"No silêncio que antecede o som, respire a eternidade… Shanti."
Mozart - Requiem
No veludo das notas que flutuam entre o mundo e o invisível,
ergue-se um coro de sombras e luz,
onde o tempo se curva e a morte sussurra segredos antigos.
Cada acorde é um labirinto de movimento e essência,
cada pausa, um espelho da luz oculta;
as vozes entrelaçam-se como serpentes de sombra e alabastro,
tecendo o véu que separa o agora do eterno.
Ali, o lamento se torna oração,
o medo se dissolve em reverência,
e o espírito, mesmo acuado, aprende a caminhar pelos portais do silêncio.
Não há trevas que não tragam revelação,
nem fim que não carregue em si a promessa da transformação,
pois, entre a melodia e o sopro divino,
o ser humano contempla a própria eternidade,
e descobre que ouvir é, também, transformar-se.
No crepitar final das vozes, surge a luz secreta:
cada nota transformada, cada dor sublimada em luz,
a alma torna-se vaso do elixir do espírito,
e no coração do silêncio, a alquimia revela:
renascer é ouvir o infinito dentro do próprio peito,
onde a centelha da alma desperta a chama do espírito eterno.
"Que a música transforme o silêncio em luz… Shanti."



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