sexta-feira, 25 de março de 2022

Namastê buscadores!
Batata não é feijão

Analisar como pensam as crianças é experiência deliciosa, e de ensino profundo.
Duas meninas, uma de cinco, outra de sete anos, estavam na sua mesinha jantando.
A menorzinha encontrou um grão de feijão na sopa, e disse para a outra:
Quando eu tiver uma semente de feijão, vou plantar no meu canteiro.
A outra acabou de engolir a sua colherada, passou o guardanapo na boca, e replicou:
Feijão não tem semente. A semente é ele mesmo.
A pequenina não entendeu, e tornou:
Então, como é que ele pode nascer, sem semente?
A outra, depois de pensar um pouco, explicou:
Eu acho que é mesmo a terra que, um dia, vira feijão.
Mas sem ter havido nenhuma semente, antes?
É, mesmo sem ter havido. Ela vai se juntando, juntando, juntando, e fica assim... num grão.
E procurou pelo prato, para ver se encontrava mais algum.
A menorzinha não se conformou muito com essa transformação abstrata. Foi tomando a sopa, e pensando.
Depois de um pedaço de silêncio, reatou a conversa:
Olha, também pode ser assim: um homem faz uma bolinha pequenina, pequenininha de massa... Depois, pinta por cima. Fica o primeiro feijão, então. Depois, os outros nascem...
A outra menina perguntou imediatamente:
E com que é que ele faz a massa?
Pode ser com... batata.
Mas batata não é feijão! - concluiu a maior, voltando a tomar sua sopa, pensando um pouco mais no tema proposto.
As duas continuaram ali, sentadas na mesinha, sem solução para sua dúvida, e com as cabecinhas quentes, de tanto pensar, imaginar e questionar.
*   *   *
Quem dera pudéssemos manter, após a idade adulta, essa curiosidade saudável e investigadora, que não se contenta com respostas superficiais.
Quem dera pudéssemos guardar na alma o hábito de fazer perguntas, de querer saber mais sobre isso ou sobre aquilo.
Quem sabe, se a idade dos porquês nunca houvesse passado, teríamos evitado aceitar tantas verdades fabricadas, através dos anos.
Muitos deixaram de questionar, de inquirir, aceitando tudo sem o processo indispensável do raciocínio.
Outros tantos foram coagidos a não pensar, a simplesmente concordar com tudo, violentados naquilo que há de mais belo no Espírito: 
A liberdade de pensamento.
*   *   *
Sócrates foi proclamado um dos homens mais sábios de todos os tempos, e tinha o hábito de questionar, de descobrir o que estava por trás das coisas e das ideias.
Precisamos nós, conquistar esta sabedoria, e desvendar o mundo de forma madura, encontrando assim as verdades eternas que nos farão cada vez mais felizes.
Se continuarmos aceitando que feijões podem ser feitos de batata, estaremos condenados à estagnação do intelecto, e por consequência, ao engessamento moral.
Sigamos reflexionando:

A Balsa da Medusa
Pintura de Théodore Géricault
Balsa da Medusa é uma pintura a óleo executada entre 1818 e 1819 pelo pintor da época do romantismo e litógrafo Théodore Géricault. Está exposta no Museu do Louvre, Paris, e é considerada um ícone da pintura ocidental.
A balsa

Na História da Humanidade encontramos acontecimentos que nos levam a profundas reflexões.
Em 1816, uma fragata francesa encalhou próxima à costa do Marrocos. Não havia número suficiente de botes salva-vidas. Os restos do navio foram a única balsa que manteve vivas cento e quarenta e nove pessoas.
A tempestade os arrastou ao mar aberto por mais de vinte e sete dias sem rumo.
A dramática experiência dos sobreviventes impressionou a um artista. Theodoro Gericault realizou um estudo substancial dos detalhes para produzir a pintura.
Ele entrevistou os sobreviventes, os enfermos e, inclusive, viu os mortos. Horrorizado, reproduziu a íntima realidade humana nesta situação.
Seu quadro, intitulado A balsa de Medusa, retrata não somente o naufrágio do navio A Medusa, ocorrido no dia dois de julho de 1816, mas um acontecimento que comoveu a França e trouxe repercussões que tocaram o mais profundo da alma humana.
Na pintura, pode-se ver as diferentes atitudes humanas que se manifestam nos momentos cruciais da vida.
Alguns dos sobreviventes se apresentam deitados, em total abandono, sem reação alguma. Parecem simplesmente aguardar a morte inevitável.
Outros se mostram desesperançados, alheios aos demais. O olhar distante, perdido no vazio, demonstra que perderam a vontade de viver e de lutar.
Um punhado deles, no entanto, mantém a esperança acima de tudo. Tiram do corpo as próprias camisas e as agitam com força, fixando um ponto no horizonte, como se desejassem ser vistos por alguma embarcação, por alguém.
O curioso, entretanto, é que embora eles estejam balançando as vestes brancas, não há nenhum navio à vista. Nada que indique que eles serão resgatados.
*   *   *
A balsa é como o planeta Terra. Os tripulantes são a Humanidade e as atitudes que cada um toma diante da vida.
Podemos ser como os desesperançados, quando atravessamos situações difíceis e nos decidimos a simplesmente nos entregar sem luta alguma.
Podemos estar enquadrados entre aqueles que acreditam que não há solução e, assim, também não há porque se esforçar para melhorar o estado de coisas.
Podemos também ser os que duvidamos de tudo e de todos. Ou, finalmente, ser aqueles que mantemos a esperança acima de tudo, esforçando-nos para chegar à vitória, embora ela pareça estar muito, muito distante.
Afinal, decidir pela vitória em toda circunstância que a vida nos coloca é atitude de esperança.
*   *   *
Quando os problemas se multiplicam no norte da vida e os desafios ameaçam pelo sul, as dificuldades surgem pelo leste e os perigos se multiplicam no oeste, a esperança surge e resolve a situação.
Mensageira de Deus, torna-se companheira predileta da criatura humana, a serviço do bem.
É a esperança que, ante os quadros da guerra, conclama ao trabalho e à paz.
Em meio ao inverno rigoroso, inspira coragem e aponta a estação primaveril que, logo mais explodirá em cor, perfume e beleza.
Nunca se afaste da esperança!
A palavra sincera

Você sabia que a palavra sincera foi criada pelos romanos?
Eles fabricavam certos vasos com uma cera especial tão pura e perfeita que os vasos se tornavam transparentes.
Em alguns casos era possível distinguir os objetos guardados no interior do vaso.
Para um vaso assim, fino e límpido, diziam os romanos:
Como é lindo! Parece até que não tem cera!
Sine cera queria dizer sem cera, uma qualidade de vaso perfeito, finíssimo, delicado, que deixava ver através de suas paredes.
Com o tempo, o vocábulo sine cera se transformou em sincero e passou a ter um significado relativo ao caráter humano.
*   *   *
 Se buscamos a riqueza do Espírito, esculpindo seus valores ao longo do tempo, devemos lembrar da sinceridade, desse revestimento que nos torna mais límpidos (...) 
Sejamos o vaso finíssimo que permite, a quem o observa, 
perceber seu rico conteúdo (...)
 Por fim, lembremo-nos do vaso transparente de Roma, 
e procuremos tornar assim o nosso coração.

1o. Redação do Momento Espírita, com base em trecho
da crônica Como as crianças pensam, de
Cecília Meirelles, do livro intitulado Crônicas
de educação, ed. Nova Fronteira.
Em 16.10.2008

2a. Redação do Momento Espírita, a partir do texto A balsa,
de autoria desconhecida e pensamentos do cap. 19 do livro
Perfis da vida, pelo Espírito Guaracy Paraná Vieira, psicografia
de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.
Em 5.1.2021
Fonte: http://www.momento.com.br/

quarta-feira, 9 de março de 2022

 Namastê buscadores!

A CURA ATRAVÉS DO AMOR
por Clara Codd

Este texto foi desenvolvido a partir de uma pesquisa médica intitulada A ciência descobre o verdadeiro amor, que corrobora relatos pessoais que me foram feitos por dois médicos famosos, um nos Estados Unidos e outro na Austrália. Citarei alguns trechos desses relatos.

"Psiquiatras concluíram que a grande maioria das doenças mentais é causada por desamor. Psicólogos infantis, rivalizando por causa da alimentação programada versus alimentação de demanda, ou espancamento versus não-espancamento, descobriram que nenhuma dessas coisas faz muita diferença, contanto que a criança seja amada."

"Sociólogos descobriram que o amor é a resposta para a delinquência; criminologistas descobriram que ele é a resposta para o crime. Médicos também descobriram que a promiscuidade sexual ocorre, na maioria das vezes, entre pessoas que foram privadas de amor". Este último trecho lembra tanto o psicólogo Jung quanto J. Krishnamurti, que afirmaram não haver problema sexual que não possa ser resolvido pelo amor.

Os médicos de Chicago também descobriram que a alta percentagem de mortalidade nos orfanatos diminui quando as crianças são cuidadas por mães adotivas afetuosas. Na verdade, o "amor de mãe" são as plumas que forram o ninho dos ser humano; uma criança que não é amada fica aleijada emocionalmente, e frequentemente fica até mesmo atrofiada em seu crescimento físico. Esta é uma descoberta tão importante que somos forçados a indagar o que é o verdadeiro amor.

O artigo prossegue: "Este não é o amor tão comumente retratado em filmes e histórias. É o amor que Jesus ensinava; o mais simples, porém o mais complexo atributo do homem. Igualmente, o mais incompreendido. Segundo o Dr. Abraham Stone, de Nova Iorque, 'o amor é o maior remédio, mas a maioria das pessoas, mesmo muitas daquelas que acham que são felizes no casamento, não sabem o que é o amor'." (...)

Segundo Krishnamurti: 

"Onde existe amor, o sexo não é problema. É a falta de amor que cria problemas. Quando você realmente ama alguém, você partilha com ele tudo que possui. Amar é ser casto. Somente o homem que ama é casto, puro e incorruptível. É somente para os poucos que amam que a vida de casado tem significado e é indissolúvel. O amor não é sensação nem pensamento. Quando o amor nascer você saberá como amar. Porque nós não sabemos como amar alguém; nosso amor pela humanidade é fictício. Quando você ama, não há um nem muitos, apenas o amor. Somente quando existir amor os nossos problemas poderão ser resolvidos, e conheceremos a bem-aventurança e a felicidade".

O "amor de mãe" não é necessariamente amor. H. P. Blavatsky diz que o amor comum de mãe não está em um plano elevado. O Dr. William Menniger afirmou: "A melhor coisa que os pais podem fazer é ensinar seus filhos a amar. Mas a única maneira de eles ensinarem a amar é pelo exemplo. As crianças devem receber amor, para que mais tarde possam doá-lo". Nós não amamos nossos filhos simplesmente protegendo-os e suprindo suas necessidades. Um animal também faz isso. A questão é: até que ponto ratificamos nossas crianças como pessoas? O quanto respeitamos sua individualidade? O quanto lhes ajudamos a crescer de maneira independente? Às vezes as crianças são tão sufocadas, tão arrumadas, tão cuidadas, que ficam sem qualquer iniciativa ou motivação, e tornam-se pessoas problemáticas. Isso acontece mais com filhos de pais ricos do que com famílias pobres, que têm outros problemas, mas onde, pelo menos, as crianças são desde cedo postas em contato com a vida.

Aprendendo a amar

Os médicos e psicólogos concordam em que o amor deve ser apreendido, Ele não surge "naturalmente", como se supõe, Krishnamurti diz: "Você não pode pensar a respeito do amor. Ele é um estado de ser." Talvez em toda a longa peregrinação da alma exista apenas uma lição a ser aprendida: como amar. Pode ser que a perda e a separação aconteçam para nos ensinar essa lição, O que é a agonia de perder um ser amado? Podemos dizer, sem crueldade, que é em grande parte a dor da perda de sua presença confortadora, e que não estamos pensando tanto nela quanto em nós.

Podemos encontrar ou descrever o verdadeiro amor? Um dos grandes exemplos que temos é o de Cristo. Nos últimos encontros com Seus discípulos, Ele disse: "Um novo mandamento vos ofereço: que amem uns aos outros como Eu vos amei." Santa Teresa de Lisieux meditou durante longo tempo sobre essas palavras, para aprender a amar as freiras suas irmãs assim como o Senhor amara Seus discípulos. Ela escreveu:

"Agora sei que a verdadeira caridade consiste em suportar todos os defeitos do próximo, sem me sentir surpreendida com os erros, mas sentindo-me edificada com suas menores virtudes."

São Paulo chamou esse amor verdadeiro de caridade, mas não a caridade superficial que consiste de esmolas, geralmente de pequeno custo para o doador. Caridade vem da palavra latina caro, querido. É a qualidade da pessoa para quem todas as coisas são queridas. São Paulo disse que, sem esse amor, todos os dons do espírito ou da personalidade não têm valor algum.

O amor pode esperar e acreditar para todo o sempre. Pode acreditar no amigo quando ele tiver perdido a própria fé em si mesmo. O amor não inveja. Se invejamos um amigo, não o amamos realmente; ainda existe em nós excesso de amor-próprio. Francis Bacon escreveu:

"Um amigo é alguém com quem nossas dores são divididas ao meio
 e as nossas alegrias são duplicadas."

O amor não se vangloria. O amor não é orgulho. É todo generosidade e humildade. Isento de egoísmo, o verdadeiro amor não pode ser outra coisa a não ser comedido e cortês. O amor é totalmente estável e fidedigno. Não é volúvel, não se altera quando encontra alteração. O verdadeiro amor é desinteressado.

O amor não é facilmente provocado; ele é lento para pensar no mal, rápido para perdoar. O amor não se regozija na iniquidade, e sim na verdade. A sinceridade é a marca do amor. O amor jamais tem motivos ocultos, duplos sentidos, aparência mentirosa. É completamente honesto e gentil.

O amor suporta todas as coisas, acredita em todas as coisas, tem esperança em todas as coisas, tolera todas as coisas. Suporta todas as coisas porque está convencido da justiça última. Acredita em todas as coisas com coragem e confiança infalíveis. Tem esperança em todas as coisas porque está consciente de que, no fim, o bem e a alegria devem vencer. Tolera todas as coisas com paciência divina. 'A tolerância é a suprema qualidade, e a paciência é toda a paixão dos grandes corações.'

O amor surge do conhecimento intuitivo da nossa eternidade, da nossa própria imortalidade. Uma das mais belas descrições do verdadeiro amor vem de uma escritura tibetana, e diz que há sete tipos de amor, três dos quais pertencem aos homens e quatro aos deuses. 

A primeira forma, e a mais inferior, é a mera atração magnética, como existe entre átomos e moléculas, planetas e sóis. Isso se exaure na união, assim como as polaridades negativa e positiva desaparecem ao se encontrarem. 


A segunda pode ser chamada de psíquica. Ela existe numa proporção de meio a meio: "eu te amarei se me amares, e lembra-te de que me deves algo por eu te amar". Isso já traz as sementes da sua própria morte. 


A terceira forma de amor é difícil para os homens; ela tem que ser aprendida. É amar o ente querido de tal maneira que se deseje apenas o seu mais elevado bem, e em seus próprios termos.

Por não querer transformar os outros, 
o amor os transforma. 

Um significado para a vida

Há muitos anos, na Austrália, encontrei um grande psiquiatra que era diretor de um asilo para doentes mentais. Uma menina, que foi sua paciente e a quem ele havia curado levou-me para ouvi-lo falar na igreja presbiteriana. Era um homem profundamente religioso, e realizava curas verdadeiramente maravilhosas por meio do amor e da oração. Ele conseguia os mais surpreendentes sucessos com pessoas supostamente incuráveis, especialmente os esquizofrênicos. A raiz do problema dessas pessoas, conforme ele afirmou, era o fato de elas terem se desligado de qualquer significado real para a vida; a cura consistia em restaurar isso com amor, paciência e oração.

Nos Estados Unidos, um médico amigo relatou-me a experiência de outro psiquiatra que tratou um grande número de pessoas supostamente incuráveis, internadas num sanatório ao longo de dez a vinte anos. Quase todos foram curados. O método era muito simples. Entre os pacientes estavam aqueles tão perdidos que permaneciam imóveis e aparentemente alheios à realidade durante horas. Durante horas o psiquiatra permanecia junto a eles, derramando toda a sua afeição e simpatia. Depois de um certo tempo, ele começava a perceber uma pequena resposta. Daí em diante, passo a passo, ele levava essas almas perdidas de volta à luz e à felicidade. O mesmo efeito foi obtido pelo grande Hahnemann, o descobridor da homeopatia, que curou um famoso general que enlouquecera.

Consta das escrituras hindus que a cura involuntária acontece na presença de um homem consciente de Deus. Eu mesma vi dois exemplos disso na pessoa de Krishnamurti. Segundo algumas tradições esotéricas, todo iniciado é um curandeiro inconsciente, pois irradia o tempo inteiro a vida e o amor de Deus.

O intenso amor humano também pode curar; o verdadeiro amor, não a vontade. O amor desinteressado, é redentor; é o verdadeiro significado da vida. Sem ele, todas as outras coisas perdem o valor.

“O amor vigia, e dormindo não dorme;
Quando fatigado, não está cansado;
Quando assustado, não está perturbado;
Quando sério, não está constrangido;
Mas como uma chama viva E uma tocha acesa
Ele sempre se eleva,
E com segurança passa através de tudo.
Quem quer que ame, conhece o apelo desta voz.”
(Thomas Kempis)

Revista Sophia – Editora Teosófica
Loja Teosófica Dharma

https://www.sociedadeteosofica.org.br/index.php/artigos/37-a-cura-atraves-do-amor-clara-

domingo, 6 de março de 2022

 Namastê buscadores!

“(...) um livro é muito importante, a ciência é muito importante, 

mas se se desprender do coração não vale nada”

por Músicas Instrumentais
Bach - Air on the G String | 1 HOUR Extended | 
Classical Music for Studying and Concentration Violin
*
Fernando Pessoa

Uma névoa de Outono o ar raro vela,

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.
Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.
Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]
5-11-1932
Poesias Inéditas (1930-1935). Fernando Pessoa. 
(Nota prévia de Jorge Nemésio.) Lisboa: Ática, 1955 (imp. 1990). 
 - 104.
 http://arquivopessoa.net/textos/3144

Om, shanti. Paz.

A comovente história por trás da foto desses dois irmãos, logo após os infames ataques atômicos de Nagasaki,

 em 1945

(...) Milhões de crianças foram forçadas a viver essas experiências durante a Segunda Guerra Mundial. Quando elas nos contam suas histórias, parecem irrelevantes devido à distância histórica, mas uma vez que o trauma devastador é transportado para um nível pessoal, tudo radicalmente muda. Talvez seja hora de entender realmente a magnitude da destruição.

Em 9 de agosto de 1945, os dois filhos que você mais ama acordam. O mais velho deles tem nove anos e o mais novo, apenas cinco. Eles viveram dias muito difíceis porque sua cidade foi bombardeada. Eles não sabem o que está acontecendo. Há alguns meses, a vida era tranquila e divertida, mas de uma hora pra outra, tudo ficou subitamente silencioso e escuro.

Fotos Nagasaki por Joe O’Donnell

Naquela manhã, o alerta de bombardeio dispara novamente. Outro ataque está chegando. Os dois irmãos correm para os braços de sua genitora, com medo de que não sintam mais nada. O medo os paralisou mais uma vez. As ruas estão cheias de gritos e frenesi.

Tudo se torna caos e desespero. Os minutos passam e o aviso de aviso de perigo é desligado. Tudo fica em silêncio por um momento. As pessoas param de correr e gritar. Os pequenos param de chorar pensando que tudo acabou. Que eles estão seguros novamente.

A calma é interrompida por um relâmpago feroz. Um segundo depois, a casa pega fogo, o ar se torna sufocante, como se o próprio inferno tivesse sido desencadeado na terra. O cenário que se desenrola é apocalítico após a bomba atômica nuclear cair sobre Nagasaki.

Não há palavras que descrevam o que aconteceu a seguir. As coisas mais horríveis do universo caíram nessa cidade, atingindo todas essas pessoas. Eles mereciam? Com certeza não. Eram pessoas comuns, que de maneira nenhuma mereciam vivenciar essa tragédia.

Meses após a explosão, o fotógrafo americano Joe O’Donnell viajou para Nagasaki com o objetivo de documentar e capturar as consequências da bomba atômica. De todo o material que ele fotografou, a imagem a seguir teve um grande impacto em todo o planeta.

Nagasaki a dilacerante mensagem do menino que carrega nas costas seu irmãozinho morto...

A criança que apareceu na foto correu para os braços de sua mãe minutos antes da detonação. Ele carregava o irmão mais novo nas costas. Mas seu irmão mais novo não sobreviveu a explosão, assim como toda a sua família e grande parte de sua comunidade.

“Vi um menino de cerca de dez anos andando. Ele estava carregando um bebê nas costas. Naqueles dias, no Japão, víamos crianças brincando com seus irmãos ou irmãs nas costas, mas esse menino era claramente diferente. Eu podia ver que ele havia chegado a esse lugar por um motivo sério. Ele não usava sapatos. Seu rosto estava tenso. A cabecinha estava inclinada para trás como se o bebê estivesse dormindo profundamente. O menino ficou lá por cinco ou dez minutos“, disse Joe O’Donnell.

Segundo O’Donnell, o garoto estava na frente de homens usando máscaras brancas, responsáveis ​​pela incineração de corpos sem vida. Ele ficou diante deles, com o corpo ereto, como uma demonstração clara de como o militarismo havia influenciado a vida civil.

Segundos depois que a foto foi tirada, o garoto entregou o corpo de seu irmão para que ele fosse jogado nas chamas, se despedindo da última coisa que ele tinha no mundo.

“Os homens de máscaras brancas foram até ele e silenciosamente começaram a tirar a corda que segurava o bebê. Foi quando vi que o bebê já estava morto. Os homens seguraram o corpo pelas mãos e pés e o colocaram no fogo.

O garoto ficou ali sem se mexer, observando as chamas. Ele mordia o lábio inferior com tanta força que brilhava com sangue. A chama ardia baixa como o sol se pondo. O garoto se virou e se afastou silenciosamente. Esta é a história por trás da fotografia que chocou o mundo. É mais uma, entre tantas imagens documentadas que deixam claro por que esse evento nunca deve se repetir em qualquer lugar do mundo“. disse Joe O’Donnell

Esta foto ratifica o clichê da imagem que diz mais que mil palavras. É uma cena de silêncio ensurdecedor que proclama, como só uma grande foto consegue proclamar, a tragédia da guerra estampada nos olhos apagados de um menino órfão de dez anos de idade.

Essa imagem não apenas captura a tristeza da guerra, mas também mostra que a guerra continua afetando suas vítimas, mesmo depois de ter terminado oficialmente.

A trágica história daquele menino atingiu O’Donnell profundamente. Em uma entrevista de 1995 para a emissora NHK, por ocasião do 50º aniversário do ataque norte-americano, Joe se desculpou perante o povo do Japão, especialmente às famílias das vítimas dos bombardeios:

“Eu quero lhes manifestar nesta noite a minha dor e amargura pela dor e pelo sofrimento provocados pelos cruéis e inúteis bombardeios atômicos das suas cidades. Nunca mais Pearl Harbor! Nunca mais Hiroshima! Nunca mais Nagasaki!“, disse O’Donnell.

Se você sentiu alguma semelhança com o famoso filme de animação japonês do Studio Ghibli, lançado em 1988, “Túmulo dos Vagalumes“, você não se enganou. No filme, um jovem garoto, junto com sua irmã mais nova, lutam para sobreviver no Japão durante a Segunda Guerra Mundial, um retrato comum vivenciado por muitos órfãos durante esse período infame.

Fonte: culturacolectiva.com


https://giphy.com
*
"Quando há fraternidade, o amor é sereno;
Quando há solidariedade, o amor é ativo; 
E quando há caridade, o amor é vivo."
(Juahrez Alves)

sábado, 12 de fevereiro de 2022

Namastê buscadores!!!
Meditemos:

 “Desapego é envolvimento e intimidade
 com as coisas como são.”
por Ambient
Hazy - Eternal Space 
*
Reflexionando com Mooji:

"Todos os altos e baixos são graça em envoltórios diferentes, 
enviados para refinar a consciência. 
Diga graças a todos eles."

"Não seja rápido demais para interpretar o momento. Apenas fique quieto. Meu encorajamento sempre seria: Nunca pense que nada é contra você, tudo é bênção. Por que deveria ser diferente?
 Apenas fique quieto. Deixe tudo funcionar."

"Alguns seres andarão com você pela duração dessa existência corporal, até o final. Alguns virão com promessas brilhantes, luzes brilhantes, mas desaparecem rapidamente. Outros vêm, eles não parecem que vão muito longe, mas são corredores de maratona; Eles estão lá com você o tempo todo. Você não pode determinar isso ... De alguma forma no fluxo do seu próprio rio único, você verá que tudo é como deveria ser."

"Há um mistério dentro de todos os seres explodindo para se revelar, nos que se tornam silenciosos o suficiente para descobri-lo. Nesta descoberta, uma força benevolente brilha espontaneamente da sua presença para todos os seres, e essa luz não pode deixar de iluminar o mundo."

"A maior cura seria acordar do que não somos."

"O vazio que falo não é o vazio que a mente imagina. Não está em branco. Seu corpo pode continuar expressando de maneira natural. Inteligência está lá. Emoções podem vir. Tudo pode jogar, mas dentro há serenidade total e paz. Nenhum planejamento, sem estratégia, nenhuma identidade pessoal está lá.
 Apenas o espaço de ser puro. 
É o que somos, mas sonhamos e acreditamos que não somos."

"Não tente mudar o mundo. Primeiro, mude-se ou melhor, sua auto percepção, e você encontra o mundo correspondente automaticamente ao nível de sua compreensão. Você descobrirá que sempre foi você que colocou o ritmo e a profundidade da sua experiência reconhecendo e honrando sua verdadeira natureza."

"Quando você mora guiado pela intuição em vez de pensamento,
 sua vida dança como escrever na água, fresca e não rastreável."

"Vá além de tudo. Não colete nada. Um rei não precisa ir às compras em seu próprio reino. Nem ele implora. Lembre-se, você é a consciência pura da realidade interna. Tudo o que surge são aparências na consciência.
 Não se preocupe com tudo isso. Descansar apenas como a consciência. 
Este é o segredo."

"Quando você pode suportar seu próprio silêncio, você é livre."

(Mooji)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Om Shanti!!!

"Nos amorosos olhos Dele,
cada pensamento, palavra
e movimento seu é sempre -
sempre Belo."
(Hafiz)
ARMAND AMAR & LEVON MINASSIAN - Meditação ao Luar
*
"Siga os meus rastros na areia que levam
Além do pensamento e espaço.
Porque falar em milagres,
se você está destinado a se tornar
Amor Infinito?"
(Hafiz)
*
Meditemos:
"A verdade está em tudo,
Mas o Amor
É tudo."
(Sri Chinmoy)

domingo, 23 de janeiro de 2022

 Om Shanti buscadores!!!

Lado de dentro!

“Descubra que não há um céu mais perfeito

 do que o seu interior…”

(Satbodhi Lisboa)

Vangelis - Antarctic Echoes
*
"Uma calma e firme autodisciplina é a chave
 para transformar boas intenções em ações corretas."
(Carlos Cardoso Aveline)
Do texto "Ideias ao Longo do Caminho - 09",
publicado em www.CarlosCardosoAveline.com
*
"Se você toca algo com profunda consciência,
você toca tudo"
(Thich Nhat Han)
*
Para meditarmos! 
Vangelis costumava dizer: 
"Eu não posso falar com você o que é música.
 Eu sou música, todo mundo é música. 
Música é uma equação matemática. 
É a maneira que você percebe as coisas ou vê as coisas...
 Natureza e música em si são exatamente a mesma coisa, 
o Universo é música."

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

 Namastê buscadores!


"A cada um a sua Missão, 
A cada um o seu Trabalho. (...)
OLHAI E MARCHAI PARA FRENTE;
A Lei dos Mundos é a Lei do Progresso."
Do Livro: O Evangelho Segundo o Espiritismo
( Allan Kardec)

"As uvas devem ser esmagadas para produzir vinho.
Diamantes se formam sob pressão.
Sementes crescem na escuridão.
Sempre que você se sentir pressionado, esmagado ou no escuro,
você estará em um poderoso lugar de transformação. 
Honre esse momento e tire a melhor lição dele.
Ele é quem te tornará a sua melhor e mais forte versão."
(Autoria desconhecida)
monarca da vida GIF
"Eu não digo nada sobre o céu ou o inferno, punição ou recompensa.
 Eu simplesmente digo para você: 
Vá morrendo para o passado, de forma que não seja um fardo na sua cabeça. 
E não viva no futuro o qual ainda não é. Concentre toda sua energia no aqui agora. Despeje-se neste momento, com totalidade, com tanta intensidade quanto você possa lidar. E nesse momento você vai sentir a vida."
(Osho)
Namastê buscadores!

Reflexão por Dalai Lama:

"Sinto que há uma grande contradição. Existem sete bilhões de seres humanos e ninguém quer ter problemas ou sofrimento, mas existem muitos problemas e muito sofrimento, a maior parte da nossa própria criação. Por quê? Falta algo. Como um dos sete bilhões de seres humanos, acredito que todos têm a responsabilidade de desenvolver um mundo mais feliz. Precisamos, em última análise, de ter uma maior preocupação com o bem-estar dos outros. Em outras palavras, bondade ou compaixão, que agora falta. Temos de prestar mais atenção aos nossos valores interiores. Temos de olhar para dentro."

"Temos que reconhecer que vivemos num mundo interdependente. O que afeta os outros afeta a nós também. A mudança climática, por exemplo, não tem respeito pelas fronteiras nacionais. E, no entanto, não sentimos preocupação com os outros 7 bilhões de seres humanos, não pensamos neles como parte de uma família humana. Como superar essa negligência? Carinho, sentido de comunidade e sentido de preocupação com os outros não são um tipo de luxo. Eles são sobre a sobrevivência da humanidade. A derradeira fonte de felicidade está dentro de nós; a mente calma que nos deixa relaxados, melhora a nossa saúde e torna famílias e comunidades mais felizes."

"Precisamos de reforçar valores interiores como o contentamento, a paciência e a tolerância, bem como a compaixão pelos outros. Tendo em mente que são as expressões de afeto e não de dinheiro e poder que atraem amigos de verdade, a compaixão é a chave para garantir o nosso próprio bem-estar."

"Quando vemos fotos da terra a partir do espaço, não vemos fronteiras entre nós, apenas este planeta azul; um lugar onde a mudança climática nos afeta a todos, onde a economia global nos une a todos. No passado, o Tibete rodeado de montanhas acalentava o seu isolamento. Mas, tal isolamento está ultrapassado. Hoje, precisamos levar em conta o bem-estar de toda a humanidade e precisamos trabalhar para preservar a saúde do planeta."

"Infelizmente, muitas das coisas que minam nossa alegria e felicidade nós mesmos criamos. Muitas vezes vem das tendências negativas da mente ou da nossa incapacidade de apreciar e utilizar os recursos que existem dentro de nós. Sofrendo de um desastre natural que não podemos controlar, mas o sofrimento dos nossos desastres diários nós podemos. Nós criamos a maior parte do nosso sofrimento, por isso é lógico que também tenhamos a capacidade de criar mais alegria. Depende simplesmente das atitudes, das perspectivas e das reações que trazemos às situações e às nossas relações com outras pessoas. Quando se trata de felicidade pessoal, há muita coisa que nós, como indivíduos, podemos fazer."

"Considero que somos todos iguais aos seres humanos, mentalmente, emocionalmente e fisicamente. Para garantir um mundo mais pacífico e um ambiente mais saudável, por vezes apontamos o dedo a outros dizendo que devem fazer isto ou aquilo. Mas a mudança deve começar por nós como indivíduos. Se um indivíduo se tornar mais compassivo, isso influenciará outros e assim mudaremos o mundo."


sábado, 1 de janeiro de 2022

Om Shanti, buscadores!

Um Conto Sufi:

– A Imagem do Eu de Ouro

O nosso conto de hoje, remete à tradição Sufi. O sufismo é a corrente do misticismo islâmico em que os praticantes buscam a perfeita contemplação de Deus, através do ascetismo, de práticas ritualísticas e da vivência dos Valores de sua doutrina.  Sua grande busca é para aprender, entender e se conectar com Ele (Deus). Embora a presença do sufismo se dê esmagadoramente na corrente sunita, existe também entre os xiitas. Os sufis, termo dado aos adeptos, são conhecidos pelo seu ascetismo e pelo forte compromisso com os Mestres, que consideram ser o elo de ligação entre o discípulo e Maomé. Dentre seus propagadores de destaque, encontra-se o autor do livro de onde retiramos esse conto. Idries Shah, nascido na Índia britânica, foi considerado o porta-voz do sufismo no Ocidente. Para ele, essa tradição era anterior ao próprio Islã. É um meio de conexão com a Sabedoria eterna, que no contexto árabe se adaptou às nuances culturais e continuou seu caminho de religar o Homem com a fonte da Vida. Esse conceito é muito interessante, pois confere um ponto de União entre essa fascinante produção do mundo muçulmano e todas as outras escolas místicas, que a quase totalidade das grandes religiões Humanas possuem. É como se entre a Cabala Judaica, o Gnosticismo Cristão e o Sufismo operasse uma mesma lei. Uma força que guia os Homens para a compreensão desse Mistério da Causa Primeira do Universo, que chamamos de Deus. Se assim realmente o é, não podemos afirmar. Mas é reconfortante pensar que existe uma possibilidade de Unir esses três grupos irmãos, filhos do mesmo Pai Abraão, e com tantas histórias de brigas, separação e sofrimento. 

Mas, voltemos ao conto, que é nossa pérola de hoje. E o chamamos assim, por sua preciosidade em nos levar a reflexões muito profundas. Ousando aplicar a leitura de Idries Shah, ao termos contato com essa parábola, não há como não ser imediatamente remetido à frase bíblica, descrita pelo evangelista Mateus (6:21): “Onde está teu tesouro, aí está o teu coração”. E ousando um pouco mais, diríamos que a recíproca é verdadeira: Onde está seu coração, aí está seu tesouro. 

No conto denominado “A Imagem do Eu de Ouro”, conhecemos a história de Abdul Malik. Adjetivado como “o homem bom” da sua cidade, era conhecido por sua caridade com os menos favorecidos. Apesar de rico, seu coração e, portanto, seu tesouro, não estava em suas moedas. O que ele possuía de mais valioso? Uma capacidade de acessar a sua verdadeira Identidade, e recolher de lá uma Generosidade que se traduzia em verdadeiros atos heróicos. Em um desses atos, ele vende toda a sua fortuna e a distribui aos pobres, e assim passa a ver que a maior Felicidade é servir, é entregar-se por completo, e não apenas compartilhar os excedentes. É aí então, que o conto nos apresenta o fantástico encontro de Abdul com seu Eu verdadeiro. Uma curiosa figura Humana, na forma de um “dervixe”. Os dervixes são mestres sufis que fizeram voto de pobreza e ascetismo. Eles também possuem o mesmo tesouro de Abdul: a independência dos bens materiais. Dali em diante, todos os dias, como recompensa por sua Bondade, ele poderia golpear o dervixe, que se transformaria em ouro para o desfrute de Abdul. 

Na primeira aparição, nosso protagonista não estava só. Seu convidado Bay-Akil, ficou espantado com o maravilhoso fenômeno, mas os dervixes são conhecidos por suas façanhas milagrosas e ele logo se convenceu de que não estava louco. Ele recebeu parte do ouro dado por Abdul. Mas, por não possuir aquele mesmo tesouro interno do amigo, deixou-se dominar pela ganância. E o desfecho foi violento e catastrófico. Abdul tinha tudo o que precisava, sua Generosidade gerava a riqueza que era necessária para servir “aqueles a quem ele só podia ajudar materialmente”. Por outro lado, Bay-Akil não tinha aquilo que era necessário para viver ricamente: uma compreensão de que a Generosidade é uma Lei da Vida! 

Abra as janelas de sua casa e você verá que isso é uma verdade natural. O Sol sempre nos dá seus raios, sem pedir nada em troca. Esses raios são parte dele mesmo, fruto de uma intensa atividade interna que gera essa radiação tão poderosa e útil, verdadeira criadora de Vida. Ao alcançar a Terra, todas as formas de Vida aprendem a lição da Generosidade solar e a reproduzem. As plantas, por exemplo, geram oxigênio, frutos, sombras, folhas, caules e tudo oferecem incondicionalmente. Se pudéssemos identificar a Felicidade dos vegetais, descobriríamos que eles são felizes assim. Dessa forma, Abdul estava inteiramente vinculado a esse fluxo da Vida. Se é assim, então por que muitos de nós nadamos contra a corrente, como Bay-Akil, e achamos que a Felicidade está em gerar para acumular?  

A Vida, o maior tesouro que alguém pode receber, nos foi dada, nós não a compramos. Mas, como nos disse o grande poeta Fernando Pessoa, os Deuses vendem quando dão. Essa energia vital que recebemos não é uma doação sem finalidade.  Ela é um investimento que a Natureza fez em você. E como todo investimento, Ela espera algo em troca. Quando você se for, será que devolverá somente um monte de bens acumulados? Ou será que o investidor Divino, poderá recolher como fruto desse investimento mais Amor, mais Fraternidade, mais Felicidade, mais Vida?  

A nossa Vida atual é muitas vezes encarada como uma corrida desenfreada pelo conforto, pela segurança e pelo prazer. Então, é perfeitamente compreensível que pensemos que a riqueza material é um pré-requisito para a Felicidade. E se essa é a nossa realidade, faremos tudo para conquistar esse tipo de riqueza, afinal, como nos disse o filósofo Aristóteles, todos os Homens buscam a Felicidade. Porém, isso nos leva a fazer concessões ao longo da Vida. Abrimos mão de um pouco de nosso tempo e o trocamos por um salário. Depois vendemos nossos sonhos para manter uma posição profissional, ou dedicarmo-nos ao que dê mais dinheiro. E se a riqueza material que conquistamos com isso não puder comprar a esperada Felicidade, corremos o risco de abrir mão de nossos princípios, envolvendo-nos em negócios pouco honestos em troca de mais moedas.  

Mas, não são poucas as histórias daqueles que têm muita riqueza e pouca paz. Assim, como muitas são as histórias daqueles que dão muito e são felizes assim. O que diferencia um do outro? Uma frase do filósofo árabe Avicena resume bem. Ele disse: “O vinho é o amigo do moderado e o inimigo do beberrão”. Sêneca, grande filósofo estóico, disse o mesmo, um pouco mais diretamente: “A riqueza é escrava do sábio e mestre do tolo”. O que nos faz ter uma relação sadia com o dinheiro é não ficar dependente dele.  

Mas, não nos entenda mal. Essa reflexão não é uma ode à pobreza, ou um apelo para conversão ao ascetismo de nosso personagem central. Vivemos num mundo material. E de fato, a grande maioria de nós, não é tão livre quanto Abdul. Ainda sentimos a necessidade de possuir. Mas, se não podemos retirar as algemas do desejo material, que pelo menos não nos esqueçamos de quem somos nesse processo. A riqueza é uma ferramenta tão somente. Assim como todas as coisas materiais, ela não existe por si só, não é um fim em si mesma. Seu valor real, está no uso que fazemos dela. Se aplicamos em viagens, bens e prazeres, geramos Felicidade para nós mesmos, o que é muito agradável. Mas, se os investimentos  em fazer o Bem a tantos quanto possível, com prudência, se concretizar, perceberemos que algo mágico acontece. A riqueza se divide, mas a Felicidade se multiplica. 

E já que falamos de desejo e de riqueza, desejamos que você aprenda com Abdul, que a maior riqueza está dentro de você e não fora. Você pode fazer isso, se quiser, ouvindo a música “Amor pra Recomeçar”, de Frejat. Especialmente nessa parte: 

"Eu desejo que você ganhe dinheiro 

Pois é preciso viver também 

E que você diga a ele 

Pelo menos uma vez 

Quem é mesmo o dono de quem." 

Fonte: https://feedobem.com/artigos/resgatar/conto-sufi-a-imagem-do-eu-de-ouro/