domingo, 4 de novembro de 2018

Om, shanti.

Encontros com Deus
por Anthony Strano
(Brahma Kumaris)

Explica o que acontece quando temos um relacionamento direto e pessoal 
com Deus e por que isso é importante.

Lembro-me quando tinha 13 anos e pensava: “O que eu vou fazer da minha vida? Tenho a energia e as aspirações da juventude – o que vou fazer?” Eu estava crescendo na Austrália, um país muito livre; você pode fazer praticamente qualquer coisa que goste naquela idade. Peguei então a Bíblia e abri-a aleatoriamente. E ali estava a passagem na qual Deus perguntara a Salomão: “O que é que você gostaria, acima de tudo?”. Fiquei surpreso, porque Salomão não pediu por mais dinheiro ou um palácio maior ou qualquer coisa assim; ele apenas disse: “Eu gostaria de ter sabedoria”.

Pensei: “Isso é algo bom para se pedir, ser sábio e entendido”. Mais tarde, li outro texto que dizia: “Cuidado com a juventude! A juventude é como a grama verde. Hoje está fresca e resplandecente e amanhã estará seca e o vento virá e simplesmente a levará embora”. Então comecei a pensar: “Quando eu tiver 30 ou 40 anos e olhar para trás e refletir sobre o que eu tiver feito, o que direi? Estarei feliz com as decisões que tomei?” Lembro-me daquele dia inteiro simplesmente ficando em silêncio. Sempre gostei do silêncio. Ele era um espelho através do qual podia entender muitas coisas, não analiticamente, mas podia senti-las. Eu tinha a característica de nunca acreditar completamente na minha própria percepção sobre as coisas. Achava que era fácil iludir-se, portanto cada um deve sempre ter um ponto dentro de si a partir do qual observar-se.

Num dia de Natal, acordei bem cedo e decidi ir à floresta. Tinha acabado de amanhecer e havia um pinheiro oval com bastante orvalho sobre ele. Eu fiquei observando-o. O sol levantou-se cada vez mais alto, os raios de luz alcançaram as gotas de orvalho e o vento começou a soprar. Foi uma experiência muito linda. Todas aquelas gotas de orvalho começaram a refletir muitas cores diferentes – verde e azul, vermelho e amarelo – e à medida que o vento soprava levemente, as cores mudavam. Foi como um presente de Natal para mim, a árvore de Natal da natureza. Então, é claro, o sol levantou-se completamente, e tudo aquilo terminou. Pensei que seria bom ser como uma daquelas gotas, de alguma forma capaz de refletir algo escondido, algo silencioso, mas também muito bonito.

Comecei a perceber que para se ter uma conexão verdadeira consigo, com Deus e com outras pessoas, é importante manter uma fé muito profunda e uma humildade muito consistente, porque a fé em você, em Deus e em outras pessoas ajuda-o a ir além de muitas dificuldades, dúvidas e testes, e o torna confiante de que – muito embora você possa não entender – sempre há uma solução. Você também precisa de humildade para jamais cair na armadilha do “EU SEI”.  Mantenha sempre o “eu” aberto, pois somente quando estou aberto é que a verdade é dada ao “eu” como um presente. Todas as coisas divinas são presentes; o único esforço que alguém precisa fazer é posicionar o “eu” de tal maneira que seja capaz de receber aqueles presentes. Ao receber aqueles presentes, eles aumentam na medida em que forem compartilhados. Mas você simplesmente os compartilha como um instrumento – não como aquele que fez os presentes. Quer seja de sabedoria, de paz, de felicidade – eles foram dados, absorvidos e compartilhados.

Quando você lê sobre encontros de outras pessoas com Deus, descobre em alguns deles que aquilo transforma suas vidas, torna-se a fundação de toda a vida deles. Outros têm isso, mas então esquecem-no e perdem-se na rotina novamente, perdem a consciência, a maravilha daquele encontro. Quando há um encontro genuíno com o divino, o ser humano sente três coisas – transformação profunda, percepção profunda e grande inspiração.

TRANSFORMAÇÃO

A transformação é conduzida pelo desejo de realmente mudar o “eu”, de retornar a algo puro e original que foi esquecido ou que foi poluído, sabendo muito profundamente que se houver essa transformação dentro do “eu”, certamente essa pessoa estará pronta para ajudar e cooperar com outros seres humanos. Uma transformação profunda somente vem quando há aquele encontro com Deus, porque aquilo que transforma as profundidades do “eu” é o amor. Se Deus permanece abstrato, como para muitas pessoas, então há uma transformação muito pequena. Quando Deus torna-se pessoal e real, essa pessoa é capaz de experimentar o relacionamento, e é através do relacionamento que ela começa a experimentar o amor que lhe dá fé nela mesma e a coragem para mudar.

INSIGHT

O encontro, silencioso e muito pessoal, frequentemente não pode ser descrito. De algum modo ele não deveria ser descrito demais. No silêncio surge o insight. O insight é a abertura do terceiro olho, e a cegueira espiritual é levada embora – em particular, a cegueira de ser muito crítico sobre coisas e pessoas, de perder-se na fraqueza de outros e de ficar atrás de coisas triviais. O insight é onde sou capaz de ver a realidade positiva de outros, não importando qual possa ser sua aparência, não importando quão negativos eles possam parecer ser. O insight de alguém que encontrou Deus é ver através dos olhos Dele, ser capaz de ver os outros como seu irmão ou sua irmã. É esse insight que começa a criar um senso de unidade e amizade e um senso de pertencer a todos.

INSPIRAÇÃO

Um encontro pessoal com Deus também me dá grande inspiração. O impossível pode tornar-se possível. Não há nada que eu não possa fazer. Sempre há aquele suporte, aceitação, fidelidade de Deus no relacionamento Dele com você. Ele não o abandona ou o diminui, mas o segura. Você é sagrado para Ele. É uma grande inspiração quando você sente isso, não apenas saber disso intelectualmente, mas também senti-lo.

Ir do abstrato ao real é algo para o qual todos nós temos de nos esforçar. Isso vem ao entrarmos em quietude, silêncio e prontos para ouvir. Quando há esse encontro, sua fé e coragem são fortalecidas. Sempre há testes, problemas, dificuldades, mas você tem sempre aquela força para superá-los, pois agora é capaz de olhar e ver com outro “olho”. Você vê com um olho invisível, ouve com outro ouvido, um ouvido invisível. Você não precisa ver tudo pronto e tangível na sua frente. Eu não preciso ver a solução, porque sei que ela está lá e que virá na hora certa. A pessoa que tem um encontro genuíno e uma experiência contínua desenvolve muita doçura, generosidade, tolerância – mas especialmente não violência. Eles nunca pensam que são melhores ou superiores, nem inferiores. Há um sentimento de igualdade com relação aos outros – que os outros são tão bons quanto eu, que o que quer que eu tenha de bom em meu próprio eu, outros também têm.

Quando você tem esse encontro genuíno com Deus, a visão de universalidade é restabelecida e há uma atenção em mudança pessoal e doação. Nunca há um senso inflado de superioridade. Entretanto, muitos esquecem de proteger seu encontro genuíno com Deus com humildade e autorrespeito. Ao invés disso, eles começam a dizer: “Eu tive essa visão, eu vi essa luz e recebi essa mensagem”. Então, o que fiz com a mensagem, com a luz? Será que cresci? O crescimento é medido pelo respeito que tenho pelos outros e pelas atitudes não violentas com relação a tudo. Aceito quaisquer diferenças como algo divino e contribuição para o mundo; percebo que tais diferenças não limitam, mas enriquecem.

Uma coisa é muito importante ao cultivarmos nossos encontros com Deus. Enquanto temos de nos esforçar em nosso movimento na direção de Deus, igualmente precisamos estar conscientes do ponto no qual parar, ficarmos quietos e sermos guiados. Crescemos no Ocidente sentindo que temos de criar tudo, temos de fazer acontecer, que depende de nós. É em certo sentido, mas nem tudo depende de mim. Algumas vezes tenho de apenas me situar. Quando fui pela primeira vez aprender meditação como um método de aproximar-se de Deus, tive experiências muito boas de Deus as quais não esperava conseguir tão rapidamente. Lembro-me, na primeira vez, de sentir Deus não apenas como o Pai, mas como a Mãe. Nunca havia pensado antes sobre a Maternidade de Deus, mas como a mais tradicional Paternidade. Tive o sentimento de Deus, minha Mãe eterna, olhando-me docemente e sussurrando: “Eu o amo como é, não precisa provar-se. Você é o que é e Eu amo e aceito isso. Mas, sim, esforce-se para mudar, para acordar a parte mais pura do ‘eu’ e isso trará a você grande alegria”. Logo em seguida senti a Paternidade de Deus como uma onda de grande suavidade acalmando o “eu”. Ele definitivamente não era “a autoridade severa no comando”, sobre a qual aprendi na escola.

De qualquer modo, nunca senti que Deus era realmente severo e autoritário. Como Mãe e Pai, Ele era um professor sábio e cuidadoso tentando manter-me no caminho certo.

Quando eu era muito jovem e alguns adultos ficavam aborrecidos comigo, eles diziam: “Deus está observando você, e somente o perdoa três vezes se você for travesso”. Eu realmente ficava com medo, porque sabia que tinha sido travesso muito mais do que três vezes. Diariamente, minha travessura ou “enganos” eram próximos a pelo menos 33!, pois um dia fiz uma contagem consciente de meus “pecados”. Quando você é muito jovem, as coisas que lhe são ditas ficam impressas em você. Mas lá no fundo eu pensava: “Tenho certeza de que Deus não é assim, Deus não mede”. Deus é um amigo. E a bênção de tal amizade benevolente é um verdadeiro presente Dele.

Minha experiência pessoal com meditação é que quando entro em silêncio e sintonizo minha mente e conecto com esse Ponto Benevolente, esse Ponto de Benevolência para todo o universo, quando posso me conectar a essa corrente, sinto-me não apenas com luz, mas com profunda compaixão e entendimento. Nessa compaixão e entendimento há mudança no “eu”, atitudes, visão com relação a outros. É por isso que quando as pessoas falam Deus, Allah ou Pai e então há muita violência em seu comportamento com relação aos outros, está claro que estão muito longe de Deus. Aquele que é puro não pode ser violento, não pode dar tristeza. No silêncio é que temos aquele encontro com O Benevolente. Então somos capazes de nos sentir elevados, nossa consciência é elevada e torna-se positiva, abrigando e se reconciliando com outras almas. Sentimos a alegria de estarmos vivos, de sermos seres humanos. Não rejeitamos nada e não nos apegamos a nada, porque os dois extremos não mantêm o equilíbrio e a harmonia necessários para manter a alegria.

Quando temos um encontro com Deus, experimentamos a Paternidade de Deus, a Maternidade de Deus e acima de tudo a amizade de Deus, doce amizade. Sim, os egípcios antigos estavam muito certos, Deus o Pai, a Mãe, é o Senhor da Doçura, e é essa doçura que tira a amargura do passado e nos permite experimentar o poder do perdão, largar as coisas, não guardar ressentimentos. Quando há esse perdão para meu próprio “eu”, posso começar a perceber quem realmente posso ser.

Essa transformação preenchida de amor torna o ser humano espiritual. Um relacionamento verdadeiro transforma-o e liberta-o, ele não prende nem limita. Quando encontramos Deus como Ele verdadeiramente é, nossa consciência eleva-se para um nível de universalidade e compaixão em que não há barreiras de ressentimento, acusação ou medo.

Ser capaz de manter sua coragem, fé e princípios, mesmo em momentos de oposição, e manter um olhar bondoso sobre aqueles que se opõem a você – isso é espiritual! Essa é a habilidade de se ter misericórdia e compaixão para com aqueles que criticam e se opõem. Não é somente uma questão de ser estável e forte, mas ter um olhar bondoso para todos. Para tanto, precisamos do sustento de um relacionamento pessoal com Deus, de outra forma não seremos capazes de fazê-lo. Se não sinto aquele relacionamento, posso ser amável uma ou duas vezes com pessoas que são negativas comigo, mas continuar a fazer isso requer um fluxo de força muito positivo e contínuo dentro do “eu”. É por isso que a meditação é importante, não apenas para o “eu”, mas também para os outros. É na meditação que fico próximo a Deus e experimento o poder que Ele constantemente está oferecendo a mim. Essa proximidade de Deus é chamada de bem-aventurança. Bem-aventurança é uma experiência interna, além do toque, visão ou qualquer coisa física e ninguém jamais pode tirá-la de mim. Eu a levo dentro de mim. 

Anthony Strano era Diretor dos Centros da Brahma Kumaris na Grécia, Hungria e Turquia e faleceu em 2014.
Fonte: 
https://www.brahmakumaris.org.br

Shalom!


"O Homem nada sabe; 

mas é chamado a tudo conhecer."

(Hermes Trismegisto) 

*

As sete leis universais 

(O CAIBALION, Sabedoria egípcia hermética)

NOVA ACRÓPOLE - Escola Internacional de Filosofia
***
"Neste video, a professora Lúcia Helena Galvão comenta o livro
 'O CAIBALION",
  facilitando a compreensão de tão enigmáticas mensagens
 de Hermes Trismegisto - lendário sábio egípcio."

sábado, 3 de novembro de 2018

Shalom!
- Pai Nosso - (em árabe)
Marcus Viana e Raya Hilal 
por Marcus Viana

Namastê buscadores!

Abrindo picadas
por Momento Espírita

Muitos gostaríamos de abrir largas estradas, por onde conduzir os irmãos de luta a lugares seguros e felizes. Mas nos sentimos pequenos para tão grande empreendimento.

Desejaríamos ser faróis potentes a clarear a realidade maior da vida, dando visão ao que realmente é importante. Mas nossa capacidade de iluminar ainda é restrita.

Gostaríamos de fazer algo em benefício dos que nos rodeiam e enxergam menos que nós, mas também nossa visão é limitada. Se ficarmos nos detendo na análise das dificuldades nada realizaremos.

Sempre haverá uma possibilidade, desde que a vontade seja a mola propulsora, e o ânimo interior não esmoreça.

O semeador da seara de Jesus não se permite o abatimento frente à importância do trabalho à sua espera. Busca suprir-se do necessário na fé que o alimenta, e se dispõe a fazer o melhor que pode.

Mudar algo, quando se refere à conduta moral e ética da sociedade, é tarefa de cunho difícil e demorado. Daí não contarmos com muitos a se dedicarem a esse mister.

Não desanimar deve ser a nossa meta.

Construir o que possamos com amor e dedicação pode parecer insignificante, mas sempre será um primeiro passo. Se não podemos abrir largas estradas e acender grandes faróis, abramos picadas e acendamos um palito de fósforo.

Não podemos mudar a sociedade, mas podemos colaborar dentro de nossas possibilidades. Não nos importe o registro nos anais da História, apenas a tranquilidade interior de termos feito nossa parte.

Se não podemos construir uma escola, podemos agrupar crianças sob uma árvore e lhes narrar histórias edificantes.

Se não temos condições de alimentar uma família, podemos ensinar-lhes a fazer uma horta no quintal.

Se não podemos adotar uma criança, podemos apadrinhá-la, auxiliando-a nas suas necessidades maiores.

Se não temos todo o tempo disponível, podemos separar uma hora do dia, ou da semana, para auxiliarmos em uma instituição de amparo ao idoso ou à criança.

Se não podemos nos responsabilizar o tempo todo por alguém acamado, podemos visitá-lo, uma vez na semana, oferecendo-lhe nossa solidariedade.

Jesus iniciou Seu ministério no mundo, sem alardes. Atendeu aos doentes mais próximos, suavizando seus sofrimentos e inquietações mais prementes.

Utilizou a palavra como instrumento principal, renovando ideias. Inspirou sentimentos de amor, como verdadeiro caminho para alcançarmos a paz.

Nunca se deixou envolver pelas paixões do mundo. Foi abrindo estradas de esperança nos corações dos homens e mulheres que O seguiam.

Levava a alegria aos revoltados e indiferentes. Para isso, enfrentou todo tipo de impedimento. Mas nunca desistiu de Seus propósitos de iluminação de consciências.

Foi abandonado, traído, executado, mas não deixou de nos legar o que tinha de melhor: o Seu amor, que sustentou e continuará a sustentar a humanidade.

Prossigamos, dessa forma, abrindo picadas, derrubando o mato grosso de nossa indiferença, e doando de nós o melhor que temos, em benefício dos que pouco ou nada têm.

Redação do Momento Espírita, com base no cap.10, do livro Libertação pelo amor, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. LEAL.

Fonte:
 http://www.momento.com.br

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Om, shanti. "Neste episódio, a professora Lúcia comenta os degraus esotéricos ou internos de 13 a 21 (Final da 2a.parte)"

Om, shanti.

"Neste episódio, a professora Lúcia 
comenta os degraus esotéricos ou internos de 13 a 21
(Final da 2a.parte)"
por NOVA ACRÓPOLE - Escola Internacional de Filosofia
Série: Comentários do livro LUZ NO CAMINHO 5 - DEGRAUS  13 a 21 
(Final da 2a.parte)

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Namastê buscadores!
 Mabel Collins
(09/09/1851–31/03/1927)
"Suas três principais obras esotéricas são: Luz no Caminho, O Idílio do Lótus Branco e Pelas Portas de Ouro. Mabel afirmava que estes livros não eram escritos por ela, mas por Hilarion, um Adepto grego (que, segundo a literatura teosófica, é o Chohan do Quinto Raio) que tomava o controle de sua escrita, deixando-a inconsciente durante o processo.

***Segundo Raul Branco – no texto Todas as Mensagens dos Mestres Vêm da Mesma Fonte? 
– a Tradição Esotérica sugere que os Mestres, geralmente, usam dois métodos para transmitir informações que gostariam de divulgar à Humanidade. No caso de uma obra que no atual estágio evolutivo da Humanidade pode agora ser divulgada, mas que deve ser transmitida absolutamente sem erros, geralmente imprimem telepaticamente o texto na mente do discípulo para que este, por sua vez, possa escrevê-lo de forma correta. Este parece ter sido particularmente o caso da obra Luz no Caminho, escrita por Mabel Collins no século XIX. De acordo com Leadbeater, em casos excepcionais, os Mestres podem até ditar a mensagem a ser transmitida: 'Há casos, em que uma incumbência de grande importância é ditada palavra por palavra, e anotada no plano físico, na hora, pelo recipiendário; mas tais casos são sumamente raros.' O outro método, geralmente usado com discípulos mais avançados, é a transmissão telepática de informações, conceitos e idéias, deixando por conta do discípulo a formulação do texto final de acordo com seus dons intelectuais e literários. Estas transmissões normalmente ocorrem no plano mental abstrato ou no búdico (intuitivo). 

Lembramos que nos planos superiores, as comunicações não são realizadas por palavras, como em nosso mundo. Os conceitos são expressos de uma forma simbólica sintética, e devem ser decodificados ou traduzidos em palavras, pela mente concreta, para serem inteligíveis em nosso plano. Um exemplo clássico das comunicações por meio de discípulos avançados é o conhecido trabalho de Blavatsky A Doutrina Secreta. Ela era capaz de recolher informações dos registros akáshicos, ler à distância textos que se encontravam em outros lugares (como na biblioteca secreta do Vaticano) e receber comunicações de diferentes Mestres que colaboraram na obra. Todavia, a tarefa não era meramente a de receber um ditado, mas, sim, a de compor, com suas próprias palavras, o texto a ser produzido. A Condessa de Wachtmeister, companheira constante de Madame Blavatsky durante o período em que escreveu A Doutrina Secreta, relata que, um dia 'ao entrar no gabinete de Blavatsky, encontrei o chão coberto de folhas manuscritas. Perguntei a razão desse aspecto de confusão, e ela respondeu: — Sim, tentei doze vezes escrever esta página corretamente, e toda vez o Mestre diz que está errado. Acho que vou ficar louca escrevendo-a tantas vezes. Mas, deixe-me sozinha; não descansarei enquanto não o conseguir, ainda que tenha de ficar aqui a noite toda. Uma hora mais tarde ouvi sua voz me chamando, e, ao entrar, verifiquei que ela havia, finalmente, concluído o trecho e de maneira satisfatória.

Seja como for, esclarece o Mestre Kut Hu Mi (citação de Marina Cesar Sisson no texto Quem era John King?, publicado originalmente no Informativo HPB nº 05, Dez./1999): 'Nossos modos de ação são estranhos e não usuais e, muito freqüentemente, propensos a criar suspeita. Esta última é uma armadilha e uma tentação. Feliz é aquele cujas percepções espirituais sempre lhe sussurram a verdade!'..." 
Pensamentos por Mabel

"Quando o discípulo está preparado para aprender, então é aceito e reconhecido. Assim deve ser porque ele acendeu a sua Lâmpada, e esta não pode mais ficar oculta."

"Absolutamente, cada homem é, para si mesmo, 
o Caminho, a Verdade e a Vida."

As Três Verdades absolutas: 

"1ª) A Alma do homem é imortal e o seu futuro é o de algo cujo crescimento e esplendor não têm limites; 

2ª) O Princípio que dá a vida mora em nós e fora de nós; é imortal e eternamente benéfico; não é ouvido, nem visto, nem apreendido pelo olfato, mas pode ser percebido pelo homem desejoso de o perceber; e 

3ª) Cada homem é seu absoluto legislador, o dispensador de glória ou de escuridão para si mesmo, o decretador de sua vida, recompensa e punição."

"Antes que os olhos possam ver, devem ser incapazes de lágrimas. 
Antes que o ouvido possa ouvir, deve ter perdido sua sensibilidade.
Antes que a voz possa falar na presença dos Mestres, 
deve ter perdido o poder de ferir. 
Antes que a Alma possa estar na presença dos Mestres, 
seus pés devem ser lavados com o Sangue do Coração."

"Mata a ambição. Mata o desejo de viver. Mata o desejo de conforto. Trabalha como aqueles que são ambiciosos. Respeita a vida como aqueles que a desejam. Sê feliz como os que vivem em função da felicidade pessoal."

"Deseja somente o que está dentro de ti. 
Deseja somente o que está além de ti."

"Deseja somente o que é inalcançável. Pois dentro de ti está a Luz do Mundo – a única Luz que pode ser projetada sobre o Caminho. Se fores incapaz de percebê-La dentro de ti, é inútil procurá-La em outra parte. Está além de ti, porque quando a alcançares já te perdeste. É inatingível porque sempre recua. Entrarás na Luz, mas nunca tocarás na Chama."

"A Sabedoria está 'além de nós' porque só podemos alcançá-La deixando de lado o pequeno eu pessoal e ativando o hemisfério cerebral direito – sede da intuição espiritual. Como ensinou São Francisco de Assis, é morrendo que se nasce para a Vida Eterna. É deixando de existir para o hemisfério cerebral esquerdo, lógico, linear e quase sempre prisioneiro do egocentrismo, que nascemos para a consciência do hemisfério cerebral direito, que é intuitiva, criativa, capaz de perceber simultaneamente cada instante e a eternidade inteira. Entraremos na Luz, mas nunca tocaremos a Chama, porque ela é de uma dimensão superior à humana."

"Mata todo sentido de separação. Não te iludas imaginando que podes te afastar do mau e do insensato. Eles são tu mesmo, embora em grau menor do que o teu amigo ou o teu Mestre. Todavia, se permitires que cresça no teu interior a idéia de separação de qualquer coisa ou pessoa má, estarás criando um carma que te ligará a esta pessoa ou coisa, até que tua Alma reconheça que não pode permanecer isolada."

"Lembra-te de que o pecado e a vergonha do mundo são o teu pecado e a tua vergonha, pois tu és parte do mundo. Teu carma está inseparavelmente ligado ao Grande Carma."

"O Poder que o discípulo deve cobiçar é aquele que fará com que ele 
apareça como nada aos olhos dos outros."

"Aprende a olhar inteligentemente os Corações dos homens, mas de um ponto de vista absolutamente impessoal; caso contrário, tua visão estará distorcida."

"A inteligência é imparcial: nenhum homem é teu inimigo; nenhum é teu amigo. Todos são teus instrutores. Teu inimigo torna-se um mistério que deve ser resolvido, mesmo que isto possa necessitar um longo tempo, porque o homem deve que ser compreendido."

"Quando houveres encontrado o começo do Caminho, a Estrela da tua Alma mostrará a sua Luz; e, através desta Luz, perceberás como são grandes as trevas nas quais ela brilha. Mente, Coração e cérebro, todos estarão obscuros e em trevas, até que a primeira grande batalha tenha sido ganha. Não fiques apavorado nem aterrorizado com esta visão; conserva teus olhos fixos na pequena Luz... E ela crescerá."

"Não vivas no presente nem no futuro, 
mas, sim, no eterno."

"O homem que se crê justo prepara para si mesmo um leito de lodo. 
Abstém-te, não para permaneceres limpo; mas porque se abster é um dever."

"Estuda a sensação e observa-a porque unicamente assim poderás começar a entender a ciência do conhecimento próprio e colocar o pé no primeiro degrau da Escada."

"Cresce como cresce a flor, inconscientemente, mas ardendo em ânsias de entreabrir tua Alma à brisa. Assim é como deves avançar: abrindo a tua Alma ao Eterno. Mas há de ser o Eterno Aquele que deve desenvolver a tua força e a tua beleza, e não o desejo de crescimento, porque, no primeiro caso, florescerás com a louçania da pureza, e no outro endurecerás com a avassaladora paixão da importância pessoal."

"O Caminho há de ser buscado por ser o Caminho, e sem ter em conta os teus pés que O devem percorrer. Quando, após séculos de luta e de numerosas vitórias, ganhares a derradeira batalha e exigires o último Segredo, estarás, então, preparado para um Caminho mais avançado. E quando o Segredo final desta grande lição for revelado, Nele estará aberto o mistério do novo Caminho – um Caminho que conduz muito além de toda experiência humana e que se acha absolutamente fora do alcance da percepção e da imaginação do homem."

"Não desejes semear coisa alguma para a própria colheita; 
trata de lançar a semente cujo fruto alimentará o mundo."

"Para cada temperamento existe uma Via que parece a mais desejável. Contudo, só pela devoção não se encontra o Caminho, nem pela mera contemplação religiosa, nem pelo ardor de progresso, nem pelo laborioso sacrifício de si mesmo, nem pela estudiosa observação da vida. Nenhuma destas coisas, por si só, faz adiantar o discípulo mais do que um passo. Todos os degraus são necessários para subir a Escada. Os vícios dos homens se convertem em degraus da escada, um a um, à proporção que vão sendo dominados. As virtudes do homem são, em verdade, degraus necessários, dos quais se não pode prescindir de modo algum. Entretanto, ainda que criem uma bela atmosfera e um futuro feliz, são inúteis, se estão isoladas. A natureza toda do homem deve ser sabiamente empregada por aquele que deseja entrar no Caminho. Cada homem é absolutamente, para si mesmo, o Caminho, a verdade e a vida. Só o é, porém, quando domina firmemente toda a sua individualidade, e quando, pela energia de sua acordada espiritualidade, reconhece que esta individualidade não é ele mesmo, mas uma coisa que ele criou trabalhosamente para seu uso e por cujo meio se propõe – à proporção que o seu crescimento desenvolve lentamente a sua inteligência caminho – a alcançar a Vida além da individualidade. Quando sabe que para isto existe a sua assombrosa vida complexa e separada, então, em verdade e só então, se acha no Caminho. Busca-o nas profundidades do mais íntimo do teu ser. Busca-O provando toda a experiência, utilizando os sentidos a fim de compreender o desenvolvimento e a significação da individualidade, a formosura e a obscuridade desses outros fragmentos divinos que com ele e a seu lado combatem e que formam a raça à qual pertence. Busca-O estudando as leis do Ser, as leis da Natureza e as leis do Sobrenatural: e busca-O prosternando sua Alma ante a pequena Estrela que arde no seu interior. Enquanto vigia e adora com perseverança, a sua Luz irá sendo cada vez mais brilhante. Então poderá reconhecer que encontrou o começo do Caminho. E quando chegar ao fim, a sua Luz se converterá subitamente em Luz Infinita."

"Não condenes o homem que cede. Estende-lhe a mão como a um teu irmão peregrino, cujos pés se tornaram pesados de lama. Tem presente – ó discípulo! – que, por grande que seja o abismo que existe entre o homem virtuoso e o pecador, é ainda maior entre o homem virtuoso e aquele que obteve o conhecimento; e é incomensurável entre o homem virtuoso e aquele que se acha nos umbrais da Divindade. Portanto, guarda-te de imaginar, antes do tempo, que és alguma coisa distinta da massa!"

"Tu és uma parte da Harmonia!"

"Enquanto a natureza toda não tiver sido vencida e se tornado submissa ao Eu Superior, a Flor não poderá se abrir. Mas, um dia, no silêncio profundo ocorrerá o misterioso sucesso, o qual provará que o Caminho foi encontrado. É uma Voz que fala onde não há ninguém que fale... É um Mensageiro que vem, mensageiro sem forma nem substância... É a Flor da Alma que se abriu, e com ela nascem a confiança, o conhecimento e a certeza."

"Quando o discípulo for capaz de entrar no Templo do Saber, 
encontrará sempre o seu Mestre."

"Distancia-te na batalha que se irá travar e, ainda que combatas, não sejas o guerreiro. Procura o Guerreiro e deixa que ele combata por ti. Recebe Dele as ordens para a batalha, e obedece-lhe. Obedece-Lhe, não como se ele fosse um general, mas como se fosse tu-próprio, e as tuas palavras faladas a expressão dos teus desejos secretos, porque ele és tu-próprio, mas infinitamente mais sábio e mais forte do que tu és. Procura-O bem; se não, na febre e na pressa da batalha, podes passar por Ele, e Ele não te conhecerá a não ser que o conheças. Se o teu grito encontrar o Seu ouvido atento, então Ele lutará em ti e encherá o inerte vácuo interior. E se for assim, então poderás atravessar a batalha calmo e sem cansaço, pondo-te de lado e deixando que Ele se bata por ti. Então te será impossível errar uma cutilada. Mas se O não procurares, se passares por Ele, então não haverá para ti salvaguarda. O teu cérebro ondeará, o teu coração se tornará irregular, e na poeira do prélio te falharão a vista e os sentidos, e não poderás distinguir os teus amigos dos teus inimigos. Ele és tu-próprio. Tu, porém, és apenas finito e susceptível de erro; Ele é eterno e está seguro. Ele é a verdade eterna. Uma vez apossado de ti e tornado o teu Guerreiro, nunca te abandonará; e no dia da Grande Paz tornar-se-á uno contigo."

"Tão-somente através do teu próprio Coração vem a única Luz 
que poderá Iluminar tua vida e torná-la clara a teus olhos."

"Procura em teu Coração a raiz do mal e arranca-a. Esta raiz vive no Coração do discípulo fervoroso, tanto quanto no homem de desejos. Somente o forte pode destruí-la. O fraco tem que esperar o seu crescimento, a sua frutificação e a sua morte."

"Não ouças senão a Voz que é insonora."

"O artista puro que trabalha por amor à sua obra, está, às vezes, mais firmemente colocado no caminho correto do que o ocultista que imagina ter removido seu interesse de si mesmo, mas que, na realidade, só ampliou os limites de experiência e de desejo, e transferiu seu interesse para coisas relativas a uma dimensão maior da vida."

"Não olhes senão o que é invisível, 
tanto ao sentido interno como ao externo."

"O grande perigo para o discípulo, através de sua peregrinação, é que uma semente de orgulho espiritual germine dentro de si e afogue sua natureza superior, antes que ele esteja consciente de seu crescimento e cresça como erva daninha em boa terra."

"A Palavra só vem com a Sabedoria. 
Alcança a Sabedoria e alcançarás a Palavra."

Referencias pela Fonte: 
http://paxprofundis.org/livros/mabel/collins.htm

Om, shanti. "Neste episódio, a professora Lúcia comenta os degraus esotéricos ou internos de 04 a 12 (da 2a.parte)"

Om, shanti.

"Neste episódio, a professora Lúcia 
comenta os degraus esotéricos ou internos de 04 a 12
(da 2a.parte)"

por NOVA ACRÓPOLE - Escola Internacional de Filosofia
Série: Comentários do livro LUZ NO CAMINHO 4 - DEGRAUS  04 a 12 
(da 2a.parte)

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Shalom!

"Entre as civilizações, como entre as pessoas, 
o diálogo sincero tornar-se-á criador de 
fraternidade e de paz." 
(Paulo VI)
"O amor não vê com os olhos, vê com a mente; 
por isso é alado, é cego e tão potente."

(William Shakespeare)

"Neste episódio, a professora Lúcia comenta os degraus exotéricos de 17 a 21 e 1 a 3 (da 2a.parte)"

Om shanti.

"Neste episódio, a professora Lúcia 
comenta os degraus exotéricos de 17 a 21
 e 1 a 3 (da 2a.parte)"
por NOVA ACRÓPOLE - Escola Internacional de Filosofia
Série: Comentários do livro LUZ NO CAMINHO 3 - DEGRAUS 17 a 21
e 1 a 3 (da 2a.parte)

domingo, 28 de outubro de 2018

"Neste episódio, a professora Lúcia comenta os degraus exotéricos de 8 a 16.:"

Om, shanti.

"Neste episódio, a professora Lúcia 
comenta os degraus exotéricos de 8 a 16.:"
por NOVA ACRÓPOLE - Escola Internacional de Filosofia
Série: Comentários do livro LUZ NO CAMINHO 2 - DEGRAUS 8 A 16
Namastê buscadores!

 “Dentro de ti está a luz do mundo” – diz o texto –
 “a única luz que pode ser projetada sobre o Caminho”. 

"Estas regras são para TODOS os que seguem o Caminho, para estes foram escritas e não há melhores. Elas nos foram dadas por aqueles que SABEM."
"Antes que os olhos possam ver, devem ser incapazes de lágrimas. 
Antes que o ouvido possa ouvir, deve ter perdido a sensibilidade. 
Antes que a voz possa falar em presença dos Mestres, 
deve ter perdido a possibilidade de ferir.
 Antes que a alma possa erguer-se na presença dos Mestres, 
é necessário que seus pés tenham sido lavados no sangue do coração. " 

(Mabel Collins)
Nascimento: 9 de setembro de 1851, Saint Peter Port
Falecimento: 31 de março de 1927, Gloucester, Reino Unido
Livro: Luz no Caminho

"Mabel Collins é lembrada hoje, quando em tudo, como sendo a autora do trabalho espiritual Light on the Path. Poucas pessoas percebem que ela era uma autora prolífica, escrevendo pelo menos 46 livros. Ela escreveu uma série de artigos, alguns dos quais formavam a base para seus livros e também era correspondente de moda do The World, escrevendo uma coluna regular. A maioria dos romances de Mabel é ficção romântica de sensações. Nos últimos anos, suas experiências no ocultismo e na teosofia foram usadas como base para sua escrita de ficção.  

O nome de Mabel aparece de novo e de novo em histórias teosóficas. No entanto, ninguém sabia muito sobre isso - na verdade, eu vi escrito que a vida dela era um completo mistério. Como muitos desses mistérios, a informação está lá assim que você começa a olhar. Mabel Collins foi uma figura instrumental na teosofia precoce, mas devido às disputas em que ela estava envolvida ela desapareceu mais ou menos dos livros de história. Ela era uma autora, uma médium, uma teosofista, uma escritora de moda, uma ativista anti-vivissecção ... a lista é muito mais longa do que a das realizações da maioria das pessoas."

sábado, 27 de outubro de 2018

Om, shanti. Série: Comentários do livro LUZ NO CAMINHO 1 - DEGRAUS 1 A 7

Om, shanti.

Série: Comentários do livro LUZ NO CAMINHO 1 - DEGRAUS 1 A 7

"NOVA ACRÓPOLE apresenta mais uma leitura comentada de valiosíssimo material para a expansão da consciência humana. Desta vez, a professora e voluntária LÚCIA HELENA GALVÃO comenta o livro LUZ NO CAMINHO, da escritora inglesa do século XIX, Mabel Collins. Esse texto traz parte do conteúdo de um livro antiquíssimo tibetano - LIVRO DOS PRECEITOS DE OURO.

Indica 21 leis (ou degraus) a serem seguidas por aqueles que QUEREM ENTRAR no caminho da elevação espiritual (degraus externos ou exotéricos), e outras 21 leis para os que chegam a esta condição e começam a trilhar de fato o Caminho (21 degraus esotéricos ou internos)."
por NOVA ACRÓPOLE - Escola Internacional de Filosofia
Série: Comentários do livro LUZ NO CAMINHO 1 - DEGRAUS 1 A 7
Neste episódio, a professora Lúcia comenta os degraus exotéricos de 1 a 7.

NOVA ACRÓPOLE é uma organização filosófica presente em mais de 50 países desde 1957, e tem por objetivo desenvolver em cada ser humano aquilo que tem de melhor, por meio da Filosofia, da Cultura e do Voluntariado.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Namastê buscadores!

 Élfico (Quenya): 
"Nai tielyar nauvar laiquë ar hwesta cana le"
Tradução Literal: 
"Que seus caminhos sejam verdes e haja brisa atrás de você"
por Marcus Viana - DANÇA ÉLFICA 1

Om, shanti.

Esclarece o papel da autoconsciência 
na construção do amor próprio. 


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Certa vez, estava mostrando para uma classe de crianças de 6 anos de idade alguns quadros que ilustravam o ciclo de vida da borboleta e perguntei-lhes como achavam que isso acontecia. A face de um pequeno menino iluminou-se e ele exclamou: “Eu sei, a lagarta tem o coração de uma borboleta!”. Que sábia alma velha. É verdade que se soubermos, dentro de nossos corações, em que queremos nos tornar, então nos tornaremos aquilo.
Uma amiga percebeu recentemente que ela só era capaz de se ver através dos olhos de outras pessoas. Um conselheiro perguntou-lhe como se via, e ela respondeu que as pessoas a achavam atraente, inteligente e divertida. Posteriormente, ao ser questionada a respeito do que ela via, percebeu com horror que não via nada, só um reflexo dela mesma nos olhos de outras pessoas, experimentando um profundo sentimento de estar desconectada de si mesma.  
É um sentimento assustador quando não sabemos quem somos. E muitos de nós não sabemos, ou chegamos a um ponto na vida onde buscamos seriamente um pouco de clareza. Nunca houve um tempo em que nós estivemos com mais necessidade de buscar algo como uma simples e velha sabedoria – a espiritual, ao invés de uma explicação material de quem nós somos. Por muito tempo fomos surpreendidos com uma identidade baseada em fatores externos como nosso trabalho, aparência, talentos e relacionamentos. Olhamos as outras pessoas, situações e circunstâncias para nos definirmos, para nos afirmarmos e para serem a fonte de nosso prazer. Nós nos perdemos ao nos compararmos com os outros e ao nos medirmos a partir de padrões materiais de sucesso e de realizações. 
Começar a nos recuperar dessa confusão significa uma mudança de percepção de autoconsciência física para autoconsciência espiritual ao nos vermos como uma alma ou consciência espiritual que está além da forma. O estado natural da alma é força interna, e a expressão mais elevada da alma é expressar aquela força na forma de amor, confiança, coragem, e muitas outras qualidades positivas. Ter nosso centro de gravidade firmemente ancorado nessa parte de nós torna-nos maiores que o detalhe de nossas vidas diárias. Dessa forma, para qualquer desafio que a vida nos apresente, podemos ficar firmes e sólidos. Ter uma experiência do Eu “traz um sentimento de estar em um terreno sólido dentro de si mesmo, num pedaço de eternidade o qual nem sequer a morte física pode tocar…” (Marie-Louise Von Franz).
É um grande desafio trabalhar com uma visão de si mesmo que está além da imagem! – para sua borboleta ter asas de compaixão, coragem, paz e amor ao invés de promoção, beleza, riqueza e sucesso! Ainda assim, tenho visto muitas pessoas que meditam pela primeira vez conectadas com essa realidade interna, suspirando aliviadas e compartilhando experiências de uma liberdade interna e leveza que nunca haviam sentido antes. 
É claro que o verdadeiro desafio vem na integração dessa experiência na vida diária. A autoconsciência espiritual não significa ignorar seu mundo físico, social e emocional, mas usar isso para lhe dar a força do poder, as ferramentas e forças para trazer a cura e mudança em todas as áreas de sua vida. Quando não há uma consciência espiritual, você pode se pegar tentando fazer mudanças superficiais quando as coisas dão errado, como colocar enfeites e decorações em cima de uma estrutura que está cedendo ou pôr mais cobertura em um bolo podre – o equivalente a comprar mais roupas, comer mais comida, ou beber mais álcool quando você se sente deprimido. Sem uma prática espiritual como a meditação, você pode saber muito bem que mudanças nas atitudes e comportamentos seriam boas para você, mas, simplesmente, não tem energia ou poder para colocá-las em prática.  
A energia e a força interna experimentadas na meditação o equipam com as armas certas para lutar uma guerra não violenta – armas como paciência, tolerância, perdão, compaixão, aceitação e generosidade. O quão profundamente acreditamos em nossos egos positivos e o quão reais tenham sido as experiências de nosso eu espiritual, essa realidade será inevitavelmente desafiada. Você pode acreditar ser uma alma pacífica, amorosa, mas será que consegue manter essa experiência face a doenças ou críticas? Uma consciência espiritual significa estar sempre pronto com as armas certas, onde batalha e vitória são uma oportunidade para a alquimia. Onde havia medo, deixe que haja coragem, onde havia mentiras e ilusões – verdade; onde havia raiva – aceitação; onde havia feridas – perdão. Ataques não virão somente de fora. Nossa autoimagem é feita de camadas e camadas de experiências passadas dentro do nosso próprio subconsciente na forma de hábitos profundamente arraigados de padrões negativos de pensamento e comportamento. Mudança duradoura e curativa requer um compromisso profundo para fazer emergir ouro a partir do chumbo.
Ao despertarem para a sua espiritualidade, as pessoas tipicamente descobrem um senso de propósito e significado na vida. Isso não deveria ser somente uma sensação passageira! O desafio é viver diariamente com um senso de significado e propósito. Será que você entende o significado dos papéis que desempenha, o trabalho que faz, os talentos que tem? Esse é um campo minado em potencial de tensão, frustração e tédio, de sonhos não realizados e sentimentos de fracasso. Ainda a partir de uma perspectiva espiritual, tudo o que você faz é apresentado exatamente com o que você precisa para seu crescimento e mudança interna. Você pode precisar estar em uma situação para aprender paciência e humildade. Você pode estar explodindo para mudar as coisas em um nível externo, mas a melhor coisa que pode fazer, agora mesmo, é mudar sua atitude e percepção frente ao que faz. E então, esperar pacientemente pelo momento quando a mudança que acontecerá não será uma reação contra algo ruim, mas uma escolha consciente para se mover em direção a algo bom.  
O que significa traduzir autoconsciência espiritual em suas relações com outras pessoas? Você é capaz de amar? Você se ama bastante para amar outras pessoas? – considerando o amor como um verbo e não algo que será achado numa pessoa ideal, ou numa situação ideal? – sendo tão comprometido para ver ouro em outras pessoas assim como você vê o ouro em você, apreciando o quão profundamente conectadas estão essas duas percepções? Quando nossos recursos internos estão fracos não conseguimos suportar os ataques e defesas de outras pessoas, e a coisa mais fácil que acontece é realçar suas fraquezas como um modo de evitar a responsabilidade por aquilo que estamos sentindo. Ser estável em nossa própria consciência do eu espiritual é ser capaz de reverter as coisas ao nosso redor, de forma a enfrentar alguém vindo de um contexto de raiva, medo ou ciúme. Passo a não ser ameaçado, mas posso desarmar a negatividade do outro ao vê-lo além daquilo, a partir de sua bondade. Para manter essa visão precisamos de muito poder espiritual. Quando você está cansado e com sua energia em baixa, apega-se à aparência externa das coisas e é muito mais fácil culpar, criticar e derrubar os outros.
A verdadeira consciência do eu é ver e aceitar o completo ciclo de vida de mudanças – que é a lagarta, o casulo e então, a borboleta; assim como o alquimista que usa o chumbo para fazer ouro e a luz do dia que sempre segue a noite. Uma perspectiva espiritual dá uma compreensão dessa história completa e permite ver a história de algum lugar “fora de” ou “além de” você, sem se prender muito a qualquer pormenor. Isso lhe permite ver fraqueza e força com equanimidade e estabilidade; vendo a fraqueza como uma realidade temporária, mas não a parte final da verdadeira identidade; vendo a fraqueza como o avesso da força e sempre fazendo a escolha para se mover de encontro à luz, movendo-se para o ouro e movendo-se para o voo.  
Sem ver todo o quadro, é muito fácil ficar preso a uma pequena parte da história. Muitas pessoas podem aceitar suas fraquezas, mas não suas forças. Quando indagados a listar coisas positivas e negativas sobre eles, a lista negativa vem mais fácil e é bastante longa! Talvez se sintam mais seguros ao ficarem em terreno familiar: “É minha personalidade ser assim”, “Eu não posso mudar, eu nasci assim!”. Ver a si mesmo em uma luz positiva é sair da zona de conforto em direção a um território perigosamente desconhecido. Faz-me lembrar das crianças cujo único modo de alcançar e estabelecer contato com os outros é por violência física, pois é a única linguagem que eles conhecem. Para elas, as estratégias de buscar atenção resultam em serem constantemente advertidas. Mas, através disso, adquirem exatamente o que querem: atenção. Para aqueles cujas novas e subsequentes experiências de vida foram caracterizadas pela dor e o sofrimento, é necessário um esforço hercúleo de vontade e coragem para dar um passo além disso e entrar numa linguagem de amor. 
Talvez menos comum, mas certamente um perigo potencial, é quando aceitamos nossas forças, mas vamos por vários caminhos a fim de evitar enfrentar e aceitar as fraquezas. Nenhum de nós é perfeito, e até mesmo as almas mais grandiosas têm um lado de sombra. E essa sombra tem de ser vista e abraçada se quisermos continuar crescendo. Coragem só pode vir ao se enfrentar o medo. Compaixão só pode vir ao se compreender a raiva. A paz que podemos experimentar está somente em contraste ao caos. Toda fraqueza é a força fora de equilíbrio: um sentimento de inutilidade pode ser humildade distorcida, e arrogância pode ser confiança por razões erradas. 
É uma arte olhar para a Bela e para a Fera com equanimidade. E a maior ameaça a isso é o medo. O medo é o grande espelho distorcido. Olhamo-nos no espelho e vemos a Fera, e ficamos com a Fera, porque ela diz “Eu não tenho nenhum motivo pelo qual viver” e tem muitas desculpas para não ter de fazer qualquer coisa. Ou, nós olhamos para dentro do espelho e vemos a Bela e ignoramos a Fera. E se a Fera não adquire pelo menos um aceno de reconhecimento, ela nos perseguirá, levando-nos ao labirinto de nosso subconsciente, demandando sacrifícios – uma oportunidade perdida aqui, uma relação danificada lá. Ela fará a sua cabeça, manifestando-se como projeções, negações, desculpas e distorções da verdade. Assim, a Bela tem de se apaixonar pela Fera para transformá-lo num príncipe. E o único modo para a Bela amar a Fera é ir além do medo. Olhe para dentro do espelho e veja além da Fera. Somente veja a luz. A luz preenche você com o amor e a coragem para enfrentar e transformar suas fraquezas, junto com a força para expressar sua determinação.
***
Por dezesseis anos, Lesley Edwards dedicou-se ao desenvolvimento espiritual interior com a Brahma Kumaris. Sua carreira levou-a a ensinar, e ela se entregou de coração a seu trabalho com crianças em diversas escolas de Londres. Permaneceu igualmente comprometida com sua busca espiritual. Como estudante e professora na Brahma Kumaris, ela foi um membro muito amado e respeitado na família BK. Por quase quatro anos, conduziu uma grande batalha interior com a esclerose múltipla e, por fim, o câncer. Faleceu em junho de 1999, mas o legado que deixou nos corações e mentes de todos que a conheciam foi a visão de imensa coragem, serviço altruísta e aceitação serena de seu papel entre nós nesta vida.
Durante seus últimos cinco anos, uma de suas principais áreas de foco foi o desenvolvimento da autoestima. Ela desenvolveu e conduziu cursos pelo Reino Unido, compartilhando tudo o que aprendeu em sua própria jornada. Este é o primeiro de dois artigos que ela escreveu antes de sua morte. Como você viu, pela maneira profunda e articulada com que discorre sobre esse importante tópico, ela realizou seu trabalho interno e nos falou diretamente de sua própria experiência.

(Brahma Kumaris)

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Fonte: https://www.brahmakumaris.org.br