida não é uma condição agradável,
mais a certeza é absurda."
(Voltaire)
(A dúvida é o único ponto de vista lógico, embora a certeza seja
 muito mais agradável que a dúvida, é mais fácil simplesmente
 aceitar as declarações oficiais do que desafiá-las e pensar por si mesmo.)

"Muitas coisas impedem o conhecimento,
incluindo a obscuridade do tema
e a brevidade da vida humana."
(Protágoras)
*
"O que você sabe, sabe; 
o que você desconhece, desconhece.
Está é a verdadeira sabedoria."
(Confúcio)
*
A origem do conhecimento em Locke
por Mariana Cruz

A obra do empirista John Locke (1632-1704)representa uma reação ao racionalismo do filósofo francês René Descartes (1596-1650). Por considerar o entendimento a faculdade mais nobre da alma, o filósofo inglês fez uma investigação acerca dos objetos que podemos conhecer. Dessa forma, ele pretendia mostrar as condições que temos de apresentar para conhecer, isto é, descobrir com que nossas faculdades mentais conseguem lidar e com que não conseguem. Tentar ir além do que nosso entendimento é capaz de apreender ou adentrar as veredas que extrapolam a compreensão humana é cair na especulação. Segundo Locke, o entendimento pode ter um papel tanto passivo como ativo. Quando recebe pelos sentidos o que vem de fora, ele é passivo; é ativo quando combina ideias simples e a partir delas consegue formar ideias complexas.

O projeto de Locke é mais modesto que o de Descartes, pela própria natureza empirista. Para Locke, produzir conhecimento é produzir ideias. Para Descartes, a condição fundamental da produção de conhecimento verdadeiro é Deus, uma vez que afirma a existência de ideias inatas. Ao retirar das ideias o caráter inato, Locke defende que o que apreendemos da experiência é que dá origem ao conhecimento, pois o conteúdo da nossa consciência (emoções, pensamentos, lembranças etc.) vem daquilo de que nós temos experiência. Esse conteúdo, Locke chama de ideias.

Nossos sentidos, segundo ele, são as únicas fontes de ligação direta entre nós e a realidade. As qualidades primárias estão nos próprios objetos; as qualidades secundárias surgem da interação do objeto com o sujeito; sendo assim, variam de sujeito para sujeito. Descartes entende o inato como princípio (como causalidade, identidade) ou como noção (como Deus, substância). Para Locke, tal concepção inatista coloca Deus como o responsável pela existência de determinadas ideias em nós, o que, segundo ele, teria um caráter dogmático, uma vez que é inquestionável; é colocado como ponto de partida. Dessa forma, ele tenta, através do uso das suas faculdades naturais, fazer com que os homens possam chegar às ideias.

Um dos argumentos utilizados pelos defensores do inatismo é o universalismo, isto é, o fato de todos os homens concordarem acerca de uma ideia. Segundo Locke, porém, o conhecimento universal não é inato, uma vez que não é a razão que os descobre nem todas as pessoas compactuam de certas noções ditas universais, como o Princípio de Identidade e de não-contradição.

Já que não precisamos perceber o que está na mente para que esteja de fato, todas as afirmativas verdadeiras podem estar lá também. E se realmente existem ideias inatas, porque as crianças e os idiotas não as têm? É de argumentos como esses que Locke lança mão para combater a crença nas ideias inatas. Locke questiona proposições como o Princípio de Identidade, que seriam consideradas de assentimento universal, alegando que integrantes de comunidades mais primitivas desconhecem tal princípio. Se ideias inatas existissem de fato, elas deveriam estar na mente de todos os indivíduos, isto é, deveriam ser de cunho universal - e na prática não é o que ocorre. O entendimento é a nossa faculdade de conhecer; sendo assim, como uma ideia pode estar presente em nossa mente sem que a conheçamos? A alegação de que certas verdades estão impressas, embora sejam despercebidas, e que à medida que aprimoramos o uso da razão reconhecemos tais verdades não parece um argumento razoável, pois isso leva a uma contradição, já que faz do homem um ser que, simultaneamente, conhece e não conhece algo.

Para Locke, a alma humana é uma tábula rasa; assim, ao buscar os elementos responsáveis pela formação do conhecimento, encontra a experiência e a reflexão como seus mananciais. Tudo que conhecemos deriva dessas duas fontes. Então, Locke fala de dois tipos de ideias: as de sensação, vindas do exterior; e as da reflexão, originadas do interior.

Todo o conhecimento provém da experiência, que é obtida através dos objetos sensíveis externos bem como nas operações internas; através dos sentidos obtemos as ideias de cores, gostos, temperaturas e tantas outras qualidades. Outro tipo de ideias são aquelas internas, como o conhecer, o duvidar, o querer, o crer. Essas são ideias da reflexão, que ocorrem quando a mente analisa suas próprias operações.

Assim como o corpo tem o poder de movimentar-se, a alma tem o poder de pensar, de perceber, de ter ideias. Da mesma forma que uma das operações do corpo é o movimento, uma das operações da alma é a percepção.

O entendimento tem a capacidade de comparar ideias simples, uni-las e, assim, formar outras ideias: as complexas. Apesar disso, o entendimento não consegue criar nenhuma ideia que não seja derivada da experiência ou da reflexão. Como saber um sabor que nunca testou? Como saber um sentimento que nunca teve? Se alguém nunca provou caviar, não há com saber o gosto exato dessa comida. As ideias simples podem entrar na nossa mente graças a um único sentido (como as cores entram pela visão, os sons pela audição), por mais de um sentido (figura, espaço, coisas que podemos sentir tanto pelo tato como pela visão), pela reflexão (dor, prazer) ou por ambas (por meio do sentido e da reflexão). Para Locke, o conhecimento humano é construído pela abstração dos elementos que ocorrem na experiência.

O caminho pelo qual são alcançadas as verdades origina-se nas ideias particulares, isto é, na concepção empírica o pensamento parte do particular para o geral (ao contrário do racionalismo cartesiano, cujo princípio é universal). As ideias particulares é que dão origem às ideias abstratas. A ideia é o objeto do pensamento; não se tem pensamento sem ideia nem ideia sem pensamento. Ter consciência de uma ideia é ter consciência de que se tem essa ideia, é ter consciência de si.

A reflexão é um tipo diferenciado de percepção (é uma percepção de ideias). A sensação é a fonte originária das ideias. Posso apreender ideias que me são exteriores, bem como ideias que sejam oriundas minhas, isto é, a própria percepção da atividade da mente (crer, querer, imaginar etc.). Mas as percepções são ideias, mesmo quando relacionadas à sensação. Têm-se ideias de vermelho, de quente, de áspero etc. Ideia é tudo aquilo que a mente percebe por si mesma ou tudo que é objeto de percepção do pensamento ou do entendimento, e a potência de produzir qualquer ideia na mente é a qualidade.

Qualidades primárias e qualidades secundárias
Um cubo de gelo, por exemplo, tem a potencialidade de produzir em nossas mentes a ideia da forma cúbica, de algo frio, transparente; tais ideias são qualidades que Locke divide entre primárias e secundárias. As qualidades primárias não se separam dos objetos: independentemente das alterações que eles venham a sofrer, elas continuarão existindo nele. Por isso são também chamadas qualidades originais; elas não existem em si mesmas, apenas nos objetos. As qualidades secundárias são aquelas que podem produzir em nós diversas sensações, mas não são essenciais ao objeto; podem ser cores, textura, som. Se, por exemplo, deparamo-nos com um livro azul, o fato de ele ter essa cor não é algo essencial ao livro. Vemos, assim, que qualidades como gostos, sons produzem em nós diversas sensações e dependem das qualidades primárias.

As qualidades primárias estão presentes no objeto enquanto próprias dele; elas existem nos objetos, de forma independente da mente. Elas agem sobre nós na medida em que partículas se desprendem dos objetos e chegam até nós. As ideias das qualidades primárias produzem no sujeito um efeito semelhante ao do objeto, enquanto as qualidades secundárias produzem um efeito diferente do objeto; são dessemelhantes ao que há no objeto; elas existem para uma mente que as percebe. Nesse ponto pode surgir uma questão: se as ideias das qualidades secundárias são dessemelhantes a elas mesmas, de onde elas vêm? Só podem ser provenientes das qualidades primárias. Pode-se, através das qualidades primárias, produzir um conhecimento objetivo.

As qualidades primárias são sempre as mesmas, independente das pessoas. Elas aparecem para os sentidos da mesma maneira. Dessa forma, pode-se dizer que qualidades são potências nos objetos de produzir ideias no sujeito.

Forma, extensão, figura, movimento, número, volume, posição e situação são qualidades primárias; qualidades como cor, som, calor, frio, seco, úmido, dureza etc. são secundárias. Estas são produzidas da mesma maneira que se produzem as qualidades primárias: pelas partículas que entram em relação com nosso sentido; também não são produzidas pelo sujeito, têm origem no objeto, como as primárias.

Nossos sentidos são afetados pelos objetos externos; temos terminações nervosas que estão conectadas com o cérebro quando se produz essa ideia. Para isso, tem se que estar em contato com objetos, que por sua vez emitem partículas invisíveis, imperceptíveis, que, ao afetar nossas terminações nervosas, produzem essas ideias.

Tanto as qualidades primárias como as secundárias estão relacionadas às nossas ideias simples. Nós as formamos por meio das sensações (as qualidades não são ideias). Qualidade diz respeito aos objetos. Ideias dizem respeito à mente.

Segundo Locke, o que reúne qualidades primárias e secundárias é substância; é aquilo que subjaz mas não há como chegar a ela. Locke tenta esvaziar o sentido de substância, pois substância remete a uma totalidade, mas não há como falar dela. Ele não recusa o conceito de substância, apenas não se sente capaz de discorrer sobre ela.

A filosofia de Locke é atomista, pois qualquer processo é uma reunião de ideias simples; ele crê que toda a realidade é composta de ideias simples. A mente permanece passiva em relação às ideias simples. Em relação às ideias complexas, o entendimento tem papel ativo, na medida em que pode unificar as ideias simples, relacionar duas ideias simples ou generalizá-las. As ideias complexas contêm os modos, a substância e a relação. Ideias como triângulo, gratidão ... etc. são ideias complexas que não podem existir por si mesmas.

As primeiras ideias são as simples da sensação; as segundas ideias (das primárias) são as simples da reflexão; depois vêm as ideias complexas. O conhecimento é uma forma de combinar ideias.

Existem dois tipos de conhecimento: o intuitivo e o demonstrativo. O intuitivo tem uma evidência, não precisa demonstrar que tais ideias são verdadeiras. A própria mente percebe o acordo ou o desacordo de ideias. É um conhecimento, um pensamento mais imediato. Enquanto o conhecimento demonstrativo precisa de uma mediação, é uma relação de ideias que não é evidente, é mediado. Para pensar o conhecimento demonstrativo, usa-se o modelo dedutivo.

A ideia de demonstração é construída em cima de várias sequências de intuições. Nós temos quatro tipos de conhecimento: identidade, coexistência, relação e existência real. Na identidade, ao se ter uma ideia, qualquer que ela seja, ela já tem uma identidade própria diversa de qualquer outra. Na coexistência, o que se apreende são qualidades primárias, e de determinadas qualidades primárias se produzem qualidades secundárias. Na relação, temos as noções de causalidade, origem, criação etc. Na existência, a concepção que temos de nós mesmos é um conhecimento intuitivo (imediato) e das coisas é sensitivo. A noção de verdade, para Locke, é correspondência.

Assim, podemos perceber que a principal discordância entre o pensamento de Descartes e Locke é a negação do último a respeito da existência das ideias inatas, tendo sido, por isso, acusado de ceticismo. Tais acusadores, porém, não levaram em conta passagens dos escritos do empirista que explicitamente mostram sua crença em Deus. Locke considera nosso "Autor" digno de gratidão devido ao fato de a porção e o grau de conhecimento outorgados a nós por ele serem superiores ao dos outros habitantes da Terra. Ao nos ocuparmos daquilo que nos foi dado pelo nosso "Criador" (ao invés de ficarmos nas sendas da especulação), estaríamos agindo bem, isto é, lutando contra o ócio e o ceticismo.
Fonte: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/8/11/a-origem-do-conhecimento-em-locke
"O que chamamos de aprendizado
é só um processo de reminiscência."
(Platão)

O que é a teoria da reminiscência?
"Uma teoria que deriva da teoria das ideias é a teoria platônica da reminiscência. Segundo Platão, o ser humano é formado de uma parte mortal, a saber, o corpo; e uma parte imortal, a saber: a alma; antes de habitarmos este mundo, nossa alma habitava o mundo das ideias."
(https://descomplica.com.br)

quarta-feira, 17 de agosto de 2022

 Om Shanti, buscadores!!!

"A superstição deixa o mundo inteiro

em chamas, a filosofia as extingue."

(Voltaire)

"O início do pensamento está no desacordo -

não apenas com os outros, mas também conosco."

(Eric Hoffer)

*

"Considere o eu e observe

o que está envolvido

ao fazer isso."

O TIPO DE FILOSOFIA QUE SE ESCOLHE 

DEPENDE DO TIPO DE PESSOA QUE SE É.

(Johann Gottlieb Fichte)

1762-1814

*

"Oh, filosofia, guia da vida!

Oh, tu que persegues a virtude

e escorraças os vícios!

O que seríamos nós e todas as eras 

dos homens, sem ti?"

(Cícero)

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Namastê buscadores!

por centeroews
Secret Garden Open Door
*
"...Uns se apegam ao sim 
e outros se apegam ao não;
 mas sim e não, ambos são partes da mente.
Você escolhe uma parte e um outro alguém
 escolhe a outra parte.
Um é cristão e o outro é hindu,
 mas ambos são mentes.
Um escolheu a Bíblia e o outro escolheu os Vedas,
 mas ambos são partes da mente.
Então, quem é realmente religioso?
Aquele que não fez escolhas a partir da mente.
Você não pode chamá-lo cristão, nem hindu...;
 você não pode chamá-lo teísta nem ateu.
Ele simplesmente É.
Ele é indefinível.
Você não consegue rotulá-lo.
Ser é tão vasto que não pode ser rotulado.
Nenhuma palavra é adequada o suficiente 
para descrever o Ser.
Em tal vastidão, a liberdade; 
em tal vastidão, a felicidade."

(Osho, em "Unio Mystica - Vol. II)

Namastê buscadores!!!

 "Cuidar, proteger e inspirar através do que eu sou… 

esse é o verdadeiro sentido da paternidade."

 por Leonardo Maia

Existem muitos meninos que, com uma força enorme que vem de seus corações, se tornam bons pais… um menino que reflete um profundo amor para seus filhos e que se torna capaz de trazer o mais puro e pleno sentido da palavra “pai”, talvez não o pai idealizado pela mãe, exigido pela sociedade, mas do menino que amadurece e, na sua expressão mais pura de si mesmo, consegue ter o reconhecimento e o amor de seus filhos, e conseguem se tornar uma fonte de inspiração e confiança.

Por que eu disse um menino? Porque é assim que eu enxergo, somos meninos, muitas vezes somos mais crianças que nossos próprios filhos. (...)

Mas existe uma força que surge no processo de paternidade que é muito profunda, a de ser o melhor pai que eu puder ser. Um esforço contínuo para estar acima de meus maus hábitos e ser exemplo de caráter e humanidade. Tentar agregar os melhores valores possíveis aos filhos durante o processo de relação. Mas fazer isso da forma mais verdadeira e profunda, através da expressão plena de si mesmo, e não através de palavras e comandos educacionais, ou mesmo uma conduta paternal pré estabelecida.

Através do convívio, nossos filhos chegam muito próximo à nossa essência, e sim, eles percebem o que estamos buscando realizar nesse processo. Somos os mesmos meninos, que por amor, nos superamos pelo bem deles. Essa percepção do verdadeiro ser que se encontra nas profundidades da figura do “pai” é a verdadeira mágica. 

Cuidar, proteger e inspirar através do que eu sou… esse é o verdadeiro sentido da paternidade.

Seja o melhor pai que puder ser… mas cuidado com que a cobrança do marido e pai idealizados pelos outros não sobreponha a sua verdadeira expressão e coloque uma carcaça rígida em você. Palavras e normas patriarcais não são paternidade. A verdadeira Paternidade necessita do encontro das almas.

Para pensarmos:

O Pinguim imperador

"Há poucos exemplos na natureza de um pai mais amoroso e dedicado do que o pinguim imperador. Após a fêmea colocar o ovo, suas reservas nutricionais se esgotam e ela deve retornar ao mar para se alimentar por dois meses seguidos. Isso deixa a responsabilidade de manter o aquecimento do ovo durante o inverno antártico para o pai.

O cuidadoso papai então passa esses dois meses equilibrando o ovo entre os topos de seus pés e de sua bolsa aninhada, sem alimentação, durante todo o inverno brutal. Se ele se move muito de repente ou o ovo fica exposto a temperaturas congelantes, o filhote dentro do ovo pode morrer. Porém, a sua dedicação garante o nascimento de um filhote saudável, que pode o acompanhar por semanas até a volta da mãe."

(National Geographic)

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Om shanti, irmãos!!!

"É o coração que sente Deus..."

(Blaise Pascal)

por Ad0a0m

Snorkeling in Indonesia


Om shanti, buscadores!!!

Reflexionando:

"A grandiosidade da vida humana consiste no fato
 de ela ser um mundo em si mesma e, mesmo depois
 de desaparecer, deixar sua riqueza como herança
 aos que buscam a mesma sabedoria."
(A. H. Hartog)
Citado na obra: "Chamados Pelo Coração do Mundo" - de Peter Huijs
 
Regime de historicidade
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Regime de historicidade é uma categoria de análise histórica utilizada pelo historiador François Hartog para classificar formas específicas de experiência do tempo, nas quais existem a dominância de uma das instâncias temporais - passado, presente ou futuro - sobre as outras. Em um contexto onde o passado é preponderante, pode-se observar um "regime de historicidade passadista", e assim por diante. A noção de um regime de historicidade foi construída a partir de duas influências centrais: a historiografia de Reinhart Koselleck e a antropologia de Marshall Sahlins. Segundo François Hartog, trata-se de um instrumento heurístico, próximo do conceito de tipo ideal (Idealtyp) de Max Weber, cuja função é articular as instâncias do tempo, expondo suas relações hierárquicas, que acabam promovendo certas formas de experiência enquanto inibem outras. Ao afirmar que a Europa viveu um regime de historicidade futurista a partir do século XVIII, o autor usa a data simbólica de 1989 para marcar a ascensão do presentismo como regime de historicidade a nível global.

Conceito Êmico
O conceito êmico diz respeito à forma como o agente histórico (sujeito, fontes, etc.) utiliza conceitos e os interpreta dentro de sua realidade, contexto e recorte temporal. Seria a noção do homem como agente e indivíduo da história. Isso é feito através de indices de estabilidade semântica que são historicamente situados que ajudam a entender como os conceitos mudam no passar do tempo. Por exemplo: Dicionários e Enciclopédias.
Utilizado para entender os conceitos a partir de como eles eram no passado, pelas sociedade as quais estão sendo estudada. Possibilita entender de maneira mais clara as culturas do passado através dos “olhos” dessas próprias culturas.

Conceito Ético
O conceito ético é uma abstração sobre o objeto de pesquisa feita no presente por quem o pesquisa, e pode ser dividido em dois tipos: concreto e ideais.
Com ele se faz perguntas ao outro, esse outro pode ser fontes antigas ou comunidades do presente a quais se estuda e tenta manter um distanciamento cientifico durante a pesquisa.

Concreto
Seria a descrição realista dos fenômenos, em alguns conceitos do materialismo histórico tentam se colocar como conceito concreto: como modo de produção classe, classe social entre outros. Se parte da realidade para pensar nesses conceitos, faz uma abstração para pensar esses conceitos depois volta ao real para analisar o conceito em relação ao objeto, sociedade. É criada uma reflexão usando esses conceito como ferramenta.

Ideais
(Categoria Heuristica, uma Hipótese de método analítico) Não se referem a coisa que existiram na realidade passada, pelo menos não no modo puro como se constrói.
O valor heurístico do conceito é definido pela capacidade que ele têm de realizar descobertas cientificas. Um conceito atual vira um modelo, uma categoria heurística para se fazer descobertas em cima do objeto que está sendo estudado. Consequentemente o regime de historicidade é uma categoria heurística do tipo ideal. Não é uma coisa física, é uma categoria de análise, que serve para comparar a nossa relação com o passado, presente e futuro nos diferentes momentos da história.

Ver também
  • François Hartog
  • Regime historiográfico:
  • A verdade é deste mundo; ela é ali produzida graças a múltiplas pressões. E ela nele detém efeitos regrados de poder. Cada sociedade possui seu regime de verdade, sua política geral da verdade: quer dizer os tipos de discurso que ela acolhe e faz funcionar como verdadeiros; os mecanismos e as instâncias que permitem distinguir enunciados verdadeiros ou falsos, a maneira pela qual são sancionados uns e outros; as técnicas e os procedimentos que são valorizados para a obtenção da verdade; o estatuto daqueles que possuem o encargo de dizer o que funciona como verdadeiro.— Michel Foucault, Dits et Écrits II (2001), p. 158

Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Regime_de_historicidade
Indicação:
"(...) Antes, lembrarei primeiro uma citação de Agostinho: "Nos tempora sumus", (nós mesmos somos tempo) e começarei por uma questão bem simples. Seria significativo considerarmos nossa atual situação (...)"
*
TEMPO, HISTÓRIA E A ESCRITA DA HISTÓRIA: 
A ORDEM DO TEMPO* 
François Hartog EHESS * 
Tradução do Prof. Dr. Francisco Murari Pires - Departamento de História - FFLCH/USP.

" O artigo procura circunscrever historicamente uma série de reflexões que a experiência da temporalidade situa para o historiador contemporâneo a partir da proposição da noção de regime de historicidade, especialmente contrapondo sua formulação moderna, estruturada pela idéia de Progresso, à antiga, polarizada pelo topos da historia magistra vitae."
 Disponível em: http://www.fflch.usp.br/dh/heros/excerpta/hartog/hartog.html>
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Gratidão!