Aos buscadores:
"O Eu Superior não é nem um conceito metafísico frio nem uma onda ou emoção passageira. Ele é uma Presença - sublime, sagrada e benéfica - que envolve seu coração, pensamento e corpo através de seu misterioso poder, fazendo você considerar a vida de um ponto de vista mais nobre. Uma vez que você esteja claramente consciente da presença do Eu Superior, você descobrirá que ele espontaneamente te provê com uma regra de conduta e um padrão ético em todos os momentos e sob todas as circunstâncias. Consequentemente, você nunca mais se encontrará perdido para saber o que fazer nas situações morais difíceis, nem como se comportar nas desafiadoras. Com esse conhecimento, também lhe virá o poder para implementá-las." - Paul Brunton
*
"O ponto na consciência onde a mente projeta seus pensamentos foi chamado de 'a caverna' ou 'a caverna do coração'. Isso é porque, para o observador de fora, não há nada além de escuridão nela e, portanto, a caverna oculta o que quer que contenha. Quando, através de uma reorientação interna da atenção, seguirmos os pensamentos, sejam eles relacionados a coisas externas ou a imaginações internas, até sua origem oculta e penetrarmos o véu escuro ao redor dela, penetraremos então na Mente, no Eu Superior divino. Não poderíamos deixar de lembrar as adequadas linhas de Gray: "Muitas gemas do mais puro e sereno raio, as cavernas desconhecidas e escuras do oceano guardam." - Paul Brunton
VEMOS NOSSAS EXPERIÊNCIAS COMO DE FATO SÃO?
Uma experiência que envolva sofrimento poderá não demonstrar sua lição na face – a não ser que seja repetida tantas vezes que a lição se torne clara e evidente. Embora uma mente educável e receptiva a elucide mais rapidamente, com mais frequência, tal experiência se mostrará sombria e obscura. Será necessário então algo ou alguém que faça a conexão entre a causa e efeito dela. Esse algo só poderá ser a intuição; entretanto, raramente ela é alcançada. Esse alguém terá de ser um instrutor ou um livro.
Ele percebe numa situação somente o que seu preconceito lhe permita ver. Quer dizer, consciente ou inconscientemente, ele exclui da percepção aqueles fatores que não deseja que sejam trazidos à sua consciência.
Aqueles que se comprometeram com uma crença, opinião ou doutrina em particular, poderão estar assimilando um mero reflexo do que elas são quando tentam compreender suas experiências.
É da natureza do egocentrismo humano avaliar as coisas, pessoas e eventos somente através da medida de satisfação ou de sofrimento que eles tragam. Mas tal egoísmo ocultará a verdadeira natureza e o real valor deles, obstruindo o seu poder de proporcionar progresso.
O infortúnio maior não é a experiência que ele tem, mas sua má compreensão disso e, consequentemente, sua distorção de tal situação. Quando isso nos faz ficar pior no caráter do que antes éramos e com menos fé, quando nos enche de ressentimento, amargura, raiva ou ódio, somos NÓS que nos prejudicamos e não somente foi a nossa sorte.
No final, será melhor, mais prudente e mais satisfatório ver as coisas como elas são e não tolamente imaginá-las de forma exagerada, idealizada ou como as desejaríamos que fossem.
Olhamos para a mera aparência de uma situação ou experiência e esperamos ser capazes de julgá-las corretamente através dela. A mensagem divina que elas contêm está quase sempre oculta.
A pessoa convencional julga a partir da superfície das coisas e, muitas vezes, como consequência disso, se engana. Aquele que busca a verdade deverá penetrar na profundidade das coisas.
Se ele for bem sucedido em manter fora da superfície emocional de seu ser a tentação de rebelar-se diante de uma situação e, em vez disso, penetrar profundamente nela, aonde poderá aceitá-la com resignação, ele conquistará a força e sentirá paz.
Na juventude, sofremos de um otimismo imaturo ou de um pessimismo sem fundamento, mas o passar dos anos corrige isso. Após termos tido suficiente experiência, saberemos melhor como sermos divertidos sem que permitamos que esse otimismo venha a obstruir nossas faculdades racionais ou sem que o pessimismo nos domine durante suas reações às dificuldades. Saberemos que não poderemos permitir um otimismo superficial que venha a pôr de lado o espinho só querendo ver a rosa. Preferiremos ver toda a beleza rubra, junto com toda sua brutalidade, enquanto desfrutamos de sua fragrância. (PB – Notebook 9 – Cap. 1)
A INTELIGÊNCIA AO SERVIÇO DA VERDADE
Os obstáculos que impedem a difusão da filosofia entre as massas não são apenas a falta de cultura, a falta de tempo e a falta de interesse. O obstáculo mais poderoso de todos é aquele que afeta do mesmo modo todas as classes sociais – é o ego. A maneira teimosa como o estimam, a força apaixonada com a qual se agarram a ele, e a poderosa crença que lhe dão, unem-se para construir uma muralha contra os serenos enunciados da filosofia sobre o que ele é. As pessoas exigem, em vez disso, que a vontade de Deus decida todas as coisas e que a submissão paciente a essa vontade será sempre o melhor caminho. Será inútil lhes falar que seu cego apego ao ego cria grande parte de seus sofrimentos e que, se não abordarem a vida impessoalmente, não haverá outro caminho a não ser tolerar os penosos resultados de sua atitude errada. Esse é o caminho da religião. A filosofia, contudo, insiste em dizer a inteira verdade a seus estudantes, mesmo que sua voz calma e desapegada gele seus egos até os ossos. A aceitação do ponto de vista filosófico envolve a rendição do ponto de vista egoísta. Esse é um ajuste que só os moralmente heroicos podem fazer. Não precisamos esperar, portanto, que as pessoas tenham pressa para se tornarem filósofos.
Temos de aceitar o fato de que a maioria das pessoas possuem uma imensa capacidade de permanecerem numa atitude bem confortável dentro dos limites do seu ego, e que não possuem nenhuma vontade de saírem dela e ascenderem a um nível mais elevado.
Pois estão tão satisfeitos com seu ego que nem mesmo questionam se ele tem o direito de dominar suas mentes e ditar suas estratégias.
Acreditando em si mesmos e não em Deus, no seu ego em vez de em seu Eu Superior, eles agem de uma forma prejudicial ao seu bem estar verdadeiro, e obstruem seus interesses mais elevados.
Os seres humanos, em geral, não se importam em serem lembrados de seu fim, de sua mortalidade. Quanto mais lembrarem-se deste conceito da não existência de seu eu comum!
O fato é que temem que lhes seja dada a resposta à pergunta, “Quem sou eu?”. Pois isso poderá requerer que abandonem seus pequenos egos. Ninguém está sequioso em perder a pessoa que é. Assim, a pessoa média tem pouca ou nenhuma consciência de qualquer elemento espiritual na sua personalidade.
Envolvidos como estão na sua vida pessoal e familiar, eles negligenciam se abrirem à radiação delicada de seu ser mais interno e vivem como se ele não existisse. Estão tão acostumados em pensar em termos do ego que, para eles, parece impossível pensar de outra maneira.
A experiência de lhes ser tirado as raízes é tão desagradável que a recusa universal de aceder à sugestão de Jesus de abandonar ao ego fica fácil de compreender. As pessoas consideram tal exigência como algo impossível de ser cumprido. Assim, a maioria das pessoas estão se ocultando de si mesmas ou vivendo somente numa pequena parte de si. (PB – Notebook 6 – Cap. 4)
RESISTÊNCIAS AO CONHECIMENTO DA VERDADE
Conduzido pelo ego, dando ênfase incorreta a uma ou outra coisa, ele não tem nenhum interesse em encontrar a verdade. De fato, se sua ênfase incorreta for demasiada forte, seu interesse será o de evitar a verdade!
O ego tem sua própria imagem do mundo, colorida por suas próprias características e contida nas suas próprias limitações. Devido a isso, raramente ele vê as pessoas como elas de fato são.
Com uma parte de si ele busca honestamente a verdade, mas com outra parte, tenta evitá-la.
Nossa visão da vida, usualmente, é demasiado pessoal para que nos permita penetrar nas verdades mais profundas. Pois impomos nossas limitações pessoais e desejos emocionais sobre cada operação de percepção e compreensão que realizamos. Nossos apegos ocultos manipulam essas operações e obscurecem nossa inteligência prendendo-a, dessa maneira, a uma visão superficial das coisas e a uma compreensão demasiada simplificada delas.
A memória cria para nós padrões, tradições, valores e hábitos com os quais vivemos. Ela é a autoridade dominante. Mas também é a tirana que nos mantém cativos e nos nega a liberdade – uma privação que efetivamente impede que descubramos a verdade e que constrói uma barreira diante da realidade. Qualquer pessoa poderá dessa maneira recordar o passado de uma forma colorida pelo ego, mas só o sábio poderá esquecê-lo e dissolver todos os seus padrões.
Sob a superfície da consciência convencional, ele reconhece e recorda a verdade, quando apresentada a ele por alguém ou por um livro. Mas as falsas crenças legadas pelos seus pais e os preconceitos gradualmente introduzidos pelo seu meio, o levam a resistir a ela.
Pela ignorância em relação ás operações cármicas e a seus efeitos, o ego provoca muitas de suas oposições e muitos de seus problemas.
Independente de que seja vítima de seu próprio ego, ou do das outras pessoas, por aceitar as sugestões impostas a ele desde a infância, o resultado final será o mesmo.
Vivemos quase que inteiramente sob a as impressões trazidas pelos nossos sentidos e sob as emoções despertadas por elas.
Evitamos reconhecer que somos mantidos prisioneiros na ignorância e no sofrimento pelo nosso próprio ego, que nossa condição não é sadia e nem equilibrada, e de que teremos de encontrar alguma forma de nos liberarmos dessa prisão.
É uma evidência antiga e conhecida a de que a verdade poderá ser perturbadora e que ela é mais honrada do que praticada. Que perguntemos, “A quem ela perturba?”; encontraremos então que a resposta nos levará ao ego pessoal.
Leva muito tempo, até muitas vidas, para que a mente descubra que é a sua própria atividade imaginativa e especulativa que obstruí seu caminho para a verdade e que ela é vítima de poderosas sugestões recebidas de fora, alimentadas e fortalecidas por essas suas atividades. (PB – Notebook 6 – Cap. 4)
PERIGOS NO CAMINHO ESPIRITUAL
Em vários setores da vida, da atividade e das crenças humanas, e da humanidade em geral, o desejo de alcançar a unidade é apenas um sonho. As diferenças existem e existirão, mesmo quando alteradas na superfície, em qualquer pseudo-utopia gloriosa de um mundo unificado. Não se ganha nada em negar isso, mas só auto decepção. A única verdadeira unidade só poderá existir por meio da expansão interna e através de um coração grandioso que não exclua a nada e nem a ninguém; contudo, mesmo isso não será uma uniformidade.
O que temos de admitir é que aqueles que vivem somente para satisfazer seu ego e seus desejos não estão perdidos ou desviados. Eles precisam e deverão adquirir tais experiências. Isso é parte de seu necessário envolvimento.
Ele deveria se resguardar contra essas tendências tolas, que existem entre tantas pessoas de tendências místicas, de idolatrar algum ser humano como se ele fosse um deus, de superestimar as afirmações pessoais dele como se fossem oráculos infalíveis, e de exagerar alguma ideia útil proposta por ele como se fosse uma panaceia universal.
Quando surge o fanatismo, com ele surge a rigidez inflexível e uma recusa em considerar as evidências, por acharem que não são dignas de atenção.
O caminho da arrogância até a loucura é curto. Mais seguro será se manter humilde para assim preservar a sanidade.
Não mantenha uma posição na qual sua consciência, senso comum, ou intuição, mostrem que ela seja errada. Tenha a força de vontade de se retirar dela.
Deveríamos evitar a atitude não filosófica que vê, por um lado, tudo preto, e por outro, tudo branco. Pois deveríamos compreender que ambos os lados têm uma contribuição a dar. Nada existe para que seja odiado e tudo existe para ser compreendido. Ninguém é nosso inimigo, pois todos são nossos instrutores, embora, usualmente, de forma inconsciente e, com frequência, através de seu mau exemplo, nos ensinando o que deve ser evitado.
É da natureza de mentalidades desequilibradas e não filosóficas ver as coisas de forma extremada e pôr os outros diante de dilemas desnecessários que colocam para si mesmos.
Quando medos e desejos controlam inteiramente o pensamento de seres humanos, em vez da razão e da verdade, deveríamos nos resguardar contra o que essas pessoas dizem e determinam e contra suas ideias e doutrinas.
Será bom num mundo onde existe tanta maldade, tanta coisa errada, que sejamos cautelosos. Mas levar essa qualidade a um excesso fará com que cultivemos a timidez ou o medo, os quais, por si, são malignos.
Será possível cultivarmos uma devoção fervorosa a certos princípios sem que nos tornemos extremados ou fanáticos em relação a eles.
Aquele que apreendeu o espírito da filosofia não poderá se tornar um fanático de mente estreita ou um pregador enfadonho. Pois não excluirá e acolherá as atividades da inteligência e da criatividade humanas.
Considere seriamente a vida espiritual, mas não tão seriamente ao ponto de se tornar um tolo ou fanático quando em atividade no mundo.
O fracassado, o doente, o desiludido, o desafortunado, o promíscuo, o derrotado, o neurótico e o entediado e triste não encontraram a felicidade. No seu desencorajamento, eles se voltam ou para fugas do mundo, como na bebida, ou buscam o que lhes parecerá ser a próxima e melhor coisa – a paz interna. Perceberão então que essa paz só poderá ser obtida ao preço de, parcial ou totalmente, renunciarem às paixões corporais, aos desejos terrenos, orgulhos humanos, posses pessoais e ao poder social. Esse sentimento de frustração leva muitos deles à religião, alguns outros ao Yoga e poucos entre eles à filosofia. Todos esses postulantes a esses portais não se encontram motivados da mesma maneira, tendo alguns chegado a eles por motivações mais elevadas. Isso será só um início. Algo mais deverá existir, algo maior que isso. Um ideal ascético de libertação do desejo será bom, mas não o suficiente. O ideal filosófico da iluminação através da Verdade incluirá e complementará a isso, trazendo as qualidades positivas da alegria, da felicidade e do contentamento no seu curso.
A insistência na interferência na vida dos outros pregado por certas crenças fanáticas, o se envolver com os assuntos dos outros em vez de cuidar do seus próprios, é uma grande problema. Isso é uma causa atual da divisão do mundo em campos de conflito.
É uma afirmação comum na literatura, instrução e regras de movimentos totalitários – especialmente os políticos – dizer que o mínimo desvio da linha de conduta estabelecida pela autoridade não deverá ser feito.
Constantemente deveríamos considerar a possibilidade de que nossas atitudes não sejam as do eu mais elevado.
Uma coisa é estabelecer este propósito filosófico para a vida; outra é encontrar a maneira para alcançá-lo. Por exemplo, tentar viver de forma celibatária provocará a que se revolte o lado animal em nós, a não ser que sejamos sabiamente instruídos e informados com conhecimento.
Sentir desapego dos prazeres terrenos é uma coisa, mas sentir repulsa por eles é outra.
Deveremos ter o cuidado de, na nossa recusa em satisfazer os impulsos de uma sensualidade indigna, não cairmos no extremo oposto de tentar satisfazer as exigências de uma impossível renúncia.
Sem disciplina, as paixões e emoções poderão se tornar descontroladas. Mas com excesso de disciplina, o coração poderá se congelar e o indivíduo se tornar fanático e intolerante.
Aquele que se enclausura na sua própria virtude, inconscientemente se enclausura no orgulho espiritual.
Não se permita, ao de forma entusiasmada querer ganhar novas qualidades e virtudes, negligenciar a qualidade que deverá regular todas essas outras – a do equilíbrio.
Uma temperada autodisciplina certamente é estimulada pela filosofia, mas ela não cultiva os extremos de um ascetismo rigoroso. Uma certa austeridade em alguns momentos e uma autonegação sensata em outros fortificarão e purificarão o aspirante. (PB – Notebook 5 – Cap. 6)
O RENASCIMENTO ESPIRITUAL
Um dia, o evento misterioso chamado por Jesus de “renascer novamente”, ocorrerá. Acontecerá então um deslocamento sereno do eu inferior pelo Eu Superior. Com isso, no segredo do coração do discípulo, virá um poder estupendo ao qual o intelecto, o ego e o lado animal nele poderão resistir, mas resistirão em vão. Ele foi levado a essa experiência pelo Eu Superior tão logo pôde penetrar nas regiões mais profundas de seu coração.
Somente quando houver abandonado todas as atrações terrenas, todas as expectativas e desejos que, previamente, o dominavam, somente quando tiver a coragem de arrancá-las de si pela raiz e as jogar fora para sempre, somente então é que encontrará essa misteriosa e não terrena compensação por todo esse seu imenso sacrifício. Pois então será untado com o óleo sagrado da nova e mais elevada vida. A partir de então, ele estará verdadeiramente salvo, redimido e iluminado. O eu inferior terá morrido para que desse lugar ao seu sucessor divino. Saberá então que esse foi o dia de seu renascimento espiritual, que a luta da vida foi assim substituída pela serenidade, e que a vida na aparência foi transformada na vida na realidade. Suas capacidades, que haviam sido lentamente sido incubadas durante todos esses anos de busca espiritual, irromperão de súbito na consciência no momento em que o Eu Superior se apossar dele.
O que antes fora intermitentes vislumbres espirituais agora se tornam realidade permanente. A presença divina se tornou para ele um presença íntima e imediata.
Aquilo que tal sábio mantém em seu coração existe para todos sem distinção. Se poucos desejam receber isso, tal falha não está nele. Ele não rejeita nem discrimina a ninguém. São os outros que o rejeitam, que o discriminam. (PB – Notebook 16 – Cap.2)
EFEITOS APÓS A ILUMINAÇÃO
Quando a parede entre seu pequeno ego e o Ser Infinito colapsar, é dito, por alguns orientais, que ele chegou ao Nirvana, ao Vazio, e, por outros, que uniu sua alma a Deus.
É o clímax espiritual da existência, o momento dramático quando a consciência se reconhece e se compreende. Pois, à proporção que o ser humano cresça em compreensão, ele se deslocará de uma mera existência para a autêntica essência.
E será a descoberta de que todo o universo existe na mente, a qual virá com a revelação da Realidade. Será a atualidade da segurança interna, da bênção da paz, que veio para ficar.
Ele se verá eclipsado pelo Eu Superior, o qual se apossará de seu corpo; ocorrerá então uma união mística de sua mente com seu corpo e o ego ficará inteiramente subordinado a isso.
A partir do momento em que esta grande mudança de consciência ocorra, esse próprio acontecimento, assim como seus efeitos tremendos, deverão ser mantidos em segredo e revelados somente sobre uma orientação genuinamente superior. Pois, diante daquele que se iluminou, um observador com discernimento poderá perceber tal fato a partir de suas ações e de sua postura corporal, mas um outro ignorante poderá não perceber nada.
Ele não poderá existir neste estado mágico sem que transforme sua experiência no mundo. De um jeito ou de outro, isso servirá ao propósito de Deus, transformando mesmo defeitos externos em vitórias internas.
Compreenderá ele então o que significa não fazer nada por si mesmo, pois claramente perceberá que o poder superior age através dele para que faça o que quer que haja a ser feito, e que o faça corretamente. Enquanto isso acontece, ele apenas observa.
A experiência da iluminação traz consigo um sentimento estupendo de bem estar.
Assim como este Estado Iluminado não o impede de receber as impressões físicas do mundo ao redor, também não o impedirá de receber as impressos psíquicas das pessoas à sua volta. Mas ele não se prende a nenhuma dessas impressões e nem permite que suas emoções se envolvam com elas.
Sua serenidade na vida será oculta. Não dependerá dos cursos flutuantes da fortuna.
A natureza dos sentimentos de uma pessoa que chegou à iluminação se abrirá para reações puramente impessoais, com um sentimento tranquilo e não cheio de emotividade.
Nesta Mente Universal, aonde agora habita, ele não encontrará nenhum ser humano ao qual possa ser chamado de inimigo, ao qual odeie ou despreze. Ele tornar-se-á amigável com todos, não como uma atitude deliberadamente cultivada, mas como uma compulsão natural a qual não poderá resistir. (PB – Notebook 16 – Cap. 2)
A ESPIRITUALIDADE NA NOSSA VIDA DIÁRIA
Essas verdades eternas terão de ser trazidas à nossa costumeira experiência diária de vida. Cada ato deverá ser feito dentro da luz delas, cada pensamento mantido dentro de sua atmosfera.
Se a prática da meditação tiver de se limitar aos reclusos e o estudo da verdade metafísica confinado aos monastérios, então o misticismo e a metafísica ficarão em perigo de meramente se tornarem assuntos teoréticos. Pois a vida ativa no mundo, com seus problemas a serem enfrentados, suas realidades encaradas e suas tentações superadas, provê tanto um campo de provas necessário como um meio valioso de expressão para a experiência mística e a reflexão metafísica.
O carpinteiro poderá expressar sua ideia de uma mobília simplesmente ao fazê-la. O aspirante poderá demonstrar sua compreensão dos ensinamentos ao tentar pô-los em prática na vida cotidiana. Não antes disso é que, de forma conclusiva, poderá determinar quão corretamente ele os absorveu ou quão tolos, perigosos e enganadores poderão ser. Aqui, neste plano, é que existe o nível físico com o propósito de ser expresso fisicamente. Não antes disso é que ele poderá ter a certeza de que tais ensinamentos pertencem à realidade e não meramente á sua própria imaginação ou à de alguém mais.
Quando compreendermos tais provas corretamente, cada uma delas será vista não como uma privação a ser opressivamente suportada, mas como um portal a ser bem recebido com entusiasmo, pois elas nos oferecem a oportunidade de um desenvolvimento superior e de uma entrada em um nível mais elevado de ser e de capacidade.
Os detalhes menores que, na sua numerosa quantidade, caracterizam a nossa vida diária, nos oferecem uma oportunidade de expressar a sabedoria da filosofia e de aplicar a disciplina filosófica, tanto quanto o fazem as situações maiores.
Cada nova experiência e cada novo conjunto de circunstâncias se tornam seus instrutores. Cada reação pessoal a elas torna-se um indicador de seu nível espiritual.
Cedo ou tarde, se manifestarão as situações para que ele se lembre de que somente ao pôr em prática os ensinamentos na sua própria conduta é que poderá conseguir benefícios através delas e que, somente os utilizando nos acontecimentos e os relacionando à sua vida diária, é que poderá verificar a verdade existente neles.
Os resultados de suas ações dirão algo sobre as ideias que o levaram a elas, se elas eram verdadeiras ou falsas, corretas ou erradas. Dirão-lhes se sua fé estava bem ou mal colocada.
Os problemas de um aspirante não provam que os ensinamentos falharam. Somente evidenciam que, em verdade, ele não os seguiu, independente de que, na aparência, assim seja. Pois eles não estiveram ativos em sua mente, coração e vontade, por mais que assim parecesse diante dos outros.
Ele se une à verdade quando ela altera toda a sua concepção de vida, penetra seu coração e impulsiona sua vontade. Pois o que ele aceita como ideia e princípio terá de ser aplicado à experiência e sustentado pela ação. Então, e somente então, é que ela se manifestará na sua fortuna e destino. (PB – Notebook 9 – Cap. 1)
O QUE IMPEDE O EU SUPERIOR DE VIR A NÓS
O ser humano não poderá extrair a pura verdade de uma situação ou sobre o universo se seus preconceitos pessoais e motivações últimas o impedirem de ir além de seus interesses egoístas, seja isso na situação em questão ou em relação ao universo.
O nosso ego pessoal nos engana fazendo-nos acreditar que ele é quem somos – o nosso verdadeiro eu – sempre buscando, desejando e criando novas ilusões e falsas crenças. É esse nosso ego, com seus subterfúgios e suas maneiras, que nos impede de descobrirmos a realidade.
Tal é o domínio desse ego separador na maioria dos homens, que, embora tragam em si o divino tesouro, não o levam em consideração.
Quando a mente está repleta de memórias, acumuladas pelas experiências passadas do ego, ela não poderá se livrar do ego e “retornar ao lar”.
Somos prisioneiros do nosso ego porque somos prisioneiros do nosso passado.
A maioria das pessoas se encontra prisioneira de suas próprias opiniões, julgamentos e pontos de vista. A humildade intelectual necessária para fazer ceder ou mesmo abandonar o que firmemente sustentam e defendem, com tanta arrogância e ignorância, é uma das primeiras qualidades a ser cultivada para que elas possam iniciar a busca da verdade de forma correta. Enquanto estiverem fortemente apegadas às suas vontades pessoais e julgamentos limitados, pode-se esperar que não deem atenção aos ensinamentos impessoais e às prescrições dos profetas que transcendem o intelecto.
O constante movimento dos pensamentos e o fascínio do ego consigo mesmo ocultam de nós o Eu Superior divino, apesar de que esses sejam derivados d’Ele.
As pessoas não olharão para o que é atual se isso contradizer suas expectativas, mas somente para o que acreditam que deveria ser o real.
O ego só pode perceber o que está dentro de si; portanto, ele nunca vai além de sua própria sombra. Mesmo quando seus pensamentos operam sobre verdades elevadas, esse fato ainda perdura.
O ego obtém as coisas à sua maneira e bloqueia a verdade. Está tão imerso em si mesmo que não vê nada mais do que seus próprios pontos de vista, suas próprias opiniões. E isso é verdadeiro mesmo quando aparentemente passa por uma transformação mental ou uma conversão emocional, pois, no final, É O PRÓPRIO EGO que sanciona a nova crença ou ideia aceita. Mas aceita somente a porção de verdade que se adéqua a si e rejeita todo o resto.
O homem comum nunca se desidentifica de si mesmo, mas sempre está dentro de seu ego.
O ego era para ser sustentado e inspirado pela natureza mais elevada mas, em vez disso, o vemos obstruindo a expressão dessa natureza.
Entretanto, quando os vários pensamentos e sentimentos do indivíduo começarem a surgir como objetos de seu ‘eu’, isso será um ótimo sinal de que ele não mais está tão dominado pelo seu ego como antes o era. (PB – Notebook 6 – Cap. 4)
A HARMONIA
O ser humano que não tem nenhum outro suporte para suas atividades e empreendimentos do que seu ego, assim como nenhum outro centro para seus pensamentos e sentimentos, verdadeiramente é inseguro. Ele prossegue através dos eventos e situações da vida com medos e ansiedades trazidos de seu passado ou relacionados ao seu futuro.
Se você deseja estar em harmonia com a ordem do universo, cooperar com ela e não resistir a ela, terá de parar de impor o ego – seu ego – sobre ela.
Na consciência do ego, o homem compete com o outro e o mais agressivo ou o mais talentoso terá sucesso. Mas na consciência do Eu Superior não existe competição entre eles.
Se seu Eu Superior continuamente permanece fora do campo de sua consciência, isso será devido a que a consciência de seu ego esteja demasiado dentro dela.
Quão verdadeira é a afirmação metafórica da Bíblia de que o homem não poderá olhar a face de Deus e permanecer vivo. Sim, ele, o ego, terá de morrer para que Deus se faça presente.
O que ele acredita ser, como fato egoico, oculta o que em verdade é, como essência espiritual.
Enquanto seu ego afirmar sua supremacia em tudo o que ele faz, enquanto for ele que organiza todas as coisas para ele, ele será vítima de sua própria ignorância e cegueira.
Existem vários obstáculos ao caminho da verdade, mas o maior deles é o próprio aspirante – suas limitações, seus apegos ao ego.
Ninguém o está impedindo de chegar a esta iluminação a não ser ele mesmo.
A verdade não pode ser encontrada com base no que traz satisfação ao ego. Esse próprio sentimento de gratificação se tornará um obstáculo à sua descoberta assim como um desvio para a mente.
Todas as nossas relações com os outros serão marcadas pela maneira como usamos e funcionamos no nosso ego.
Como podem as pessoas encontrar a paz se vivem com contradições internas, onde a parte mais profunda de seu ser é suprimida pela que é mais superficial?
O ego penetra em todas as emoções e terá de ser retirado delas para que sejamos livres.
Quando cada pensamento e sentimento são direcionados pelo seu pequeno ego, quando as grandes questões da vida não são levadas em conta por serem consideradas irrelevantes, uma apreciação verdadeira disso terá de concluir que sua vida privada fracassou mesmo que sua vida pública haja sido bem sucedida.
Perdidos na miséria do ego, ele não ouvirá a voz jubilosa que o chama do nível mais profundo de seu próprio ser e não sabe que existe uma graça da qual possa ter esperança.
Enquanto o ser humano viver à parte da consciência de seu Eu verdadeiro, não poderá viver em paz. Mas quando puder descansar completamente neste Eu, não haverá segunda coisa que o tire dessa paz. (PB – Notebook 6 – Cap. 4)
A REALIDADE NÃO DUAL
A compreensão de que todas as coisas são ilusórias não é a compreensão final. Ela é um estágio essencial, mas apenas um estágio. Por último, o indivíduo compreenderá que a forma e a separatividade de qualquer coisa são ilusórias, mas a coisa em si não o é. AQUILO, do qual as formas surgem, não é diferente delas. Portanto, a Realidade Única é a mesma para todas as coisas. Este é o paradoxo da vida e será preciso uma mente aguçada para perceber isso.
Contudo, para retirar os iniciantes de seus apegos terrenos, precisamos primeiro lhes ensinar sobre a natureza ilusória do mundo e, então, elevá-los a um nível superior de compreensão lhes mostrando que o mundo não existe á parte da Realidade Única. Em essência, EU SOU AQUILO, é uma afirmação que une todas as coisas.
A expressão usada por alguns budistas, “a Mente Indivisível”, tem o mesmo significado que a da “Unidade com todas as coisas”, usada por muitos místicos – quer dizer, um conhecimento permanente conseguido através de um ÚNICO vislumbre, uma grande verdade não dual.
Quando os temperamentos masculino e feminino dentro de nós são unificados, completados e equilibrados, quando o poder masculino e a passividade feminina são unificados DENTRO do indivíduo, e o conhecimento e a reverência prevalecem, então a sabedoria alvorece na alma. A Realidade Inefável e o universo originado da Mente Única são dessa maneira compreendidos como sendo não diferenciados um do outro.
Quando tanto a unidade como a diversidade for vivenciada e o indivíduo for capaz de alcançar ambos esses níveis, certamente ele será abençoado com o insight. Entretanto, se ainda for preciso que a diversidade seja eliminada, antes que ele se torne consciente da unidade, tal estágio poderá ser considerado como sendo o penúltimo; quer dizer, o insight será genuíno, mas não completamente maduro. Tudo dependerá da capacidade do indivíduo.
Quando sua mente estiver inteiramente dentro da Presença Única Infinita, e quando aí estiver estabelecida de forma permanente, a existência dividida da iluminação temporária (vislumbre) e a da existência na escuridão, a do Espírito e a da matéria, a do Eu Superior e a do ego, a do céu e a da terra, desaparecerão. Acontecerá então a passagem para a existência unificada.
O estado da não dualidade é um estado de intensa paz e de equilíbrio perfeito. Ele é muito pacífico porque todas as coisas são percebidas no lugar a que pertencem – na ordem eterna da evolução cósmica. Dessa forma, todas elas são aceitas. Todas são reconciliadas.
Aquilo que é chamado de dualidade na metafísica oriental, o dois relativo, o eu e o não-eu, o eu e o universo, o eu e sua experiência, é transcendido.
Para aquele que chegou à não dualidade, o ‘aqui’ e o ‘lá’ se tornam um.
A correta ilustração desse estado: a paz eterna é experimentada no centro de um círculo; ao redor, os pensamentos revolvem na circunferência. (PB – Notebook 16 – Cap. 2)
AS PROVAS DA VIDA
Uma coisa é sair tateando pela vida cegamente e outra é cumprir com a lei de nosso ser CONSCIENTEMENTE.
O que ele pode ensinar a si mesmo através das páginas de um livro é uma coisa, e bem necessária, mas o que só pode ensinar a si mesmo através da experiência da vida é outra.
Se não pode chegar à verdade diretamente através da aceitação dos ensinamentos dos mestres visionários, então terá de chegar a ela pelos caminhos mais tortuosos e dolorosos.
As ações de um homem são sua declaração diária de sua fé. Se ele possui espiritualidade, que a demonstre através de suas presentes realizações. A ação deverá ser considerada como o primeiro critério para a realização filosófica.
Sua fidelidade à Busca será testada, tanto nos períodos críticos especiais como nos acontecimentos triviais do dia a dia. Por um lado, as tentações virão a ele e, por outro, as dificuldades o obstruirão. Irá ele dobrar seus joelhos diante dos ídolos do mundo? Continuará forte no meio das confusões do mundo? Só na hora da prova é que poderá saber.
As provas que a própria vida lhe faz passar poderão parecer ou não serem apropriadas, mas elas lhe contribuirão para suas descobertas em si mesmo, para o conhecimento de seu caráter, de suas forças e limitações, suas ambições procrastinadas e absurdas auto decepções.
O iniciante deverá dar mais atenção à sua situação externa e ao seu meio ambiente, pois será mais afetado por eles; o proficiente deverá dar mais às suas reações internas às situações e aos ambientes, pois elas se tornarão seu campo de prova. O papel que cada situação ocupa no seu desenvolvimento dependerá do estágio em que esteja.
Se em vez de ressentimentos, recebermos as provas com uma atitude correta ou se atravessarmos as provações com os pensamentos apropriados diante delas, descobriremos, quando elas passarem, que essas experiências foram de grande valor para nós. Descobriremos que nos elevaram a um novo nível mais superior de caráter e a uma nova concepção mais verdadeira da vida. Nossa natureza inferior será enfraquecida enquanto que nossa melhor natureza fortalecida. Nossos olhos se tornarão mais límpidos e nossos pés darão um passo mais adiante na Busca.
Ciente de que suas reações às situações são mais importantes do que as próprias situações, ele estará atento às provas ocultas nelas para sua capacidade e caráter. Esteja lidando com seus problemas no trabalho ou nos círculos familiares, ele usará cada episódio ou situação para se mostrar merecedor ou para descobrir uma fraqueza oculta. Nem esses eventos o desencorajarão, pois pesquisará, analisará, planeará e os resolverá até que se tornem novas forças para si mesmo.
A vida, com sua variedade de experiências, sempre nos está testando, e é quando estamos sob pressão que o teste será maior. (PB – Notebook 9 – Cap. 1)
A IMPORTÂNCIA DE SE DESAPEGAR DO EGO
Nossa libertação das misérias da vida dependerá inteiramente de nossa libertação do domínio do ego.
Uma importante razão pela qual os instrutores espirituais sempre impunham aos seus discípulos a necessidade de abandonar o ego, de renunciar ao eu, é a de que quando a mente está continuamente preocupada com suas próprias questões pessoais, ela cria uma limitação estreita sobre suas próprias possibilidades. Assim, ela não poderá chegar à verdade impessoal, a qual é bem diferente e está bem distante dos tópicos trazidos pela mente no dia a dia ou ano após ano. Somente ao romper com sua autoimposta estreiteza é que a mente humana poderá chegar á percepção do Infinito, da alma divina que seu ser mais interno é.
Uma avaliação correta da força do ego mostrará porque alguns aspirantes conseguem tão lentamente seu progresso.
Para todas as coisas há um preço equivalente. Para se obter a consciência do Eu Superior, pagamos com o que obstruí o caminho – com o sacrifício do ego.
Nenhum ser humano comum conhece de fato a si mesmo. Ele só conhece a IDEIA que faz de si mesmo. Caso queira conhecer seu verdadeiro eu, primeiro deverá se libertar dessa sua ideia falsa sobre si mesmo, desse eu imaginário.
Ele se identifica com todos os movimentos do pensamento, da emoção ou de suas paixões-deixando assim escapar seu verdadeiro ser.
Sem que haja esse desenraizamento do ego, todas as nossas soluções de nossos problemas, cedo ou tarde, elas mesmas se tornarão problemas.
Se o ser humano deseja ter acesso constante ao Eu Superior, deverá lembrar-se que isso não vem livre de um alto preço a ser pago – a submissão contínua do ego.
Sem uma purgação interna, ele meramente transferirá para o nível religioso ou místico, o mesmo egoísmo que expressava no nível materialista.
Você poderá erradicar muitos preconceitos e eliminar muitas ilusões como assim quiser; mas, se a origem delas – o ego – permanecer, novas ilusões e preconceitos ocuparão o seu lugar.
Enquanto não for reconhecido e dominado, o ego é... o princípio do mal.
Enquanto seu ego for o que estiver na frente em cada situação, ele estará impedindo as suas melhores oportunidades.
Renascimentos, memórias, poderes ocultos – todas essas coisas existem e continuarão a existir porque elas perpetuam o ego; o elemento do qual deveríamos tentar escapar.
A consciência como ego nos separou da Origem. Mas não precisa ser assim para sempre. Através da busca espiritual, poderemos chegar mais e mais perto da reintegração do ego com sua Origem, a qual a partir de então agirá através de nós.
Enquanto o ser humano estiver apegado à crença de que seu ego é real e permanente, ou pensa e age como se o fosse, ele continuará a estar apegado ás posses materiais e aos desejos mundanos. Pois um é a raiz do outro.
Se quiser o melhor do que a vida lhe possa oferecer, ele deverá, em retorno, oferecer o melhor que possui – deverá oferecer a si mesmo. Não poderá haver nesta oferta, para que ela seja aceita, quaisquer reservas ocultas ou subterfúgios astutos.
O ego terá de ser descartado antes que o Eu Superior possa ser descoberto.
Esse pequeno ego poderá sofrer diante da verdade tão dura e implacável. Mesmo assim, no final, ele deverá reconhecer que a verdade não e tão implacável, pois ela se encaixa perfeitamente dentro da ordem divina.
Somente quando o ego houver definhado é que ele conhecerá o que a verdadeira paz interna é.
O Eu Superior sempre exige esta relação consciente; o ego sempre se recusa a cumprir com tal exigência.
Enquanto o eu inferior se julga sábio o suficiente para tomar todas as decisões e solucionar todos os problemas, sempre haverá uma barreira entre ele e o Poder Superior.
O ser humano só pode manter um pensamento na mente de cada vez. Mesmo quando parece manter dois pensamentos diferentes (ao fazer duas ações diferentes simultaneamente), uma análise mais acurada evidenciará que as ideias são sucessivas, embora tão rápidas que pareçam estar juntas. Utilizando tal constatação, se evidenciará que é devido á manutenção do pensamento do seu ego pessoal separado, somente que ele se vê impedido de chegar à identificação com o Eu Superior. Não foi dito isso, de outra maneira, por Jesus?
Essas injúrias causadas ao ego são o preço que teremos de pagar para obter as bênçãos do Eu Superior.
Teremos que adquirir um padrão de conhecimento que transcenda a mera opinião individual. Só poderemos fazer isso, entretanto, se percebermos as coisas de forma impessoal, e não pessoal. Se excluirmos o ego de nossas medições e cálculos.
Aquele que vive totalmente dentro do seu ego, vive num mundo fechado, embora dentro de si mesmo. Ele não poderá adquirir o conhecimento direto do Eu Superior divino assim como nenhuma experiência confirmatória daquelas verdades apresentadas nas revelações dos grandes profetas. Esta é uma das razões porque duvida ou mesmo se opõe a elas.
Deveremos descobrir a verdade sobre quem de fato somos na medida em que descubramos o erro de acreditarmos que somos o ego e somente ele. Essa descoberta acontecerá e nos levará ao caminho da realização e da libertação somente na extensão em que a vivamos; pois a filosofia não será filosofia a não ser que seja posta em prática na vida. (PB – Notebook 6 – Cap. 4)
ॐ
"Acredito, como os seguidores de Platão de Alexandria acreditavam, que a beleza nutre a alma. Mas precisaríamos aprender o que realmente a beleza é." *
"Quando caminhamos por baixo de arcos abobadados de uma catedral, usualmente não sentimos as mesmas emoções de quando saímos de um elevador numa área de liquidações de uma loja de departamentos. Isso é o que quero dizer quando digo que cada lugar possui sua atmosfera mental formada por milhares de pensamentos espalhados por ele. Por isso é que sugiro que, de vez em quando, se faça um retiro em um lugar isolado, para o autodesenvolvimento espiritual, como algo valioso para o aspirante que se veja compelido a viver entre os tumultos de uma cidade moderna."
"É um propósito primordial da Busca criar uma verdadeira individualidade onde, na atualidade, só exista uma pseudo. Pois, aqueles que estão à mercê de suas respostas automáticas diante das atrações ou repulsas do mundo que o cerca, cujas mentes se encontram moldadas por influências externas e sugestões educacionais, não são indivíduos, no sentido verdadeiro que seja. Não será tanto conhecer o Eu Superior quanto saber que é o Eu Superior." -* Paul Brunton
Fonte: http://misticismonaturalmn.blogspot.com/2017/03/algumas-notas-de-paul-brunton-2.html