terça-feira, 30 de julho de 2019

Namastê buscadores!

"A Paciência transforma a folha 
de amora em seda."
(Provérbio Persa)
"Tudo é diferente de nós, 
e por isso é que tudo existe."
por 
Fernando Pessoa
*

Onde Você Vê 

"Onde você vê um obstáculo,
alguém vê o término da viagem
e o outro vê uma chance de crescer.

Onde você vê um motivo pra se irritar,
Alguém vê a tragédia total
E o outro vê uma prova para sua paciência.

Onde você vê a morte,
Alguém vê o fim
E o outro vê o começo de uma nova etapa.

Onde você vê a fortuna,
Alguém vê a riqueza material
E o outro pode encontrar por trás de tudo,
 a dor e a miséria total.

Onde você vê a teimosia,
Alguém vê a ignorância,
Um outro compreende as limitações do companheiro,
percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.
E que é inútil querer apressar o passo do outro,
a não ser que ele deseje isso.

Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar."
*
Eu Sou do Tamanho do que Vejo

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo... 
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer 
Porque eu sou do tamanho do que vejo 
E não, do tamanho da minha altura... 
Nas cidades a vida é mais pequena 
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro. 

Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave, 
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu, 
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os 
nossos olhos nos podem dar, 
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver. 
Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema VII" 
Heterónimo de Fernando Pessoa 
*
Não Tenho Pressa

Não tenho pressa. Pressa de quê? 
Não têm pressa o sol e a lua: estão certos. 
Ter pressa é crer que a gente passa adiante das pernas, 
Ou que, dando um pulo, salta por cima da sombra. 
Não; não sei ter pressa. 
Se estendo o braço, chego exatamente aonde o meu braço chega - 
Nem um centímetro mais longe. 
Toco só onde toco, não aonde penso. 
Só me posso sentar aonde estou. 
E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras, 
Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa, 
E vivemos vadios da nossa realidade. 
E estamos sempre fora dela porque estamos aqui. 
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" 
Heterónimo de Fernando Pessoa 
*
Há metafísica bastante em não pensar em nada. 

O que penso eu do mundo? 
Sei lá o que penso do mundo! 
Se eu adoecesse pensaria nisso. 

Que ideia tenho eu das cousas? 
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos? 
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma 
E sobre a criação do Mundo? 

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos 
E não pensar. É correr as cortinas 
Da minha janela (mas ela não tem cortinas). 

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério! 
O único mistério é haver quem pense no mistério. 
Quem está ao sol e fecha os olhos, 
Começa a não saber o que é o sol 
E a pensar muitas cousas cheias de calor. 
Mas abre os olhos e vê o sol, 
E já não pode pensar em nada, 
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos 
De todos os filósofos e de todos os poetas. 
A luz do sol não sabe o que faz 
E por isso não erra e é comum e boa. 

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores? 
A de serem verdes e copadas e de terem ramos 
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar, 
A nós, que não sabemos dar por elas. 
Mas que melhor metafísica que a delas, 
Que é a de não saber para que vivem 
Nem saber que o não sabem? 

"Constituição íntima das cousas"... 
"Sentido íntimo do Universo"... 
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada. 
É incrível que se possa pensar em cousas dessas. 
É como pensar em razões e fins 
Quando o começo da manhã está raiando, 
e pelos lados das árvores 
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão. 

Pensar no sentido íntimo das cousas 
É acrescentado, como pensar na saúde 
Ou levar um copo à água das fontes. 

O único sentido íntimo das cousas 
É elas não terem sentido íntimo nenhum. 
Não acredito em Deus porque nunca o vi. 
Se ele quisesse que eu acreditasse nele, 
Sem dúvida que viria falar comigo 
E entraria pela minha porta dentro 
Dizendo-me, Aqui estou! 

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos 
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas, 
Não compreende quem fala delas 
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.) 

Mas se Deus é as flores e as árvores 
E os montes e sol e o luar, 
Então acredito nele, 
Então acredito nele a toda a hora, 
E a minha vida é toda uma oração e uma missa, 
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos. 

Mas se Deus é as árvores e as flores 
E os montes e o luar e o sol, 
Para que lhe chamo eu Deus? 
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar; 
Porque, se ele se fez, para eu o ver, 
Sol e luar e flores e árvores e montes, 
Se ele me aparece como sendo árvores e montes 
E luar e sol e flores, 
É que ele quer que eu o conheça 
Como árvores e montes e flores e luar e sol. 

E por isso eu obedeço-lhe, 
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?). 
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente, 
Como quem abre os olhos e vê, 
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes, 
E amo-o sem pensar nele, 
E penso-o vendo e ouvindo, 
E ando com ele a toda a hora. 
Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema V" 
Heterónimo de Fernando Pessoa 
*
Criança
"Como uma criança antes de a ensinarem a ser grande,
Fui verdadeiro e leal ao que vi e ouvi."
*
Compreensão
"Percebemos demais as cousas - eis o erro e a dúvida."
*
Viver
"Toda a coisa que vemos, 
devemos vê-la sempre pela primeira vez, 
porque realmente é a primeira vez que a vemos."
*
Universo
"Passo e fico, como o Universo."
*
Natureza
"Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem, cada um como é."
"Acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido."
"Passe, ave, passa, e ensina-me a passar!"
*
Existência
"Basta existir para se ser completo."

Biografia:
Alberto Caeiro
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Alberto Caeiro foi um heterónimo criado por Fernando Pessoa, sendo considerado o Mestre Ingénuo dos heterónimos Álvaro de Campos e Ricardo Reis e também de seu próprio autor, Fernando Pessoa, apesar de apenas ter feito a instrução primária.
Foi um poeta ligado à natureza, que desprezava e repreendia qualquer tipo de pensamento filosófico, afirmando que pensar obstrui a visão. Afirma que, ao pensar, entramos num mundo complexo e problemático onde tudo é incerto e obscuro. À superfície é fácil reconhecê-lo pela sua objetividade visual, que faz lembrar Cesário Verde, citado muitas vezes nos poemas de Caeiro , pelo verso livre e pela linguagem simples e familiar. É um poeta de completa simplicidade, e considera que a sensação é a única realidade. Suas principais obras são O Guardador de Rebanhos, O Pastor Amoroso e Poemas Inconjuntos.

Foi descrito da seguinte maneira pelo heterónimo Álvaro de Campos: "Vejo-o diante de mim, vê-lo-ei talvez eternamente como primeiro o vi. Primeiro, os olhos azuis de criança que não têm medo; depois, os malares já um pouco salientes, a cor um pouco pálida, e o estranho ar grego, que vinha de dentro e era uma calma, e não de fora, porque não era expressão nem feições. O cabelo, quase abundante, era louro, mas, se faltava luz, acastanhava-se. A estatura era média, tendendo para mais alta, mas curvada, sem ombros altos. O gesto era branco, o sorriso era como era, a voz era igual, lançada num tom de quem não procura senão dizer o que está dizendo-nem alta, nem baixa, clara, livre de intenções, de hesitações, de timidezas. O olhar azul não sabia deixar de fitar. Se a nossa observação estranhava qualquer coisa, encontrava-a: a testa, sem ser alta, era poderosamente branca. Repito: era pela sua brancura, que parecia maior que a da cara pálida, que tinha majestade. As mãos um pouco delgadas, mas não muito; a palma era larga. A expressão da boca, a última coisa em que se reparava — como se falar fosse, para este homem, menos que existir — era a de um sorriso como o que se atribui em verso às coisas inanimadas belas, só porque nos agradam — flores, campos largos, águas com sol — um sorriso de existir, e não de nos falar."

Obra

Ver artigo principal: Poemas Completos de Alberto Caeiro
Ao todo tem 104 poemas, 49 em O Guardador de Rebanhos, 6 em O Pastor Amoroso e 49 em Poemas inconjuntos.

Temas

  • Objetivismo: Saboreia tranquilamente cada impressão captada pelo seu olhar, ingénuo como de uma criança ( não foge para o sonho nem para a recordação, ao contrário de Pessoa Ortónimo) e poeta da Natureza.
  • Sensacionismo: poeta das sensações verdadeiras; poeta do olhar; predomínio das sensações visuais e auditivas.
  • Antimetafísico: recusa do pensamento e da compreensão (pensar é estar doente dos olhos)e recusa do mistério e do misticismo.
  • Panteísmo naturalista: Deus está na simplicidade e em todas as coisas.

Estilo

  • Estilo discursivo.
  • Pendor argumentativo.
  • Transformação do abstrato no concreto, frequentemente através da comparação.
  • Predomínio do substantivo concreto sobre o adjectivo.
  • Linguagem simples e familiar.
  • Liberdade estrófica e métrica e ausência de rima.
  • Predomínio do Presente do Indicativo.

Ideologias

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…

Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem por que ama, nem o que é amar…
Alberto Caeiro, excerto de ‘’O Guardador de Rebanhos’’.
  • Mestre dos outros heterónimos e do próprio Fernando Pessoa Ortónimo porque, ao contrário destes, consegue submeter o pensar ao sentir, o que lhe permite: viver sem dor; envelhecer sem angústia e morrer sem desespero; não procurar encontrar sentido para a vida e para as coisas que o rodeiam; sentir sem pensar; e ser um ser uno (não fragmentado).
  • Poeta do real objetivo, pois aceita a realidade e o mundo exterior como são com alegria ingénua e contemplação, recusando a subjetividade e a introspecção. 

Referências:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Alberto_Caeiro

sábado, 27 de julho de 2019

Namastê buscadores!

Poemas Del Alma
por
Amado Nervo
EM PAZ 
Perto do meu pôr do sol, eu te bendigo, ó vida,
porque nunca me deste esperança falida
Nem trabalhos injustos, nem penalidade imerecida.

Porque eu vejo no decorrer da minha estrada
que fui eu o arquiteto do meu próprio destino;
que se eu extraí o mel ou o fel das coisas
Foi porque neles eu coloquei fel ou mel...

Quando plantei roseiras, sempre colhi rosas.
É verdade que o inverno seguirá minhas flores;
Mas você não me disse que maio era eterno!

Eu encontrei-me sem dúvida
 nas noites das minhas tristezas;
mas você não me prometeu apenas boas noites;
e em vez disso eu tive um pouco do sereno sagrado...

Eu amei, fui amado, o sol acariciou-me a face.
Vida, nada me deves! Vida, estamos em paz!

*

A SOMBRA DA ASA
Você que pensa que eu não acredito 
quando nós dois discutimos, você 
não pode imaginar meu desejo, 
minha sede, minha fome por Deus; 

nem ouviste o meu grito 
desesperado, que povoa 
as entranhas das trevas 
invocando o Infinito; 

Você nem vê meus pensamentos, 
que, determinados a produzir um 
ideal, muitas vezes sofrem 
com a tortura do parto. 

Se meu espírito infértil 
tivesse sua fertilidade, 
já teria forjado um céu 
para completar seu mundo. 

Mas digamos, que esforço se encaixa 
em uma alma sem uma bandeira 
que seu torturador leva para todo lugar,
 quem sabe? 

que vive rápido na fé 
e, com heroísmo tenaz, 
ele pergunta a cada abismo 
e a cada noite por que? 

De qualquer forma, 
minha sede de pesquisa, 
meu anseio por Deus, profundo e mudo; 
e há mais amor na minha dúvida do 
que na sua calorosa afirmação.
*
"Sempre que houver um vazio em tua vida, 
enche-o de amor."

*

JESUS
Jesus não veio do mundo dos "céus". 
Veio do fundo das almas; 
onde o eu nidifica: das regiões 
internas do Espírito. 

Por que procurá-lo acima das nuvens? 
As nuvens não são o trono dos deuses. 
Por que procurar por ele nas estrelas quentes? 
Chamas são como o sol que brilha sobre nós, 
orbes, de gases inflamados...
 Chamas apenas.
 Por que procurá-lo nos planetas? 
Balões são como os nossos, iluminados 
por uma estrela em que eles giram. 

Jesus veio de onde vêm 
os pensamentos mais profundos 
e o mais remoto instinto. 
Ele não desceu: ele emergiu do 
infinito oceano do subconsciente; 
Ele voltou para ele e lá está ele, sereno e puro. 
Foi e é uma eternidade.
 Aquele que ousa no abismo 
sem praias de si mesmo, 
com a luz do amor, que o encontra.
*
"O que importa males ou bens! 
Para mim todos são bens. 
A rosa não tem espinhos: para mim só dá rosas. 
Rosas de paixão? O que importa! 
Rosas de essência celestial, 
púrpura como o sangue que você derramou por nós, 
oh Cristo!"

*

DIVINDADE
Quando a faísca dorme no seixo 
e a estátua na lama, 
a divindade dorme em você. 
Apenas em constante dor e forte choque, 
o raio da divindade brota da pedra inerte . 

Não reclame, portanto, do destino, 
porque o que está dentro de você é divino, só vem dele. 
Suporta, se possível, sorrindo, 
a vida que o artista está esculpindo, 
o duro choque do cinzel. 

O que as horas ruins importam para você, 
se a cada hora em suas asas nascentes se 
põe uma bela pena? 
Você verá o condor em toda a altura, 
você verá a escultura terminada, 
você verá, alma, você verá...
*
Biografia
Amado Nervo
(José Amado Ruiz de Nervo; Tepic, Nayarit, 1870 - Montevidéu, 1919) poeta mexicano. Fez seus primeiros estudos no Colégio de Jacona, mudando-se depois para o Seminário de Zamora, no Estado de Michoacán, onde permaneceu de 1886 a 1891.

Os problemas econômicos que assolaram sua família, uma casa de classe média derrubada, forçaram-no a deixar seus estudos eclesiásticos inacabados, sem a idéia de que sua decisão também fosse influenciada por suas próprias inclinações poderia ser completamente descartada. Em todo caso, ele continuou a encorajar dentro dele uma espiritualidade mística, nascida sem dúvida nestes primeiros anos e que encharcou sua produção lírica em um primeiro estágio; nele meditava primariamente sobre a existência humana, seus problemas, seus conflitos e seus mistérios, e sobre o eterno dilema da vida e da morte.
Abandonado os estudos, Amado Nervo começou a praticar jornalismo, profissão que desenvolveu primeiro em Mazatlan, no Estado de Sinaloa, e depois na própria Cidade do México, onde mudou temporariamente em 1894. Suas colaborações apareceram na revista Blue Magazine. Juntamente com o seu amigo Jesús E. Valenzuela, fundou a revista Modern Magazine. Essas duas publicações foram o resultado dos impulsos e impulsos modernistas que surgiram, na época, em todos os cantos da América Latina literária e artística.
Em 1900, o jornal El Imparcial enviou-o como correspondente da Exposição Universal de Paris, onde residiria por dois anos. Ele estabeleceu ali conhecimento e amizade com o grande poeta nicaraguense Rubén Darío, que mais tarde diria de Nervo: "Ele também se relacionava com o grupo de escritores e artistas parnasianos e modernistas, completando assim sua formação literária".
Todos os estudiosos parecem concordar que ele adotou os princípios e filosofia de Parnassus, um grupo de criadores franceses que tentaram reagir contra poesia utilitarista e declamatória tão em voga na época, rejeitando também um romantismo lírico em que sentimentos, as paixões iluminadas e as convicções íntimas dos autores, interferindo em sua produção literária, impediram, em sua compreensão, o florescimento da beleza artística pura.

Com sua filha Margarita Dailliez

Em Paris ele conheceu o que seria a mulher de sua vida, Ana Cecília Luísa Dailliez, com quem compartilhou sua vida mais de dez anos, entre 1901 e 1912, e cuja morte prematura foi a dolorosa primavera da qual os versos de O amado imóvel , que não viu a luz pública até depois da morte do poeta, prova que ele considerava seu trabalho como parte essencial de sua intimidade mais dolorosa. O seu ofertório supõe, sem qualquer dúvida, um dos momentos líricos de maior emoção, uma das mais importantes jóias líricas de toda a sua produção poética.
Quando retornou ao México, depois daqueles anos decisivos para sua vida e sua formação literária e artística, trabalhou como professor na Escola Nacional Preparatória, até ser nomeado inspetor de educação literária. Em 1906, finalmente, ele entrou para o serviço diplomático mexicano e foi encarregado de várias tarefas na Argentina e no Uruguai, para ser finalmente nomeado segundo secretário da Legação do México na Espanha.
Em 1918, recebeu a nomeação do ministro plenipotenciário da Argentina e do Uruguai, que seria seu último cargo e, um ano depois, em 1919, morreu Amado Nervo em Montevidéu, capital uruguaia, onde conheceu Zorrilla de San Martín , Orador notável e ensaísta com quem teve uma estreita amizade e que, segundo os estudiosos, teve uma influência decisiva sobre a abordagem da Igreja Católica que o poeta fez em seus últimos momentos, uma abordagem que tem todos os sinais de uma verdadeira reconciliação.
O trabalho de Amado Nervo
Poeta e prosaísta, o valor de sua prosa diminui, no entanto, se comparado com suas produções em verso. Nervo é, de fato, um verdadeiro poeta modernista, um verdadeiro filho literário de Rubén Darío , totalmente mexicano; as intuições religiosas de sua juventude inspiraram as páginas de suas Black Pearls and Mystics(1898), nas quais se encontra seu famoso A Kempis , cujo lirismo não conseguiu mais superar o poeta.
Em uma imagem tirada por volta de 1918


"Não enumere jamais em sua imaginação o que lhe falta. 
Pelo contrário, conte tudo o que possui. 
Verá, em suma, que a vida foi esplêndida com você.“ 
-  Amado Nervo
*

terça-feira, 23 de julho de 2019

Om, shanti.
FLORAIS DE BACH
“Cada um de nós tem uma missão divina neste 
mundo, uma alegria maior e mais completa,
 fazendo o trabalho que amamos com todo 
nosso coração e nossa alma.”
 
"A Vida não espera de nós sacrifícios inatingíveis, 
ela apenas pede que façamos nossa jornada com 
alegria em nosso Coração e para ser uma bênção 
para todos aqueles que nos rodeiam.
Se nós fazemos o mundo melhor com a nossa 
visita, então nós cumprimos a nossa missão."
(Edward Bach)
História 

O Dr. Edward Bach - sua História e sua Herança

O Dr. Edward Bach (1886-1936) era um médico com ideias avançadas para o seu tempo. Ao longo da sua curta carreira, evoluiu da medicina ortodoxa para o desenvolvimento de uma forma de medicina natural para tratar a saúde emocional e espiritual, muito em sintonia com as tendências da saúde natural de hoje. Passou grande parte de sua vida (entre 1918-1935) descobrindo seu sistema simples de 38 essências florais. Ele estava convencido de que o bem-estar emocional era a chave para a boa saúde geral e seu sistema assimilou o estado de espírito positivo das flores, permitindo-nos redescobrir o lado positivo de nós mesmos.

Mais para o fim de 1930, escreveu a curta obra “Cura-te a Ti Mesmo” (Heal Thyself), com a sua mensagem de que a doença física resulta de um conflito com os nossos desígnios espirituais. Este livro foi publicado em 1931 e continua a ser reeditado desde então.

Desde Agosto de 1930 até 1934, o Dr. Bach fixou-se em Cromer, na costa de Norfolk, encontrando e preparando mais florais e com eles tratou os seus pacientes com sucesso.

O Dr. Bach não cobrava pelas suas consultas e os seus recursos financeiros estavam diminuindo.

Em 1934 mudou-se para Mount Vernon, a pequena casa de Oxfordshire que atualmente é o Bach Centre. Continuou a trabalhar, escrevendo, tratando doentes em Sotwell e em Londres, prosseguindo a sua busca de outros florais.

Sua descoberta igualmente revolucionária, detalhadamente desenvolvida pela íntima observação dos indivíduos, foi a de que não era a doença que precisava ser tratada, mas o estado de humor e as características da personalidade do paciente.

Durante esta fase, sofreu consideravelmente, tanto mental como fisicamente até conseguir encontrar a planta que aliviasse os seus sintomas.

Ele continuou a trabalhar, a ensinar e ao mesmo tempo a formar assistentes que continuassem o seu trabalho. Assim que acabou de criar os 38 florais e o Rescue Remedy, viu que não eram necessários mais florais; os 38 florais cobriam todos os aspectos da natureza humana e assim todos os estados de espírito negativos subjacentes à doença.

Filosofia

A Filosofia do Dr. Bach baseia-se na simplicidade e isso refletiu-se tanto em seu modo de ser quanto em sua própria filosofia de vida e na sua obra final concluída: os 38 florais de Bach que suavemente, nos trazem alívio, permitindo que a harmonia e a paz permeiem nossas vidas.

Quando conhecemos o objetivo do trabalho com os florais, quando compreendemos esse homem visionário, que estava muito além de seu tempo, ingressamos no caminho de nosso autoconhecimento, de nossa autocura e, consequentemente, por ajudarmos a nós mesmos, poderemos, depois ajudar os outros.

A importância da simplicidade
Este sistema de tratamento é o mais perfeito que foi dado à Humanidade, dentro de nossa memória viva. Ele tem o poder de curar a doença e em sua simplicidade, pode ser usado nos lares... É a sua simplicidade, combinada com todos os seus efeitos de cura, que o torna tão maravilhoso.
*
Trate a pessoa, não a doença
As Ervas curam nossos medos, nossas ansiedades, nossas preocupações, nossas falhas e nossos erros, são estes que nós devemos detectar e não a doença, não importando qual seja, ela acabará.
(Dr. Edward Bach, os Doze Curadores)
*
Enquanto as nossas almas e personalidades estiverem em harmonia, tudo será felicidade, paz e saúde.
*
A doença, embora aparentemente cruel, nos ajuda a aprender lições que precisamos saber. A doença não é punição. Ela tem finalidade de nos dar uma lição e nunca será erradicada até que a lição seja aprendida. Seu objetivo é trazer de volta o estado original de harmonia entre a personalidade e a alma. O fato de um indivíduo ainda ter vida, indica que há esperança.
*
Temos que ser firmes na determinação de vencer e na vontade de ganhar o topo da montanha. Nenhuma grande ascensão se realiza sem falhas ou quedas; estas devem ser consideradas como simples experiências enviadas para nossa educação, e tendo sido experimentadas podem ser esquecidas, pois a lição vive em nós. 
Com firmeza devemos andar para frente e adiante, sem nunca olharmos para trás, mas sim para o futuro glorioso com sua luz brilhante que está sempre a nossa frente.
Todo medo deve ser eliminado pois é estranho a nós. Sendo filhos do Criador, somos Fagulhas da Vida Divina...
A doença é única e puramente corretiva; nem vingativa, nem cruel, é o meio adotado pelas nossas próprias Almas para mostrar-nos nossos erros, impedir que façamos mais mal a nós mesmos e trazer-nos de volta ao caminho da verdade e da Luz, do qual nunca deveríamos ter saído.
*
A doença é aparentemente cruel porque é o resultado do pensamento e ação errada, que aparenta ser crueldade aos olhos dos outros. Portanto a necessidade em desenvolver o lado do amor e da irmandade de nossa natureza ao máximo, pois isto fará que a crueldade seja algo impossível no futuro.
*
A cura da doença pode ser encontrada descobrindo o errado dentro de nós e erradicando esta falha pelo desenvolvimento pleno da virtude oposta. Não lutando contra o errado, mas permitindo que a virtude oposta inunde o nosso Ser e ilumine a falha de nossa natureza.
*
Devemos praticar a paz, a harmonia, a individualidade e a firmeza de propósito.
E esta realidade deve se desenvolver dentro de nós até que se torne a característica mais importante da nossa existência. Devemos prontamente praticar a paz, imaginando nossa mente como uma lagoa a ser mantida sempre calma, sem ondas ou mesmo ondulações que possam interferir em sua tranqüilidade e gradualmente desenvolver seu estado de paz até que nenhum evento da vida, nenhuma circunstância, nenhuma outra personalidade possam, sob condição alguma, afetar a superfície desta lagoa ou fazer surgir dentro de nós qualquer sentimento de irritação, depressão ou dúvida.
*
Devemos considerar o opressor da mesma maneira como enfrentamos um adversário no esporte, como uma personalidade com a qual estamos fazendo o Jogo da Vida, sem o menor traço de amargura e se não fosse por esse oponente, não teríamos a oportunidade de desenvolver nossa própria coragem e individualidade.

Os Florais de Bach têm sido usados nos últimos 80 anos mundialmente como terapia complementar. Com as 38 essências, você poderá harmonizar suas emoções, trabalhando sutilmente para restaurar o equilíbrio emocional do seu ser... 

https://www.institutobach.com.br/site/

domingo, 21 de julho de 2019

Om shanti, buscadores!
 Virtudes e Poderes:
por Brahma Kumaris Brasil


Através da prática da meditação, podemos desenvolver qualidades que já expressamos, bem como revelar novas qualidades...
 Segue algumas das virtudes e dos poderes internos do ser...

Amor:
“Quando você vivencia suas crenças espirituais, elas se tornam um poder em sua vida e o levam à expressão natural de sua beleza, sabedoria e força interior. Quando observa sem julgar, você revela amor. Quando fala sem arrogância, ensina amor. Quando age com simplicidade, se torna amor. Quando se torna amor, você pertence ao divino. E sua vida se torna um templo.” - Roger Cole, Missão de Amor

Captar:
“Assim como o rádio, o telefone e a TV fazem seu trabalho, do mesmo modo, quando temos pensamentos elevados somos capazes de captar as vibrações das pessoas. Seja onde elas estiverem, longe ou perto, conseguiremos captar suas vibrações de forma tão clara como se estivéssemos usando os recursos da ciência. Mas para isso a mente e o intelecto precisam estar concentrados e estáveis. Quando nossos pensamentos forem sem egoísmo, puros e claros, nós teremos muitas experiências.”

Desapegar:
“Quando há apego, vem a preocupação, e com ela surge a necessidade de ter controle sobre tudo. Porém, quanto mais queremos controlar as pessoas ou as situações, mais elas nos escapam. Desapego não significa ignorá-las ou delas afastar-se, desapego é não se afetar negativamente com elas. Na consciência de ser um observador desapegado, procure estabilizar suas emoções e fique além do efeito dos acontecimentos externos.”

Enfrentar:
“Para desenvolver o poder de enfrentar desafios, torne-se sem confrontos. Permaneça diante do inimigo, mas só como uma oferta de paz. Você se enfrentou, portanto não resta nenhum eu interior vulnerável ou desconhecido que precise defender. É necessário ser valente para abordar o aprendizado desse poder. Ele lhe pede solitude, um retorno completo para dentro, para ir ao encontro de seus medos. Deparando com eles, você também depara com a criança que pode não ter crescido, mas que, nutrida e treinada para a selva, passará a ser sua grande força.”

Verdade:
“O que é verdade? Ela é luz. A luz que remove a escuridão, que mostra a todos o caminho. Aquele que está liderando não diria nada, apenas continuaria limpando o caminho para outros. Ele não ficará preso em fofoca de qualquer tipo. Nunca ficará preso no que os outros estão pensando e fazendo, apenas continuará a progredir. Não importa o que aconteça ao longo do dia, o seu estágio não deve mudar. Deixe que ele permaneça elevado e constante.” - Dadi Janki

Inocência:
“Quando nascemos somos conscientes da alma, inocentes do medo e das negatividades. Com o tempo a confiança é abalada e aprendemos a desenvolver atitudes defensivas que aparentemente nos protegem da dor. Ocorre uma mudança em nosso interior e passamos a ser conscientes do corpo. Adotamos uma identidade que reflete nome, forma, posição. Mas por trás desse véu ainda existe a pureza original. Redescobrir a consciência da alma faz reemergir nossa inocência.”

Simplicidade:
“O sentido da palavra ‘simples’ é muito profundo. Simples significa completamente puro. Ser sem ego é ser simples. Não ter raiva é ser simples. Não ter ganância é ser simples. Na extensão em que uma pessoa é simples, assim ela é bela, ou seja, real. Para se tornar simples, seja inocente do conhecimento de tudo o que é falso e ilusório e torne-se um mestre no conhecimento da verdade.”

Coragem:
“Sem qualquer aviso prévio, testes e obstruções surgirão para aqueles que estão arrumando a casa interior. Não fique surpreso com os acontecimentos. Não tenha medo. Continue caminhando com coragem, você não está sozinho. Para cada passo que dá, você recebe milhões de passos de ajuda. Se até o solo infértil pode produzir frutos após uma boa adubação, por que você, mestre autoridade todo-poderosa, não poderia transformar qualquer dificuldade no trampolim da vitória?”

Humildade:
“Quanto mais humildade você tiver, mais sucesso obterá. Quanto mais você se curvar, mais o mundo se curvará a você. Curvar-se significa reivindicar bênçãos de todos. Aquele que tem a especialidade da humildade sempre lembrará da expressão: ‘Você primeiro!’ Renunciar ao louvor do seu nome e personalidade não é se rebaixar, mas tornar-se elevado. Vista a armadura da humildade e você estará seguro em qualquer luta contra a falsidade.”

Paz:
“Em cada situação pergunte-se: O que eu tenho que fazer? Se alguém fica raivoso, eu tenho que brigar? Não, minha tarefa é assegurar um estoque suficiente de amor e paz dentro de mim. Mesmo quando você dá apenas um pouquinho de simpatia aos outros, veja quanta apreciação emerge no coração deles. Crie bons sentimentos. Procure não fazer nada que cause conflito. Eu tenho que aproximar as pessoas umas das outras, e não dividi-las. Isto não é algo que apenas acontece. Nós temos que fazer acontecer.” - Dadi Janki

* Textos extraídos dos livros A Paz de Todo Dia 
- volumes 2 e 3 - www.EDITORABK.org.br

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